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COLUNA DO LOC

14 dezembro 2008

por Luiz Orlando Carneiro
JB, Caderno B, 14 de dezembro
luizoc@jb.com.br

­Selo de qualidade
Etiqueta Nonesuch emplacou três dos cinco álbuns indicados para o 51º Grammy

A Etiqueta NONESUCH, cultuada por jazzófilos e audiófilos pelo seu refinamento, ­ emplacou três dos cinco álbuns indicados para concorrer, em fevereiro, ao 51º Grammy, na categoria destinada às performances de solistas ou grupos de jazz pequenos e médios: History, mistery, do guitarrista Bill Frisell; Brad Mehldau Trio: Live (at the Village Vanguard); e Day trip, com o trio do guitarrista Pat Metheny. Os dois outros CDs selecionados são The new crystal silence (Concord), uma esplêndida ressurreição do duo que o pianista Chick Corea, 67 anos, e o vibrafonista Gary Burton, 65, formaram em 1972; o inesperado ­ mas bem-vindo ­ Standards (Fuzzy Music), do trio do underrated pianista Alan Pasqua, 56 anos, com Peter Erskine (bateria) e Dave Carpenter (baixo). Os dois primeiros álbuns acima citados são duplos. O de Frisell contém 30 faixas, em sua maioria gravadas ao vivo, em 2006. O trio básico (Kenny Wollensen, bateria; Tony Scherr, baixo) do guitarrista eletro-acústico ­ capaz de ser tão melódico como Jim Hall ou de gerar explosões hendrixianas ­ torna-se um octeto (com o violino de Jenny Scheinman, violoncelo, viola, o sax de Greg Tardy e a corneta de Ron Miles) para projetar mais o compositor-arranjador Bill Frisell do que o instrumentista. Como comentei neste espaço (5/10), é uma espécie de patchwork, no melhor sentido artístico da palavra, com miniaturas de menos de um minuto e faixas bem mais longas, como Waltz for Baltimore (8m47) e três reinvenções sensacionais de temas alheios: Sub-conscious Lee (Konitz), Jackie-ing (Monk) e A change is gonna come (Sam Cooke).

O duplo de Mehldau ­ que disputa com Keith Jarrett e Herbie Hancock, já há alguns anos, o título de pianista mais reverenciado da cena jazzística ­ foi gravado também em fins de 2006. São mais de duas horas de música de altíssimo nível do grupo com Larry Grenadier (baixo) e Jeff Ballard, que substituiu Jorge Rossy em 2004. O crítico Thomas Conrad, amigo recente, mas velho guru em matéria de pianismo, escreveu na Jazz Times que esse terceiro registro de Mehldau no Village Vanguard não demonstra apenas que o novo trio superou seu predecessor, mas também que atingiu um nível de criatividade "somente alcançado por trios muito especiais, como os de Bill Evans e Keith Jarrett".
Day Trip, gravado em 2005, foi lançado no início deste ano, lá fora e aqui (Warner). É prato fino para os jazzófilos que sabem distinguir o Pat Metheny dos preciosos duos com Charlie Haden (1996), Jim Hall (1988) e Brad Mehldau (2005) do guitarrista superplugado e intolerável de Zero tolerance for silence (1994), como anotei também nesta coluna (30/3). O CD é um notável registro de Metheny, que assina 10 originais, à frente de um trio com o grande Christian McBride (baixo) e Antonio Sanchez (bateria). Mas o volume 2 de The new crystal silence ­ que documenta o duo Corea-Burton na excursão européia do ano passado, comemorativa do 35º aniversário do primeiro encontro dessa dupla que se transforma em uma entidade criativa única ­ parece ser o candidato mais forte ao gramofone de ouro para os jazz combos. O pianista e o vibrafonista estão, como costumam dizer os americanos, no top of their game. Em estado de graça, em matéria de criatividade, técnica e emoção. Como estavam Bill Evans e Jim Hall, nos idos de 1962, quando gravaram o imortal Undercurrent (Blue Note).

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