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COLUNA DO LOC

09 novembro 2008

O sax do Queens, Luiz Orlando Carneiro
JB, Caderno B, 9 de novembro de 2008

O nome dele é Jon Irabagon. De ascendência filipina, o jovem saxofonista baseado em Queens, Nova York, venceu a 21ª Thelonious Monk Jazz Competition, que teve lugar no Kodak Theater, Los Angeles, no último domingo de outubro. Derrotou mais 11 semifinalistas considerados de altíssimo nível técnico, e o veredito foi proclamado por um corpo de jurados formado por cinco excelências do instrumento mais emblemático do jazz: Wayne Shorter, Jimmy Heath, Greg Osby, Jane Ira Bloom e David Sanchez.

Irabagon ganhou um prêmio de US$ 20 mil e um contrato com o grupo Concord Music. Até agora, ele gravara, como líder, apenas um CD – Outright! – para o selo indie Innova. E vale lembrar que o título do álbum significa, entre outras qualificações, direto, sem rodeios, franco, claro, inequívoco, sincero. Para o acatado crítico Don Heckman, que acompanhou as etapas semifinal e final do mais importante concurso internacional de jazz aberto a jovens talentos, o vencedor deste ano "soube usar consistentemente sua destreza fora de série a serviço de explorações improvisadas ricas e imaginativas".

As competições anuais promovidas pelo Thelonious Monk Institute of Jazz têm lançado carreiras fulgurantes, como as dos saxofonistas Joshua Redman (filho do falecido Dewey Redman, vanguardista da geração de Ornette Coleman), vitorioso em 1991, e, mais recentemente, em 2002, Seamus Blake, escolhido por um júri integrado pelo então já renomado Joshua, e pelos consagrados veteranos Wayne Shorter, George Coleman e James Spaulding.

Nos primeiros anos, a TMJC era destinada apenas a pianistas. O primeiro ganhador (1987) foi o magnífico Marcus Roberts (nascido em 1963), que começou sua carreira no conjunto do rei dos young lions da década de 80, o trompetista-compositor Wynton Marsalis. Outro pianista que virou estrela de primeira grandeza depois de conquistar o cobiçado laurel, em 1993, foi Jacky Terrasson. Na banca examinadora" estavam Dave Brubeck, Herbie Hancock, Marian McPartland e ... Marcus Roberts.

No ano passado, venceu a competição o trompetista californiano Ambrose Akinmusire, que vem de lançar seu primeiro CD como líder (Prelude, Fresh Sound/New Talent), depois de aparecer como sideman no álbum Esperanza (Heads-Up), da baixista-vocalista Esperanza Spalding – atração do recente Tim Festival, realizado no Rio e em São Paulo. Em 2006, no concurso só para pianistas, o eleito foi Tigran Hamasyan, garoto-prodígio nascido na Armênia e formado na University of Southern California. Na época, Hamasyan tinha menos de 20 anos, e impressionou vivamente o júri, do qual faziam parte Hancock, Andrew Hill, Randy Weston, Danilo Perez e Renée Rosnes. Seu disco World passion (Nocturne), de 2004, com François Moutin (baixo), Ari Hoenig (bateria) e Ben Wendel (saxes), foi recomendado neste espaço, há dois anos, aos apreciadores de pianistas assimétricos e percussivos, mas capazes de criar inesperados contrastes entre fúria e contemplação, tal como Jason Moran ou Jean-Michel Pilc.

Hamasyan, Akinmusire e Irabagon mostram que o processo de renovação da mainstream do jazz é inusitado e bem diversificado, como seus próprios nomes e culturas. Quem quiser ter uma idéia do sax alto abrasador de Jon Irabagon – que mescla a sound grammar de Ornette Coleman com a alma bop & bluesy de Jackie McLean – deve baixar a versão de Groovin’high (6m36) do CD Outright!.

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