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O BOM SAMARITANO E O BAD PLUS DO NUNCA MAIS

09 outubro 2008

Difícil quem não conheça esta, das mais lindas parábolas de Cristo.

Certo homem, atacado e espancado por bandidos, agonizava no caminho, quando por ele passaram, primeiro, um levita e, após, um sacerdote, respeitáveis e proeminentes figuras da estrutura de poder político-religioso da região, pessoas a quem se atribuía retidão de caráter e absoluta fidelidade aos preceitos de Deus. Passaram ao largo do infeliz e o homem só foi acudido por um samaritano, cujo povo era marginalizado e tido, de certa forma, como "infiel", sofrendo forte preconceito das castas dominantes.

Historicamente interpretou-se esta parábola de modo algo equivocado, na medida em que dela extraíram uma "moral" apontando para a idéia de que "daqueles de quem normalmente se esperaria solidariedade, nada se viu, enquanto que foi o "pecador" quem surpreendeu, ao mostrar-se solícito para com o próximo".

Ledo engano. Pela Lei Mosaica, nem o Levita nem o Sacerdote (e nem um Fariseu, p.e.), por mais compadecidos que estivessem, poderiam sequer tocar no pobre infeliz, pois este, na condição em que se achava, era considerado "impuro" (tal como, por exemplo, na mesma época, as mulheres em seu período menstrual). Religiosos que eram e - e muito - Levita e Sacerdote em tese nada podiam fazer, pois, senão, estariam descumprindo a Lei. Ao mesmo "compromisso", evidentemente, não estava vinculado o "bom" samaritano - ainda mais ele, para todos "decerto um pecador".

A provocação, portanto, proposta por Jesus, é deveras distinta da clássica e quase unânime hermenêutica dada, por séculos, a esta clássica alegoria; na verdade quer a parábola indagar: apesar de ilícito, deveriam os homens considerados "de Deus", ignorar a Lei e, afinal, amparar seu semelhante ? Claro que sim. Muito mais eles, aliás, se melhor se ativessem não à literalidade do texto mosaico, mas aos autênticos desígnios da Lei Divina.

Este é o real sentido de tão sublime ensinamento: nem tudo que é "certo" é, necessariamente, o "melhor".

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No último sábado, eu e Sazzinho resolvemos conferir o último set do Bad Plus, no Mistura Fina.

Sessão marcada para 22:00 h., lá chegamos, escolados, por volta de 22:05 h., da gentil recepcionista recebendo a notícia de "lotação esgotada".

Sazzinho, ao que sempre soube, conhecido - e, pensávamos, "amigo" - daquele habitualmente anunciado como "dono da casa", subiu para com ele confabular sobre a possibilidade de, comprando entradas, evidente - e é bom de logo deixar isso claro: ninguém foi pedir "convite" ou "favor" - eventualmente podermos assistir ao show (entre nós, "concerto", para o Bad Plus, seria demais), da maneira que fosse possível, ou seja: improvisadamente sentados; em pé; no bar; atrás da mesa de som; enfim, como desse.

"Parabenizo" o "dono da casa" ao sacerdotescamente desprestigiar seu melhor funcionário - para os fins deste post, nosso "bom samaritano" (que sem qualquer dificuldade nos alocaria, pois havia, inclusive, duas cadeiras vazias, já de há muito ultrapassada a hora prevista para o início do espetáculo, na mesa da própria sobrinha do Sazz) - emitindo solene e gutural "NÃO" a nosso confrade e seu "amigo" (?!).

Isto mesmo, senhores e senhoras do CJUB: "N Ã O".

Esclareço que a casa estava, de fato, muito cheia, mas, na gaveta da recepcionista, na parte de baixo, vi vários ingressos (convites ?) sobrando, talvez para "vips" "de última hora", quem sabe ?

Por isso, não me venham com as ladainhas de sempre, a ele tão peculiares: "jeitinho brasileiro", "corpo de bombeiros", etc. ?

Há uma diferença, bastante simples de intuir, entre falta de ingressos "para vender", de um lado, e, de outro, falta "de lugares".

Colegas de CJUB - o mesmo CJUB que (malgrado as migalhas, em todos os sentidos, de que dispunhamos) por tantos meses modesta e sempre graciosamente ajudou a alimentar a finada casa homônima da Lagoa, não só de ótima música mas, certamente, de boa e fiel arrecadação -, pode esse "NÃO" passar em branco ?

Lembram da parábola ? Se o "NÃO" talvez soasse, em preliminar e superficial abordagem, como "certo", induvidosamente ele jamais foi o "melhor".

E como, para mim pelo menos, seguindo o Mestre, ao "certo" preferirei sempre "o melhor", digo, sem hesitar: MISTURA FINA, COM AQUELE FARISEU, NUNCA MAIS !

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