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JAZZ FESTIVAL 2008 - BRASIL - MULHERES BRILHAM NA SEGUNDA NOITE

10 setembro 2008

Foi uma noite espetacular com os dois grupos escalados "Gunhild Carling" e "Leroy Jones" mostrando um Jazz de primeira qualidade.

O curioso é que as mulheres se sobressairam , principalmente a multiinstrumentista sueca que domina com muita facilidade os instrumentos que executa. Seu grupo abriu a noite trazendo como convidado o excelente guitarrista Chris Flory, um dos integrantes do famoso quinteto de Scott Hamilton que gravou abundantemente para a Concord. Gunhild é um dínamo musical. Além de tocar incentiva seus companheiros, balança o corpo o tempo todo e dá aulas de improvisação. No trombone, demonstrou domínio absoluto e profundo conhecimento dos estilos desde o "tailgate" de Kid Ory até as formas mais adiantadas na história como a de Tricky Sam Nanton, no uso das surdinas. No trompete, que toca com muito vigor, nao só faz o lead como integra positivamente a chamada polifonia atonal. E não fica por aí. Sola um tema numa tosca flauta de madeira, obtendo notas aparentemene impossíveis de se alcançar. Não satisfeita executa um improviso numa minúscula gaita e depois vai para uma extremidade do palco sapatear, o que faz com surpreendente mestria. Nessa pequena demonstração o seu clarinetista Max Ollin faz peripécias com malabares trazendo um pouco do distante "vaudeville". Mas Gunhild ainda dá mostra de mais aptidões, solando a "Beer Barrel Polka" em dois trompetes. Depois adiciona mais um trompete mas este só para exibição pois não tem uma terceira mão para acionar as válvulas. Chris Flory brilhou nos solos e no acompanhamento. Sua harmonia é caracterizada por surpreendentes acordes, enriquecendo bastante sua participação. Músico completo, que muito valorizou a apresentação do grupo. O baterista Bo Hildborg, também sueco, é de uma leveza extraordinária nos acompanhamentos e bastante competente nos solos e nas trocas de compassos, produzindo eficientes desenhos rítmicos. Marcelo Costa, um dos curadores do festival é também trompetista e atuou de forma convincente, solando e participando do trio de sopros. Ótima apresentação, que encantou a platéia que não regateou os aplausos.

Depois tivemos o Leroy Jones Quintet, trazendo o Jazz de New Orleans algo modernizado pelo trompete de Jones, que nas improvisações mostrou sonoridade e fraseados na linha de Clifford Brown. A trombonista Katja Toivola, parece que é natural da Finlandia, mas nem porisso deixa de ser uma eficiente conhecedora do idioma musical de New Orleans. Discreta nos solos, eficiente nas trocas de compassos com o líder, encantou a platéia com seus meneios, balançando o corpo o tempo todo numa coreografia marcada junto com o lider. O pianista Paul David, de New Orleans, conhece profundamente o instrumento e a música de sua cidade. Acompanha com muita habilidade, utilizando grupos de acordes dissonantes que produzem uma harmonia moderna e cativante. Solista eficiente e imaginativo, é dono de uma prodigiosa técnica que demonstrou durante toda a apresentação. Surge em seguida a cantora Tricia Boutté, mais uma agradável surpresa. Gorda, simpática, cheia de anéis e colares dourados, cantou com muito entusiasmo mostrando uma voz de rara extensão, principalmente no "spiritual" "Just a Closer Walk with Thee". Não poderíamos esquecer do baterista Bo Hildborg, mais um europeu perfeitamente integrado ao chamado idioma negroamericano, produzindo um trabalho eficiente, com muita leveza e admirável swing. O número final foi o tradicional "The New Orleans Mardi Gras", com todos os musicos cantando em acompanhamento a Leroy Jones.
Depois, os autógrafos e a venda de CDs onde os músicos faturaram bem. Foi tanta a procura que não conseguimos o CD de Chris Flory, rapidamente esgotado. Fica para a próxima.

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