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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL MUDA A CARA DOS FESTIVAIS

27 abril 2008

Transcrevo artigo do Mestre Raf a propósito das atrações e expectativas sobre este novo festival que promete agitar primeiro São Paulo e no ano que vem também o Rio de Janeiro. Produção do veterano - em festivais, diga-se - e consagrado Toy Lima.

Tudo começou com o Festival de Jazz de Nice, na França, em 1948. Foi o primeiro festival de jazz do mundo, desencadeando uma avalanche de eventos similares nos quais multiplicaram-se os estilos musicais sob a égide do jazz.

O BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL é um evento de transcendental importância que vem ocupar, em boa hora, um espaço dos mais relevantes na programação anual dos acontecimentos culturais de São Paulo e, em 2009, se estenderá ao Rio de Janeiro. Sua programação musical inédita, baseada numa concepção que se coaduna com os tempos da globalização, reúne músicos de jazz e da world music, constituindo-se numa saudável e benéfica alternativa para os festivais que se realizam entre nós.

Sem dúvida, essa opção musical alternativa despertará o interesse de uma substancial parcela da nossa população, especialmente os jovens, que são naturalmente atraídos pela música.

Haverá de tudo um pouco, do jazz, inclusive com tempero de outras culturas, à miscigenação musical que vem se estendendo em quase todos os continentes.

As apresentações de world music caberão a três representantes de países africanos.
A cantora, dançarina e percussionista Dobet Gnahoré, da Costa do Marfim, uma esfuzinte intérprete que, além das músicas do seu país, canta canções de Camarões, Gana e Congo em sete idiomas africanos, além do francês, será uma grata revelação para o nosso público. É fácil prever seu enorme sucesso devido à sua marcante presença de palco, além da alegria e desinibição com que contagia a platéia.

Outra atração é a cantora e compositora argelina Sound Massi, comparada por vários críticos a Joni Mitchell, Tracy Chapman e Joan Baez. Influenciada por diversos estilos universais, incluindo música clássica árabe, pop argelino, folk, country e soul music, condensa em sua música um estilo de real originalidade.

O cantor e guitarrista Daby Touré é um protegido do famoso Peter Gabriel, com quem tocou algum tempo, firmando-se como um músico de real talento. Nascido na Mauritânia e criado no Senegal, foi influenciado por rock, reggae e pop, e sua música excitante explora com altas doses de inventividade as fronteiras da música africana com o jazz.

Sem dúvida, estes legítimos representantes da world music proporcionarão momentos inesquecíveis de algumas das fontes mais ricas e criativas da música de todo o mundo.

Representando o jazz contemporâneo, estará em ação o trio do consagrado organista Dr. Lonnie Smith, um dos reis do soul-jazz e do jazz-funk, cuja trajetória marcante guindou-o à posição de um dos mais inventivos organistas do jazz em todos os tempos.

O extraordinário pianista Vijay Iyer, um dos músicos de maior destaque na atual cena jazzística, eleito o melhor compositor e melhor jazzman em ascensão em 2006 e 2007 pelos críticos da revista “Down Beat”, funde com suprema habilidade ritmos orientais com formas jazzísticas, de resultados tão surpreendentes quanto inovadores. Com seu saxofonista-alto Rudresh Mahanthappa, um dos mais inovativos jovens músicos e compositores, são lídimos expoentes do jazz de hoje, de agora.

A pianista e compositora Zachel Z, uma das mais conceituadas e atuantes representantes do jazz contemporâneo, foi influenciada por Wayne Shorter e diversos estilos musicais, inclusive o pop e rock. Suas qualidades foram reconhecidas e exaltadas pela crítica jazzística americana e européia. Rachel Z se apresentará com seu conjunto Department of Good and Evil, que está em grande evidência nos círculos jazzísticos de New York e europeus. Na opinião do crítico Michael Bourne, “Rachel Z não é somente uma pianista e compositora de notáveis qualidades, mas também uma inovadora que prossegue avançando em direção ao futuro do jazz.”.

O jazz exerce enorme influência sobre os músicos de todo o mundo. Em contrapartida, numa reversão do processo, a world music vem influenciando músicos de jazz, sendo inegável que essa amálgama resulta numa das fusões mais renovadoras dos últimos tempos. É precisamente esta amálgama que reflete a música do BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL.

Estou certo de que este festival trará inúmeras surpresas para nosso público, cuja grande maioria ouvirá pela primeira vez um surpreendente caldeamento musical de diversas culturas.

Música é emoção, sentimento e intelecto, transmite o espírito de liberdade da criação artística. É o elo entre o artista e o público, unindo o músico ao aficionado, enfim, é a verdadeira linguagem de integração dos povos.

Os espectadores que participarão com seu aplauso, entusiasmo, alegria e vibração deste evento testemunharão esse acontecimento, ouvindo artistas mundialmente consagrados. Vivendo a magia dessas três noites, contribuirão para que este happening fique marcado como um dos maiores e mais ousados empreendimentos musicais realizados no Brasil.

Este festival é uma semente plantada em nosso país. Sua repercussão não se limitará aos dias dos espetáculos, sendo também lícito aguardar que se estenda inclusive no exterior.

Após esse clima de festa onde tudo é alegria, todos acham que o mundo é bem melhor do que dizem. E vocês, espectadores privilegiados, participarão desta opinião, estou certo. E, no final da última noite, de regresso ao seu lar e à sua rotina diária, não fiquem tristes porque tudo terminou. Lembrem-se que terão um novo encontro com outros grandes artistas em 2009, no 2º BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL.

Até lá.

José Domingos Raffaelli


Aí está, portanto, a apresentação do novíssimo Bridgestone pelo Mestre e a nossa esperança renovada de que a experiência seja repetida por muito tempo, e nas principais cidades do país. É, afinal, um caminho para direcionar a atenção da garotada que vai em busca de world music para entender e captar a linguagem de um Lonnie Smith e/ou de um Vijay Iyer.

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