Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

BODY AND SOUL

22 janeiro 2008

Campeonísssima das gravações por músicos de jazz com 1808 registros.

Apesar de uma canção simples na clássica forma AABA de 32 compassos tornou-se um grande clássico do repertório jazzista, principalmente pela progressão de acordes. O autor da melodia foi Johnny Green (1908-1989) compositor do cancioneiro norte-americano, arranjador e maestro, sendo autor de outros sucessos como Out of Nowhere. A letra foi composta por Robert Sour, Edward Heyman e Frank Eyton para a comédia musical Three's a Crowd (1930). O show permaneceu por 272 encenações e a canção sendo interpretada por Libby Holman cantora e atriz do “showbizz” da Broadway. Antes da gravação notável de Coleman Hawkins (Bluebird - B10477 – 11/10/1939 – matriz 042936-1) algumas atuações podem ser destacadas como as de: Paul Whiteman and His Orchestra (1930, Jack Fulton vocal), Annette Hanshaw (1930 - vocal), Louis Armstrong (1932, vocal e originalmente gravada em 1930), Eddie South (1933), Benny Goodman Trio (1935), Henry Allen and His Orchestra (1935, Henry Allen vocal), Art Tatum (1937), Quinteto Hot Club de France (1937), Frank Trumbauer (1937), Bob Zurke (1938), Roy Eldridge (5/8/1939), Teddy Wilson (10/8/1939) e outros. A primeira gravação do tema foi feita pelo pianista Carrol Gibbons em 16/abr/1929 antes mesmo da canção ter sido oficialmente registrada (copyrighted).
Foram gravadas ao todo 40 sessões antes de Hawkins, no entanto, todas foram sublimadas pela antológica interpretação do saxofonista tenor Coleman Hawkins com uma série de choruses improvisados de grande sutileza melódico-harmônica. Como líder Hawkins gravou 19 vezes, como sideman 9 e no Jazz At Philharmonic 4, sendo uma em 1945 – Los Angeles, outras duas no Carnegie Hall em 1947 e 49 e em 1966 no Royal Festival Hall em Londres. Existe a informação de que Hawkins gravou a canção despretensiosamente ao fim de uma sessão no estúdio da RCA Victor e, mais tarde, surpreso com o sucesso obtido declarou: —"não fiz nada além de uma balada e faço isto há anos centenas de vêzes!”
O disco fonográfico exerceu uma espécie de ditadura sobre o mundo do jazz. O sucesso imprevisto que uma gravação podia proporcionar tinha, às vêzes consequências inesperadas para o músico. Uma delas é que teria de repetir aquela execução infindáveis vêzes, dia após dia, show após show, e não podia variar muito, ou mesmo nada, pois o público ali estava esperando para ouvir aquele mesmo solo do disco, ao vivo. Hawkins nos primeiros anos repetia praticamente sua interpretação original nota a nota, mas depois de 20 anos já um tanto liberto executava a balada algo diferente e até mais charmosa.
Em 1958 o crítico e produtor Leonard Feather calculava que Hawkins teria executado pelo menos umas 6.600 vêzes Body and Soul nos 6.800 dias passados desde a data da gravação.

Nenhum comentário: