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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

O OUTRO LADO DO JAZZ # 19

30 junho 2007

O JAZZ VAI À GUERRA (parte III)




Atuação e perda de Glenn Miller


A mais reconhecida das big bands militares foi sem dúvida a de Alton Glenn Miller, comissionado como capitão no US Army Specialist Corps com base em Omaha, Nebraska, em junho de 1942 com 38 anos e não tinha prestado o serviço militar regular por ter uma leve deficiência visual. Seu treinamento básico terminou em dezembro de 1942. Seu maior desejo era levar sua música para o meio militar inclusive modernizando o que já existia, como os arranjos swing para as marchas de John Philip Souza. Inicialmente foi designado como diretor das bandas do Exército quando, então elaborou um plano para 30 pequenos conjuntos de dança. O ambiente ultra conservador do Exército não lhe foi muito favorável e os arranjos swing não foram bem aceitos. Transferiu-se então para a Força Aérea passando a dirigir a Army Air Forces Technical Training Command e lá contou com o total apoio do Lieutenant Colonel Richard E. Daley.
Miller convidado a participar do programa de rádio I Sustain the Wings pela CBS, apoiou-se em velhos amigos e companheiros e montou uma banda com 45 integrantes dentre eles, os irmãos Dorsey, Ray Noble, Ray McKinley baterista, Mel Powell pianista e arranjador, o baixista Herman Trigger Alpert, o trompetista Zeke Zarchy, o arranjador Jerry Gray e ainda vários músicos oriundos das sinfônicas de Boston e New York. Uma senhora banda-orquestra que possivelmente jamais poderia ser montada e mesmo sobreviver não fossem as condições militares. Assim foi criada a 718th AAFTC BAND estacionada em New Haven em Connecticut e o primeiro programa foi ao ar a 29/maio/43.
A 6/maio/44 o Coronel Edward Kirby do Estado-Maior do General Dwight Eisenhower (SHAEF) sediado em Londres foi a New York e após o show de Glen Miller foram jantar quando o coronel expôs a idéia de manter uma banda na Inglaterra onde era preparada a grande invasão das tropas aliadas à França, o famoso dia-D. Miller concordou e foram iniciados os preparativos para a transferência da formidável orquestra para além mar.
A 18/junho Miller voou para a Inglaterra e os 62 componentes da orquestra saíram de navio a 23/jun chegando a 28 na Escócia onde Miller já os esperava. Transferidos para Chelsea, Miller foi se apresentar ao Coronel David Niven (o ator) membro do SHAEF, encontro este interrompido 3 vezes por ataques de bombas V-1 dos nazistas.
O grupo de Miller passou a se chamar American Band of the Supreme Allied Command e estrearam a 9/julho/44, um domingo, nos estúdios da rádio BBC no Allied Expeditionary Forces Programme. Podemos imaginar o impacto fantástico que deve ter ocorrido nas tropas aliadas: norte-americanas, inglesas, escocesas, canadenses, australianas e nas francesas muitas já atuando na França após o dia-D ocorrido a 6/junho/44.
A partir de 14/julho a Glenn Miller Orchestra iniciou uma excursão pelas principais bases da Inglaterra e hospitais da Cruz Vermelha, muitos shows também através das rádios broadcast direcionadas para a França. Há notícias de que muitos soldados alemães escondidos dos mais ferrenhos nazistas sintonizavam estas rádios, afinal o swing era estimulante até para o inimigo, provavelmente já esgotado da guerra.
Em menos de um ano a Glenn Miller Army Air Force Band realizou cerca de 800 apresentações das quais 500 foram em rádio broadcast alcançando milhões de ouvintes. Nos 300 shows ao vivo cerca de 600.000 militares tiveram o privilégio de assistir.
O General Doolittle comandante do 8th Air Force dizia para Miller após uma apresentação: -" sua música é o maior incentivo ao moral das tropas no teatro de operações na França". Aliás este concerto é retratado no filme — The Glenn Miller Story feito em 1954 onde bombas voadoras alemães caíam próximo enquanto a banda executava o clássico In The Mood e a um sinal de Miller tocavam cada vez mais alto e sem titubear.
A 8/agosto/44 o SHAEF recomendou uma promoção ao Cap. Miller efetivando-a a 17/ago como Major.
A 13/novembro Miller desembarca em Paris recém libertada indo se encontrar como o General Barker e o Major May ambos do SHAEF no Palácio de Versalhes. O encontro se destinava a tratar da transferência da orquestra para a França de modo a se apresentar nas comemorações do Natal próximo e do Ano Novo. Miller retorna a 18/ novembro, enquanto ausente da Inglaterra a orquestra estava sendo dirigida pelo Sargento Jerry Gray.
A 15/dezembro/1944 o Major Miller vai até o aeroporto de Twinwoods Farm, um denso nevoeiro cobria todo o local, Miller preocupado com seu vôo esperava o aparelho que pousou às 13:45h, logo embarcando com destino à França e nunca mais foi visto. Ficou para a história sua música, sua atuação durante a guerra e sua terrível perda. A orquestra continuou sua campanha agora sob a direção do Sargento Ray McKinley atuando pela primeira vez a 21/dezembro/44. Sua última apresentação se deu a 13/nov/1945 no National Press Club em um jantar para o presidente Harry Truman em Washington, onde os Generais Dwight Eisenhower e Hap Arnold homenagearam o grupo pelo excelente trabalho realizado no período de guerra e agraciaram o Major Glenn Miller (Army Serial No. 0505273), com a comenda póstuma da World War II Victory Medal.
Podemos, então ouvir a Army Air Force Band em duas apresentações – Sun Valley Jump (Jerry Gray) e na Official Marching Song of 264th Infantry Regiment - What Do You Do In The Infantry (Frank Loesser) e logo em seguida pela BBC Radio Service a confirmação da notícia do desaparecimento do Major Glenn Miller.
Formação da banda: Glenn Miller (tb e líder); Bobby Nichols, Bernie Privin, Jack Steele, Zeke Zarchey, Whitey Thomas (tp), Addinson Collins (fluegelhorn), Nat Peck, Johnny Halliburton, Jimmy Pridy, Larry Hall (tb), Mannie Thaler, Freddie Guerra, Vince Carbone, Hank Freeman, Jack Ferrier, Chuck Gentry, Peanuts Hucko (saxes e cl), Mel Powell (pi), Carmen Mastren (gt), Trigger Alpert (bx), Ray McKinley (bat), Artie Malvin e The Crew Chiefs vocal. – 1943. (tempo total 5:32)



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Um comentário:

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