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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 janeiro 2017

                                             Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
26ª Parte
(26)  KENNY  BARRON      Premiado como poucos    (Resenha curta, revisão)

Kenneth Barron, KENNY BARRON, pianista e compositor norte-americano, nasceu no dia 09 de junho de 1943 na Filadélfia, estado da Pensilvânia (estado do Leste norte-americano e cuja capital é Harrisburgh,  contando com 342 cidades, sendo as mais conhecidas Newport. Pittsburgh, Carlisle, Gettysburgh, Hermitage e Indiana, cidade homônima do estado de Indiana, localizado mais a Oeste da Pensilvânia e entre Ohio e Illinois).
BARRON é irmão mais novo do saxofonista tenor e soprano, compositor e professor de música  Bill Barron (27 de março de 1927 a 21 de setembro de 1989) e iniciou suas lições de piano aos 12 anos com o irmão do grande pianista Ray Bryant (Raphael Hommer Bryant, também da Filadélfia e nascido em 24 de dezembro de 1931)
Com mais 02 anos de lições, muita prática e contando 14 anos em 1957, BARRON experimenta sua primeira participação profissional na banda de Mel Melvin, por indicação do irmão que já tocava no grupo de Melvin.
Seguidamente atuou nas formações de Philly Joe Jones e de Yusef Lateef, para depois mudar-se para New York com o irmão, ambos trabalhando juntos com Ted Curson (nascido em 03 de junho de 1935, trumpete, flugelhorn e composição), da terra natal de ambos, mais novo que Jimmy Barron e mais velho que KENNY BARRON.
Logo após BARRON colabora com James Moody, com Lee Morgan e com Lou Donaldson  -   estamos em 1961, BARRON havia completado nada mais que 18 anos e já podíamos considerá-lo um “veterano”, em função daqueles com quem havia tocado.
Em 1962 BARRON toca com Roy Haynes para, por recomendação de James Moody, substituir Lalo Schiffrin no quinteto de Dizzy Gillespie;    nesse grupo a exposição de BARRON para o público e a crítica é bem mais evidente, carreando-lhe prestígio.
KENNY BARRON participou do documentário “Dizzy Gillespie” (U.S.A., 1965, 22 minutos, dirigido por Les Blank), em que Gillespie fala sobre sua trajetória e apresenta-se em quinteto com James Moody / sax.tenor, KENNY BARRON / piano, Chris White / baixo e Rudy Collins / bateria;  a apresentação ocorreu em Hermosa Beach, paraíso dos “Lighthouse”
Ainda assim e em 1966 BARRON deixa Gillespie para tocar seguidamente com Freddie Hubbard, Jimmy Owens e Stanley Turrentine.
Nessas décadas (1960 / 1970), ainda que com marcadas e seletivas diferenças estilísticas, é que BARRON vai despontar ao lado de uma geração de diversos outros pianistas: Randy Weston, Joanne Bracken, Jaki Byard, Monty Alexander, Roger Kellaway e Dollar Brand.
Em março de 1970 BARRON passa a fazer parte do quarteto de Yusef Lateef, para depois atuar com Milt Jackson, com Jimmy Heath e, no período de 1974 a 1975, com Stan Getz.
Em 1972 BARRON, então com apenas 29 anos, já dava aulas de piano no “Jazzmobile Workshop” e, desde 1973, ministrava aulas práticas e de teoria musical na “Rutgers University”, magistério que se prolongou por 25 anos !
Também ministrou aulas e palestras no “Juilliard School Of Music” (alguns de seus mais destacados alunos foram Aaron Parks, Earl MacDonald, Harry Pickens e Noah Baerman).
Em 1975 o baixista Ron Carter criou um quarteto com BARRON, outro contrabaixista, Buster Williams,  e o baterista Ben  Riley (BARRON integrou a banda de Buddy Rich em curta permanência no início de 1976, mas a união com Ron Carter foi bastante duradoura, até 1980).
Nesse intervalo ele graduou-se em 1978 como “Bacharel em Artes” pelo “Metropolitan Center” de New York.
Nos anos 1980 BARRON gravou em duo com o grande Tommy Flanagan (Together”)
Em 1981 BARRON foi co-fundador ao lado de Charlie Rouse do grupo “Sphere”, destinado a difundir e a perpetuar a obra do grande Thelonius “Sphere” Monk;  o grupo permaneceu o mesmo e íntegro até sua dissolução.
Também foi integrante do então denominado “Classical Jazz Quartet”.
Ainda assim e em 1984 BARRON trabalhou com e vibrafonista Bobby Hutcherson, além de acompanhar a muitos outros músicos, tal como Stan Getz na temporada européia do verão de 1987.    Também com Stan Getz BARRON gravou inúmeros álbuns no período de 1987 até 1991, voltados para a “bossa nova”, podendo citar-se como mais destacados “The Lost Sessions” e “Serenity” (gravado ao vivo em 06 de julho de 1987 no “Café Montmartre” em Copenhaguem para o selo “EmArcy”, em que ao lado de Rufus Reid e Victor Lewis os dois desfilam magníficas pérolas como “On Green Dolphin Street” e “I Remember You”, além de mais 03 faixas). 
A discografia de KENNY BARRON é mais que alentada, contando com mais de 70 gravações tanto como acompanhante (de 1961 e até 1987) e, ainda e a partir de 1973, como líder.
O estilo e a trajetória de BARRON mantém, com as devidas proporções, certo paralelismo com as de Hank Jones e de Tommy Flanagan, já que acompanhou a dezenas de músicos, foi capaz de adaptar-se aos diferentes contextos com eficiência e eficácia, sem jamais “personalizar-se” ante esses músicos acompanhados.
Basta que o ouçamos acompanhar Freddie Hubbard “a la Herbie Hancock”, assim como apoiar o mesmo Hubbard e a Joe Henderson “a la McCoy Tyner” ou, ainda, a Ray Anderson “a la Oscar Peterson” e, principalmente, mostrar-se “monkiano” ao lado de Charlie Rouse / sax.tenor, Buster Williams / contrabaixo e Ben Riley / bateria no clássico de Thelonius Monk “Trinkle Tinkle” gravado em Perugia / Itália em 14 de julho e 1986, quando desfila ao longo de 11’16” toda a sintaxe de Monk.    Com tudo isso é bem capaz de mostrar-nos sua “descendência” de Dizzy Gillespie enquanto “bopper”.
A partir do início da década de 1980 BARRON, em certa medida, converteu-se para a crítica e o público em depositário da já atingida “tradição” do piano-jazz moderno, na “mainstream” do JAZZ, dedicando-se de maneira clara à sonoridade, ao desenvolvimento harmônico refinado com exploração de aspectos rítmicos pouco visitados por seus pares, mas sem jamais desprender-se do mais acentuado “swing”.
As premiações recebidas por KENNY BARRON ao longo de sua trajetória são testemunho evidente do reconhecimento do público, da crítica e de organismos da mais alta importância, principalmente a partir dos seus mais de 30 anos de carreira:  foi indicado em 09 ocasiões para o “Grammy Awards” na década de 1990, foi indicado para o “American Jazz Hall Of Fame”, tornou-se em 1999 o vencedor da enquete entre os críticos promovida pela revista”Down Beat” na categoria de “melhor pianista” (47º “Annual Critics Poll”), foi considerado o melhor pianista no “Jazz Awards” nesse mesmo ano (votado por centenas de  críticos e jornalistas de JAZZ, músicos e figuras da indústria do JAZZ), foi nomeado “Fellow” para a “American Academy Of Arts And Sciences”, para citar alguns exemplos.     
Entre as principais gravações de KENNY BARRON como líder,  além das já citadas anteriormente e restringido-nos a umas poucas (já que sua discografia é extensa), indicamos:
-          “Sunset To Dawn”, selo “Muse Records”, 1973
-          “Innoncence”, selo “Wolf”, 1978
-          “Green Chimneys”, selo “Criss Cross’, 1983
-          “Scratch”, selo “Enja”, 1985
-          “Live At Fat Tuesdays”, selo “Enja”, 1988
-          “Rhythm-a-ning”, selo “Candid”, 1989
-          “The Only One”, selo “Reservoir”, 1990
-         “Other Places”, selo “Verve / Gitanes”, 1993 (nessa gravação temos BARRON            ao lado de Ralph Moore/saxes alto e soprano, Bobby Hutcherson/vibrafone,                   Rufus Reid/biaxo, Victor Lewis/bateria e Mino Cunelu/percussão em 09 temas,              dos quais 06 da autoria de BARRON)
-          “Canta Brazil”, selo “Sunnysville”, 2002
-          “Minor Blues”, selo “Venus Jazz”, 2009.
A participação de BARRON como “sideman” é gigantesca, destacando-se as gravações com Ron Carter, Charles Davis, Booker Ervin, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Joe Henderson, Ron Holloway,  Bobby Hutcherson, Freddie hubbard, Marvin Peterson e Tyrone Washington, entre outros.
BARRON visitou  o Rio de Janeiro apresentando-se nos dias 13 e 14/dezembro/2002 na casa “Mistura Fina”, muitíssimo bem acompanhado por músicos nossos:  Mauro Senise (sax.alto), Romero Lubambo (guitarra), Nilson Matta (contrabaixo) e Duduka Fonseca (bateria).
Aos 68 anos em 2011 KENNY BARRON seguiu seu percurso na “estrada” (07/julho  em trio na “Wesleyan University” em Middletown / Conecticut, 11/julho em piano-solo na “The Schooner Room” do “Halifax Jazz Festival” no Canadá, 16/julho em trio no “Chateau De Beaupre” em Beaupre / França, 20/julho na “92nt St Y” em New York etc etc), além de ter comprometido alentado “cardápio” de apresentações até maio de 2012, esta última no “Topeka Ramada Hotel” em Topeka.
Ano após ano a sucessão de atividades de BARRON tem sido intensa, tendo sido  programado aos 72 anos para 23/outubro/2015, em trio, no “McCarter Theater” de Princeton/New Jersey, no dia seguinte e também em trio no “Stewart Theater” da North Carolina State University e em 06/novembro para se apresentar no “Seminário Anual de JAZZ (o 45º) da University Of Pittsburgh:   ufa.............
BARRON recebeu a “MAC Lifetime Achievement Award” em 2005, o Doutorado Honorário da “Berklee College Of Musica” em 2011 e da “Sunny Empire State” em 2013, além do “Legacy Award” da “Mid-Atlantic Arts Foundation”, passando a integrar o “American Jazz Hall Of Fame”..  A Associação de Jornalistas de Jazz dos USA nomeou-o o “Melhor Pianista” em 06 ocasiões.
Para aqueles que quiserem apreciar a arte de BARRON, seu site oficial (“kenny barron.com”) disponibiliza 03 vídeos, um deles com entrevista do pianista.
Vida longa e muito JAZZ é o que lhe desejamos.

Prosseguiremos  nos  próximos  dias

Um comentário:

Carlos Tibau disse...

Pedro
Obrigado pelo post.
Forte abraço.