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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

15 maio 2014


ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS  -  20

O guitarrista e contrabaixista norte-americano David Michael Barbour, artisticamente DAVE BARBOUR, nasceu em Long Island, estado de Nova York no dia 28 de maio de 1912, vindo a falecer com 53 anos no dia 11 de dezembro de 1965, em Malibú, estado da Califórnia.
BARBOUR iniciou suas atividades como banjoista amador em orquestra escolar para, em 1934 aos 22 anos, debutar profissionalmente com o trumpetista, cantor, compositor e líder dos conjuntos “Wingy” Manone.   A partir desse início profissional e para sempre, BARBOUR dedicou-se exclusivamente à guitarra.       
Aqui fazemos um parênteses para nos deter um pouco em “Wingy” Manone (nascido em New Orleans, Louisiana, que aos 09 anos perdeu um braço em acidente de bonde, daí seu apelido de “wing”, “asa”), figura emblemática na história do JAZZ, dado que atuou no início da década de 1920 nos “riverboats” que navegavam no Mississipi, como parte do grupo “Crescent City Jazzers”, conjunto de músicos brancos que chegou a gravar alguns discos;   depois de participar de vários grupos e em outras tantas cidades, fixou-se a partir de 1934 em New York atuando em diversos clubes da famosa “Rua 52” (a rua que nunca dormia), entre os quais “Maria’s”, “Famous Door” e “Hickory House”;    ficou famoso com o tema “Isle Of Capri”.
BARBOUR ficou apenas 01 ano com a formação de “Wingy” Nanone, passando a gravar com Louis Armstrong, Lil Hardin, Mildred Bailey, Teddy Wilson e Bunny Berigan.
BARBOUR, após esse início, atuou seguidamente com o vibrafonista Red Norvo (1935/1936), com o pianista, compositor, arranjador e líder de orquestra Lennie Hayton (1936/1937), em 1938 com o saxofonista e clarinetista do Alabama “Hal” Kemp (James Harold Kemp), em 1939 com o clarinetista Artie Shaw (Artie Arshawsky, autor do livro “Trouble With Cinderella” e que incorporou à sua “big-band” a grande Billie Holiday, o que lhe rendeu seguidos problemas em função da discriminação racial reinante), além de com Raymond Scott, com Clarlie Barnet (saxofonista, clarinetista e líder de “big-band”), com Glenn Miller (quem já não dançou ao som  de “Moonlight Serenade”???...) e, em 1942, Benny Goodman (o “Rei do Swing”).
Logo após e em 1943 BARBOUR casou-se com a magnífica cantora Peggy Lee (Norma Dolores Egstron, de  quem Duke Ellington afirmava que “If I’m the Duke, man, Peggy Lee is the Queen”), passando a acompanhá-la até o ano de 1951, quando se divorciaram. 
A dupla obteve seguidos sucessos com suas composições e interpretações, destacando-se “Mañana” e “It’s A Good Day” em 1947. 
Os dois podem ser apreciados no esplêndido estojo de 1998 “Miss Peggy Lee” (04 CD’s da Capitol Records, que contem volumoso livreto, texto por Gene Lees, com relato da carreira de Peggy Lee).    Esse estojo contem 113 faixas com a voz de Peggy Lee, das quais 25 acompanhada por orquestra dirigida por BARBOUR, que também atua à guitarra em muitas outras  (numa com o “The Brazilians”), em uma delas à bateria, enquanto que nas demais faixas temos orquestras dirigidas por Nelson Riddle, Frank Sinatra, Billy May, Benny Carter, Quincy Jones, Lou Levy, Bill Holman e outros  =  um luxo ! ! !
Em 1949 BARBOUR realizou temporada em Cuba, integrando a “big-band” de Woody Herman, passando a acompanhar outras cantoras (Jeri Southern e Nellie Lutcher).
Atuou em 1951 no longa metragem “Secret Fury”, ao lado da estrela Claudette Colbert.
Gradativamente e por 12 anos BARBOUR abandonou a atividade de músico profissional, tendo como derradeiro desempenho uma sessão de gravação sob o comando do grande Benny Carter, em 1962.
BARBOUR deve ser considerado um guitarrista que viveu a transição do JAZZ “tradicional” para o “bebop”, destacando-se no papel de acompanhante rítmico, onde desenvolveu seus efeitos de “legato” e de “staccato”.   Por possuir sólida formação técnica à guitarra, BARBOUR sempre encontrou enorme facilidade para juntar-se às  mais diversas formações musicais lideradas por expoentes do JAZZ.
Pode ser ouvido, sempre como acompanhante, nas gravações de:
-   Teddy Wilson/Billie Holiday  =  “Spreadin’ Rhythm Around” de 1935;
-   Jack Teagarden  =  “Casanova’s Lament” de 1943;
-   André Previn  =  “Good Enough To Keep” de 1945;
-   Louis Armstrong/Ella Fitzgerald  =  “Would You Like To Take A Walk?” de 1951;
   além do estojo com 04 CD’s já citado, “Miss Peggy Lee”.

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
            apostolojazz@uol.com.br

5 comentários:

MARIO JORGE JACQUES disse...

Grande Pedro, mais uma maravilha de biografia. Nunca reparei muito em BARBOUR, vou me situar melhor, talvez porque não tenha gravado como lider. mas tem uma extensão participação como side!.
Vai para o arquivo.

MauNah disse...

Pedro, estou com uma dúvida que talvez vc. possa tirar: gostava muito de um guitarrista recente, que acompanhava o Grover Washington Jr., numa fase de apreço pelo jazz contemporâneo, chamado de Eric Gale. Pois bem, outro dia fui ver o que ele andava fazendo e baixei um disco que julgava dele mas era só de blues (diverso do seu trabalho). Fui checar e na realidade era um Eric Gales, com "s" no final.
E não achei mais nada do velho Gale.
Por acaso terias alguma notícia de seu paradeiro?
Grande abraço.
P.S.: O artigo está ótimo.

apostolojazz disse...

Prezado MauNah:
Até onde possuo informação ERIC GALES é natural de Menphis / TN (1975) e esteve ativo desde os 15 anos e até 1990. Atuou e gravou Blues (guitarra elétrica), Pop e Hard Rock. Integrou o "Gales Brothers".
Não tenho notícias dele há quase 20 anos.
Abraços,

apostolojazz disse...

Prezado MauNah:
Quanto ao ERIC GALE (20/setembro/1938 no Brooklin / New York a 25/maio/1994 na Baixa Califórnia), começou aos 12 anos no contrabaixo passando mais tarde à guitarra.
Estudou também o sax-tenor, o trombone e a tuba.
Graduou-se em "química" na Niágara University mas optou pela música, aderindo inicialmente ao "R&B".
Foi um melodista com clara influência dos "sopros" (escutou e estudou Lester Young, John Coltrane, Parker).
Gravou oom, entre outros, Yusef Leteef.
Abraços,

MauNah disse...

Apóstolo,
obrigado, estava sem tempo para aprofundar a pesquisa. O mais "jazzista" era o GALE, então. Estava estranhando muito a diferença de sonoridade, e daí pra confusão total foi um passo. Valeu!
Abração.