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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

20 abril 2014

BATERIAS & BATERISTAS – Parte XI

TRABALHO DE PESQUISA DE NOSSO EDITOR NELSON REIS

 1 – FASES DO INSTRUMENTISTA E PREDILEÇÕES

Assim como a escultura e a pintura, a música – mesmo dentro de um estilo ou modalidade – sofre mutações de épocas e, portanto, na maneira de tocar um instrumento. Existe uma certa imutabilidade quanto a obras clássicas, que não sofre transformação na composição. Todavia, podendo ocorrer nas suas interpretações.
Se nos propusermos a analisar “fases instrumentais”,ou mesmo “fases de um músico” ou “as fases de seu estilo”, certamente que não podemos traçar comparativos, perguntando:
- “Quem foi ou é mais conceituado, ou melhor, neste ou naquele instrumento ou, neste ou naquele estilo de jazz ?”
Certamente que a resposta poderá ser equívoca, pelo fato de que a música, como a arte em geral, afeta a sensibilidade do ser humano de forma individual. Mesmo ocorrendo a existência de “ícones” como: Bix, Parker, Gillespie e outros, ou nos clássicos eruditos como Bach, Mozart ou Beethoven. Tudo é uma questão de predileção.
Em assim sendo, não há como argüir se “Big Sid” Cattled foi ou não melhor que Joe Jones ou se Max Roach melhor ou não que Kenny Clark. Estes comparativos simplesmente inexistem e “caem por terra” por força dos fatores de: empatia, sensibilidade do ouvinte, o momento do instrumentista, identificação, época, etc....
Tal fato pode ocorrer até de uma forma individualizada, com um único músico. Um exemplo disso, é o do célebre trompetista Miles Davis. A despeito do fato da sua genialidade, teve ele uma “fase bop” (com Charlie Parker) uma “fase cool” (Quarteto, Quinteto e com Gil Evans) e depois a chamada “fase eletrônica”. Há jazzófilos que só o aceitam na sua “fase cool”, por acharem “uma réplica de Gillespie” na “fase bop” e, ser “meramente inaudível “ na “fase eletrônica”.

2- A “ARTIMANHA” DAS GRAVAÇÕES

Foi-se o tempo em que um baterista, como o finado Ohana (Tamba Trio), que“entrava em estúdio” numa 5ª feira as 14:00 hs e “ficava internado no estúdio” até o domingo seguinte, só saindo às duas da manhã. Atualmente, a tecnologia permite gravar o interprete vocal num dia, daqui a uma semana as cordas e, depois, a mais quinze dias “a cozinha”(piano, baixo e bateria). Graças a uma mesa de gravação de mais de 60 canais e “uma ilha de edição”, o estúdio “fabrica qualquer coisa”.
De certa feita, presenciamos a um fato interessante ocorrido com um grande instrumentista de sopro. Acompanhava ele, com certa habitualidade, a uma famosa intérprete e, ouvindo pela primeira vez um CD de uma sua gravação conjunta, depois que já ocorrera o recém-lançamento com disco e já à venda nas lojas (o disco lançado estava sendo ouvido por ele, pela primeira vez).  E, a certa altura, numa determinada faixa, disse ele:
- “Atentem, que vai ser agora a parte do meu solo e, que me lembro,  “ficou legal”. ocorre a “surpresa”:
-          “Hi !!!!, cortaram o meu solo!”. Disse ele, e prossegue:
-          “Eu, somente agora, estou sabendo e ouvindo. Porque não pude acompanhar o lançamento quando foi feito na ocasião, no estúdio”

Eis uma das razões pelo qual encontramos, muitas vezes em um CD de jazz, com gravações de um mesmo tema com “Takes 1, 2, 3, 4” numa mesma seção de tomada de estúdio. Às vezes, esses “takes” extra-originais poderão vir a sair em uma edição muito tempo após o artista/músico já haver falecido.

3 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
MARIO JORGE JACQUES disse...

Estimado Nelson deletei o comentário expúrio do português, sobre a política luso-espanhola(que idéia maluca do cara!!!). Tomei a liberdade de também exluir sua resposta, boa por sinal, mas que ficaria "solta" aqui e ninguém entenderia nada.ok?
Abração

apostolojazz disse...

Estimado NELSON:
Prossegue a série, agora com boas ilustrações humoradas das situações de estúdio.
Já foi para o arquivo e aguardamos a "XII".