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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

02 abril 2012

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 20


O guitarrista e contrabaixista norte-americano David Michael Barbour, artisticamente DAVE BARBOUR, nasceu em Long Island, estado de Nova York no dia 28 de maio de 1912, vindo a falecer com 53 anos no dia 11 de dezembro de 1965, em Malibú, estado da Califórnia.
BARBOUR iniciou suas atividades como banjoista amador em orquestra escolar para, em 1934 aos 22 anos, debutar profissionalmente com o trumpetista, cantor, compositor e líder dos conjuntos “Wingy” Manone. A partir desse início profissional e para sempre, BARBOUR dedicou-se exclusivamente à guitarra.
Aqui fazemos breve parênteses para nos deter um pouco em “Wingy” Manone (nascido em New Orleans, Louisiana, que aos 09 anos perdeu um braço em acidente de bonde, daí seu apelido de “wing”, “asa”), figura emblemática na história do JAZZ, dado que atuou no início da década de 1920 nos “riverboats” que navegavam no Mississipi, como parte do grupo “Crescent City Jazzers”, conjunto de músicos brancos que chegou a gravar alguns discos; depois de participar de vários grupos e em outras tantas cidades, fixou-se a partir de 1934 em New York atuando em diversos clubes da famosa “Rua 52” (a rua que nunca dormia), entre os quais “Maria’s”, “Famous Door” e “Hickory House”; ficou famoso com o tema “Isle Of Capri”.
BARBOUR ficou apenas 01 ano com a formação de “Wingy” Nanone, passando a gravar com Louis Armstrong, Lil Hardin, Mildred Bailey, Teddy Wilson e Bunny Berigan.
BARBOUR, após esse início, atuou seguidamente com o vibrafonista Red Norvo (1935/1936), com o pianista, compositor, arranjador e líder de orquestra Lennie Hayton (1936/1937), em 1938 com o saxofonista e clarinetista do Alabama “Hal” Kemp (James Harold Kemp), em 1939 com o clarinetista Artie Shaw (Artie Arshawsky, autor do livro “Trouble With Cinderella” e que incorporou à sua “big-band” a grande Billie Holiday, o que lhe rendeu seguidos problemas em função da discriminação racial reinante), além de com Raymond Scott, com Clarlie Barnet (saxofonista, clarinetista e líder de “big-band”), com Glenn Miller (quem já não dançou ao som de “Moonlight Serenade”???...) e, em 1942, Benny Goodman (o “Rei do Swing”).
Logo após e em 1943 BARBOUR casou-se com a magnífica cantora Peggy Lee (Norma Dolores Egstron, de quem Duke Ellington afirmava que “If I’m the Duke, man, Peggy Lee is the Queen”), passando a acompanhá-la até o ano de 1951, quando se divorciaram.
A dupla obteve seguidos sucessos com suas composições e interpretações, destacando-se “Mañana” e “It’s A Good Day” em 1947.
Os dois podem ser apreciados no esplêndido estojo de 1998 “Miss Peggy Lee” (04 CD’s da Capitol Records, que contem volumoso livreto, texto por Gene Lees, com relato da carreira de Peggy Lee). Esse estojo contem 113 faixas com a voz de Peggy Lee, das quais 25 acompanhada por orquestra dirigida por BARBOUR, que também atua à guitarra em muitas outras (numa com o “The Brazilians”), em uma delas à bateria, enquanto que nas demais faixas temos orquestras dirigidas por Nelson Riddle, Frank Sinatra, Billy May, Benny Carter, Quincy Jones, Lou Levy, Bill Holman e outros = um luxo ! ! !
Em 1949 BARBOUR realizou temporada em Cuba, integrando a “big-band” de Woody Herman, passando a acompanhar outras cantoras (Jeri Southern e Nellie Lutcher).
Atuou em 1951 no longa metragem “Secret Fury”, ao lado da estrela Claudette Colbert.
Gradativamente e por 12 anos BARBOUR abandonou a atividade de músico profissional, tendo como derradeiro desempenho uma sessão de gravação sob o comando do grande Benny Carter, em 1962.
BARBOUR deve ser considerado um guitarrista que viveu a transição do JAZZ “tradicional” para o “bebop”, destacando-se no papel de acompanhante rítmico, onde desenvolveu seus efeitos de “legato” e de “staccato”. Por possuir sólida formação técnica à guitarra, BARBOUR sempre encontrou enorme facilidade para juntar-se às mais diversas formações musicais lideradas por expoentes do JAZZ.
Pode ser ouvido, sempre como acompanhante, nas gravações de:
- Teddy Wilson/Billie Holiday = “Spreadin’ Rhythm Around” de 1935;
- Jack Teagarden = “Casanova’s Lament” de 1943;
- André Previn = “Good Enough To Keep” de 1945;
- Louis Armstrong/Ella Fitzgerald = “Would You Like To Take A Walk?” de 1951;
- além do estojo com 04 CD’s já citado, “Miss Peggy Lee”.


Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
apostolojazz@uol.com.br

3 comentários:

MaJor disse...

Meu caro Pedro, grande guitarrista o Barbour pouco empregado, mas descobrí que gravou em 1946 como lider de orquestra tal como abaixo:
Dave Barbour And His Orchestra : Ray Linn (tp) Si Zentner, Ed Ousby, Carl Loeffler, Elmer Smithers (tb) Heinie Beau (cl) Happy Lawson, Reynold Johnson, Herbie Haymer (saxes) Buddy Cole (p) Dave Barbour (g) Phil Stephens (b) Nick Fatool (d)
Los Angeles, December 18, 1946
Forever Nicki
Forever Paganini
Depois 4 sessões em 1949, quais sejam:
Ray Linn (tp) Heinie Beau (cl,sax) Dave Barbour, George Van Eps (g) Phil Stephens (b) Nick Fatool, Tommy Romersa, Ivan Lopez, Jackie Mills (perc) Peggy Lee (vcl)
Los Angeles, February 8, 1949
Ensenada
Little boy go blow your top -
Similau (pl vcl)
Your CollectionAdd
Hal Schaefer (p) Dave Barbour, Barry Galbraith (g) Joe Shulman (b) Alvin Stoller (d)
Los Angeles, August 1, 1949
Moten swing
The song is you
You stepped out of a dream
Count's basin

Dave's boogie woogie -
Full musician list Your CollectionAdd
Similar pers to that of February 8, 1949

Guitar mambo
Harlem mambo
Consegui na internet The mambo e Dave's boogie woogie, porém super comerciais nem solo dele tem.

APÓSTOLO disse...

Estimado MÁRIO:

Não tinha conhecimento dessas gravações, que vão para o arquivo e busca.
Grato, como sempre ! ! !

Érico Cordeiro disse...

O homem foi casado com Miss Peggy Lee!
Não era fraco não :-)
Excelente resenha, para louvar um músico talentoso, mas pouco conhecido .
Um fraterno abraço, Mestre - e agora, estou preparando um texto sobre o fenomenal René Thomas.