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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

24 maio 2010

BRIDGESTONE MUSIC FESTIVAL , POR LUIZ ORLANDO CARNEIRO

24 de maio, Caderno B, JB

Uma platéia de quase 2 mil pessoas passou da admiração reverencial à empolgação total ao aplaudir o pianista Ahmad Jamal, quinta-feira última, na segunda noite – e momento supremo – do Bridgestone Music Festival, encerrado na madrugada de ontem no Citibank Hall.
Às vesperas dos 80 anos, Jamal esbanjou virtuosismo, vigor e voz de comando à frente do quarteto integrado pelos fieis James Cammack (baixo) e Manolo Badrena (percussão bem variada), mais o formidavel Herlin Riley (bateria), extraindo do melhor Steinway disponivel em São Paulo ressonâncias e timbres raros em rapsódias (e não propriamente solos) marcadas por vertiginosas mudanças de tempos e de “moods”. Ahmad Jamal não reafirmou, somente, sua condição de senhor do tempo e do espaço musicais, mas tambéma a de genio da arte percussiva. O que não exclui, é claro, o tratamento refinado da melodia e da harmonia a partir de standards aparentemente tão comuns como Like someone in love, The gipsy e Poinciana.

A primeira grata surpresa da programação, eminentemente jazzistica da terceira edição do festival, foi a vocalista Dee Alexander, que abriu o show de Jamal. Ela se expressa como a voz preponderante de um quinteto – o Evolution Ensemble. Com contralto de vozeirão comparável ao de Nina Simone, mas com a capacidade de “instrumentalizar” o dom que Deus lhe deu num nivel técnico e criativo, ela lembra a inesquecivel Betty Carter. No seu set de mais de uma hora, foi pródiga em efeitos percussivos inusitados, sobretudo em Rossignol – peça em que chega a exagerar, ao imitar os cantos de diversas aves. A cantora foi particularmente expressiva, ao realçar sua verve mais soul, “churchy”, em diálogo com o violoncelo sempre ativo, em pizzicato, da jovem Tomeka Reid. É a mais interessante cantora de jazz a surgir no horizonte, desde Dee Dee Bridgewater.

A outra boa surpresa do festival foi o sexteto Escaladrum, criado em 1999, pelo baterista Daniel “Pipi” Piazzolla, neto do bandeonista-compositor Astor (1921-92),, com o objetivo de recriar, em termos jazzisticos, a obra do lendário renovador do tango instrumental argentino.
Vovô Piazzolla já tinha se associado a jazmen americanos para sessões de improvisação a partir de suas composições, a mais conhecida das quais com o sax barítono Gerry Mulligan. O Escalandrum tem, na linha de frente, tres palhetas (sax alto, sax tenor ou soprano, clarinete baixo ou sax baritono), mais seção ritmica. As peças são quase que totalmente escritas, com as palhetas apresentando ou desenvolvendo os temas de Piazzolla em uníssono, com sonoridade coletiva de um amplo bandoneon. A bateria de Pipi, o baixo de Mariano Sivori e o piano de Nicolas Guerschberg produzem um swing bem caliente. O comando explícito é de Pipi, mais os arranjos burilados com muito bom gosto e senso de timing, em crescendos e diminuendos, são de Guerschberg. As interpretações de Fuga Nueva e do celebrado Adiós Nonino foram especialmente emocionantes.

Mas o segundo grande momento do Festival Bridgestone foi proporcionado pelo novo quarteto cooperativo Overtone, joint venture dos consagrados Dave Holand (baixo), Chris Potter (saxes tenor e soprano), Jason Moran (piano) e Eric Harland (bateria), que também são os autores do repertório. Chris Potter tomu conta do espetáculo como solista principal, em solos arrasadores, principalmente nas duas peças assinadas por ele das seis apresentadas pelo conjunto. Ask me Why foi a performance mais aplaudida, merecidamente. E mostrou que o Overtone passou a ser um dos tres mais criativos quartetos do jazz contemporâneo, juntamente com o Footprints de Wayne Shorter (Danilo Perez, piano; Brian Blade, bateria; John Pattittuci, baix) e com o de Ornette Coleman (Denardo Coleman, bateria, e dois baixos).
No encerramento do festival, Don Byron, o clarinetista número 1 da cena jazzistica – e tambem brilhante saxofonista tenor – assumiu o púlpito para um ofício celebratório do gospel, com a colaboração da performática gospel singer DK Dyson. A assembléia de 1500 fiéis aclamou a nova peripécia de Byron e ainda acólitos os excelentes AkLaff (bateria), Brad Jones (baixo elétrico) e o irrequieto Don Byron não deixou, contudo, de deliciar os jazzófilos menos afeitos a concessões, com um substancioso Giant Steps em ritmo bem vivo.

No set inicial da última noite, o contrabaixista número 1 da cena jazzistica, Christian McBride, escoltou sua mulher, a vocalista Melissa Walker, para promover o CD de relançamento da carreira da cantora de origem canadense (In the middle of it all, selo Sunnyside), ao lado de Gregoire Maret (gaita), Xavier Davis e Ulysses Owens (bateria). O show agradou até os que não gostam de jazz, por ser bem acessível, mais para o comercial, o estilo da cantora. Valeram, porem, o dueto Christian-Melissa em Just in time e a interpretação bem groovy, pelo quinteto, de Invitation, a partir de um arranjo do primoroso McBride, que trocou o baixo acústico pelo elétrico. Maret foi tão festejado como o baixista.

7 comentários:

Salsa disse...

Camarada, as opções para se ouvir boa estão aumentando. No próximo ano tentarei incluir o Bridgestone na minha agenda.

Jorge disse...

bridgestone no rio de janeiro em 2011 por favor!!!

SAZZ disse...

É caros cejubianos, mais uma vez o Rio (ex musical) ficou de fora, pois o Bridgestone foi para B.Aires e pelo visto, segundo me confidenciou o Toy Lima, nem no ano que vem, afinal vamos focar nos esportes... pois teremos Copa e Olimpíadas ! ! !

Eu hem, fui.

MaJor disse...

É... estamos precisando urgente de algo deste tipo aqui no Rio, que como diz o amigo Lula é o cemitério da cultura, principalmente jazzística.

Bene-X disse...

Quero, em nome do CJUB, agradecer publicamente ao inigualável fidalgo, Toy Lima, de longe o mais importante produtor brasileiro de hoje, pela honra que a todos nós, do CJUB, concedeu, mais uma vez, convidando-nos para um Festival excepcionalmente bem organizado, tecnicamente impecável e ricamente variado, musica e culturalmente, exigência da pluridade de estilos que permeiam, influenciam e se deixam influenciar pelo jazz. Um Festival de Música com F e M Maiúsculos, cuja grandiosidade, em todos os sentidos, é digna do Produtor que tem, e de resto, do público educado e reverente que lotou e prestigiou, de 4a. a sábado, tão exitosa iniciativa, que, ano a ano, só melhora e cativa mais.

Gratos, Toy, e parabéns novamente !

Abs.,

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