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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

07 janeiro 2009

CJUB INFORMA: OTIMAS NOTÍCIAS, DE SÃO PAULO

Mestre Raf, a pedido do produtor Toy Lima, me pediu para transcrever esta matéria publicada na Folha de São Paulo, de hoje, de autoria do renomado e proficiente crítico de jazz Carlos Calado. Como se vê, uma alvissareira notícia para os paulistas (e para todos os cariocas que puderem ir até a capital paulistana. O programa é histórico e imperdível).


"Kind of Blue" terá tributo em SP e edição de 50 anos

"Jimmy Cobb, baterista do disco de jazz mais vendido de todos os tempos, vem ao Brasil em maio"

Norte-americano, último remanescente da banda que tocou com Miles Davis nas gravações do álbum, toca no festival Bridgestone Music

CARLOS CALADO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O músico norte-americano Jimmy Cobb, 79, tem um currículo invejável. Tocou com grandes figuras do jazz, como Dizzy Gillespie, Gil Evans e Billie Holiday, mas costuma ser mencionado como o baterista do cultuado "Kind of Blue", álbum do trompetista Miles Davis (1926-1991) que detém o título de disco de jazz mais vendido de todos os tempos.

"Se Miles pudesse saber que "Kind of Blue" se tornaria tão famoso, teria exigido ao menos uma ou duas Ferraris como adiantamento para gravá-lo", diz o veterano baterista à Folha. O álbum teve mais de 3 milhões de cópias vendidas só nos EUA, segundo a Nielsen SoundScan, que começou a aferir esses números em 1991.

Último remanescente do sexteto que gravou "Kind of Blue", além de outros discos de Miles Davis e do saxofonista John Coltrane (1926-1967), Cobb virá a São Paulo para um concerto comemorativo dos 50 anos dessa obra-prima do jazz, na segunda edição do festival Bridgestone Music, de 14 a 16 de maio, no Citibank Hall. O álbum também ganhará edição especial.

O concerto "Kind of Blue @ 50" já está agendado para alguns dos maiores festivais americanos, como o New Orleans Jazz & Heritage (3/5) e o Playboy Jazz (13/6). Clubes e festivais da Europa e do Japão também farão parte dessa turnê.
Cobb, que nos anos 70 esteve no Brasil com Sarah Vaughan, terá a seu lado desta vez a So What Band. O sexteto destaca músicos de prestígio na cena do jazz: o trompetista Wallace Roney (discípulo reconhecido pelo próprio Davis), Vincent Herring (sax alto), Javon Jackson (sax tenor), Larry Willis (piano) e Buster Williams (baixo).

"Tentei fazer como Miles fazia ao formar seus grupos. Reuni alguns dos melhores músicos de jazz no momento", diz Cobb, observando que, para escolher os parceiros, levou ainda em conta a afinidade deles com os estilos de Cannonball Adderley, John Coltrane, Bill Evans e Paul Chambers, músicos do sexteto de Davis.

Não significa que ele e seus colegas planejem reproduzir nota por nota as gravações das hoje clássicas "So What", "Freddie Freeloader", "Blue in Green", "All Blues" e "Flamenco Sketches", que integram "Kind of Blue". "Além de homenagear Miles, nossa intenção é trazer o espírito daquelas gravações para os dias de hoje", diz Cobb. Alguns temas de outros álbuns de Davis devem entrar no repertório, mas só serão escolhidos pouco antes de o sexteto subir ao palco.

Sucesso do disco

Confirmando o já folclórico estilo lacônico de Davis no comando de músicos, Cobb diz que jamais chegou a conversar com ele sobre as duas sessões de gravação de "Kind of Blue". Mas acredita que o trompetista não tivesse expectativas fora do comum em relação a elas. "Não tenho explicação para o sucesso do disco. Não houve planejamento, simplesmente aconteceu. Ao entrar no estúdio, queríamos só fazer mais uma boa sessão de gravação com Miles", diz Cobb, que o acompanhou regularmente de 1958 a 1962, em gravações e shows.

Fã de Miles Davis, Toy Lima, produtor do Bridgestone Music, diz que já comprou "Kind of Blue" em diversos formatos, do LP original a uma edição especial em CD banhado a ouro, dos anos 90. E que decidiu trazer Cobb e seu concerto-tributo ao festival estimulado pela aura mítica que ainda cerca o disco.
"O disco é reconhecido, cinco décadas após a gravação, como o ápice do jazz moderno. E não só quem gosta de jazz fica contaminado pela introdução etérea de "So What", por exemplo. Como escreveu Ashley Kahn em seu livro sobre "Kind of Blue", "essa música tem o poder de silenciar tudo", diz Lima.

Como adendo, o sempre atencioso e gentil produtor Toy Lima enviou ainda, em seu email ao Mestre Raf, as seguintes e melodiosas - para os nossos ouvidos sedentos - palavras, que me permito transcrever e dar conhecimento a todos: "... Desde já gostaria de disponibilizar ingressos em mesas especiais para todos os integrantes do CJUB. Será um prazer te-los como meus convidados."

Abraços.

3 comentários:

Bene-X disse...

Valeu, Toy !!! S E N S AC I O N A L, I M P E R D Í V E L e quaisquer outros adjetivos serão pouco para celebrar o advento de concerto de tamanha envergadura. Sou suspeitíssimo, pois todos sabem que esse é O meu disco preferido de jazz ever.

Já houve vários tributos a Kind of Blue, muitos, inclusive, organizados pelo próprio Cobb, outrora, ele que desfruta, há bastante tempo, da fama que lhe traz este "rótulo" de "último sobrevivente" do line-up do álbum, não fosse, para muito além disto, o excepcional baterista cuja missão, no final dos anos 50, foi substituir, nada mais nada menos, que o monstro Philly Joe Jones, no grupo de Miles.

O curioso será observar os andamentos, o clima emprestado aos arranjos, se vão ou não evocar a aura sublime dos registros originais, já que o próprio Miles, nas turnês que sucederam pelo mundo todo, utilizou os mesmos temas, porém em tempos furiosos, autêntico hardbop, de que são ótimo exemplo as gravações da passagem do quinteto, com Coltrane (após, Sonny Stitt), Kelly, Chambers e Cobb, na Suécia, em 1960, p.e. . Coltrane sem dúvida tornou maduro seu idioma nesta época, com solos longos porém maravilhosos e impregnados do recurso que os acadêmicos passaram a chamar, depois, de sheets of sound ou sheets of music.

O line-up atual, escolhido por Cobb, tem mudado um pouco ao longo da turnê, dependendo da agenda de cada um dos músicos, mas estão lá, sempre, cats ou young lions já consagrados.

É esperar, agradecer MUITO ao Toy, ao Mestre Raf, que sempre tão bem nos agracia com essa ponte com aquele tão generoso e talentoso produtor.

Ah, esqueci: aproveitem as milhagens e reservem o hotel. A gente se vê lá.

Abs.,

Bene-X disse...

E só pra turma começar a babar, vou entregar os detalhes da apresentação (acredito que o verdadeiro debut) da So What Band, ocorrido no Kimmel Center, na Philadelphia, USA, em 1º de novembro de 2008, cuja gravação, levada ao ar em FM a 9/11/2008, - :-) - vosso escriba detém (ou detem, segundo a reforma, parece).

Integrando a série "Jazz Up Close" do referido Kimmel Center, o concerto contou com as seguintes formação e set list:

Jimmy Cobb, drums
Corcoran Holt, bass
Javon Jackson, sax
Russell Malone, guitar
Eric Reed, piano

Primeiro set:

01. My Shining Hour 9:50
02. Someday My Prince Will Come 11:06
03. Along Came Betty 9:00
04. Eleanor (Sister Cobb)9:20
05. If I Were A Bell 9:28

Set Two
01. Mr. Lucky 6:04
02. (?) 12:33
03. Blue in Green 4:46
04. So What 11:04
05. All Blues 11:49

À exceção de Reed, o line-up anunciado por Calado para SP é, indiscutivelmente, muito mais atraente, o que, a se confirmarem aqueles nomes, fará do concerto um acontecimento histórico no Brasil.

Abs.,

Anônimo disse...

A última gravação de Cobb foi com Roy Hargrove, no final do ano passado (2008). A So What Band vai começar uma turnê para a comemoração do quinquagésimo aniversário do Kind Of Blue (1959) com a seguinte formação: Wallace Roney (tp), Javon Jackson (st), Vincent Herring (sa), Larry Willis (p), Buster Williams (b) e Jimmy (dr).
Não seria essa formação a vir para São Paulo?

Manim