Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

EXCELENTE O SHOW DE ADRIANO GIFFONI

15 dezembro 2009


De muita qualidade foi o show de Adriano Giffoni na noite de dez do corrente no "Velho Armazem". Com ele estavam Tino Jr.(st), Felipe Poli(g) e Cesar Machado (dm) e o anfitrião Márvio Ciribelli aos teclados. Após os excelentes "All the things you are" e "Solar", entramos no repertório do último CD de Adriano, "Quixadá Acústico". Ganhamos o disco e em casa pudemos avaliar a sua alta qualidade. Adriano toca música brasileira com a acentuação jazzística que todos apreciam. Uma gama de ótimos músicos se reveza de faixa para faixa, dando uma ótima demonstração de conhecimento dos nosos rítmos. Adriano é perfeito tanto nos solos, inclusive com arco, como nos acompanhamentos. Foi mais uma noite agradável , com boa música e bons amigos no "Velho Armazém".

HELVIUS VILELA

O meu amigo pianista,compositor e arranjador Helvius Vilela esta precisando da nossa solideriedade. Ele esta com cancer nos pulmões.Esta sendo tratado no INCA e assim que estiver mais forte podera se submeter a um tratamento de quimioterapia. Como no momento não esta podendo trabalhar peço aos amigos que depositem o valor que for possivel na seguinte conta:
HELVIUS VILELA BORGES
CPF 242.899.147-72
BANCO ITAU
AGENCIA : 0311
CONTA : 10.484-8

A musica agradece.

COMPARTILHANDO COM OS AMIGOS

14 dezembro 2009

O Beltrão tem milhares de CD's ocupando um quarto inteiro, cheio de prateleiras, mais centenas de LP's de oito, dez e doze polegadas, fora as fitas cassette, sei lá.

Para mim a arte de colecionar discos é algo do século XX e um colecionador tem agora, no século XXI, o microcomputador como seu melhor aliado para poder disfrutar de toda a música que guarda nas estantes, sem sequer levantar-se da cadeira.

Com a enorme capacidade de armazenamento de hoje em dia, o Beltrão pôde compactar em MP3, sem perda de qualidade para um ouvido normal, os milhares de CD's e vinis utilizando um programa de computador que, facilmente, pode tocar em sequencia todas as gravações de "Autumn in Paris" ou "Sophisticated Lady", de centenas de interpretes, ou lhe dizer quantas composições de Duke Ellington ele possui.

Fora isso é só a diversão de pegar CD por CD, compactar no Hard Disk e catalogar no software. O futuro é isso aí, comparar as discotecas com os amigos em termos de Gigabytes ou até Terabytes.

Beltrão, assim que terminares de por tudo em MP3, estarei te mandando um Hard Disk de 500 Gigabytes para voce me copiar sua discografia - eu sei que tem coisa muito boa para se ouvir.
RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(D) INFLUÊNCIAS, ESTILO, SEGUIDORES

Essa diversidade de apreciações, ainda que em síntese final coerentes, deve-se ao fato de que na história do “piano–jazzErroll Garner é caso único, impossível de enquadramento em qualquer escola: sempre ficará fora das “correntes”, da “moda”.

Pode-se dizer que, no início, recebeu alguma influência dos “boppers” então dominando a cena jazzística e que, naquele momento/movimento, também constituia seu envolvimento. Mas ainda que sua participação naquele cenário fosse de ligação e de adaptação à linguagem revolucionária de Charlie Parker, sempre ficou muito nítida a marca de sua personalidade musical, personalidade, de resto, calcada no mais absoluto talento natural: não lia música e tampouco diferenciava tonalidades ! Mas foi capaz de cunhar um estilo absolutamente inconfundível, destinado a alcançar sucesso extraordinário.

Os contrabaixistas e bateristas que atuaram com Garner por muito tempo sempre o consideraram um “monstro”, quando não um “gênio”, nunca abaixo de um Art Tatum, ou de Oscar Peterson, ou de George Shearing (que chegou a declarar publicamente haver buscado adaptar seu estilo ao do colega Garner), ou ainda de Teddy Wilson, de Earl Hines ou de Duke Ellington. Em sua proverbial introspecção e poucas palavras, Thelonius Monk admitia o fascínio que sentia por Garner.

Em seu livro “Jam Session – An Anthology Of Jazz” (1958, U.S.A., reeditado em 1961 para os membros do “Jazz Book Club” da Inglaterra), Ralph J. Gleason reprisa artigo que havia publicado anteriormente na revista “Down Beat”, para afirmar que Erroll Garner com seus “.....cascading chords, lilting rhythm, romântic melodies and all-out, free-wheeling swing have made him into one of the major influences on jazz pianists in the past decade....”.

Obviamente e sem desprezar outras influências, podemos citar como seus “descendentes” diretos ou um tanto mais remotos, entre outros, Ahmad Jamal, Red Garland, Carl Perkins, Ellis Larkins e Phineas Newborn.

Idolatrado pelo público(e de modo particular pelo “grande público”, que logicamente sempre ficou extasiado com suas miríades de efeitos e de “truques”), Garner sempre obteve escassa consideração por parte da crítica, habitualmente disposta a tratá-lo como um “super-pianista de entretenimento”, mas via-de-regra reservando-lhe espaço acanhado na história do JAZZ.

Quando Garner faleceu em janeiro de 1977, enquanto os jornais de grande circulação em todo o mundo davam grande destaque à triste notícia (confirmando a enorme popularidade de que desfrutava seu nome), boa parte das revistas especializadas, ao contrário e como se a popularidade fosse inversamente proporcional aos seus méritos, minimizava o fato. Essa foi a posição, por exemplo, de Arrigo Polillo na revista “Música Jazz” de fevereiro de 1977: “.....salvo poucas coisas boas no primeiro ano de sua carreira, a produção restante de Garner é música de consumo......”.

Esses críticos em nada nos espantam porque, aqui, reportamo-nos a James Lincoln Collier em seu livro “JAZZ – A Autêntica Música Americana”(Jorge Zahar Editor, 1993, página 243), que no capítulo dedicado aos “críticos”, salienta com muita propriedade que em todas as 03 grandes gerações de críticos de JAZZ ( -inicialmente aqueles que tiveram formação acadêmica, - seguidos dos que nasceram pela paixão da música de seu tempo, mais viscerais que técnicos – - para desembocar na geração de Martin William, Whitney Balliett, Gary Giddins, Nat Hentoff, Stanley Crouch, Dan Morgenstern, Gunter Schüller, Leonard Feather e Stanley Dance, muito mais comentaristas, articulistas, freqüentadores de seminários, conferências e que de tempos em tempos publicam livros, que “conhecedores musicais” de JAZZ), parece que os críticos supõe-se superior ao que criticam = os músicos. Collier arremata de maneira fulminante ao afirmar que, com exceção de Leonard Feather e Gunter Schulller, nenhum desses “críticos” teve razoável formação musical (em alguns casos nenhuma), muitos não sabem ler música ou tocar um instrumento musical com um mínimo de técnica; diz ele que a pura verdade é que existem milhares de estudantes de música nos U.S.A., que conhecem mais teoria musical que os "críticos" de JAZZ do primeiro time.

Ainda o historiador James Lincoln Collier em seu importante livro “The Making Of Jazz”(Granada Publishing/Inglaterra, 1978, página 392), diz textualmente que (tradução livre) “......George Shearing, Oscar Peterson e Erroll Garner constituem uma sub-escola do moderno piano-jazz......”, no sentido de que fizeram escola a partir de outros mestres do teclado.

Se consultarmos o precioso livro de Len LyonsThe Great Jazz Pianists”(Da Capo Press, 1983, páginas 40, 100, 105, 115 e 116, 157, 175, 182 e 183, 190, 206, 211, 225 e 232), veremos que tanto nos comentários do autor, quanto nas apreciações de pianistas do quilate de George Shearing, Dave Brubeck, Ahmad Jamal, Jimmy Rowles, Billy Taylor, “Jaki” Byard, Ramsey Lewis, “Randy” Weston, Bill Evans e Steve Khun, Erroll Garner é referência indissolúvel de origens e/ou de estudo.

Na verdade e na sua aparente (nunca real) limitação de “aproach”, Garner possuía amplo senso de organização sonora, o que lhe permitia desempenho pianístico com sonoridade de grande orquestra, a par de ter sido um dos grandes improvisadores do JAZZ.

Os que tiveram a ventura de acompanhá-lo quase nunca sabiam o que seria executado. Seu repertório, constantemente renovado, era vastíssimo e mesmo quando retornava a um tema, modificava o tempo, ou a harmonia, ou a tonalidade, conferindo execução inteiramente diferente da(s) anterior(es). Um dos clássicos exemplos disso são as 04(quatro) versões que deixou registradas de “St. Louis Blues”.

Uma escuta atenta e uma análise aprofundada do extenso patrimônio discográfico que Garner nos legou, nos faz descobrir, sob a superfície luxuriante carregada de tons rapsódicos, de arpégios e aparência barroca, um admirável domínio da vizinhança de todos os estilos pianísticos: é um pequeno universo do “piano-jazz”.

Do “stride-piano” de James P. Johnson e “Fats” Waller (escute-se a versão de Garner em setembro de 1945, do clássico “I Know That You Know”), ao “boogie-woogie”(“Boogie Woogie Boogie” de dezembro de 1944) e ao largo emprego dos “block-chords”(1953, “I’ve Got My Love To Keep Me Warm”), Garner está sempre a vontade.

Mesmo não sendo um devoto do “Blues” dos quais poucos registrou, ainda assim e como demonstrou na gravação de “Way Back Blues” em 1956, possuía um “feeling” exato.

De resto suas mãos se multiplicam: ataque poderoso com as duas, impressionante rapidez e destreza com a direita (ouvir sua versão de “Honeysuckle Rose” de janeiro de 1951), inconfundível e característica defasagem (ligeiro atraso) da direita em relação à esquerda(“Undecided” de março de 1949 é um primeiro de múltiplos exemplos) e completa independência entre as duas – o que lhe permitia combinar ritmos diferentes com absoluta naturalidade (ouça-se o registro de 1956 para “But Not For Me”). Permanente carga de “swing”, alimentando incessantemente sua improvisação com inesgotável fantasia criativa, desenvolvendo ao infinito qualquer melodia, mesmo se banal, enriquecendo-a com adornos, tessituras rapsódicas, variações de timpbre, até literalmente transfigurá-la.

Como episódio esclarecedor das execuções de Garner, lembramos a exclamação de Jerome Kern após escutar as peças de sua autoria, “Who” e “Yesterdays”, gravadas por Garner em março de 1955 (texto da capa do LP “Erroll”, EmArcy MG 36.069):
..........será possível que tudo isso seja obra minha ? ? ? .............”.

É importante lembrar as magníficas “introduções” de Garner, sempre inovadoras e imprevisíveis mesmo para ouvintes preparados, provocando a curiosidade e criando suspense até que, quando ele atacava o tema com seu inconfundível “Garner beat”, o auditório não podia fazer menos que explodir em ovação, descarregando a tensão acumulada e deixando-se envolver pela impressionanate cascata de notas.

Simples é ouvir e deliciar-se com a música de Erroll Garner, mas complexo é analisá-la. Transvrevemos a seguir em tradução livre e adaptada, uma pequena parte do artigo de Mini Clar (revista “The Jazz Review” de janeiro de 1959, páginas 06 a 10), gentilmente cedido pelo amigo no JAZZ Carlos Augusto Tibau Ribeiro.

........Analisar a música de Erroll Garner envolve o exame, não de um, mas de vários estilos de tocar. Talves mais que qualquer outro pianista de JAZZ, ele sempre prosseguiu desenvolvendo seu estilo. De um início razoavelmente simples, Garner forjou continuamente a produção de uma crescente complexidade de idéias e de sons. Sem importar o quanto seu desenvolvimento foi radical, ele sempre manteve identidade musical marcante em todo o seu trabalho.
Três influências(ou raízes) são identificáveis no estilo de Garner, a saber: (1) Ragtime, (2) Impressionismo e (3) o “Stride-piano” do Harlem à “Fats” Waller. As harmonias luxuriantes e as sinuosidades sonhadoras, nas baladas em tempo lento de Garner, vêm do Impressionismo; o balanço e a jovialidade nas faixas em “up-tempo” derivam do Ragtime; a vitalidade robusta e o humor insinuante que permeiam seu toque, vem de “Fats” Waller e da sua escola “Stride”. Observe-se que essas raízes são puramente pianísticas, sem influência de estilos conseqüentes dos instrumentos de sopro. O estilo Garner pode ser sub-dividido pelos 10 pontos seguintes(que não estão vinculados a nenhuma cronologia):
1º estilo “stride” = balanço, tom baixo, enfeite de notas, “clusters”, uso de décimas;
2º estilo do swing primitivo / tempo médio ou “up-tempo” = sonoridade emergente nos inícios de frases;
3º estilo fluido = uso de pedal, balanço nos tons baixos, décimas;
4º estilo latino = balanço do “beguine”, melodias com a mão esquerda, arpégios;
5º estilo impressionista = baladas lentas, acordes “volumosos”, som luxuriante;
6º estilo Bebop = concentração na mão direita, sonoridade de instrumentos de sopro;
7º estilo contemporâneo = acordes em estacatos com a esquerda, balanço;
8º estilo “balanço muito lento” = sub-divisão em partes mínimas;
9º estilo mambo = balanço do mambo;
10º estilo orquestral = intensificação e utilização de recursos pianísticos.
Uma aproximação bem satisfatória para o estudo do estilo de Garner pode ser obtida considerando: melodia / harmonia / ritmo / cores tonais / expressão emocional.
Melodicamente Garner utiliza cada recurso possível em sua improvisação: as duas mãos executam papéis melódicos (padrões para a mão esquerda, trabalho de mãos cruzadas e freqüente alternância de fragmentos melódicos). Em execuções com um único dedo Garner emprega notas de enfeite, apogiaturas simples e duplas, arpégios ascendentes e descendentes, escalas cromáticas e diatônicas, escalas pentatônicas e repetição de notas. A repetição constante de notas da melodia é uma marca registrada de Garner: notas ou acordes são repetidos duas ou três vezes por tempo.....


Segue em
(E) LP’s LANÇADOS NO BRASIL

FILO MACHADO - UM MUSICO COMPLETO

13 dezembro 2009

Nesta tarde chuvosa que nem lembra o verao, o passeio pela internet sempre nos traz surpresas agradaveis e uma delas e encontrar varios temas do especial de Filo Machado na TV SESC, feito neste final de novembro.

Por incrivel que pareca, e mais facil um musico de SP tocar na Europa, nos EUA ou no Japao, do que vir ao Rio de Janeiro.

Ainda assim, desde que conheci a voz, o balanco, o som da guitarra, as musicas, e as improvisacoes de Filo Machado (num show com Leny Andrade em meados dos anos em SP), procuro acompanhar a distancia o trabalho deste excelente musico, compositor e cantor, e procurar ouvi-lo ao vivo quando ele aparece por estas bandas cariocas.

Nos ultimos anos, ele vem lancando novos trabalhos e neste ano esteve no Rio homenageando JOHNNY ALF (o pianista e compositor se encontra hospitalizado em Santo Andre) no show GeniALF.

Dos cerca de 10 albuns ja lancados, CANTANDO UM SAMBA foi indicado para concorrer ao melhor album de Jazz ha alguns anos atras. O album e excelente.

Um dos temas mais conhecidos da lavra de Filo e JOGRAL.

Entendo que num blog de JAZZ & BOSSA,e sempre importante trazer musicos que tem no seu DNA sementes destas duas palavras.

Espero que gostem.

Obs. Fiquei impressionado com o jovem pianista que acompanha Filo (Acho que o nome e Fabio Leandro).

Beto Kessel

11 dezembro 2009

RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(A) EXPLICAÇÃO
(B) PREFÁCIOS
(C) ALGUMAS APRECIAÇÕES DE TERCEIROS
(D) INFLUÊNCIAS, ESTILO, SEGUIDORES
(E) LP’s LANÇADOS NO BRASIL
(E.1) Lista Seqüencial de Lançamento
(E.2) Apresentação Comentada dos LP’s - 1ª Parte
(E.3) Apresentação Comentada dos LP’s - 2ª Parte
(E.4) Apresentação Comentada dos LP’s - Final
(E.5) O Melhor de Garner
(F) MINI-BIOGRAFIA - 1ª Parte
(G) MINI-BIOGRAFIA - 2ª Parte
(H) MINI-BIOGRAFIA - 3ª Parte - Final
(I) BIBLIOGRAFIA
(J) FILMOGRAFIA
(K) DISCOGRAFIA EM CD’s - RESUMO
(L) SOBRE A APRESENTAÇÃO DE ERROLL GARNER NO TEATRO MUNICIPAL / RJ

(A) EXPLICAÇÃO
O “Retrato” de Erroll Garner terá uma apresentação seqüencial e de conteudo um pouco diferente dos 12 “Retratos” anteriores, em função do histórico de sua compilação e conforme a itemização acima.
Em realidade este “Retrato” é a versão simplificada de um “livro.piloto”.
Corria o ano de 1991 e mestre Luiz Carlos Antunes (Lula) e eu havíamos terminado de redigir o texto do livro “CHARLIE PARKER – GLÓRIA MUSICAL, ABISMO PESSOAL”, inclusive já calorosamente prefaciado pelo grande Luiz Orlando Carneiro: iniciávamos a, até hoje, penosa busca de editora.
Lula teve a idéia de escrevermos outro livro sobre os lançamentos discográficos nacionais das gravações de Erroll Garner, pianista por nós apreciado como um dos grandes, um “mágico das 88 teclas”. Lula possuía todas essas gravações, eu nem todas.
Mãos à obra e Lula (em Niterói/RJ) passou a escrever sobre os álbuns, assim como sobre a estada de Garner no Rio de Janeiro em meados de 1970, enquanto me coube (em São Paulo/SP) discorrer sobre a história de Erroll Garner. O resultado foi a montagem de um “livro.piloto”, com o título deste “Retrato”: ERROLL GARNER - UM PANORAMA DE 88 TECLAS MÁGICAS.
O que se segue é a prática totalidade do conteúdo desse “livro.piloto”, ligeiramente reordenado a atualizado, tanto quanto possível com o formato dos “Retratos” anteriores.

(B) PREFÁCIOS
PREFÁCIO (1)
Por Luiz Carlos Antunes
Minha admiração pela arte de Erroll Garner ocorreu no início da década de cinqüenta do século passado, quando o rádio ainda cumpria seu primordial papel de difusor cultural. Época também em que a música de cada país mantinha as suas naturais características, sem influências externas que pudessem alterar sua identidade.
Ouvia-se de tudo no rádio, do samba brasileiro, tango argentino, boleros mexicanos, valsas vienenses e francesas, canções napolitanas, às mais eruditas formas musicais como as sinfonias, concertos, óperas etc. Tudo, absolutamente tudo, ostentando um item importantíssimo: qualidade.
Os pianistas da época eram os ingleses Charlie Kunz e a dupla Ivor Moreton & Dave Kaye, com seus “Fox-Trots Medley” de sucessos; o alemão Peter Kreuder com os “pout pourris” de operetas em ritmo de “fox” e, mais tarde, já radicado no Brasil, gravando boleros e chorinhos; o argentino Heriberto Muraro que manteve programa de auditório, criando músicas com apenas 04(quatro) notas escolhidas pela platéia; o misterioso Armando Dominguez, que gravou apenas 01(um) disco de grande sucesso e desapareceu (? quem não se lembra de “Momentos de Amor” ?...); o também desconhecido Pepe Carrera, que fez 02(dois) 78 rotações para a "Continental", com 04(quatro) “Fox-Trots” de sua autoria, muito tocados no rádio: “Uma Sombra e Dois Cigarros”, “Pedras Brancas”, “Lua de Mel na Lua” e “Nossas Pequenas Coisas”.
No lado brasileiro preponderou a magnífica Carolina Cardoso de Menezes, recentemente falecida, a quem a música popular muito deve. Sua história tem início quando integrou o grupo de acompanhamento da gravação do clássico “Na Pavuna”, com o famoso Bando dos Tangarás (Braguinha, Almirante, Noel Rosa, Henrique Brito e Alvinho) e prosseguiu com gravações preciosas de sambas e choros do nosso populário, incluindo um álbum dedicado a Ernesto Nazareth que, segundo o maestro Radamés Gnatalli, teve em Carolina sua melhor intérprete. Sua atuação no rádio foi das mais brilhantes, liderando programa próprio em que era acompanhada por Garoto (violão), Vidal (contrabaixo) e Trinca (bateria). Ali ouvíamos suas belas composições, desde “Preludiando”(seu prefixo), a “Tudo Cabe num Beijo”, “Nosso Mal”, “Sempre Assim”, “Esquina da Vida”, “Baionando” e muitas outras.
Tivemos também o “piano de gafieira” do folclórico Gadé, cujo álbum gravado com o baterista Walfrido Silva foi bastante executado nas rádios. Começavam a surgir os famosos “Conjuntos de Boite” liderados por Robledo, Scarambone, Djalma Ferreira, Chuca Chuca, Waldir Calmon e a dupla “Fats” Elpídio e Leal Brito (“Britinho”). Dick Farney, já reconhecido como cantor, começava a aparecer como pianista.
Quanto aos americanos, ouvia-se muito Buddy Cole, Cy Walter, Eddie Duchin (cuja história romanceada foi levada às telas com Tyrone Power, Kim Novak e Victória Shaw, em “The Eddie Duchin Story”, no Brasil “Melodia Imortal”), Frankie Carle, Johnny Guarnieri, Stan Freeman, Joe Bushkin (que tocou no Copacabana Pálace / Rio de Janeiro acompanhando Bud Freeman), Barclay Allen, Carmen Cavallaro, Hazel Scott e alguns outros.
Certa tarde fui atraído para perto do rádio por uma música executada por um pianista de forma totalmente diferente do que habitualmente se ouvia. Colei os ouvidos no aparelho, aguardando o anúncio do locutor e fui premiado: - Ouvimos “Penthouse Serenade” com o pianista Erroll Garner.
Nessa época o comércio fonográfico ainda era incipiente, principalmente no que se referia a LP’s, então escassos. Após infrutíferas buscas, fui orientado por amigos a procurar as “Lojas Murray” (centro da cidade do Rio de Janeiro), onde Jonas Silva, mais tarde proprietário do selo “Imagem”, importava discos sob encomenda. Por sorte, lá estava o 10” da “Savoy” com o “Penthouse Serenade”, ainda hoje um de meus discos preferidos.
Daí para a frente, procurei adquirir tudo o que Erroll Garner gravou, principalmente os LP’s lançados no Brasil, alvo maior do trabalho que ora apresentamos.
Coletei o máximo possível de informações, organizando arquivo próprio com entrevistas, reportagens, “releases”, noticiário referente à estadia de Erroll Garner no Rio de Janeiro, quando se apresentou no Teatro Municipal em magnífica récita, ocorrida em 10 de julho de 1970 (viajou para São Paulo no dia seguinte, onde realizou 03 apresentações de 12 a 15 de julho, retornou ao Rio de Janeiro no dia 16 de julho, de passagem para temporada na Europa).
Para tanto contei com a inestimável colaboração de Pedro Cardoso, amigo fraterno que comunga comigo as mesmas idéias quando “O Assunto É Jazz”. Entusiasmado com o projeto, Pedro atirou-se ao trabalho de pesquisa em seus arquivos e no campo, reunindo farto material sobre Erroll Garner, desde a extensa biografia, a fatos importantes na carreira do pianista, coletando dados, visitando “sites” e organizando a cronologia do trabalho que ora sumetemos à apreciação dos Jazzófilos.

PREFÁCIO (2)
Por Pedro Cardoso
Ouvir, admirar e desfrutar a arte pianística de Erroll Garner é vício antigo, que vem dos anos 50 do século passado. Em que pese o habitual de qualidade à qual, então e via rádio, por regra geral, os ouvintes eram expostos, a sonoridade orquestral, o “swing” inusitado, a criatividade incessante e absolutamente lógica (ainda que sempre inesperada) de Garner, sempre se constituíram em exceção para os apreciadores da boa música, do bom JAZZ.
Difícil à época era conseguir as gravações de Garner: além de não termos as facilidades atuais de acesso e de encomendas, não possuíamos os meios de reprodução doméstica com que ora contamos (gravar discos de amigos em fita ou em CD, por exemplo), nem tampouco grande profusão de lojas com importados para compra; em conseqüência nossa busca era um incansável trabalho de garimpo, de procura em lojas, em "sebos" e de reuniões com amigos, felizes possuidores do escasso material que, também eles, escassa e raramente conseguiam. Enfim, uma odisséia que, sem nenhuma dúvida, era largamente recompensada quando um 78 ou um 331/3 rpm de Erroll Garner começava a rodar (“pérolas em forros de veludo”).
Por todo o exposto a idéia de Luiz Carlos Antunes, LULA, nosso mestre maior e companheiro de tantas e tantas jornadas, de escrever sobre os LP’s nacionais de Erroll Garner cumpre, no mínimo, 02(duas) tarefas importantes:
(1ª) historiar a obra, editada no Brasil em LP’s, de um artista excepcional, que nos legou beleza e uma incansável vontade de agradar seu público;
(2ª) evitar que outros ouvintes e admiradores da música de Garner sofram o que sofremos no passado, por falta de informação, disponibilizando-lhes um material de consulta permanente.
Para tentar enriquecer o trabalho sobre Garner, adicionamos à obra do LULA algumas anotações que, pensamos, podem ajudar o Leitor a conhecer o artista além da sua música e, também, facilitar-lhes a audição desse virtuoso; assim, incluímos:
- mini-biografia de Garner;
- mini-discografia de Garner em CD’s, além da discografia nacional em LP’s, elencada e comentada por LULA;
- filmografia básica (filmes, VHS e DVD com participação de Garner);
- bibliografia condensada referente a Garner;
- documentação sobre a apresentação de Garner no Teatro Municipal do Rio de Janeiro (retirada dos “arquivos implacáveis" de mestre LULA).
Como em trabalho anterior que realizamos com Luiz Carlos Antunes, pensamos poder fornecer para o Leitor bons momentos de leitura sobre Garner mas, com absoluta certeza, os melhores momentos sobre esse músico notável serão desfrutados ouvindo-o e/ou assistindo-o ao vivo nos filmes que indicamos.
Ainda assim nos sentiremos recompensados se cada Leitor puder apreciar e utilizar nosso trabalho de alguma forma, tanto quanto agradeceremos qualquer informação adicional sobre a obra de Garner (correções, ampliações etc, para o endereço “apostolojazz@uol.com.br”).
Cabe, e muito, nosso agradecimento ao colega Luiz Carlos Nascimento e Silva, por suas observações e cuidados para que buscássemos “o melhor”.

(C) ALGUMAS APRECIAÇÕES DE TERCEIROS

O ator/comediante/pianista/escritor Dudley Moore (que inciou-se no piano aos 16 anos ouvindo as gravações de Erroll Garner), em seus apaixonados comentários para o encarte do CD “Solo Time” da "EmArcy Records", declara:
“.....uma experiência arrepiante – arrepiante no sentido de que ouve uma exceção, de se ouve um fenômeno....”
Nota: o CD “Solo Time”(1987) contem faixas de Garner em piano-solo, não lançadas até então, tendo sido gravadas originalmente para o selo “OCTAVE Records” (de propriedade de Garner e popularmente apelidado de Organization Celebranting, Touting, And Veneranting Erroll).

Para as notas de contra-capa do LP duplo “Paris Impressions”(Columbia C2L9), o crítico Ralph J. Gleason foi taxativo:
“.......Garner é um dos grandes músicos de Jazz e sua arte permanecerá para o mundo, com a de Armstrong e a de Ellington......”.

Segundo o pianista Billy Taylor:
“...........Erroll Garner é um verdadeiro gigante entre os pianistas de Jazz.....”.

Sidney Finkelstein em seu livro “Jazz: A People’s Music” (USA, 1948, página 228), escreve que:
“........de todas as maneiras, podemos dizer em definitivo que foram exatamente Parker, Garner, Gillespie, Monk e Dameron, que deram sólida contribuição (ao Bebop) como compositores e como intérpretes............”

Jorge Guinle em seu “Jazz Panorama” (Brasil, 2ª edição, página 118), comenta:
“.........outro pianista com estilo personalíssimo é Erroll Garner, um original que, apesar de não saber ler música, é possuidor de grande técnica e um estilo interessantíssimo....”.

Do livro de Whitney BalliettThe Sound Of Surprise” (USA, 1959, capítulo 4, “O Último dos Moicanos”, página 222), extraímos o seguinte trecho:
“.............Garner é uma lenda genuína......é fenomenal em um estúdio de gravação; em poucas horas e dominando o cenário, sem pausas ou regravações, executa uma dúzia ou mais de números, alguns com oito ou dez minutos de duração....”.

Nat Pierce, pianista que durante algum tempo foi “road manager” de Garner, fez a seguinte apreciação:
“......de fato Garner tinha técnica própria, que ele mesmo desenvolveu, inclusive parte dela com um só dedo; se você souber tudo do piano também poderá soar daquela maneira, ao invés de como seria com um aprendizado clássico.....”

De Johnny Mathis:
“..........o extraordinário em Garner e suas baladas, é que são completamente líricas.....”

O contrabaixista Brian Torf acrescenta:
“...........anunciava-se o tema Misty em si-bemol e Garner normalmente o executava em si-natural ou em sol; ele não tinha tonalidades preferidas, fazia o piano soar....”

De George Wein:
“.......a coisa é simples, Erroll Garner é um grande gênio musical.....”.

Ray Brown por outra parte afima que:
“..........um talento como Erroll Garner não tem receio de qualquer tonalidade, porque essa não é a sua referência....”.

Mary Lou Williams costumava dizer que:
“............devido à sensibilidade de Garner para as baladas, seu feeling era comparável apenas ao de Billie Holiday.....”
ou, ainda Mary Lou Williams na extensa entrevista para a edição de abril/junho de 1954 da revista Melody Maker (leia-se “Edgar Jackson”, seu fundador e primeiro editor, também dançarino profissional):
“..............Garner para mim é Billie Holiday no piano.........”.

Nas palavras de Joachim Ernst Berendt:
“...........não há nenhum outro pianista com a convergência de todos os elementos e de todas as correntes da história do piano no Jazz, de modo tão magistral, tão autônomo e tão bem humorado............”.

Segue em
(D) INFLUÊNCIAS, ESTILO, SEGUIDORES

ERROLL GARNER - 88 Teclas Mágicas

10 dezembro 2009

Prezados CJUBIANOS e demais Leitores:
A partir deste final de semana estaremos publicando, como mais um "RETRATO", o livro "ERROLL GARNER - 88 Teclas Mágicas", um trabalho feito a 04 mãos (LUIZ CARLOS ANTUNES, Mestre Lula e PEDRO CARDOSO, Apóstolo) sobre 02 mãos maravilhosas.
Como roteiro básico publicaremos:
(A) EXPLICAÇÃO
(B) PREFÁCIOS
(C) ALGUMAS APRECIAÇÕES DE TERCEIROS
(D) INFLUÊNCIAS, ESTILO, SEGUIDORES
(E) LP’s LANÇADOS NO BRASIL
(E.1) Lista Seqüencial dos Lançamentos
(E.2) Apresentação Comentada dos LP’s - 1ª Parte
(E.3) Apresentação Comentada dos LP’s - 2ª Parte
(E.4) Apresentação Comentada dos LP’s - Final
(E.5) O Melhor de Garner
(F) MINI-BIOGRAFIA - 1ª Parte
(G) MINI-BIOGRAFIA - 2ª Parte
(H) MINI-BIOGRAFIA - 3ª Parte - Final
(I) BIBLIOGRAFIA
(J) FILMOGRAFIA
(K) DISCOGRAFIA EM CD’s - RESUMO
(L) SOBRE A APRESENTAÇÃO DE ERROLL GARNER NO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
Estamos seguros que será mais um fonte de consultas e de críticas para aprimoramento, sobre um pianista/compositor excepcional.

Jazz ao seu alcance



O livro "Jazz ao seu alcance" é uma versão estendida do site Guia de Jazz SobreSites ( www.sobresites.com/jazz ), editado pelo jornalista paulistano Emerson Lopes há sete anos e meio. Assim como o site, o livro deve ser usado como um guia para conhecer os principais expoentes e também nomes menos lembrados do jazz.
Com cerca de 600 endereços rigorosamente selecionados e comentados pelo autor, o leitor encontra de forma simples e organizada endereços de sites divididos em 13 categorias (revistas, rádios online, gravadoras, artistas, portais, festivais, premiações, jazz em português, música instrumental brasileira, jazz em espanhol, portais, Top 20 e lojas).
O lançamento será dia 14/12 em São Paulo, mais informações sobre o livro em http://nosreme73.multiply.com/reviews/item/59
Parabéns Emerson que tenha todo o sucesso merecido.

THE TOWN HALL – EDDIE CONDON'S CONCERTS – (FINAL)

06 dezembro 2009

NORMA TEAGARDEN ..........................................................................................................WINGY MANONE





.....JACK TEAGARDEN ............................................. EDDIE CONDON


Esta série apresentou trechos de concertos de Dixieland Jazz produzidos por Ernest Anderson e dirigidos por Eddie Condon, diretamente do Town Hall e do Ritz Theatre na cidade de New York em transmissões pela NBC-National Broadcasting Corporation Radio – Blue Network Broadcast Series.


O concerto que encerra estas transcrições foi realizado a 2 de dezembro de 1944.
A abertura se dá com trecho do tema tradicional Teaser também conhecido como Makin' Friends.
O primeiro número apresentado é o clássico dixieland ― I Found A New Baby onde se destaca o barítono de Ernie Caceres, o trombone de Jack Teagarden, e a ensemble sustentada por Pee Wee, Kaminsky, Lesberg, Jackson, Wettling e naturalmente por Condon.
O locutor Robbins chama Condon ao microfone e este Jack Teagarden para anunciar sua irmã a pianista Norma (1911-1996), uma das quatro figuras musicais da família começando pela mama Helen Teagarden pianista de ragtime e professora de música e os irmãos Charlie trompetista, Clois "Cubby" Teagarden baterista todos texanos de Vernon. O tema executado é Little Rock Getaway e Norma apresenta excelente solo, ótima pianista que era.
O próximo destaque é para Jack Teagarden com seu velado e melodioso trombone em Memories Of You outro clássico composto em 1930 pelo grande pianista Eubie Blake. Norma segue ao piano.
Encerrando o concerto o blues improvisado ― Impromtu Ensemble quando Condon chama o trompetista Wingy Manone a juntar-se ao grupo. Teagarden e Manone iniciam com vocal, solo fantástico de Manone e depois Condon vai anunciando os demais solistas.
Os temas foram:
I Found A New Baby (Jack Palmer – Spencer Williams)
Little Rock Getaway (Carl Sigman – Joe Sullivan)
Memories Of You (Andy Razaf – Eubie Blake)
Impromtu Ensemble
Nesta audição o grupo era formado por: Eddie Condon (gt e lider), Max Kaminsky (tp), Bobby Hackett (cornet), Jack Teagarden (tb), Ernie Caceres (sax bar), Cliff Jackson (pi), Pee Wee Russel (cl), Jack Lesberg (bx) e George Wettling (bat). Convidados: Norma Teagarden (piano) e Wingy Manone (tp e vocal)
Gravação original: 2/dezembro/1944 – Ritz Theatre, New York City
Fonte: CD Jazzology – JCE1014 -1991 – EUA

Eddie Condon foi um dos pioneiros no uso da guitarra tenor de 4 cordas e a consolidar as concepções rítmicas dos chicagoanos na década de 1920, sempre mantendo a pulsação, o swing dos grupos em que atuou e jamais solando. Seria talvez um músico obscuro se não possuísse um espírito tão lider ao formar grupos e a empreender concertos que se tornaram memoráveis tal a qualidade dos músicos arregimentados. Nestas 7 séries postadas muito pode-se avaliar da importância de Condon na formação do Jazz, do Dixieland.




Tempo total: 18:46min

NO AR O TRIBUTO AO MILES, PELOS 50 ANOS DO KIND OF BLUE

05 dezembro 2009

Mais uma vez gentilíssimo, nosso amigo Toy Lima envia o lembrete - e o atraso todo em publicar aqui deve-se a mim - sobre a ida ao ar, no site do Bridgestone Festival, dos clipes com os registros da passagem por São paulo, em maio passado, do Tributo ao mais vendido disco de jazz da história, com a banda do último remanescente da formação que alinhou para aquela celebérrima gravação, o baterista Jimmy Cobb.

Cliquem aqui e serão direcionados diretamente aos registros das duas magníficas noites que pudemos presenciar.

Abraços.

VITTOR SANTOS & ORQUESTRA - RAZAO DE VIVER

04 dezembro 2009

Por uma unica vez, tive a oportunidade de conhecer o trabalho do genial musico Vittor Santos, e a ocasiao foi no finado Mistura Fina, num dos memoraveis concertos promovidos pelo CJUB. Se nao me engano, foi a Dream Night, com o Hepteto.

Sei apenas que numa noite com inumeros craques (Dario Galante, Paulo Russo, Rafael Barata, Idriss Boudrioua, Jesse Sadock e Daniel Garcia, Vittor Santos), sai do Mistura impressionado com o talento e criatividade daquele trombonista.

Passeando pelas inumeras oportunidades que o youtube nos oferece de revisitar momentos e conhecer outros, acabei parando num tema que considero belissimo.

A composicao e RAZAO DE VIVER, composta por Eumir Deodato e Paulo Sergio Valle, e a orquestra e liderada por Vittor Santos.

Aproveitem...

Abracos e HEXAudacoes Rubro Negras

Beto Kessel

CALEIDOSCÓPIO

03 dezembro 2009

Fui prestigiar Henrique Band no lançamento do seu CD
"Caleidoscópio", na Modern Sound, nesta ultima segunda
feira, dia 30 de novembro de 2009.

O Sazinho tinha falado bem do CD e afirmou que iria ao
lançamento, mas por motivos profissionais ficou retido no escritório.

Encontrei o Antonio sozinho numa mesa e sentei com ele.

Erasto e Cesar passaram por lá, indo embora em seguida.Tomamos nossa cervejinha gelada, batendo papo, esperando o evento começar.

Às oito o Toninho subiu ao palco e chamou a banda. Na
platéia muitos familiares, amigos dos músicos e alguns músicos amigos.

A primeira impressão da banda: Henrique Band e mais seis jovens, isso mesmo, quatro deles eu nunca tinha visto tocar.

O saxofonista Daniel Garcia estava acompanhado da sua filha, cujo marido era o baterista.

Sabem como é, segunda feira, cansado do trabalho, eu poderia ouvir algumas músicas e ir pra casa descansar.

QUE NADA! Quando a banda começou a tocar "Caleidoscópio", larguei o copo e fiquei atento, impressionado com o desempenho e os arranjos de todos os músicos.

Foi assim do começo ao fim, olho no palco, silêncio total, um trabalho primoroso e a revelação dos jovens e bastante talentosos músicos.

Os temas tinham vida, com arranjos cuidadosos e sofisticados, um misto de música brasileira e jazz.

Band tocou flauta, sax soprano e sax baritono, esse é magistralmente dominado por ele e foi usado na maioria das músicas.

No teclado nosso conhecido Adriano Souza, na bateria Cassius Theperson, no baixo acústico Pedro Aune, na percussão o excelente Mafram do Maracanã, no trompete Wellington Moura e no trombone Everson Moraes.

A vibração era grande, o projeto de Band digno de muitos aplausos.

Saí com o CD debaixo do braço e assim que cheguei em casa pude escuta-lo com alegria.

NOSSO PONTA-DE-LANÇA EM LONDRES MANDA NOTÍCIAS

01 dezembro 2009

Nosso próximo colaborador - já foi convidado e já aceitou, faltando apenas aprender como lidar com o blog em si - Pedro Wahmann, não faz por menos e passando a trabalho pela capital inglesa, aproveita para mandar notícias para nós sobre o panorama jazzístico na terra de Elizabeth. Leiam-nas a seguir, impregnadas com o seu sempre saboroso estilo.

London Jazz Festival: derradeiros acordes

(cliquem para ver a escalação completa)

Estando no velho continente para cumprir compromissos profissionais, reservo os três últimos dias para estar em Londres e alcançar os últimos acordes do London Jazz Festival.

Na sua 17ª. Edição, que aconteceu entre 13 e 22 de novembro, originou-se de uma tradicional semana de jazz que era parte de um festival de musica de Camden, no norte de Londres, o festival tomou força a partir de 92 quando passou a contar com o ativo apoio do Arts Council England e da radio BBC 3, tornando-se um dos mais conhecidos festivais da Europa.

Durante dez dias promoveu-se uma serie de programas jazzisticos e de ritmos de outras origens ensejando a participação de músicos do Reino Unido, da União Européia e consagrados jazzmen do cenário internacional tais como Branford Marsalis, Chick Correa, Sonny Rollins, Tomazs Stanko e artistas de outras tendências musicais, como Gilberto Gil.

As apresentações espalham-se por toda a cidade, acontecendo em pequenos bares ou teatros, restaurantes, passando por casas que costumeiramente acolhem grandes espetáculos como o Royal Albert Hall, o Barbican, o Southbank Centre e o novíssimo King’s Place, chegando, é claro, às tradicionais casas de jazz como o Ronnie Scott’s e o Pizza Express Jazz Club.

Na primeira noite vou conhecer o King’s Place, moderníssimo complexo que abriga centro de conferências, andares para escritórios, espaços para exposições de arte, dois bares, um restaurante e duas espetaculares salas de musica, onde, na moderníssima Sala 1 toda revestida de madeira clara e de acústica irrepreensível, aconteceu o concerto de Bollani.

Uma fundação musical e de arte com as rendas de bilheteria, patrocínios e doações movimenta os espaços durante todo o ano.

Situa-se este complexo a poucos metros da estação King’sCross/St.Pancras, local de partida e chegada dos Eurostar e integrada às principais linhas do metrô, constituindo-se no maior hub terrestre de passageiros da União Européia.

Apresenta-se Stefano Bollani com o quinteto I Visionari para uma sala com seus quase 400 lugares totalmente lotada e na maioria por italianos residentes em Londres e arredores. Ao longo de dois sets de quase duas horas, ele exibe toda sua versatilidade ao percorrer ritmos de diversas origens. Nos temas de sua autoria, que foram a maioria, foi suave e melodioso nos tempos lentos, foi impetuoso, percussivo e vertiginoso nos up-tempos. Invocou a tarantela nos temas onde apareciam compassos repetidos e rápidos.

Em peça que está compondo para um filme, quando tocou em ensemble com seus parceiros, deu à musica uma grandeza e dramatismo que pareciam sair de uma composição do grande Morricone. Tocou sentado (como se supõe ser), tocou em pé nos momentos de maior vigor, usou por breves momentos as cordas do piano, constantemente afastava-se para ouvir os solos dos seus músicos, com quem trocava idéias e direções na musica e em palavras. Comunicou-se intensamente com a platéia de forma alegre e com simpatia, não fosse ele italiano. Em tudo, e não só musicalmente foi espetacular. Como citou Mauro Nahoum quando da sua passagem pelo Ginástico aqui no Rio: foi genial!

Brilhou em “Outra Coisa” de Moacyr Santos que apresentou num ritmo samba-bolero e no encore que por sinal foi solo, e não poderia ter sido melhor: um delicioso “Apanhei-te Cavaquinho” que terminou de forma vertiginosa levando a platéia ao êxtase total.

Integrando esse visionário quinteto, um grupo de primeiro time: Stefano Senni, no baixo acústico; Cristiano Calcagnille, bateria; Nico Gori, clarinete e o ótimo Mirko Guerrini, sax tenor, músico de formação clássica e integrante da Orquestra Sinfônica de Florença, que responderam sempre à altura às provocações do líder Bollani. Enfim, uma apresentação espetacular !

Na noite seguinte, fui ver a cantora inglesa Katryona Taylor no Pizza Express Jazz Club, bem instalada casa no boêmio bairro do SOHO, que como não poderia deixar de ser está instalada - há quase 40 anos - no subsolo de uma tradicional pizzaria onde aliás come-se um bela pizza. A oportunidade foi muito mais por voltar a essa casa, onde anos atrás assiti a uma das ultimas apresentações do grande Dewey Redman (1931/2006), então acompanhado por Matt Wilson, dr, Cameron Brown, b, e pela excelente e pouco conhecida pianista romana Rita Marcotulli, numa apresentação inesquecivel. Aliás o mesmo grupo tem um CD gravado em 97, Live in London (no Ronnie Scott’s) – Palmetto – PM 2030 - que vale a pena ouvir.


Termino minha curta temporada conhecendo finalmente o Ronnie Scott’s, também no SOHO, tradicional e mais famosa casa de jazz do Reino Unido e talvez de toda a Europa, que foi fundada e leva o nome dessa lenda e sem duvida o maior jazzman da Inglaterra, Ronnie Scott (1927/1996) e a quem Mingus, em 61, chegou a comparar com Zoot Sims.

Apresentava-se o quarteto do veterano e competentíssimo baterista cubano Ignacio Berroa, um dos muitos músicos projetados pela banda United Nations do grande Dizzy Gilespie, acompanhado pelos jovens e emergentes na cena novaiorquina Robert (p) e Ricardo Rodriguez (b), que podem ser ouvidos no belo CD Force of Four, de Joe Locke – Origin 82511. Completando, o sax tenor de David Sanchez, que mais uma vez encantou-me por sua exuberante técnica, o belíssimo som e grande criatividade.

Sanchez foi apresentado por Berroa como um dos maiores sax tenor da atualidade, com o que modestamente concordo.

Com a vibração própria dos ritmos latinos, o quarteto brilhou em temas originais do pianista Robert e em Matrix de Corea entre outros, mas o melhor da noite ficou por conta da maravilhosa interpretação de uma das pérolas de Jobim, “Eu sei que vou te amar”. Com suave base pelo piano e o baixo dos Rodriguez, Sanchez pode exibir toda a sua sensibilidade e bom gosto musicais ao ritmo lento de uma balada. Tão suave e delicada sua musica que ao acompanhá-lo, o líder Berroa, certamente inspirado pela beleza do tema, usava as escovas mais parecendo que acariciava as caixas e os pratos de sua bateria. Extasiante!

Valeu muito a pena a noite do Ronnie Scott’s!

Será em 10 de dezembro a apresentação de Adriano Giffoni no Velho Armazém.

Márvio Ciribelli, atendendo a um pedido antigo que lhe fizemos, convocou o baixista Adriano Giffoni para uma apresentação no Velho Armazém de Niterói, em 10 de dezembro. Com Adriano atuarão Márvio (tec.)- Tino Jr. (st) , Felipe Poli (g) e Cezar Machado (dm). Há muito desejamos rever Adriano Giffoni, para mais uma vez agradecer a homenagem que me prestou, compondo o tema “Lula’s Blues”. Vamos lá.

MORREU O BATERISTA BILLY JAMES

Mestre Raffa me comunica e eu passo aos cejubianos. Pouco conhecido entre nós, faleceu em 20 de novembro aos 73 anos, em Philadélfia, o baterista Billy James, vitimado por complicações de uma asma que o atormentava ha algum tempo. Começou sua vida profissional muito cedo , e em 1951, com apenas 15 anos de idade já atuava na banda de Lionel Hampton. Outros músicos famosos com quem atuou foram Sonny Stitt, Don Patterson, Grant Greene, Pat Martino etc. Atualmente tocava nos clubes de Jazz de Philadelfia como o “Ortlieb’s Jazzhaus” e o “Chris Jazz Café”.
RIP