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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

TERENCE BLANCHARD QUINTET - SALA CECÍLIA MEIRELES - 14/9/2009 - @@@@@

17 setembro 2009

Sou, aqui, talvez, o maior detrator do pseudo-jazz tão em voga nos dias de hoje, desses Mehl(r)daus e Svenssons incensados pela atual "crítica". Gente que despreza o blues e o swing, que se acha "beyond" jazz, e, assim, não passa mesmo de sub-música.

E, nisto, tenho convergido - para minha ventura - com os Mestres do blog, os que testemunharam, em pessoa, o verdadeiro jazz e sua evolução, dele podendo testificar e pontificando, glória do CJUB, sem rival no cenário da resenha musical brasileira.

Dessa vez, todavia, vou pedir vênia ao relator, meu querido Mestre Llula, para respeitosamente divergir.

Só na aparência, penso, a música apresentada por Blanchard careceu de "perceptíveis" ingredientes ligados ao drive de costume.

A intenção jazzística, para mim ao menos, esteve todo o tempo presente, trazendo, para além da "intenção", aliás, uma autêntica verdade musical, sim, e de puro jazz.

É comovente e arrebatador ver units que, com o tempo, vão forjando simbiótica relação entre os músicos e com isso, escrevendo, com diccão própria, a poesia distintiva que faz toda a diferença em relação aos demais grupos. É o caso, p. e., no passado, dos chamados 1o. e 2o. quintetos de Miles Davis, do quarteto clássico de Brubeck, dos trios de Bill Evans, do trio/quarteto de Peterson, do quinteto/sexteto de Cannonball, do quinteto clássico de Horace Silver, do quarteto clássico de Benny Goodman, dos Jazz Messengers da 2a. geração, e os da antepenúltima e penúltima, enfim de alguns small combos especialmente tight, justos, em seu telepático discurso. Isto sem falar no som diferenciado de cada big band, entre os negros Basie e Ellington despontando e aprimorando-o por décadas, e, de algumas ensembles de brancos, em especial da swing era, cada qual unique, a seu modo, e, porque não dizer, também a moderníssima orquestra de Thad Jones-Mel Lewis.

O tempo, como nos bons vinhos tintos e nos brancos da Borgonha, pode trazer resultados divinos para grupos que "não mexem no time", ou pouco mexem. Disto são exemplo, hoje, as longevas associações do quinteto de Dave Holland, do trio de Mccoy com Sharpe e Scott (que durou quase duas décadas), do impressionante embora relativamente jovem SFJC, e, afinal, entre outros, do quinteto de Terence Blanchard.

A longa cumplicidade do líder com o tenorista Bryce Winston e o dínamo (apud Raffaelli) Kendrick Scott (ladeados pelo new comers Fabian Almazan, pianista cubano, e o baixista nigeriano-londrino Michael Olatuja) permite um interplay que, IMHO, eclodiu numa quintessência belissimamente entregue ao público carioca, na noite de 2a. passada.

Para mim, era jazz, sim, jazz de primeira categoria, perpassando por cada poro o complexo genoma musical norte-americano que nossos Mestres, como ninguém, tão bem conhecem.

Terence
combinou, em seu cadinho, especial e requintada receita do jambalaia sulista com a atitude novaiorquina, mas sob uma ótica autenticamente, e com todo trocadilho, "New" Orleans e "New" York.

Que o jazz, de há muito, é um blend, e nisto se transfigurou, ninguém discute. Mas eu, de outra parte, sou, como sempre, radical, achando que o jazz é, sim, um gênero autônomo, e não, como se costuma dizer, "uma forma de tocar". Nunca me convenceu esse jargão de que o jazz não é "o que" se toca, mas "como" se toca.

Jazz é coisa séria. E não me venham com essa história, conquanto verdadeira, de que ele começou com fanfarronices nos guetos do Sul ou lamentos nos campos de algodão, que Armstrong começou tocando em bordéis, ou que, no início, "se dançava jazz". Isto todo mundo sabe e é conversa pra Jim Crow dormir, até porque alegria, beat e swing são facetas da mesmíssima música que, no bonde da história, sofreu a necessidade de produziu as racionalíssimas revoluções do bebop de Parker/Gilespie, do cool de Miles/Bill Evans e do free de Coltrane/Ornette.

Aliás, Schubert morreu de sífilis e Mozart, dizem, era contumaz mulherengo e beberrão, enquanto, de outro lado, Bach ostentava uma austeridade pessoal e familiar, refletida numa obra marcadamente voltada para o religioso, mas que guarda pérolas profanas de idêntica ou talvez ainda maior magnitude. Detalhe: todos três são gênios absolutos, tanto quanto Armstrong e Gillespie (com sua "alegria para brancos", reclamava Miles), Parker, Bill, Coltrane, Ornette, etc. .

Digredi de propósito, para mostrar que o que se ouviu na 2a. era não apenas para ser "curtido", "saboreado", porém investigado com esmerada e bem maior atenção da que normalmente dispensamos.

As inserções de falas gravadas pelo intelectual americano, Cornel West, acerca da umbilical relação do negro com a cultura do jazz e a própria cultura americana em geral, soaram e calaram fundo, junto a composições que a mim deveras impactaram pela riqueza e maestria no emprego de indisputáveis recursos do jazz de ontem, de hoje e, cada vez mais, amanhã.

Começar com três baladas modais, a terceira em estrutura harmônica cíclica - mas ainda assim modal - realmente não seria usual e talvez nem tenha sido a melhor escolha "para o público". A idéia, no entanto, era convidar o ouvinte para uma viagem musical aos meandros sociais e culturais mais intrincados da negritude norte-americana. Aceita, porém, o convite, quem quer, claro.

Uma linda valsa "apressada", em 6/8, mais um ostinato que pavimentou a estrada para o invejável fôlego - físico e inventivo - de Winston, além do arrebatador original que fechou o set, em explícita homenagem a Louis Hayes (possivelmente a maior influência do refinadíssimo Scott, que marcou o tempo tal e qual "Jive Samba", de Nat Adderley), com direito a linda e inusitada citação, no final, de "Noturna" (Ivan Lins, com quem Terence dividiu o álbum "The Heart Speaks"), formaram set list para mim admirável e quase todo derivado do novo álbum do pistonista - ele próprio especialmente inspirado, anteontem - "Choices" (Concord).

E o bis, então ? Uma balada singela, solene e cortante, resumiu o Requiem que o trágico Katrina precipitou, vertido em álbum com toda justiça aclamado, sem dissenso, por público e critica mundiais, recentemente.

Terence Blanchard evoluiu de modo impressionante como músico e, muito acima disto, como pessoa. Certamente para tanto contribuiu dividir-se entre seu quinteto regular de jazz e o ofício, um tanto mais amplo, de compor para o Cinema. Mas o irresistível feeling do young lion nerd de bigodinho/buço adolescente (que teve a responsabilidade - dando conta, com sobras - de substituir ninguém menos que Marsalis nos Messengers de Blakey dos anos 80 - continua o mesmo, agora no artista consagrado que já superou os quarenta, mas persiste instigando e aquecendo a alma carente do bom, velho ou novo, verdadeiro jazz.

TERENCE BLANCHARD – “ UM HORROR !"

16 setembro 2009


NOTAS

TERENCE BLANCHARD – “ UM HORROR ! ”
Não que não estivéssemos preparados para esse tipo de “coisa”. Já sofremos anteriormente com os shows do “Weather Report” no Municipal (1972), de Albert Mangelsdorf no MAM (1973), os dois de Charles Mingus, no Municipal (1974) e no João Caetano (1977) . Isso sem falar no de Miles Davis no Municipal que não vimos e não gostamos. Naquele tempo os jornais tinham críticos que conheciam a coisa e houve uma unânime malhação a qual me incorporei de imediato. Nos ensina o maestro Leonard Bernstein no precioso disco “Isto é Jazz” que essa arte sonora tem como pressupostos o “beat”, o “swing”, e a improvisação.
No “show” de Blanchard, apenas o último item foi apresentado, ainda assim de forma escandalosamente livre, permitindo aos solistas as indefectíveis demonstrações de técnica e altos vôos . Já no primeiro número que teve a exata duração de 30 minutos, prevíamos o que viria em seguida. Um solo de baixo de aproximadamente 10 minutos, com homeopáticas intervenções do piano e um incessante trabalho da bateria em demonstração polirrítmica. Chegam os sopros e a coisa se desenvolve por mais vinte minutos com as características já descritas. E o resto do show foi exatamente igual , com números de longa duração, cansando os ouvidos dos pacientes espectadores.
Chegamos a conclusão que os efeitos do Katrina atingiram violentamente a música nascida em New Orleans. Até as “blue notes” foram abolidas dos discursos melódicos, dando a impressão que ouvíamos outro tipo de musica. Isso fez com que muita gente saísse antes do final, enquanto o lado moderno da platéia aplaudia calorosamente . Não esperamos o indefectível bis. Saímos do teatro com a estranha sensação de que o Jazz passou longe da Cecília Meireles. Quanto aos músicos, realmente ótimos mas, com um discurso totalmente diverso do que se chama Jazz.

MICHAEL, POUCO TALENTO

15 setembro 2009

O produtor musical Quincy Jones, responsável pelos álbuns "Off The Wall", "Thriller" e "Bad", de Michael Jackson, afirmou em entrevista ao jornal espanhol "El País", que Jackson "não era tão talentoso". "Michael era um grande artista, mas não jogava no time de artistas como Frank Sinatra, Nat King Cole, Billie Holiday, Aretha Franklin e Ray Charles", disse o produtor musical ao ser questionado se havia algum tipo de rivalidade entre ele e o chamado rei do pop. Para Jones, Michael Jackson não seria capaz de terminar os 50 shows que faria em Londres em julho. "Eu me lembro que estava em Londres quando todos os ingressos para os shows foram vendidos em algumas horas. Ele me procurou, estava emocionado, fora de si. E me disse: 'vou fazer isso para as crianças'. Foi a última vez que nos falamos." O produtor, que no dia da morte do cantor afirmou que havia perdido seu irmão mais novo, se mostrou contrário às homenagens póstumas a Jackson. "Todo mundo agora quer organizar concertos em homenagem a Michael. Não contem comigo. O passado não é pra mim", afirmou o produtor. Na entrevista ao "El País", Jones ainda falou sobre os comentários de que as músicas de Michael Jackson eram boas enquanto eles trabalhavam juntos e que elas "perderam a magia" após a parceria. "Conseguimos isso juntos. Ninguém fez algo parecido antes nem depois", afirmou o produtor.
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da Folha Online

ACONTECE O TUDO É JAZZ EM OURO PRETO

12 setembro 2009

Divulgação

DIA 18, SEXTA-FEIRA
em Ouro Preto, LARGO DO ROSARIO
20:00, Kate Schutt Trio
Kate Schutt (guitarra/vocal) Terri Lyne Carrington (bateria) Josh Brozosky(baixo) e John Ellis (saxofone)
22:00, Avishai Cohen "After The Big Rain"
Avishai Cohen (trumpete), Omer Avital (baixo), Daniel Freedman (bateria) e Lionel Loueke (guitarra/vocal)

em Belo Horizonte, PALÁCIO DAS ARTES (Sala Juvenal Dias)
20:00, Aaron Goldberg (piano)

R$20,00 inteira e R$10,00 meia entrada

DIA 19, SÁBADO
em Ouro Preto, TREM DA VALE
10:00, Russo Jazz Band
; de tarde pelas ruas de Ouro Preto

em Ouro Preto, LARGO DO ROSARIO
12:00, Banda Plataforma C
André Bessa (sax e flauta), Augusto Rennó (guitarra), Fernando Nugas (teclados), José Carlos (baixo elétrico), Wallace Campos (bateria)
13:00, Quarteto Lafé Bémé
(Escola de Música de Marciac):
Leo Jassef (pianista), Jordi Cassagne (contrabaixista), Theo Lanau (bateria), Jean Dousteyssier (clarinetista)
17:00, Leonardo Cioglia Sexteto
John Ellis (saxofones) Mike Moreno (guitarra/violão), Aaron Goldberg (piano), Leonardo Cioglia (contrabaixo acústico), Antonio Sanchez (bateria)
19:00, Duduka Da Fonseca Quintet
Hélio Alves (piano/teclados) Guilherme Monteiro (guitarras) Leonardo Cioglia (contrabaixo acústico), Anat Cohen (sax/clarineta) Cláudio Roditi (trumpete)
21:00, SPECIAL FESTIVAL PROJECT: TRIBUTE TO BILLIE HOLIDAY “WITHOUT LADY DAY”
Diretor Musical: Oded Lev-Ari
Cantoras: Madeleine Peyroux com participação especial de Mart’Nália
Lady Day All-Star Band:
Ron Carter (baixo), Bucky Pizzarelli (guitarra), Antonio Sanches (bateria), Anat Cohen (sax/clarineta), Ingrid Jensen (trumpete), Marcus Strickland (sax), Mulgrew Miller (piano)

em Belo Horizonte, PALÁCIO DAS ARTES (Sala Juvenal Dias)
20:00, Jacques Figueras convida Toninho Ferragutti
Jacques Figueras (baixo) Fabio Torres (piano) Michael Ruzitschka (violão) Edu Ribeiro (bateria) Participação especial: Toninho Ferragutti (acordeão)
R$20,00 inteira e R$10,00 meia entrada

DIA 20, DOMINGO
em Ouro Preto, TREM DA VALE
10:00, Russo Jazz Band; de tarde pelas ruas de Ouro Preto

em Ouro Preto, LARGO DO ROSARIO
15:00, Quarteto Lafé Bémé (Escola de Música de Marciac):
Leo Jassef (pianista) Jordi Cassagne (contrabassista) Theo Lanau (bateria) Jean Dousteyssier (clarinetista)
17:00, Jacques Figueras convida Toninho Ferragutti
Jacques Figueras (baixo) Fabio Torres (piano) Michael Ruzitschka (violão) Edu Ribeiro (bateria) Participação especial: Toninho Ferragutti (acordeão)
19:00, Richard Galliano (acordeão)
Hamilton de Holanda (Bandolim), Jacques Morelembaum (cello), Bernardo Aguiar (pandeiro/percussão)
21:00, Paris Jazz Big Band
Direção: Pierre Bertrand e Nicolas Folmer
Pierre Bertrand (sax), Nicolas Folmer (trompeta), Fredéric Couderc (sax), Stephane Chausse (sax), Michel Fugère (trompeta), Philippe Georges (trombone), Daniel Zimmerman (trombone), Gilles Coquard (baixo), Rémi Vignolo (bateria), Jean Yves Jung (piano)

em Belo Horizonte, PALÁCIO DAS ARTES (Sala Juvenal Dias)
19:00, Leonardo Cioglia Sexteto
John Ellis (saxofones), Mike Moreno (guitarra/violão), Aaron Goldberg (piano), Leonardo Cioglia (contrabaixo acústico), Antonio Sanchez (bateria)
R$20,00 inteira e R$10,00 meia entrada


Acesse o site http://www.tudoejazz.com.br e o blog do festival.

Até lá !

THE TOWN HALL – EDDIE CONDON CONCERTS – (2)

Esta série apresenta trechos de concertos de Dixieland Jazz produzidos por Ernest Anderson e dirigidos por Eddie Condon, diretamente do Town Hall na cidade de New York em transmissões pela National Broadcasting Corporation Radio.

Prosseguindo com a série apresentamos extratos do concerto transmitido em 3/junho/1944.
Na abertura do programa Fred Robbins, o apresentador oficial, se refere ao grupo que irá atuar como sendo o mesmo que fez várias gravações há alguns dias antes para os V-Discs, gravações especiais para as tropas aliadas na 2ª Guerra Mundial.
Iniciamos com Ballin' The Jack um original de Chris Smith e James Henry Burris com solos de Pee Wee, Hacket, Morton e Caceres ao barítono. A ensemble é sensacional incluindo a seção rítmica, o grupo completo: Eddie Condon (gt e lider), Pee Wee Russel (cl), Bobby Hacket (cornet), Ernie Caceres (sb), Benny Morton (tb), George Schroeder (pi), Bob Casey (bx) e Joe Grauso (bat).
Depois uma magnífica atuação do trombonista Benny Morton em I'm Coming Virginia um clássico de Will Marion Cook e Donald Heywood. Morton talvez seja o seguidor do grande Charlie Green e de Jimmy Harrison, respectivamente pela fluidez e potência de seus solos comparados a estes outros dois excelentes trombonistas. Figura com Teagarden na lista de ouro do Dixieland. A seção rítmica é a mesma acima ainda com bons momentos do piano de Schroeder.
Passamos ao concerto de 10 de junho de 1944 onde alguns integrantes foram adicionados, e outros substituídos e assim temos: Eddie Condon (gt e lider), Bobby Hacket (cornet), Max Kaminsky e Hot Lips Page (tp), Benny Morton (tb), Bill Harris (tb de válvula), Ernie Caceres (sb e cl), Pee Wee Russel (cl), Clyde Hart (pi), Bob Haggart (bx) e Joe Grauso (bat).
A turma acima executa When My Sugar Walks Down The Street (Gene Austin / Jimmy McHugh) com destaque para o vocal e solo de Hot Lips Page.
Ao terminar os concertos Eddie costumava colocar o grupo em uma Impromptu Ensemble, ou seja todos juntos em uma improvisação cuja base era o Blues original de W.C. Handy ― Ole Miss. Assim Fred Robbins vai encerrando a transmissão (blue network) e também nosso "capítulo" de hoje.
Fonte: CD - Eddie Condon The Town Hall Concerts – Jazzology Records JCECD- 1002 – New Orleans - USA 1988.




Tempo total:9:40min

McBRIDE EM ALTO ESTILO

08 setembro 2009

Quando o assunto é contrabaixo atual, o nome de Christian McBride já não é mais surpresa, é unanimidade - talento, virtuosismo, é lider, é sideman, passeia no jazz, na bossa, no fusion, toca acústico e elétrico.
E chegou em minhas mãos um trabalho que me fez acreditar mais em todos esses atributos, Live At Tonic é um álbum tripo gravado ao vivo em 2006 no bar em NY que dá nome ao título; bar este que não mais existe.

Neste disco McBride literalmente quebra tudo, são mais de 3 horas de música com algumas jams que ultrapassam os 30 minutos de duração com um som ousado, moderno, sobrando groove, mescla com a eletrônica, pop, com hip hop, com tudo ... improviso pra todo lado, e eu sou suspeito pra falar porquê eu gosto mesmo é de ver a casa cair.

Um registro obrigatório que talvez não agrade os mais puristas mas com certeza vai agradar aos que gostam de um som mais fusion, com uma abordagem mais funky. Vale também pelo registro que poucos músicos e gravadoras oferecerem no mercado fonográfico, os casos de gravações ao vivo onde geralmente esperamos um broadcast de alguma rádio internacional, lógico, e uma boa alma musical para disponibilizar para nós pobres mortais a gravação, até porque não temos emissoras decentes de rádio em nossa terrinha.

Acompanham McBride o sax de Ron Blake tenor, soprano, baritono e flauta, Geoffrey Keezer piano e Terreon Gully bateria; e convidados mais que especiais -
Charlie Hunter e Erik Krasno (da banda Soulive) guitarras, Jason Moran piano, Jenny Scheinman violino, Rashawn Ross trompete e DJ Logic pratos de vitrola e efeitos.

Deixo 2 temas na radiola - Say Something e Sonic Tonic
Som na caixa !

BABA O QUE ?

Pois é, tem coisas que a gente acha que não vai ouvir nunca !
Mas aparece uma menina paulista de 22 aninhos que se instalou pelas praias do RJ com seu violão e por ser menina cresceu ouvindo outras menininhas. Então um dia resolve fazer um blues e adivinha a musiquinha que a inspirou - Baba Baby ! É isso mesmo, essa menina que se chama Maria Gadu arrebatou a musiquinha da Kelly Key, quem diria ?! uma musiquinha sem vergonha mas fez uma versão blues e ainda abusou do acompanhamento de um violão de aço, bem ao estilo. Tem que reconhecer, a menina foi abusada!
No disquinho que a menina tá lançando tem a presença do Arthur Maia, Fernando Caneca, Nicolas Krassik ... então, tem gente que gostou!
Eu confesso, eu gostei disso, não sei se quem anda por aqui vai gostar muito, mas vou deixar aí.
Agora vou comer uma bala juquinha e esperar uma nova versão blues para algum tema da Xuxa, da Turma do Balão Mágico ...
É isso, entao Baba Baby !

Som na caixa !

7 de Setembro - Keith Jarrett's Day

07 setembro 2009

O jazz não é nossa música, mas por aqui nada toca da forma que gostariamos de ouvir. Temos que buscar nossos sentimentos e nosso conhecimento em outras partes do mundo - felizes dos que dispõe recursos para tal.

O Rio amanheceu silencioso, quieto demais, nem os passarinhos eu escutava, parecia que o povo dormia. Os 509 anos do descobrimento passam, os 187 anos da Independência também passam, e não existe motivos para comemoração, apenas o silêncio, a espera, no aguardo de que algum dia possa surgir algo que realmente contagie nosso povo.

Se voce, como eu, não tem motivos para comemorar nossa Independência, passe um dia feliz, escute diretamente do estudio particular de Keith Jarrett em New Jersey a entrevista dele a Marian McPartland, com direito a solos e improvisações próprias.

http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=15031508

MUSEU DE CERA # 62 – CANTORAS DE BLUES 10 – MARGARET JOHNSON

06 setembro 2009



Muito pouco se sabe sobre a vida de Margaret Johnson. Surgiu muito ativa atuando no circuito vaudeville na década de 1920 e conhecida por continuar a atuar até a década de 1930. Embora figure dentre as cantoras de Blues Clássico sua carreira foi um tanto diversificada. De início, como quase todas trabalhou no teatro vaudeville, porém ao iniciar suas gravações em 1923 juntou-se a Bobby Leecan na harmônica de boca e Robert Cooksey na guitarrra dando um sentido especial, sulino e rural aos seus Blues. Naturalmente participou também de sessões com pequenos grupos de Jazz de New Orleans integrados por Sidney Bechet, Louis Armstrong, Bubber Miley e Tom Morris.
Tanto ela como o pianista/compositor Clarence Williams secretamente participaram de sessões com o banjoista Buddy Christian, Williams não tendo nenhum crédito na gravação e Margaret ocultada sob o pseudônimo de Margaret Carter.
Grande parte de seu repertório é calcado no Blues Clássico e as canções frequentemente de cunho humoristas ou sexualmente sugestivas. Suas gravações vão até o ano de 1927 e as informações sobre ela até início dos anos 1930, depois desapareceu do "showbizz" não mais se tendo notícia. Assim não se sabe data e local de nascimento nem de falecimento.
Não deve ser confundida com a pianista que acompanhou Billie Holiday e Lester Young em gravações de 1938 ― Margaret "Queenie" Johnson, também muito pouco conhecida.
Duas canções se destacam no repertório de Margaret com voz gutural e gemida (moaning) no seu estilo um tanto country, as quais podemos ouvir abaixo.
DEAD DRUNK BLUES (George W. Thomas) - Gravação original: 14/fev/1927 – New York – Victor 20982-B (mx BVE-37282-2)
SECOND-HANDED BLUES (Mike Jackson) - Gravação original: 14/fev/1927 – New York – Victor 20652 (mx BVE-37281-1)
MARGARET JOHNSON (vocal) acompanhada pelo pianista Mike Jackson, Robert Cooksey na harmônica e Bobby Leecan à guitarra.
Fonte: LP – WOMEN OF THE BLUES – Selo RCA Victor – Vintage Series – LPV-534 – 1966 - USA.
NOTA: Esta postagem encerra a série ― CANTORAS DE BLUES ― na qual foram apresentadas as cantoras: Ida Cox – Clara Smith - Lucille Hegamin - Ma Rainey - Sarah Martin - Sippie Wallace - Victoria Spivey - Mamie Smith - Lizzie Miles e Margaret Johnson. Outras foram focalizadas em Museus anteriores como Alberta Hunter, Bessie Smith e Ethel Waters. Muitas outras cantoras de Blues poderão ainda ser objeto do Museu em outra oportunidade.



MORREU O PIANISTA EDDIE HIGGINS

03 setembro 2009

Alertado pelo comentário de Érico Cordeiro sobre o falecimento de Eddie Higgins, pesquisamos na Internet algumas notas sobre o pianista. Ele nasceu em Cambridge, Massachussets em 21 de fevereiro de 1932. Iniciou seus estudos com sua mãe e mais tarde na universidade. Começou tocando em alguns “night clubs” de Chicago e mais tarde no London House. Liderou vários grupos de trio a quinteto e gravou com Coleman Hawkins e Freddie Hubbard. Fundou a Dunwich Records e fez muito sucesso no Japão através gravações editadas pela Venus Records. Era casado com a cantora Meredith D’Ambrosio. Higgins faleceu em 31 de agosto de causa não revelada. Como sempre acontece por aqui, a divulgação do trabalho de Higgins foi nenhuma. Que se saiba nenhum de seus discos foi editado no Brasil. Uma pena !
RIP

TERENCE BLANCHARD NA CECILIA MEIRELES


A Dell’Arte anunciando para o dia 14 de setembro, apresentação única do trompetista Terence Blanchard. Mais uma oportunidade de se assistir e ouvir um bom Jazz. O ingresso custa cem reais e parece justo para a importância do artista.

02 setembro 2009


CHRIS CONNOR ( 1928- 2009)
De vez em quando a gente se surpreende com o falecimento de um artista, em relação a sua idade. Como imaginar Chris Connor com 81 anos ? Parece que foi ontem que a “Nictheroy Crew” foi incorporada para o aeroporto Santos Dumont receber os músicos do magnífico grupo “American Jazz Festival” do qual a cantora fazia parte. Já de posse de seu álbum de 10” , “Chris Connor sings Lullabys of Birdland”, solicitamos seu autógrafo que ela gentilmente c oncedeu. Só a noite fomos revê-la no palco do Municipal fazendo um set muito bonito, acompanhada por Ronnie Ball (p)- Bem Tucker (b) e Dave Bailkey (dm). Houve qualquer coisa que atrasou sua presença no palco. Willis Connover, que era o apresentador chamou-a várias vezes e Chris não aparecia. O trio engrenou um número extra até a sua chegada, quando então Chris assumiu o microfone e deu um show. Por sorte tudo foi gravado e anos depois o selo Imagem lançava dois álbuns com trechos daquele maravilhoso concerto. Viajamos um pouco até dizer que Chris Connor hoje é saudade. Faleceu em 26 de agosto. Ficam seus excelentes discos para que possamos recordá-la.
RIP

THE TOWN HALL – EDDIE CONDON CONCERTS – (parte 1)

01 setembro 2009


A partir da tarde de um sábado a 20 de maio de 1944 às 15:30h a National Broadcasting Corporation ― NBC Radio, iniciou uma série de transmissões de concertos de Dixieland Jazz dirigidos por Eddie Condon, diretamente do Town Hall na cidade de New York, mais precisamente localizado na 123 West 43rd Street, onde se encontra até os dias de hoje.
O guitarrista Eddie Condon (*1905 †1973) talvez tenha sido a peça mais influente no Revival do Dixieland, suas apresentações semanais no programa de rádio Town Hall Concerts de 1944 a 45, transmitidos costa-a-costa dos EUA (Blue Network), trouxe enorme contribuição à música de Jazz e como animada diversão em plena Guerra Mundial poucos dias antes do desembarque dos Aliados nas praias da Normandia passo inicial para a vitória, aliás, hoje faz exatos 70 anos malditos do início da guerra com a invasão da Polônia pelas tropas de Hitler.
Tais concertos felizmente foram preservados pela Jazzology Records em 12 volumes e 24 CDs - The Eddie Condon-The Town Hall Concerts (JCD 1001 a 1024).
Detentor que sou de muitos desses fantásticos concertos estarei repassando alguns dos melhores momentos através desta série editando-os em podcast, conforme se segue:
Faixa 1 – Abertura do primeiro programa a 20/05/1944 com SWEET GEORGIA BROWN (Maceo Pinkard / Kenneth Casey / Ben Bernie) – Eddie Condon (gt e lider), Max Kaminsky (st), Pee Wee Russel (cl), Bobby Hackett (cornet), Miff Mole (tb), Gene Schroeder (pi), Bob Casey (bx) e Joe Grauso (bat).
Faixa 2 – Continuação da abertura com PEG O' MY HEART (Alfred Bryan / Fred Fisher) com o pessoal acima. Magnífico solo de Miff Mole.
Faixa 3 – AT THE JAZZ BAND BALL (ODJB) – pessoal acima com John Kirby no lugar de Bob Casey (bx) e Sony Greer no lugar de Joe Grauso (bat) e Ernie Caceres ao sax-barítono. Concerto a 27/maio/1944.
Nota: as faixas 1 e 2 acima estão com bastante chiado e ruído, pois foram recuperadas de acetatos únicos, bem como todo o concerto, fornecidos pelos colecionadores Jerry Sears e John Steiner, mas valem a pena.



Thais Motta no Velho Armazem


Marvio Ciribelli e Thaís Motta no Armazém da Música
Participação Especial do guitarrista e bandolinista Sérgio Chiavazzoli
Com: Amaro Júnior (bateria) e Juliano Cândido (contrabaixo).
Data: 3/SET
Hora: 21h
Local: Velho Armazém
Endereço: Praia de São Francisco, nº 6
Tels: (21) 2714-5424 / 2704-9547
Couvert: R$ 18,00
Classificação Etária: Livre
Capacidade: 80 lugares
Cartões: Todos
Perfil: Para curtir a dois, ir com os amigos, ir com a família

FALECEU ION MUNIZ


Faleceu em 30 de agosto aos 61 anos de idade o saxofonista e flautista Ion Muniz. Além do Jazz Ion dedicou-se também a educação musical, lançando os livros “Functional Improvisation” e “Muniz Music”. Conhecemos Ion Muniz nos tempos do “Clube de Jazz e Bossa” quando atuava nas “Jam Sessions” de domingo no Copacabana Palace. A causa mortis foi “cirrose aguda”.
RIP