Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

PROGRAMA IMPERDÍVEL - JOSÉ STANECK QUARTETO, NESTE DOMINGO, 02/3/2008, NO MUSEU DO AÇUDE

29 fevereiro 2008

Quem ainda não foi, não sabe o que está perdendo.

Num dos locais mais lindos do Rio, o Museu do Açude (Estrada do Açude, 764, Alto da Boa Vista), em plena Floresta da Tijuca, um dos nossos maiores gaitistas, José Staneck se apresentará, gratuitamente, com seu quarteto (Itamar Assiere, pn; Augusto Mattoso, bx; Carlos Bala, bt), no dia 2 de março próximo, às 14:30 h., durante o brunch que já se transformou num dos mais agradáveis e imperdíveis programas de domingo, na cidade (buffet opcional a cargo da Casa dos Sabores, entre 12 e 16 h.).

Com exclusivdade para o CJUB, Staneck adiantou parte do repertório:

Edú Lobo - Casa forte
Tom Jobim - Nuvens douradas
Dorival Caymmi - A lenda do Abaeté
Gary Peacock - Ode for tomten
Luiz Avellar - Do outro lado do mundo
Egberto Gismonti - Café
Toca Delamare - Mira


Sucesso e todos lá !

MUSEU DE CERA # 37 - CHARLIE BARNET

28 fevereiro 2008



CHARLES DALY BARNET – nasceu em berço esplêndido em pleno high society nova-iorquino em 1913 e desde jovem rebelou-se com as idéias de seus pais de que deveria estudar advocacia e com 16 anos já formava uma banda de jazz atuando no Paramount Hotel de New York, depois se tornou conhecido como solista de sax-tenor do octeto de Red Norvo nas gravações de 1934, notadamente em The Night Is Blue incluindo Teddy Wilson e Artie Shaw. Em 1936 com sua própria banda trabalhava no Glen Island Casino em New Orleans quando contratou o grupo vocal The Modernaires mais tarde com grande sucesso junto a Glenn Miller.
Sua clara influência eram Duke Ellington e Count Basie, conseguindo seu reconhecimento público com a gravação do clássico Cherokee em julho de 1939, passando logo a figurar como uma das mais populares big bands dos EUA da Era Swing. Foi um dos pioneiros junto com Benny Goodman a enfrentar o racismo na música contratando cantores e instrumentistas negros na época em que outras bandas segregavam por inteira comodidade. Com esta atitude sua orquestra muitas vezes foi rejeitada em hotéis e ballrooms e provavelmente a razão de não ser convidado a atuar em rádios broadcast comerciais como a maioria das grandes orquestras. Alguns vocalistas foram Harry Von Zell, Mary Ann McCall, Francis Wayne, Fran Warren, Dave Lambert e Buddy Stewart e em 1941 apresentou Lena Horne gravando 4 discos com ela. Do grupo também fizeram parte por anos Oscar Pettiford, Roy Eldridge, Oscar Pettiford, Peanuts Holland, Neil Hefti, Barney Kessel, Buddy DeFranco e Dodo Marmarosa. Como saxofonista tenor sua raízes estavam na escola Coleman Hawkins e também executava o sax alto quando lembrava o grande Johnny Hodges e ainda o soprano. Apesar da gravação de Skyliner em 1944 se tornar enorme sucesso foi o período de 1939 a 41 sem dúvida em que atingiu a maior aceitação por parte do público.
Em 1947 seu estilo voltou-se para o bebop que despontava incluindo músicos como Doc Severinsen, Clark Terry e Maynard Ferguson, contudo não se adaptou e em 1949 dissolveu a banda. Financeiramente nunca se apertou uma vez que além de milionário de família atuava no negócio de edição de músicas e em sociedades de restaurantes bem sucedidos e assim levou sua aposentadoria. Em meados dos anos 60 liderou uma banda organizada especialmente para o jazz clube New York's Basin Street East por 2 semanas e fez uma última gravação em 1969. A 2 de outubro de 1939 Barnet atuava no Palomar Ballroom em Los Angeles que se incendiou rapidamente e a banda perdeu muitos de seus instrumentos e todas suas pautas de arranjos alí guardados. Count Basie imediatamente enviou cópia de seus arranjos para que Barnet usasse como base para refazer as suas. Charlie Barnet faleceu em 1991.
Selecionamos uma gravação que mostra a força da orquestra ao início do swing com seu lider ao saxofone tenor e ao clarinete como solista.
ON A HOLIDAY (Devil's Holiday) (Benny Carter - Brian Wilson) - Charlie Barnet Orchestra - Charlie Barnet (st, cl, líder), Eddie Sauter (tp) Chris Griffin, Toots Camarata (tp), Russ Jenner (tb) ? Bill McVeigh (tb) ? Frank Llewellyn (tb), Les Cooper, George Bone (sa), Fred Fallensby (st), Rupe Biggadike (pi), Buford Turner (gt), Pete Peterson (bx), Rudy DeJulius (bat), arranjo de Benny Carter.
Gravação original: 21/janeiro/1935 - Bluebird B5816 (mx 87647-1) - New Orleans
Fonte: The Indispensable Charlie Barnet Vol.1 & 2 1935-1939 - selo: RCA Victor Imports (74321355542) – 2003 – USA



TODAS AS QUINTAS !

Mais um flagrante uso em beneficio proprio do espaço do blog :
todas as quintas feiras no Drinks Cafe, na Lagoa,proximo ao Parque dos Patins o trio liderado pelo baixista Jefferson Leskowich (de quem ja falei no post sobre o grupo Foco) com Fernando Merlino, teclado e eu de bateria a partir das 20:30 . Repertorio muito bacana onde não entram as musicas manjadas que ninguem aguenta mais ouvir. Composições de Dory Caymmi,Johnny Alf, João Donato e mais surpresas . Eu simplesmente adoro tocar com eles. Couvert a 5 reais . Tocamos 3 sets e vai até meia noite.
Sera que terei a satisfação de uma quinta dessas ver um de voces la ? Sera um enorme prazer tocar para ouvidos tão refinados e acostumados .
Abraços e até la.

A.N.D. – 20 ANOS, CHEGAMOS LÁ .

26 fevereiro 2008

Foi em 31 de Janeiro, em plena Taberna da Glória, que a “Audiência Nota Dez” comemorou seus vinte anos de existência . Entre as surpresas que prepararam para o evento estavam : uma entrevista, por telefone, no ar, ao programa de J.Carlos na Rádio MEC; um “happy birthday” musical executado por Glaucus Linz em seu sax-soprano, finalizando com um delicioso bolo de damasco apreciado por todos, diabéticos ou não. A casa também nos presenteou, oferecendo rodadas de líquidos e salgados como cortesia. Na foto abaixo, da esquerda para a direita : Cezar Vasconcellos, Mário Jorge, Gilson, Haniel, Paulinho, Lula, Luiz Carlos Nascimento Silva, Muller e Pedro Paulo,todos envergando a camisa comemorativa.

SÃO PAULO DIXIELAND BAND – 50 ANOS

Recebemos email do baterista Pedro Ludovicci informando que a São Paulo Dixieland Band chega ao seu cinquentenário no corrente ano. Comemorando o evento, a banda integrada por todos os elementos de sua fundação acaba de gravar CD comemorativo. Numa terra onde o Jazz tradicional é olhado pela mídia como coisa do passado a data deve ser comemorada efusivamente. Como seria bom um Festival de Jazz que contasse com esses grupo abnegados pelo Jazz de raíz. A São Paulo, a Traditional, a Rio Dixie e poucas outras poderiam mostrar a um grande público como tudo começou.


MORREU ADALTO !

Quem nos deu a notícia foi Arlindo Coutinho. Nosso amigo Adalto Argollo que morava nos Estados Unidos a mais ou menos trinta anos veio a falecer após uma cirurgia no joelho e mais complicações com diabetes.
Para quem não conheceu, Adalto fazia parte da “tropa de elite” das Lojas Murray e era o mais fanático admirador do Modern Jazz Quartet . Tinha um temperamento calmo, super educado e nunca reclamou das brincadeiras que todos faziam com ele. Certa ocasião apareceu com um sapato diferente, com duas tiras de couro em cima,entre as quais ele colocou uma moeda de meio dolar. Quando ví o sapato comentei com ele : “Isso é sapato de padre” e passei a chamá-lo de reverendo .
Quando aqui esteve o Modern Jazz Quartet (1962) tirou plantão no Hotel Glória, sempre carregando uma pilha de elepês procurando obter autógrafos dos músicos. Aliás, com seu inglês perfeito, muito me ajudou nas entrevistas que fiz com Percy Heath, Connie Kay e Milt Jackson.
Tantos anos separados e ainda assim sua pessoa sempre foi lembrada nas reuniões dos jazzófilos que o conheceram. Que Deus o tenha.



Adalto entre eu e Milt Jackson, após o musico ter autografado,com visivel máu humor o lote de elepêsque levava.

THAIS MOTTA - Minha Estação


Não se trata apenas de “mais uma cantora”. Diria que pela minha ótica Thais Motta está muito bem situada num “ranking” imaginário de nossas vocalistas. Esse CD produzido por Márvio Ciribelli prima pela qualidade, bom gosto e escolha do repertório com musicas que me parecem inéditas. Thaís Motta é super afinada, divide bem e tem um senso rítmico extraordinário. Os músicos que a acompanham são todos de primeira linha e os arranjos de Márvio completam com louvor esse trabalho. Excelente!

BATTAGLIA & PASOLINI @@@@@


Ao lado de Stefano Bollani e Enrico Pieranunzi, o pianista Stefano Battaglia (Milão, 1965) é um dos músicos mais respeitados da Europa na esfera do jazz contemporâneo. Técnico, sofisticado e criativo, seus CDs são aguardados com muito interesse. Battaglia navega com naturalidade entre a música clássica e o jazz e nunca se sabe qual lado prioriza em cada novo álbum – atualmente está sob contrato com a ECM. E acaba de lançar um disco no mínimo ousado. Trata-se de uma homenagem a um dos seus maiores ídolos, o polêmico Pier Paolo Pasolini (1922/1975). O CD duplo (Re:Pasolini/2007/ECM) já recebeu inúmeras críticas entusiasmadas e sem dúvida justifica essa empolgação, não só pela beleza em si, mas pelo desafio na concepção do projeto e pela qualidade dos temas compostos por Battaglia.
Stefano Battaglia nunca se esquivou da influência de Bill Evans. Tanto que gravou dois álbuns a ele dedicados (Bill Evans Compositions Vol. 1 & 2), aliás obrigatórios para os admiradores do chamado jazz italiano. Battaglia começou a gravar como líder em 1987. De lá para cá foram mais de 20 CDs lançados, alguns em solo. Nesse período foi visto ao lado de Lee Konitz, Kenny Wheeler, além do próprio Pieranunzi e outros músicos italianos de prestígio. Re-Pasolini tenta refletir a obra do cineasta, cuja vida foi recheada de histórias conturbadas, culminando com sua morte até hoje não explicada em detalhes. São 24 temas. Apenas Casa Sono Le Nuvole traz a assinatura de Modugno e do próprio Pasolini. Os outros são de Battaglia. O primeiro CD tem uma intenção bem mais jazzística, trazendo Michael Grassman (trumpet), Mirco Mariottini (clarinet), Aya Shimura (cello), Salvatore Maiore (bass) e Roberto Dani (bateria). O segundo, com um tempero acentuado da música clássica, conta com Dominique Pirafèrly (violin), Vincent Courtois (cello), Bruno Chevillon (bass) e Michelle Rabia (percussion). O álbum chega a emocionar. Há jazz de primeira cepa. Grande parte dos temas é de rara beleza melódica e harmônica. Re:Pasolini é indispensável na discografia dos que, como eu, acompanham o jazz contemporâneo europeu.
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PS. No som na caixa, Canzone di Laura Betti, composta por Battaglia em tributo à mulher que mais intimamente conheceu Pasolini.
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" America may have known Pasolini as an art house filmmaker; via Battaglia's Re: Pasolini, he has become something more, something other, a force of the mythic universe. Battaglia's work is an epic, and yes, a masterpiece that is a force in and of itself to be reckoned with. It is the high point in an already celebrated career." by Thom Jurek (AMG @@@@1/2)


COLUNA DO LOC

25 fevereiro 2008

JB, Caderno B, 24 de fevereiro

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REMEMBERING BUD POWEL

24 fevereiro 2008

Num momento em que os holofotes apontam para os 50 anos da Bossa Nova, e antes que este post gere qualquer duvida, cabe lembrar que alem de homenagear um importante pianista (Bud Powell), Mauricio Einhorn e Arnaldo Costa tem este tema constando do album Zimbo Trio e Mauricio Einhorn...

Nao sei ao certo de que ano e o album, mas na verdade, este Post serve tambem para celebrar e homenagear o Zimbo Trio (dos excelentes Amilton Godoy ao piano, Luiz Chaves ao baixo, e Rubinho Barsotti na bateria)e tambem o compositor e musico Mauricio Einhorn.

E last but not least, divulgar o site onde encontrei esta preciosodade:


http://radio.cafemusic.com.br/Pop_radio_toca.cfm?faixa_id=945&faixa_vel=28

Beto Kessel

NOITE PARA ENSINAR AO 1º MUNDO

22 fevereiro 2008

São Paulo, 5ª feira, 21/02/08, 21.00 horas, Auditório do SESC - Vila Mariana

Público lotando os 614 lugares.

17 músicos, todos brasileiros ! ! ! . . .

Inicia-se o espetáculo com o frevo "PASSO DE ANJO" (João Lira e Spok).

Em cena a "SPOK FREVO ORQUESTRA".

Público absolutamente hipnotizado no início, desperta para os solos, levanta-se para aplaudir, contamina-se com o "ensemble", com os solos, com as descargas dos metais, com um soberbo naipe de palhetas, com uma percussão impecável e inspirada, com um som que se chegar ao Radio City Music Hall (e desejo que chegue) será uma surpresa, um sucesso, música de raiz anunciando "mestres" solistas que há 12 para 13 anos buscam a perfeição, a "classe", o espetáculo bebido nas fontes e concebido para cima.

Minha mulher e eu saimos ao final para jantar, acreditando mais do que nunca que esse Brasil não é o que está no noticiário e/ou no Executivo/Legislativo, mas o que gente de estudo, de técnica e de "feeling", de garra e de sabedoria popular, capaz de conceber arranjos, solos e alegria como a "SPOK FREVO ORQUESTRA", é capaz de oferecer para apontar para a frente e para o alto.

Por meio de Mestre LULA tínhamos notícias desses Professores, já os havíamos ouvido em CD e apreciado em DVD: mas ao vivo.........................

Obrigado a esses músicos superiores ! ! !

APÓSTOLO

RICARDO SILVEIRA EM NOVO LANÇAMENTO, OUTRO RIO

19 fevereiro 2008


Música instrumental em foco !

O guitarrista e violonista Ricardo Silveira está de volta em novo lançamento – Outro Rio. Inicialmente lançado no mercado americano pelo selo Adventure Music, chega a nós agora pelo selo MP&B.

Seguindo a mesma linha de seu último disco - Noite Clara, Ricardo Silveira mantém o violão como instrumento principal em onze das doze faixas, e neste conta com as participações especiais de João Donato, Nailor Proveta, Marcelo Martins, Jacques Morelembaun e a cantora Maria Rita, além da "cozinha" onde revezaram-se Jorge Helder, Romulo Gomes e Andre Rodrigues no contrabaixo, Marcos Nimrichter no piano e Jurim Moreira e nosso confrade Andre Tandeta na bateria.

Um disco agradável, literalmente acústico, e que apesar da originalidade explora sonoridades que, particularmente, lembra em alguns momentos a atmosfera sonora do som de Ralph Towner e de Missouri Sky (Pat e Haden).
Parece que Ricardo Silveira adotou de vez o violão acústico como principal instrumento, pelo menos es estúdio, característica esta que vem desde os lançamentos de Smallworld e Storyteller, lançados no mercado americano.
E seu violão parece ter encontrado uma identidade, com um timbre e forma de digitação muito característicos.

E nesta sexta e sábado, dias 22 e 23, às 21:30hs, Ricardo Silveira lança o CD no Mistura Fina, acompanhado por Romulo Gomes no contrabaixo e Andre Tandeta na bateria.

Vale conferir !

Deixo aqui a faixa Lembranças.

HENRI SALVADOR (por Joyce)


Esta é uma foto de 1988, tirada em Paris, no chiquérrimo restaurante Fouquet's (nome impronunciável para nossos amigos americanos...), localizado no Champs Elysées. Ao meu lado, esbanjando charme e elegancia, na flor de seus sessenta e poucos anos, está um dos meus ídolos de infancia, Henri Salvador.Fomos convidados para almoçar com ele depois que um amigo comum lhe contara que eu estava cantando duas músicas suas nos meus shows no New Morning, tradicional clube de jazz parisiense. Henri não estava exatamente em seu melhor momento de carreira - na verdade, vivia a chamada 'entressafra', aquela fase entre um período de sucesso e outro, quando nada acontece, que ocorre com todos nós de quando em quando - mas ainda era, como sempre foi, uma instituição cultural francesa. Já eu estava debutando na França, fazendo uma temporada lá pela primeira vez, e achei que seria divertido incluir alguma coisa sua no repertório, ele que fora um dos artistas prediletos de minha mãe e cujas canções eu conhecia de cor e salteado, ainda em 78 rotações.Fiz portanto um pequeno medley juntando seu grande sucesso, 'Dans Mon Île' (que seria gravada também por Caetano, entre outros) e a menos conhecida 'Chanson Douce'. Isso rendeu alguns comentários, Henri ficou sabendo e acabou gentilmente convidando a mim e ao Tutty para almoçar com ele neste sofisticado local, na época bem acima de nossas posses.(Um artista em entressafra na França ainda podia fazer um convite desses. Já por aqui...)O almoço foi, em todos os sentidos, delicioso. Salmão, vinho branco e a verve do nosso anfitrião, velho conhecido do Brasil desde os tempos em que cá esteve como crooner da orquestra de Ray Ventura, no Cassino da Urca - corria a 2ª Guerra Mundial, e com a França ocupada, a orquestra, com músicos judeus, negros e mulatos como Henri, achou melhor dar um tempo por aqui. Ele nos perguntou muito por seu amigo querido Grande Otelo, e de vez em quando, meio para se mostrar, falava alguma coisa em português, geralmente gírias dos anos 40/50. Foi assim que, quando ofereci a ele um disco meu autografado, com uma caprichada foto minha na capa, feita por Frederico Mendes, ele olhou e comentou, com seu pesado sotaque francês: 'muito boa!' Rimos bastante, e o Tutty, igualmente com sotaque, só que desta vez baiano, mandou em francês: 'c'est ma femme...' Ao que Henri, malicioso, piscando o olho, respondeu: 'malandrrro...'Infelizmente não tornamos a nos ver, mas a notícia de sua morte me pegou de surpresa nas minhas férias, semana passada. Sei que ele nunca se distanciou muito do Brasil e gravou com Rosa Passos e Lisa Ono ainda há poucos anos atrás. Ambas cantoras 100% bossa-novistas, pois Henri tinha em sua música um parentesco estético com a nossa. Não foi, como gostava de pensar, um precursor da bossa: ele está para a bossa-nova assim como Chet Baker, pela leveza. Talvez no caldeirão de influencias estrangeiras da bossa ele possa ser incluído, junto com Chet, com o cool jazz, com os boleros de Manzanero, com Gershwin, Ravel e Debussy (principalmente os dois últimos). Mas foi compositor e cantor genial, de estilo único e totalmente diferente da canção variété francesa tradicional - Henri era da Martinica. Ouçam 'Dans Mon Île', 'Chanson Douce', 'Maladie D'Amour', 'Syracuse', 'J'ai Vu', 'Cendrillon', 'Le Marchand de Sable'... é uma obra deslumbrante de um autor maravilhoso. `A bientôt, Henri.
escrito por joyce.
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APAGANDO A CHAMA DO JAZZ

17 fevereiro 2008

Recentemente o You Tube foi solicitado para que removesse todo o material referente a Chet Baker.

Duas fundações de Chet Baker, uma em Oklahoma e outra no Canadá, entraram na justiça com um pedido de violação de copyright.

Na minha opinião a Fundação Chet Baker vai perder a divulgação grátis que o You Tube lhes dá, expondo um vídeo de baixa qualidade, que é uma propaganda para que se compre um CD ou um DVD final.

Ao mesmo tempo, esses vídeos no You Tube, ou em outros sites similares, só trazem benefícios ao próprio jazz, ajuda simplesmente na preservação desse estilo musical.

Agindo dessa forma, a Fundação Chet Baker está indo contra seus próprios interesses, sem se preocupar com sua real missão, de divulgar e preservar a obra de Chet Baker.

Aproveite para ver "My Funny Valentine" enquanto é tempo.

Chet Baker - trompete, vocal
Harold Danko - piano
Hein van de Gein - baixo
John Engels - bateria

Veja o video em: http://video.google.com/videoplay?docid=4219531479646487162

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B, 17 de fevereiro.

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