Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

MUSEU DE CERA # 22 - WOODY HERMAN

15 junho 2007


Woodrow Charles Thomas Herman nascido a 16 de maio de 1913 em Milwaukee foi de grande significância para o Jazz ao liderar uma série de big bands como clarinetista, executando ainda o saxofone alto com muita influência de Johnny Hodges, o sax- soprano e um espirituoso vocalista.
Woody Herman iniciou ainda criança em espetáculos de vaudeville como "Boy Wonder of the Clarinet" e começou a executar o sax-alto aos 11 anos e aos 15 já se tornava profissional. Suas primeiras experiências foram nas bandas de Myron Stewart, Harry Sosnik, Gus Arnheim e Tom Gerun no Canada Cafe em Chicago quando gravou como crooner da banda em 1928, e então em 1934, juntou-se a Isham Jones Orchestra. Gravou em 1936 algum material com Jones, logo após o veterano bandleader desfez a banda e Herman decidiu formar a sua utilizando aquele núcleo de músicos. De início as gravações apresentavam o bandleader como um vocalista de baladas, mas na parte instrumental focalizava principalmente arranjos para blues e com isso o grupo ficou conhecido como ― The Band That Plays The Blues. Em agosto de 1937 o magazine Downbeat preconizava que a banda de Herman — "era uma das bandas americanas de grande futuro".
Seu tema At The Woodchopper's Ball tornou-se em 1939 seu primeiro grande sucesso. Muitas peças eram reproduzidas pela banda com sentimento dixieland além de contar com a contribuição da vocalista Mary Ann McCall, somando-se a Herman e vários clássicos do jazz tradicional fizeram parte de seu repertório tais como: Jazz Me Blues, Muskrat Ramble, Royal Garden Blues, Weary Blues, Ain´t Misbehavin', Squeeze Me e outros...
Por algum período contou com duas interessantes atrações femininas a vocalista e trompetista Billie Rogers e a vibrafonista Marjorie Hyams.
Em 1943 a banda recebeu o codinome de Herd (first Herd) e mudou seu estilo fortemente influenciado por Duke Ellington incluindo Johnny Hodges e Ben Webster como convidados em algumas gravações e mais Sonny Berman, Pete Candoli, Billy Bauer, Ralph Burns, Davey Tough e Flip Phillips. Os arranjos excitantes partiam de Ralph Burns e Neal Hefti e assim se tornaram clássicos os temas Apple Honey, Caldonia, Northwest Passage, Your Father's Mustache.
Igor Stravinsky impressionado com a orquestra escreveu o Ebony Concerto apresentado pela orquestra em memorável concerto no Carnegie Hall a 25/março/1946. Infelizmente problemas familiares levam Herman a desativar a banda em plena era produtiva em fins de 1946. Contudo foi difícil se manter longe do meio musical e após atuar como disc jockey em meados de 1947 nova orquestra foi montada ― The Second Herd, contando com excelentes músicos como Gene Ammons, Lou Levy, Terry Gibbs, Shelly Manne, os trompetistas Shorty Rogers e Clark Terry e o baixista Oscar Pettiford, dentre outros.
Foi quando adveio o grande sucesso de Four Brothers um original de Jimmy Giuffre no qual sobressaíam-se coletivamente e como solistas os músicos nos sax-tenores: Stan Getz, Zoot Sims e Herbie Steward (este habitualmente no sax-alto) e Serge Chaloff no sax-barítono. Uma formação inusitada até então e que fez enorme sucesso pela justaposição de timbres e sucessão de choruses. Na década de 50 precisamente de 1950 a 56 formou os Third Herd, contando com Conte Candoli, Al Cohn, Dave McKenna, Phil Urso, Don Fagerquist, Carl Fontana, Dick Hafer, Bill Perkins, Nat Pierce, Dick Collins, Richie Kamuca e outros, mais tarde após outra parada esta por motivos financeiros organizou os New Thundering Herd atuando até os anos 80 chegando a comemorar 50 anos como bandleader em 1986, mas veio a falecer em 1987.
Vamos ilustrar o Museu com uma peça clássica composta em 1923 ― Weary Blues com arranjo magnífico de Deane Kincaide. Uma curiosidade é que as gravações de 1937 no total de 8 foram feitas sob o pseudônimo de Wally Hayes and his Orchestra no selo independente do engenheiro de som Wally Heider.
WEARY BLUES (Artie Matthews) – Woody Herman and his Orchestra – Woody Herman (clarinete e líder), Neal Reid (tb), Clarence Willard (tp), Kermit Simmons (tp), Saxie Mansfield (st), Pete Johns (st), Ray Hopfner (sa), Jack Ferrier (sa), Joe Bishop (flugelhorn), Oliver Mathewson (gt), Tommy Lincham (pi), Nick Hupfer (violino), Frankie Carlson (bat) e Walt Yoder (bx).
Gravação original: Wally Heider W-2184 – 23/set/1937
Fonte: Woody Herman And His Orchestra, 1937 - The Formative Years Of The Band That Plays The Blues - Circle Records [CCD-95] – 1986 – USA


COLUNA DO LOC



Em destaque, Fred Hersch.

Caderno B, JB, 15 de junho.

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13 junho 2007

RETRATOS
04. BUD POWELL (A)

Earl Rudolph Powell, “Bud” Powell, Pianista, Compositor e Arranjador, nasceu em 27/Setembro/1924 em New York, onde faleceu em 31/Julho/1966.

Sem nenhuma sombra de dúvidas foi um dos mais técnicos, inspirados e influentes pianistas de JAZZ e, definitivamente, o mais legítimo pianista do “Bebop”.

Segundo Thelonius Monk ninguém conseguia tocar como Bud: “too difficult, too quick, incredible !".

Herbie Hancock afirma que Bud Powell é “a fundação sobre a qual se assenta o edifício do JAZZ moderno e depois dele todos tentaram tocar como ele”.

Bud é um gênio”, dizia Charlie Parker.

Max Roach opina que ele “é o mais brilhante que pode ser um gênio, o único gênio da nossa cultura”.

Bud é um gênio genuíno”, afirmou Duke Ellington.

Essa mínima amostra do acervo de reconhecimentos a que faz jus leva Bud Powell, com toda a justiça, a integrar a “galeria da fama” ao lado dos mais importantes músicos de JAZZ de todos os tempos.

Recusando o fácil e com linhas sinuosas que o levam até os limites de Charlie Parker, Bud Powell desenvolveu estilo pessoal na fronteira da ruptura, já que a todo toque propõe ultrapassar seus próprios limites; empregava a mão esquerda insinuando a presença do baixo e da bateria, para que a mão direita tivesse esse apoio abstrato para “pensar”, construir e encadear todas as suas belas idéias em quaisquer andamentos e, particularmente quando em “up.tempo”, numa velocidade que nas primeiras audições não nos permitem captar todas essas idéias. Bud Powell é prazer à primeira audição (como descobrir a beleza dos números complexos em “A+Bi”), mas necessita de aprofundamento, escuta e introspecção para o prazer pleno (como resolver uma integral não-imediata).

Durante os quase 42 anos de vida oscilando entre momentos de lucidez e períodos de loucura, Bud Powell deixou-nos um dos maiores patrimônios musicais para a história do JAZZ. Mesmo encontrando nessa história biografias dolorosas que definem uma não-existência pessoal plena (Joe “King” Oliver, Bix Beiderbecke, Charlie Parker, Art Pepper, Frank Rosolino e tantas outras), é muito difícil encontrar um caminho mais desesperado e trágico que o percorrido por Bud Powell, autêntico artífice da revolução dos anos 40, o “Bebop”, junto a outros poucos protagonistas como Gillespie e Parker; Bud Powell teve um verdadeiro exército de imitadores, que oscilaram entre tentar seguí-lo ou livrar-se de sua influência (comportamentos típicos ante um mestre que cria algo novo e diferente).

Neto de avô guitarrista de “flamenco” em Cuba, filho de pai adepto do “stride piano”, com um irmão trumpetista e violinista (William) e outro estudante de piano (Richie, que mais tarde participou do memorável quinteto de Clifford Brown e com ele faleceu em acidente automobilístico), desde cedo estudou assiduamente piano clássico, com predileção por Mozart (o que se nota em muitos momentos de suas atuações em trio). Interessou-se mais tarde pelo JAZZ impressionado por Art Tatum e James P. Johnson.

Estudou com Elmo Hope e com Thelonius Monk, seu “tutor” musical, amigo e que lhe dedicou os temas “In Walked Bud” e “52nd Street Theme”, que Bud Powell utilizava como seu tema (prefixo / sufixo) e que Thelonius Monk jamais tocou ou gravou.

Tocou na orquestra colegial dirigida por seu irmão William e, durante pouco tempo acompanhou a cantora, trumpetista na linha de Louis Armstrong, bailarina, coreógrafa, arranjadora e “band-leader” Valaida Snow (“A Rainha do Trumpete com seus Jazz Rhythm’s”).

Ingressou na banda de Cootie Williams e, simultaneamente, foi levado por Thelonius Monk (no sótão do clube onde os músicos ensaiavam Bud Powell encontrou Thelonius Monk, também jovem mas com estilo inteiramente diverso do seu e, também e em certa medida, menos favorecido sob o ponto de vista de estudo musical) para a atmosfera e o mundo vanguardista do início dos anos 40, freqüentando os pequenos clubes onde germinou a semente e cresceu a árvore do “Bebop”: Minton’s Playhouse e Clark Monroe’s Uptown House. Com o sexteto de Cootie Williams (co-autor com Thelonius Monk do clássico “Round Midnight”) é que localizamos os primeiros registros fonográficos com a participação de Bud Powell, então com 19 anos, em 04 e 06/Janeiro/1944 e em New York. A última gravação com Cootie Williams foi realizada neste mesmo ano e em sessão de 22/Agosto.

Bud já despontava então em possuir, além de um virtuosismo técnico ímpar e de grande intuição musical, excepcional capacidade de desenvolver idéias geniais sobre os temas que lhe eram propostos ou os de sua própria criação.

Seu jogo criativo com a mão direita chamou a atenção de Dizzy Gillespie e Oscar Pettiford, que tentaram levá-lo no início de 1944 para o “Ônix Club” (Rua 52) com o objetivo de formar um quinteto; Cootie Williams, seu tutor, barrou essa investida.

O ano de 1945 marca Bud Powell por 02 eventos. O primeiro deles foi sua única gravação, em 02/Maio, com o quinteto do tenorista Frank Socolow, enquanto o segundo foi a agressão que o marcaria, psicológica e fisicamente, para o resto da vida: foi golpeado na cabeça com o cassetete de um policial, internado como doente mental em ambiente para tratamento psiquiátrico (eletrochoque) o que, ao invés de recuperá-lo, agravou seu estado; seguidas enxaquecas, dramáticas e intermitentes depressões, que o levavam a alternar momentos de lucidez com fases de pausas silenciosas em que até falar com ele era difícil. Esse problema foi agravado, também, pelo abuso do álcool.

Em 1946 Bud grava com Dexter Gordon em quinteto (29/Janeiro), com Sarah Vaughan e o grupo liderado por Tadd Dameron (com cordas, em 07/Maio), com os quintetos de J.J.Johnson (26/Junho) e de Kenny Dorham (23/Agosto), este passando a ser o quinteto de Sonny Stitt (que grava em 04/Setembro), apenas com a substituição do baterista Wallace Bishop por Kenny Clarke.

Esse quinteto é ampliado para noneto em gravação do dia seguinte (05/Setembro), sob o título de “Kenny Clarke And His 52nd Street Boys” e com a seguinte formação: Kenny Dorham e Fats Navarro (trumpetes), Sonny Stitt (sax.alto), Ray Abrams (sax.tenor), Eddie DeVerteuil (sax.barítono), Bud Powell (piano), John Collins (guitarra), Al Hall (baixo) e Kenny Clarke (bateria), gravando para o selo econômico da RCA, o Bluebird, os temas “Epistrophy”, “52nd Street Theme”, “Oop Bop Sh’bam” e “Roya Roost = Rue Chaptal”; mais “bebop” impossível ! ! !

A última gravação de Bud Powell em 1946 foi realizada no dia seguinte (06/Setembro) com arranjos de Gil Fuller para octeto liderado por Fats Navarro (Fats Navarro / Gil Fuller's Modernists”) e com a mesma formação da véspera substituindo Ray Abrams por Morris Lane e sem a guitarra de John Collins.

Em 1947 Bud Powell gravou pela primeira vez como “líder” em trio: Bud Powell (piano), Curly Russell (baixo) e Max Roach (bateria), 10/Janeiro. Também por primeira vez gravou com Parker: Miles Davis (trumpete), Charlie Parker (sax.alto), Bud Powell (piano), Tommy Potter (baixo) e Max Roach (bateria), 08/Maio nos Estúdios Harry Smith.

A partir de Novembro/1947 e até 1948 Bud Powell voltou a ser internado mais de uma vez (“Creedmoor Psychiatric Center”, Long Island); em 1948 gravou em uma única oportunidade.

Em Janeiro/1949 Bud Powell chega à VERVE (Norman Granz) e em Agosto desse ano à Blue Note; as gravações ao longo do tempo para essas etiquetas, felizmente, foram reunidas em coletâneas disponíveis no mercado em estojos (vide “Discografia Resumida”). Segundo o recém-falecido saxofonista Jackie McLean, se a supervisão adequada e humana dos proprietários da Blue Note, Francis Wolff e Alfred Lion, tivesse ocorrido desde o início da carreira de Bud Powell, ele teria sido uma pessoa inteiramente diferente, em função da grande amizade que por ele nutriam e pelo respeito com que sempre o trataram.

A lista qualitativa do crítico literário Harold Bloom intitulada “Greatest Works Of Twentieth-Century American Art” inclui as gravações para a Blue Note de “Un Poco Loco” e “Parisian Thoroughfare” (ambos os temas da autoria de Bud Powell) nesse rol de preciosidades artísticas.

Um Poco Loco” particularmente e a nosso juízo (secundando as opiniões de Leonard Feather e de Luiz Orlando Carneiro) é uma autêntica jóia musical, que nos enleva a cada audição dos 03 “takes” em ascendência para a Blue Note.

Em 1950 Bud Powell é detido por posse de narcóticos, é internado por 17 meses e submetido a eletrochoques. Após liberado Bud segue gravando e se apresentando alternadamente, conseguindo durante algum tempo ficar longe das drogas e do álcool, para ficar com sua mãe na Pensilvânia em 1953, onde compõe a obra prima “Glass Enclosure”. Há uma versão segundo a qual o gerente do "Birdland" à época, Oscar Goldstein (a quem eram atribuídas ligações com o crime organizado) foi “tutor” legal de Bud Powell e mantinha-o praticamente recluso e, para poder vigiá-lo permanentemente, levou-o a casar-se com Audrey Hill; segundo essa versão foi para essa condição que Bud compôs “Glass Enclosure”.

Em 1953 tem lugar o famoso concerto no Massey Hall (Toronto, Canadá), com o quinteto escolhido por votação: Parker, Gillespie, Bud, Mingus e Max Roach, cujas peripécias podem ser lidas na vide “Discografia Resumida”.

Viajou para a Europa pela primeira vez em 1956 com o grupo auto-intitulado “Birdland 56” (Miles Davis, Lester Young e parte dos componentes do MJQ), com turnês por vários paises, tomando contato com o respeito europeu pela arte e pela cultura negra; ai iniciou-se sua vontade de viver no velho continente, o que somente veio a ocorrer em 1959, para ali permanecer por 05 anos. Nessa ida e permanência sua companheira foi Altevia Edwards (“Buttercup”), que tornou-se sua esposa nos últimos anos de vida, e seu filho Earl Douglas John Powell.

Em Paris, onde se radica, apresenta-se constantemente no clube “Le Chat Qui Péche” e forma com Pierre Michelot ao contrabaixo e Kenny Clarke (Mr Clock) à bateria, o “The Three Bosses”, que marca ponto seguidamente no "Blue Note" parisiense de 1959 a 1962. Esse trio foi formado após a apresentação de 02/Abril/1960 no “Essen Jazz Festival”, Grugahalle, Essen, Alemanha (Coleman Hawkins no sax.tenor, Bud Powell no piano, Oscar Pettiford ao baixo e Kenny Clarke à bateria, conforme “Discografia Resumida"), onde foi calorosamente aplaudido.

Então teve início uma tuberculose pulmonar bilateral, que progressivamente aprofundou seu já delicado estado de saúde, levando-o à internação em hospital para tratamento de 1963 até Junho/1964 (já então apresentava outra vez como quadro permanente a incapacidade de livrar-se do álcool). Todavia teve muito apoio moral e pessoal daquele que se tornou seu amigo, Francis Paudras, “designer”, hospedeiro, acompanhante permanente com quem morou, amante do Jazz e, mais tarde, autor da biografia de Bud Powell (“LA DANSE DES INFIFÈLES”, conforme "Bibliografia" indicada adiante) que, inclusive, o acompanhou no retorno aos Estados Unidos em 1964, com o acordo que após algumas apresentações em sua pátria Bud Powell retornaria a Paris com Francis.

Seu retorno ao “Birdland” de New York foi triunfal, em uma apresentação seguida por 07 minutos de aplausos ininterruptos, mas a doença já não mais o deixou; habitou-se a desaparecer por largos períodos, sendo que uma noite foi encontrado dormindo numa rua do Brooklin, em frente a um hotel e ao lado de vagabundos. A Baronesa Pannonica de Koenigswarter, “Nica” (amiga e benfeitora de muitos músicos e para a qual Thelonius “Sphere” Monk compôs o tema “Pannonica”, assim como Horace Silver criou o “Nica’s Dream”) o convidou para sua residência em New Jersey; Bud fugiu uma noite e perambulou sem rumo até ser encontrado em Greenwich Village. Francis Paudras retornou a Paris sem Bud Powell e comentava com seus amigos que “Bud Powell não sentia mais gosto nem mesmo em tocar”.

Bud Powell participou do “Charlie Parker Memorial Concert” (homenagem aos 10 anos do falecimento de “Bird”) no Carnegie Hall, New York, em 1965, em piano.solo que ficou registrado em disco.

Sua derradeira gravação (Bud Powell ao piano, Scotty Holt no baixo e Rashied Ali à bateria), tem como data 02/Janeiro/1966 no “Town Hall” em New York.

Foi hospitalizado (“Kings County Hospital”, Brooklyn) em 17/Julho/1966 vindo a falecer de pneumonia no dia 31/Julho. A Prefeitura local estimou em 5.000 a quantidade de pessoas que saiu às ruas do Harlem para homenageá-lo, ao passo que tocaram em sua memória Lee Morgan e o professor Barry Harris

FILMOGRAFIA
São poucos os documentários com a presença de Bud Powell mas, felizmente, todos eles com atuações ao vivo. Listamos os 05 (cinco) que nos permitem apreciar a técnica pianística e o “feeling” desse extraordinário mestre do “Bebop”.

01. Cootie Williams And His Orchestra
1944, U.S.A., 10 minutos.
Solos de Bud Powell, Cootie Williams, Sam Taylor e Eddie Vinson em 02 números: “Wild Fire” e “Theme”.

02. Bud Powell - Série “Vintage Jazz Collection”.
1959, Club Saint.Germain, França, 31 minutos.
Bud Powell (piano), Barney Wilen (sax.tenor), Clark Terry (trumpete), Pierre Michelot (baixo) e Kenny Clarke (bateria).
Temas apresentados: “Crossin’ The Channel”, “No Problem”, “Pie High”, “52th Street Theme”, “Blues In The Closet” e “Miguel’s Party”.
1959, Blue Note (de Paris), França.
Bud Powell (piano), Lucky Thompson (sax.tenor), Jimmy Gourley (guitarra), Pierre Michelot (baixo) e Kenny Clarke (bateria).
Temas apresentados: “Get Happy”, “John’s Abbey” e “Anthropology”.

03. Stopforbud.
1963, Dinamarca, 12 minutos, direção de J.J.Thorsen, J.Poulsen e A.J.Leth.
Bud Powell (piano), Niels.Henning Ørsted Pedersen (baixo) e baterista não identificável. Apresentação em trio com comentários de Dexter Gordon.

04. Piano Legends - Série “Naipes do Jazz”.
1981, U.S.A., 63 minutos, escrito e dirigido por Burrill Crohn.
Bud Powell em 1962 com acompanhantes não identificados. Apresentação com comentários de Chick Corea.

05. Jazz I Montmartre - Via Internet pelo site “jazzworld”.
(?) ano, 5’21”, Bud Powell (piano), Niels.Henning Ørsted Pedersen (baixo) e Jorn Elniff (bateria). Execução em “up.tempo” do clássico de Parker e Gillespie “Anthropology”, demonstrando a incrível fluência técnica e musical de Bud nesse andamento.

BIBLIOGRAFIA
Extensas são as referências em livros sobre Bud Powell, seja pela sua supremacia musical enquanto pianista do “Bebop”, seja por representar, ao lado de Charlie Parker, Dizzy Gillespie e poucos mais, a origem da revolução dessa forma a partir do início da década de 40 do século passado. Sintetizamos a seguir essas referências, com base no que entendemos como mais qualitativo sobre Bud Powell e restritos aos livros que possuímos.

01. THE NEW EDITION OF THE ENCYCLOPEDIA OF JAZZ (Leonard Feather, 1ª Edição, 1956 / reimpressão de 1960, U.S.A.), THE ENCYCLOPEDIA YEARBOOK OF JAZZ (Leonard Feather & Ira Gitler, 1ª Edição, 1957, Inglaterra), THE ENCYCLOPEDIA OF JAZZ IN THE 60’s (Leonard Feather, 1ª Edição, 1960 / reimpressão de 1976, U.S.A.) e THE ENCYCLOPEDIA OF JAZZ IN THE 70’s (Leonard Feather & Ira Gitler, 1ª Edição, 1976 / reimpressão de 1978, U.S.A.).
Toda a coletânea de Leonard Feather (parte da qual com a colaboração de Ira Gitler), dedica verbetes a Bud Powell, destacando-o como o mestre maior do “Bebop” no piano.

02. A HISTÓRIA DO JAZZ (Barry Ulanov, 1ª Edição no Brasil em 1957, tradução de original americano de 1952), destaca Bud Powell nas páginas 348/349 iniciando seu relato com o fato de Bud Powell “tornar o piano parte integral do bop”.

03. A HISTÓRIA DO JAZZ (Marshall Stearns, 1ª Edição no Brasil em 1964, tradução de original americano de 1962), desfila nas páginas 232/256 um panorama bem vívido do nascimento e do desenvolvimento do “bebop”, com citações sobre Bud Powell.

04. O JAZZ DO RAG AO ROCK (uma infelicidade de tradução para o título) (Joachim E. Berendt, 1ª Edição no Brasil em 1975, tradução de original alemão de 1971), nas páginas 217/218 pontua que “...No jazz moderno a pianística vem de Art Tatum, mas de Bud Powell vem o estilo. Tatum deixou para o Jazz um estandarte pianístico inalcançável, mas Bud criou uma escola.

05. GRAN ENCICLOPEDIA DEL JAZZ (04 volumes da Ed. SARPE, 1ª Edição, 1980, Espanha) dedica as páginas 1189 a 1191 a um bom histórico da vida e da obra de Bud Powell.

06. O PIANO NO JAZZ (Roberto Muggiati, 1ª Edição, 1982, Brasil) tece um retrato de Bud nas páginas de 20 até 23, arrematando com o fato de que “..Raros pianistas fizeram tantos seguidores no Jazz como Bud Powell, nos Estados Unidos e no resto do mundo, e seria pura perda de tempo enumerar todos eles...”.

07. OBRAS PRIMAS DO JAZZ (Luiz Orlando Carneiro, 1ª Edição, 1986, Brasil), relata nas páginas 73/77 as qualidades técnicas e as “obras primas” de Bud, assinalando que “...Bud Powell..... foi quem realizou, de modo admirável, a complexa operação de dotar o piano jazzístico de uma linguagem bop fluente, tão eloqüente como a de Parker no saxofone e a de Dizzy Gillespie no trompete....”.

08. LA DANSE DES INFIFÈLES (Francis Paudras, 1ª Edição, Editora L’Instant, 1986, 409 páginas, Paris França). Prefácio de Bill Evans, texto e fotos (cerca de 1.050) em P&B: Introdução, 56 capítulos (cada um deles com o título de um tema) e Coda. De todos os livros escritos sobre JAZZ este é um dos mais importantes, pelo histórico, pela iconografia, pela paixão do autor pelo JAZZ e pelo que significou na vida de Bud Powell = recuperação enquanto esteve na França, vida nova com sucesso e o respeito do público, preparo e retorno aos U.S.A. É importante assinalar que este livro, por seu material temático e fotográfico, foi a “chave” visual e de roteiro para o filme de Bertrand Tavernier “Por Volta da Meia Noite”, que rendeu a indicação de Dexter Gordon para o Oscar de melhor ator e o Oscar/1986 de trilha sonora para Herbie Hancock.

09. THE MAKING OF JAZZ: A Compreensive History (James Lincoln Collier, 1ª Edição, 1987, U.S.A., reimpressão do original de 1978, Inglaterra), é laudatório sobre a carreira e a influência de Bud Powell enquanto criador de escola, dedicando-lhe as páginas 387/391.

10. OPUS 86 - JAZZ (Andres Francis, 1ª Edição no Brasil em 1987, tradução de original francês de 1982), nas páginas 119/120 comete alguns deslizes biográficos sobre Bud Powell, mas é taxativo quanto ao fato de ser ele o mais imitado dos pianistas de Jazz.

11. THE GREAT JAZZ PIANISTS (Len Lyons, 1ª Edição, 1989, U.S.A.), farta-se de citações de todos os grandes pianistas (assinaladas em 43 páginas) sobre Bud Powell: sua influência, sua carreira, seus métodos

12. JAZZ HOT ENCYCLOPÉDIE - Bebop (Jacques B. Hess, 1ª Edição, 1989, França) é importante pela abordagem “musical” do Bebop e pelas páginas 75/77 sobre Bud Powell, destacando que “....Sa virtuosité, son attaque d’une puissance terrifiante, son drive irrésistible que donne en tempo ultra-rapide l’impression qu’il pourrair jouer encore plus vite sans rien perdre de son aisance, .....”.

13. OS GRANDES CRIADORES DO JAZZ (Gérald Arnaud & Jacques Chesnel, 1ª Edição em Portugal em 1989, tradução de original francês de 1985), classifica Bud na página 47 como o estilista perfeito do piano “be-bop” (.....tinha uma necessidade quase obsessiva de exprimir completa e fielmente as idéias musicais que jorravam de seu cérebro...).

14. LOS 100 MEJORES DISCOS DEL JAZZ (Jorge Garcia, Federico G. Herraiz, Federico Gonzales, Carlos Sampayo, 1ª Edição, 1993, Espanha), destaca Bud Powell como um “Jazz Giant”: “…fue la encarnación absoluta e irrepetible del piano moderno….”. O album “Jazz Giants” é um dos 100 recomendados pelos autores, e com inteira procedência.

15. DICCIONARIO DEL JAZZ (Philippe Carles, André Clergeat & Jean-Louis Comolli, 1ª Edição em espanhol em 1995, tradução de original francês de 1988), contem extenso verbete sobre Bud Powell nas páginas 969/971, incluindo alguma discografia recomendada.

16. OS GRANDES DO JAZZ - 05 volumes + 72 CD’s (Edições del Prado S.A., 1ª Edição mal traduzida para o português em 1996/1997, original da Espanha), traz no 3º volume as páginas 109/120 com alentada biografia e discografia recomendada de Bud. O CD agregado à edição contem 12 faixas com boa qualidade técnica de gravação e ótimo repertório (Tea For Two, Lover Come Back to Me, Um PoCo Loco, Glass Enclosure etc etc).

17. A CENTURY OF JAZZ - A Hundred Years of the Greatest Music Ever Made (Roy Carr, 1ª Edição, 1997, Inglaterra), é uma edição de luxo que nas páginas 58/81 aborda o “Bebop”, evidentemente com destaque para Bud Powell, Parker e Gillespie.

18. GLOSSÁRIO DO JAZZ (Mário Jorge Jacques, 1ª Edição, 2005, Brasil), páginas 247/248, encerra o verbete piano sentenciando que “.....Contudo foi no bebop que o PIANO adquiriu total independência quanto ao acompanhamento da mão esquerda atingindo sua apoteose com Bud Powell e Thelonius Monk....”.

Continua em (B) e (C) com a discografia reduzida de Bud Powell.

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 40

12 junho 2007

Resolvi voltar ao assunto não só porque me lembrei de outras coincidências como também ,por ter ocorrido mais uma agora em São Paulo, quando em visita a Livraria Cultura ,ciceroneado por Pedro Cardoso.

“Os Deuses do Jazz” – II Quem assistiu o filme “As neves do Kilimandjaro” , com Gregory Peck e Ava Gardner, há de se lembrar de uma cena fantástica, quando, em um “night club” ela solicita que ele acenda o seu cigarro. Ao clicar o isqueiro há um corte rápido e surge a figura de Benny Carter executando uma balada. Não dura nem dez segundos a imagem de Benny mas, a música continua em fundo .
Iniciei a pesquisa para saber o nome da música, se fora gravada comercialmente,
se constava do catálogo de alguma gravadora etc.
Quem me informou foi Sylvio Tullio Cardoso. Disse ele : “O nome do tema é “Love is Cynthia “ mas até agora, pelo que sei, não consta sua inclusão em qualquer elepê. Não demorou muito. Entrei na “Discolandia”, um dos saudosos sebos da rua São José. Djalma, o proprietário estava saindo para o almoço e me informou que
tinham chegado alguns discos de 45 rotações . Voltou para me mostrar e aí foi só alegria. Os discos pertenceram a Bill Horne, músico amador que tocava trumpete e lamentavelmente hoje é saudade. Mais tarde vim saber, pela turma das Lojas Murray, que ele batera com o carro e estava catando dinheiro para consertar seu Jaguar. Achei estranho pois o pai de Bill tinha um escritório ou casa de cambio
e que desfrutava excelente situação financeira. Mas, vamos as “bolachinhas”.
A primeira era da RCA e tinha os temas “Sunday afternoon” e “Love is Cynthia”
com a orquestra de Benny Carter. (Uau !) Mas, a alegria continuou quando “passei em revista as tropas”. Lá estavam quatro discos da orquestra de Charlie Ventura ,um deles com o tema “Whatta I say we go” com vocal da dupla Jackie Cain e Roy Krall muito divulgado no programa de Paulo Santos. Mais algumas preciosidades estavam à disposição e não não tive dúvidas, comprei todas.
Muitas outras “coincidências” aconteceram comigo em relação ao Jazz. Discos, revistas e até livros que pensava serem impossíveis de adquirir apareciam como por encanto.
Mas a ultima ocorreu agora, quando passei o fim de semana em São Paulo. Vamos aos fatos : Em reunião de 23 de maio, no Clube de Jazz de Niterói, o tema era “Pérolas do Jazz” e cada um apresentava duas ou três musicas de sua escolha. Na minha vez coloquei o “Over the rainbow” de Erroll Garner faixa do álbum “Solitaire”, lançado em elepê no Brasil, mas que lamentavelmente não saiu em CD. Expliquei que tinha pescado a faixa na Internet, já que não possuímos mais um toca-disco para elepê . Foi o tema da noite e tive que fazer duas ou três cópias para alguns amigos.
Em São Paulo fomos visitar a Livraria Cultura e pesquisar. DVD’s e CD’s. Naquele mundo de prateleiras vislumbro um CD de capa verde, “solitário”, olhando para mim.
Era o “Solitaire” de Garner que tanto procurava . Apesar do preço escorchante
tive que adquiri-lo em homenagem aos “Deuses do Jazz”. Pedro Cardoso confirma.

DÔDO FERREIRA DUM DUM NA COBAL

11 junho 2007

UM FIM DE SEMANA NO RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES

Fim de semana com muita música no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.
Não pude acompanhar desde o início na quarta-feira, mas chegando na sexta de noite já presenciei a apresentação do vibrafonista Stefon Harris, que abriu a noite com seu trio e realmente surpreendeu. Stefon Harris é o nome da nova geração de vibrafonistas, onde Vibrafone e Marimba se misturam no palco em formato de "L" e ele manifestou pleno domínio do palco e mostrou muita vibração, com uma apresentação bastante consistente, sobrando
inspiração.
Ainda não tinha achado um lugar cativo para assistir aos shows, mas nos bastidores Stefon Harris esbanjou simpatia, conversou, distribuiu autógrafos e tirou muita foto, inclusive aproveitei e garanti a minha !

A noite seguiu com o guitarrista Roy Rogers e seu blues rural, estilão meio country, empunhando um violão folk bem eletrificado que agradou aos amantes do gênero presentes.
Fechando a noite e saindo da seara do jazz, a banda Soulive mostrou muito balanço e muita empolgação. Acid Jazz rotulado, Soul Music incorporada, e o que é bom, muito groove! Apesar da ausência do baixo, o trio, agora um quarteto com vocal , traz um destaque especial para o organista Neal Evans, cuja mão esquerda faz um baixo com muito groove de deixar muito baixista por aí com inveja.
Já no sábado, o Soulive se apresentou no final da tarde na Praia da Tartaruga onde os shows são produzidos, literalmente, em cima da pedra, na encosta, promovendo um belo visual ao entardecer. A banda parecia mais solta e fez um show bem melhor que na noite anterior. O trio é muito bom, muito improviso com o guitarrista Erik Krasno e energia de sobra com o baterista Alan Evans e agora com vocalista Toussaint, que chamava a atenção mais pelo seu visual afro.

Mas chegou a noite e os shows prometiam. Na abertura, Romero Lubambo e Luciana Souza fizeram, particularmente, uma apresentação impecável, com repertório que passeou por Jobim e Dominguinhos com roupagem muito original pelo duo e um set de 2 standards abrindo com Beautiful Love, quando Romero deixou o violão de lado e abraçou sua guitarra acústica e se deleitou em muito walking bass. Gostei muito da Luciana Souza, ainda não a tinha assistido ao vivo e gostei do timbre de sua voz, em tom médio, mas suave. No show, Luciana também desenhou a percussão em alguns momentos, ora no pandeiro ora no triangulo, e casou perfeitamente na condução de Romero Lubambo, que realmente está sobrando no violão, está tocando muito !
Gostei de ver Romero Lubambo com uma guitarra nas mãos, coisa rara, há muito tempo não assistia a isso.
No intervalo, quem fez a festa foi a paulista Dixie Square Jazz Band, que subiu ao palco para uma apresentação bem rapidinha e contagiou com arranjos bem alegres para Cantaloupe Island e, claro, When the Saints Go Marching In.

Enquanto a Dixie Square tomava a atenção do público, quem esbanjava simpatia nos bastidores e se preparava para subir ao palco era Ravi Coltrane, que se apresentou ao lado do seu quarteto abrindo o show com dois temas bem ao estilo do Coltrane pai, aquela atmosfera meio mística marcada pela percussão nos pratos e marcação constante do contrabaixo e piano enquanto Ravi desenhava formas um tanto psicodélicas. Mas o show continuou e Ravi mostrou muita originalidade, um bom pianista, Luis Perdomo, e um bom baterista, E.J.Strickland.
Fechou a show com Giant Steps, bem ao seu estilo. Gostei muito !

E a noite de sábado terminou com o blues do guitarrista Robben Ford, mas com muito tempero de rock. Técnica impecável, em formato de power trio e um pleno domínio do instrumento. Para quem não sabe, Robben Ford também é saxofonista, inclusive já gravou com o instrumento em seus primeiros discos. Confesso que esperava a interpretação de seus temas antigos, com uma pegada mais blues, mas o show foi muito bom e ele mostrou porquê é um dos grandes guitarristas no cenário atual.
Bom, é isso ! E já estavam circulando por lá Duduka da Fonseca, Sergio Barrozo e Dom Salvador que se apresentaram na quinta-feira e iam novamente se apresentar na tarde de domingo, mas voltei pra casa com uma excelente impressão do festival, muito bem organizado e um público bastante interessado.
Parabéns para toda a produção ! E ano que vem tem mais ...

UM ADENDO A DO OUTRO LADO DO JAZZ #17

O Jazz foi à guerra com os V-discs, no entanto após servir brilhantemente e ajudar aos aliados ganhar a guerra, acontece este sacrilégio da foto. As matrizes sendo destruídas com apoio judicial.
Uma colaboração de Mestre LLulla.

PABLO ZIEGLER - CCBB, SÁBADO, 9/6/07

10 junho 2007

Pelas graças do amigo e confrade CJUBiano Bené-X, caíram-me nas mãos, na última hora mas em horário confortável ainda, dois ingressos que ele tinha conseguido para o recital de Pablo Ziegler e seus dois excepcionais acólitos, para a noite de sábado, no Centro do Rio.

Casa lotada, Teatro III do CCBB, entulhado de mesas numa disposição tal que me fez rezar fervorosamente - e vejam, sou um agnóstico de carteirinha - para que nenhuma fagulha ou faísca ocorresse ali, fora do palco, ou seria o fim, ao som de Piazolla, ao menos. Não entendo como o Corpo de Bombeiros permite aquilo, mas, vamos ao que interessa.

Ziegler, que dispensa apresentações (e quem não o conhece, pode ler uma ótima entrevista sua neste link AQUI) domina com largueza a técnica do piano jazzístico. Suas composições são calcadas no sentimento tristonho e denso do tango novo, como inventado por seu principal mentor e líder por inúmeros anos, Astor Piazolla - que ao final dos anos 60, "expulsou-se" para a Europa, em vista das críticas dos tradicionalistas portenhos. Ziegler, pianista de seu quinteto quando retornou a Buenos Aires, já dava vazão, nas interpretações dos temas de Astor - motivo principal, segundo ele mesmo, de sua contratação - aos improvisos e a um fecundo encontro entre as marcações cadenciadas do tango, principalmente na região mais grave do teclado, às filigranas de tempos e vozes, muito ricas, do bandoneón. Ainda segundo Ziegler, era Piazolla quem o incentivava a "alegrar" as execuções atravpes dos improvisos, que só bem depois ele mesmo adotou.

Na apresentação de ontem, assim como na anterior, no Mistura Fina, há dois anos, esta tarefa esteve a cargo do excepcional Walter Castro, jovem músico que estudou com o grande Nestor Marconi e que domina por completo o instrumento, trocando de andamentos e fôlegos com o líder por telepatia. Os improvisos encadeados de ambos em torno das temáticas sombrias as tornam mais instigantes e ricas e agem como sopros de vitalidade sobre elas, sem perder nada de sua dramaticidade intrínseca.

A arte de ambos é secundada pela segurança e o talento do não menos competente guitarrista Armando de la Vega, cuja biografia o menciona como o Diretor Pedagógico do Instituto Superior de Música Popular, da Sociedade Argentina de Músicos. E que, tocando, é isso tudo aí mesmo. Suas bases foram criativas e integradoras e seu dedilhado, mesmo que bastante sutil no toque, me pareceu (nas raras oportunidades de destaque) extremamente inteligente e instigador, denotando um fervilhar de idéias que poderiam, em outras circunstâncias, ter bem mais espaço.

O belo concerto, que alternou temas de Piazolla e Ziegler, teve Michelangelo 70, Fuga y Misterio, Chin Chin, e Libertango, do primeiro e La Fundición, Blues Porteño, Buenos Aires Report, Milonga del Adiós, Muchacha de Boedo e La Rayuela, de Ziegler, criou uma atmosfera mágica e estimulante, e o bom público presente aplaudiu os artistas de pé, exigindo um bis, que se não me engano, foi o tema Inverno Porteño, de Piazolla.

Cotação:@@@@

09 junho 2007

Prezados CJUBIANOS:

Feriadão e final de semana na Avenida Paulista

Meste LULA (e respectiva consorte LÚCIA) e este seu APÓSTOLO (sua respectiva consorte MATILDE e D'Artagnan (?) ) aproveitaram para ouvir (a seqüência pode não estar correta):
Count Basie;
Louis Armstrong;
Laura Figy;
Primeiras gravações de Charlie Parker (antes de Jay MacShann);
Ramsey Lewis apresentando Chris Botti, Jane Monheit, Phil Woods (ensinando o vernáculo a David Sanborn), Benny Golson, Clark Terry, Dave Brubeck "dialogando" com Billy Taylor etc
Bill Evans com "Days Of Wine And Roses" and others;
Phil Woods, Clark Terry, Frank Morgan, Red Rodney e outros em tributos a Parker;
Les Elgart "colando" os arranjos de Parker para "Love Or Leave Me";
Programas "O Assunto é Jazz" revivendo os eleitos nos concursos anuais da "Metronome";
Slim Gailard (uma festa de cinismo).
Bob Cats
Além de ouvir muito, percorrer muitos livros e revistas sobre a ARTE POPULAR MAIOR, muito vinho, Balla 12, Suau (vocês conhecem o melhor conhaque do mundo ???), massas, queijos, saladas, RASCALL's e otras cositas mas..... (essa cultura é um problema para os olhos, ouvidos e paladar).

Aproveitem Mestre LULA ai no Rio, porque aquí na "desvairada" é coisa rara.

Abraços,

APÓSTOLO

CUMÉQUIÉ???

08 junho 2007

Um pouco na linha do Mestre Llulla, implacável na vigília sobre o que se escreve [des]informando ao público em veículos de grande circulação ou especializados (onde as besteiras tomam vulto maior), fiquei de início feliz e depois estarrecido hoje, ao saber, através da matéria da jornalista Julia Motta no Caderno RioShow do O Globo, que inicia-se hoje no CCBB uma série chamada de Música do Pan, que pretende trazer, durante quatro fins de semana, amostras da produção musical de nove países da vizinhança.

Segundo a nota, hoje e amanhã apresenta-se, no Teatro 3 daquele Centro, o excelente pianista e compositor Pablo Ziegler, que tocou por vários anos no quinteto do fabuloso (e falecido) Astor Piazolla, e que vai tocar um repertório misto de tangos e improvisações jazzísticas. Fiquei feliz, já que pude assistí-lo no Mistura Fina há alguns anos e seu concerto valeu cada centavo, em termos de execução e emoção, e acho que isso deverá se repetir hoje.

Mais feliz fiquei em saber que no domingo será a vez de Ravi Coltrane, expoente dos saxes alto e tenor, filho do legendário John e hoje considerado um ótimo profissional, independentemente do sobrenome de peso. O que de fato me deixou estarrecido foi a redação da repórter. Ipsis litteris: "Considerado o melhor sax tenor da atualidade pela revista Downbeat, ele se apresenta ao lado de Coleman Hawkins, Lester Young e Sonny Rollins".

Para ser muito condescendente, pode ter me parecido "lógico" que ela tenha se referido, em mau português, à apresentação na revista. Mas quem está lendo uma matéria sobre um espetáculo específico num determinado local e lê que Ravi vai se apresentar ao lado de fulano e beltrano, pensa, de imediato que essas pessoas o estarão acompanhando ali. Principalmente se não entenderem alguma coisa sobre jazz ou não forem leitores do CJUB.

Pois o que seria difícil, no caso de Sonny Rollins - e então a mesma matéria versaria sobre ele e não Ravi - restaria impossível no caso dos outros dois monstruosos tenores, há muitos anos tocando exclusivamente na Heavenly Clouds Big Band. O erro se repete no tijolinho da página 29, de forma crassa, ao dizer que Ravi "faz show ao lado de Coleman, Lester e Rollins".

Não se fazem mais editorias como antigamente.

Para amenizar: na mesma página 26 do caderno citado, nota sobre as apresentações, hoje da ótima Luciana Souza acompanhada de Romero Lubambo ; em seguida, Dom Salvador , com Dick Oatts (sax/flauta), Sergio Barrozo (baixo) e Duduka da Fonseca(bateria), na Sala Cecília Meirelles. Programaço.

Abraços.

05 junho 2007

RETRATOS
03. BILL EVANS (C)
Término da Discografia Resumida


Complementando as indicações discográficas de Bill Evans, vamos de 1967 até o final (1980).

Durante 1967 e 1968 as gravações de Bill Evans estão centradas em sucessivas temporadas no “Village Vanguard” e sempre em trio. As únicas exceções são as gravações de New York, piano.solo em 09/08/1967 (álbum da Verve “Bill Evans - Further Conversations With Myself “, com jóias do quilate de “Emily”, “Yesterdays”, “Funny Man” e “The Shadow Of Your Smile”, entre outras) e em 10/09/1968 (álbuns da Verve “Bill Evans – Alone” e “Bill Evans - Return Engagement”, também contendo preciosidades como “Never Let Me Go”, “Here’s That Tainy Day”, “On A Clear Day”, “All The Things You Are” e outras). Em 1968 em trio Bill Evans marcou presença no Festival de Montreux (15/06/1968).
Essas temporadas de 1967 no “Village” geraram 02 albuns preciosos, como a seguir.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano) Eddie Gomez (baixo) e Philly Joe Jones (bateria).
17 e 18/08/1967, Village Vanguard, New York. Albuns da Verve: “The Complete Bill Evans On Verve” e “Bill Evans - California Here I Come”, que contêm uma ou mais versões dos 20 temas seguintes:
01. Happiness Is A Thing Called Joe
02. In A Sentimental Mood
03. Person I Knew
04. Alfie
05. In Your Own Sweet Way
06. You're Gonna Hear From Me
07. Emily
08. I'm Getting Sentimental Over You
09. G Waltz
10. California Here I Come
11. Spartacus Love Theme
12. Wrap Your Troubles In Dreams
13. Polka Dots And Moonbeams
14. Turn Out The Stars
15. Stella By Starlight
16. On Green Dolphin Street
17. Gone With The Wind
18. If You Could See Me Now
19. Very Early
20. 'Round About Midnight

1969 para Bill Evans é ano de gravações iniciadas no “Village Vanguard” (seqüência da série da Milestones “The Secret Sessions”) e de apresentar-se na Itália (Festival de Jazz de Pescara em 18/07), na Dinamarca (24/11) e na Holanda (28/11), sempre em trio e com a mesma formação (Eddie Gomez no baixo e Marty Morell à bateria). No final do ano ainda se apresenta na TV executando em piano.solo “I Love You Porgy”, registro da Pioneer.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
02/02/1969, Village Vanguard, New York. Album da Milestone: “Bill Evans - The Secret Sessions”.
In A Sentimental Mood
How My Heart Sings
On Green Dolphin Street

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
18/07/1969, Festival Di Pescara, Pescara, Italia. Álbum da Philology: “Various Artists - It Happened In Pescara”. Albuns da Joker: “Bill Evans - Autumn Leaves” e “Bill Evans - Piano Perspective”. Album da Unique Jazz: “Two Super Bill Evans Trio In Europe”. Album da Century: “Bill Evans Live In Europe”. Album da Venus: “Nardis”.
01. Waltz For Debby
02. Emily
03. A Sleepin' Bee
04. Alfie
05. Who Can I Turn To?
06. Very Early
07. Come Rain Or Come Shine
08. Nardis
09. Quiet Now
10. 'Round About Midnight
11. Autumn Leaves
12. Le Najadi (So What)

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
24/11/1969, Cafe Mountmartre, Copenhaguem, Dinamarca. Álbuns da Milestone: “Bill Evans – Jazzhouse” e “Bill Evans - You're Gonna Hear From Me “.
01. How Deep Is The Ocean?
02. How My Heart Sings
03. Good Bye
04. Autumn Leaves
05. California, Here I Come
06. Sleepin' Bee
07. Polka Dots And Moonbeams
08. Stella By Starlight
09. Five
10. You're Gonna Hear From Me
11. 'Round About Midnight
12. Waltz For Debby
13. Nardis
14. Time Remembered
15. Who Can I Turn To?
16. Emily
17. Our Love Is Here To Stay
18. Someday My Prince Will Come

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
28/11/1969, Amsterdam, Holanda. Album da Seven Seas: “Bill Evans - Trio 65”. Album da Affinity: “Bill Evans - Quiet Now”. Album da Jimco: “Bill Evans - Quiet Now”.
01. Very Early
02. A Sleepin' Bee
03. Quiet Now
04. Turn Out The Stars
05. Autumn Leaves
06. Nardis

O ano de 1970 é farto das atuações e gravações em trio de Bill Evans (nas gravações de 25 e 26/03 e com a orquestra de Michel Legrand adicionando Sam Brown à guitarra), com giros pela Suissa (19 e 20/06), Alemanha e Dionamarca, sempre com os mesmos acompanhantes (Eddie Gómez ao baixo e Marty Morell à bateria).

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
15/02/1970, Village Vanguard, New York. Série da Milestone: “Bill Evans - The Secret Sessions”.
01. My Foolish Heart
02. Stella By Starlight

Bill Evans Quartet
Mesma formação anterior mais Sam Brown na guitarra.
25 e 26/03/1970, New York. Album da Verve: “The Complete Bill Evans On Verve”.
(a) Why Did I Choose You? (takes 6, 9, 10, 11, 13 e 14
(b) The Dolphin Dance-Before (takes 1, 3, 6, 7, 8, 14 e 15)

Bill Evans Quartet With Michel Legrand Orchestra (arranjos de Michel Legrand)
Bill Evans (piano e piano elétrico), Sam Brown (guitarra), Eddie Gomez (baixo), Marty Morell (bateria) e sessões de cordas e de sopros.
Primavera/1970, New York. Album da Verve: “Bill Evans - Return Engagement”. Album da MGM: “Bill Evans - From Left To Right”.
01. The Dolphin (take 1)
02. What Are You Doing The Rest Of Your Life?
03. I'm All Smiles
04. Why Did I Choose You?
05. Soiree
06. Lullaby For Helen
07. Like Someone In Love
08. Children's Play Song
09. The Dolphin (take 2)

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
18/04/1970, Village Vanguard, New York. Série da Milestone: “Bill Evans - The Secret Sessions”.
01. Midnight Mood
02. What Are You Doing The Rest Of Your Life ?
03. I Should Care
04. Autumn Leaves

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
19 e 20/06/1970, Montreux Jazz Festival, Suiça. Álbum da CTI: “Bill Evans - Montreux, II”.
01. Introduction - Very Early
02. Alfie
03. 34 Skidoo
04. How My Heart Sings
05. Israel
06. I Hear A Rhapsody
07. Peri's Scope
08. My Funny Valentine

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
06/1970, MPS Studios, Alemanha. Album da MPS: “Bill Evans - MPS Variation '73”.
01. Turn Out The Stars

Em 1971 Bill Evans grava em Hamburgo / Alemanha em Fevereiro (mesmo trio anterior mais Herb Geller na flauta), depois em New York e em apresentação no “Village”.

Bill Evans Quartet
Herb Geller (flauta), Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
02/1971, Hamburgo, Alemanha. Album da Moon: “Bill Evans – Emily”.
01. Quarter Tone Experiments

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano e piano elétrico), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
11, 12, 17, 19 e 20/05 e 09/06/1971, New York. Álbum da Columbia: “The Bill Evans Album”.
01. Comrade Conrad
02. The Two Lonely People
03. Funkallero
04. Funkallero (alternate take)
05. Sugar Plum
06. Waltz For Debby
07. Waltz For Debby (alternate take)
08. Re: Person I Knew
09. Re: Person I Knew (alternate take)
10. T.T.T.
11. Fun Ride

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
12/1971, Village Vanguard, New York. Série da Milestone: “Bill Evans - The Secret Sessions”.
01. Person I Knew
02. Alfie
03. Very Early

1972: França, Itália, New York, Iugoslávia, New York, França, é o roteiro das gravações de Bill Evans.

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
06/02/1972, La Maison De La Radio, Paris, França. Albuns da Esoldun: “Bill Evans Live In Paris 1972”, na realidade em 02 volumes. Album da Europa Jazz: “Bill Evans - Keith Jarrett, Charles Loyd, Dollar Brand And Michael White”.
01. Person I Knew
02. Turn Out The Stars
03. The Two Lonely People
04. Gloria's Step
05. Waltz For Debby
06. What Are You Doing The Rest Of Your Life?
07. T.T.T.
08. Sugar Plum
09. Quiet Now
10. Very Early
11. Autumn Leaves
12. Time Remembered
13. My Romance
14. Someday My Prince Will Come

Bill Evans Trio
Mesma formação anterior.
17/12/1972, Radio Broadcast, ORTF, Paris, França. Album da Esoldun: “Bill Evans Live In Paris 1972”, Volume 3.
01. Elsa
02. Detour Ahead
03. 34 Skidoo
04. Alfie
05. Peri's Scope
06. Blue In Green
07. Emily
08. Who Can I Turn To?
09. Some Other Time
10. Nardis
11. Waltz For Debby

1973 foi ano de poucas gravações para Bill Evans: Tóquio em Janeiro, Buenos Aires em Junho (antes de apresentar-se no Brasil), "Village Vanguard" em Agosto e no “Shelly’s Manne Hole”.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
19/11/1973, Shelly's Manne Hole, Hollywood, Califórnia. Albuns da Fantasy: “Bill Evans – Eloquence” e “Bill Evans - From The 70's”.
01. Medley: When In Rome / It Amazes Me
02. Up With The Lark
03. Quiet Now
04. Gloria's Step

Durante 1974 Bill Evans gravou praticamente o ano inteiro em trio: no “Village” (Janeiro), com o trio acompanhado pela orquestra de Claus Ogerman (Fevereiro), em apresentação na França durante o verão, no Canadá (Agosto), em duo com Eddie Gómez (na Califórnia em Novembro), mas as gravações mais importantes ocorreram na Europa com seu trio acompanhando Stan Getz.

Bill Evans Trio With Stan Getz
Stan Getz (sax.tenor), Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Marty Morell (bateria).
09/08/1974, Singer Concertzaal, Laren, Holanda. Album da Milestone: “The Bill Evans Trio Featuring Stan Getz - But Beautiful”.
01. Grandfather's Waltz
02. Stan's Blues
03. See-Saw
04. The Two Lonely People

Bill Evans Trio With Stan Getz
Mesma formação da Holanda.
16/08/1974, Middelheim Jazz Festival, Antuérpia, Bélgica. Álbuns da Milestone: “ Stan Getz With Bill Evans Trio Live In Belgium 1974” e “The Bill Evans Trio Featuring Stan Getz - But Beautiful”.
01. But Beautiful
02. Emily
03. Lover Man
04. Funkallero
05. The Peacocks
06. You And The Night And The Music

Em 1975 destaca-se a 1ª gravação de Bill Evans com Tony Bennett. Bill Evans excursionou em Fevereiro e gravou na Suiça, na Suécia e na França, retornando à Suiça em Julho para o Festival de Montreux. Também marcou presença no Festival de Monterey em Setembro.

Tony Bennett With Bill Evans
Bill Evans (piano) e Tony Bennett (vocal).
10 a 13/06/1975, Berkeley, Califórnia. Album da Fantasy: “The Tony Bennett-Bill Evans Album”.
01. Young And Foolish
02. The Touch Of Your Lips
03. Some Other Time
04. When In Rome
05. We'll Be Together Again
06. My Foolish Heart
07. Waltz For Debby
08. But Beautiful
09. Days Of Wine And Roses

Em 1976 Bill Evans realizou o 2º album com Tony Bennett e o clássico “Quintessence”. Viajou e gravou na Alemanha (Junho) e na França (Novembro).

Bill Evans Quintet
Harold Land (sax.tenor), Bill Evans (piano), Kenny Burrell (guitarra), Ray Brown (baixo) e Philly Joe Jones (bateria).
27 a 30/05/1976, Berkeley, Califórnia. Album da Fantasy: “Bill Evans – Quintessence”.
01. Sweet Dulcinea
02. Martina
03. Second Time Around
04. A Child Is Born
05. Bass Face
06. Nobody Else But Me

Tony Bennett With Bill Evans
Bill Evans (piano) e Tony Bennett (vocal).
27 a 30/Setembro/1976, São Francisco, Califórnia. Álbum da Improvisation: “Tony Bennett/Bill Evans - Together Again”.
01. Lucky To Be Me
02. Make Someone Happy
03. You Must Believe In Spring
04. Lonely Girl
05. The Two Lonely People
06. You're Nearer
07. A Child Is Born
08. You Don't Know What Love Is
09. Maybe September
10. The Bad And The Beautiful

Em 1977 um encontro de “gigantes” para o álbum “Crosscurrents” e um album marcante: “Bill Evans - You Must Believe In Spring

Bill Evans Trio With Lee Konitz And Warne Marsh
Lee Konitz (sax.alto), Warne Marsh (sax.tenor), Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Eliot Zigmund (bateria).
28/02 e 01 e 02/03/1977, Berkeley, Califórnia. Album da Fantasy: “Bill Evans/Lee Konitz/Warne Marsh – Crosscurrents”.
01. Eiderdown
02. Ev'ry Time We Say Goodbye
03. Pensativa
04. Speak Low
05. When I Fall In Love
06. Night And Day
07. Eiderdown (take)
08. Ev'ry Time We Say Goodbye (take)
09. Night And Day (take)

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Eliot Zigmund (bateria).
11 a 13/Maio/1977, Berkeley, Califórnia. Album da Fantasy: “Bill Evans - I Will Say Goodbye”.
01. I Will Say Goodbye
02. Dolphin Dance
03. Seascape
04. Peau Douce
05. I Will Say Goodbye (take 2)
06. The Opener
07. Quiet Light
08. A House Is Not A Home
09. Nobody Else But Me
10. Orson's Theme

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Eddie Gomez (baixo) e Eliot Zigmund (bateria).
23 a 25/Agosto/1977, Hollywood, Califórnia. Album da Warner Brothers: “Bill Evans - You Must Believe In Spring”. Segundo Bene-X, sua preferida. Como curiosidade foi a única vez em que Bill Evans gravou esse belíssimo tema.
01. B Minor Waltz (For Ellaine)
02. You Must Believe In Spring
03. Gary's Theme = Gary’s Waltz
04. We Will Meet Again
05. The Peacocks
06. Sometime Ago
07. Theme From M*A*S*H*

Em 1978 um encontro com Marian PcPartland resultou no album “Marian McPartland’s Piano Jazz Interview”. Já em 1979 e com apresentação na televisão é gravado o “Maintenance Shop” (também captado em vídeo), com viagens do trio de Bill Evans a Argentina em 27/Setembro, seguindo-se a terceira apresentação de Bill Evans no Rio de Janeiro em 29/Setembro e 01/Outubro, França (os clássicos álbuns “The Paris Concert” volumes I e II), Espanha e Itália.

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Marc Johnson (baixo) e Joe LaBarbera (bateria).
30/Janeiro/1979, Maintenance Shop, transmitido pela televisão, Iowa. Álbum da VAP: “Bill Evans Trio Live At The Maintenance Shop '79”. Album da Victor Entertainment: “Bill Evans - Last Performance”.
01. Mornin' Glory
02. 34 Skidoo
03. But Beautiful
04. Who Can I Turn To?
05. Gary's Theme = Gary's Waltz
06. Turn Out The Stars
07. Someday My Prince Will Come
08. Minha (All Mine)
09. Nardis
10. Person I Knew
11. Midnight Mood
12. The Peacocks
13. Theme From M*A*S*H
14. Quiet Now
15. Up With The Lark
16. In Your Own Sweet Way
17. I Do It For Your Love
18. My Romance

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Marc Johnson (baixo), Joe LaBarbera (bateria).
26/Novembro/1979, Paris, França. Albuns da Elektra/Musician: “Bill Evans - The Paris Concert, Volume 1” e “Bill Evans - The Paris Concert, Volume 2”.
01. I Do It For Your Love
02. Quiet Now
03. Noelle's Theme
04. My Romance
05. Up With The Lark
06. All Mine (aka Minha)
07. Beautiful Love
08. I Loves You, Porgy
09. Person I Knew
10. Gary's Theme
11. Letter To Evan
12. 34 Skidoo
13. Laurie
14. Nardis

Em 1980, último ano de vida Bill Evans, ele apresentou-se e gravou sómente com seu trio, realizando temporadas no “Village Vanguard” (Junho), no “Ronnie Scott’s Club” (Julho e Agosto em Londres), apresentações na Alemanha e na Noruega em Agosto e no “Keystone Korner” (31/Agosto a 08/Setembro).

Bill Evans Trio
Bill Evans (piano), Marc Johnson (baixo) e Joe LaBarbera (bateria).
02, 03 e 08/Setembro/1980, Keystone Korner, San Francisco, Califórnia. Albuns da Milestone: “Bill Evans - The Last Waltz” e “Bill Evans – Consecration”.
01. Peau Douce
02. Yet Ne'er Broken
03. My Foolish Heart
04. Up With The Lark
05. Turn Out The Stars
06. I Do It For Your Love
07. Nardis
08. Noelle's Theme / I Loves You, Porgy
09. Yet Ne'er Broken
10. Spring Is Here
11. Who Can I Turn To?
12. Letter To Evan
13. If You Could See Me Now
14. The Two Lonely People
15. A Sleepin' Bee
16. Haunted Heart
17. Five
18. Person I Knew
19. Tiffany
20. Polka Dots And Moonbeams
21. Theme From M*A*S*H
22. Your Story
23. Like Someone In Love
24. Knit For Mary F.
26. My Romance
27. My Man's Gone Now
28. 34 Skidoo
29. Autumn Leaves

A seguir: RETRATOS
04. BUD POWELL, a partir de 13/06/2007

Histórias do Jazz n° 39

Os deuses do Jazz ou felizes coincidências.
Essa história é um relato de coisas que aconteceram comigo, diria que inspiradas no “Sobrenatural de Almeida” do grande Nelson Rodrigues. Coincidências ? Ou por ventura serei eu um dos protegidos dos “Deuses do Jazz” ? Vamos aos fatos .
Meados da década de cinqüenta. Nosso grupo, os futuros “saúvas” , discutia sobre Jazz em plena lancha rumo ao trabalho de cada um.”Mister Jones”,(apelido de Raymundo Flores da Cunha) dissertava sobre Bix Beiderbecke , músico que apesar de autodidata resplandeceu em sua época como trumpetista, pianista e compositor. Falava da paixão que tinha pela gravação de “I’m coming Virginia”, uma obra prima em seu entendimento e ainda mais, gostaria de ser enterrado ao som da referida gravação o que infelizmente acabou acontecendo.
Nesse tempo os Lp’s ainda eram escassos e o forte em matéria de discos ainda eram os velhos 78 rotações. Os sebos, sempre abarrotados desse material , tinham de tudo mas Jazz era uma raridade . Quando apareciam eram sempre as edições nacionais que todos já possuíam. Nesse mesmo dia, ao sair do trabalho entrei no primeiro sebo da rua São José. Perguntei ao Ximango,um empregado da loja, se chegara alguma novidade . Respondeu desanimado : “Chegou pouca coisa mas acho que não tem nada para você.” Indicou-me os escaninhos onde colocara os discos e lá fui eu manusear as peças. Realmente, nada de interessante nos primeiros escaninhos que examinei. Mas, no quarto ou quinto encontrei um disco com um selo diferente, Um vermelho escuro com letras douradas. A marca era Odeon,com o indicativo “Swing Music Series” matriz americana mas, os nomes quase apagados dificultavam a visão . Fui para perto da luz e pude ler embevecido “I’m coming Virginia” interpretada por Bix Beiderbecke, o outro lado “The way down yonder in New Orleans com o mesmo artista. Separei a peça e após concluir mais uma busca comprei-a e a mesma passou a ser um pequeno tesouro da minha discoteca de bolachas.
Outro fato inacreditável ocorreu quando ainda existam os “jornais falados”
que sempre iniciavam uma sessão de cinema. Eram muitos, entre eles o “Pathé Noticias,” o da “Fox”,o da “ B.B.C.” que tinha como bordão uma voz anasalada que anunciava: “Comentários por Iberê da B.B.C”. Tínhamos também os nacionais como o “Jornal da Tela”, e se não me engano o da Atlântida. Justamente num desses dois
quando surgia a parte esportiva, geralmente o clássico de futebol da semana , era usado um fundo musical com uma banda de swing executando um tema sensacional que destacava um maravilhoso solo da sax. Quantas vezes eu aguardava o início da segunda sessão só para assistir outra vez aquele jornal falado e ouvir aquela música.
Perguntava aos amigos se algum deles conhecia aquele tema e qual era a orquestra que o executava. Ninguém sabia. E nós especulávamos : Ray Anthony?,
Lês Brown ?, Harry James ?, Les Elgart ? A ansiedade aumentava mas, a total e absoluta ausência de informações nos tiravam as esperanças de um dia conseguir
aquela música.

Certo dia, estava com Mr. Jones vasculhando os sebos na eterna busca por novidades. O último sebo do circuito ficava na rua do Carmo n° 3 e era de um português chamado Babo. Entramos na pequena loja e começamos a chamada “revista às tropas”. Encontrei um disco de Artie Shaw que não conhecia. Um 78 da MGM que tinha os temas “The Glider” e “What is this thing called love” esse último com a participação de Mel Tormé. Algo me disse que ali estava a música que eu procurava. Para tirar as dúvidas coloquei o disco na pequena vitrola da loja e ouvi encantado a música que procurava., “The Glider”. Como explicar ?

O mesmo aconteceu com o tema “Basin Street Blues” que ouvi no filme “The Strip” (Amei e errei) interpretado pelos “All-Stars” de Louis Armstrong com Jack Teagarden no vocal. Procurei por muito tempo aquela gravação mas, sem nenhum sucesso. Uma ocasião, estava com Danilo Lemos no 67 da rua São José , ambos cascavilhando as filas de discos quando comentei : “Danilo , eu só queria encontrar aqui o “Basin Street Blues” com Jack Teagarden”. Acabei de falar e como tocassem com uma varinha de condão nos discos, surgiu um com um selo diferente, todo prateado com bordados em vermelho e ao lado esquerdo a cara de Jack Teagarden.
O tema era “Road to Mandalay” e o outro lado “Basin Street Blues”. Cheguei a gritar com a surpresa, embora a gravação não fosse a mesma do filme.
Outra incrível aconteceu já no tempo dos CD’s. Estava na Arlequim procurando novidades quando me deparei com um CD de Lennie Tristano, um de meus músicos preferidos. O conteúdo do disco foi gravado em 1964-1965, no estúdio do próprio Tristano , ao lado do contrabaixista Sonny Dallas. E o acompanhamento de bateria foi colocado em 1993 por sua filha Carol Tristano . Apenas cinco faixas e um preço realmente proibitivo me desanimou no investimento.
Dia seguinte vou descendo a Rua São José, que nós chamávamos de via sacra, quando me deparei com algumas barraquinhas de camelôs vendendo bugigangas.
Fui andando devagar e numa delas, olhando para mim o CD do Tristano que eu vira na Arlequim. Não acreditei, peguei o disco ainda fechado e vi que era o mesmo, pois
tinha o selo da loja. Como explicar ? Alguém comprara e não gostando o revendeu ?
Mas,estava fechado . Por dez cruzeiros o adquiri sorrindo.
Essas são apenas algumas coincidências que aconteceram comigo durante essa longa peregrinação jazzística iniciada com as “pastilhas” e chegando aos CD’s.São mais de cinqüenta anos de praia. Proteção divina ?, Coincidências ? ou em última instância seria eu o que um amigo me chamou ? Largo !

ANIVERSÁRIO DO MESTRE GOLTINHO

Arlindo Carlos Coutinho é o nome oficial da criatura, sempre bem humorada e de bem com a vida. Mesmo as caras fechadas que de vez em quando ostenta só servem para criar o clima para o sorriso e a gargalhada que explodem em seguida. Um confrade sempre pra cima, capaz de melhorar o astral dos demais mesmo quando tem problemas pessoais - felizmente, raros em sua existência.

Pois bem, essa figuraça querida dos CJUBianos hoje está fazendo anos. E fui buscar lá no passado, numa das nossas reuniões, esta na casa do Bené-X, um recorte de uma foto que eu acho que traduz bem seu envolvimento com a boa música para que os mais novos a vejam e apreendam seu significado. Ali, Mestre Goltinho acompanhava empolgado, em seu Steinway imaginário, a uma execução divinal de momento, com a imersão que só anos e anos de amor ao jazz - e no seu caso, à musica clássica também -, podem dar.

Mando daqui o meu abraço a esse que foi um dos primeiros a juntar-se ao time dos CJUBs, nosso Tricolor fanático e galático. Saúde e muitos anos de vida, bom Couto!!!

DO OUTRO LADO DO JAZZ# 17

02 junho 2007

O JAZZ VAI À GUERRA (parte I)
V-DISC



LOCAL é a palavra que se refere a uma seção do sindicato dos músicos norte-americanos em uma cidade, por exemplo: LOCAL 802 é a dos músicos nova yorquinos. Os sindicatos possuíam (e ainda possuem) muita força e foram os responsáveis pelas grandes reivindicações sobre direitos autorais de reprodução de gravações, principalmente sobre as transmissões das estações de rádio exigindo a criação de um fundo pelas companhias fonográficas para compensar a perda de trabalho dos músicos em face das reproduções gravadas, acabando por gerar a grande greve dos anos 42/44, época em que nenhum músico entrou num estúdio para gravar. A 1° de agosto de 1942, a American Federation of Musicians, encabeçada por James C. Petrillo deu a ordem expressa a todos seus afiliados para que deixassem de gravar discos o que se manteve até novembro de 1944. Esta ausência de gravações deu lugar a que se desconheça uma parte importante da formação do gênero bebop como foi a presença de Charlie Parker e Dizzy Gillespie na banda de Earl Hines em um período vital na gênese deste movimento e que nada ficou registrado..
Então a grande greve de 1942 dos músicos em relação às companhias fonográficas cortou o suplemento de novas gravações para as tropas norte-americanas convocadas para a 2ª Guerra Mundial. George Robert Vincent, um engenheiro de som e oficial tenente da seção de rádio da Army Special Services Division, levou ao Departamento de Guerra (War Department) a idéia da produção de discos especiais para as tropas aquarteladas o que foi aprovado pelo governo de Washington em julho de 1943. A primeira tarefa de Vincent foi conseguir das empresas gravadoras e correspondentes Associações a total isenção de taxas e royalties, incluindo a grevista American Federation of Musicians e para tal, o Exército assegurou que o uso seria estritamente militar e não estariam disponíveis comercialmente. A seguir, o projeto deveria receber um nome atrativo e Vincent o denominou de "Special Services Recordings", mas sua secretária sugeriu V-Discs, significando o "V" de "victory" (vitória) tanto quanto o próprio de Vincent. Os discos foram gravados em 12 polegadas permitindo, então quase 6 minutos de música por lado. Os primeiros V-DISCS foram despachados a 1/out/1943 gravados e prensados pela RCA Victor em suas instalações em Camden, New Jersey, incluindo 1.780 caixas com 30 discos cada, sendo distribuídos aos serviços de rádio broadcast e alto-falantes das tropas norte-americanas sediadas no Pacífico e na Europa e África.
Outra pessoa chave no projeto foi o Sgt. Tony Janak, que se juntou ao projeto dos V-Disc, quando civil era também engenheiro de som da Columbia Records e participou com as gravações externas as "remotes" registrando mais de 400 sessões com seu gravador portátil indo a concert-halls, jazz clubs e até em apartamentos de músicos.
Muitos músicos de Jazz fizeram sua contribuição e gravaram obras fantásticas, sendo a maioria da Victor, Decca e Columbia. A produção continuou mesmo após o fim da guerra chegando até maio de 1949. Como, em princípio, não teriam valor comercial os músicos e as gravadoras nada ganharam o que ocasionou, após o fim da guerra, uma forte reação do sindicato dos músicos chegando ao cúmulo de conseguir uma ordem judicial em fins de 1949, obrigando à destruição dos acetatos originais evitando-se as reedições.
O governo norte-americano poderia ter pago os "royalties" reivindicados para a preservação daquelas obras, mas não houve acordo. No entanto, de várias formas, muitas matrizes V-DISC conseguiram sobreviver e hoje são peças valiosas de coleção e algumas reedições comerciais foram feitas também usando-se os próprios discos. No aniversário de 50 anos do fim da 2ª Guerra Mundial as Associações de músicos e de empresas fonográficas acordaram em dispensar a proibição formal sobre um lançamento comercial dos V-DISC e permitiram que E. P. "Digi" DiGiannantonio que serviu na Navy V-Disc transferisse sua coleção particular para CD com venda pública e em 1998 ocorreram os primeiros lançamentos.
Na foto ao lado soldados recebendo com a maior satisfação um punhado de V-Discs e vamos ouvir uma interessante gravação do V Disc- 781 A – com a música Jammin' on a V Disc com o grupo que se denominou de New York Stars composto por Count Basie piano, Roy Eldrige trompete, Illinois Jaquet ao tenor, Buddy Rich bateria e Roy Ross and his Ragamuffins grupo este liderado pelo acordeonista Roy Ross incluíndo o baterista Big Sid Catlett, trombonista Jack Teagarden, clarinetista Edmond Hall e o sax-tenor Flip Phillips. Talvez a gravação seja muito ruim tecnicamente porque não dá para escutar o acordeão.

MOMENTOS DE LIRISMO - ELLA FITZGERALD & JOE PASS

Passeando pelo YouTube, encontrei uma audicao de 1975 que traz uma formação interessante, que é o duo composto por uma das maiores cantoras de todos os tempos Ella Fitzgerald e por Joe Pass, este tambem um guitarrista que, com certeza, figura como um dos mais brilhantes guitarristas da história do jazz.

O tema é Cry Me a River, que a título de curiosidade foi no passado gravado por Julie London no album Julie is Her Name, no qual contou com a participacao do guitarrista Barney Kessel. Esta ultima gravacao é citada por inumeros cantores e compositores da Bossa Nova como o album que virou a cabeçaa dos jovens bossanovistas.

Segue então o Cry Me a River, com Ella & Joe Pass.

http://www.youtube.com/watch?v=NHVMxBkW0CQ

Espero que gostem,

Beto Kessel