
"Some people may not take me seriously because of my age, but I can't let that stop me. This is music that belongs to all of us." Esse desabafo da cantora
Rebecca Reneé Olstead (Houston, junho, 1989) tem evidente procedência, principalmente pelo incompreensível preconceito nesse sentido de muitos jazzófilos. Seria bom lembrar que
Tony Williams assombrou o mundo do jazz aos 16 anos tocando ao lado de
Miles Davis com outros dois jovens,
Herbie Hancock e
Ron Carter, hoje referências inquestionáveis em seus instrumentos. Descoberta pelo mega produtor
David Foster,
Reneé lançou o seu primeiro e até agora único CD em 2004, antes mesmo de completar 15 anos. A aposta foi grande. Participaram do álbum alguns nomes de respeito, tais como o pianista e arranjador
Alan Broadbent, o trompetista
Chris Botti, os baixistas
Brian Bromberg e
John Clayton,
Billy Childs Trio, os bateristas
Vinnie Colaiuta e
Jeff Hamilton, o também jovem pianista e cantor
Peter Cincotti, assim como
Carol Welsman e o ótimo arranjador inglês
Jeremy Lubbock – até o nosso versátil
Oscar Castro Neves.
O mais paradoxal foi o repertório escolhido pela menina – ou quem sabe pelo próprio
Foster: standards consagrados pelas grandes vocalistas da história do jazz. Entre outros, “Summertime” e Someone To Watch Over Me” (
Gershwin), “Taking A Chance On Love “ (
Duke,
Fetter,
Latouche), “On A Slow Boat To China” (
Loesser) e até “What A Difference A Day Makes (
Maria Gravel,
Adams). Há, claro, alguns flashbacks mais pops, como “Breaking Up Is Hard To Do” (
Sedaka). O disco foi um estrondoso e surpreendente sucesso. A ponto do novo CD, “Skylark”, ter sido adiado várias vezes em função de controvérsias sobre o repertório.
Foster e
Reneé ao que parece não chegaram a um acordo sobre a inclusão ou não de outros standards. A previsão agora é para julho.
Mas isso tudo é apenas para dar conhecimento aos nossos fogosos cejubianos que meu parceiro de programa (Londrina Jazz Club, Radio Universidade de Londrina FM) conseguiu transformar um registro em principio descartável num show dos mais interessantes. A partir de uma gravação digital via satélite do Festival de Montreux de 2004 (Auditorium Stravinsky), trazendo
Reneé e big band, nosso
Pedro em alguns dias me presenteou com um DVD perfeito, som (5.1) e imagem espetaculares. Em destaque no show, a presença em duas músicas da ótima vocalista
Barbara Morrison, segundo a própria
Reneé, sua maior influência. Se o DVD não é fantástico, talvez pela natural falta de maturidade da mocinha, serve pelo menos para uma conclusão. Se
Norah Jones e
Madeleine Peyroux são cantoras de jazz, ela pode se considerar uma nova
Sarah Vaughan, com sobras – é claro, ainda está a léguas disso.
PS. O “DVD” em questão será brevemente levado em mãos para o chefe
Mau Nah. Os interessados terão assim fácil acesso.
PSII. Fiz aqui uma resenha na época sobre o CD, com capa e foto da mocinha. E me lembro que nosso indócil
Benechis saboreava o visual quando foi flagrado pela mulher que, por um instante, pensou ter se unido pelo sagrado laço do matrimônio a um pedófilo em potencial.
Intervenção, atendendo a pedidos:
E aqui um
link - temporário - para sua interpretação de
Slow Boat To China:
Ao chegarem na página, cliquem em "Renée".
http://webjay.org/iteminfo/28279594/68c0de8b8c783a96f46694b113a440ee