Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

A RADIOLA CADUCOU ...

28 fevereiro 2007

Após o aparente retorno a normalidade de nosso hospedeiro musical, chegou a hora de botar som na caixa !

O homenageado é o contrabaixista Luiz Chaves, que faleceu na última semana conforme nota do nosso Mestre Lula. E o tema é O Samblues, aqui acompanhado por Rubens Barsotti bateria, Hamilton Godoy piano, Luiz de Andrade guitarra, Demetrio flauta, Hector Costita alto, Carlos Alberto D'Alcantara tenor e Magno D'Alcantara, trompete;

Michel Camilo Trio com Suite Sandrine, uma beleza de sambão jazz ao
lado de Dave Weckl e Marc Johnson;

uma pedrada de Charles Mingus, Tijuana Moods em destaque, e o tema Ysabel´s Table Dance ... uma verdadeira orgia esse tema e custei a achar esse CD que vem com alternate take de todos os temas exceto este. Neste set de 18 de julho de 57 tem Clarence Shaw trompete, Jimmy Knepper trombone, Curtis Porter alto, Bill Triglia piano, Danny Richmond bateria, Frankie Dunlop percussão, Ysabel Morel castanholas e Lonnie Elder vozes;

o garoto virtuso Francesco Cafiso interpreta Speak Low ... sem muitos comentários.
David Hazeltine piano, David Willians contrabaixo e Joe Farnsworth Bateria;

Miles Davis com contrabaixo e bateria, Pierre Michelot e Kenny Clarke, Dinner at Motel. Sessão de 57 para o filme Ascenseur Pour L'Echafaud;

em um dos seus melhores trabalhos, o vibrafonista Gary Burton chega com The Chief, ao lado de Pat Metheny guitarra, Mitch Forman piano, Will Lee contrabaixo e Peter Erskine bateria;

uma raridade, Joe Pass e a NDR Big Band em set não registrado oficialmente. Existe um CD lançado em 1991 pelo selo ACT Music com Joe Pass e NDR, mas agora já rola por aí o set dos concertos realizados em 90, 91 e 92. Aqui, 1992, 2 temas - All Girl's Chillun Got Rhythm e Sister Sadie. O velhinho tava danado;

a prata da casa é o Brazilian Jazz Trio. Helio Alves, Nilson Matta e Duduka da Fonseca em concerto produzido pelo CJUB em janeiro de 2004 O tema é Recorda Me.

Bom Som !

CJUB INSIDER



Clint Eastwood produz documentário sobre a vida de Tony Bennett

O ator/diretor, há longo tempo fã do crooner, será o executivo do documentário "The Music Never Ends", dirigido por Bruce Ricker, que contará a história da vida de Tony Bennett. O documentário irá conter arquivos e gravações atuais do legendário cantor.



Kenny Gorelick é melhor no golfe do que tocando

Demonstrando uma boa performance durante o torneio de golfe AT&T Pebble Beach National Pro Am, o sopranista foi merecidamente indicado pela Golf Digest para o ranking de "Top 100 in Music".

Outra ranqueada nos esportes é a cantora Stacey Kent, mas no Tenis.

Os amantes do jazz torcem para que Kenny seja um excelente golfista e que esqueça definitivamente a música.

Histórias do Jazz – N° 25

27 fevereiro 2007

Tommy Dorsey x Severino Araújo - O “Duelo” -

De vez em quando surge um personagem qualquer da mídia e emite sua opinião sobre o propalado “duelo”. Cerra os olhos, franze a testa e dispara : “Me lembro bem,
foi uma noite memorável ! “
Daí em diante ouvimos (ou lemos) uma sequência de mentiras que o entrevistado pensa que dará lastro ao seu conhecimento.
Acontece que o famoso “Duelo”, foi realizado num sábado pela manhã, no dia 2 de dezembro de 1951, dentro do programa “Rádio Sequência G-3” que a Tupi apresentava diariamente. Era um programa que reunia música, noticiário e humorismo, esse último item com os famosos comediantes da rádio como Abel Pera, Otávio França, Matinhos, Maria do Carmo, Luiza Nazaré e outros mais.
Nesse dia a turma de Niterói acordou cedo. Pegamos a barca de oito horas esperando chegar cedo para ocupar os melhores lugares. Comigo estavam minha noiva. o guitarrista Bernard, com a perna engessada , vitimada por um acidente de carro, o percussionista Ohana, Sérgio Morenão, Reinaldo e mais uns dois ou três que a memória não ajuda a lembrar.
Chegamos na Avenida Venezuela e verificamos que deveríamos ter saído mais cedo.
As filas se alongavam e andavam morosamente . Descobrimos então que as filas eram só para os elevadores, quem quisesse podia subir pelas escadas . Subimos rápido e só fomos encontrar lugar na “ prateleira”, como chamavam a parte superior do auditório. Guardamos lugar para Bernard que usou os elevadores e aguardamos o início do espetáculo.
E foi ai que o carro pegou. O tempo passando o programa se esticando e nenhuma informação. Até que, Carlos Frias ocupou o microfone e informou que aguardavam apenas a chegada do baterista Eddie Grady . (Anos mais tarde Edson Machado me contou que Grady , de quem comprara um enorme top cymbal ,pegara um taxi e pedira ao motorista- “ Rádio Tupi. “ O esperto e inescrupuloso profissional calmamente se dirigiu para a Avenida Brasil, então local das torres de transmissão da emissora.)
Plínio Araújo nos contou ,por ocasião de “Um seis e meia” no João Caetano que, quase que teve que tocar nas duas orquestras .
O espetáculo foi organizado da seguinte maneira : Um personagem fantasiado de Zé Carioca e outro de Tio Sam eram os chefes das torcidas . Por trás das orquestras eram agitadas uma bandeira brasileira e outra americana.
Não me lembro a ordem exata mas, a banda de Dorsey executou entre outros os temas “Well git it”, “On the sunny side of the street” , “Diane”, “, “Everything I have yours”, “You and the night qnd the music” e “Lullaby of Broadway” destacando a vocalista Frances Irwin. Coube a Tabajara, entremear os temas de Dorsey com : “Um chorinho na Aldeia”, “Guriatã de Coqueiro”, “Espinha de Bacalhau”, “Um Frevo (?)” e o número que surpreendeu a todos e que logo seria um dos maiores sucesso da banda. O “Rhapsody in blue” em rítmo de samba, entre outros.
A platéia exultava após cada número e os “chefes de torcida” dramatizavam o espetáculo, abraçando os maestros e solicitando mais aplausos. Eis que Carlos Frias ocupa o microfone e informa que “em nome da grande amizade que une os dois paises” as orquestras tocarão juntas “Deus salve a América”. O que foi feito, com Bob London cantando em inglês e Déo. “o ditador de sucessos” em português. Finalmente o resultado do “duelo”seria anunciado. Surge o ator teatral Armando Nascimento, fantasiado de Presidente da República e imitando a voz de Getúlio Vargas (que era o seu forte nas revistas do Teatro Recreio ) segura o braço de Severino e proclama : “Severino, para mim você é o maior” fazendo em seguida o mesmo com Tommy Dorsey. Voltou Carlos Frias dizendo que “todos eram os maiores” e que dalí por diante espetáculos daquela natureza se repetiriam com freqüência . (O que nunca mais aconteceu!). Com a atriz Heloisa Helena informa que o espetáculo teve o patrocínio exclusivo do “Leite de Rosas” e que Dorsey tocaria outra vez as 22 horas, deu boa tarde a todos.
Soube na hora que haveria uma “Jam Session” no dancing Avenida, reunindo músicos das duas bandas. Tinha compromissos a cumprir e não pude ir. Dias depois Jonas Silva, nas Lojas Murray me deu duas fotos do evento. E foi só.
Eis a formação das orquestras participantes do duelo :
ORQUESTRA TABAJARA
Severino Araújo (cl) –
Marques, Santos, Raimundo Napoleão e Geraldo Medeiros (tps)
Manoel Araújo, Astor e Zé Leocádio (tbs)
Jaime Araújo, Jofran, Zé Bodega, Lourival e Genaldo (sxs)
Cláudio Luna Freire (p)- “Cavalo Marinho” (b)- Del Loro (g)-
Plínio Araújo(dm) e Gilberto D’Ávila (pandeiro)

ORQUESTRA DE TOMMY DORSEY
Buddy Childers, Charlie Shavers, Bobby Nichols e George Cherb(tps)
Tommy Dorsey, Nick Di Maio, Ernie Hyster(tbs)
Sam Donahue, Paul Mason, Danny Trimboli, Ted Lee e Harvey Estrin (sxs)
Fred de Land (p)- Phil Leshin(b)- Eddie Grady(dm)
Vocais : Bob London – Francis Irwin, e as “ Brown Lee Sisters”

Jam Session no Avenida: Bob Nichols, Dick Farney, Buddy Childers, Sam Donahue e Santos



Llulla

Histórias do Jazz – nº 24


TOMMY DORSEY NO RIO .


Talvez uma das maiores emoções que o Jazz me proporcionou foi quando assisti a orquestra de Tommy Dorsey, na inauguração do super-auditório da Rádio Tupi em novembro de 1951.
Sempre gostei de orquestras e quando ia aos bailes de formatura, muito comuns naquela época, quase não dançava. Ficava absorto ,olhando o trabalho dos músicos e como qualquer mortal marcando o rítmo com os pés ou estalando os dedos. Tempo bom em que dezembro marcava a temporada de caçar convites para aqueles bailes. Formatura do colégio tal, orquestra de Chiquinho no Clube Central, de outro colégio, orquestra de Napoleão Tavares no Cassino Icaraí, mais outro, Tabajara de Severino Araújo no Clube de Regatas Icaraí e ainda outro a Marajoara de Raimundo Lourenço no Canto do Rio. Quando os bailes coincidiam em datas ,tínhamos que escolher em qual iríamos e ai o que decidia era a qualidade da orquestra e nisso a Tabajara levava grande vantagem. Severino Araújo tinha dois arranjos de samba simplesmente arrebatadores. O Guarany e o “Miserere” da opera “ Il Trovatore” . Neles havia um bom espaço para as intervenções da bateria. Lembro-me que em um dos bailes, tomei coragem e perguntei ao maestro se iriam tocá-los. Resposta afirmativa ! Nessa ocasião o apelo à dança era irresistível. Portanto, minha “experiência” com orquestras era digna de um diploma.
Mas, quando ví e ouví a banda de Tommy Dorsey, anunciada pela voz bonita de Carlos Frias , tocando o “I’m getting sentimental over you”, enquanto as cortinas se abriam, não pude conter as lágrimas . Isso porque meus primeiros discos,comprados de segunda mão de um colega do colégio São Bento, por minha sorte,eram em sua maioria da banda de Dorsey. Os velhos 78 rotações que continham os clássicos “Opus One”, “Marie”, “Lonesome road”, “Well, git it” e muitos outros que rodavam sempre nos bailes na casa de colegas. Dorsey tornou-se então o me primeiro “ídolo”.
OS VDISCS
Tive um tio ,oficial da Marinha que sempre convidava a família para uma refeição no navio em que servia, nos dias da viagem. O navio “Duque de Caxias”, que pertencera a marinha americana iria para a Itália. Nesse dia após o jantar fui para a sala dos oficiais onde fiquei deslumbrado com a “rádio-vitrola” e com uma espécie de disco que não conhecia. Eram 78 rotações de 12 polegadas, inquebráveis, contendo duas ou três faixas em cada lado. Vibrei com um “Brotherly Jump” executado pelas orquestras de Tommy e Jimmy Dorsey , com o “Boogie on St.Louis Blues “ com a banda de Earl Hines e com o “Jungle drums” com Artie Shaw.
Perguntei ao meu tio se podia levá-los mas, a negativa foi peremptória. Em seguida as despedidas e a partida do velho “Duque de Caxias” rumo à Itália.
De madrugada um telefonema informava à família que o navio pegara fogo nas costas de Cabo Frio e que voltaria rebocado para o Rio. Quando fomos esperar meu tio no Ministério da Marinha a grande surpresa. Veio ele com um pacote embrulhado em jornal e me entregou . Eram os VDiscs que eu ouvira e gostara.

AS SURPRESAS
A primeira surpresa que tive com Tommy Dorsey foi encontrá-lo dentro de um elevador do Ministério do Trabalho, . Fora com o empresário registrar o contrato na repartição competente no setor Indústria e Comércio. Fiquei estático, apenas olhando a figura elegante do maestro, envergando um elegante blazer azul marinho ,gravata da mesma cor e calça cinza e o tradicional óculos de aro fino. Segui- o de longe até a rua Debret, onde entrou em um carro e se foi.
De noite a segunda surpresa. Terminada a espetacular apresentação da banda que executou alguns clássicos do repertório e algumas novidades recém gravadas para a Decca fomos em busca do indispensável autógrafo. Ainda não saira a Enciclopédia do Feather e eu usava um papel ou meu próprio cartão de visitas para colher as assinaturas. Levei também os V Discs para serem autografados e aí, a grande surpresa. TOMMY DORSEY NUNCA VIRA UM V DISC . Pois é, gravara tantos e por incrível que pareça nunca tinha visto um. Examinou cuidadosamente os dois exemplares e perguntou se poderia ouví-los. Com a ajuda de Russo do Pandeiro ,que conhecí na ocasião, acedí prontamente ao pedido e fomos até o estúdio da velha PRG-3. Momento de glória ! No estúdio, Dorsey, Russo eu e minha noiva ouvindo a música e prestando atenção aos comentários do maestro. Identificava os solistas : Charlie Shavers, Boomie Richman, “Brother Jimmy” . E nós, pobres mortais ao lado do ídolo,vibrando com suas reações e agradecendo aos céus aquela oportunidade.
Terminada a audição, saímos devagar e fomos surpreendidos com a pergunta que Dorsey me fez : Quanto eu queria pelos V Discs ? Engasguei, emudeci, tartamudeei e ele gentilmente compreendeu que o material não estava à venda.
Russo do Pandeiro, que tinha um estúdio de gravação na Rua Santa Luzia,
comprometeu-se a copiar os discos e enviá-los a Dorsey. Eles eram amigos e se conheceram durante as filmagens do filme “A song is born” onde ambos trabalharam.
A promessa nunca foi cumprida e muitos anos depois, Russo do Pandeiro então meu funcionário no Ministério custou a se lembrar do fato. Mostrei-lhe então o cartão de visitas que me dera naquela época e aos poucos tudo veio à tona. Contou-me então uma série de histórias ocorridas nos estúdios, incluindo uma briga entre Tommy Dorsey e Benny Goodman por causa do atraso do segundo no set de filmagem. Mostrou-me também uma série de álbuns de fotos, não só do filme como também de outros eventos de Holywood que participara.
Quando foi anunciado o “duelo” entre as orquestras de Tommy Dorsey e a
Tabajara de Severino Araújo ninguém mais sossegou. Mas, isso é uma outra história que contarei em seguida.
Para os que se interessarem aí vai a formação da banda :
Buddy Childers, Charlie Shavers, Bob Nichols e George Cherb (tps)
TOMMY DORSEY, Nick Di Maio e Ern Hyster (tbs)
Sam Donahue, Paul Mason, Danny Trimboli, Harvey Estrin e Ted Lee (sxs)
Fred de Land(p)- Phil leshin(b) e Eddie Grady(dm)
vocais – Bob London, Frances Irwin e Phillis, Doris, Fran e Dolores, as
Brownlee Sisters .



llulla

KUHN, CARTER & FOSTER (LIVE)

25 fevereiro 2007

It is no secret that record companies—large record companies obligated to turning a profit for their stockholders—like to sign young, exciting, good-looking artists. Blue Note, America’s blue chip jazz label, is no stranger to this—Hello, Norah Jones. Too often, it seems, the only jazz musicians being supported by the major labels were legends with immortal names and “young lions” not yet ready for prime time. But in 2007, Blue Note is doing more than releasing the new Norah Jones album. It is also releasing substantial new music by distinctly mature jazz artists—musicians who have been neglected and whose art is at a high pitch. Pianist Steve Kuhn, at the age of 69, boasts an impressive career of adventurous improvisation. His Blue Note debut is a live date with a sterling rhythm team—Ron Carter on bass and Al Foster on drums—that has been playing together for decades. The result is a sparkling and inventive record of piano trio jazz for the ages. Much of the program here is a reprise of the trio’s work from the stage of the Village Vanguard in 1984, music that was released 20 years ago on smaller labels. The group reportedly did not rehearse, and the music sounds that fresh. As a pianist, Kuhn is nimble and fleet, while Carter plays the role of anchor. Foster’s ears are legendary, and he drives the music forward here with immediate responsiveness to every quaver of his band mates’ melodies. The communication—exciting, intuitive, and virtuosic—is the very thing that jazz is all about. (Will Layman)


1 - If I Were a Bell (Loesser) 9:31
2 - Jitterbug Waltz (Waller) 10:47
3 - Two by Two (Kuhn) 6:13
4 - La Plus Que Lent (Debussy) 7:03
5 - Little Waltz (Carter) 7:16
6 - Lotus Blossom (Dorham) 6:12
7 - Stella by Starlight (Young) 8:12
8 - Slow Hot Wind (Mancini) 7:16
9 - Clotilde (Kuhn) 6:16
10 - Confirmation (Parker) 6:54



Blue Note (released in february 20, 2007)
Steve Kuhn – piano
Ron Carter – bass
Al Foster - drums



PS. Esse post é pro Sazz. E o CD é bom mesmo.

JAZZ EM ITAIPAVA

Ótima noite de sábado nos proporcionou Carlos Montes e a banda 43 no shopping Estação o novo "point" de Itaipava. Desfilaram deliciosos standards, bossa nova e alguns clássicos do dixieland. A banda liderada pelo ótimo pianista Paulo Sá principalmente no idioma dixie, Aurino Ferreira ao sax-tenor e Alex Andrade com seu cornetim de 1890, ambos já passando dos 70 anos e ainda em forma, o bom trombone de Fritz Meier, guitarra baixo de Cesão Dias e bateria por Rubinho Moreira deram o recado e o nosso cjubiano Montes nos vocais muito à vontade no scat-singing. Um show gostoso e os "itaipavenses" aguardam mais.

FALECE LUIZ CHAVES

23 fevereiro 2007

Mestre Raffa me informou a triste notícia sobre o falecimento de Luiz Chaves, um dos nossos melhores contrabaixistas.

Despontou cedo, integrando os trios de Dick Farney e Moacyr Peixoto, para mais tarde fundar com Rubens Barsoti e Amilton Godoy, o famoso Zimbo Trio.

Luiz Chaves foi o primeiro contrabaixista brasileiro a gravar um disco como líder, enriquecendo a nossa discografia com o álbum "Projeção", lançado pela RGE em 1966.

RIP

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 9




A DEPRESSÃO E O SWING - Depois de ter conhecido um rápido e fantástico desenvolvimento o Jazz entrou em recessão nos anos da Depressão ocorrida em 1929 durando até 1933/34.
Os EUA a partir de 1918, finda a 1ª Guerra Mundial, entravam em uma nova e promissora era econômica com a crescente industrialização e mais uma série de fatores, principalmente as exportações fariam com que muito dinheiro fosse ganho por muitos.
O país passou a sonhar com os milionários em seus clubes campestres, lindas mansões e todo um sofisticado "way of life", e uma vez que algumas pessoas puderam enriquecer tão depressa não haveria razão para que outros também não tentassem.
O sistema de ações de capital negociado em bolsa passou a despertar a cobiça de muitos que passaram a empregar tudo que possuíam sem guardar uma suficiente margem de segurança. De início tudo bem, até que a bolsa passou a ser um avolumado sistema de papéis valendo muito dinheiro, produzindo mais dinheiro, porém através de valores improdutivos, ou seja de pura especulação, pois como as empresas estavam obtendo altos lucros, suas ações tenderam a crescer, originando inclusive sociedades anônimas e empresas com intuito apenas de gerir e investir dinheiro.
O que se chamava de "boom" do mercado de capitais ía de vento em popa, até que, na tarde de uma terça-feira a 29 de outubro de 1929 iniciou-se a tragédia com o fechamento da bolsa de New York com cerca de 50 papéis em violenta queda de até 40%. Os milhares de especuladores não dormiram aquela noite e quando da abertura do pregão no dia 30 viram-se na urgência de vender tudo muito rápido e a qualquer preço procurando minimizar o prejuízo já vislumbrado. Ora, não havia dinheiro circulante suficiente para pagar aquilo tudo e os preços íam despencando em um incontrolável frenesi de baixa. No dia 31 a - quinta-feira negra - o excesso de ações à venda e a falta de compradores fizeram com que os preços das ações caíssem em cerca de 80 a 90%, era o temido "crash". Assim os EUA entraram em um período de grande depressão econômica, com o comércio falindo, fábricas fechando, desemprego geral, milionários agora pobres e pobres agora miseráveis paupérrimos.
Claro que a indústria fonográfica entrava também em colapso atingindo os músicos.
Em 1933 um jovem e ousado produtor John Hammond mantendo contatos ao visitar a Inglaterra tornou-se o supervisor americano para as gravações da Columbia inglesa e da Parlophone. Apaixonado que era pela música de Jazz, elaborou uma lista ou melhor um catálogo de Jazz a ser gravado nos EUA e apresentou às citadas companhias fonográficas inglesas que colocaram seus avais.
Acontece que Hammond não havia feito nenhum contato nos EUA para tais gravações e retornou com o compromisso assumido com os ingleses. Correu, então a procurar Benny Goodman o 1º nome da tal lista. Mal conhecia Goodman e expôs-lhe o programa e este declinou pois não havia 10 dias Ben Selvin um executivo da Columbia americana o pôs porta a fora de seu escritório dizendo que só gravaria música muito comercial dada a péssima situação da gravadora e da submarca Okeh e o faturamento com o Jazz tinha acabado dizia. Como poderia assumir o compromisso de efetuar tais gravações? Como pagaria aos músicos?
Contudo o insistente Hammond acabou por convencer a Goodman e as gravações foram feitas apresentando um resultado financeiro bastante razoável.
O certo é que o Jazz retornou às atividades com força total e a Era Swing se iniciou logo após a Depressão e a gravação da banda de Duke Ellington intitulada It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing (Ellington e Irving Mills) de 1932 parece que foi o grande marco dos novos tempos. Ivie Anderson cantou esta música com todo o vigor dando o tom alegre, suingante, junto com a banda fazendo uma perfeita alusão ao título: "Nada significa se não conseguiu aquele balanço".
A origem do estilo veio de Kansas City configurado pela banda de Benny Moten que se tornou mais tarde de Count Basie, mas o swing já se encontrava presente em 1930 apesar de ainda um pouco rígido, mas nota-se a acentuação recaindo nos 4 tempos do compasso a grande propriedade do gênero que induz ao impulso da dança. Outro marco da Era Swing foi em meados de 1936 quando o Onyx Club de New York apresentou um espetáculo intitulado Swing Music Concert, contando com as bandas de Artie Shaw, Tommy Dorsey e Bob Crosby, portanto o swing já havia chegado e a Depressão terminado. A Era Swing veio expressar toda a euforia do fim da Depressão.

Podemos ouvir, então um trecho do swing de When I’m Alone com a banda de Moten em gravação de outubro de 1930 com vocal de Jimmy Rushing talvez a "pedra fundamental" e depois os "alicerces" do SWING com a gravação de It Don't Mean a Thing If It Ain't Got That Swing pela banda de Duke Ellington e vocal por Ivie Anderson de fevereiro de 1932.

"OS CARIOCAS" EM IPANEMA - 21.2.2007 - 20:00hrs - NA CALÇADA DA TOCA DO VINICIUS

20 fevereiro 2007

Seguindo as instruções de nosso Pres...(o nome lembra Lester Young), já efetuei minha migração no Blogger e aproveito para minha primeira postagem lembrando a todos que amanhã (quarta feira de cinzas), a calçada da Toca do Vinicius, em Ipanema (Rua Vinicius de Morais, quase esquina com Barão da Torre) será pequena para receber o público que lá estará para assistir ao conjunto vocal "OS CARIOCAS".

Como o CJUB é JAZZ & BOSSA, o fecho do carnaval será a cara de Ipanema, com Bossa Nova em grande estilo com o afinadíssimo quarteto vocal liderado pelo pianista e arranjador Severino Filho, e composto também por Eloi Vicente, Neil Carlos Teixeira e Quartera.

Se não me engano, o grupo vocal, considerando todas as formações deve estar próximo de completar 60 anos...

Vida longa à Bossa Nova e aos Cariocas !!!!

JJ JOHNSON SOBERBO - DICA DE MAESTRO



Mais uma vez nosso amigo e atento observador das boas lides trombonísticas, o grande Maestro Víttor Santos nos procura para passar um "bizu". Desta vez, nada menos do que um raro vídeo de JJ Johnson, postado no YouTube, em performance ao lado de Sonny Stitt (sax alto) e de Howard Mc Ghee (trompete), além de Tommy Potter(baixo), Walter Bishop (piano) e Kenny Clarke(bateria).

A se notar, a humildade de Stitt, que espera longos sete minutos e meio para fazer seu solo, depois do largo espaço tomado pelos outros dois solistas. Já sob um olhar maroto de Johnson, que sorri diante de seu embaraço de estar ainda de fora, ele inicia seu solo e logo surge uma "ameaça": é Mc Ghee fingindo que quer voltar ao microfone, rechaçada por Sonny com um quase-cotovelaço, o que faz o trompetista rir da situação em que ambos puseram Stitt. Antológico.

Uma peça deliciosa. Obrigado, de novo, Maestro.

HOMENAGEM A WHITNEY BALLIETT

18 fevereiro 2007

WHITNEY LYON BALLIETT - um dos mais notáveis críticos de Jazz, nasceu a 17/abril/1926 em Manhattan e criado em Glen Cove, Long Island, cursou a Phillips Exeter Academy, onde aprendeu bateria e participando de uma banda dixieland, fez várias gigs no Center Island Yacht Club.
Em 1946, foi convocado para o Exército interrompendo seus estudos na Cornell University, para onde voltou e concluiu seu curso em 1951. Começou produzindo pequenos textos anônimos para a seção Talk of the Town da revista The Saturday Review quando William Shawn, editor da New Yorker, um reconhecido magazine desde 1925, ofereceu-lhe uma coluna à frente da qual Balliett ficaria de 1957 a 2001, e a partir de então, dedicou-se à crítica especializada em Jazz, ocupando-se até o fim da vida em ouvir e escrever sobre a música de Jazz.
Chegou a produzir 15 livros. Seu último trabalho foi Collected Works: A Journal of Jazz, 1954-2000 (St. Martin's Press), no qual condensa uma série de seus artigos sobre músicos como Duke Ellington, Dizzy Gillespie, Django Reinhardt, Buddy Rich, Charles Mingus, Louis Armstrong, Billie Holiday, Art Tatum, Bessie Smith e Earl Hines.
Outros resumos importantes estão nos volumes American Musicians II (1996) e American Singers: 27 Portraits in Songs (Oxford University Press - 1990).

Seu conhecimento sobre Jazz era tido como uma enciclopédia viva, capturando a essência dos músicos e suas performances de todos os estilos e escolas do Jazz.

Veio a falecer a 1/fev/2007, vítima de câncer.

NA TORCIDA POR JOHNNY ALF

15 fevereiro 2007

Folheando os jornais on line nesta noite de quinta feira, soube da amarga notícia sobre o estado de saúde de Johnny Alf, importante compositor e pianista considerado por muita gente como um dos Precursores da Bossa Nova.

Transcrevo abaixo parte da notícia:

"da Folha Online

O cantor, compositor e pianista Johnny Alf, 77, considerado um dos precursores da bossa nova, está internado desde a última sexta-feira (9). Até terça-feira ele estava no Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, em São Paulo, onde deu entrada com hipertensão; à tarde, porém, ele foi transferido para o Hospital Mário Covas, em Santo André.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, o quadro de Alf é estável, ele está lúcido e consciente, mas não há previsão de alta. Segundo o último boletim médico, "foi detectado déficit motor e sensitivo nas pernas, em conseqüência de metástase que ocasionou uma compressão da região medular".

Fica a torcida deste Blog para que Johnny supere este susto e tenha um restabelecimento que permita que no futuro ele volte a encantar o público que aprecia sua música refinida.

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 8

14 fevereiro 2007

DA CERA AO RAIO LASER (final)

Finalmente, atingimos a gravação óptica digital a laser que são os fantásticos CD (compact disc). Processo criado pelo desenvolvimento da Philips e da Sony em 1980 e o primeiro CD de áudio comercial foi produzido em 1983.
A tecnologia é baseada em discos feitos de um plástico especial, o policarbonato, com 1,2mm de espessura revestido por uma camada de metal em alumínio e por cima uma de corante foto-sensível, geralmente contendo prata. Na conversão digital, cada microparte do som é transformada em uma palavra digital (byte) codificada em "uns" e "zeros". A gravação é processada por um feixe de raio laser que "acende" ou "apaga" correspondendo respectivamente aos "uns" ou "zeros" da palavra digital, quando acende queima a camada foto-sensível deixando um "buraco". No processo de leitura feita com outro feixe laser a camada de metal reflete o raio que passa através da camada foto-sensível atingindo uma lente e assim lê o "1" e na parte não queimada nada reflete sendo interpretado como o "0". Desta forma, em um CD os dados digitais são armazenados em uma longa espiral formada por depressões microscópicas correspondentes aos bits de "1" e "0" e lidas do centro para a periferia do disco, portanto de forma inversa dos discos analógicos (78 rpm e LP) e isto permite que tamanhos menores de discos possam ser lidos no mesmo aparelho.
Dentre as maiores vantagens para todo tipo de música, a excepcional qualidade sonora, com ausência total de ruídos de fundo normalmente existentes até nos melhores sistemas analógicos, devido à forma de leitura nos discos por processo mecânico através da fricção de uma agulha, além do tempo disponível ser maior que o LP, não necessitando da troca de lado, permitindo seleção de faixas, etc.
Mesmo os registros eletromagnéticos em fita possuem algum tipo de ruído e as populares cassetes nem se fala, precisou ser criado o processo de compressão / expansão, o Dolby® e as fitas de óxido de cromo para se obter uma qualidade razoável.
O Jazz se beneficiou da excepcional clareza das gravações digitais e também dos processos de remasterização digital dos registros das décadas de 1910 a 50 com a "limpeza" das gravações, contudo sempre se procurou preservar de forma categórica a originalidade da execução do Jazz.

O importante é frisar que por toda esta modernização da tecnologia de gravação os músicos de Jazz tiveram que adaptar seu processo criativo com respeito à duração dos solos, dos arranjos, sonoridades, técnicas, etc. A fidelidade da gravação e reprodução veio a exigir cada vez mais dos músicos e de seus instrumentos. Por exemplo: o barulho das chaves dos pistões de um cornetim da década de 20, hoje, se não bem cuidado, tornar-se-ia insurportável na audição. Por outro lado, no período swing, uma big band era captada por um único microfone; contudo, nas décadas de 60, 70 e 80 o processo foi evoluindo passando a empregar cada vez mais microfones e com melhor sensibilidade e não havia, portanto, como encobrir até pequenas falhas. Na gravacão digital, expressão máxima da fidelidade, há recursos incríveis permitindo inclusive a troca de uma nota emitida por um instrumento!
A regravação, uma nova técnica que permitiu adicionar um determinado som a uma parte anteriormente já gravada, aconteceu no início de 1941 no estúdio da RCA em Camden, cidade de New Jersey, quase por acaso, dada a dificuldade que surgiu após a gravação de um concerto com orquestra sinfônica, uma vez que, no dia seguinte, ao ouvir a prova os técnicos depararam-se com um solo do oboé com volume muito baixo. Além do custo para reunir toda a orquestra novamente, a maioria dos músicos já havia deixado a cidade. Contudo, o oboísta ainda por lá permanecia e foi chamado ao estúdio tendo então regravado sua parte ouvindo a orquestra com os fones e os engenheiros deram tratos à bola para trocar a parte defeituosa nascendo assim o processo da mixagem elétrica dos sons (overdubbing) que até hoje é parte fundamental no processo de gravação.

O Jazz, sempre presente aos grandes acontecimentos tecnológicos, foi chamado para levar a segunda experiência dos técnicos da RCA um pouco mais longe e então a 18 de abril de 1941 entrava no estúdio Sidney Bechet, que gravou primeiro uma parte ao piano e depois, ouvindo no fone, executou o acompanhamento à bateria e foi executando outros instrumentos como saxofone tenor, depois o soprano, o contrabaixo de cordas, e por fim o clarinete, surgindo uma versão inusitada de The Sheik of Araby (Harry Smith, Francis Wheeler & Ted Snider) com seis instrumentos e um só executante - “one man band”. Podemos ouvir o resultado como curiosidade apenas porque jazzisticamente é pobre, a própria gravação ainda incipiente torna praticamente inaudível o piano e a bateria, mas era apenas um teste!

SEPTETO DE PESO

Idriss Boudrioua - Base & Brass

Atenção jazzófilos, vai rolar uma incrível apresentação de jazz, com um septeto que reune alguns dos melhores músicos do Brasil.

Dos sete, seis já tocaram em concertos do CJUB, nossos velhos conhecidos e, por isso, podemos afirmar que a música vai ser da melhor qualidade.

Idriss Boudrioua comanda o lançamento do CD "Base & Brass".

Imperdível!!!

Músicos:
Idriss Boudrioua, sax alto
Jessé Sadoc, trompete e flugelhorn
Marcelo Martins, sax tenor
Aldivas Ayres, trombone
Dario Galante, piano
Sergio Barrozo, contrabaixo
Rafael Barata, bateria

Data:
Terça, dia 20 de março, às 19 horas

Local:
Modern Sound
Rua Barata Ribeiro 502-D Copacabana

Reservas: (21)2548-5005

QUEM FOI MESMO?

No Prelo: “Eu e a Bossa” de Carlos Lyra

Há pouco tempo atrás escrevi neste Blog que havia conhecido o inventor do termo "Bossa Nova". O próprio Moyses Fuks me disse que tinha sido ele quem bolara o nome para uma apresentação de um show em 1957 com Sylvia Telles, Nara, Menescal e o Carlos Lyra na Hebraica, em Laranjeiras.

Essa versão confirmei pessoalmente com o Ruy Castro, Miele e outros mais.

Na autobiografia de Carlos Lyra, ainda a ser lançada, com prefácio de Ruy Castro, que escreveu em seu livro que o Moyses Fuks foi quem inventou o termo Bossa Nova, Carlos Lyra, ao invés de perguntar ao Ruy, saiu escrevendo:

"Você sabia que o termo "bossa nova" foi criado por um judeu de um metro meio de altura nunca mais visto por ninguém? Você sabia que muito antes de gravar um disco com Elis Regina, Tom Jobim barrou a "Pimentinha" num musical por achá-Ia feia demais? Você sabia que a bossa nova do "amor, sorriso e flor", ao contrário do que se pensa, também foi um movimento social e político?"

"O diretor da casa, um judeuzinho baixinho, especializado em marketing, bolou o cartaz da apresentação: Os Bossa Nova". O nome pegou e passamos a usá-lo nos nossos shows. Nem Tom nem João sabiam o que era bossa nova. Nem tinham tempo para isso: estavam ganhando a vida cantando e tocando em casas noturnas de Copacabana e Ipanema. Já faziam bossa nova, mas não sabiam", afirma Lyra, que nunca mais encontrou o criativo diretor da Hebraica. "Até hoje eu procuro esse sujeito. Consegui uma pista outro dia, mas era falsa: o cara tinha quase 2 metros de altura."

Olha aí Carlos Lyra, pergunta para o autor do prefácio do seu livro “Eu e a Bossa” quem era o judeuzinho baixinho que inventou o termo "Bossa Nova". Ainda dá tempo de corrigir a falha.