Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 23

13 fevereiro 2007

“O Disco misterioso”

Essa história é longa e cheia de episódios interessantes. Ainda é do tempo em que os escritórios da então CBS funcionavam na rua Visconde do Rio Branco, pertinho da Praça da República.
Começou quando fui convidado por Zuza Homem de Mello para dar uma palestra sobre Charlie Parker no primeiro Festival São Paulo/Montreux realizado em 1978. Uma orientação básica é que as músicas que ilustrariam o evento deveriam ser gravadas em fita de rolo, coisa difícil para mim que não possuía gravador e nem conhecia quem tivesse um. Numa das visitas que fiz a Coutinho lá na CBS perguntei se havia condições de “quebrar o meu galho”. Couto me assegurou que não haveria problema e me apresentou a Eugênio Carvalho, nessa época encarregado de lançamentos dos discos conhecidos como “retorno ao catálogo”. E foi o bom Eugenio que realmente me “quebrou o galho”, gravando, com esmero, a trilha sonora da palestra.
Terminado o trabalho começamos a conversar sobre os futuros lançamentos de Jazz e Eugenio então fez rodar uma fita com o cantor Tonny Bennett, informando que gostaria de lançar o disco mas, não tinha os dados essenciais para a confecção das notas da contracapa. Na verdade só existia a fita matriz com o nome do cantor e de Ralph Sharon, lider do trio de acompanhamento . Perguntou se eu tinha condições de fazer a contracapa e eu disse que tentaria obter os dados essenciais para esse objetivo. De posse de um cassete que ele me deu, fui identificando as músicas, algumas das quais eu não sabia o título. Foi quando o saudoso Leonardo Lenine de Aquino me informou que eu poderia conseguir alguma coisa na Rádio Jornal do Brasil. Realmente, liguei para lá e Célio Alzer me forneceu os dados essenciais como os títulos corretos do disco e a formação do trio. Agora era só ouvir e comentar faixa por faixa e o trabalho estava pronto. Foi o que fiz e vibrei quando Coutinho me informou que o texto fora aprovado e o disco seria lançado.
Mas, o tempo foi passando e nada do disco sair. De São Paulo informavam que o lançamento havia sido feito mas, o disco não aparecia. Estava desanimando quando Coutinho me avisou que o guitarrista John McLaughlin tocaria em São Paulo e eu poderia ir aos shows como convidado da CBS. O saudoso Othon Russo, gente fina, um dos diretores da época ,liberou a passagem para que eu pudesse ir. Não que gostasse da música de McLaughlin mas, fizemos amizade durante o São Paulo/Montreux e seria interessante curtir o coquetel de recepção e depois o show no Ginásio da Portuguesa de Desportos.
Em São Paulo perguntei a Coutinho se não dava para ir a CBS saber o que aconteceu ao disco de Tonny Bennett. Partimos e fomos muito bem recebidos por todo o pessoal da casa. Quando Coutinho perguntou sobre o disco foi informado que realmente o disco saira. Então pedimos um exemplar para ver como ficara a contracapa. Viraram o escritório de cabeça para baixo e não encontraram nada. Foi quando um dos diretores berrando um sonoro palavrão descobriu que o disco realmente fora prensado desde dezembro, estocado no depósito mas sem distribuição até aquela data.
Dias depois foi feito o lançamento, em tiragem pequena e recebemos o nosso exemplar que tocamos com freqüência em nosso programa “O Assunto é Jazz”. Mas, a historia não acaba aí. Recebí um telefonema de Richard Templar, que ainda não conhecia, pedindo para ser entrevistado no programa, na qualidade de presidente do fã clube de Tonny Bennett no Brasil. Atendi ao pedido e ele levou algumas gravações de Bennett ainda inéditas por aqui , informando também que o cantor brevemente viria ao Rio .
Foi quando Bennett cantau no Rio Palace Hotel em 1980 que acabei me considerando um sortudo. Richard Templar volta a rádio, levando convite para o coquetel que o cantor oferecia aos amigos cariocas, que seria realizado no “Chico’s Bar”. Informou que Bennett vira o disco e queria conhecer o “linernotes”. Nem acreditei naquela hipótese ,afinal foi um trabalho comum e ele com certeza teria a versão americana. Depois vim saber que o disco não saira nos Estados Unidos com texto de contracapa . (???)
Em 31 de março de 1980 entrei pela primeira vez no “Chico’s Bar”. Muita gente, muita animação, ala da bateria de uma escola de samba, fogos de artifício na chegada do cantor e o famoso chá escocês rolando solto. Na minha mesa pousou simplesmente o futuro “Jazz educator” ,
que ,na época , ainda não havia mostrado a sordidez de seu baixíssimo caráter. Richard Templar veio me procurar informando que Tonny queria falar comigo. Fui até ele , Templar nos apresentou e para minha surpresa agradeceu pelo meu trabalho. Autografou o meu exemplar e me desejou o indefectivel “best wishes”.
A noite estava ganha. Só mesmo o Jazz poderia nos proporcionar momentos como aquele. Um simples texto de contracapa interessar um grande cantor a conhecer o autor.
Mas, nem tudo funciona como a gente quer. Ao chegar a mesa ví o “Jazz educator” com a cabeça repousada sobre os braços. Informei que já estava saindo e ele cambaleando veio atrás de mim. Vomitou no canteiro, e eu penalizado com o porre (deve ter sido o primeiro) alí exposto levei-o de taxi até sua casa. Quem diria....

MUSEU DE CERA # 15 – JACK TEAGARDEN

12 fevereiro 2007



Weldon Leo "Jack" Teagarden descende de uma família de músicos a mãe Helen e a irmã Norma pianistas, os irmãos Charlie trompetista, Clois baterista e o pai um trompetista amador. Sua cidade natal é Vernon no Texas, nascido a 29/ago/1905 e aos 10 anos já tocava o trombone figurando em várias bandas locais. Sua maior oportunidade surgiu com Wingy Manone em New York em 1927 e logo depois juntou-se ao grupo de Johnny Johnson quando ocorreram suas primeiras gravações. Em 1928 entra para a banda de Ben Pollack permanecendo até 1933 e ao mesmo tempo faz inúmeras gravações com grandes músicos como Benny Goodman, Red Nichols, Roger Wolfe Kahn Orchestra, Eddie Condon e Louis Armstrong até ingressar na grande orquestra de Paul Whiteman.
Big T, como ficou conhecido Teagarden, a partir de 1939 monta uma banda conseguindo mantê-la até 1946 com sucesso, mas mal administrada acabou se declarando completamente falido. Seu ídolo e amigo Louis Armstrong em 1947 resolve criar o All Stars um sexteto, convidando então, Teagarden. Atuações fantásticas foram feitas ao lado de Armstrong inclusive com excursões à Europa. Após deixar Armstrong, liderou um sexteto dixieland contando com talentos como o cornetista Jimmy McPartland e o pianista Earl Hines. Faleceu de pneumonia em New Orleans em 1964.
Teagarden foi criado ouvindo os spirituals e blues dos negros do sul, desenvolvendo um estilo ao trombone com técnica e sonoridade muito próprias sempre com solos bem feitos, descontraídos. Foi um dos primeiros músicos brancos a assimilar todo o sentimento negróide em suas execuções (o outro foi Bix Beiderbecke) empregando as blue notes. Seus vocais, com aquele acento texano, eram uma extensão de seu instrumento, um jeito preguiçoso que se casava muito bem com os blues. Enfim um tradicionalista clássico atravessando de forma gloriosa toda e qualquer mudança ocorrida nas formas do Jazz. Podemos ouví-lo com excelente grupo na canção Blue River.


Blue River (Alfred Bryan / Joseph E. Meyer) – Jack Teagarden (tb, vocal e líder), Charlie Teagarden, Sterling Bose (tp), Tommy Dorsey (tb), Pee Wee Russel (cl), Bud Freeman (st), Jimmy Dorsey (sa, cl), Max Farley (sax barítono), Fats Waller (pi e voz), Dick McDonough (gt), Artie Bernstein (bx) e Stan King (bat).
Gravação original: Brunswick 6741 de 11/nov/1931 – New York.
Fonte: CD – Jack Teagarden And His Orchestra 1930-1934 – Classics – 698 - 1993 – USA


BOSSA NOVA FACTS

10 fevereiro 2007

João Gilberto em Milão

Aconteceu no ano de 2000 em Milão, Itália, durante um show de João Gilberto. O historiador e pesquisador da bossa nova Achille Barbieri, um italiano que corre o mundo pela bossa nova e escreve para um noticiário do japão, fã incondicional de João Gilberto, conseguiu uma credencial para o back stage, através de um amigo, sua meta era conseguir apenas um autógrafo do João.

Assim que o show acabou, Achille o viu, era sua oportunidade, ao lado de um segurança que carregava seu violão e uma morena, bem alta, bonita, de uns 20 anos de idade, Achille munido de uma caneta e um papel aproximou-se dele e disse: "João Gilberto, eu queria um autógrafo seu!".

João olhou para Achille e chegou bem perto, quase encostando seus lábios na orelha do excitado Achille e disse com a molemolencia do baiano: "Rapaz, eu estou tão cansado!".

Ele virou-se e foi-se embora.

Achille ficou embasbacado com a atitude do seu mais venerado músico, mas logo viu que era um fenomeno típico do baiano João, ficou sem o autógrafo mas feliz por ter o João falado com ele.

Achille me contou esse fato num encontro recente na Modern Sound.

É duro saber que na cidade francesa de Dijon, durante a noite, existe mais gente tocando bossa nova do que no Brasil inteiro. Um país que devia comemorar anualmente o Tom Jobim, não só durante seu octagésimo aniversário.

Viva a Bossa Nova!

COLUNA DO LOC

09 fevereiro 2007

Coluna do Luiz Orlando Carneiro no Caderno B, Jornal do Brasil, em 09/02.
Em pauta, Michael Brecker.
[clique para ampliar]




STEFANO BOLLANI EM DESTAQUE

08 fevereiro 2007

O italiano anda com a bola toda na mídia !
Lançou recentemento seu cd em piano solo, muito bem visto pela crítica especializada, e vem conquistando bons ventos nos principais festivais pelo mundo.
Stefano Bolani esteve aqui ano passado no TIM Festival, apesar do bom show e toda a simpatia, foi literalmente "expulso" do palco antes do bis, que reservava surpresas.



HISTÓRIAS DO JAZZ N° 22

06 fevereiro 2007

1957 - Louis Armstrong no Rio

Os frequentadores das Lojas Murray quase soltaram foguetes quando Sylvio Tullio Cardoso trouxe a notícia que Louis Armstrong tocaria no Rio. Realmente, “Satchmo” e seus famosos “All-Stars” chegaram para cumprir rápida temporada que compreendia exibições no Teatro Municipal, no Country Club e no Maracanãzinho.
A estréia se deu em 25 de novembro numa récita de gala no Municipal, com a obrigatoriedade de traje a rigor. No mesmo dia, outro show no Country Club às 24 horas.
Dia seguinte, a estréia para o “povão”, no mesmo Municipal, com dois shows programados para as dezessete e vinte e uma horas. Foi quando descobri que a última fila de cadeiras da galeria do teatro deve ter sido reservadas para deficientes visuais, já que dali não se enxerga o palco. Por sorte, estava ao meu lado um niteroiense que óbviamente gostava de Jazz e que nas circunstancias muito me ajudou. Quando ouvimos o som do trumpete de Armstrong “esquentando”, fomos tomados por grande ansiedade. Mas, como assistir dali a exibição dos “All-Stars”? Foi quando ele me pegou pelo braço e falou: “Lula, vem comigo”. Sem entender o que faríamos, saí com ele descendo rápidamente as escadas, rumo as coxias do teatro. Frente ao porteiro, ele sacou uma carteira com as armas da República: Poder Judiciário! identificou-se e declarou que eu era o seu assistente.

Já estava rolando o “When It’s Sleepy Time Down South”, prefixo de Armstrong e a emoção era grande demais. Ver e ouvir Armstrong a curta distância, observar seus trejeitos, seus lábios castigados, que molhava de vez em quando bebendo em uma vistosa caneca, incentivando seus solistas e sempre sublinhando com um sorriso os seus improvisos, era realmente um presente dos deuses. Assistimos todo o show dalí e após seu término iniciamos a nossa caça aos autógrafos.

Armstrong, em seu camarim, não recebeu ninguém. Seu guarda-costas, um negão de uns dois metros de altura, recolhia o material a ser autografado, levava para o camarim e depois devolvia aos respectivos donos. Satchmo teve trabalho com meu material. Além da Jazz Encyclopedia de Leonard Feather, o programa oficial e o “pocket book” “My Life in New Orleans”, todos autografados com uma caneta de tinta verde.
Em seguida, fomos em busca dos outros músicos. Ao passar pelo palco, já protegido por uma grossa cortina, meu amigo conseguiu uma brecha e depois reapareceu desolado e me confessou: “Eu queria roubar a caneca de Armstrong mas só conseguí esse lenço amassado com um palito mastigado dentro”.

Edmond Hall, Barrett Deems e Squire Gersh ainda estavam por perto e logo autografaram a documentação. A gorducha Velma Midleton interessou-se pela Encyclopedia, folheou-a e concedeu o autógrafo. No caminho ainda encontramos Billy Kyle que, com um sorriso, também autografou o pacote. Só faltava Trummy Young e só depois de longa peregrinação fomos encontrá-lo em um camarim de difícil acesso pois tivemos que atravessar cenários, cordas, sacos de areia e outros acessórios da ribalta. Sorriso permanente, o trombonista conversava bastante com os presentes, mostrava orgulhoso o seu cartão de associado do Sindicato dos Compositores da França e comentava a feliz convivência com Satchmo. Nisso chegam ao local o trombonista Raul de Barros e o sambista Monsueto Menezes. Ao saber que Raul era colega de instrumento Trummy tirou o seu do estojo e pediu que Raul tocasse alguma coisa. Raul colocou sua boquilha e para gáudio dos presentes interpretou o seu famoso “Na Glória”, acompanhado pela batucada que as mãos de Monsueto produziam percutindo a porta. No trecho em que é tocada a frase da “Marcha Nupcial”, Trummy caiu na gargalhada e tudo terminou num longo abraço entre os dois.

De repente surge o aviso de que o segundo show iria começar dentro de meia hora. Será possivel? O tempo passou tão depressa, eram os comentários. O jeito era saber como e onde ficar, já que meu amigo “autoridade” informou que iria embora. Fui ficando, ficando, procurando um canto onde não fosse percebido e consegui assistir toda a primeira parte.

No intervalo, devido ao adiantado da hora, saí pela porta traseira do teatro
ouvindo os primeiros acordes de “Basin Street Blues”. Triste por ter que sair e alegre por ter visto e ouvido a maior figura da história do Jazz.

Para quem quiser anotar, aí vai a formação do grupo : Louis Armstrong,
Trummy Young(tb)- Edmond Hall(cl)- Billy Kyle(p)- Squire Gersh(b)- Barrett Deems(dm)-Velma Mindleton(vo).

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 7

DA CERA AO RAIO LASER (4)

Nos anos de 1940 surgiu o processo de gravação magnética e em 1948 foi produzido, comercialmente e pela Columbia Records o 1º disco de longa duração o famoso LP - long play - termo consagrado mundialmente referindo-se à tecnologia de gravações em microssulcos com a velocidade de 33 1/3 rpm. Tal processo foi alavancado no pós-guerra com o desenvolvimento dos poliésteres plásticos ou simplesmente vinil. Os discos com este material foram chamados de inquebráveis (unbreakable) em comparação aos anteriores de 78rpm feitos em goma-laca (shellac), estes altamente quebráveis.Aliado ao novo material um novo processo mecânico permitiu aumentar a quantidade de sulcos (grooves) de 40 para 100 por centímetro desenvolvido por Peter Goldmark em 1947 passando a ser conhecido por microssulco. Com o vinil foi possível também introduzir um novo padrão de registro de frequências permitindo a gravação e reprodução de ampla faixa com muito pouco ruído de fundo. Naturalmente que os estúdios de gravações também foram modernizados empregando o registro sonoro através de fitas magnéticas e circuitos eletrônicos mais elaborados.

O primeiro LP comercial não era de música de Jazz, introduzido em 21/junho/1948 pela Columbia um 10 polegadas (ML 2001) com a Beethoven's 8th Symphony regida por Bruno Walter e a New York Philharmonic e logo a seguir o primeiro de 12pol também da Columbia (Col. ML 4001) cabendo ao magnífico Mendelssohn's Violin Concerto, com Nathan Milstein solista e a New York Philharmonic Orchestra regida também por Bruno Walter. O LP permitia fantásticos 30 minutos de música em cada lado e pode-se imaginar o que isto passaria a significar para os músicos de Jazz, agora bem mais livres daqueles 3½ minutos de duração de cada lado do 78rpm.

Então o primeiro LP de um músico de Jazz coube ao grande Duke Ellington um 10pol - The Liberian Suite (CL-6073-1948) gravado pela Columbia no New York's Liedenkranz Hall em 24/dez/1947, também lançado pela Prestige (P-24075).
Seguiram-se os discos compactos de 45rpm e 17,5cm conhecidos como EP (extended play) com pouca acolhida, depois a gravação magnética em multipistas a partir das experiências da RCA Victor desde 1954.


Ocorreu mais adiante o processo estereofônico em 1956 dando uma nova dimensão ao som reproduzido e o primeiro LP de Jazz editado no processo estereofônico coube à banda The Dukes of Dixieland, no álbum - You Have to Hear It To Believe It... vol. 1 pelo selo Audio Fidelity (AFSD 5823 - 1957). Sidney Frey fundador da Audio Fidelity andava por Las Vegas, como sempre procurando novos valores para seu selo quando ao perguntar a um barman se sabia de algo diferente na cidade lhe falou se já havia visto os Dukes of Dixieland que por ali se apresentavam e Sidney acabou por contratar o grupo, coincidindo com a recente instalação dos novos equipamentos e, assim se tornou a primeira banda de Jazz a gravar em estereofonia. A qualidade era impressionante, além da parte técnica de gravação, pela finura na espessura e leveza dos discos.
Ouçamos então o primeiro Jazz estereofônico em Darktown Strutters Ball (Shelton Brooks) com Frank Assunto (tp), Fred Assunto (tb), Papa Jac Assunto (tb e banjo), Harold Cooper (cl), Stanley Mendelson (pi), Roger Johnson (bat) e Bill Porter (bx).


HISTÓRIAS DO JAZZ N° 21

A “ira” do jornalista.

Conheci Paulo Brandão na década de cinqüenta, ainda nos tempos das Lojas Murray. Jornalista e amante do Jazz, Brandão esbanjava conhecimento e foi sem dúvida um dos incentivadores da arte no Rio de Janeiro. No tempo da repressão, morou no exterior e em sua volta não conseguia conter a mágoa que tinha de uns e de outros. Exerceu por algum tempo o cargo de diretor da Odeon, quando essa representava a gravadora Capitol no Brasil.

Lembro-me que, ainda no cargo, Brandão foi um dos responsáveis por Nat King Cole em sua vinda ao Rio de Janeiro e que, no coquetel oferecido ao cantor, nos estúdios do Edifício São Borja, enquanto o apresentava aos jornalistas presentes, tinha que conter a invasão das "macacas de auditório" que, sabendo da presença do cantor, queriam agarra-lo de qualquer maneira.

Teve também um programa de Jazz na “Rádio Carioca”, onde apresentava ótimos lançamentos e algumas raridades de sua discoteca. Foi responsável pelo lançamento da primeira revista especializada no Rio de Janeiro, a “Jazz” que, embora tivesse ficado em um só número marcou o início da existência dessas publicações entre nós.

Corria o ano de 1979 quando Brandão resolveu lançar um boletim chamado “Jazz Etcetera”. Era vendido por mala direta e trazia como símbolo o Jabuti flautista, personagem criada por Anélio Latini em seu filme “Sinfonia Amazônica”. Embora só tivesse duas páginas, trazia um bom noticiário e informações históricas, que Brandão sempre colocava em termos didáticos. Distribuía o seu boletim aos colegas de imprensa em troca da competente divulgação. Nessa época eu tinha uma coluna na “Tribuna da Imprensa” e registrava com prazer o recebimento daquele boletim.

Foi então, que no número três do “Jazz Etcetera”, em sua primeira folha , falando sobre o primeiro disco de Jazz , o texto informava que a Original Dixieland Jazz Band era liderada por Dominick Nick James La Porta. Registrei o recebimento e no final de meu comentário indagava: “Não seria La Roca", meu caro Brandão? Ele não gostou do comentário e atribuiu o erro a secretária que datilografou o texto. Calmamente, sugeri que fosse feita sempre uma revisão, ainda mais em se tratando de um “órgão especializado”. Continuou reclamando mas dei o assunto por encerrado.
Mas em setembro de 1979 fomos assistir ao sensacional show do trio de Bill Evans na Sala Cecilia Meirelles. Na saída, encontro os saudosos Rocha Mello e Cláudio Cosme Pinto e comentávamos entusiasmados o show do pianista quando chega Brandão. Então Rocha Melo informa que estava de carro e poderia nos dar uma carona até Niterói. Eu e Brandão exultamos. Rocha Melo informou ,“primeiro vou deixar o Cláudio em Laranjeiras e depois atravessamos a ponte”.
E assim foi feito. Chegando na casa de Cláudio, na rua General Glicério, Rocha Melo exclamou : “Isso é que é carona, bem na porta !", ao que eu imediata e ironicamente indaguei : “Não seria na roca ? “
Sentado no banco de trás, Brandão quase teve um troço. Socava o banco do carro com raiva incontida e, com licença da má palavra, me esculhambava pra valer.

Só sossegou quando Rocha Melo ameaçou parar o carro e despejá-lo. E até hoje não fala comigo.

OS ANIVERSARIANTES DE FEVEREIRO

05 fevereiro 2007

Fevereiro conta com 5 mega-festejos de aniversário:

O primeiro, o do bom amigo Flavio Raffaelli, que virou o hodômetro no sábado e só fui perceber hoje. Mando um abração público pra ele. Felicidades, Flavim.

Amanhã, dia 6, é a vez do compenetrado arquivonacionalista Marcelink anotar mais uma primavera, com um alentado regabofe intramuros, em meio à habitual faina artística das terças-feiras, lá no seu terreiro profissional. Pelo que me disse, todos são bem chegados se quiserem ir até lá para cantarem-lhe os devidos "Parabéns".

No dia 8, com grande queima de fogos na praia em frente ao Copa, nossa sereníssima LaClaudia vai reunir hordas de amigos, que acumula com grande maestria, para uma cascata de Veuves-Clicots geladíssimas, comme-il-faut. Só pede a quem for que leve sua própria taça de cristal pois as da organização, já se sabe, não serão suficientes pra todo mundo. Daqui, nosso grande beijo e desejo de muita Saúde! Santé!

Em 23 e 27, fazem anos os colaboradores Rodrigo Mattoso e Beth Martinelli, respectivamente. A ambos, tão queridos quanto sumidos, nosso abraço.

COPACABANA/RIO/PIANO/BOSSA NOVA/JAZZ - MARCOS ARIEL & MARVIO CIRIBELI

04 fevereiro 2007

Antônio Carlos Jobim estaria completando 80 anos no último 25/1, e os eventos comemorativos continuam...

Em 7 de fevereiro, (quarta-feira) às 19:00 hrs na Sala Baden Powell (Av. N. Sra. de Copacabana, nº 360 – aqui no Rio - Telefones: 2548-0421 / 2548-0492)estará ocorrendo mais uma noite do Festival de Bossa Nova, com ingresso a R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Nessa noite tocarão os pianistas Marcos Ariel e Marvio Ciribelli, lembrando temas de Tom, além de clássicos do Jazz, na segunda noite do festival "Rio: Bossa Nova com Aditivo".

No repertório, composições como Sabiá (Tom Jobim e Chico Buarque), Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), Wave (Tom Jobim), Bebê (Hermeto Pascoal), Luiza (Tom Jobim), Turuna (Ernesto Nazareth), Samba do Avião (Tom Jobim), além dos clássicos do jazz, Stella By Starlight (Victor Young), Giant Steps (John Coltrane) e Blue Monk (Thelonious Monk).

Viva a Música e Vivam os Músicos.

SOM NA CAIXA

Radiola atualizada !

James Carter no North Sea Jazz Festival em 13 de julho de 1996. O tema é Blue Creek, acompanhado por Craig Taborn piano, Jaribu Shahid contrabaixo e Tani Tabbal bateria.

Monty Alexander em Montreux 1977, o tema Work Song. John Clayton e Jeff Hamilton fecham o Trio.

A cantora Tierney Sutton interpreta Devil May Care, em destaque o pianista Christian Jacob;

Scott Hamilton e uma super banda ao lado de Spike Robinson e Ken Peplowski,
Howard Alden guitarra, Gerry Wiggins piano, Dave Stone contrabaixo e Jake Hanna bateria;

O polaco Tomasz Stanko em uma das suas Variations, Aqui na Alemanha em 2001. Destaque a parte para o pianista Marcin Walisewski;

O gigante Duke Ellington e sua orquestra em Diminueno and Crescendo in Blue ... e viva Paul Gonsalves;

E a prata da casa fica pra Victor Biglione Organ Trio em concerto produzido pelo CJUB em 25 de novembro de 2004 no Mistura Fina. Aqui ao lado de Jose Lourenço no Hammond e
Andre Tandetta na bateria.

CJUB INSIDER

Tony Bennett Furioso

O legendario cantor Tony Bennett socou as paredes quando soube que sua gravadora, a Columbia Records, esqueceu de inscrever seu último disco, "Duets", para o Grammy.
O disco era para ser inscrito na categoria de Album Of The Year. Danny, filho de Tony, disse que foi uma falha colossal da Columbia, pois não haviam duvidas que "Duets" teria uma grande chance para ganhar o Grammy.

Sonny Rollins Ganha O Polar Music Prize

Rollins acaba de ganhar o Polar Music Prize de 2007, que é o maior prêmio de música da Suécia. Ele receberá US$143 mil do Rei Carl Gustaf XVI, numa cerimônia no dia 21 de maio de 2007. Outro musico que já recebeu o prêmio foi Quincy Jones.

SÓ HOJE E AMANHÃ - 4 FRIENDS NA BIS

02 fevereiro 2007

Marcos Ariel, Ricardo Silveira, Jurim Moreira e João Baptista, o quarteto que formava a base instrumental da famosa Banda Zil, se reencontra para lançar "4 Friends" pela Delira Música.

02 e 03 Fev - esta sexta e sábado às 21:00 horas
Espaço Musical BIS - Rua Frei Leandro, 20
Entrada pela Rua Jd Botânico logo após à Rua Maria Angélica
Ingressos: R$20,00 - Lotação 80 lugares (faça a sua reserva)
Tel: (21) 2226-1038

02 e 03/02 - Marcos Ariel - Um quarteto de feras participa deste primeiro CD do pianista Marcos Ariel para o selo Delira Música. "4friends" aponta na direção contemporânea do jazz. A química perfeita entre parceiros de tantos anos é evidente; uma reedição da seção instrumental da Banda Zil, que trazia entre 1986 e 1991, além destes 4 amigos, os músicos e cantores Zé Renato e Cláudio Nucci. "4friends" mostra um repertório de onze composições inéditas de Marcos Ariel.

Marcos Ariel (piano/teclados) - Ricardo Silveira (guitarra/violão) -
João Baptista (baixo) - Jurim Moreira (bateria)

MUSEU DE CERA # 14 – COUNT BASIE

01 fevereiro 2007


William "Count" Basie foi uma das figuras proeminentes e representativas das big bands. Nasceu em Red Banks em New Jersey a 21/ago/1904 e desde bem menino começou a aprender piano com sua mãe e ainda jovem foi para New York precisamente no Harlem onde conhece vários pianistas do estilo stride como James P. Johnson e Fats Waller com os quais estudou informalmente. Para ganhar a vida, aos 20 anos atuava nos circuitos TOBA que agenciava músicos para os espetáculos de vaudeville e outros shows acompanhando cantores, dançarinos, enfim topando qualquer serviço ao piano e também ao órgão que executava bem.
Em 1927 segue para Kansas City inicialmente trabalhando em cinemas ainda apresentando filmes mudos e em 1928 ingressa no grupo dirigido por Walter Page os Blue Devils. Em Kansas já havia um intenso movimento jazzístico com muitos night-clubs e salões de baile onde a maioria das bandas de Jazz atuavam. Assim conheceu Bennie Moten que em 1929 o convidou para seu grupo e em 1935 após o falecimento de Moten, Basie assume a orquestra contando com a contribuição de outros músicos como Buster Bailey ao clarinete, Jack Washington ao sax-barítono, os tenoristas Lester Young e Herchell Evans e o vocalista Jimmy Rushing.
A banda, podemos dizer, foi uma extensão ou continuação do sucesso que Moten já havia conseguido e fez excelente temporada no Reno Club e na rádio W9XBY quando o produtor John Hammond leva o grupo para Chicago colocando-o no Grand Terrace Theater e logo depois para New York atuando no Roseland Ballroom. Aliás foi um disk-jockey da emissora de Kansas que o apelidou de COUNT devido ao estilo "solene" de tocar o piano.
Iniciava-se a Era Swing e Basie um bandleader exigente e talentoso conseguiu impor um magnífico estilo baseado na essência rítmica da ALL AMERICAN RHYTHM SECTION nome dado à seção da banda, tida como sendo o padrão norte-americano do swing, do beat, integrada pelo próprio Basie, Walter Page ao contrabaixo, Freddie Green à guitarra e pelo baterista Jo Jones. O grupo esteve reunido de 1935 a 42 quando Page deixou a orquestra, época em que Jo Jones também se desliga do grupo, porém com o retorno de ambos a famosa seção rítmica volta a se reunir no período de 1946 a 49.
A Count Basie's Orchestra figurou lado a lado com as melhores bandas no período áureo das big bands e como sabemos estendeu seu domínio até épocas bem mais recentes inclusive sendo mantida além de sua morte em 1984. Na verdade, o reconhecimento de Basie como um grande músico foi baseado no refinamento dos fundamentos que tornaram o Jazz uma música swing e seu atestado de qualidade como pianista foi calcado na simplicidade produzindo uma música sutil, elegante mas ao mesmo tempo robusta.
Inegavelmente tudo se iniciou para Count Basie quando ainda na Bennie Moten's Kansas City Orchestra e é deste período uma das obras primas a famosa execução de Moten Swing a qual selecionamos para ilustrar o Museu. A introdução de Basie é primorosa antecedendo à ensemble da banda esbanjando suingue e há um solo do trompetista Hot Lips Page em que lembra demais Armstrong.
Moten Swing (Bennie Moten / Ira Moten) - Bennie Moten's Kansas City Orchestra - Bennie Moten (líder), Count Basie (piano), Joe Keyes, Dink Steward, Oran "Hot Lips" Page (tp), Dan Minor, Eddie Durham (tb), Eddie Barefield (cl), Ben Webster (st), Buster Smith (cl, sa), Harlan Leonard (sa), Jack Washington (sax-barítono), Leroy Berry (gt), Walter Page (baixo), Willie McWashington (bat) - Gravação original: Victor 23384-A de 13/dez/1932 - Camden, New Jersey.
Fonte: CD - Moten Swing - Bennie Moten – Living Era 5578 – 2005 – USA


NELSON FARIA ASSINA MODELO DE GUITARRA ACÚSTICA

Em pauta, as guitarras acústicas, as preferidas pelos guitarristas de jazz.
A curiosidade aqui é a industria brasileira de instrumentos musicais que, nunca muito "afinada" com os anseios e expectativas dos músicos, sejam profissionais ou amadores, surpreende com o lançamento de uma guitarra semi-acústica assinada para o guitarrista brasileiro Nelson Faria.

Vimos guitarristas de jazz consagrados tendo instrumentos de série assinados por eles como as Gibson em nome de Tal Farlow, Herb Ellis, Pat Martino; Ibanez para Joe Pass, George Benson e Pat Metheny; Cort com modelo Larry Coryell; entre outros grande fabricantes de peso como Benedetto e Heritage.
E mais, além do alto preço desses modelos top, a importação destes instrumentos envolve alta carga de impostos.

Agora a Condor lança o modelo JNF1 assinada por Nelson Faria. Na verdade, a Condor já tem músicos como Ricardo Silveira, Roberto Menescal, Heraldo do Monte e Felipe Poli como endorsee da marca e agora se consolida de vez com este instrumento.
Com um único captador e corpo largo, tal como a Gibson 175, historicamente a mais vista com os grandes guitarristas de jazz, foi unanimidade em todos os testes, no acabamento, pelo som "gordo" das ditas guitarras acústicas e excelente pegada.

E Nelson Faria merece, é um grande guitarrista. Hoje pode ser visto como sideman do João Bosco e tem no Nosso Trio, ao lado de Ney Conceição e Kiko Freitas, uma das mais expressivas bases da nossa música instrumental e sempre aparece nas boas jams de jazz por aí.

Enfim, não lembro de nenhum músico nacional que teve um instrumento assinado em linha de produção.