Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 6

30 janeiro 2007

DA CERA AO RAIO LASER (3)

Pode-se até imaginar que após o advento do microfone e dos amplificadores como parte do processo elétrico de gravação do som, tudo tenha se tornado muito simples do dia para a noite, mas ledo engano! Inicialmente havia só um microfone, um canal de gravação apenas e os problemas de captação mudaram um pouco mas se mantiveram de certa forma.
De início o microfone ficava em um pedestal e os músicos a sua volta no mesmo nível, depois criaram plataformas em níveis diferentes, mais tarde o microfone foi pendurado no teto, enfim várias foram as maquinações objetivando uma melhor distribuição do som a ser captado pelo solene microfone.
Uma dessas resultou em hilariante episódio, quando Bessie Smith foi fazer uma gravação com sete rapazes da banda de Fletcher Henderson e o engenheiro da Columbia inventou que o som seria melhor captado pelo microfone ainda a carvão se os espaços sonoros fossem os mais reduzidos possíveis. Naturalmente lidava com o problema da reverberação acústica do estúdio ainda não devidamente tratada. Foram então armadas uma série de tendas com cortinas de pano e cada músico embaixo de uma, mas eis que Bessie no meio de tudo teve um ataque de claustrofobia e ao procurar se livrar daqueles panos foi balançando a geringonça, caindo tudo por cima de todos parecendo um monte de fantasmas gesticulando, alguns ainda tocando! Deve ter sido cena digna de um filme dos irmãos Marx ou dos 3 Patetas (no caso 8).

Outro episódio curioso ocorreu dado que a bateria sempre terrivelmente discriminada nos estúdios, aliás a gente não faz a menor idéia porque fosse, mas foi Gene Krupa talvez o 1º a enfrentar tal implicância e a montar todo seu aparato dentro de um estúdio de gravação e o fato se deu exatamente a 8/dez/1927. O produtor Tommy Rockwell da Okeh Records convidara alguns jovens de Chicago reunidos em torno do banjoista Eddie Condon e lá estava Krupa com seus apenas 18 aninhos. Ao entrar no estúdio Rockwell assustou-se com a bateria toda montada e perguntou: -“O que é isto aqui? O que pretende com tudo isto?” e Krupa respondeu simplesmente... -“tocar”. Rockwell desesperou-se, porém Krupa talvez pela inocência de sua juventude ou atrevimento mesmo, fincou pé, forçou a barra até que depois de muitas idas e vindas em torno do engenheiro de gravação, Rockwell acabou permitindo que pelo menos aquilo fosse experimentado e assim pela primeria vez pode-se ouvir tarol, tantãs, pratos e bumbo juntos numa gravação, ou seja uma bateria completa. No entanto, Krupa foi bastante parcimonioso em sua execução para não por tudo a perder, é claro.
O disco (Okeh 41011) editado tinha a canção Sugar (Edna Alexander/Sidney D. Mitchell/Maceo Pinkard) de um lado e China Boy (Dick Winfree/Phil Boutelje) do outro com os McKenzie and Condon’s Chicagoans que formavam com: Eddie Condon banjo e líder, Bud Freeman (st), Jim Lannigan (bx), Jimmy McPartland (cornet), Frank Teschemacher (cl), Joe Sullivan (pi) e GENE KRUPA à bateria.
Como a gravação deu certo e até foi um sucesso, Krupa voltou entusiasmado ao estúdio com o Eddie Condon Quartet (mesmo grupo acima sem McPartland, Freeman e Lanning), em julho de 1928 e ai sim, Krupa "deita e rola" com seus pratos, bumbos e demais apetrechos em Indiana (James F. Hanley), o vocal é de Condon.
Como se trata de 2 clássicos do dixieland de Chicago selecionamos ambos - China Boy e Indiana para audição – é só clicar.

CÉSPEDES & RUBALCABA

Cantor e compositor, Francisco Céspedes sempre esteve envolvido com os projetos musicais mais representativos de Cuba, onde nasceu (Santa Clara). Fez parte do grupo de Pucho Lopez, com quem se apresentou na Espanha. Mais tarde integrou a Orquestra Cubana de Música Moderna - desenvolvia na época um gênero que mesclava o bolero ao jazz. Com ela, “Pancho” Céspedes fez temporada no México, onde, em 1992, ganhou a cidadania daquele país através do seu próprio presidente, Vicente Fox Quezada. Alguns CDs de sucesso foram lançados, um deles com participação de Milton Nascimento. Mas a afinidade com o jazz só agora é finalmente revelada, uma homenagem ao folclórico pianista e cantor Ignacio Villa, também cubano, apelidado de “Bola de Nieve” pela vocalista Rita Montaner. Villa igualmente se exilou no México, compondo temas que marcaram época. São com esses temas que Céspedes presta a "homage". Outro cubano, Gonzalo Rubalcaba, ficou encarregado de lembrar o lado do pianista, trazendo ao CD todo o sabor jazzístico, acompanhado pelo baterista Ignacio Berroa e pelo contrabaixista Carlos Del Puerto. Ou seja, uma formação clássica de trio. “Con El Permiso De Bola”, lançamento recente da Warner, é, em razão de tudo isso, um CD dos mais interessantes. Não fere os ouvidos dos jazzófilos e agrada aos eternos amantes de um bom bolero.


01 - Adios Felicidad
02 - Vete De Mi
03 - Ay Amor
04 - La Flor De La Canela
05 - No Dejes Que Te Olvide
06 - Alma Mia
07 - Drume Negrita
08 - Tu Me Has De Querer
09 - No Puedo Ser Feliz
10 - Ausencia
11 - Si Me Pudieras Querer
12 - Bola De Nieve
13 - Drume Negrita (con Bola De Nieve)

Warner (2007)
francisco céspedes – vocals
gonzalo rubalcaba – piano
ignacio berroa – drums
carlos del puerto - bass

ME ENGANA QUE EU GOSTO !!!

29 janeiro 2007

Coisa interessante. Basta remexer na pasta de recortes para sempre encontrar algo que mostre o comportamento de uns e outros, que com a mediocridade que sempre os caracteriza procuram iludir leitores, “plantando” notícias criadas no seu torpe imaginário.

Esse, por exemplo, do “Jornal do Brasil” de 7-1-1977, mostra a ingenuidade do escriba, que certamente foi emprenhado pelos ouvidos por artes e manhas do “Jazz Educator”.

Para ele, na época, o prato do dia era Flora Purim, a quem queria outorgar o título de melhor cantora de Jazz do mundo etc. etc. Então, ardilosamente “plantava” notícias, como se a legião de leitores não passasse de um bando de idiotas e acreditasse no besteirol ali escrito. Se um décimo desse noticiário fosse verdade, a Purim estaria consagrada mas, “o tempo é o senhor da verdade” e então...
llulla

HISTÓRIAS DO JAZZ N° 20

“O Acorde Mágico”

Corria o ano de 1974 que nos premiaria em agosto com o chamado “Jazz Piano Solo”. Apenas um concerto no Municipal no dia 10. No programa, Marian McPartland, Ellis Larkins, Teddy Wilson e Earl Hines.
Claro que naquela época ainda não havia os “festivais”. Então, o Jazz era apresentado em récita de gala, tendo como palco o Teatro Municipal. Foi lá que assistimos Sarah, Ella, Carmen, Errol Garner, Duke Ellington, M.J.Q., Bill Evans, Charles Tolliver, Horace Silver e muitos outros.

E foi realmente uma noite mágica. O espetáculo foi aberto por Marian McPartland interpretando um “Saint Louis Blues” em boogie-woogie (homenagem a Hines ?) surpreendente. Seguiu com “All the Things You Are” explorando todas as possibilidades harmônicas do clássico de Jerome Kern. Executou mais uns dois ou três “standards” e mergulhou num “Gershwin Medley” desenvolvido em vários andamentos (“A Foggy Day”, “I Loves You Porgy” e “Fascinatin’ Rhythm”). E fechou com um clássico do dixieland, o famoso “Royal Garden Blues” talvez relembrando o passado com o marido Jimmy McPartland.

Seguiu-se Ellis Larkins, um habilidoso pesquisador de harmonias mas, um amante dos andamentos bem lentos. Sua melhor performance foi em “What’s New ?”.

Teddy Wilson, para nós era a grande atração e realmente não decepcionou. Seu número de abertura foi “Sophisticated Lady” e prosseguiu na jornada ellingtoniana emendando "Satin Doll”, “Prelude to a Kiss” e “Take the “A” Train”. Gershwin também teve um medley executado com a finesse de Wilson : “It Ain’t Necessarily So”,”The Man I Love”, “Liza” e “Someone to Watch Over Me”. Clássicos como “Stompin at the Savoy”, “Flying Home” e “Body and Soul” deslumbraram a platéia. E o fecho em andamento ultra rápido foi “Love”.

Earl “Fatha” Hines daria a palavra final ao grande espetáculo. Começou com “Sweet Lorraine”, um dos clássicos de seu repertório e homenageou a platéia com um “Garota de Ipanema”. “Bluesette”, de Toots Thielemans veio em seguida, para arrematar com o seu cavalo de batalha “Tea for two”.

Todo o mundo feliz, sorrindo e comentando o que viram e ouviram. Nós ,com Nelson Reis, fomos para os camarins em busca dos autógrafos. Hines ocupou sózinho um camarim e já sem peruca mandou que entrassem todos. Distribuiu sua foto para os admiradores e, respondendo pergunta de um fã sobre se tocava música clássica respondeu “Nasci com o Jazz, cresci com o Jazz e vou morrer com o Jazz. Só toco Jazz!"

Fomos em seguida procurar os outros pianistas. Por sorte, estavam todos num mesmo camarim onde tinha um piano armário. Wilson e Marian sentados lado a lado, procuravam um acorde de passagem para o tema “By the Time I Get to Phoenix”. Várias tentativas foram feitas, sem resultado. De repente, a mão de Ellis Larkins desceu entre os dois e feriu o teclado com incrível precisão. O acorde se encaixou como uma luva, como diriam os antigos. Wilson levantou-se rápido e tirando uma nota de dez cruzeiros do bolso da calça estendeu-a para Larkins. Entre risadas dos presentes este recusou, dizendo: “Passa lá em casa que eu tenho mais para te ensinar.”

Que noite!

VICTOR ASSIS BRASIL NA TV

Para que passar por aqui em tempo, hoje, na madrugada desta segunda para terça-feira vai ao ar na TV Cultura - 1:15 - um show do Victor Assis Brasil gravado durante o Festival Internacional de Jazz de São Paulo em 1978.
Neste show ele tem ao lado Paulo Russo no contrabaixo, Fernando Martins no piano e Ted Moore na bateria.

Para quem quiser assistir a TV Cultura, em São Paulo na TV aberta, na Net TV a Cabo canal 17 e para quem não está em SP nem tem TV a cabo sintonize o canal 32 UHF.

Vale conferir !

MESTRE MAJOR NA JAZZ+

26 janeiro 2007

O número 14 da revista Jazz + comenta o livro de Mestre Major, o "Glossário do Jazz". Comentários bem feitos, como se espera de um bom crítico, que anexamos para a apreciação dos confrades.

COLUNA DO LOC


Coluna do Luiz Orlando Carneiro no Caderno B, JB, em 26/01.
Em pauta, John Patitucci.

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HOMENAGEM A TOM JOBIM

25 janeiro 2007

Pois é, hoje estaria comerando 80 anos ...
E para não deixar passar a data em branco, fica a homenagem com uma apresentação no Carnegie Hall no ano de sua morte, 1994.

Jobim começa em piano solo interpretando Garota de Ipanema, convida o guitarrista Pat Metheny para uma apresentação em duo para o tema Insensatez e encerra com Desafinado em quinteto com as presenças de Joe Henderson, Charlie Haden e Al Foster.






HISTÓRIAS DO JAZZ N° 19

23 janeiro 2007

Uma de mestre MaJor

Corria o ano de 1989 quando o Hotel Intercontinental e a Pan American Airways, por intermédio de Norma Ilner,enviaram convite para os eventos que integravam um festival de New Orleans que abrangia música e gastronomia. Esse era o terceiro que acontecia e claro, participamos de tudo.
Primeiro o almoço de apresentação à imprensa realizado no Restaurante Monseigneur do próprio Hotel. Assim que chegamos, uma das cantoras, Sadie Black, veio falar comigo para dizer que estava me reconhecendo, pois no festival anterior o jornal “Última Hora” ocupou meia pagina do segundo caderno com uma foto em que eu aparecia no palco ao lado da cantora Wanda Rouzan. Aliás, essa jam session, acontecida na beira da piscina, contou com a participação de músicos brasileiros como Alex Andrade e Juarez Araújo. Conversamos um pouco e ficamos de nos reencontrar dia seguinte, no show que aconteceria depois do jantar.
Ocupamos uma grande mesa redonda com quatro ou cinco casais amigos, entre os quais Arlindo Coutinho e o cidadão Mário Jorge Nascimento Jacques. Jantar de primeiríssima ordem, pontificando um lombinho de porco ao molho de ostras, regado naturalmente por alguns Jambalayas. Começa o show e a cantora Sadie vem à nossa mesa, me cumprimenta e logo depois vem me tirar para dançar “When the Saints Go Marchin'in”. Entrei no cordão, demos as mãos e acabei dando um ósculo na simpática cantora.
Veio o intervalo, voltei para a mesa e fui surpreendido com o “groom” do hotel, batendo um sininho e chamando por Luiz Carlos Antunes. Numa bandeja um cartão com os seguintes dizeres: “Lula, I wait for you in my apartment after the show. No more words by now. Sadie”
De saída pensei que fosse brincadeira mas, tendo em vista o carinho com que fui tratado por ela, fui mudando de opinião. Na mesa ninguém se pronunciava mas, surge Sadie para se despedir. Me cumprimenta e eu logo me prontifico a levá-la ao elevador. Aí foram os amigos que ficaram embaraçados pensando “Lula se deu bem”, a brincadeira não vingou. Na porta do elevador nos despedimos mais uma vez e voltei para o restaurante.
A mesa estava ansiosa querendo saber o desfecho do romance, até que Mário Jorge, autor do bilhete, informou que era uma brincadeira. Na verdade, não chegou a haver a gozação pois confirmaram que ficaram receosos que eu me desse bem no final das contas. E ficou nisso.

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 5

DA CERA AO RAIO LASER (2)

As gravações em disco foram editadas no que se apelidou de “bolachas pretas” inicialmente de 10 polegadas a 78 rotações por minuto e cuja característica intrínseca eram os fatídicos 3 minutos e meio de duração máxima de cada lado. Ora, dissemos fatídicos porque os músicos e arranjadores tinham que se virar para conseguirem se expressar naquele tempo exíguo e pior ainda para os de Jazz com inteira liberdade de criação, porém limitados, mesmo assim, maravilhas foram perpetuadas.
A companhia Blue Note Records usou por vezes os discos com 12pol ampliando o tempo para cerca de 6 minutos. Muitas gravações foram feitas usando os dois lados de um disco como Empty Bed Blues (1928) de Bessie Smith, Anvil Chorus I e II (1940) de Glenn Miller, Reminiscin’ In Tempo I, II, III e IV (1935) de Ellington em 4 faces! e muitas outras... Mas a quebra da emoção no processo de interrupção para a troca de lado por vezes era fatal.
Outro fato que toliu bastante o músico foi o processo de gravação que até 1925 era inteiramente acústico, não havia microfones nem amplificação elétrica e a captação do som se fazia através de uma enorme corneta cônica e o registro se dava por meio de uma agulha acoplada a um diafragma no final do funil da corneta. As ondas sonoras captadas pela tal corneta faziam vibrar o diafragma que por sua vez vibrava a agulha metálica que riscava um disco de cera girando na velocidade de 78 rpm. Após o que, era recoberto com laca para endurecer e depois fundida uma matriz de metal para posterior prensagem a quente das “bolachas” fabricadas com goma laca na cor preta.
Percebe-se logo que existiam enormes problemas de captação dos instrumentos, já que os sons emitidos além de possuírem uma vasta gama de frequências que o processo limitava a uma faixa de apenas 250 a 2.500Hz, (atualmente a faixa é de 20 a 20.000Hz). Lidava-se ainda com diferentes intensidades e, muito importante, com o volume sonoro relacionado à quantidade de massa de ar deslocada pelo instrumento, uma vez que o fluxo de ar é que iria mover a agulha. Assim, por exemplo: o contrabaixo de cordas tem alguma intensidade e volume de ar muito pequeno; a tuba possui intensidade pequena e grande volume; o clarinete de som agudo de grande intensidade mas pouca massa sonora e de características semelhantes também o cornetim, já o trombone talvez fosse o de melhor compromisso entre intensidade e massa de ar. O piano era de difícil captação pela forma como emite o som e se prestarmos atenção às gravações verificamos que se limitam a 2 oitavas apenas já que as frequências mais altas e mais baixas não eram captadas (só para lembrar o piano possui 7 oitavas). A bateria era grandemente sacrificada e usavam-se os pratos apesar do som ser reproduzido muito seco devido à limitação das frequências altas, empregava-se também o woodblock (bloco de madeira) de boa reprodução e o bumbo por vezes parecia um tiro de canhão.
Babby Dodds, um baterista dos pioneiros somente após a gravação elétrica teve reconhecido seu potencial com o instrumento.
Uma sessão de gravação era bastante complicada e geralmente eram feitos vários testes com a banda, marcando-se no chão a posição dos músicos de acordo com os instrumentos que participavam, com o arranjo e solos, e assim fazía-se a distribuição em relação à distância da corneta e se tal ordem não fosse estabelecida o som poderia embaralhar, algum instrumento sumir ou ainda, devido a um maior volume de som a agulha saltar na cera estragando tudo.
Finalmente a tecnologia deu um enorme salto com a gravação por processo elétrico criado pelos inventores Henry C. Harrison e Joseph P. Maxfield da Western Electric, ampliando-se a faixa de frequências para 50 a 6.000Hz. O primeiro disco gravado por este processo e editado comercialmente foi lançado em fevereiro de 1925 pela Columbia, com a canção You May Be Lonesome (Col-328-D) com o cantor e pianista Art Gillham (*1895 †1961) que atuava nos teatros de vaudeville sendo conhecido como The Whispering Pianist, antes de gravar para a Columbia possuía uma pequena banda de Jazz a Art Gillham's Southland Syncopators. Gillham convidado para testar o uso de microfone recebeu um "bonus" de US$1,000 da Columbia, também muito interessada nas transmissões de rádio. Não obstante, em janeiro do mesmo ano houve o lançamento pela Gennett (#5592) da cantora de blues Kitty Irvin em uma versão de Copenhagen que talvez tenha sido gravada também pelo novo processo. Dissemos talvez, porque várias companhias fonográficas pagaram a patente e iniciaram as gravações elétricas e os lançamentos comerciais ficaram meio confusos de se saber de quem ou quando era editado um novo produto, já que uns escreviam no selo outros não. Havia um certo receio quanto à
divulgação da nova tecnologia já que o fonógrafo elétrico, também uma novidade, só se popularizaria em 1926 e a maioria dos discos gravados eletricamente ainda eram reproduzidos em gramofones acústicos e uma vez que a diferença era quase imperceptível o resultado não era dos melhores o que poderia prejudicar o crédito no novo processo e conseqüentemente as vendas.
Para ilustrar esta promissora era tecnológica que se iniciava podemos ouvir trechos das gravações de Kitty Irvin da Gennett e de Art Gillham da Columbia.


MUSEU DE CERA # 13 – BENNIE MOTEN

21 janeiro 2007


Benjamin "Bennie" Moten nasceu em Kansas City, a 13 novembro de 1893, aprendeu piano com sua mãe, mas ainda criança tocava trombone de válvula em uma banda juvenil.
Em 1918, Moten formou a B. B. & D. Orchestra com o baterista Dude Langford e o vocalista Bailey Hancock. Apesar das letras significarem as iniciais dos fundadores Beenie, Bailey and Dude foi ironicamente conhecida como “big, black and dirty”.
De qualquer forma a banda era um sucesso tocando no Labor Temple um dos principais locais de Kansas.
Em 1922, Moten forma a primeira banda com seu nome, apenas um sexteto e no ano seguinte grava para a Okeh Records acompanhando as vocalistas Ada Brown e Mary Bradford e ainda 2 instrumentais: “Crawdad Blues” e “Elephant’s Wobble” considerados os primeiros registros da escola Kansas City Jazz.
Em 1926 a então Bennie Moten's Kansas City Orchestra ampliada para 10 músicos inicia seus trabalhos para a Victor com vários integrantes do grupo dirigido pelo tubista Walter Page - The Blue Devils. Em 1929 Count Basie deixa os Blue Devils seguido pelo vocalista Jimmy Rushing, do trompetista Hot Lips Page, do saxofonista Ben Webster e do trombonista e guitarrista Eddie Durham, ícones que formariam o núcleo da futura Count Basie Orchestra, após a trágica morte de Moten em abril de 1935 devido a uma extração de amígdalas.
Em pouco tempo de existência a Bennie Moten's Kansas City Orchestra passou a ser a referência do Jazz do meio-oeste norte americano caracterizando-se pela grande influência harmônica dos blues, perpetuando a utilização dos riffs e a flexibilização do ritmo onde os 4 tempos do compasso são expressos de maneira levemente acentuada o que produz um enorme equilíbrio, ou seja o balanço da execução contrastando com a acentuação "two beats" empregada em New Orleans e Chicago. Inegavelmente foi a evolução para o que se chamou de ESCOLA SWING adotada pelas big bands das décadas de 30 e 40 como sendo um Jazz muito dançante.
Em 1928 a banda cria no estúdio da Victor uma de suas grandes execuções reeditando uma gravação de 1924 da canção South que escolhemos para ilustrar esta seção do Museu. Destacam-se Washington ao barítono e Hayes ao trombone com surdina "plunger".

South (Bennie Moten / Thamon Hayes) - Bennie Moten (piano, líder e arranjo), Booker Washington (tp), Ed Lewis (cornet), Harlan Leonard (cl, sa), Laforet Dent (sa), Woodie Walder (cl, st), Jack Washington (sax barítono), Thamon Hayes (tb), Leroy Berry (banjo), Walter Page (tuba) e Willie McWashington (bat).
Gravação original: Victor V-38021-A (mx 42935) – 7/set/1928 - Camden, New Jersey
Fonte: CD - Bennie Moten's Kansas City Orch – 1927–1929 - Classics Jazz (France) – 1994


COLUNA DO LOC

19 janeiro 2007


No JB de hoje, em pauta, o pianista Matt Savage.

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MARATONA LEMBRA ANTÔNIO CARLOS JOBIM

18 janeiro 2007

Habitualmente ouvimos dizer que o povo brasileiro não tem memória. Confesso que esta frase não se aplica a todo mundo, pois nós do CJUB estamos sempre lembrando de músicas e músicos, tendo inclusive como nosso Patrono o grande pianista, compositor e cantor Dick Farney.

Por exemplo, amanhã (19.01.2007) completamos 25 anos sem a presença de Elis Regina, na minha opinião a melhor intérprete brasileira que já ouvi cantar, e que dentre os inúmeros albuns, gravou um com o gaitista belga Jean Toots Thielemans, músico de Jazz que sempre buscou estar em contato com a música brasileira.

Não sei se os jornais irão lembrar a data, contudo em poucos dias estaremos próximos de outra momento importante, que é o dia 25.01.2007 (quinta feira), dia em que Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim estaria completando 80 anos...

Não sei se ocorrerão eventos que lembrem o fato, mas desde já gostaria de divulgar uma maratona musical que ocorrerá no quiosque drink, na Lagoa Rodrigo de Freitas, à partir das 20:00, sem horário previsto de término.

Um trio composto por pelos irmãos Kiko e Alberto Continentino (piano e baixo) e Renato Massa na bateria estará buscando um desafio de tocar 80 temas compostos por Tom, com reforço de ilustres convidados, entre os quais músicos e cantores que merecem destaque, sendo que alguns deles inclusive com diversas participações nos Concertos produzidos pelo CJUB como os baixistas Paulo Russo e Sérgio Barroso.

Além dos baixistas, deveremos ter também a presença do grupo vocal "Os Cariocas", do cantor Peri Ribeiro, e de outros músicos como os bateristas Pascoal Meirelles, Cláuton "Neguinho" Salles e Erivelton Silva, o percussionista e baterista Chico Batera, o guitarrista Nelson Angelo, o trompetista Paulinho Trumpete, e outros músicos que lá poderão aparecer, e que com certeza tranformarão a noite numa autêntica Jam Session.

Como admirador da extensa obra de Tom Jobim e de sua Bossa, dos músicos que nos trazem as emoções e da beleza do Rio de Janeiro, conclamo os admiradores da boa música a estarem na Lagoa na noite de 25.01.2007 (quinta feira) para participarem de uma celebração à boa música, e prestigiarem a idéia do pianista, compositor e arranjador Kiko Continentino.

Beto Kessel

DO OUTRO LADO DO JAZZ # 4

17 janeiro 2007


DA CERA AO RAIO LASER (1)

Os processos de gravação em áudio surgiram e se desenvolveram em épocas aproximadamente contemporâneas com o próprio nascimento e formação do Jazz. Os primeiros registros de sons em cilindros foram feitos em 1877 por Thomas Edison, contudo só por volta de 1890 apareceram as gravações de música em quantidade comercial e o maior desenvolvimento surgiu em 1902 com as companhias fonográficas Columbia e Victor.
O processo de gravação teve uma importância inestimável para o desenvolvimento, divulgação e refinamento do Jazz.
Um gênero musical com inteira liberdade de criação só poderia ser preservado através de seus registros sonoros.
Assim, o disco fonográfico representou muito mais que uma simples gravação da música, certamente foi também um imperioso motivo para que grande parte dela fosse executada.
Outro aspecto é que os estúdios de gravação proporcionaram aos músicos um local descontraído que não era encontrado nas coxias dos teatros e casas de espetáculos. Quantos e quantos músicos se conheceram ou se falaram apenas em um estúdio de gravadora?
A primeira gravação envolvendo a música de Jazz foi oferecida ao cornetista negro Freddie Keppard (*1890 †1933), entretanto ficou receoso que outros instrumentistas viessem a copiar-lhe o estilo, dado que com tal novidade tecnológica poderia-se repetir sua atuação, o quanto se quisesse, isto foi em 1916. Perdeu assim a música de Jazz a grande oportunidade de ser representada por um autêntico jazzman em sua certidão de nascimento firmada pelo primeiro disco editado sob a chancela de música de Jazz.
Em fins de janeiro de 1917 a Original Dixieland Jass Band foi convidada pela Columbia Gramophone Company para fazer uma gravação no estúdio que se localizava na Broadway em Manhattan. Este grupo formado por rapazes brancos oriundos de New Orleans desde 19 de janeiro de 1916 atuavam com enorme sucesso em Nova York, precisamente no luxuoso Restaurante e Café Reisenweber. Tudo levava a crer em novo grande sucesso agora em disco.
Aconteceu que os técnicos da Colúmbia se espantaram com o tipo de música “hot”, barulhenta até em seus conceitos, acostumados que estavam com suaves conjuntos de cordas e deste modo, não souberam interpretar e avaliar corretamente o que ali fora gravado e as ceras não foram aproveitadas para lançamento comercial, pelo menos na época.
A sessão histórica para o Jazz aconteceu, então, nos estúdios da Victor Talking Machine Company em New York City na tarde de uma segunda-feira a 26 de fevereiro de 1917 sob a responsabilidade técnica de Charles Soy. As músicas eram Livery Stable Blues (Ray Lopez/Yellow Nuñez ) e do outro lado Dixieland Jass Band One Step (J. Russel Robinson/Nick LaRocca/Joe Jordan). O disco foi editado comercialmente a 15 de março com o n° 18.255 vendido ao preço de 75 cents. O sucesso desta música saltitante, ótima para dança foi enorme e as demais companhias seguiram os passos da Victor, como a Edison, Aeolian, Pathé, Okeh, Emerson, Paramount, Gennett e mesmo a Columbia que se recuperou rapidamente do mal passo dado anteriormente.
Contudo, muita coisa passou a ser gravada como Jazz, mas ou de qualidade inferior ou ainda sem a autenticidade requerida, afinal nem todos os músicos possuíam o talento ou mesmo compreendiam o que seria de fato aquela novidade musical.
O destino e desenvolvimento do Jazz a partir das gravações tornou-se inseparável da evolução técnica e comercial da indústria do disco fonográfico.
Entretanto, antes mesmo da popularização do gramofone reproduzindo os sons da voz e dos instrumentos o Jazz teve a chance de se apresentar através do invento da pianola, ou seja um piano que toca sozinho. Tal processo mecânico, patenteado em 1897, é bastante engenhoso e baseia-se nas teclas empurradas por pressão de ar controlada por orifícios em uma bobina de papel à medida que esta se desenrola sobre uma barra como eixo, sendo que, tais orifícios correspondem às notas tocadas no piano.
Pode-se imaginar que uma música assim reproduzida não teria nenhuma dinâmica, seria literalmente mecânica, linear. Ledo engano já que, aperfeiçoamentos posteriores permitiram que glissandos, trêmulos e figuras acentuadas de baixo (mão esquerda) pudessem enriquecer a reprodução dos rolos de pianola. Praticamente todos os pianistas de nome à época gravaram “piano rolls”, (como se chamavam tais bobinas) assim existem ótimos rolos de Eubie Black, Jelly Roll Morton, Fats Waller, James P. Johnson, Clarence Williams, Lucky Roberts, Charles Davenport dentre outros..
Através de edições masterizadas em LP pode-se ainda ter acesso a este fantástico acervo, notadamente os da Biograph Records em sua “piano roll series” editada nos anos 70. Algumas das famosas companhias de “piano rolls” foram a QRS Music Rolls, Vocalstyle Song Roll, Wurlitzer, Mel-O-Dee, Duo Art e Imperial Roll Co.
Com a pianola muitas canções blues, ragtimes e stomps foram apreciadas em salões dos mais refinados difundindo assim, não só os fundamentos da música negra como o próprio piano Jazz. Podemos ouvir um dos criadores da escola stride de piano - Luckey Roberts em rolo gravado em 1913 e a composição do próprio Luckey intitula-se Mo’Lasses uma dança "one step" muito em voga à época.

14/1 - ANIVERSÁRIO DO GUZZ

15 janeiro 2007

Pertinho do Pres. (12/1), nosso mais novo enfant terrible, ma non troppo, o "quietinho" Guzz - responsável por boa parte das novidades tecnológicas do blog, nos últimos tempos - também aniversariou ontem, 14/1.

Parabéns ao nosso editor jr., muito jazz, gsm, e paz ... e que conosco continue por muitos e muitos anos ...

Abs.,