Aqui você vai encontrar as novidades sobre o panorama nacional e internacional do Jazz e da Bossa Nova, além de recomendações e críticas sobre o que anda acontecendo, escritas por um time de aficionados por esses estilos musicais. E você também ouve um notável programa de música de jazz e blues através dos PODCASTS. Apreciando ou discordando, deixem-nos seus comentários. NOSSO PATRONO: DICK FARNEY (Farnésio Dutra da Silva)
Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).
BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002
ROBERTA GAMBARINI - EASY TO LOVE
31 dezembro 2006
Depois li um breve registro no blog do jornalista Antonio Carlos Miguel do Globo, e ontem a tarde comentários do Mestre Coutinho, com quem tive prazer de conversar no Clube Paissandu.
Decidi pesquisar e estou ouvindo 04 faixas do album no site da cantora http://www.robertagambarini.com/audio.php, e confesso que estou gostando muito.
Não tenho a menor idéia se ela ficou em quarto ou sétimo na pesquisa da Down Beat...Isto para mim é irrelevante...
O que importa é saber quando teremos Roberta Gambarini cantando no Rio de Janeiro.
Que voz agradável de se ouvir, que suingue, que classe !!!
Postem suas opiniões....
Beto Kessel
MUSEU DE CERA # 11 – SIDNEY BECHET
30 dezembro 2006

Sidney Joseph Bechet, um creole com origem em New Orleans nascido em 14/maio/1897 no seio de uma família musical possuindo 4 irmãos todos instrumentistas. Pode-se dizer que foi um menino prodígio, certa vez pegou o clarinete de seu tio e começou a tocar para espanto da família que ao escutar aquele som surpreenderam Bechet sentado no chão do quarto dedilhando corretamente o instrumento. Alguns mestres como Lorenzo Tio, George Baquet e Big Eye Nelson, informalmente foram aperfeiçoando o rapaz que já atuava em pequenas bandas locais.
Em 1917 foi para Chicago e em 1919 estava com a Will Marion Cook's Syncopated Orchestra indo para a Europa onde adquiriu o saxofone soprano instrumento pelo qual se encantou tornando-o seu principal. Ao voltar à América em 1923 gravou com Clarence Williams Blue Five integrado por Louis Armstrong. Em 1925 retorna à Europa permanecendo na França até 1929 quando após uma disputa com o guitarrista Mike McKendrick chegando a dar tiros foi preso por 11 meses sendo depois deportado indo para Berlim, juntando-se à Noble Sissle Orchestra que lá atuava e retorna à América.
Bechet nos anos 30 formou com o trompetista Tommy Ladnier um grupo sob o nome New Orleans Feetwarmers produzindo registros memoráveis e em 1938 uma obra prima Summertime transformando-a em um enorme sucesso. Nos anos 40 trabalha em New York com Eddie Condon e Bunk Johnson. Bechet tornou-se uma figura primordial no "revival" um movimento de recriação e resgate do Jazz tradicional e de seus músicos veteranos ocorrido a partir de 1937 estendendo-se até o final dos anos 40. Bechet retorna à França em 1952 sendo recebido com enorme carinho e por lá atuou e gravou até sua morte no dia de seu 62° aniversário em 1959.
Bechet era um expert na improvisação coletiva a 3 vozes, a base do Jazz de New Orleans, com trompete e trombone, além de sua "clarineta de lata" como os músicos apelidaram o sax-soprano em tom de gozação com Bechet. Seus solos são sempre possantes, cheios de vibrato mantendo a tradição neo-orleanesa e o extraordinário colorido creole. Bechet foi um ícone junto com Armstrong dos primeiros solistas do Jazz.
Selecionamos Achin' Hearted Blues um de seus primeiros registros onde atua somente ao clarinete (fica o sax soprano para outra seção do Museu) apresentando toda sua genialidade de solista, bem como uma excelente participação do trompetista Thomas Morris pouco valorizado na mídia jazzística.
ACHIN' HEARTED BLUES (Clarence Williams/ Clarence Johnson / Spencer Williams) - Clarence Williams' Blue Five - Sidney Bechet, clarinete; Clarence Williams (piano e líder), Thomas Morris (cornetim), Charlie Irvis (tb), Buddy Christian (banjo) - Gravação original: 27/ago//1923 - New York, Okeh 4966-B (mx. S71797)
Fonte: CD – Sidney Bechet - Volume 1: 1923 - Masters Of Jazz - MJCD-5 - 1991 - França
"UMA FLAUTA PARA LESTER YOUNG"
página 205 o seguinte :
"Através de sua contribuição a flauta foi praticamente aceita no Jazz, o que preparou o terreno para a atuação de Ted Nash e Lester Young nos anos 50. Esse último chegou a criar uma verdadeira escola para esse instrumento no Jazz."
Alguém sabe alguma coisa sobre isso ?
llulla
NOVO "TEAM MEMBER": BRAGIL
28 dezembro 2006
Enquanto que, pelas bandas da nação cjubiana, as coisas vão em ritmo acelerado, com mais e melhores adesões a cada dia. Agora, convite feito e aceito, temos aqui um Brasil que promete inúmeras alegrias e que não vai deixar o povo (do jazz) na mão.
Trata-se do aficionadérrimo entusiasta Gilberto Brasil, que já teve um post sobre a Maria Schneider, "com quem é assim, ó!", psicografado por nosso guerrilheiro plantonista.
Em breve, tão logo tenha dominado as lides blogueiras, poderão nossos amigos contar com os escritos do mais novo membro da armada "cejube", que aqui ostentará o handle BRAGIL.
Bem vindo, Gilberto, e pau na máquina!
UM GRANDE "MICO"
27 dezembro 2006
Amigos,Lendo o excelente livro "Ao vivo no Village Vanguard" de autoria de seu legendário proprietário Max Gordon, fui encontrar na página 169 uma batatada incrível, principalmente se considearmos o seu autor, o baterista Dannie Richmond. Respondendo a Max Gordon sobre a origem do tema de Charles Mingus "All the things you could be now if Sigmund Freud's wife was you mother ?"
Diz ele: Ela foi inspirada pela música "All the things you are" de Duke Ellington.
Charlie adorava Duke. . .
Como diriam os antigos, "PAPAGAIO!"
llulla
JAZZ ICONS - CONCERTOS EM DVD
Aos amigos que gostam das imagens do jazz, mais uma caixa com registros interessantes de concertos de alguns nomes importantes e em épocas efervescentes.The Complete Jazz Icons Box Set é composto por 9 concertos ao vivo, agora em DVD.
E o time é de primeira, inclusive com algumas raridades no formato :
- Louis Armstrong - Live in '59
- Count Basie - Live in '62
- Chet Baker - Live in '64 & '79
- Art Blakey & The Jazz Messengers - Live in '58
- Ella Fitzgerald - Live in '57 & '63
- Dizzy Gillespie - Live in '58 & '70
- Quincy Jones - Live in '60
- Thelonious Monk - Live in '66
- Buddy Rich - Live in '78
Não saiu no mercado nacional, lógico, e os DVD também podem ser comprados separadamente.
Para mais detalhes e com alguns clipes dos concertos visite www.jazzicons.com
Dada a dica !
BOSSA NOVA
26 dezembro 2006
O espaço do CJUB também é dedicado a Bossa Nova e outro dia ouvi a explicação de como surgiu a palavra JAZZ, acho que todos sabem, veio de JASS, os "inferninhos" da época.Mais recentemente fiquei curioso para saber como surgiu a palavra "Bossa Nova". Discutimos isso com a turma da Modern Sound, que é frequentada por músicos que tocaram no Beco das Garrafas, como o Milito, Osvaldinho, Meirelles. Mas ninguém sabia exatamente como havia surgido essa expressão.
Eu estava no almoço de Natal com meu amigo, o jornalista Moyses Fuks, quando comecamos a falar sobre o assunto. Sua resposta foi, para mim, coincidentemente atordoante: Quem inventou essa expressão fui eu!
Moyses contou a história, disse que estava apresentando um grupo de músicos na Hebraica, entre eles Nara, Carlinhos Lyra, Menescal, Sylvia Telles, Baden, quando faltou o nome para o espetáculo. A palavra Bossa era comumente usada naquela época - esse arquiteto tem bossa...
Foi o que escreveram no quadro de avisos da Hebraica: Sylvinha Telles e um grupo Bossa Nova!
Anos mais tarde Bôscoli se apossou da expressão e a registrou em seu nome.
DO OUTRO LADO DO JAZZ # 1

O objetivo desta seção é apresentar alguns aspectos estreitamente ligados de alguma forma à música de Jazz, mas que normalmente estão em "off" ou seja, escondidos nos bastidores ou mesmo providos de caráter subjetivo, então, digamos que fazem parte do outro lado do Jazz.
De tal modo, o assunto Jazz, a par de sua musicalidade, vem incorporando inúmeras estórias ligadas aos músicos, produtores, aficionados, pesquisadores, enfim de todos que vêm criando e divulgando a arte maior do Jazz por todo esse tempo e aos fatos que os envolvem.
SÉCULO XX
O Jazz tem sua trajetória histórica desde o início do século XX e ao atravessá-lo compartilhou com a humanidade de suas conquistas sociais e tecnológicas, bem como de suas glórias e infortúnios.
Neste processo sofreu dos efeitos das drogas alucinógenas, do racismo aos seus fiéis criadores, da grande Depressão Econômica de 1929, dos gangsters de Chicago, da grande greve dos anos 1942/44, não nos esquecendo do primeiro golpe que foi o fechamento do distrito de Storyville em New Orleans no ano de 1917.
Tendo em vista o desenvolvimento da tecnologia esteve presente o Jazz nos inventos como o da pianola, do gramofone, dos processos de gravação de áudio, do cinema sonoro, do início das transmissões comerciais do rádio e da gravação de imagens.
O Jazz, dispensado que foi do serviço militar na 1a. Guerra Mundial, alistou-se para a 2a. Grande Guerra tendo uma atuação soberba, mas acabando por sofrer perda irreparável como a do major Glenn Miller. Ao fim da guerra, desfrutou de momentos de euforia através das big bands, dos ballrooms e night clubs e crescendo como arte chegou ao meio século de existência.
Dos anos 60 em diante passou por momentos difíceis vivendo novas concepções estruturais como atonalidade, escalas modais até mesmo as exóticas como as indianas e orientais, enfrentou desavenças rítmicas onde melodia e acompanhamento seguem métricas diferentes e até, por vezes, conflitantes. As sonoridades foram eletrificadas e adicionados efeitos eletrônicos e com estes ingredientes ocorreu o advento, do free, do fusion, vindo a ser atacado pelo ácido – Acid Jazz.
O século termina sob o nu-jazz expressão cunhada ao final dos anos de 1990 (NU corruptela de "new" que se pronuncia também como niu) relacionada à combinação de texturas e instrumentação jazzísticas com a música eletrônica, aventurando-se em território do groove jazz este mais próximo do funk, soul e rhythm & blues.
Achamos que tais mudanças não acrescentaram mais emoção que o cornetim de Armstrong, o clarinete de Goodman, o piano de Peterson ou que o sax de Charlie Parker e para não sermos tão tradicionalistas e conservadores, ainda dentro do horizonte daquilo que se possa chamar de um Jazz livre, entendemos que o limite tenha se situado em torno de Cecil Taylor, Ornette Coleman e John Coltrane, dentre outros....
PS. texto sendo adaptado da palestra de mesmo título proferida no Clube de Jazz de Niterói a 9 de maio de 2001.
CRUZEIRO DE JAZZ 2007
CJUB InsiderTem gente que acha o carnaval da Bahia uma boa opção, a garotada adora. Perto da terceira idade a coisa fica mais difícil, usar aquele Abadá, ficar horas em pé, pulando atrás do Trio Elétrico, não ter banheiro para fazer xixi, apesar da juventude toda à volta.
Nesse caso, quando a saúde deixa a desejar horas de saltos e piruetas no carnaval da Bahia, uma boa opção, bem mais tranquila e confortável, é embarcar no MS Holland, o 2006 Ship of The Year, no dia 5 de julho e passar 12 dias excepcionais com jazz todas as manhãs, tardes e noites (a pauleira rola apenas nos dias 13, 14 e 15).
O MC será Marcus Miller e os músicos: Dee Dee Bridgewater e seu trio, James Carter, Roy Hargrove e seu quinteto, o quarteto de Roberta Gambarini, Lionel Loueke, o McCoy Tyner Trio, Medeski, Scofield, Martin & Wood e Kirk Whalum. Dá para todos os gostos!
Nas paradas voce poderá conhecer Warnemunde/Berlin, na Alemanha; Gotenburg, na Suécia; Oslo, na Noruega; Hamburg/Rio Elba, na Alemanha e Rotterdam na Holanda. O MS Holand ficará nos portos servindo como hotel. A viagem será finalizada no dia 17 de julho.
Nada mal participar do North Sea Jazz Cruise, que é uma extensão do North Sea Jazz Festival!
Será que eles vão sortear uma garrafa de uísque?
MUSEU DE CERA EM DESTAQUE
23 dezembro 2006
É só clicar na imagem aí ao lado

Agora fica mais fácil a consulta ao histórico de todas as edições, concentradas em uma única página, com navegação fácil e ainda com os áudios de todos as séries.
Uma verdeira fonte de pesquisa e um resgate das raízes do jazz.
Fica o agradecimento ao Mestre Major pelo grande trabalho !
MUSEU DE CERA # 10 – ALBERTA HUNTER
20 dezembro 2006
Nascida em 1 de abril de 1895 no Tennessee, aos 12 anos Alberta Hunter deixou Memphis sua cidade natal para ir para Chicago tornar-se uma blues singer. Tempos difíceis neste início e seu debute profissional se deu em 1911 no bairro negro Southside no clube Dago Frank's, um misto de cabaré e bordel freqüentado por proxenetas e criminosos. Alberta aturou aquilo até 1913 mesmo assim porque a casa foi fechada devido a um assassinato.
Foi então para um pequeno night club onde começou realmente a ganhar dinheiro podendo trazer sua mãe para morar com ela até o fim da vida. Alberta foi atuar no Elite Cafe #1 onde encontrou o pianista de New Orleans Tony Jackson e o ajudou a popularizar algumas de suas composições como Pretty Baby. Depois foi para o famoso Panama Cafe, local sofisticado para um público só de brancos. Nesta época Alberta tornou-se uma estrela brilhando em Chicago, porém mais uma vez se repetiu o ocorrido de um assassinato e a casa fechou.
O próximo trabalho foi no De Luxe Cafe, onde do outro lado da rua no Dreamland Cafe a King Oliver's Creole Jazz Band tocava. Em 1921 Alberta moveu-se para New York iniciando suas gravações no selo Black Swan com a Fletcher Henderson's Novelty Orchestra, depois na Paramount em 1922 onde Fletcher continuava sendo seu pianista. Alberta também compunha e a canção Down Hearted Blues deu a Bessie Smith seu primeiro disco em 1923.
Ainda em 1923 grava na Paramount com o grupo Original Memphis Five, tornando-se a primeira cantora negra a integrar uma banda branca e em 1924 uma sessão na Gennett com os Onion Jazz Babies contando com Louis Armstrong e Sidney Bechet, onde produziram Cake Walking Babies From Home e a versão vocal de Texas Moaner Blues.
Alberta Hunter usou vários pseudônimos como Josephine Beatty nome de sua irmã na gravadora Gennett e Alberta Prime na Biltmore. Em 1927 foi para Europa atuando na Inglaterra, depois muito bem recebida em Paris, em outros países, inclusive na Rússia. Durante a 2a. Guerra Mundial fez parte da United Service Organizations (U.S.O) cantando para as tropas norte-americanas na Ásia, Ilhas do Pacífico Sul e Europa, retornando à América do Norte para cuidar de sua mãe muito doente afastando-se inteiramente da música, quando fez curso de enfermagem indo trabalhar no New York City Hospital, porém em 1977 surpreendentemente voltou aos palcos já com 82 anos no clube The Cookery no Greenwich Village de New York e permanecendo atuando até sua morte em 1984.

Alberta Hunter não deve ser designada apenas como uma cantora de blues apesar de inúmeros deles em seu repertório, mas uma artista completa cantando todo tipo de canção, com voz clara, locução perfeita e estilo muito natural evitando os ornamentos supérfluos. Ouçamos um de seus primeiros trabalhos Chirping The Blues com acompanhamento do piano de Fletcher Henderson.
Gravação original: Chirping The Blues (Alberta Hunter) – Alberta Hunter vocal e Fletcher Henderson - dez/1922 – Paramount 12017-A – New York.
Fonte: CD - Complete Recorded Works, Vol. 1 (1921-1923) Alberta Hunter - Document DOCD 5422 - 1996 – USA.
Clique para ouvir Alberta Hunter



