Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

MAURICIO EINHORN NA SALA BADEN POWELL

16 junho 2006

Olá amigos do CJUB,
Mauricio Einhorn comemora 70 anos de gaita em shows hoje e amanhã na Sala Baden Powell.

Mauricio Einhorn (harmônica); Alberto Chimelli (piano); Sérgio Barrozo (baixo); João Cortez (bateria)

A categoria de um quarteto formado por grandes músicos e a sensibilidade de um compositor genial e intérprete reconhecido em todo o mundo, com a promessa de um repertório diferente a cada noite, serão apresentadas, entre outras:

... “Manhã de Carnaval”, “Corcovado”, “Despedida de Mangueira”, “Carinhoso”, “Garota de Ipanema”, “As Rosas não Falam” ...

... de autoria própria, “Lembras Daquele Filme Chicão?”, “Tristeza de nós Dois” e “Batida Diferente” ...

... além de clássicos norte-americanos, “Autumn in New York” e “Fascinatin’ Rhythm”, gravados em seu último CD.

16 e 17/06 - SEXTA-FEIRA 19h e SÁBADO 20h
Sala Baden Powell - Av. Copacabana, 360 - Tel: (21) 2548-0421
Ingressos: R$ 20,00 (R$ 10,00 para estudantes, maiores de 60 anos e Clube Delira Música)

JAZZ EM VÍDEO: AGORA, A PRATA DA CASA: LAPATAIA/2006
JESSÉ SADOC

14 junho 2006



Com a facilidade do YouTube, vamos poder expor aqui alguns momentos gravados pelos membros do blog em suas andanças jazzísticas pelaí. Começamos com um trecho em que sola o grande trompetista Jessé Sadoc, astro de primeira grandeza no firmamento do instrumento - tanto que formou já no primeiro concerto da série que o CJUB produziu, em 2003, além de outros mais -, aqui na companhia de outros grandes nomes como Diego Urcola e Claudio Roditi, no Festival de Lapataia, em Punta del Este, Uruguai, em janeiro deste ano.

Embora de curta duração, seu solo mostra com folga todos os seus amadurecidos truques e fluência. Um craque que mostra que pode tocar em qualquer seleção, de qualquer país do mundo.

PABLO RECORDS - UMA LEGENDA

13 junho 2006

Confesso que sou um aficionado por logotipos, pois eles me remetem a boas lembranças. Entre eles destaco os esportivos da Adidas (o antigo), o Onitsuka Tiger (agora Asics), o da Butterfly (do Tênis de Mesa), mas como diz o nosso Mestre Llulla, O ASSUNTO É JAZZ!!!

Outro dia, ao postar sobre o “Release” de um DVD do Concerto de Jazz protagonizado por Joe Pass em Montreux há cerca de 21 anos, acabei lembrando de outros trabalhos da Pablo Records, sêlo criado por Norman Granz em 1973.

Norman Granz, fundador do Jazz At The Philharmonic, que chegou a ter outros sêlos como o CLEF, NORGRAN e VERVE lançou a Pablo em 1973 e rapidamente construiu um catálogo de altíssimo nível, congregando músicos do quilate de Oscar Peterson, Joe Pass, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Benny Carter, Dizzy Gillespie, Milt Jackson, NHOP, Count Basie, John Coltrane, Art Tatum etc...

Após ter lançado cerca de 350 albuns, Granz vendeu a Pablo para o selo Fantasy em 1987.

Ouvi e tive inúmeros discos de vinil (que lamentavelmente vendi) inesquecíveis, nos quais pude conhecer verdadeiros dream teams do Jazz.

Peterson & Pass tocaram juntos em diversos albuns, em outros tivemos Benny Carter e Milt Jackson juntos.

Fica a lembrança num momento em que trabalhos em DVD voltam ao mercado para lembrar as produções de Norman Granz

BETO KESSEL

JAZZ EM VÍDEO: AGORA MR. BILL EVANS EM 1966
IF YOU COULD SEE ME NOW

12 junho 2006



O impecável Mr. Bill com seu trio em Oslo, no ano de 1966. A platéia - elegantérrima, como se fosse toda composta de médicos ou cientistas - parece não acreditar no que está presenciando ali, a transmutação de uma simples balada em uma demonstração tão linda de lirismo e emoção contida como só esse gênio do jazz era capaz de proporcionar. Emocionante!

JOE PASS IN MONTREUX - 1985

11 junho 2006

Norman Granz, produtor importante na carreira de músicos como Oscar Peterson e Joe Pass (quem não lembra os albuns inesquecíveis da PABLO)nos faz recordar momentos brilhantes, agora através do DVD Norman Granz' Jazz in Montreux - Joe Pass '75, cujo lançamento, segundo o site allaboutjazz ocorrerá na próxima terça feira, 13.06.2006.

Eu tive a satisfação de ter este show no velho K7, devidamente autografado por Pass apos show realizado no finado Jazzmania em 1986 ou 1987.

Seguem abaixo os temas:

Part One - July 17, 1975

1. More Than You Know
2. It's A Wonderful World
3. Mahna Do Carnaval
4. Joe's Blues
5. Nuages
6. Blues
7. I'm Glad There Is You
8. Willow Weep For Me
9. Montreux Changes
Part Two - July 18, 1975

1. Summertime
2. You Are The Sunshine Of My Life
3. The Very Thought Of You
4. Blues For Nina
5. LI'l Darling'
6. How Long Has This Been Going On

Com certeza, devem ser 79 minutos de pura emoção com aquele que na minha modesta opinião, foi um dos mais brilhantes guitarristas de jazz de todos os tempos...

Beto Kessel

CJUB AGORA É NOTÍCIA EM SUA PÁGINA PESSOAL

10 junho 2006

Esta pequena imagem localizada no alto da coluna fixa da esquerda indica que o conteúdo desta página está disponível para distribuição.

Basta clicar sobre ela com o botão direito do mouse e capturar o endereço descrito, isto é, copiar o link e adicioná-lo ao seu agregador de notícias, seu site ou blog pessoais.

Agora, o CJUB diz pra você quando tem notícia nova e coloca você mais perto da gente.

TEM ELDAR NOVO NA PRAÇA - EM MANHATTAN, CLARO

09 junho 2006

Segundo apuramos, durante sua estada no Blue Note, o fenomenal pianista de 19 anos Eldar Djangirov lá gravou um CD ao vivo com seu trio - totalizando quatro os seus discos lançados até agora - ao qual chamou de Daily Living. Participam especialmente deste projeto como convidados os trompetistas Roy Hargrove e Chris Botti, ambos destacados figurantes do cenário jazzístico novaiorquino.

Além de originais, o jovem soviético hoje naturalizado americano abriu espaço para composições de Cole Porter e de Thelonious Monk. Segundo o colunista John Matouk, que resenhou o disco, sua única falha parece ser o espaço exagerado que ocupa em relação aos demais músicos, em vista de sua exuberante energia e virtuosismo.

Certamente decorrentes de sua tenra juventude, estas " falhas" deverão se esvair ao longo do tempo, na medida em que for amadurecendo. De qualquer forma, e pelo menos para Matouk, Eldar já se afigura como um possível Oscar Peterson. E claro, sempre haverá quem o ache muito pirotécnico, mas que tem um "punch" absolutamente empolgante, ninguém pode negar.

Particularmente, continuo apostando minhas fichas no potrinho. Que tem tudo para ser um verdadeiro campeão.

Para assistir ao vídeo promocional disponibilizado pela Sony Classical, cliquem aqui.A breve troca de idéias entre Eldar e Hargrove mostra como é empolgante, e sempre será, a reunião de músicos proficientes num palco. Mesmo que um deles tenha apenas 19 anos. E como seria bom se se pudesse assistir a esse encontro e esses sets, nem que fosse em DVD.

JAZZ EM VÍDEO: NAT "KING" COLE, OSCAR PETERSON TRIO & COLEMAN HAWKINS




Seguindo a atual tendência de disponibilizar-se vídeos em inúmeros sites, como o Google Video, o YouTube e o MetaCafe - entre inúmeros outros que estão surgindo a cada instante - o CJUB entra de cabeça nesta moda e, volta e meia, seus leitores poderão se deliciar com algumas jóias raras do jazz capturado em filme ou vídeo.

Começamos a série com a sensacional apresentação de SWEET LORRAINE, com Nat Cole e o trio de Oscar Peterson, mais o auxílio divino de Coleman Hawkins.

Enjoy!

MÚSICA E MÚSICOS NO RIO DE JANEIRO II

08 junho 2006

Dando prosseguimento ao post anterior, segue mais uma daquelas dicas para quem aprecia SAMBA JAZZ, BOSSA NOVA E JAZZ.

Depois de lançado no Rio de Janeiro e em São Paulo, e já comentado no CJUB, inclusive com reprodução da resenha preparada pelo Mestre Raffaelli, o SAMBAJAZZ TRIO volta a tocar no Rio o repertório do album AGORA SIM.

O trio, composto pelos músicos Kiko Continentino (teclado), Luiz Alves (baixo acústico) e Clauton "Neguinho" Alves (bateria e trumpete toca no Esch Café do Leblon, neste sábado (10.06.2006) às 21:45.

O Esch Café fica na Rua Dias Ferreira, 78a - Leblon - Tel: 2512-5651

Mais uma chance de ouvir música de qualidade, através de músicos talentosos e que tocam com emoção.

Beto Kessel

MÚSICA E MÚSICOS NO RIO DE JANEIRO

Voltando a boa tradição Cjubiana de divulgar trabalhos de grandes músicos, informamos com satisfação o seguinte show:

SHOW: O Coração Brasileiro de Maurício Einhorn
O grande gaitista de jazz Maurício Einhorn está apresentando "Coração Brasileiro", seu novo show com quarteto formado por Alberto Chimelli (piano & teclados), Luiz Alves (baixo) e João Cortez (bateria).

DATA: 16/06/2006 a 17/06/2006

LOCAL: Sala Baden Powell: Av. Nossa Senhora de Copacabana 360, Copacabana

HORÁRIO: Sexta e Sábado às 19h00. Informações Tel: (21) 2548-0421.

PREÇOS: R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes e idosos).

Já tive a satisfação de vê-los tocando no Mistura Fina,e para quem aprecia música tocada com emoção, é Programa Certo

Beto Kessel

RIO DAS OSTRAS JAZZ FESTIVAL

Está chegando a 4a. edição do Rio das Ostras Jazz & Blues, festival que acontecerá semana que vem em Rio das Ostras, na chamada Região dos Lagos no Rio de Janeiro, de 14 a 18 de junho.
O festival já é destaque na programação nacional e a cada ano vem trazendo nomes importantes do cenário musical, principalmente do Jazz e do Blues.
Os shows ocorrem em 3 palcos, nas praias de Costazul e Tartaruga e na Lagoa de Iriry e, como sempre, muita jam sessions nos bares da cidade.

Alguns nomes de destaque no festival deste ano. Com foco no jazz teremos o trompete de Wallace Roney, James Carter e TS Monk, filho do lendário Thelonius Monk.

James Carter vem com seu Organ Trio formado pelo organista Gerard Gibbs e o baterista Leonard King que formaram o grupo em seu último disco chamado Out of Nowhere. Esperamos que se junte ao trio o sax baritono de Hamiet Bluiett e o guitarrista James “Blood” Ulmer, que tem excursionado junto com o grupo.
Wallace Roney foi o trompetista do V.S.O.P, grupo que reuniu Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Willians em tributo a Miles Davis. Em seu último disco - Mystikal - teve a companhia de Geri Allen ao piano e Matthew Garrison ao contrabaixo, o que nos dá esperança de podermos ver coisa boa por aí.
Outra atração internacional fica por conta do baixista Richard Bona que também esteve presente na edição do ano passado e esticou a temporada no Mistura Fina, no RJ.
Bona foi atração a parte por onde passou, mostrou muita musicalidade e muito som para quem teve a oportunidade de vê-lo. Outro que será bom ver novamente é Larry Carlton e sua famosa Gibson 335 no palco, esta que lhe deu o pseudônimo de Mr.335 pela sua pegada forte e bem blues.
Do set nacional, Leo Gandelman e a Banda Mantiqueira, que em seu último e recente lançamento - Terra Amantiqueira - mostrou que a banda tá com a corda toda.
Na seara do Blues, a gaita de Charlie Musselwhite, o blues de Chicago de Eddy Clearwater, os brasileiros Fernando Noronha e a Prado Blues Band.

Atenção : A programação indica a presença do guitarrista Larry Carlton porém sua página na internet diz que as apresentações no Brasil foram canceladas, o que inclui além do festival de Rio das Ostras as apresentações no projeto Rio SESC Intrumental no RJ e SP.
Não consegui confirmar esta notícia, vamos aguardar.


A programação do festival :

Quarta, 14/06
Praia Costazul - 20h : Banda Mantiqueira e Léo Gandelman

Quinta, 15/06
Lagoa de Iriri - 14h : Fernando Noronha
Praia de Tartaruga - 17h : Richard Bona
Praia Costazul - 20h : James Carter, Larry Carlton e Fernando Noronha

Sexta, 16/06
Lagoa de Iriri - 14h : Charlie Musselwhite
Praia de Tartaruga - 17h : Eddy Clearwater
Praia Costazul - 20h : TS Monk, Richard Bona e Prado Blues Band

Sabado, 17/06
Lagoa de Iriri - 14h : Prado Blues Band
Praia de Tartaruga - 17h : TS Monk
Praia Costazul - 20h : Eddy Clearwater, Wallace Roney e Charlie Musselwhite

Domingo, 18/06
Shopping de Rio das Ostras - 15:30h : James Carter
Praia de Tartaruga - 17:30h : Wallace Roney

JAZZ DO AVIÃO (Air France)

Apenas curiosidade. Em recente viagem à Paris, via Air France, o cardápio musical da aeronave, gênero jazz, produção especial "L'Esprit Jazz", veio assinado por Frédéric Charbaut, com os seguintes títulos:
01. Stéphane Huchard – “Jazzy Dans L’métro”
02. Louisa Bey – “Vanished Melodies”
03. Édouard Bineau – “Besame Mucho”
04. Jean-Pierre Gallis - “Secret Love”
05. Daniel Mille – “Oblivion”
06. Manu Katché – “Lullaby”
07. Geoff Gascoyne – I”ll Sing You”
08. Orchestre National de Jazz – “The Rain Song”
09. Anna Maria Jopek – “Insatiable”
10. EST – “Viaticum”
11. Marva Wright – “Born With The Blues”
12. Randy Brecker – “And Then She Wept”
13. John Scofield – “I Don’t Need No Doctor”
14. Brad Mehldau (foto) – “Alfie”
15. Diana Krall – “I’ve Changed My Address”
16. The Bad Plus – “Forces”
17. Mark Murphy – “Wheelers And Dealers”
18. Vince Jones – “When I Fall In Love”
19. Eric Bibb – “I’ll Never lose You”
20. Oscar Brown Jr. – “Signifying Monkey”
21. N. Landgren/J. Sample – “Same Old Story”
22. Tom Waits – “A Sweet Little Bullit”.

PS. O título do post é uma homenagem ao clássico jobiniano "Samba Do Avião", cuja introdução foi composta por outro super craque da nossa música, Dorival Caymmi - fiquei sabendo outro dia.........

TRIPLO REGOZIJO

05 junho 2006

Bela a surpresa desta data, quando a leitura - obrigatória, diga-se - da coluna do CJUBIANO Mestre LOC no Jornal do Brasil, mostrou-nos suas curtas porém saborosas palavras sobre o trabalho que uma outra CJUBIANA, a nossa PegLu (também conhecida no mundo como Luciana Pegorer, C.E.O. da Delira Música) vem desenvolvendo no Brasil em prol da boa música. Segue abaixo a coluna do Mestre, para que todos possam dela ter conhecimento. Parabéns, portanto, a todo mundo.












Como se não bastasse, e para coroar esta data tão especial, hoje é o aniversário do Mestre Goltinho, a.k.a. Arlindo Carlos Coutinho, triplê de jazzófilo/classicófilo, futebólogo e boa-pracíssima figuraça.

Ao Couto, vai daqui nosso grande abraço e o desejo de muitos e saudáveis anos de vida. PARABÉNS!!!

UMA BIG BAND BRASILEIRA

04 junho 2006

Quem diria que na região racista onde as águas escuras do Rio Negro se encontram com as águas claras do Rio Solimões e não se misturam, mais precisamente em Manaus, iriamos encontrar uma big band que toca jazz.

A Amazonas Band foi constituída pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Amazonas em 2000, com objetivo de difundir, preservar e incentivar a criação de música popular instrumental, privilegiando as vertentes associadas nesse campo ao legado cultural brasileiro assim como ao jazz, bossa e a diversos outros gêneros.

O Instituto Embratel 21 tem videos (com péssima qualidade de vídeo e áudio - infelizmente) das suas apresentações no Teatro Amazonas. Os músicos bem coordenados pelo maestro Rui Carvalho tocam diversos temas com improvisos jazzisticos e de bossa nova de bom nível. São 20 músicos, 5 sax, 4 trombones, 5 trompetes, 1 piano, 1 guitarra, 1 contrabaixo, 1 bateria, 2 percussionistas.

Como as orquestras e big bands de música popular andam meio raras por nossas bandas, fica então essa justa homenagem a Amazonas Band.

DA SÉRIE "COPIANDO O QUE INTERESSA":
JOÃO DONATO EM LONDRES

02 junho 2006

A dublê de jornalista e cantora Mônica Vasconcelos, radicada na Inglaterra, entrevistou o Donato quando de sua última passagem pelo umbigo do Universo, a swinging London, que o site da BBC no Brasil assim reproduziu e nós copiamos para sua disseminação aos confrades e leitores. A entrevista é o João como todos o conhecemos, sem tirar nem pôr. Uma delícia.

"UMA NOITE EM LONDRES COM MESTRES DA BOSSA NOVA"

Ausente da mídia brasileira, a bossa nova provou que continua muito viva em Londres, o que confirma uma realidade que observo a cada show que faço como cantora radicada na Grã-Bretanha.

Nesta semana, a capital britânica foi palco de um mega-concerto que reuniu um pioneiro do movimento, João Donato, e ainda Marcos Valle, a cantora Wanda Sá e outros convidados - eu incluída.

Exatamente. Eu, que cresci ouvindo e cantando a música desses mestres, tive a honra de participar do projeto e de cantar ao lado dos meus heróis. Nós nos apresentamos para uma platéia calorosa, de mais de 800 pessoas, no Cadogan Hall, região central. Fomos aplaudidos de pé.

A imprensa londrina saudou a vinda de Donato como sua estréia na cidade, já que em sua primeira visita, há 40 anos, o compositor e pianista veio acompanhar Astrud Gilberto. Donato, hoje aos 72 anos, lançou recentemente no Brasil o DVD Donatural. Ele acaba de gravar um álbum com o saxofonista Paulo Moura. Na Grã-Bretanha, alguns de seus álbuns foram relançados pelo selo WhatMusic.

Conhecido por suas respostas evasivas a jornalistas, o autor de clássicos como A Paz, Amazonas, Bananeira e A Rã falou abertamente comigo sobre composições, Londres e João Gilberto.

Circula entre os músicos brasileiros uma história. Alguém teria perguntado ao outro João, o João Gilberto, o que ele achava do João Donato. Segundo contam, o João Gilberto teria respondido: "O Donato? Muito louco...".

O que você acha disso?
João Donato - (Rindo). Eu acho legal. Se ele acha que eu sou maluco, é um elogio. Vindo dele, é a melhor coisa que eu poderia ouvir.

Por quê? Você o admira?
JD - Muito. É uma das pessoas mais bonitas que eu conheço. É muito agradável ouvir um comentário desses. "Ele é maluco". Isso é o que eu ouço a respeito de pessoas geniais, como Einstein. As mulheres também. Algumas são doidas e igualmente maravilhosas.

Você diria que tem muito da música do outro João na sua?
JD - Como assim?

A pergunta é meio óbvia. Com certeza existe muito da sua música na música de João Gilberto e vice-versa. Afinal, os dois são pioneiros da bossa nova.
JD - Sim, nós compartilhamos meio-a-meio a nossa própria originalidade (risos). Como eu gosto de fazer com todo mundo. Metade da minha felicidade pertence a você. Metade da minha tristeza pertence a você também.

Londres tem um significado especial para você?
JD - É a minha segunda visita a Londres. A primeira foi há 40 anos, com Astrud Gilberto, a Garota de Ipanema. Nós tocamos, Paul McCartney estava lá ouvindo. Nos conhecemos, conheci sua namorada na época. Agora, vim com Marcos (Valle) e Wanda (Sá), o que também é ótima companhia. Me sinto tão bem como da última vez. Até melhor. Eu mudei, Londres deve ter mudado junto comigo. Estou encantado com o estilo de vida londrino. O estilo britanico de vida. É muito confortável, silencioso. É como me sinto. Algumas cidades te dão... (procurando a palavra)

Paz?
JD - Paz. A atmosfera de Londres é deliciosa, não importa o tempo que esteja fazendo.

(Cantando) "A paz invadiu o meu coração..." A paz de Londres invade seu coração?
JD - (Rindo) Sim. Eu acho que é o melhor sentimento do mundo. Me sinto bem aqui.

Você está compondo?
JD - Eu componho 24 horas por dia. Os japoneses brincam comigo dizendo que sou um compositor aberto 24 horas por dia. Quando estou acordado, penso o tempo todo em música. Mesmo quando falo neste microfone com você. Às vezes decido que está na hora de escrever, ao invés de só pensar. Então escrevo as músicas para não esquecer. Como alguém que escreve uma carta para um amigo. Quanto mais feliz e em paz me sinto, mais bonita é a música que ouço dentro de mim.

Sabe que gravei duas músicas suas? A Rã e Bananeira
JD - É mesmo? São duas das minhas favoritas.

Os músicos de jazz por aqui amam suas harmonias e melodias. Eu adoro a forma como a harmonia vai mudando embaixo da melodia em A Rã.
JD - Eu tento não interferir na voz da música. Ela tem sua própria maneira de viajar. Simplesmente desfruto do que estou ouvindo. Se algo me agrada, penso que aquilo deve estar agradando também a outras pessoas.

Você é conhecido por suas respostas lacônicas, do tipo "sim" e "não", quando é entrevistado. Por quê?
JD - Eu era assim. Talvez porque não tivesse certeza do que estava pensando, ou não soubesse do que gostava ou não gostava. Respondia sim e não, sem explicar o porquê. Hoje tenho mais clareza do que quero de você, das pessoas, de mim, da vida.

Será que isso se chama maturidade?
JD - Acho que sim. Posso dizer que cresci e amadureci um pouco. Às vezes você não alcança maturidade com os anos, você amadurece com o seu desenvolvimento espiritual. Algumas crianças são muito maduras.

(Entrevista interrompida. É hora de passarmos o som antes do espetáculo.)

* Mônica Vasconcelos tem cinco discos gravados na Grã-Bretanha e é jornalista da BBC Brasil em Londres.