Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

ONDE ESTÁ LOC?

20 abril 2006

Alguns jazzófilos de carteirinha, viciados sem recuperação nas linhas elegantes do nosso Mestre Luiz Orlando Carneiro nos procuraram hoje, em plena crise de abstinência, perguntando onde estava a coluna do LOC, uma habitualidade das quintas-feiras no Jornal do Brasil.

Na realidade, depois das grandes transformações pelas quais vem passando o célebre veículo de imprensa, nosso Mestre foi relocado para as segundas-feiras.

Num trabalho de recuperação, resgatamos a coluna desta semana, para que muita gente não fique sem sua dose mínima de notícias jazzísticas, como tão finamente esculpidas por esse grande artífice da palavra.

Cliquem na ilustração abaixo para para ler a coluna ampliada.

ATENÇÃO, NAVEGANTES:
MUDANÇAS PARA MELHORAR - CJUB É JAZZ E BOSSA

19 abril 2006

Prezados amigos jazzófilos, charuteiros inveterados, uisquisitos de todo o mundo, torcedores fanáticos ou inimigos íntimos, leitores passantes pelo blog no Brasil ou d'além-mar, vamos fazer umas mudanças aqui, em breve, sobre as quais precisamos avisar a vocês.

Com quase quatro anos completados de existência do CJUB como este ponto de encontro virtual, oportunidades bem interessantes nos surgiram, tanto no que tange à troca de idéias quanto à realização do sonho de ouvir jazz "do nosso jeito".

A evolução do grupo, de "postadores em blog" para "produtores de concertos de jazz", feito sob medida para nossos ouvidos exigentes mas que passamos a compartilhar com uma legião cada vez maior de seguidores fiéis do nosso "estilo", demorou coisa de um ano.

Passados mais três do primeiro concerto, vemo-nos diante de algumas modificações impostas pelo desejo de continuar avançando. Assim, por logística de marketing, apenas, estamos sendo impelidos a abandonar o nome original do blog: saem os charutos e o uísque - não de nossas vidas, que temos a cabeça no lugar -, e também por isto, fica o Jazz e entra a Bossa.

CJUB - Jazz & Bossa, será o nome adotado para esta nova fase deste blog. A marca CJUB (que muitos acham ser "club" com erro de impressão), que já tem boa tradição junto aos músicos e com parcela considerável do "povo" jazzófilo carioca, permanece. Adicionamos a ela agora os nossos interesses musicais primários e vamos em frente, em busca de mais e melhores realizações.

Complementarmente, em votação realizada há pouco tempo, depois de localizar DICK FARNEY na boa memória de nossos Mestres como a figura pioneira do panorama jazzístico brasileiro, decidimos elevá-lo à categoria de PATRONO DO CJUB.

Decidimos, ainda, que essas mudanças serão implementadas a partir do nosso quarto aniversário de fundação, ou seja, no próximo dia 10 de maio, quando serão feitas as modificações no logotipo da testada - que manterá o aspecto gráfico atual porém sem as menções a charutos e uísque, que serão lembrados, entretanto, nos medalhões acima da marca CJUB.

Com isso, esperamos ampliar nosso horizonte na captação de patrocínios necessários às realizações de nossos concertos, sem as limitações impostas pelos nossos prazeres particulares aos interesses de futuros sponsors dessa programação cultural.
Desnecessário dizer que esta continuará sujeita ao elevado padrão que imprimimos desde sempre às nossas invenções, que, antes de tudo precisam atender ao nosso nível de exigência.

Adoraríamos permanecer recebendo o suporte de todos, o que nos incentiva a continuar a oferecer esse material tão estimulante para o engrandecimento dos espíritos, a boa conversa aliada à boa música.

Um grande abraço a todos.

RIO DAS OSTRAS JAZZ & BLUES - Edição 2006

Saiu a programação da 4a. edição do Rio das Ostras Jazz & Blues, festival que ocorre em Rio das Ostras, na chamada Região dos Lagos no Rio de Janeiro.
Será realizado de 14 a 18 de junho e o festival já é destaque na programação nacional que a cada ano vem trazendo nomes importantes do cenário musical e, principalmente, do Jazz e do Blues
Os shows ocorrem em 3 palcos, nas praias de Costazul e Tartaruga e na Lagoa de Iriry e, como sempre, muita jam sessions nos bares da cidade.

Alguns nomes de destaque no festival deste ano. Com foco no jazz teremos o trompete de Wallace Roney, James Carter e TS Monk, filho do lendário Thelonius Monk.

James Carter vem com seu Organ Trio formado pelo organista Gerard Gibbs e o baterista Leonard King que formaram o grupo em seu último disco chamado Out of Nowhere. Esperamos que se junte ao trio o sax baritono de Hamiet Bluiett e o guitarrista James “Blood” Ulmer, que tem excursionado junto com o grupo.
Wallace Roney foi o trompetista do V.S.O.P, grupo que reuniu Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Willians em tributos a Miles Davis. Em seu último disco - Mystikal - teve a companhia de Geri Allen ao piano e Matthew Garrison ao contrabaixo, o que nos dá esperança de podemos ver coisa boa por aí.
Outras atrações internacionais ficam por conta do guitarrista Larry Carlton, que se apresentou no finado Free Jazz Festival nos anos 80, e o baixista Richard Bona que também esteve presente na edição do ano passado e esticou a temporada no Mistura Fina, no RJ. Bona foi atração a parte por onde passou, mostrou muita musicalidade e muito som para quem teve a oportunidade de vê-lo. Outro que será bom ver novamente é Larry Carlton e sua famosa Gibson 335 no palco, esta que lhe deu o pseudônimo de Mr.335 pela sua pegada forte e bem blues.
Do set nacional, Leo Gandelman e a Banda Mantiqueira, que em seu último e recente lançamento - Terra Amantiqueira - mostrou que a banda tá com a corda toda.
Na seara do Blues, a gaita de Charlie Musselwhite, o blues de Chicago de Eddy Clearwater, os brasileiros Fernando Noronha e a Prado Blues Band.

Programação :

Quarta, 14/06
Praia Costazul - 20h : Banda Mantiqueira e Léo Gandelman

Quinta, 15/06
Lagoa de Iriri - 14h : Fernando Noronha
Praia de Tartaruga - 17h : Richard Bona
Praia Costazul - 20h : James Carter, Larry Carlton e Fernando Noronha

Sexta, 16/06
Lagoa de Iriri - 14h : Charlie Musselwhite
Praia de Tartaruga - 17h : Eddy Clearwater
Praia Costazul - 20h : TS Monk, Richard Bona e Prado Blues Band

Sabado, 17/06
Lagoa de Iriri - 14h : Prado Blues Band
Praia de Tartaruga - 17h : TS Monk
Praia Costazul - 20h : Eddy Clearwater, Wallace Roney e Charlie Musselwhite

Domingo, 18/06
Shopping de Rio das Ostras - 15:30h : James Carter
Praia de Tartaruga - 17:30h : Wallace Roney

Programe-se e chegando mais perto do festival colocamos as novidades.

MONK RECEBE PRÊMIO PULITZER PÓSTUMO

Divulgada ontem a informação de que o pianista Thelonious Monk recebeu, "post-mortem", do painel que concede o importante prêmio Pulitzer, uma Citação Especial, "pelo corpo de sua obra inovadora e diferenciada, quem vem tendo um impacto significativo e duradouro na evolução do jazz".

Até hoje, apenas dois outros músicos de jazz haviam recebido essa honraria. O primeiro foi Duke Ellington, que também recebeu uma citação póstuma em 1999, e Wynton Marsalis, que em 1997 recebeu o Prêmio Pulitzer na categoria Música, o Music Pulitzer, pelo seu trabalho "Blood on the Fields".

Fonte: jazz.about.com

PROFESSOR SAZZ DE IDADE NOVA

Um dos pioneiros em aceitar a idéia de trocar informações, indicações e críticas sobre o jazz e a bossa por escrito e publicá-los na internet, de maneira a que outros amigos pudessem delas tomar conhecimento, nosso querido Sazinho - Sazz, para nós - hoje faz anos e a esta altura já deve estar enjoado de atender o telefone, tantos os amigos e amigas que granjeou aonde quer que vá, ao longo destes anos todos.

Da turma do Colégio São Fernando, às do Jockey Clube e do Trinta, passando pelos amigos que fez na Petrobrás (Rio e Buenos Aires), sem contar 82% dos artistas ligados à música no Brasil, isso sem falar da penca de gente que dele se aproximou na época da sua loja de discos, All The Best, o Sazz está distribuindo senha para receber tal quantidade de felicitações.

Nós, do CJUB, não precisamos entrar na fila. Basta postar aqui nosso grito:

PARABÉNS E MUITA SAÚDE, JOSÉ SÁ, PELA DATA DE HOJE!!!

JAZZ NOTURNO NA LAGOA - 15.04.2006

14 abril 2006

Num dos mais agradáveis locais do Rio de Janeiro, teremos neste sábado um quinteto formado com músicos que já tocaram em Concertos produzidos pelo CJUB, e liderado por Paulinho Trumpete.

Local: Quiosque Drink Café (perto do parque dos patins)
Dia: 15.04.2006
Quinteto: amanhã na lagoa rodrigo de freitas, quiosque drink café:

Paulinho trumpete quinteto
Widor Santiago - sax
Kiko Continentino - teclado
Paulo Russo - contrabaixo acústico
Xande Figueiredo - bateria

Simplesmente imperdível !!!!

Beto Kessel

MILTON, SEM RÓTULOS, IGUALA-SE AOS FIGURÕES DO JAZZ

13 abril 2006

Matéria publicada no jornal Folha de SP, 13/04/2006

Um fã desavisado poderia se surpreender ao ver Milton Nascimento cantar um clássico do jazz, dedilhando um baixo acústico. Foi exatamente assim que o compositor abriu seu show de anteontem pela série Credicard Vozes, no Bourbon Street, em São Paulo. Como outros artistas que já participaram desse projeto, Milton aceitou o desafio de interpretar um repertório diferente do habitual. Ou de reler seus sucessos num formato musical diverso do que o consagrou. Acompanhado por seu sexteto, ele foi direto ao assunto: já entrou em cena vocalizando a melodia de "Work Song" (de Nat Adderley), clássico do soul-jazz dos anos 60. E, sem largar o contrabaixo, emendou uma versão descontraída de outra pérola do gênero: "Far More Blue" (de Dave Brubeck). Quando tudo indicava que a seleção de clássicos do jazz continuaria, Milton virou o jogo. Trocou o baixo pelo violão e, com aquela voz sublime que emociona platéias há quatro décadas, relembrou a bela "Outubro" (parceria com Fernando Brant), lançada por ele em seu disco de estréia, em 1967. Para quem acompanha de perto a trajetória do carioca mais mineiro da MPB, esse foi o verdadeiro início do show. A relação de Milton com o jazz o segue desde cedo e transparece em boa parte de sua obra, especialmente na maneira de tratar melodias e harmonias. Mesmo sem ser um jazzista literal, Milton é um adepto do improviso como método de criação. Não foi à toa que ele incluiu no roteiro outras canções da fase inicial de sua carreira. Como a pungente "Tarde" (parceria com Márcio Borges), recriada com pulso de samba, em arranjo bem jazzístico. Ou a solar "Canção do Sal", que ressurge em versão mais vibrante do que a original. Também não é à toa que Milton escolhe para sua banda músicos com formação jazzística, como o tecladista Kiko Continentino, o guitarrista Wilson Lopes ou o baterista Lincoln Cheib, que já o acompanham há anos. Esse know-how ficou bem evidente na longa versão de "Vera Cruz" (parceria com Marcio Borges), repleta de improvisos, como numa "jam session". Outro momento conectado com o jazz veio com "Lilia", tema instrumental lançado originalmente no lendário álbum "Clube da Esquina" (1972), que Milton compôs em homenagem à sua mãe. A nova versão ganhou um sotaque oriental, insinuado pelo expressivo solo de Widor Santiago ao sax soprano.

RADIO EUROPA LISBOA

12 abril 2006

Fomos contactados hoje pela Antonieta Lopes da Costa, da Radio Europa Lisboa (antiga Radio Paris Lisboa), dando conta de seu recente relançamento. A REL transmite jazz e notícias e nos convidou a visitar o site (cliquem na ilustração).

Dei uma ouvida no repertório enquanto trabalhava - abre fácil e toca sem falhas nas conexões de banda larga - mas não há referências sobre as músicas, autores, etc, pelo menos no player do Windows Media.

Se alguém obtiver sucesso neste quesito, por favor avise, caso contrário já fica sendo uma boa sugestão a ser implementada pelo pessoal da Antonieta, dada a natureza habitualmente minuciosa dos ouvintes de jazz.

MAIS PIANISTAS

Pensei na verdade em comentar o último CD do Sergio Mendes; "Timeless" (Concord), porém por tratar-se de um disco de rap, musica eletronica e afins, achei melhor deixar para outro forum mais apropriado.

Portanto volto seguindo a trilha do piano para escrever algumas linhas sobre 3 lançamentos, sendo um pianista da velha geração do jazz (Old Tiger) Andrew Hill, outro de mediana geração, Cyrus Chestnut, e o último, da novíssima (Young Lion) Taylor Eigsti.

Curiosamente assisti aos três em suas últimas apresentações por aqui.

Começando pelo recente trabalho de ANDREW HILL, Time Lines (Blue Note), que segundo o Luiz Orlando Carneiro diz em sua coluna do JB, ficará em estado de choque se esse não for considerado pelos críticos o disco mais importante do ano.

De fato considero este dos melhores da carreira de Hill, com sua musica densa e cerebral de grande criatividade e improvisação, fazendo fluir os sentimentos criados pelos seus temas, no total de 8 sendo 2 com interpretações alternativas, "Ry Round" e "Malachi", este abrindo e fechando o CD com a segunda versão em balada solo, uma das mais belas dos últimos tempos, feita em memória ao baixista Malachi Favors do Art Ensemble of Chicago, falecido em 2004.
Ressalto também os solos e improvisos de Charles Tolliver (trompete) e Greg Tandy (tenor, clarineta e clarone) de grande criatividade e interação harmonica.
Cotação: @@@@

Na sequencia, o CD de CYRUS CHESTNUT, Genuine Cyrus (Telarc), a meu ver bem irregular, com altos e baixos mais para descendente, indo desde David Gates, do grupo roqueiro insosso Bread, que fez sucesso com baladas tipo "If", surpreendentemente selecionada e interpretada por Cyrus e seu grupo, em uma frustrada tentativa de leitura jazzística sem solução.
Outro tema pop mela cueca é "The First Time I Saw Your Face", que também passa longe do dito jazz.
Pelo menos em 3 faixas de sua autoria, "Mason Dixon Line", "Eyes On The Prize"e "Through The Valley", podemos apreciar as verdadeiras teclas de Cyrus e sua verve jazzística, mas muito pouco para o todo.
Fecha o CD um tema solo "Lord I Gave Myself To You" (Traditional), pelo nome nem preciso dizer tratar-se de spiritual/gospel, genero musical em que Cyrus vem militando há algum tempo.

Considero este um trabalho menor, afastando Chestnut da nata desse nobre instrumento.
Cotação: @@

Finalmente, o lançamento de uma das promessas da nova geração TAYLOR EIGSTI, Lucky To Be Me (Concord) em CD com 11 musicas, 4 do próprio e alguns standards como "Giant Steps", onde faz uma releitura do classico de Coltrane muito criativo e diversificado do original, ou "Love For Sale" (Porter) com um andamento mais rapido que os arranjos tradicionais, mostrando ser um pianista à procura de sua identidade o que acredito esteja perto de, tocando com criatividade e incrível agilidade, é de fato velocista, embora nas baladas também se comporte muito bem.
Taylor vem acompanhado de grandes nomes como James Genus e Christian McBride (baixo), Lewis Nash e Billy Kilson (bateria), além de Garrett Smith (trombone), Adam Schroeder e Eric Marienthal (sax), sem falar em Julian Lage, para mim o novo prodígio e fenômeno na guitarra, mas que infelizmente teve sua participação limitada a 3 temas.
Disco que sem duvida vale a pena conferir e ouvir mais vezes, como no meu caso.
Cotação: @@@1/2

Fui....

SOBREVOANDO A JOATINGA

10 abril 2006





Alguns talvez fiquem chateados, outros com inveja, outros ainda poderão sentir-se traídos mas desde já afirmo que não havia nenhuma outra saída possível já que, como no futebol, o mando de campo não era nosso. Vou confessar agora a todos que no dia 23 último rolou uma produção extra do CJUB, num lugar lindo, lotado de gente bonita e interessante, com música de muito bom nível - desnecessário dizer de que tipo - e um ambiente de festa que nunca conseguiremos reproduzir senão ali mesmo, numa oportunidade futura.

Foi na casa do Heiner, sobre quem já falei aqui em post anterior, onde, desde que lá estive pela primeira vez, fiquei imaginando algo com a marca do CJUB, naquele cenário onírico. Bon-vivant e excepcional anfitrião, promotor de festas em que o jazz é a tônica e que chama de "Jazz na Joatinga", o Heiner e eu ajustamos uma co-produção: ele levaria um banda à sua casa -convidou a conduzida pelo jovem e talentoso saxofonista-alto e flautista Julio Merlino, JAZZAFINADO (detalhes adiante) - e o CJUB entraria com duas estrêlas de primeira grandeza para complementá-la.

Pois bem, a iniciativa conjunta foi um sucesso, que por questões de espaço, não pudemos partilhar com o fiel público dos nossos concertos no Mistura Fina. O Heiner, muito acertadamente, ao levar em consideração antes de tudo o conforto de seus convidados, limitou as presenças a 150 pessoas, divididas em 100 convidados dele e 50 do CJUB. Nossa quota foi preenchida pelos membros da confraria e por seus familiares e convidados e esgotou-se rapidamente. Não fossem algumas desistências de última hora, a maioria justificada, teríamos de pedir autorização especial para algum estouro na cota, o que felizmente não foi necessário.

Nesse cenário privilegiado - a casa tem uma acústica surpreendentemente boa, a despeito de ser toda envidraçada - Julio Merlino e seu grupo, composto por Bernardo Bezerra no teclado, Rodrigo Borges na guitarra, Rafael Garafa no baixo elétrico e Rodrigo Scofield na bateria, iniciaram um "primeiro set" todo dedicado às baladas conhecidas dos presentes.

Merlino exibiu uma técnica bem madura para um saxofonista tão jovem, com inventivos "chorus" e improvisos fluentes, fruto, acredito, de seu trabalho como principal solista da UFRJazz Ensemble, ótima big-band carioca onde atua sob a batuta do Maestro José Rua. Seus acólitos cumpriram fielmente suas tarefas, um pouco tímidos de início, talvez por estarem sob a observação de outros músicos, profissionais e mais calejados. Destaque um pouco maior para o teclado de Bernardo e a guitarra de Borges.

Após um intervalo de dez minutos, onde os presentes puderam conversar, reunidos em torno da piscina, desfrutando da paisagem e da temperatura muito agradável, entraram em campo os instigantes Bosisio e Biglione, que decidiram iniciar o seu set dialogando longamente entre si, acompanhados apenas pelo baixo e pela bateria.

E o que fizeram então com suas guitarras revolucionou a noite em termos musicais, até ali pacata. Bosisio demonstrou uma técnica tão soberba quanto plácida, com solos em andamentos mais lentos, enquanto Biglione era nitroglicerina pura. A simples intercalação desses dois estilos geniais fez com que os demais músicos percebessem que havia ali espaço para todas as interpretações e técnicas e então a noite passou a ser de puro divertimento.

Foi então desfiada uma penca de standards, a que todos reconheciam imediatamente e assim lhes facilitava comparar os estilos diferentes de Bosisio e Biglione, os timbres diferentes de suas guitarras - a do primeiro mais acentuada nos tons médios, a de Vítor mais para os agudos - suas técnicas exuberantes e tudo isso fez com que a banda se soltasse e ousasse, cada solista dando o melhor de si para não comprometer o todo. Mais uma vez, Merlino mostrou que está "graduado" e que já é capaz de figurar hoje em um concerto do CJUB empunhando seu sax alto e suas idéias elegantes. Bezerra voou alto no teclado, e me pareceu que surpreendeu-se descobrindo tocar bem mais rápido do achava que podia, sem perder de vista algumas boas idéias nos improvisos que exibiu. Destaque-se também o jovem Scofield e sua estranha bateria, mantendo firme o pulso e apresentando criatividade nos seus solos, ladeado pelo firme Garafa no baixo, apresentando boa velocidade e afinação num bom desempenho, sem temer as passagens mais rápidas, nas quais saiu-se muito bem.

A apresentação foi muito aplaudida pela platéia deslumbrada com o que a rodeava: a paisagem, a boa conversa no jardim, a hospitalidade do Heiner e sobretudo pela maravilhosa atmosfera jazzística ali conseguida.

A ponto da pergunta final ser uma só: quando vai ser a próxima?

GLOBO ON LINE DÁ DESTAQUE À PRODUÇÃO DE HOJE

07 abril 2006



Matéria do Globo On-Line de hoje:


Jane Duboc e Victor Biglione Quarteto
Os músicos visitam a obra da diva do jazz Ella Fitzgerald


Jane Duboc e Victor Biglione tocaram juntos uma única vez, no início da carreira de ambos. Agora, cantora e guitarrista se reencontram para um show em forma de tributo à diva do jazz Ella Fitzgerald. O show, após a temporada no Mistura Fina, vai se transformar num CD e a dupla excursionará pelo Brasil e pelo exterior.

Serão revisitados, nesta temporada, os songbooks de Gerswhin, Rodgers, Porter, Ellington, Arlen, Mercer e Jobim, e as memoráveis associações com os bandleaders e arranjadores Chick Webb, Duke Ellington, Count Basie e Nelson Riddle. Além disso, estarão presentes no show, registros com os mais importantes jazzmen que por 60 anos de carreira acompanharam Ella, desde Louis Armstrong, passando por Ellis Larkins, Hank Jones, Oscar Peterson, Roy Eldridge, Ray Brown, Herb Ellis, Joe Pass, Andre Previn, Niels Pedersen, Tommy Flanagan, Clark Terry, Stan Getz, Zoot Sims, Benny Carter e Oscar Castro Neves, entre tantos outros, inclusive nas históricas participações da diva nas jams e turnês organizadas pelo lendário produtor Norman Granz, batizadas de Jazz at the Philarmonic.

CJUB - RUMO AOS QUATRO ANOS

06 abril 2006

Estamos na véspera de mais uma Produção do CJUB, que ocorrerá em 07.04.2006 no Mistura Fina, tendo a bela voz de Jane Duboc homenageando Ella Fitzgerald, acompanhada de Victor Biglione à Guitarra, Alberto Chimelli ao Piano, Sérgio Barroso ao baixo e André Tandetta à Bateria.

Neste momento, nunca é demais recordar que o CJUB está próximo de completar (em 10.05.2006) o seu quarto aniversário.

Os 4 anos de muitos Concertos de Jazz, muitos almoços agradáveis, muita troca de informação, muito aprendizado, muito apoio aos músicos, muita camaradagem, muita amizade e muito JAZZ...

Vida Longa ao CJUB !!!!

Beto Kessel

DEAR ELLA” - JANE DUBOC & VICTOR BIGLIONE QUARTETO visitam ELLA FITZGERALD

03 abril 2006


Um anjo por um anjo. O mais belo timbre do país incorpora o legado da mais importante cantora de todos os tempos.

JANE DUBOC e o QUARTETO DE VICTOR BIGLIONE formam, em produção de gala do CJUB, o all star cast, que trará para o Mistura Fina, nos dias 7 e 8 de abril, o jazz insuperável de Ella Fitzgerald.

Serão revisitados, nesta curta e imperdível temporada, os inesquecíveis songbooks (Gerswhin, Rodgers, Porter, Ellington, Arlen, Mercer, Jobim) e as memoráveis associações com os bandleaders e arranjadores Chick Webb, Duke Ellington, Count Basie e Nelson Riddle, além dos registros com os mais importantes jazzmen que por 60 anos de carreira ladearam “the First Lady of Song”, desde Louis Armstrong, passando por Ellis Larkins, Hank Jones, Oscar Peterson, Roy Eldridge, Ray Brown, Herb Ellis, Joe Pass, Andre Previn, Niels Pedersen, Tommy Flanagan, Clark Terry, Stan Getz, Zoot Sims, Benny Carter e Oscar Castro Neves, entre tantos outros, inclusive nas históricas participações da diva nas jams e tournés organizadas pelo legendário produtor Norman Granz, batizadas “JAZZ AT THE PHILARMONIC”.

JANE DUBOC & VICTOR BIGLIONE QUARTETO
VICTOR BIGLIONE, direção musical, arranjos e guitarra;
ALBERTO CHIMELLI, piano;
SÉRGIO BARROZO, contrabaixo;
ANDRÉ TANDETA, bateria

MISTURA FINA (Av. Borges de Medeiros, 3.207, Lagoa)
Dias 07/4, 21:30; 08/5, 20:00 e 23:00
(ingressos no local ou no site www.ticketronics.com.br)

Quem não for lá ou é ruim da cabeça, ou doente do pé, ou vai estar viajando (em todos os sentidos).

Nada mais a dizer, exceto: cliquem nas ilustrações (e olhem o capricho do banner do nosso Manim, à esquerda) para ver mais detalhes.

MORRE JACKIE MCLEAN

02 abril 2006

Aos 74 anos, Jackie McLean faleceu no último dia 31 em sua casa em Hartford, cuja causa não foi divulgada pela família.
Nascido no Harlem, vizinho de grandes do jazz como Duke Ellington, Nat King Cole, Monk, Bud Powell e Sonny Rollins, começou a tocar aos 15 anos e tornou-se um dos grandes saxofonistas alto da era do jazz.
Descendente de Charlie Parker, McLean desenvolveu seu estilo nos 50', gravou mais de 60 albuns e deixou um grande legado para as gerações de saxofonistas que o sucederam.
Após a morte de Parker em 55', McLean foi o sax alto de Charles Mingus, onde encontrou seu próprio estilo, livre da influência de Parker. Entre 56' e 58' foi membro dos Jazz Messengers de Art Blakey e entre 59' e 67' gravou inúmeras sessões pela Blue Note.

Nos últimos 35 anos viveu em Hartford, onde criou um programa de estudos de jazz na Hartt School of Music, na Universidade de Hartford, hoje chamada de Jackie McLean Institute od Jazz.

YAMANDU COSTA

01 abril 2006

Na carona do lançamento da Delira Musica, mais música instrumental brasileira em DVD, agora com sotaque gaúcho.
Assisti Yamandu Costa pela primeira vez em 2001 no festival VISA de música instrumental, cuja apresentação do tema Brejeiro foi espantosa, inovadora, já mostrando que que aquele garoto gaúcho chegava, definitivamente, como uma revelação no instrumento. Com seu violão de 7 cordas, um pouco incomum na seara dos violonistas tradicionais, uma pegada forte e de estilo tão particular, chamou atenção para o Free Jazz Festival deste mesmo ano, em apresentação solo, a qual também assisti. Ainda garoto, não tinha uma presença tão marcante de palco, mas tocava demais e com muita estrada pela frente.
Confesso que violão solo chega a ser um tanto "cansativo" para os menos entusiasmados, mas Yamandu Costa percebeu isso ao longo do tempo e encontrou parceiros que complementaram sua música de forma magistral, acrescentando novas dinâmicas, releituras de temas conhecidos e fez música de altíssima qualidade.
Pois bem, isso pode ser visto em seu primeiro DVD, lançado pelo selo Biscoito Fino e gravado ao vivo no Sesc Pompéia, SP, no ano passado. Não hesitei em adquirir este material e, para os amantes das cordas, é obrigatório.
Em apresentações solo, duo, trio e quarteto, Yamandu desenvolve sua técnica e seu entusiasmo de forma contagiante através de temas próprios e composições de Baden Powel, Geraldo Vandré e Django Reinhardt.
Muito bem gravado, também em áudio multicanal, o show abre com 2 temas solo de sua autoria. Após, sobe ao palco o baixista Tiago Espirito Santo, filho do grande instrumentista Arismar Espirito Santo, e o baterista Eduardo Ribeiro. O trio ataca com um tema de Baden Powell - Valsa n.1 - e outro tema do próprio Yamandu, sobrando muito improviso para Tiago com seus harmonicos a la Pastorius. O inusitado vem no próximo tema, em duo, um tango - Tango Amigo - onde é chamado ao palco o contrabaixista Guto Virti. Usando o contrabaixo acústico com arco, Guto se destaca na faixa. Chega a vez de Toninho Ferraguti e seu acordeom subir ao palco para mais 3 temas, em trio com Guto, em duo com Yamandu e em quarteto com o baixo elétrico de Tiago e a bateria de Eduardo Ribeiro em um tributo a Pixinguinha. Toninho Ferraguti se despede e, de volta a formação de trio, o homenageado agora é Django Reinhardt com o tema Nuages. Belissimo ! Daí em diante, fica dificil não se contagiar com a vibração dos músicos. Com seu violão cheio de vozes e improvisos, destacam-se Vou Deitar e Rolar (Baden Powell) e Disparada (Geraldo Vandré), sobrando, mais uma vez, muito improviso para o elétrico baixo de Tiago Espírito Santo e a bateria de Eduardo Ribeiro.
A festa não acaba aí, nos extras tem uma versão bem improvisada de Sampa (Caetano Veloso) e uma jam em mais um tributo a Django, além de entrevistas e temas livres improvisados durante as turnês.

Vale conferir !