Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

ROY HAYNES NO VILLAGE VANGUARD

31 março 2005

Vi o ultimo show de Roy Haynes no Village Vanguard semana passada, em New York.

Haynes, em plena forma nos seus 79 anos, apresentou-se com uma banda jovem e fez um show inesquecível. Sugiro prestarmos atenção no seu saxofonista, Marcus Strickland, alem do excepcional piano de Martin Bejerano. O baixista era John Sullivan.
Para os que não se lembram, Roy Haynes gravou com Charlie Parker, Lester Young, Bud Powell, Miles Davis, Monk, etc.

Um dos melhores momentos foi durante improvisação do piano, Roy levantou-se, andando pelo palco e tirou um som incrível apenas com suas baquetas. Foi um duelo memorável.

O ponto alto foi a canja do grande Clark Terry que sentado na platéia sacou seu flugelhorn e exibiu uma virtuosidade inesquecível. Quando Clark abandonou o flugelhorn e pegou o microfone, fez um scatting genial, a platéia delirou, riu das inserções frasísticas sobre o próprio Haynes. E o Village Vanguard, tão cioso de não ser um “chat room”, ficou completamente eletrizado e participante.

No dia seguinte tive o prazer de almoçar com o lendário produtor de discos George Avakian, que me deu o privilégio de sair de sua casa em Riverdale para nos encontrarmos em Manhattan e falarmos de nosso saudoso amigo Jorge Guinle.

Comunico aos amigos cjubianos que o convidei para vir ao Brasil para conhecer a turma toda. A resposta: “Whether my wife Anahid and I will ever get to Brazil is doubtful, but your kind invitation may well be the tipping point in that direction (south, of course).”

George Avakian recebeu em 2000 o Down Beat Lifetime Achievement Award e está empenhado em finalizar seu novo livro.

Breve contarei minha experiencia no Jazz at Lincoln Center. Me aguardem.

La Claudia

JAZZÓFILOS AJUDANDO A CIENTISTAS? É POSSÍVEL E MUITO FÁCIL!!!

28 março 2005

Confrades, amigos e leitores do CJUB:

O que vocês acham de usar as horas vagas de seus computadores - muitos de nós ficam on-line grande parte do dia e/ou da noite, principalmente os que gostam de baixar músicas da rede - para ajudar a Humanidade? É tão fácil que a gente custa a acreditar ser possível. Mas é de uma simplicidade extrema.

Descobri o projeto Folding@Home, levado adiante pela Universidade de Stanford, através de um forum onde busquei solução para um problema com alguns vírus que atacaram meu computador.

O time de caras que me ajudou (todos grandes sábios que, gratuitamente, orientam a quem os procura pelo prazer de ajudar a resolver coisas intrincadas), sugeriu que eu apenas conhecesse o programa mencionado, já que a idéia se vende sozinha.

O programa é hoje subscrito e apoiado por nada menos do que Google, Dell, Apple e Intel, entre outras companhias gigantescas que já se integraram a ele em vista de sua utilidade e eficácia no desenvolvimento da ciência, pesquisando a evolução das doenças através da simulação de cadeias de proteínas em cada computador que lhes cede tempo de processamento. Além de Stanford, dão total credibilidade ao projeto a National Science Foundation e o National Institute of Health.

Pode-se ajudar bastando baixar o programa residente, que pouco ou nada interfere na conexão, não torna nada lento ou vulnerável. E a sensação de estar sendo útil à Humanidade é ótima!

De tão empolgado criei um time chamado, claro, de CJUB, para que possamos ajudar organizadamente. Ganhamos o número 43556 na estrutura de controle, que hoje chega a 160 mil computadores no mundo todo, ligados ao programa geral. Só para dar uma idéia, nós os "satélites", processamos muito mais "folds" - o nome dado às simulações de cada proteína - do que os supercomputadores que estão dedicados ao projeto, dentro das universidades.

Os interessados devem baixar o programa (leva menos de 1 minuto, numa conexão a cabo) através deste link, caso já estejam convencidos ou podem procurar entende-lo melhor, na própria página do projeto, onde se encontram versões em diversas línguas.

Ao instalar o programa, basta escrever o número do grupo CJUB - 43556 - no local solicitado para que se inicie a computação das horas que pudemos emprestar à Ciência. E quem quiser poderá usar a evolução do "folding" das moléculas como um sofisticado e tecnológico descanso de tela.

Estão todos convocados a participar. Vamos lá, pessoal, mãos (ou micros) à obra!

Republicando: 18o. CONCERTO DA SERIE CHIVAS JAZZ LOUNGE
- O SOM DO BECO DAS GARRAFAS - DAVID FELDMAN TRIO

O trio do pianista David Feldman abre a temporada do Projeto Chivas Jazz Lounge em 2005 no Mistura Fina, dia 31 de março, quinta-feira, às 21 horas, com o concerto "O Som do Beco das Garrafas", - "uma homenagem à geração que virou a música de cabeça para baixo", relembrando os tempos em que a noite fervilhava naquele saudoso recanto carioca mudando o curso da história da música brasileira. O evento será produzido pelos integrantes deste blog, um grupo de amigos que desde 2003 apresenta concertos de jazz com músicos brasileiros nos palcos cariocas.

O trio de David Feldman reúne Jorge Helder (baixo) e Rafael Barata (bateria), nomes que dispensam apresentações. David trabalha com nomes importantes da música instrumental brasileira, incluindo Paulo Moura, Claudio Roditi, Leo Gandelman, Duduka da Fonseca e Paulo Braga, para citar alguns. Ele é considerado um dos mais talentosos pianistas da nova geração de jazz e da música brasileira moderna. Foi semifinalista do concorrido Montreux Jazz Piano Solo Competition, em 2004, morou 12 anos fora do Brasil e diz que lá aprendeu a valorizar a música brasileira: “Músicos de jazz de todo o mundo ficam encantados com a nossa sonoridade, nosso ritmo e os grandes instrumentistas que o Brasil tem.”

A idéia de David em reviver os tempos gloriosos do Beco das Garrafas tocando samba-jazz surgiu para homenagear a geração de músicos que há quatro décadas transformou aquele local num autêntico laboratório musical experimental, que ele julga não terem sido devidamente reconhecidos.

Os assíduos freqüentadores dos quatro clubes que ocupavam aquele trecho próximo às ruas Duvivier e Carvalho de Mendonça, em Copacabana, quase todas as noites testemunhavam alguma novidade, fosse o aparecimento de um novo talento, uma nova composição ou a formação de um novo conjunto. Inúmeros artistas começaram suas carreiras naquele minúsculo quarteirão, onde muitos desconhecidos despontaram para a fama. O que se ouvia não era somente bossa nova e jazz, também começava a tomar forma e desenvolver-se uma nova amálgama estimulante de samba temperado com jazz logo denominada samba-jazz. Foi uma era de constante, intensa e irresistível ebulição, resultando na grande renovação da nossa música que começou a tomar o mundo de assalto em 1962/63. É extensa a relação de músicos que passaram pelo Beco deixando seus nomes gravados na memória da MBM (Música Brasileira Moderna) como inovadores e criadores de um estilo de música instrumental que ficou para a posteridade.

É precisamente o repertório deste gênero que o trio de David Feldman reverenciará neste concerto incluindo, entre outros, Rapaz de Bem, de Johnny Alf, Sambou Sambou, de João Donato, Ligia, de Tom Jobim, Tematrio, de Dom Salvador, e Quintessência, de J. T. Meirelles, além de Evidence, de Thelonious Monk, e Speak Low, de Kurt Weill.

David Feldman não era nascido no tempo em que o Beco das Garrafas agitava a noite carioca, mas, ciente da sua importância na história e no desenvolvimento da música brasileira moderna, faz questão de acentuar que este concerto será um reconhecimento aos músicos que contribuiram com seu talento para a grandeza e valorização da nossa música instrumental. Convicto, afirma: "Quero homenagear a geração do Beco, pois em muitos casos acho que eles não receberam, no Brasil, o reconhecimento devido."

Para mais informações sobre os músicos, visite também: www.davidfeldmantrio.blogspot.com
31 de março de 2005, quinta-feira - 21:00Hs
MISTURA FINA
Av. Borges de Medeiros 3.207

Ingressos: R$ 20

Reservas : 2537-2844 com Adriana ou pelo site www.ticketronics.com.br

*** E como já é hábito, haverá o sorteio de duas garrafas de Chivas Regal no intervalo do Concerto.

UMA EXCELENTE NOTÍCIA

22 março 2005

Tem avô no CJUB!

Nosso grande confrade e amigo Goltinho (que se assina Arlindo Carlos Coutinho) e espôsa, D. Marcela, acabam de ser presenteados com a chegada da guapa Helena, filha de sua Carmen.

Ambas as meninas passam muito bem na Maternidade do Hospital Einstein, na capital paulista, onde os naturalmente corujíssimos avós maternos se encontram, exatamente para essa finalidade.

Daqui o nosso abraço aos pais da princesa e à família toda, abençoada pela chegada da belezoca, cujas fotos seguem abaixo:

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA

17 março 2005

Acabamos de ser informados que, por motivos de força maior, o excepcional baterista Robertinho Silva não poderá formar no trio de David Feldman, na produção que se está preparando para o próximo dia 31 (vide nota abaixo).

Embora desapontados por não poder contar com Robertinho nesta oportunidade específica, vamos convidá-lo novamente no futuro para apresentar sua arte e talento indiscutíveis sob a batuta do CJUB.

Será substituído pelo muito competente e criativo - tanto que premiado como Revelação Nacional do ano de 2004, pelo painel do CJUB - baterista Rafael Barata.

"KIND OF BLUE" REEDITADO EM ÁLBUM DUPLO, INCLUINDO DOCUMENTÁRIO

12 março 2005

Por Jim Santella, para o site All About Jazz:

Columbia's latest release of this essential album includes the original liner notes by Bill Evans, a new liner note essay by Robert Palmer, a bonus track alternate take of “Flamenco Sketches,” a 25-minute documentary DVD on Kind of Blue, and the original music itself.

It sounds as good today as it did 46 years ago.

In the words of television journalist and jazz devotee Ed Bradley, “It's as strong today as it was for me in 1959.”

On the flip side of this CD is a DVD documentary that features brief interviews with Herbie Hancock, Ed Bradley, Shirley Horn, Jackie McLean, John Scofield, Jimmy Cobb, Dave Liebman, Bill Cosby, Eddie Henderson, Me'Shell NdegéOcello, Q-Tip, David Amram, Ira Gitler, and Horace Silver. Each reflects on the album's songs and what kind of impact they've left on jazz.

Several brief video samples are included from a 1959 black & white CBS-TV special called The Sound of Miles Davis. The documentary's integrated black & white still photos recall vivid memories, as do several brief samples from a 1979 Bill Evans radio interview. The sharing of opinions about this classic must-have album proves both refreshing and reinforcing. Most of us agree that Kind of Blue holds a special place in jazz history.

Sony's DualDisc packaging gives Kind of Blue an added dimension that reminds us visually and aurally how valuable this album is to us year after year.

Track Listing: So What; Freddie Freeloader; Blue in Green; All Blues; Flamenco Sketches; Flamenco Sketches (alternate take).

Personnel: Miles Davis- trumpet; Julian "Cannonball" Adderley- alto saxophone; John Coltrane- tenor saxophone; Bill Evans- piano; Paul Chambers- bass; Jimmy Cobb- drums; Wynton Kelly- piano on "Freddie Freeloader."

Review Published: March 2005

Jim Santella has been contributing CD reviews, concert reviews and DVD reviews to AAJ since 1997. His work has also appeared in Southland Blues, The L.A. Jazz Scene, and Cadence Magazine).

MARQUEM NAS SUAS AGENDAS - 31 DE MARÇO, 5a. FEIRA

06 março 2005

Primeiro Aviso aos Jazzófilos Leitores do Blog e Público em Geral!

0 CJUB retomará suas já tradicionais produções das últimas quintas-feiras de cada mês no próximo dia 31 de março, no horário habitual das 21 hrs., com a apresentação de uma revelação: o jovem e muito promissor pianista DAVID FELDMAN, que estudou música por vários anos em Israel e em Nova Iorque, onde passou os últimos anos se aperfeiçoando (e tocando, claro!).

FELDMAN vai liderar um trio em concerto dedicado aos bons momentos vividos por uma infinidade de músicos talentosos que freqüentaram ou fizeram com que a época do Beco das Garrafas represente, ainda hoje, na memória de todos, uma das mais esfuziantes em termos de criação e inventividade musical.

No momento não se pode adiantar muita coisa mais, porém este aviso é importante para que já deixem, de antemão, um espaço vago em suas agendas de compromissos noturnos para essa data, pois já estamos antevendo uma noite para lá de interessante, dedicada ao samba-jazz e seu balanço contagiante.

Voltem aqui nos próximos dias para mais detalhes.

O "WEST-COAST JAZZ" VAI BALANÇAR NOVA IORQUE

03 março 2005



É com esse grafismo que a organização Jazz at Lincoln Center está divulgando a passagem, pelo magnífico complexo dedicado ao jazz em Nova Iorque (que já se tornou ponto de visita obrigatório na cidade), do San Francisco Jazz Colective, em uma ótima oportunidade de se trazer o jazz atual à sua devida evidência, seja em termos de criação ou de pura celebração, e ser mostrado na "Big Apple" com a pompa e a circunstância que lhe são devidas.

O grupo de músicos - em formação de octeto - que irá se apresentar entre os dias 24 a 26 deste mês no Rose Theater, será capitaneado por Bobby Hutcherson (vibrafone) e por Joshua Redman (sax-tenor) e trará ainda o trompetista Nicholas Payton, a pianista Renee Rosnes, o saxofonista Miguel Zenon e o baixista Matt Penman, entre outros, num line-up entremeado de jovens e antigos leões do jazz.

Se tudo correr normalmente, talvez tenhamos um(a) agente secreto(a) infiltrado(a) no evento, para, no mínimo, obter algumas fotos exclusivas e publicá-las aqui. Aguardem.

II PRÊMIO CJUB DE MELHORES DO JAZZ - RESULTADO FINAL

22 fevereiro 2005

Segue abaixo o resultado final do II Prêmio CJUB de Melhores do Jazz - edição 2004. O resultado oficial contou apenas com os votos dos membros do CJUB.

Agradecemos a todos que participaram da votação, principalmente nossos amigos visitantes.

A entrega dos diplomas aos vencedores de cada categoria será realizada no próximo concerto que o CJUB irá produzir, dia 31 de março no Mistura Fina.


SHOW INTERNACIONAL: LOUIS HAYES QUINTET - CHIVAS JAZZ FESTIVAL

SHOW NACIONAL: BRAZILIAN JAZZ TRIO - MISTURA FINA

MÚSICO ESTRANGEIRO: KEITH JARRET

MÚSICO BRASILEIRO: HÉLIO ALVES

MÚSICO CJUB: VICTOR BIGLIONE

REVELAÇÃO NACIONAL: RAFAEL BARATA

REVELAÇÃO INTERNACIONAL: FRANCESCO CAFISO

FESTIVAL: CHIVAS JAZZ FESTIVAL

CASA: MISTURA FINA

MÍDIA: COLUNA DO LUIZ ORLANDO CARNEIRO - JORNAL DO BRASIL

PRÊMIO ESPECIAL: LUIZ CARLOS ANTUNES (LULA)

MÚSICO VIVO (3 NOMES): DAVE BRUBECK, WYNTON MARSALIS E SONNY ROLLINS

MELHOR DISCO DO ANO: THE OUT OF TOWNERS - KEITH JARRET


Lembramos que o vencedor da categoria "Melhor Músico Brasileiro" recebe o Prêmio Arlindo Coutinho e o vencedor da categoria "Especial" (para aquele que ajuda no desenvolvimento do jazz no Brasil) recebe o Prêmio José Domingos Raffaelli.

Convidamos a todos para a grande festa que o CJUB irá promover na entrega dos prêmios.

Abraços,

Marcelink

ROY HARGROVE QUARTET, MISTURA FINA, 18 E 20/01/2005 - @@@@@

Perguntado, dois ou três anos atrás, como definiria um "momento mágico" no Jazz, Ira Gitler, o legendário crítico americano, não hesitou:

"Ouvir Roy Hargrove, num 3º set de sábado, no Village Vanguard".

Quem dizia era o mesmo Gitler que testemunhou praticamente toda a história do Jazz.

Nem Armstrong, Parker, Miles, Coltrane, Hawkins, Webster, Tatum, Powell, ou tantos outros gênios de cuja arte privou com inigualável intimidade. O "momento mágico" de Gitler é "Roy Hargrove, num 3º set de sábado, no Village Vanguard".

Sorte do público carioca, que, por dois dias, 18 e 20 de janeiro, pode também partilhar não de um, mas de vários "momentos mágicos" com que o quarteto de Roy Hargrove e o Trio da Paz, em estelar double bill, nos presentearam.

O trompetista retornou ao Brasil em excepcional companhia, trazendo John Lee no baixo elétrico, Willie Jones III , na bateria e o repatriado Guilherme Vergueiro ao piano. Como convidada especial, Roberta Gambarini, cantante radicada em Nova York.

Hargrove não deixou dúvida. De sua geração e das que vieram depois, não há trompetista mais completo. Um timbre altamente distintivo e magnético, tanto no trompete quanto no flugel; o fraseado sempre original e musicalmente consistente; a técnica titânica e a excelência também na composição: todos estes predicados, inobstante sua juventude, já reservaram a Hargrove lugar cativo no Olimpo da "música dos músicos", ao lado dos mitos Armstrong, Eldridge, Navarro, Gillespie, Miles, Clifford Brown, Lee Morgan, Freddie Hubbard e Marsalis, entre outros poucos.

As recentes apresentações deixarão para sempre na lembrança:

- o lirismo imcomparável de seu flugel nas baladas, em especial a estonteante Fools Rush In;

- o domínio também da latinidade que tanto influenciou o jazz, no bolero, tratado "quasi rumba", Contigo Aprendi, com direito a citações de La Barca;

- o respeito absoluto por Birks, nitidamente privilegiado no set list - talvez pela presença de Lee, antigo sideman de Dizzy - e de cujo repertório ouvimos memoráveis versões supersônicas de Blue´n Boogie e Bebop, sem contar a bissexta This Lovely Feeling.

Vieram também esplendorosos originais como Burn Out, Fun as It Gets e Clear Thought, e, na voz da afinada Roberta Gambarini, os clássicos Stardust, Day Dream, e Only Trust Your Heart. Esta última contou com a inusitada (e não agendada) participação do desconhecido e voluntarioso gaitista holandês Tim "Harmony" Welvaars, grande surpresa do 1º set do dia 18, "convidando-se" ao palco, porém impressionando pela desenvoltura e musicalidade de seus solos, fruto - soube-se depois - de dez anos estudando com o mestre supremo da harmônica, Toots Thielemans.
Hargrove atacou também um furioso funk baseado em Straight Life, do Freddie Hubbard anos "Creed Tatlor/CTI", mostrando ainda grande categoria também na música brasileira, ao acompanhar Vergueiro e o Trio da Paz em Só Danço Samba, quando, todos no palco, celebraram a excelência de tão afortunada reunião, promovida pelo Mistura Fina.

Guilherme Vergueiro teve, então, seu grande momento, mostrando porque é um dos principais pianistas, no mundo, de sambop, ou, como ele prefere, de "samba livre". Sua aparente discrição em alguns momentos, jamais escondeu o enorme talento do qual o samba-jazz há decadas tanto dele se orgulha.

John Lee é um portento de solidez e inventividade. O veterano baixista usa os recursos do instrumento elétrico para criar, exatamente a partir das diferenças deste com o primogênito acústico, linhas de walking preciosas, entremeadas de slaps e acordes que dão o acento certo, na hora certa.

Willie Jones III destacou-se por sua incrível versatilidade, não se deixando intimidar nem no samba, apesar de ter, a seu lado, nada mais nada menos, do que Duduka da Fonseca, nas jams do dia 20. O jovem baterista foi aluno de Billie Higgins, honrando a tradição de Philly Joe Jones e Jimmy Cobb, porém revelando severa influência, ainda, de Louis Hayes.

Roberta Gambarini, dignificou as sempre dificílimas Stardust e Day Dream, pecando, entretanto, nas canções em que aventurou-se pelo scat, dom que só a poucas rainhas do jazz foi concedido, entre elas Carmen Macrae, farol mais que evidente da italiana. Ressente-se ainda de um timbre mais atraente, embora sua técnica e personalidade denotem já uma cantora de induvidosa classe.
Após essas gloriosas performances, Hargrove parecia exausto já na madrugada de quinta, espraiado na escadaria do Mistura. Fumava quieto e olhava o vazio da rua.

Até hoje me pergunto quando, de novo, terei a ventura de esperar meu carro ao lado de um autêntico gênio do Jazz.

RARIDADES DO JAZZ EM LEILÃO: NOVA IORQUE

18 fevereiro 2005

(sobre nota da AP)

Verdadeiro tesouro em termos afetivos, será leiloado em Nova Iorque, neste domingo, um grande conjunto composto de 450 peças de memorabilia jazzística. Os lotes incluem o saxofone de John Coltrane, o trompete angulado de Dizzy Gillespie e também o vibrafone de Lionel Hampton.

A hasta, que incluiu uma prévia para visitação no sábado, ocorrerá na nova casa da fundação Jazz at Lincoln Center, no complexo da Time Warner, na ilha de Manhattan.

Para aqueles que não podem estar presentes mas se interessem por algum dos itens, serão aceitas ofertas por telefone e via o site de leilões eBay.com .

As peças foram doadas palas famílias dos artistas e a arrecadação irá para fundações que suportam o jazz, arquivos e jovens músicos de jazz.

Adicional e curiosamente, para aqueles que não se interessarem em deter um instrumento, há também dúzias de desenhos coloridos e surrealistas feitos por Miles Davis.

Quem se habilita? Dou-lhe uma...

WANDA SÁ IN CONCERT (AGAIN)

17 fevereiro 2005

Aos críticos de plantão do blog e aos desavisados, comunico que a Wanda estará reapresentando o concerto cuja estréia foi pelo CJUB, neste fim de semana (6a. e sábado), no Cais do Oriente, às 22:00hrs, acompanhada por Adriano Souza no piano, Dôdo Ferreira no contrabaixo e João Cortês na bateria.

JAZZ FM [LONDRES] TENTA UMA LEVADA MAIS MACIA

15 fevereiro 2005

(transcrição livre de artigo de hoje de Helen Johnstone, no www.telegraph.co.uk)

Jazz FM, a primeira estação britânica dedicada ao jazz, está sendo rebatizada de Smooth FM, depois que o título original começou a perder ouvintes. O grupo Guardian Media Group Radio (GMG Radio), que detém a estação, recebeu permissão da agência reguladora de mídia, Ofcom, para incrementar sua potência a partir da Smooth FM, que agora incluirá artistas como Marvin Gaye, Stevie Wonder e Diana Krall em sua grade.

John Myers, executivo chefe da GMG Radio comentou: "Acreditamos que esta estação tem um potencial enorme e que em breve estará entre as cinco maiores de Londres, em termos comerciais. Estamos muito tristes em dizer adeus à Jazz FM, é um triste fato da vida que ela não tenha gerado lucro em seus quinze anos de existência. Ficamos espremidos entre não tocar todo o jazz possível para agradar aos puristas e ao mesmo tempo ter o nome de Jazz FM, que inibe experiências de outros ouvintes" [por se tratar de segmento para ouvintes musicalmente sofisticados].

A Jazz FM foi lançada em 1990 com um concerto de Ella Fitzgerald, numa época em que o jazz parecia estar no auge de sua popularidade entre os londrinos. Mas os esforços para levar ao ar uma gama mais abrangente de estilos enquanto se mantinha o título de Jazz FM falharam em aumentar a audiência.

[Essa dicotomia, presente sempre que se fala em jazz, faz com que pelo dinheiro, oxigênio sem o qual o jazz iria para os museus ao invés de manter-se como arte pura e vibrante, conceda-se denominar de "jazz" a diferentes estilos e artistas. Como, no exemplo das premiações do Grammy 2005 (vide post abaixo), a Jamie Cullum, Queen Latifah e Al Jarreau. Não sendo um radical, defendo aqui há tempos a tese de que, somente através dessa mistura se poderá despertar, nas novas gerações, a curiosidade de explorar os meandros do jazz, essa palavra que tanto assusta aos ignorantes de todas as idades. É uma lástima a perda do nome Jazz FM, pelo emblema. Mas que permaneçam, misturados na programação, pelo menos alguns bons clássicos jazzísticos para a garotada saber quanto "swing" de qualidade se pode encontrar por ali.]

P.S.: não é o caso da Smooth FM, infelizmente. Enquanto redigia estes comentários fiquei ouvindo a rádio pela internet. É uma pena, mas em cerca de 30 minutos, nenhum jazz foi tocado, o mais próximo foi "Just The Two Of Us", por Grover Washington Jr., após uma de Marvin Gaye e uma outra de Barry White. A mudança foi radical, pelo menos no horário. Voltarei mais tarde para checar. Quem quiser conferir, o link é este.

GRAMMY (JAZZ 2004)

Melhores CDs de jazz contemporâneo
1. Unspeakable - Bill Frisell
2. Journey - Fourplay
3. In Praise Of Dreams - Jan Garbarek
4. The Hang - Don Grusin
5. Strength - Roy Hargrove

Melhores CDs de cantor ou cantora de jazz
1. R.S.V.P - Nancy Wilson
2. American Song - Andy Bey
3. Twentysomething - Jamie Cullum
4. Accentuate The Positive - Al Jarreau
5. The Dana Owens Disco - Queen Latifah

Melhores faixas de solistas de jazz instrumental
1. Speak Like A Child - Herbie Hancock ("With All My Heart, Harvey Mason)
2. What's New - Alan Broadbent ("You And The Night And The Music")
3. I Want To Be Happy - Don Byron ("Ivey-Divey")
4. Buleria, Soleá Y Rumba - Donny McCaslin ("Concert In The Garden", Maria Schneider)
5. Wee - John Scofield ("EnRoute")

Melhores CDs da jazz instrumental
1. Illuminations - McCoy Tyner
2. Somewhere - Bill Charlap Trio
3. Fountain Of Youth - Roy Haynes
4. The Out-Of-Towners - Keith Jarrett Trio
5. Eternal - Branford Marsalis Quartet

Melhores CDs de grande formação ("big bands")
1. Concert In The Garden - Maria Schneider Oschestra
2. Get Well Soon - Bob Brookmeyer New Art Orchestra
3. On The Wild Side - John La Barbera Big Band
4. Coral - David Sanchez
5. The Way:Music Of Slide Hampton - The Vanguard Jazz Orchestra

Melhores CDs de "latin jazz"
1. Land Of The Sun - Charlie Haden
2. Bebop Timba - Raphael Cruz
3. Jerry Gonzales Y Los Piratas Del Flamenco
4. Another Kind Of Blue:The Latin Side Of Miles Davis - Conrad Herwig Nonet
5. Soundances - Diego Urcola


Cejubianos de plantão! Essa foi a ordem de preferência - resultado final.