Aqui você vai encontrar as novidades sobre o panorama nacional e internacional do Jazz e da Bossa Nova, além de recomendações e críticas sobre o que anda acontecendo, escritas por um time de aficionados por esses estilos musicais. E você também ouve um notável programa de música de jazz e blues através dos PODCASTS. Apreciando ou discordando, deixem-nos seus comentários. NOSSO PATRONO: DICK FARNEY (Farnésio Dutra da Silva)
Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).
BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002
CAROL WELSMAN, Mistura Fina, 04/6/2004, 1º set - @
14 junho 2004
Com direção musical de Oscar Castro Neves (violão e sinth-guitar), que escalou Sérgio Barroso (contrabaixo) e Téo Lima (bateria) para a curta temporada no Mistura, a cantora canadense, ao engatar Coração Leviano (P. da Viola) a, também em ritmo de samba, Just One of Those Things (Porter), gerou uma ótima "pressão" e impressão, que infelizmente dissiparam-se em seguida, em meio ao equívoco dos arranjos, pontuados pelos constrangedores - e absolutamente desnecessários - "efeitos" de pedal sinth do violonista.
A interação entre ambos, entretanto, nas passagens instrumentais, merece aplauso, já que é nada fácil o entendimento de dois instrumentos melódico-harmônicos tão completos, como o piano e o violão.
Um Every Breath You Take (Sting) arrastadíssimo - e por isso desfigurado - desprezou o bounce pelo qual, exatamente, a música tornou-se um dos hits mais atraentes desde os anos 80.
Por outro lado, o fato de Welsman cantar de modo quase sempre simples, direto e sem firulas - sabendo dizer a letra e expor a melodia - denota um amadurecimento incomum entre suas contemporâneas, virtude esmiuçada em Slow Boat to China (Loesser).
Após duas canções de autoria e entoadas só por Castro-Neves (Onde Está Você e A Fool I Know), Welsman retornou ao palco com Cheek to Cheek (Berlin), quando, pela primeira vez, arriscou o scat, com resultados modestos.
Não deixou de surpreender, então, a chamada do instigante tema de Chick Corea, La Fiesta, a compor tão "correto" set list, muito embora conseguissem a "proeza" de "amaciar" as intrincadas harmonias da composição, com isso tornando-a inodora e insípida.
Smile (Chaplin) e Chanson de Maxence (Legrand), este último em novo - e infeliz - arranjo "bossado", fecharam o set, levando à convocação para o bis, com Corcovado (Jobim) e Flor de Lis (Djavan), que serviram de momento karaokê para uma platéia bem mais sorridente e satisfeita, com toda a franqueza, que o cronista.
CAETANO VELOSO - "A Foreign Sound" - Universal @ 1/2
13 junho 2004
Preconceitos do tipo: "lá vem mais um engodo do tipo ´american songbook´ do Rod Stewart"; ou "mais uma enrolação do Caetano, a la 'sozinho' (Peninha) - que vende 'pacas' - e esconde a falta de inspiração que se prolonga por quase uma década sem originais de relevo"; ou simplesmente, "o que o cara tem a ver com um cancioneiro celebrizado por genios e especialistas insuperáveis como Ella, Sinatra, Sarah, Tony, Billie, etc. ?".
Foi inevitável, também, lembrar - antes de escutar o disco, repito - das constrangedoras tentativas, por alienígenas do universo musical americano, como Kiri Te Kanawa e Daniel Baremboim, de gravar songbooks ou homenagear mitos do jazz, ainda que "alugando" auxílios luxuosos de jazzistas consagrados como Ray Brown, Ron Carter, Andre Previn, Mundell Lowe, Herb Ellis) e outros. Como "A Foreign Sound" fugiria daquela esparrela ? Difícil.
Mas havia um outro lado, que logo tratei de resgatar, na esperança de que algo de bom dali viesse: a primeira - e valiosíossima - versão que ouvi de "Get Out the Town" (Porter), foi, acreditem, do álbum acústico "Caetano Veloso", gravado em NY, em 1986, todo ele ótimo, aliás.
Então, algo, pelo menos, podia dar certo.
Pena que tão pouco.
Mediocridades e bobagens como "The Carioca", "Come as You are", "Feelings", "It´s All Right Ma", "Detached" e "Jamaica Farewell", sinceramente, dispensam maior atenção, em face de sua absoluta aridez melódico-harmônica.
No mais, o disco pode ser dividido em dois blocos: o primeiro, com canções de arranjos abrasileirados, que, à exceção de Stardust, em choro (?!), funcionam, às vezes até muito bem: So In Love, em samba-canção; The Man I Love e There Will Never Be Another You, em bossa; Diana, em samba-reggae estilizado; e Cry Me a River, em samba lento.
As demais canções compõem um segundo bloco onde o terreno parece bem mais pedregoso: standards ultra-batidos, ora com arranjos de cordas, ora usando formações menores, inevitavelmente estarão à mercê dos tratamentos que os decanos mestres do mister, Ogerman, Mandel, Riddle, Costa, Ellington/Strayhorn, T. Jones, B. Mays, G. Jenkins, entre tantos, tornaram célebres nas vozes olímpicas já citadas acima. Em resumo, versões, quando não equivocadas (algumas muito), no mínimo inócuas, caso de I Only Have Eyes for You, Body and Soul, Nature Boy, Smoke Gets in Your Eyes, Sophisticated Lady, Summertime, Love for Sale, If It´s Magic, Something Good, Blue Skyes e Love me Tender, que fecha o CD num verdadeiro lullaby, ou canção de ninar.
As composições vertidas com acerto para nossos dialetos musicais (So In Love, The Man I Love, There Will Never Be Another You, Diana e Cry Me a River), essas - e só essas - salvam o projeto do fiasco total. Mas valem a conferida, conclusão a que cheguei, após meia dezena de atentas audições de todo o álbum, o suficiente para despojar-me dos preconceitos e, simplesmente, ouvir a música.
Bobagens da Imprensa
Desculpe o silêncio. Depois de semanas tentando me recuperar de uma anemia, finalmente retorno com a disposição de sempre.
Já faz algum tempo lí aquela matéria ridícula do O Globo tentando comparar Diana Krall com Eliane Elias (enaltecendo a americana em detrimento da brasileira). Fiquei intrigada com o teor da matéria e, já conhecendo a imprensa despreparada que temos, esperei até conseguir ouvir os dois CDs antes de tirar qualquer conclusão.
Há certamente coisas em comum: as duas são louras, tocam piano e cantam. Mas as semelhanças param por aí. Eliane se mostrou bastante competente como cantora. Impressiona como pianista e arranjadora. O disco é lindo e tem o toque de bossa nova fundamental para diferenciá-la dos demais artistas no mercado americano. A qualidade sonora do CD é excepcional. Diana traz um belo CD, se mostra boa compositora e competente nos demais quesitos também.
As duas são grandes artistas, mas guardo minha preferência pela pianista brasileira. Batalhadora, encontrou seu lugar ao sol em um mercado híper competitivo. Faz música de qualidade e é uma boa referência da mulher brasileira lá fora (já que somos mais conhecidas pelos bumbuns das garotas do É o Chan).
Tenho uma certa resistência em engolir, por melhores que sejam, "produtos arrasa-quarteirão", com uma estrutura grandiosa de marketing e promoção por trás. O americano, como inventor do marketing, faz isto melhor do que ninguém. Até aí tudo bem, mas é inacreditável que pessoas teoricamente esclarecidas se deixem influenciar pelo trabalho de profissionais de marketing. Mesmo que neste caso o "produto musical" seja de boa qualidade, vamos tomar cuidado, e na hora de publicar uma crítica, ter ouvidos isentos para sair do lugar comum.
É só uma opinião. Abçs,
PegLu
Jack DeJohnette, só no Standards Trio, de Keith Jarret ? Fala sério ...
12 junho 2004
2004
Tribute to Tony Williams w/ John Scofield, Larry Goldings
and Jack De johnette: Feb10-15 Oakland, Ca at Yoshi's
April 15 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Milwaukee, WI Pabst Theater
April 16 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Chicago, IL Chicago Orchestra Hall
April 17 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Toronto, ONT Massey Hall
April 18 Herbie Hancock & Dave Holland Trio Boston, MA TBA
June 10 w/Bobby McFerrin Rochester, NY Eastman Theater
August 14 w/Bobby McFerrin Chicago, Il Ravinia
August 27 or 28 w/Mike del Ferro and Frans van der Hoeven Taiwan TBD
September 17 w/Bobby McFerrin Monterey, Ca Monterey Jazz Festival
September 18 w/Don Byron and Jason Moran Monterey, Ca Monterey Jazz Festival
September 18 w/Don Byron, Giovanni Hidalgo, Jerome Harris, Edsel Gomez and Luisito Quintero Monterey, Ca
October 17 w/Don Byron and Jason Moran San Francisco, CA San Francisco Jazz Festival
October 23–31 w/Danilo Perez and Jerome Harris Western Carribean 4th Annual Jazz Party at Sea
Nov 6 Tribute to Tony Williams tour w/John Scofied and Larry Goldings EL Cerrito, CA TBA
Nov 8–22 Tribute to Tony Williams tour w/John Scofied and Larry Goldings Europe TBA
2005
January 4–8 w/Danilo Perez, John Patitucci, and Jerome Harris New York, NY Birdland
January 19–23 w/Danilo Perez Panama Panama Jazz Festival
January 28 Latin Project
Don Byron, Giovanni Hidalgo, Jerome Harris, Edsel Gomez, and Luisito Quintero Burlington, VT Flynn Theater
January 29 Latin Project
Don Byron, Giovanni Hidalgo, Jerome Harris, Edsel Gomez, and Luisito Quintero Hanover, NH Dartmouth College
E por aí vai, além, claro, de inúmeras datas do legendário trio com Jarret/Peacock.
Agora vejam os demais projetos do músico, para estúdio, na maioria não ligados ao Jazz:
Jack's new production company!
Golden Beams Productions
Jack is currently in the process of creating his own production company. The company will focus on exploring the further reaches of musical expression.
He is planning to experiment in the field of electronica and live drum & bass. He also plans on laying down killer grooves on vinyl for DJs and experimentalists alike.
Meditation & Healing Music
Under this label jack will release his new line of music for meditation and healing practitioners. Soon to be released is his first LP titled;"Music in the Key of OM".
From the Hearts of the Masters
A soon to be released duet with Foday Musa Suso. Suso is a world-renown Kora player and Griot(musician/oral historian of the Mandingo people) from Gambia. He is well known for his collaborations with Herbie Hancock, Philip Glass Pharoah Saunders and The Kronos Quartet. Read his interesting history at fmsuso.com.
The duet are touring for the first time in Europe this October.
Marlui Duo
Marlui is a Brazilian singer/songwriter and musician, she is also the most acclaimed and recognized performer and researcher on music from the Brazilian Indians. She has worked with such legendary Artists as; Egberto Gismonti, Milton Nascimento, Jards Macalé, Gilberto Gil, Bugge Wesseltoft, Trilok Gurtu, Rodolfo Stroeter and Toninho Ferragutti.
Jack and Marlui have created a soon to be released CD of both written and improvised music that crosses many boundaries of music.
Don Alias Percussion Duo
Don and Jack have an extended history of playing together, from Miles Davis during his electric years, the Herbie Hancock Standards Band and on Jack's own recording of 'Oneness'. Now, for the first time they have recorded their own CD. Together, they create a fusion of killer grooves and improvisations.
A glimpse of their project as it developed in the recording studio along with their commentary on music, philosophy and their own personal history is available on a video called 'Talking Drummers'.
Resolvi estudar mais ...
MORRE RAY CHARLES
11 junho 2004
Saravá, Mr Ray!
QUIZ GRÁFICO-FILOSÓFICO DO CJUB
09 junho 2004
Boa sorte!

Documento raro: autógrafo com dedicatória
08 junho 2004
"Faz pelo menos 3 anos que conheci o trabalho da Carol Welsman. De lá para cá passou a ser figura carimbada no meu programa. Contamos a sua história - formada na Berklee, estudo de canto com Cristiane Legrand, etc..... E ela está sempre lá no programa.
Assim, acabou bastante conhecida pelos nossos ouvintes de Londrina, ao contrário do resto do país. Tanto que uma amiga aqui da cidade intimou o marido para a ver a Carol no Mistura. E lá, conversou com ela depois do show, contando que era super bem cotada no programa da Universidade em Londrina.
Qual não foi minha surpresa ao receber um bilhete da Carol agradecendo a "força" que sempre dei prá ela. Aí vai o bilhete, que fotografei:

XI CHIVAS JAZZ LOUNGE - O PASSO ADIANTE, O SAMBA-JAZZ, e outros sonhos
07 junho 2004
Tento notável lavrou nosso confrade José Flávio Garcia, arregimentando, ao lado do líder da noite, o já nosso conhecido Markos Resende, um time de primeira, vindo de São Paulo, todos músicos de alto nível, unânimes, também, na satisfação de estarem participando de tão esmerada produção.
A integração de artistas locais com colegas de outros Estados sempre foi, desde o início, uma das metas do CJUB, até para que o próprio Rio de Janeiro volte a se transformar numa vitrine do jazz nacional, polo de desenvolvimento do gênero, por todas as vocações que a cidade maravilhosa naturalmente possui.
O mesmo se dá, em igual proporção, com São Paulo e outros centros, como Belo Horizonte e Brasília, onde, sabemos, há jazzistas maravilhosos, na mesma expectativa de incrementar e diversificar suas atividades, ou divulgá-las Brasil afora.
O passo seguinte, conforme temos conversado, parece ser a construção de eventos musicalmente ainda mais ambiciosos, seja no próprio CJL, seja em outros projetos, como, por exemplo, um festival ou concurso.
Sonho, por exemplo - CJL não passava de um sonho há pouco mais de um ano, bom lembrar - com um concurso, com apoio institucional, para grupos de samba-jazz, dialeto "hard" da bossa nova, esquecido ao fim dos anos 60, após o advento das modas assimiladas da jovem guarda e da tropicália.
Resultado: exportamos nossos melhores representantes: Roditi, Guilherme Vergueiro, Raul de Souza, e tantos outros que fazem samba-jazz - ou jazz-bossa, como preferirem - com absoluto sucesso nos EUA, Europa e Japão, tocando nos principais festivais do mundo.
A melhor fusão dos ritmos nacionais com o jazz (este na acepção muito maior que a de mero "estilo musical", mas como a verdadeira linguagem do improviso), praticamente só não se ouve ... no Brasil.
Esforços como o retorno de J. T. Meirelles, o disco do Hamleto Stamato e outros trabalhos de esparsa repercussão, representam, claro, um alento e a esperança de resgatar um produto legitimamente nosso e de sucesso mundial, qual seja: fundir e infundir o samba na "música dos músicos". Lembram-se do Dear Old Stockholm de Widor Santiago e Paulinho Trompete na X CJL ? Qual foi melhor, a primeira versão, mainstream, ou a que veio depois, "bossada", fazendo o Mistura todo balançar ?
Sabe, JoFlávio, obrigado já pela idéia do blend de instrumentistas. A V., e ao Markos, claro, e ao Rodrigo (Pernod), que, juntos, nos proporcionaram tão empolgante realização, cujos méritos musicais virão, todavia, da pena mais apropriada do verdadeiro expert e orgulho do CJUB, nosso Mestre Raf.
Mas só a idéia virando realidade, Embaixador, só isso já valeu o ingresso, daquela noite, e dos demais intercâmbios, festivais e concursos que haveremos de juntos produzir.
Morre o saxofonista Steve Lacy
04 junho 2004
Steve Lacy nasceu em 23 de julho de 1934, em New York. Ele foi o único músico da história do jazz que se dedicou exclusivamente ao sax-soprano, desenvolvendo sua própria identidade, tornando-se um dos mais talentosos expoentes do seu instrumento. Segundo alguns críticos, Lacy teria influenciado John Coltrane a adotar o sax-soprano.
Lacy percorreu um longo caminho, tocando inicialmenrte em grupos de jazz tradicional. Aos 22 anos, fascinado com o estilo do pianista Cecil Taylor, com quem estudou e tocou dois anos, orientou sua concepção definitivamente para o idioma moderno. Seguiram-se atuações com Thelonious Monk, do qual foi um dos mais fervorosos admiradores e gravou inúmeras composições, e com a orquestra do maestro, compositor e arranjador Gil Evans. Mais tarde tocou e gravou com dezenas de músicos, incluindo Mal Waldron, Enrico Rava, Roswell Rudd, Charlie Rouse, Don Cherry, Han Bennink, John Stevens, Evan Parker, Steve Potts, Derek Bailey, Charles Tyler, Trevor Watts, Noah Howard, Bobby Few e tantos mais.
Nos Estados Unidos gravou para a Prestige, Transition, New Jazz, Fantasy, Emanem, Atlantic, A&M, Vik e Candid. Radicado na França há mais de 25 anos, gravou dezenas de álbuns na Europa para os selos Horo, Red, Byg, Black Saint, Free Music, Soul Note, Saravah, Quark, Cramps, Free Music, Ictus, Tangent, Sound Aspects, Le Chant du Monde e outros. .
Embora pouquíssimos saibam, Steve Lacy passou dois dias no Rio de Janeiro, em 1966, na companhia de Enrico Rava, regressando de uma temporada em Buenos Aires, Argentina. Nos últimos anos Steve Lacy tocava em duo com o píanista Mal Waldron, com o qual apresentou-se no 1º Chivas Jazz Festival, em 2000.
Stan Getz
Surgiu a oportunidade de contratar o Stan Getz para uma temporada, através de seu empresário Alejandro Sterenfeld. Depois de inúmeras negociações, chegou o grande dia.
Fui buscar o mito Getz no Galeão.
Após acomoda-lo no hotel, uma equipe da Globo queria fazer uma exclusiva sobre a chegada dele. Stan Getz concordou com um passeio em Ipanema com a TV Globo.
Saiu do hotel de sunga e deu um mergulho na praia de Ipanema. Estava feliz de estar ali. Revigorado de uma longa viagem. Novo em folha.
Colocou um short e uma camisa e fomos andando a pé até o bar Garota de Ipanema com a equipe. Contava histórias, simpático e falante.
Quando chegamos no bar foi oferecida uma caipirinha e ele gentilmente fez questão de oferece-la à equipe e pediu outra para ele.
No papo que se seguiu o assunto era a bossa nova, a Garota de Ipanema, Tom Jobim, e enfim aquilo que parecia óbvio. A TV gravava tudo.
Stan Getz disse que adorava o Tom Jobim e que gostaria muito de revê-lo.
Imediatamente liguei para o Tom Jobim e quando ele me atendeu eu disse que estava com um amigo que gostaria de falar: Stan Getz. Senti que o Tom ficou desconfortável e me disse que não poderia falar com ele.
Eu fiquei mais desconfortável ainda e respondi: então diga isto a ele pessoalmente e passei o telefone para o Stan.
Stan Getz pegou o telefone com um sorriso e aos poucos foi se transformando. Quase chorando (eu iria dizer desconsolado, mas na verdade estava mesmo quase chorando) ele disse ao Tom – Você se esqueceu de quem são seus verdadeiros amigos!
Despediu-se do Tom e ficou um grande mal estar.
Eu soube depois que o Tom estava aborrecido com o uso que o Stan fazia da música brasileira, sem aparentemente dar o crédito devido.
O Stan Getz, até então feliz, cooperativo, brincalhão, transformou-se, crispado.
Ficou irritado. Havia um fotógrafo que não era da equipe da TV Globo acompanhando e fazendo fotos sem parar. Stan pediu que parasse de fazer fotos. Isto atiçou o fotógrafo que ao perceber a irritação viu a chance de uma foto realmente diferente e passou a provoca-lo ostensivamente até conseguir o que queria com o Stan avançando sobre ele para esmurra-lo. Conseguimos colocar o Stan Getz no carro da Globo que nos acompanhava e leva-lo de volta ao hotel.
Stan Getz havia tomado UMA caipirinha e agiu com se estivesse completamente bêbado.
Ao chegarmos no hotel, tropeçou na escada de entrada e caiu. Foi para seu apartamento descansar até a hora da coletiva.
Eu fiquei perplexa com a cena que tinha involuntariamente criado/participado.
Horas depois, a imprensa já tinha chegado e aguardávamos no Tiberius e nada do Stan chegar.
Alejandro foi busca-lo e chegaram juntos ao 23º andar. Aparentemente Stan havia dormido profundamente e teve dificuldades em acordar.
A entrevista correu tranquila, Stan parecia bem, apenas eu percebi que um pouco sonolento e achava que sabia o que tinha provocado aquele desgaste tão grande.
Carlinhos Lira participou ativamente da entrevista.
Muitas outras coisas aconteceram durante a temporada do Stan Getz no Rio. Inclusive a canja que o Wayne Shorter deu com ele enquanto o Coutinho mandava procurar a Ana Maria(mulher do Wayne) pelos morros do Rio de Janeiro e o episódio Pitanguy (aguardem, ainda vou contar...).
Para compensar todo este stress, Stan caprichou nas suas apresentações e tocou muito mais do que esperávamos. Essa parte eu deixo para o Raffaeli contar.
E eu ganhei um grande amigo.
Saudades, Stan.
Músicos de classe internacional dirigem-se ao Wigan Jazz Festival
03 junho 2004
A chegada do verão anuncia também o início da temporada de festivais de jazz, com o agora famoso Wigan International Jazz Festival (de 9 a 18 de julho) como um dos mais aguardados, como escreveu Stan Woolley.
O "cast" do festival deste ano é realmente impressionante ao programar músicos, bandas e cantores de classe internacional apresentando-se numa vasta variedade de estilos. Encabeçando a lista de nomes famosos estão Dave Brubeck, Phil Woods e uma lenda viva do jazz no Reino Unido, o veterano baterista de "big bands" Eric Delaney.
Mas há ainda mais nesse festival do que apenas concertos noturnos de celebridades do mundo jazzístico e a cada dia haverá uma programação cheia de sessões na hora do almoço, oficinas, seminários e performances em plena rua. Sim, Wigan está tão grande que se espalha pela cidade toda. O Festival abrirá na sexta-feira, dia 9 de julho, com uma noite de dança onde se apresentará a banda australiana The Funky Doo Daas e então terá curso devidamente no sábado, com o concerto do saxofonista Phil Woods.
Fechando o festival, no último dia haverá o concerto do pianista Dave Brubeck com seu quarteto que, já se espera, esgotará os ingressos antecipadamente. Brubeck é um dos gigantes da música do século 20, seja ela jazz, clássica ou religiosa.
O restante do cast pode ser apreciado abaixo, para que cada um faça sua própria avaliação: Jimmy Smith Quintet, Clayton-Hamilton Jazz Orchestra, Karrin Allyson and Quartet, Lynn Arriale Trio, Johnny Griffin Quartet, Gwyn & Will, Stax of Soul, Ulster Youth Jazz Orchestra, Wigan Jazz Club Big Band, Wigan Youth Jazz Orchestra.
Tudo por tudo, o Festival de 2004, que completa seus 19 anos, mostra-se altamente promissor, tendo tudo para ser o melhor até agora.
Uma rápida olhada nos artistas de jazz mais vendidos nos EUA
E como o aqui já comentado Jamie Cullum, a despeito dos rótulos, vem galgando posições com seu disco Twentysomething, lançado há cerca de um mês lá.
CMJ.com: new music first
HOMENAGEM, EM VÍDEO, A ELVIN JONES
01 junho 2004
DVD de Jane Monheit já disponível em edição nacional
Americanas.com : DVD Jane Monheit - Live At Rainbow Room
Uma discussão para incendiar o CJUB: Jamie Cullum
É certo que perderemos horas e horas na discussão primária se o que Cullum toca é jazz ou não, se o que faz ao piano e ao microfone poderia ser classificado nessa categoria.
Se valer o que eu vi ali, uma série de músicas variando de standards à música pop (arrá!) interpretadas por ele com arranjos bem diferentes do que vimos ouvindo há anos, eu diria que Cullum toca jazz, à sua maneira.
Pilotando o piano com uma pegada personalíssima, Cullum se fez acompanhar de baixo e bateria, respectivamente por Geoff Gascoyne e Sebastian DeKrom, passando uma sensação de renovação que me pareceu interessante. Mais pelo lado da atração, se não para a pura ortodoxia jazzística da qual está bem distante, para temas clássicos cuja audição maciça - como se prevê, pois Cullum já vendeu um milhão de cópias de seu último disco, "Twentysomething" -pelos jovens vai gerar uma conexãozinha lá na frente, quando estiverem passando pela sala e seus pais ouvindo "jazz de verdade", e se interessarão em saber mais sobre aquilo ali, tocado de maneira diferente, provavelmente mais sofisticada do que como ouviram por Cullum. Mas importa, acho, o plantio dessa semente, pois corremos o grande risco de perder nossos filhos para Britneys e Rappas da vida.
Ponderando tudo isso, eu gostei do que vi e ouvi. E vou procurar conhecer melhor os discos de Jamie Cullum.
