Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

Intervalo Recheado de Brindes - Uma Jam Session de Natal?

15 dezembro 2003

Não bastasse a expectativa pelo concerto do Milito e a jam que se seguirá, que pretendemos seja nosso melhor presente de Natal, estamos muito animados com a noite desta quarta-feira, que será bastante agitada também durante o intervalo dos sets.
Além do sorteio já tradicional das duas garrafas de Chivas Regal, e dos sensacionais copos de uísque cedidos pela Spiegelau, teremos um outro, dos 13 CDs da coleção de jazz que está sendo lançada pela Delira Música, gentilmente cedidos pela Luciana Pegorer, cujos textos foram escritos por ninguém menos do que nosso Grande Guru Raffaelli.
Haverá também a entrega dos diplomas do Prêmio CJUB - Melhores de 2003 aos agraciados, conforme a lista publicada num post anterior, abaixo. Mais uma noite imperdível com a marca de qualidade do CJUB.

REPERTÓRIO DE OSMAR MILITO PARA O
CJUB - CHIVAS JAZZ LOUNGE JAM SESSION

11 dezembro 2003

O pianista Osmar Milito preparou o repertório que seu trio apresentará na noite de quarta-feira, dia 17/12, no Mistura Fina. Grande parte das 18 composições integrarão o seu set list substancial e sugestivo, antecipando uma noite "out of this world". Venham todos.

* ISRAEL (Johnny Carisi)
* SUPER BLUE (Freddie Hubbard)
* TRICROTISM (Oscar Pettiford)
* B MINOR WALTZ (Bill Evans)
* SPAIN (Chick Corea)
* BOUNCING WITH BUD (Bud Powell)
* BUD POWELL (Chick Corea)
* BILL'S TUNE (Bill Evans)
* SEVEN STEPS TO HEAVEN (Miles Davis)
* AIREGIN (Sonny Rollins)
* ENDLESS LOVE (Fred Hersch)
* 34 SKIDOO (Bill Evans)
* MADRID (Brad Mehldau)
* CAPTAIN MARVEL (Chick Corea)
* COMRADE CONRAD (Bill Evans)
* YOU AND THE NIGHT AND THE MUSIC (Dietz-Schwartz)
* SNO'PEAS (Bill Evans)
* THEME FROM THE FLINTSTONES

Observação: antes que alguém estranhe, THEME FROM THE FLINTSTONES será interpretado em velocíssimo up-tempo, uma pauleira que é uma brasa, mora.

OSMAR MILITO É ATRAÇÃO DO CJUB - CHIVAS JAZZ LOUNGE JAM SESSION -

10 dezembro 2003

O trio do consagrado pianista Osmar Milito, integrado por Augusto Mattoso (baixo) e Rafael Barata (bateria), será a atração do CJUB – CHIVAS JAZZ LOUNGE JAM SESSION, quarta-feira, 17 de Dezembro, no Mistura Fina, a partir das 21 horas. A noite será uma festa jazzística encerrando as atividades de 2003 do CJUB – CHARUTO JAZZ UISQUE BLOG, abrilhantada pelo trio de Milito que interpretará algumas dentre as melhores composições do repertório do jazz, culminando em alto estilo com uma jam session na qual serão bem-vindos os músicos que desejarem participar. No intervalo, serão entregues os diplomas do Prêmio CJUB aos Melhores do Jazz de 2003.

Osmar Milito é um ícone do piano brasileiro, cuja longa e prolífica carreira começou em 1964, atuando com a grande maioria de músicos e cantores que se revelaram no período de ouro da bossa nova, em plena efervescência das noites gloriosas do lendário Beco das Garrafas – o equivalente carioca da Rua 52, a Swing Street de New York.
Milito tocou com Silvinha Telles, Nara Leão, Rosinha de Valença, Paulo Moura, Edison Machado, Maria Bethania, Gilberto Gil, Vinícius de Moraes, Jorge Benjor, Leny Andrade, Pery Ribeiro e Gracinha Leporace, entre muitos outros. Passou dois anos no México e nos Estados Unidos tocando com Sérgio Mendes em Las Vegas e várias universidades americanas. Nessa época, gravou o álbum “Bossa Rio” com o conjunto de Sérgio Mendes.

Voltando ao Brasil, em 1970, retomou sua carreira acompanhando Chico Buarque, Ivan Lins, Marcos Valle e Nana Caymmi. Organizou diversos conjuntos nos quais atuaram Márcio Montarroyos, Pascoal Meirelles, Mauro Senise, Paulinho da Costa, Leny Andrade, Djavan e outros.

Gravou seu primeiro LP, “E Deixa o Relógio Andar”, para a Som Livre, em 1971, lançado na Argentina, Japão, EUA e Europa. Outros discos seus como líder são “Nem Paletó Nem Gravata” (1973), “Viagem” (1973), “Na Trilha de Osmar Milito” (1974), “Ligia” (1977), “Summer in Brazil” (1988), “Showtime” (1989) e “Brasil Bossa Nova” (1990 - com Wanda Sá e Pery Ribeiro).
Como compositor, participou do Festival Internacional da Canção com a música “América do Sol” e assinou as trilhas dos filmes “Terra em Transe”, “Lua de Mel e Amendoim”, “Como era boa a nossa empregada” e “Divórcio à Brasileira”.

Ao longo de 39 anos de carreira, atuou em shows de jazz acompanhando Spanky Wilson, Mark Murphy, Hélio Delmiro, Maurício Einhorn, Mauro Senise, Nico Assunção e Pascoal Meirelles, e deu canjas memoráveis com Liza Minelli, Tony Bennett, Sarah Vaughan, Sammy Davis Jr, Pat Metheny, Shelly Manne, Randy Brecker, Benny Golson, Michel Legrand e John Pizzarelli, entre muitos outros.

Nos últimos anos, aproveitando o revival da bossa nova, gravou vários CDs com inúmeros artistas, além de apresentar-se com Cláudio Roditi e Hendrik Meurkens, o maior gaitista alemão de jazz. Também dividiu com Hermeto Pascoal a faixa “Tema Jazz” no Songbook Instrumental de Tom Jobim.
Osmar Milito continua em ação em casas noturnas tocando com nomes do quilate de Paulo Moura, Nivaldo Ornelas, Carlos Malta, Mauro Senise, Pascoal Meirelles e outros, além do seu trio integrado por Augusto Mattoso (baixo) e Rafael Barata (bateria).

Augusto Mattoso é um dos mais articulados e sólidos baixistas nacionais, com longa e produtiva folha de serviços tocando com Dario Galante, Hamleto Stamato, Rio Jazz Orchestra, grupo Tríade, Orquestra e Coro Brasil, entre outros. Discípulo do baixista Paulo Russo, considera Eddie Gomez a sua maior influência. Atualmente está terminando o curso de bacharel em música na UniRio.

Rafael Barata é uma radiosa promessa da bateria jazzística. Sua energia, seu entusiasmo e sua inteligente distribuição fazem dele uma garantia para qualquer formação em que atua. Pertencente a uma família de músicos, começou no piano ainda na infância e logo passou para a bateria. Revelação precoce, venceu dois festivais para bateristas aos 15 anos.
Bastante requisitado, gravou com seu irmão Roberto Barata, Hélio Celso, Rosa Passos, Idriss Boudrioua, Dario Galante, Osmar Milito e Durval Ferreira. Tocou também com Emilio Santiago e Zezé Motta, e participou de festivais de jazz no Brasil com o canadense Jean-Pierre Zanella, o americano Ray Moore, o italiano Dario Galante, o francês Idriss Boudrioua e Meirelles e os Copa Cinco. Atualmente integra os trios dos pianistas Osmar Milito, Dario Galante e Philippe Baden Powell.

- HISTÓRIA CURIOSA E EMOCIONANTE DO DESTINO DE UM VIOLINO -

09 dezembro 2003

Há uma historinha que considero das mais interessantes e inusitadas acerca de um violino que trocou de dono desde os anos 30. Eu a estava reservando para uma palestra no Rio Design Center, mas como não fui escalado para falar no tributo a Stephane Grappelli, realizado semana passada, vou divulgá-la agora. Ela foi-me contada pelo grande violinista Stephane Grappelli (juntamente com algumas deliciosas e apimentadas estripulias de Django Reinhardt) quando tocou no Free jazz Festival, em 1988.

Aí vai:

A França sempre teve uma grande tradição do violino no jazz. Há uma verdadeira dinastia de violinistas franceses de jazz que marcaram suas trajetórias com muito talento. Eles estão unidos por um fato incomum realmente emocionante.

1. Na final da década de 20, o grande nome do violino na França era o maestro e líder de orquestra Michel Warlop (tenho algumas gravações da banda dele em LP). Michel era um excelente instrumentista e empregava alguns dos melhores jazzmen franceses, inclusive Django Reinhardt. Warlop tinha um instrumento notável, que todos admiravam, fabricado por um renomado lutier europeu.

2. Quando Warlop encerrou suas atividades, no final dos anos 30, deu seu instrumento a Grappelli, que já era um grande nome do violino no jazz.

3. Nos anos 60, Grappelli deu o instrumento a Jean-Luc Ponty, que surgiu como um meteoro na constelação jazzística francesa (depois degringolou rumo à malfadada fusão).

4. Nos fim dos anos 70, Ponty presenteou o instrumento a Didier Lockwood, outro que fez furor com suas atuações e seus discos híper-elogiados.

5. Em meados dos anos 80, Lockwood deu o instrumento ao neto de Grappelli, que começava a tocar violino.

Assim, em linhas gerais, conta-se a história de um instrumento cobiçado por muitos que passou sucessivamente pelas mãos de Warlop-Grappelli-Ponty-Lockwood-Grappelli Neto.



PARA COMEMORAR - CJUB-CHIVAS JAZZ LOUNGE JAM SESSION

Amigos: não deu para segurar! Então aí vão as novidades que vimos guardando há alguns dias e que agora revelo:

Os CJUBianos encontram-se em plena função, no preparo da última, mas não menos importante, produção do ano de 2003. Será no dia 17, como sempre às 21 horas, no Mistura Fina, a noite que vai comemorar as conquistas do CJUB, dentre as quais as produções musicais, iniciadas em maio deste ano. E a entrega do Prêmio CJUB aos destaques do ano que se encerra, em diversas categorias ligadas exclusivamente ao jazz.

De maneira a reconduzir a locomotiva aos trilhos, ou melhor, o foguete à sua trajetória devida, convidamos o "maestro" Osmar Milito e toda a sua experiência e talento musicais, para atuar no comando de seu trio, com Augusto Mattoso no contrabaixo e Rafael Barata na bateria. Será uma oportunidade imperdível, a de voltar a ouvir Milito tocando jazz como gosta de fazer, sem pressa nem tendo de atender a pedidos das habitualmente descontra-distra-ídas platéias para quem vem se apresentando nos últimos tempos nas casas noturnas cariocas. O que consideramos um "desperdício de Milito".

A expectativa que nos assola, de rever Osmar Milito e sua escolta de altíssimo nível, dedicados exclusivamente a temas de jazz, é enorme. Daí eu nem ter esperado o "release" oficial, que está sendo confeccionado com todo o profissionalismo pelo nosso Mestre Raf, para dar a todos esta notícia.

E, aviso aos navegantes: em janeiro, a coisa vai FERVER: serão DOIS os concertos CJUB-CJL, um deles com artistas internacionais, dia 21/1 e o outro, um Tributo a Bill Evans, no dia 28. Detalhes em breve.

Preparem-se e avisem aos amigos!!!

AGORA, SIM, É PARA DESEMBANANAR ...

08 dezembro 2003

Já que comecei a fita, agora dou a munição para o round final (JoFlávio x Raffa):

A partitura:

O som:
Dimensions in Blue

Também estou fazendo meus testes

Bene-X na área. Boa ferramenta esta.

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PRÊMIO CJUB DE MELHORES DO JAZZ EM 2003 - RESULTADO FINAL

A primeira edição do Premio CJUB de Melhores do Jazz, contou com os votos de todos os integrantes do blog, com exceção da Marzita, Conchita, JoFlavio, Manim e Rodrink, que por motivos diversos não puderam votar.

Na primeira etapa votamos livremente nas dez categorias do prêmio, sem nos ater a nomes específicos. Como éramos nove jurados (Mau Nah, Sazz, DeFrag, Bene-X, Marcelink, Marcelón, Raffa, Goltinho e Zenrik) o indicado que obtivesse cinco votos era eleito em primeiro turno e não havendo maioria os dois indicados com maior número de indicações iriam para uma segunda votação. O prêmio foi tão concorrido que em nenhuma das dez categorias houve unanimidade dos votos e em apenas quatro categorias a votação terminou no primeiro turno .

Como curiosidade vale destacar que a categoria mais concorrida foi a de Melhor Músico Brasileiro de Jazz com sete indicações, o que só confirma a excelência de nossos músicos. Na categoria Show Internacional e de Músico Estrangeiro, só poderiam ser votados os realizados no Brasil e os que se apresentaram no país. Na categoria Melhor Músico CJL foi escolhido o músico de melhor desempenho em nossos sete concertos e o Prêmio Especial é o reconhecimento da importância de uma pessoa, física ou jurídica, na história do jazz em nosso país.

O Prêmio CJUB de Melhores do Jazz é mais um incentivo que este blog proporciona aos músicos, produtores, jornalistas, empresários e ao público em geral que acredita e sobretudo gosta do jazz. Aos vencedores, ou a seus representantes, o CJUB entregará um diploma no dia 17 de dezembro no Mistura Fina.

MELHOR SHOW INTERNACIONAL: McCOY TYNER (TIM FESTIVAL)
MELHOR SHOW NACIONAL: CJL 7 – JAZZ PANORAMA
MELHOR MÚSICO ESTRANGEIRO: CEDAR WALTON
MELHOR MÚSICO BRASILEIRO: DÁRIO GALANTE
MELHOR MÚSICO CJL: IDRISS BOUDRIOUA
MÚSICO REVELAÇÃO: FELIPE POLI
MELHOR FESTIVAL DE JAZZ: CHIVAS JAZZ FESTIVAL
MELHOR CASA DE JAZZ: MISTURA FINA
MELHOR MÍDIA: REVISTA JAZZ+
PRÊMIO ESPECIAL: JORGE GUINLE


Parabéns aos vencedores!

Marcelink


Rio de Janeiro Jazz Trio na Modern Sound e no Partitura; Tributo a Scott La Faro no Rio Design

06 dezembro 2003

Adito o post anterior, a pedido de nosso amigo e CJL jazzman, Paulo Russo (que já confirmou presença no último CJL do ano): shows de lançamento do CD "Bop Till You Drop", na próxima terça-feira, 9 de dezembro, 20 h., na Modern Sound (Rua Barata Ribeiro, 502 – D, Copacabana; tel. 2548-5005) e, na 6ª-feira, 12 de dezembro, 22 h., no Partitura, Lagoa.

Nosso Paulo também estará prestando seu Tributo a Scott La Faro na 5ª-feira, dia 11 de dezembro, 19 h., no Rio Design Center, Leblon.

Até lá !

ORNA (E COMO.......)

04 dezembro 2003

Chama-se Orna, simplesmente. Essa sul-africana (Jo’burg 1971) de considerável extensão vocal e um intimismo elegante lança seu primeiro CD nos Estados Unidos tendo como padrinho o irriquieto e talentoso contrabaixista Brian Bromberg. “The Very Thought Of You” – é o título do álbum (A440 MUSIC GROUP, february 18, 2003) – vem recebendo críticas entusiasmadas.
Orna formou-se na Universidade de Witwatersrand (África Do Sul) em 1993. Estudou composições para o cinema na Berklee College Of Music (Boston), quando decidiu-se por ser vocalista sob forte influência de Chet Baker, Shirley Horn e Sting.
The Very Thought Of You” traz como de hábito para as novas cantoras de jazz alguns dos mais consagrados standards da música norte-americana. O tema título, por exemplo, um clássico de Ray Noble, mostra o já citado lado intimista da cantora, tendo atrás um trio altamente sofisticado, composto por Brian Bromberg (baixo), Tom Zink (piano) e Chris Wabich (bateria). Em “Nature Boy”(Ahbez), a configuração é outra, à base de cordas transgênicas e um acento suavemente “funk”. Ao contrário, em “My Ship" (Weill/Gershwin), encontramos uma solução rítmica tupiniquim proposta por Mario Albanese e Ciro Pereira – leia-se um jequibau torto, samba em 7/4. Outros standards como “That’s All”(Brandt/Haymes), “My Favorite Things” (Rodgers/Hammerstein) e “My One And Only Love”(Mellin/Wood) recebem tratamento de gala. Os momentos de surpresa do CD ficam por conta de uma versão com letra de “Alice In Wonderland”(Fain /Hilliard) e uma outra saborosa versão para “Ornithology"(Parker), quando Orna e Bromberg (inspiradíssimo) abrem o tema em uníssono, com destaque para o vibrante solo do pianista Tom Zink.
Por ser o primeiro disco, Orna mostra sensibilidade, músicos e repertório próprios dos que iniciam uma carreira respeitando ouvidos mais exigentes, boa música e jazz.

Em tempo :"The Very Thought Of You is the debut recording by South African born vocalist Orna. Quite frankly, it's one of the best vocals cds I've heard in a long time. The 10 songs are all familiar ballads given either contemporary jazz or samba interpretations. However, it's what Orna does with these classics songs that makes this a must buy recording".(Ron Saranich)

Em tempo II :"I recently discovered the voice and talents of Orna. She possesses a certain depth, fulness and resonance with this find collection of songs. Orna is a worthy talent who exudes positive feelings and confidence" (Nancy Wilson-Down Beat)

NELSON AYRES - PERTO DO CORAÇÃO

03 dezembro 2003

No meio de tantos e inúmeros lançamentos de fim de ano, quero aqui registrar o último cd do maestro, arranjador, compositor e pianista Nelson Ayres, musico pouco conhecido ou divulgado no Rio de Janeiro e detentor de uma sonoridade e elegancia, comparável ao Red Garland, a meu ver o mais elegante e refinado dos antigos pianistas norte americanos.
Nelson que foi também o criador do grupo instrumental Pau Brasil nos anos 70, vem nos brindar com um dos grandes e importantes lançamentos de 2003, chamado Perto do Coração, tema do próprio e de fazer arrepiar até os pelos dos insensíveis e que abre o cd.
Participam desse trabalho Rogério Botter Maio e Zeca Assumpção que se revezam no contra baixo, Harvey Wainapel, Teco Cardoso e Roberto Sion no saxofone, Nailor Proveta no clarinete, Bob Wyatt na bateria além das cordas que não cabem aqui neste espaço e que estão presentes em alguns dos temas, que vão desde Coração Vagabundo do C.Veloso, com um solo deslumbrante do Harvey Wainapel, passando por Canto Triste do E.Lobo e há uma das mais lindas interpretações de Dindi do nosso maestro soberano Tom Jobim.
Enfim fico muito feliz por saber que trabalhos desse quilate ainda são realizados por aqui, muito embora sem nenhuma ou muito pequena divulgação, até porque a musica instrumental não alcança as grandes gravadoras, restringindo se na sua maioria aos selos independentes.
Como sonhar não custa nada, porque não reunir em nossos concertos esses musicos maravilhosos e suas maquinas sonoras dentro do projeto CJUB.

E tenho dito.



QUIZ PROPOSTO PELO MESTRE RAFFAELLI

P: De qual música é plágio "Dimensions in Blue", de Sam Nestico, primeira faixa do álbum da UFRJAZZ ENSEMBLE ?

R.: Yellow Days, atribuída, segundo pesquisei, a "A. Bernstein", ou La Mentira, de "Alvaro Carrillo" (esta, na versão em ritmo de bolero). O tema foi gravado, entre outros, por Sinatra (no famoso disco com Duke Ellington) e, recentemente (ou quase, 1990), pela nossa Leny Andrade, no ótimo "Eu Quero Ver" (Estúdio Eldorado).

Curiosidade: o AMG (www.allmusicguide.com) lista o referido Alvaro Carrillo como:

"Alvaro Carrillo is the composer of dozens of Latin standards including "Sabor a Mi," "Amor Mio," "Un Poco Mas," "La Mentira," "Sabra Dios," "Luz de Luna," "El Andariego," "Seguire Mi Viaje," and "Se Te Olvida." His songs have been performed by artists including Lucho Gatica, José José, Los Panchos, and Javier Solis."

Pergunto, Mestre, em que ano foi composto o original ?

Cara de pau o Nestico, hein ?

I PRÊMIO CJUB MELHORES DE 2003

02 dezembro 2003

Por sugestão de Marcelink, convoco os editores e, bem assim, nossos queridos visitantes e leitores para votar nas seguintes categorias:

SHOW INTERNACIONAL (Realizado no Brasil)
SHOW NACIONAL
MÚSICO BRASILEIRO
MÚSICO ESTRANGEIRO (Que se apresentou no Brasil)
MÚSICO CJL (Que se apresentou em nossos concertos)
REVELAÇÃO DO ANO
FESTIVAL
MÍDIA
CASA
PRÊMIO ESPECIAL

As regras serão explicitadas por Marcelink brevemente.

Todos ao pleito !

01 dezembro 2003

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NOITE INESQUECÍVEL NA SÉTIMA EDIÇÃO DO CHIVAS JAZZ LOUNGE

Foi uma grande festa. Uma noite inesquecível. O entusiasmo geral era contagiante, dando a impressão que havia algo diferente no ar. A expectativa prenunciava o que viria depois.

A data de 26 de novembro de 2003 ficará indelevelmente inscrita na galeria do ouro das realizações do Chivas Jazz Lounge, com a apresentação do sexteto comandado pelo pianista Hamleto Stamato, no Mistura Fina.
Foi a sétima edição do projeto Chivas Jazz Lounge, idealizado e produzido pelos integrantes do CJUB (Charuto Jazz Uísque Blog), patrocinado pela Pernod Ricard-Brasil, fabricante do Whisky Chivas Regal.
O evento, produzido por Marcelo Siqueira, um dos integrantes do CJUB, homenageou Jorge Guinle, o decano dos jazzófilos cariocas, por sugestão de David Benechis, outro ativo membro do CJUB. Apropriadamente, o concerto denominou-se “Jazz Panorama”, título do livro escrito pelo homenageado, que autografou vários exemplares antes e no intervalo do concerto.

Com o Mistura Fina superlotado, repleto de personalidades - entre as quais reuniram-se 25 convidados da Pernod-Ricard na América Latina, incluindo Francesco Taddonio, presidente da Pernod-Ricard para a América do Sul, Edmundo Bomtempo, presidente da Pernod-Ricard Brasil, Laurent Schum, Diretor de Marketing para América Latina e Carolina Campos, gerente nacional do produto Chivas -, a atmosfera envolvente contagiou a todos, que se irmanaram nos aplausos, nos gritos de entusiasmo e na consagração aos músicos e ao homenageado.

O produtor Marcelo Siqueira escolheu o pianista Hamleto Stamato para liderar o sexteto, integrado por Paulinho Trompete (flugelhorn), Widor Santiago (sax-tenor),Roberto Marques (trombone), Augusto Mattoso (baixo) e Kleberson Caetano (bateria). Houve momentos tão intensos de arrebatamento que, em determinadas passagens, o feeling coletivo superou a própria música, estabelecendo imediata empatia com a platéia.

Hamleto é um dos mais completos pianistas brasileiros da atualidade. Seu estilo fluente de técnica altamente desenvolvida destila seqüências de idéias coordenadas com imaginação e continuidade. Várias de suas improvisações possuem idéias suficientes para serem desenvolvidas em novas composições.

O consagrado Paulinho Trompete domina por completo a massa sonora do instrumento. Cada um de seus solos deixa a certeza de que pode tocar qualquer frase ou idéia que imagine.

Roberto Marques é uma voz poderosa do seu instrumento. Sua flexibilidade e poder de adaptação a diversas situações musicais sempre foi um dos seus maiores atributos.

Widor Santiago é dinamite em pessoa. Sempre pronto ao ataque. No bom sentido, atira-se aos solos com uma volúpia sem limites, transformando cada intervenção numa excursão pelos caminhos ousados da aventura.

Augusto Mattoso é uma rocha dentro da seção rítmica, o pêndulo que oscila equilibrando seus companheiros, um baixista que realmente toca para o conjunto sem pretender aparecer com as bruscas e inoportunas acentuações fora de hora. Seu solo em “Scrapple from the Apple” foi uma condensação do caleidoscópio das suas qualidades.

O correto Kleberson Caetano contribuiu com um suporte dinâmico e entusiasmado, refletido nos solos de “Caravan” e “A Night in Tunísia”, além das efervescentes trocas de quatro compassos com Hamleto e Widor em “Scrapple from the Apple” e “Blues Walk”.


Para ilustrar musicalmente o concerto, o produtor Marcelo Siqueira selecionou um repertório condizente com o nome do evento, traçando de forma sucinta um panorama da evolução do jazz em 15 composições. Começando pelo tradicional “When the Saints Go Marchin’ In” (o hino-símbolo do jazz tradicional de New Orleans, cidade-berço do jazz), passando pelas eras pré-swing e swing, chegando à revolução do bebop que estabeleceu a era moderna do jazz, seguindo-se o hard-bop, o soul jazz, um calipso das Ilhas Virgens, o jazz modal, o caminho que antecedeu ao free jazz e desembocando na nossa bossa nova, que foi fortemente influenciada pelo jazz.

Uma curiosidade chamou a atenção em relação à interpretação de “When the Saints Go Marchin’ In”: possivelmente foi a primeira vez que um tema de jazz tradicional foi executado por um sexteto com instrumentação incluindo flugelhorn, sax-soprano e baixo acústico.

O clássico “Body and Soul” foi interpretado em surpreendente andamento slow-medium, com sua linha melódica executada suavemente pelos sopros.

“Caravan” foi uma pauleira do início ao fim, com os sopros tocando a todo vapor.

O mesmo ocorreu em “Cherokee”, de Ray Noble, cuja seqüência harmônica foi um dos trampolins e um dos cavalos-de-batalha para as explorações dos músicos bebop. Sua dificílima bridge (segunda parte), que muda de tom a cada quatro compassos, sempre constituiu-se num enorme desafio para os improvisadores, mas não foi empecilho para os músicos do sexteto.

Em “A Night in Tunísia” -- o clássico de Dizzy Gillespie com a estrutura ABAC não ortodoxa, originalmente intitulado “Interlude” e gravado pela primeira vez por Sarah Vaughan, em 1944 --, surpreendentemente o sexteto não repetiu a clássica introdução da gravação original criada pelo baixista Oscar Pettiford que foi copiada ad infinitum, Igualmente surpreendente foi a execução em staccato adotada na segunda parte do tema .

“Round Midnight”, obra maestra e a mais conhecida do genial Thelonious Monk, foi o feature de Paulinho Trompete. Com seu reconhecido bom gosto nas baladas, Paulinho traçou seu perfil melódico com inflexões e variações imaginativas, culminando com um final superiormente elaborado cuja coda abrigou engenhoso uso de dinâmica.

As harmonias de “Scrapple From the Apple”, de Charlie Parker, dividem a composição em duas partes aparentemente irreconciliáveis por serem totalmente independentes. A primeira, em que o gênio de Parker delineou a melodia com a precisão de esmerado artesão, contrasta inteiramente com a harmonização da bridge, sem qualquer conexão com os acordes da parte principal, dificultando sobremaneira a improvisação. Inteligentemente, Widor Santiago deixou a segunda parte da exposição do tema para o pianista Stamato.

“Blues Walk” -- um plágio de “Loose Walk”, do saxofonista Sonny Stitt -- um blues muito popular nos anos 50 e 60, inclusive era tocado freqüentemente por Paulo Moura em ritmo de bossa nova. Além de um solo extenso, no qual fez uso da respiração circular, Paulinho Trompete soube evitar os clichês, criando passagens inventivas, especialmente nos terceiro e quarto choruses.

O calipso “Saint Thomas” -- que Sonny Rollins apropriou-se da canção tradicional “Fire Down There”, do século XIX, das Ilhas Virgens -- deu uma sacudidela na platéia devido a seu ritmo insinuante e altamente dançante, com Widor e Roberto Marques explorando suas possibilidades em variações tonais e rítmicas.

“Moanin’” -- de Bobby Timmons, um dos hinos do soul jazz, estilo criado pelo pianista Horace Silver, pinçado sem-cerimoniosamente do hinário da Igreja Batista dos negros americanos -- proporcionou a Paulinho Trompete um dos seus solos mais inventivos, incluindo citações humorísticas do “Hino Nacional Brasileiro” e de “Samba de Verão”.

“Take Five”, do saxofonista Pual Desmond, causou sensação quando foi editado, em 1959, pelo seu então inusitado andamento em 5/4. A interpretação proporcionou a Roberto Marques seu solo mais longo da noite.

Chegando ao jazz modal, foi a vez de “So What”, de Miles Davis, que o sexteto reproduziu com espírito e entusiasmo. Chamou a atenção o discurso de Widor Santiago, indicando, aparentemente, que memorizou partes dos solos de Cannonball Aderley e John Coltrane da gravação original do sexteto de Davis.

John Coltrane eternizou “Giant Steps”, que após sua gravação para a Atlantic passou a ser um verdadeiro teste para as habilidades dos saxofonistas-tenor. Coltrane não compôs “Giant Steps”, que originalmente foi um exercício para saxofone escrito pelo conhecido guitarrista Dennis Sandole, que era professor de Coltrane, e este nada mais fez do que adaptá-lo para gravar. Apropriadamente, foi um tour de force para Widor Santiago, que não se fez de rogado, exibindo seus recursos em longo exercício virtuosístico.

“Cantaloup Island”, de Herbie Hancock, representou o jazz-funk (sic) dos anos 60, impregnado pelo ritmo caribenho. O sexteto reproduziu adequadamente sua temática, com Widor Santiago exacerbado nas intensas e complexas passagens de sax-soprano.

Finalizando, “Samba de Uma Nota Só” -- cuja melodia nada mais é que a introdução original de “Night and Day”, de Cole Porter -- ligou a bossa nova ao jazz. Antes da interpretação, Roberto Marques contou uma divertida historinha sobre um trombonista sueco que tocava “Samba de Uma Nota Só”, ilustrando musicalmente, de forma humorística, como aquele músico tocou a primeira e a segunda parte desse hino da bossa.
Marcelink, Bené-X, Goltinho, Marcelón (encoberto), DeFrag, MauNah, Jorginho Guinle, Zénrik, Raf e Manim) No intervalo, o convidado Jorge Guinle subiu ao palco para uma foto com os integrantes do CJUB, empunhando um sax-tenor, do qual chegou a extrair algumas notas esparsas.

Ao final, o homenageado, os convidados da Pernod-Ricard, parte do público e os membros do CJUB cumprimentaram Marcelo Siqueira pela criteriosa, cuidadosa e bem-sucedida produção.

Como alguém me disse no final, “Marcelinho sabe das coisas”.