Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

Para uma CJL ficar completa:

17 setembro 2003

Para atingir o objetivo de uma noite totalmente recompensadora, só nos falta agora que as freqüentadoras, sem nenhum medo de serem felizes, decidam brindar-nos com seu máximo charme, consubstanciado nas caras, bocas e trejeitos que fazem ao degustar um charuto.
Bastando nos avisar de suas preferências com antecedência, poderemos providenciar para as aficcionadas - e somente para estas, os marmanjos que tragam os seus fumos- charutos ou cigarrilhas de excelente qualidade, para serem apreciados durante o concerto, em pé de igualdade.
Junto a essa facilidade vem o direito de serem fotografadas e virem parar aqui no blog e quiçá nas páginas dos grandes jornais e revistas do mundo. Com essa tal de internet, o mundo é ali na esquina.

51st ANNUAL - " DOWN BEAT " CRITICS POOL

16 setembro 2003

Recém publicada na edição de agosto, a Down Beat consagra como o grande artista do ano a WAYNE SHORTER, conferindo-lhe nada mais nada menos do que 6 premiações, a saber: Hall of Fame / Jazz Artist / Jazz Album / Sax Soprano / Accoustic Jazz Group e Composer of the Year e, como revelação, ( Rising Star Jazz Artist ) JASON MORAN, que aqui esteve no Chivas Jazz deste ano.

Quanto às demais premiações, retransmito abaixo para conhecimento e registro do CJUB, como segue :

Piano - Keith Jarrett
Bass - Dave Holland
Drums - Roy Haynes
Trumpet - Dave Douglas
Alto Sax - Lee Konitz
Tenor Sax - Joe Lovano
Baritone Sax - James Carter
Trombone - Steve Turre
Clarinet - Don Byron
Flute - James Newton
Guitar - John Scofield
Electric Bass - Steve Swallow
Electric Keyboards - Joe Zawinul
Percussion - Ray Barreto
Vibes - Bobby Hutcherson
Violin - Regina Carter
Miscellaneous - Toots Thielemans
Male Vocalist - Kurt Elling
Female Vocalist - Cassandra Wilson
Big Band - Dave Holland
Electric Group - Medeski, Martin & Wood
Arranger - Maria Schneider
Producer - Michael Cuscuna
Record Label - Blue Note

Apenas como curiosidade, a melhor indicação de artista brasileiro foi a do Caetano Veloso em 2o lugar como "beyond artist ".
Caso queiram a divulgação dos premiados como revelação por categoria, é só dizer que publicarei asap.

TIM FESTIVAL

Finalmente saiu o programa do Tim Festival (ex. Free Jazz) a ser realizado aqui no Rio nos dias 30/10, 31/10 e 01/11. Como na época do Free Jazz, haverão vários palcos mas só um terá jazz, o TIM CLUB.
Depois de vários rumores e da desistência de Mr Brubeck, aqui vai o elenco:
30/10 - QUINTETO NESTOR MARCONI
CEDAR WALTON ALL STARS
McCOY TYNER BIG BAND
31/10 - LUIZ AVELLAR
TERENCE BLANCHARD'S BOUNCE
ILLINOIS JACQUET BIG BAND
01/11 - MEIRELLES E OS COPA 5
WALT WEISKOPF NONET
SHIRLEY HORN
O CJUB, tenho certeza, estará presente em peso.
Abs, Marcelón

Mais polêmica: Norah Jones

15 setembro 2003

Transcrevo aqui artigo de Steve Greenlee, jornalista americano do "Globe", sobre as últimas façanhas da Senhorita Jones.

Norah Jones mostra seu alcance nas notas de jazz
Por Steve Greenlee, Globe Staff, 1 Set 2003

A rápida ascensão de Norah Jones à realeza musical trouxe uma porção de debates ridículos sobre se ela era uma vocalista de jazz ou uma cantora pop. Nenhuma dessas matracas estaria batendo se Norah tivesse assinado com a Warner ou com a Arista, mas seu álbum de estréia, "Come Away With Me," foi editado pelo venerável selo de jazz Blue Note. O disco em si é um disco pop que emprega músicos e estilos de jazz mas, de fato, quem se importa? É bom e isso, sim, importa.
Mas aí é que está a parada: Jones, depois disso tudo, está realmente se tornando uma cantora de jazz danada de boa.
No sábado à tarde, no Tanglewood Jazz Festival, Jones chocou um público recorde de 5.000 pessoas no Ozawa Hall com um "set" intimista de "standards", de tirar a respiração, acompanhada por duas pianistas -ela mesma e Marian McPartland. O evento foi uma gravação do show "Piano Jazz" de McPartland para a National Public Radio, mas ficou mais para um recital do que um concerto ou um programa de rádio.
O papo entre as canções foi mínimo, com as questões básicas sobre quando Norah havia começado a tocar piano (aos 7 anos) e quais eram suas cantoras favoritas (Billie, Sarah, Dinah e Aretha). Mas McPartland não parecia saber o que mais perguntar e Jones parecia tímida e nervosa quando não estava se apresentando. Enquanto cantou, porém, ela comandou as atenções.
Já chegamos ao ponto da carreira de Norah no qual paramos de compará-la a outras cantoras. (Será que já estamos começando a nos referir a ela pelo primeiro nome, apenas?) Ela pode ter soado um pouco como Billie Holiday nos seus fraseados e entonação mas a cantora com quem ela mais se assemelhou no recital foi com a Norah Jones de "Come Away With Me", cantando "standards". Delicada, intimista, suave.
Jones e McPartland interpretaram quase tudo como blues, começando com "Mean to Me," uma música tão antiga que McPartland se disse surpresa por Jones conhecê-la. (McPartland está com 85; Jones com 24). Elas diminuiram o ritmo para uma bela levada de "Loverman" e mergulharam num verdadeiro recital dos "melhores dos standards", incluindo "Tenderly," "Summertime," "Easy Living," "A Foggy Day" (Billie Holiday teria adorado esse set), e "Spring Can Really Hang You Up the Most."
Cada canção deixou de ser meramenta cantada, foi interoretada com beleza e graça. E, pode apostar, ninguém no Ozawa Hall reclamou que Jones não tenha improvisado o bastante para que as músicas fossem consideradas jazz.
Jones e McPartland ignoraram os veementes apelos por um "encore"- e a choradeira por pelo menos uma das músicas do disco de Norah, "Come Away With Me" - mas seu set incluiu pelo menos uma boa surpresa: "Melancholia," de Duke Ellington, para a qual Jones escreveu uma letra. McPartland deixou o palco nesta, permitindo a Jones se acompanhar e foi uma soberba peça minimalista - uma bela melodia, uso frugal do piano, e vocais de arrepiar todos os pelos do corpo.
Era para ser somente um primeiro e belo set no dia, por uma vocalista e intérprete sem igual.
Mas Cassandra Wilson, que também está entre as influências de Jones, tocou no Ozawa Hall na noite desse sábado, e foi um evento de deixar as pessoas de boca aberta. Ela foi acompanhada por um trio, mas o uso, por Cassandra, do incrível percussionista Jeffrey Haynes no lugar do baterista, fez com que o concerto ficasse ainda mais íntimo.
Wilson está com um disco novo, "Glamoured," saindo em outubro, mas ela tocou apenas três músicas dele, incluindo uma versão suave de "Lay Lady Lay", de Bob Dylan. Os pontos altos do set incluíram uma versão soul-jazz do sucesso dos "The Monkees", "Last Train to Clarksville" e um par de músicas de Antonio Carlos Jobim, "Corcovado" e "Waters of March."
O espírito de Jobim também havia pairado na sala, mais cedo naquela tarde, quando o pianista Kenny Barron abriu o concerto com seu "Canta Brasil Project", no qual se apresenta, na seção rítmica, o Trio da Paz e ainda a flautista Anne Drummond. Seu set de quatro músicas incluiu ainda um elegante e enérgica levada de "Manhã de Carnaval", de Luís Bonfá.

MARIA RITA

12 setembro 2003

Habemus Maria Rita... contrariamente a crítica, pelo menos a do Globo a respeito ( Da Folha foi bem diferente ), o must do cd de lançamento da mais nova cantora da nossa mpb é no meu ponto de vista justamente o timbre e maneira de cantar que lembram; ou melhor, fazem ressuscitar de vez a maior cantora brasileira de todo o sempre, sua mãe Elis; ou será que prefeririam que cantasse como Roberta Miranda, Itamara Khorax, Ana Carolina, ou quem sabe como minha ex sobrinha a Preta Gil, para citar apenas algumas pois na verdade são muitas, que por sinal nada cantam ou encantam e em resumo são umas chatas, e o mais incrível que todas sem exceção, vivem buscando a sonoridade e o balanço da pimentinha e nunca sequer chegaram nem perto, e eis que sua filha que em tese só a conheceu de fitas, discos, cd´s ou histórias contadas pelo pai, vem nos brindar com tudo aquilo que as canárias buscam, sem encontrar é verdade; ou seja, uma firmeza e afinação de assustar; ou melhor, de EMOCIONAR...
Quanto ao repertório que vai de Milton ( A Festa e Encontros e Despedidas ) a Rita Lee ( Agora só falta Você e Pagu ), passando por Lenine ( Lavadeira do Rio ) e revelando entre outros Marcelo Camelo ( Cara Valente, Santa Chuva e Veja Meu Bem ) e até o Claudio Lins ( Cupido ), vale dizer que até nisso tem um que de sua mãe, ou já esqueceram...
A registrar também, o fato de cantar acompanhada quase sempre de um trio, novos musicos de São Paulo ( ninguém é perfeito ) a saber; Tiago Costa ( piano ), Fabio Sá ( baixo ) e Marco da Costa ( bateria ) , com algumas participações especiais, que deixo na geladeira.
Enfim para quem quiser conferir ( lá estarei ) e claro se emocionar, vale a pena uma ida ao Canecão, segunda feira dia 15/09 as 21:30 p.m.

JAZZ QUIZ

10 setembro 2003

Uma brincadeira jazzística sadia para exercitar a memória dos CJUBianos:

Todas as composições originais de Duke Ellington foram instrumentais. Anos depois, muitas receberam letras de autores não ligados a Duke sem que este solicitasse a parceria, tornando-se populares com novos títulos.

Quais os novos títulos com que cada uma ficou universalmente conhecida e tornou-se sucesso popular ?


1. Dreamy Blues
2. Subtle Slaugh
3. Never no Lament
4. Concerto for Cootie
5. Sentimental Lady
6. C Jam Blues

E do filho Mercer do genial compositor:

7. Time´s A´Wastin´

Mãos à obra, é fácil.

Raf

PARIS, AO VIVO, McLAUGHLIN

O “fusion”, vertente rebelde do jazz, teve seu aval no fim da década de 60 com a assinatura de Miles Davis em dois discos polêmicos, “In A Silent Way” e “Bitches Brew”. Na mesma época e linha surgia o Tony Williams’ Lifetime. Esses momentos marcantes tiveram um agente comum: John McLaughlin. Como peculiaridade, era inglês (Yorkshire, 1942), nacionalidade não muito atuante no jazz – poucas as exceções, como George Shearing e Dave Holland. Mas a guitarra e o jazz hoje reverenciam McLaughlin como um dos mais criativos músicos contemporâneos, uma unanimidade.
Aos 11 anos, John já tinha a guitarra e o “blues” como prioridades. Envolveu-se de corpo e alma ao jazz no início da década de 60, impressionando os ingleses pela técnica e um poder obstinado de inovar. Em 69, mudou-se para Nova Iorque, gravando com Miles Davis. Nos anos 70 fundou a Mahavishnu (incorporado ao seu próprio nome) Orchestra, influenciado pelos hábitos e sons da Índia. Vários álbuns foram lançados. Entre eles, o mais celebrado, Apocalypse (74), com a Sinfônica de Londres e regência do norte-americano Michael Tilson Thomas, além de alguns convidados especialíssimos, a tecladista e cantora Gayle Moran, o violinista Jean-Luc Ponty e o baterista Narada Michael Walden. McLaughlin sempre homenageou seus jazzistas prediletos. Em 93, gravou “Time Remembered”, um tributo a Bill Evans.

A atual concepção “fusion” de McLaughlin é quase apaixonante, ainda com uma técnica de amedrontar e experiências maravilhosas com compassos quebrados. Gravado ao vivo em Paris (2000), “The Heart Of Things”, por exemplo, é um admirável exercício de jazz contemporâneo, “drives” emocionantes. Estão com McLaughlin o pianista Otmaro Ruiz, o baixista Matt Garrison, o saxofonista Gary Thomas – autor de um dos temas -, o percussionista Victor Williams e o vigoroso baterista Dennis Chambers – esteve recentemente no Brasil com o guitarrista Mike Stern.
Assim como o teatro é a referência mais importante para um ator, tocar ao vivo é o desafio maior de um jazzista. Técnica, coragem e, claro, talento são expostos sem artifícios. Em “The Heart Of Things”, John McLaughlin vence esse desafio com a habilidade própria dos gênios.

E O CJUB FOI À BOSSA...

A estréia do projeto "Segunda na Bossa" no Caroline Cafe - Centro não poderia ter sido melhor. Com a casa praticamente lotada o Rio Bossa Nova Quarteto (Dôdo Ferreira, Marco Tommaso, João Cortez e Janaina Azevedo) fez um show primoroso, com um belíssimo repertório e com direito a canja dos demais músicos presentes no segundo set. Aliás, na segunda parte do show o quarteto, a meu pedido e em homenagem ao CJUB, dedicou uma boa parte ao jazz. Podemos ouvir entre outros clássicos, All Blues e Blue Monk.
Uma noite, sem dúvida, muito gostosa. Nas próximas segundas de setembro, a partir das 18h 30min, estaremos lá aguardando quem deseje ouvir os clássicos da bossa nova, sempre com um bom toque de jazz diga-se de passagem, até porque a bossa nova influenciou e foi influenciada pelo jazz desde sempre. A loja Arquivo Musical fez-se presente na figura do amigo Ricardo que gentilmente levou um CD para sorteio no intervalo.
Embora quase tudo tenha saído como eu gostaria (sempre temos que melhorar algumas coisas), meu maior orgulho foi contar com a presença dos meus fraternos amigos cjubianos, quase todos presentes. Agradeço à todos de coração, Mau Nah, Bene-X, Marcelon, Sazz, DeFrag, Goltinho, Marzita e ao mestre Raffa. Sempre que desejarem a mesa do CJUB estrá à espera de vocês!

Abraços à Todos

Marcelink

20 ANOS JUNTOS

09 setembro 2003

Comemorando 20 anos de excelente entendimento musical o trio Keith Jarrett, Gary Peacock e Jack DeJohnette lançam o cd " up for it " em mais um concerto ao vivo, desta vez em Juan-les-Pins ( França ) onde voltam aos standards e já se candidatando a mais um disco do ano, abrindo com If i were a Bell de Frank Loesser, passando por Butch & Butch do maestro e arranjador Oliver Nelson, Scrapple From The Apple de Parker, além das baladas Someday My Prince Will Come, Autumn Leaves e My Funny Valentine, em que Jarrett mostra estar totalmente curado da enfermidade ( Encefalite Mialgica ) que quase o afastou do piano e principalmente dos concertos, o que mais gosta de fazer, segundo declarou recentemente a Jazziz.
É na verdade são quase 200 anos, se somadas as idades de cada um 57,67 e 60 respectivamente, talvez uma das razões de tão grande profissionalismo e apaixonante entusiasmo musical, o qual coloco desde já a disposição dos cejubianos, desde que consiga finalmente postar...

Os Irmãos de Ôpa e suas realizações:
BOSSA NOVA, com Marcelink

08 setembro 2003

No grupo dos CJUBianos, o júnior é o Marcelink. Uma figura dedicada e sempre pronta para ajudar a empurrar o carro ladeira acima. Pois bem, nosso babyface está partindo, hoje para uma experiência de carreira solo, em paralelo, mas com diversos pontos de contato com as iniciativas do CJUB.
Esta noite, no Caroline Café, na Rua da Assembléia, bem em frente à Faculdade Candido Mendes, Marcelink está promovendo o lançamento do projeto SEGUNDA NA BOSSA, que serão noites dedicadas por inteiro à bossa-nova, com músicos de primeiro time. O quarteto escalado para as apresentações é composto pelo Dôdo Ferreira no contrabaixo, pelo pianista Marco Tommaso, pelo baterista João Cortez e pela cantora Janaína Azevedo. Os três primeiros tocaram no segundo concêrto da série Chivas Jazz Lounge, na noite produzida pelo Raffaelli.
O Marcelink garante (e eu aposto minhas fichas nisso) que o repertório é de primeira e que o grupo está tinindo, pronto para balançar a casa. Então, todos ao Caroline hoje, para ouvir música de qualidade, bem executada e cujo "swing", poderoso, certamente deixará os assistentes com excelente estado de espírito para todo o resto da semana.
Ah, e "irmãos de ôpa" é uma expressão usada pelo Raf que significa aquele grupo de amigos/conhecidos que se juntam para uma determinada atividade específica.

Paraíso, local, para os colecionadores de jazz: Musicshop.com.br

05 setembro 2003

Foi lançada pelo nosso amigo Flávio Raffaelli e está em plena operação, a sua (e em breve, em vista das encomendas, nossa) loja virtual MUSICSHOP. Além de um craque no que diz respeito a assuntos de informática e na confecção e manutenção de sites, o Flavinho está agora disponibilizando na rede essa ótima opção para os que gostam de comprar itens de qualidade e a um preço MUITO competitivo, sem sair da cadeira.

A aparência do site, sóbria e elegante e a praticidade do sistema, aliados aos comentários abalizados sobre cada um dos itens, são meio caminho - para a perdição? - andado. O resto fica por conta das contas bancárias de cada um.

Para facilitar a vida dos amigos, a nossa coluna da esquerda manterá um link perene para a MUSICSHOP.

A Memória dos Mestres

04 setembro 2003

Depois da entrada no grupo de CJUBianos dos nossos mentores RAF e GOLTINHO, venho tentando fazer com que nos emprestem, além do seu conhecimento enciclopédico sobre assuntos relacionados ao jazz e aos músicos com os quais conviveram, alguns itens de suas "memorabilia", para dividir com os demais aficcionados.
Assim, o Goltinho nos mandou algumas fotos históricas, já publicadas aqui (vide arquivos) e há pouco tempo tive em minhas mãos um pedaço do tesouro que o Raf mantém, mais do que guardado em casa, muito próximo de seu coração.
Retratamos aqui parte desse material, sob a forma de dois prosaicos envelopes de cartas, recebidas pelo Mestre dos EUA, mas que por algum motivo especial nunca foram descartados. Eu acredito que permaneceram em seu poder tão-somente por conta dos selos neles aplicados, que trazem as efígies de alguns dos maiores nomes do jazz.
O time é portentoso. No envelope vermelho figuram os nomes do que seria um dream- team, a saber: Jelly "Roll" Morton, Coleman Hawkins, Louis Armstrong, Eubie Blake, Thelonious Monk, Erroll Garner, Charlie Parker e Duke Ellington, no que bem poderia ser a própria constatação, pelo governo americano, de que esses eram, dos jazzmen, os papas a serem retratados.
Já no segundo envelope vemos, além do citado Duke, uma outra forte seleção, com Billie Holiday, Jimmy Rushing e Bessie Smith. Ali estão também expoentes do"blues" como Mildred Bailey, Muddy Waters, Robert Johnson, Howlin' Wolf e "Ma" Rainey.
E, ainda neste último, como a sacramentar a genialidade de todos, nada menos do que nosso Pelé, em selo de 50 cents (os demais valiam 32 cents no envelope vermelho e 29 cents no branco), que, felizmente, como músico/cantor, sempre foi o maior jogador de futebol que a Terra já teve ou terá. O único a destoar nesse timaço é a figura candida e rechonchuda de Papai Noel, que ao que se sabe nunca jogou bola e cuja presença, em termos musicais, nos remete às canções mais chatas do mundo. E com isso, abro a discussão aos colecionadores para que informem-nos das excelentes e imperdíveis músicas natalinas de que dispõem, interpretadas pelos craques aqui mencionados.

Para um leigo, esses envelopes não valem nada. Para os amantes do jazz, valem muito. Para o Raf não tem preço e por isso ficaram guardados por tão longo tempo, tempo não medido em anos mas certamente pela intensidade das lembranças.
É, de fato, um privilégio poder dividir essas imagens com todos.




CJUB

02 setembro 2003

Amigos,
Sexta passada eu estava ouvindo o tratamento jazzístico dado pelo Monsieur Loussier a Haendel. Por sinal, um belo tratamento. Meu estado de espírito era o melhor possível e um gentil amigo escocês me acompanhava. Nessa atmosfera passei a relembrar os momentos vividos no show do Edson Lobo e nos demais shows promovidos pelo CJUB no Epitácio. É claro que houve problemas mas o saldo é altamente positivo. Aconteceram momentos mágicos que vão ficar na lembrança.
O Epitácio vai acabar, o que é uma pena, mas o projeto vai continuar e, com toda a certeza, trará muitos outros momentos inesquecíveis.
Viva o JAZZ e viva o CJUB !
Abraços,
Marcelón.

Ativo inapreciável

01 setembro 2003

Toda instituição que se preza tem que ter uma pessoa que realmente trabalhe enquanto as demais colhem os frutos. A turma de marmanjos que compõe o grupo de editores do blog não seria exceção. Mesmo que seu trabalho não apareça de pronto, todo mundo sabe que tem alguém ali que, com toques mágicos, faz com que as coisas andem, e no nosso caso, muito bem. No caso do CJUB, essa pessoa é como uma fada.

Pois Marzia Esposito, nossa querida Marzita, só falta mesmo falar.

Operosa e competente, nossa discretíssima Marzita flutua silenciosamente ao redor dos acontecimentos dando uma ajeitada aqui, resolvendo um probleminha ali, sempre de ótimo humor e pronta para ajudar a todos no que for preciso, com seu sorriso que, ao mesmo tempo tímido e franco, derrota qualquer adversidade. Não há complicação ou atolamento que se mantenha por 15 minutos, uma vez submetido aos seus poderes. Gentilmente, Marzita vai costurando as situações, desbastando os egos, arrumando a casa à sua maneira, de forma que, ao final, tudo tenha transcorrido sem sobressaltos.

Ninguém diz, mas por trás dessa gentileza toda encontra-se uma competente advogada, uma poliglota, em fase de transmutação para uma nova vertente, a produção de espetáculos e eventos. Além de estar, discretamente, como é seu feitio, estudando piano.

Musa inconteste dos CJUBianos, só agora se revela em foto, por demanda unânime do seu time de admiradores de dentro e de fora do blog .

A Conchita que se cuide!

CHIVAS JAZZ LOUNGE, 4ª EDIÇÃO, EPITÁCIO, 27/8/2003 @@@½

por David Benechis

Que José Sá - uma vida inteira de amor à música, já a começar da linhagem ilustre - proporcionaria ao afortunado público de ontem à noite, no Epitácio, um concerto magnífico, disto ninguém duvidaria.

Pois a eletricidade correu já desde os primeiros acordes de I Remeber You (Mercer/Schertzinger), quando, superadas as microfonias, Edson Lobo e seu quinteto enfim arrancaram para o triunfo, obtido, em grande parte, graças à fase iluminada por que o líder e, em especial, Paulinho Trompete (flugelhorn), provaram estar vivendo.

Associados aos também luminosos Ricardo Pontes (sax alto), Fernando Moraes (piano) e Wallace Cardoso (bateria), além das convidadas especiais, Tita Lobo (nos temas brasileiros) e Wandá Sá (no apoteótico bis final), todos conduziram a audiência a uma rara experiência de exponencial felicidade.

Após décadas a serviço do Jazz e da Bossa Nova, Lobo - de presença bissexta em nossos palcos - ostenta domínio tal do contrabaixo, que se dá ao luxo de tocar de modo perturbadoramente relaxado, "estalando" as cordas abaixo do espelho (parte frontal do braço do instrumento) e praticando ignorando o polegar como alavanca para a mão esquerda, numa heterodoxa técnica, cujo resultado, entretanto, continua a impressionar pelo som cheio e pronunciado, o mesmo desde seus tempos com Dom Salvador, nos anos 60.

Brilharam sempre a consistência de seu walking e a imaginatividade dos solos, como no clássico maior de Oliver Nelson, Stolen Moments, cuja inesperada citação de Summertime (Gershwin) pareceu contagiar o grupo, quase pondo a perder a atmosfera cool original do tema.

Mas a estrela indiscutível da noite foi o flugel de Paulinho Trompete, em tamanha forma que hoje rivaliza, no Brasil, unicamente com Cláudio Roditi, nada pouco em se tratando, este último, de um dos 20, talvez 10 maiores do Jazz, hoje, no instrumento.

Estavam lá não só efeitos como a "respiração circular" e o "reverbe", mas a velocidade e os riffs de Freddie Hubbard, assim como o som distinctive dos grandes mestres do primo aveludado do trompete, Art Farmer e Clark Terry, notadamente na emblemática My Funny Valentine (Rodgers/Hart), cujo solo pareceu evocar, a princípio, Miles Davis com seu famoso sexteto de 1958 (58 Sessions Featuring Stella by Starlight, Columbia). Em poucas palavras: Paulinho assombrou a todos com a paixão e fluência privativos de um artista superior.

A seu lado no front line, Ricardo Pontes, embora sempre em 1ª pessoa, também rendeu homenagem aos gigantes do alto, como Charlie Parker, em Like Someone in Love (Burke/VanHeusen), 2º bis da noite; Jackie Maclean, em Yesterdays (Kern/Harbach); e Phil Woods, na acelerada On Green Dolphin Street (Kaper/Washington), esta merecendo solo destacado do jovem e promissor baterista, Wallace Cardoso.

Dignas de nota, entre as demais composições contempladas, Chovendo na Roseira (Jobim), com belo arranjo e levada constante e crescente, e, Emily (Mandel/Mercer), dando espaço a Fernando Moraes, que o tempo todo lutou contra o volume baixo do piano.

Até ali, a inclusão de "bossas", como Vivo Sonhando (Jobim), aparentava quebrar, de certo modo, o formidável punch de blowing session que pontuou a noite. Impressão imediatamente desfeita com a subida ao palco de Wanda Sá, que, no compasso swingado de Tita Lobo (violão), deu, em Água de Beber (Jobim/Vinícius), a pressão que faltava, pondo abaixo a casa, num encerramento glorioso.

Certamente, uma última quarta-feira para tornar inesquecível, de vez, o Epitácio, berço do Chivas Jazz Lounge.

[outras fotos do Concerto: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7]