Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Mestre Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Mestre Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (Mestre MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).


BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

Ouvindo jazz em Frisco

31 julho 2003

Ainda dentro da série de notas propositalmente postadas para dar água na boca dos interessados por jazz, segue matéria do San Francisco Chronicle, no original:

The San Francisco Jazz Festival has a reputation for reaching across broad swaths of musical terrain. This year's fall event is no exception, with a mix of headliners that includes pianists McCoy Tyner, Cecil Taylor, Herbie Hancock and Keith Jarrett, organist Jimmy Smith, gospel and R&B singer Mavis Staples (in a tribute to gospel great Mahalia Jackson), guitarist Bill Frisell, Italian trumpeter Enrico Rava and Cuban crooner Omara Portuondo.

The festival is Oct. 23 through Nov. 9, with a preview event on Sept. 20 featuring the Herbie Hancock Quartet and vibraphonist Bobby Hutcherson -- the first time the quartet and Hutcherson will perform together in the Bay Area.

The full lineup, which the festival is announcing today, includes a series of dates with Bay Area artists, among them the Kronos Quartet (Oct. 24-25), Maria Muldaur and Dan Hicks (Nov. 2) and Kitty Margolis (Nov. 9).

On Nov. 3, longtime critic Phil Elwood will be honored with the annual SFJAZZ Beacon Award, which goes to a Bay Area figure who has made major contributions to jazz.

Tyner (Oct. 23) and Taylor (Oct. 30) are doing solo shows, while Jarrett (Nov. 9) is appearing with bassist Gary Peacock and drummer Jack DeJohnette in a performance that celebrates the trio's 20th year of collaboration.

Portuondo, who became internationally known after her work on the 1997 Grammy-winning album "Buena Vista Social Club," is appearing Oct. 25 with acclaimed Brazilian singer Virginia Rodrigues.

Rava is playing in two of the festival's three "Best of Italy" shows.

É HOJE

30 julho 2003

O concerto de hoje à noite, produzido por este CJUB, está se afigurando desde cedo como uma gostosa oportunidade para se ouvir um jazz empolgado, vibrante e com todos os ingredientes para deixar a audiência feliz.

Conversando esta manhã com a "professora" Sheila Zagury, que vai pilotar o quinteto, ela me pareceu bastante feliz com o convite, com os ensaios da banda e com a "set-list", que ficou com uma dosagem bem balanceada entre temas um pouco mais elaborados com outros que poderiamos considerar como de "pura diversão".

Para que se possa avaliar, seguem os temas que serão executados e seus autores:

No primeiro set:
BILLIE'S BOUNCE - Charlie Parker
DONNA LEE - Charlie Parker
BLUE IN GREEN - Miles Davis
SO WHAT - Miles Davis
PENT UP HOUSE - Sonny Rollins
SUMMER IN CENTRAL PARK - Horace Silver
QUICKSILVER - Horace Silver

No segundo set:
AIREGIN - Sonny Rollins
MOANIN' - Bobby Timmons
'ROUND MIDNIGHT - Hanighen / Monk / Williams
GOOD BYE PORK PIE HAT - Charles Mingus
ALL BLUES - Miles Davis
ST. THOMAS - Sonny Rollins
ON GREEN DOLPHIN STREET - Kaper / Washington

Sheila deixou ainda um "standard" bem conhecido, cujo arranjo é bastante "pra cima", segundo ela, para o bis e a consequente abertura para a descontraída "jam session" final, com a participação dos músicos que estiverem na platéia.

Acho que a noite tem tudo para, usando o termo da garotada, "bombar".

A Terceira Noite CHIVAS JAZZ LOUNGE, com produção do CJUB

23 julho 2003

Vai ser no dia 30 de julho próximo, quarta-feira, às 21 horas no lounge do Restaurante Epitácio (Av. Epitácio Pessoa, 980 -Lagoa- fone 2522.1999), o terceiro concerto de jazz da série Chivas Jazz Lounge, produzida pelo grupo que edita este blog.

Essa noite, que consolida a série como uma opção para os fãs do jazz instrumental de qualidade, marcará minha estréia como "produtor" musical. Depois das noites de Arlindo Coutinho e do José Domingos Raffaelli, recai agora sobre mim essa responsabilidade.

Convidei para capitanear o concerto a pianista Sheila Zagury, a quem admiro o talento e cuja "disposição" ao piano sempre me encantou. Sheila vai liderar o grupo de dois sopros - saxofone e trompete - mais baixo e bateria.

Professora Assistente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, nas cadeiras de Percepção Musical e Piano Popular, disciplina elaborada por ela mesma, Sheila Zagury estudou piano erudito no Brasil e na França, na École de Musique Alfred Cortot, e piano popular com Antônio Adolfo, Tomás Improta e Luiz Eça. Já acompanhou vários cantores e compositores, como Luli & Lucina, Eduardo Dussek, Angela Rorô e Neti Szpilman, entre outros.
Mantém um duo com o gaitista José Staneck há 10 anos. Tocou em várias peças teatrais no Rio e gravou os CDs "Mulheres em Pixinguinha" e "São Bonitas as Canções". Sheila foi a titular do piano da Rio Jazz Orquestra, tendo se apresentado no Jazzmania, no Rio Jazz Club, no Canecão e no Metropolitan, entre outras grandes casas de espetáculo do Rio.

No trompete estará Wander Nascimento, que iniciou seus estudos aos 11 anos de idade na Assembléia de Deus. Aos 14, estava estudando na Escola de Música de UFRJ, onde fez parte da Orquestra Sinfônica. Em 1994, ingressou por concurso na Banda Municipal do Corpo de Bombeiros, a qual integra até hoje. Toca na Rio Jazz Orquestra e também na UFRJazz Ensemble, onde pode desenvolver seu trabalho como trompete solista e onde dá vazão aos seus melhores improvisos, ao melhor estilo de Chet Baker, a quem considera sua maior influência. Os músicos mais próximos a Wander costumam chamá-lo, carinhosamente, de "Miles".

No saxofone, Fernando Trocado estará demonstrando porque é considerado um dos grandes nomes desse instrumento no Rio de Janeiro. Tendo estudado com José Freitas, Paulo Moura, Idriss Boudrioua - que brilhou no primeiro concerto da série - e Ion Muniz, Trocado graduou-se em Regência pela UFRJ. Tocou intensivamente em grupos instrumentais como a Víttor Santos Orquestra, o quinteto Saxophonia, na Orquestra Sinfônica Brasileira-OSB, na Orquestra Sinfônica Nacional e na do Theatro Municipal, entre outras. Participou dos grupos de Dôdo Ferreira - que com seu quarteto, foi o astro do segundo concerto Chivas Jazz Lounge - Marcos Amorim, Claudio Dauelsberg e Ronaldo Diamante, entre outros, e tocou com artistas como Francis Hime, Luís Melodia e Eduardo Dussek. Gravou inúmeros CDs como os com o Saxophonia, a Orquestra de Sax, Tomás Improta, Idriss Boudrioua e Alexandre Carvalho, Dôdo Ferreira, além de Nó em Pingo D'Água, Martinho da Vila e Roberto Carlos, entre outros. Leciona saxofone na UFRJ desde 1996.

O contrabaixista José Luis Maia vem de uma família tradicional de baixistas, sendo filho de Luizão Maia e primo de Artur Maia, que dispensam maiores apresentações. Atua desde 1986 com expoentes da música, em festivais, shows e gravações. Já tocou com Al Jarreau, Jorge Benjor, Bebel Gilberto e Leni Andrade, entre muitos outros. Participou de gravações com grandes instrumentistas como Gilson Peranzetta, Joe Sample, Wagner Tiso, Paulo Moura, J. Moraes, Dario Galante - líder do quinteto que abriu a série CJL - e cantores como Beth Carvalho, Quarteto em Cy, Paulinho Tapajós, de uma extensa lista. Atualmente acompanha Luís Melodia, Zezé Motta, Paulo Moura e Maurício Einhorn.

Fechando o grupo, na bateria estará se apresentando Kleberson Caetano, um autodidata que pesquisou o estilo e a técnica dos grandes bateristas do jazz contemporâneo como Steve Gadd e David Weckl. Essa formação jazzística o levou a tocar com Márcio Montarroyos, Ricardo Silveira e com Markos Rezende. Fez parte da Rio Jazz Orquestra, apresentando-se nos maiores palcos do Rio, São Paulo, Curitiba, e Fortaleza, além de ter-se apresentado em Toronto, no Canadá. No Brasil, Kleberson tocou com expoentes do samba como Bezerra da Silva e Wilson Simonal.

Segundo Sheila, sua intenção é a de "abranger desde temas do jazz mais elaborado do período que vai dos anos 40 até 60 até uma visão mais contemporânea, com a apresentação de arranjos próprios para alguns clássicos do gênero", no segundo "set".

E tudo apresentado com a energia que é sua marca registrada. Sendo a primeira noite da série Chivas Jazz Lounge a ser comandada por uma mulher, prevê-se uma grande afluência de músicos cariocas para prestigiar a pianista.

Curiosidade- nossa maior visita: 3 horas e seis minutos

Para os membros/leitores que tiverem a curiosidade de saber como são feitas as estatísticas do CJUB, sugiro seguirem este link, onde poderão ler como o nosso contador de visitas as detalha.

E ver, no mesmo exemplo, como e quando nosso recorde de permanência foi batido, com um nacionauta que permaneceu - não se podendo nem mesmo afirmar que esqueceu o micro ligado na página do nosso blog, pois a visita teve nada menos do que 43 trocas de páginas internas, chamadas de "page views" - três horas e meia examinando, apreciando, e muito provavelmente gostando do material que se disponibiliza aqui.

Aproveitando o gancho, queria informar a todos, agora que atingimos 8.000 visitas, sendo que dessas, 4.000 só de março para cá (tendo o blog completado 1 ano em maio) e que a duração média das visitas aumentou muito.

Alem disso, estamos fazendo um belo sucesso entre os nossos manos "tugas" d'além-mar, coisa que muito nos honra e envaidece. Já há pelo menos 8 blogs que nos referenciam em suas páginas e o melhor de tudo, sempre em categorias que vão de "cultura" a "idéias" a "boa leitura". De nossa parte, muito obrigado

Da TV ao cinema, uma metamorfose

O jazz, como gênero musical, abriga hoje dezenas de vertentes. Há exageros. O "All Music Guide" rotula o nosso bom Danilo Caymmi como jazzista. E por aí outros equívocos. Ao se comprar um CD de jazz de algum músico desconhecido todo cuidado é pouco. Há surpresas agradáveis também. Um disco trazendo temas simplistas como "The Jetsons", "Hawaii 5-0", "Maniac" e "Mannix" não pode, em principio, atrair a atenção de qualquer jazzófilo mais qualificado. Na prática, Randy Waldman prova o contrário.
A carreira do pianista e arranjador norte-americano Randy Waldman é bem interessante. Aos 12 já fazia demonstrações com pianos novos para uma loja de instrumentos musicais-seu primeiro emprego. A grande chance veio aos 21 anos, na banda de Frank Sinatra. Mas foi ao lado de George Benson, durante 7 anos, que ganharia maturidade não só como pianista mas como arranjador. Nominado ao Grammy, em parceria com o Manhattan Transfer, acabou levando o prêmio na categoria de melhor arranjo para "Somewhere", via Barbra Streisand. Em Los Angeles, Waldman envolveu-se com trilhas para a TV e o cinema.
Só em 98, com um trio formado por John Patitucci e Vinnie Colaiuta, gravou seu primeiro disco. Em 2001, o segundo CD, "UnReel", um saboroso exercício de originalidade. Waldman é um jazzista moderno, dono de uma concepção musical arrojada.
"UnReel" é uma homenagem aos temas de seriados de TV e ao cinema. Uma visão, claro, jazzística. O arranjo para "The Jetsons" - que parece missão impossível - é aula de criatividade, onde Waldman mostra de cara que teve em McCoy Tyner uma escola. Ele convocou músicos de primeira linha, como Brandford Marsalis, Ernie Watts, Tom Scott e Michael Brecker (saxes), Randy Brecker e Leo Soloff (trumpet e flugelhorn), Gary Burton (vibes), Bob McChesney(trombone), além dos parceiros Patitucci e Colauita e do substituto natural de Benson, Michael Sembello. Há também versões mais comportadas, como "My Favorite Things", "Schindler's List" e "Forrest Gump". No chatíssimo "Hawaii 5-0", outra noção brilhante de harmonia. "America", "Mannix" e "Ben Casey" foram também missões árduas.
A faixa final, "Maniac" (Flashdance) traz a voz e a guitarra de Sembello. O único tiro mais comercial do CD.
"UnReel" recebeu entusiasmadas críticas dos norte-americanos. O desafio provocado por um repertório quase todo medíocre - raras as exceções - foi facilmente vencido. Às custas de um time de jazzistas formidáveis, entre eles, este surpreendente Randy Waldman.

TED NASH, Mistura Fina, 19/7/2003, 1º set @@@½; 2º set, @@@

22 julho 2003

Uma formação inusitada sempre cria uma expectativa no mínimo diferente, no público, se bem que a reunião de sax/clarinete, acordeão, violino, bateria e contrabaixo (em vez de tuba), nada tenha de "extravagante", p. e., para o Tango. Piazzolla, revolucionador do gênero, várias vezes usou essa combinação, como por exemplo no famoso "Summit" com Gerry Mulligan (1974, Orchard), que, (continua).

Blog de profissional - Antônio Carlos Miguel

21 julho 2003

Está no ar o blog desse jornalista especializado em música, que como os bons exemplares do ramo, é interativo e permite que se faça comentários, aos quais Miguel responde religiosamente. Mais uma boa fonte de referência sobre música de boa qualidade, em português, para os interessados.

Uma voz morna e poderosa: LIZZ WRIGHT

A gravadora Verve teve e tem, em seu plantel de contratadas, cantoras "ferozes" como Billie, Ella, Sarah, Dinah, Nina, Abbey, Shirley, Dee Dee, Cassandra, Diana. Como dizem eles lá, tão fora de série que basta chamá-las pelo primeiro nome, que ninguém vai ter dúvidas. E agora está apostando suas fichas numa cantora chamada Lizz - Lizz Wright, para ser mais preciso.

Ao entrar no site da Verve dei de cara com seu novo lançamento, o disco "Salt". Decidi, depois de ler algumas notas, ouvir um pouco de sua voz, já que ainda não tinha tido nenhuma referência ou indicação sobre seu trabalho.

Uma bela surpresa! Lizz, uma jovem negra com um rosto de uma beleza marcante, que me remeteu a uma rainha africana, a despeito de não haver feito, no disco, concessão a standards, o que é uma maneira tradicionalmente fácil de compará-la a outras cantoras, tem uma voz potente e madura, a despeito de seus 23 anos.

Fiquei com a impressão de que em poucos anos teremos nela uma outra grande diva da canção. Vale a pena ouvir, mesmo as curtas amostras sonoras.

E se for o caso de amor à primeira audição, basta encomendar ao Flavio Raffaelli (flavio@raffaelli.com.br) - que está ultimando seu site de venda de CDs e DVDs on-line - que ele trará a felicidade até você, num curto espaço de tempo, e a preços muito competitivos.

Hello guys - it's my turn now

19 julho 2003

Heelo everyone, old or new here, I am Conchita, and was away for a lenghty period. I just got back to NY and when I browsed CJUB, I saw that our blog was again sparing some space for women who like cigars.
I have been honoured in the past by having a short film of myself placed in the left column, but now I would like to submit one picture I am particularly very fond of, it was taken during the shooting for an ad I modelled for.
If you do not like it, just let me know, I'll ask Mauro to take it off. Many many kisses for all there.
Love, Con .

AVISO AOS NAVEGANTES

18 julho 2003

Aos que ainda não sabem.

A caravana CJUB está aberta para inscrições: neste fim de semana, Ted Nash e seu conjunto (tuba, leia-se Wyclife Gordon, guitarra, bateria, leia-se Matt Wilson e tudo mais que tiver direito) e, no outro, Stefon Harris (vibrafone).

Bene-X, de bloquinho em punho, atacará novamente.

As Charuteiras

17 julho 2003

Atendendo aos inúmeros pedidos recebidos, continua aqui a série das moças que gostam de fumar charutos, com uma série de fotos obtidas no site da Cigar Aficionado:
35; 36; 37; 38; 39;

YES, NÓS TEMOS CANTORES

Nasceu em Rio Claro (SP). Foi aluno de Vera Brasil e a partir da década de 70 frequenta as melhores casas paulistanas, como Jogral, Igrejinha, Casa Forte e Flag, entre outras. Com um timbre de voz grave, não muito comum para a época, o já consagrado cantor Zé Luiz Mazziotti se transforma em referência de bom-gosto, uma unanimidade entre os músicos brasileiros. Surgem gravações independentes e algumas produções. Grava "Dona Benta", na primeira trilha do "Sitio do Pica-Pau Amarelo", convidado por Ivan Lins e sob o comando de Dori Caymmi. Seguindo os conselhos do Tom - "a única saída para o músico brasileiro é o Galeão" - Zé Luiz se instala em Paris, onde participa de alguns eventos de jazz, como "Printemps de Bourges" e o Festival de Jazz de Nice, dividindo o palco com Miles Davis, George Benson, Count Basie, Djavan e Gilberto Gil. Só em 94 retorna ao Brasil. Em 95 outro disco independente e o show "Feliz Bossa Nova", com Leny Andrade, Wanda Sá, Menescal e Miéle. Os anos seguintes são para novos shows , até produzir em 2001 um disco dedicado à Sueli Costa, com Lucinha Lins & Gilson Peranzetta. E, ano passado, shows com Fátima Guedes em Campos do Jordão, ao lado da Orquestra de Câmara de Tatuí. Em agosto grava, talvez, o seu mais importante disco, homenageando Chico Buarque.
Pelo convívio permanente com instrumentistas de primeiro time, Zé Luiz carrega uma concepção musical invejável - é um ótimo violonista. Gravar Chico Buarque sem nada a acrescentar não seria provável. "Zé Luiz Mazziotti Canta Chico Buarque" é um CD no mínimo emocionante e de um bom-gosto sem igual. Já se inclui com folga entre os melhores do ano, apesar de independente e sem qualquer distribuição em lojas - somente via www.zeluizmazziotti.com.br. Toda a concepção tem o dedo e o talento de Zé Luiz, com arranjos e músicos formidáveis, sob uma nítida intenção jazzística. Estão com ele o guitarrista carioca Marcos Teixeira, o baixista Paulo Paulelli - admirado por John Patitucci -, o ótimo pianista Fabio Torres e o baterista Celso de Almeida, além dos teclados de Keco Brandão.
Em "Cadê Você" (João Donato), além da participação do próprio Chico, um exercício fantástico de criatividade entre todos os que se envolveram no projeto. Outros momentos de rara inspiração estão em "Embarcação" (Hime), "Almanaque" e "Carolina", além de uma versão francesa para "Eu Te Amo" (Jobim). O CD se presta não só para os amantes da nossa melhor música, mas para qualquer músico bem intencionado e jazzófilos de primeira linha. Imperdível.
Em tempo:Zé Luiz dedica o CD a 2 cantoras, a saber: Shirley Horn e D.Krall

E rola o "Gypsy Jazz"...

16 julho 2003

Originou-se com um guitarrista cigano com dois dedos estrepados e é uma mistura improvável do "swing" americano dos anos 30 com a "musette" francesa dos grandes salões e as levadas "folk" da Europa ocidental. Mesmo 50 anos após a morte da estrela que o fundou, Django Reinhardt, que superou o fato de ter uma mão prejudicada por um acidente para adquirir um virtuosismo inacreditável, o "jazz-cigano" não apenas está vivo mas atraindo novos fãs com suas cadências quebradas e ritmos esfuziantes.

"Há algo especial no temperamento desta música," diz Jean-Francois Robinet, organizador do festival anual de "gypsy jazz" na cidade francesa de Samois-sur-Seine, onde Reinhardt passou seus últimos dias. "Tem um feeling languido, sedutor. Mas que, num instante, pode atingir você na boca do estômago", diz M. Robinet, admirador confesso de Django, que se apresentou no festival a cada mes de junho, na maior parte dos últimos 35 anos.

O "gypsy jazz" também conhecido como "jazz manouche" como a ele se referia a tribo cigana francoparlante de Reinhardt, vem parecendo retomar seu caminho desde que seu pioneiro morreu de um ataque cardíaco aos 43 anos. O crescimento do interesse em "world music" e nas performances acústicas está proporcionando ao estilo novas audiências para além do núcleo "duro" de devotos do jazz, e as famílias ciganas são ainda seus principais expoentes.

A cerca de 60 quilometros de Paris, subindo o rio, numa garganta do Sena, a cidade de Samois tornou-se o lar espiritual do "gypsy jazz", atraindo milhares de pessoas este ano para uma semana de música e homenagens a Reinhardt, movidas a álcool.
Enquanto os maiores expoentes dessa vertente tocam no palco, a principal atração de Samois pode ser encontrada num pedaço de terra lá atrás, onde guitarristas de todo o mundo se reúnem impromptu, formando conjuntos.

Música é a linguagem
Ali, um guitarrista manouche e seu neto de sete anos podem ser vistos desenvolvendo um "standard" do gênero, lado a lado com um sueco ou um britânico de meia-idade, em bandas formadas por até seis guitarristas. Os solos passam de um para o outro enquanto os demais aquecem o ritmo. Muito freqüentemente sem uma lingua comum entre eles, a música se transforma na única ferramenta de comunicação, associada a sorrisos ocasionais, polegares para cima e aplauso mútuo. "Esta é a minha primeira vez aqui em Samois. Comecei a tocar "gypsy-jazz" há dois anos. Ele tem esta qualidade "viva" que eu adoro", diz Andreas Oberg, 24, de Estocolmo.
A habitualmente sonolenta cidade de Samois não poderia estar mais longe, em espírito, da tumultuada vida levada por Reinhardt, com quem o estilo floresceu. Nascido numa vila próxima da cidade belga de Charleroi em 1910, Django aprendeu a tocar a guitarra cigana bem jovem, antes que um incêndio em sua caravana tivesse lhe prejudicado o uso de dois dedos da mão esquerda. Nem essa deficiência impediu que o jovem de 18 anos refinasse um estilo que até hoje espanta a professores do instrumento, adequando solos em velocidades altíssimas a mudanças de acordes que até hoje são suas marcas registradas..
Submerso nas influências ciganas do leste europeu e tocando a música dançante francesa nos cafés de Montmatre, a "musette", conheceu um artista francês que o apresentou ao jazz de Duke Ellington e Louis Armstrong.
Algo ali fez um clique, e uma nova música nasceu. Associando-se ao violinista Stéphane Grappelli em 1934, o "Reinhardt's Quintette du Hot Club de France" ficou famoso no espaço de um ano. Até a 2a. Grande Guerra, produziram mais de 200 números, entre composições próprias de Django e releituras de standards do jazz.
Sua reputação como músico estava selada não apenas entre os músicos americanos que vieram a maravilhar-se com o europeu que tinha adicionado algo novo à música "deles", mas muito além. Instado uma vez por Andres Segovia a dizer o nome da música que tinha acabado de tocar, Django deixou sem ação ao mestre da guitarra clássica, ao dizer: "Não sei o nome. Acabei de inventar."
A guerra separou o grupo, Grapelli ficando em Londres e Reihardt ficando sempre um passo à frente dos nazistas - cujas determinações sobre raça o teriam matado - em alguma caravana, em qualquer lugar entre a Suíça e o Norte da África.
Depois de uma turnê nos EUA com Duke Ellington em 1946, Reinhardt voltou à França com uma guitarra amplificada e a determinação de atualizar sua música com os novos idiomas do bebop do saxofonista Charlie Parker e do trompetista Dizzy Gillespie.

Nova geração
A despeito de alguns rasgos de sua genialidade inicial, muitos achavam que estava faltando algo mais em sua maneira de tocar. De qualquer maneira, o jazz tinha encontrado um novo herói da guitarra bebop na figura de Charlie Christian. Então Reinhardt recolheu-se a Samois onde jogou sinuca num bar local e pescou no Sena até sua morte súbita em 1953. Enquanto morria desiludido, sua herança musical permanece até hoje inquestionável.
As estrelas atuais do "gypsy jazz", como Bireli Lagrene, conseguem lotar um recinto grande e a musica ainda pode ser ouvida em bares como o La Chope des Puces, perto do mercado das pulgas de St. Ouen, ao norte de Paris.
Robinet e outros dizem que uma das preocupações atuais é que cada vez menos jovens "manouches" parecem estar vindo para a guitarra, significando que a música poderia se afastar das raízes européias, que a distinguem do jazz "mainstream" dos EUA. "Está nas mãos da nova geração agora, não importa de onde venham," diz Chatou Garcia, um cigano de 59 anos vestido numa veste branca, usando um chapéu fedora e uma bela argola de ouro numa das orelhas. "Está evoluindo, como deve acontecer. Mas não deve brincar muito longe de casa, de onde tudo começou. Para não ficar muito americano."

Bourbon St, Jazz & soul

15 julho 2003

Último dia 12, na rua dos Chanés, 127, Moema, São Paulo. A casa, Bourbon Street Music Club. Além do habitual Bourbon Street Jazz Trio, encerra-se a temporada "Encontro Soul 2003", com o vocalista californiano Victor Brooks e o carioca Zé Ricardo, depois de 3 semanas seguidas de apresentações.
Assim como o Mistura Fina está para o Rio, o Bourbon St. está para São Paulo. Há sempre um intercâmbio mensal entre artistas internacionais - recentemente o New York Voices, e no próximo dia 23 o quarteto do vibrafonista Stefon Harris. O clima da casa tenta ao máximo recriar o ambiente descontraído e típico da famosa rua de New Orleans, até mesmo na gastronomia ou bebidas. Vários posters espalhados, com personalidades do jazz, como Nat King Cole, Louis Armstrong, Bille Holiday e etc.
A música rola a partir das 22 horas. Fora do palco, quase escondido - por não ser a atração principal - o Bourbon Street Jazz Trio ataca por 2 horas. Ary Holland (piano), Nilton Leonardi ( baixo) e Sergio Della Monica (bateria) formam um trio, no mínimo, afiado e contagiante. Holland é um "self made" com tempero à moda Corea, Jarrett e Hancock. Os solos são sempre inteligentes, com soluções harmônicas agradáveis. Leonardi mostra nas primeiras notas - baixo elétrico - que pelo menos para ele o Jaco não morreu. Já Della Monica, quando parte para os ritmos brasileiros, deixa no ar um "swing" diferente dos parceiros paulistanos. Carioca - foi vizinho do craque Pascoal Meirelles - tocou com Gal Costa, Ney Matogrosso & cia. Todos os temas abordados são praticamente "standards" do jazz, como All Blues, On Green Dolphin Street, So What, este parte de um medley que desagua com habilidade em Casa Forte (Edu Lobo). O trio quase só recebe aplausos dos que já se habituaram com ele nas noites da casa. Merecia mais. E teve ainda a canja final do saxofonista mineiro Marcelo "Bambam" Coelho, um coltraneano de carteirinha esquentando o sopro para o espetáculo principal.

Pouco mais da meia-noite, "the main event". Há vazios em frente ao palco, como um espaço para se dançar. Como a aventura é "soul-funk", a alternativa é bem provável. Pela banda, a coisa promete. Os cariocas Claudinho Costa (guitarra), Jorge Aylton (baixo elétrico) e Digão (bateria) - todos do gênero - juntam-se ao tal Bambam e ao tecladista Mauricio Piassarolo, cuja maior referencia é ser filho do ótimo guitarrista Ary, que inclusive esteve tocando no exterior. Victor Brooks, um negro de sorriso aberto e bastante comunicativo, abre o encontro com uma homenagem a Marvin Gaye - isso seria óbvio. A voz, potente, é própria dos cantores de "soul", e a versão do clássico "What's Goin' On" , irretocável. E a intenção "funk" de muito balanço ativa os bailarinos de plantão. Entre temas de Stevie Wonder, misturados aos genéricos brasileiros de Tim Maia, Sandra de Sá e etc, Brooks e Zé Ricardo agitam a casa. Os saudosistas dos anos 60 & 70 vibram.
Para um programa sem burocracia, básico, o Bourbon St. se presta com sobras. A qualidade de som garante uma interação quase obrigatória. E presume-se, pela mostra desse dia 12, que os frequentadores são do ramo.

Compay Segundo (1907-2003)

14 julho 2003

Máximo Francisco Repilado Muñoz, vulgo Compay Segundo, faleceu domingo, aos 95 anos, em Ciudad de La Habana.

Nascido em Santiago de Cuba, berço do son, inconfundível ritmo cubano, Compay Segundo aprendeu, de ouvido, a tocar violão e, mais tarde, o clarinete, além de ter criado o armónico, instrumento de 7 cordas.

Em 1942, com Lorenzo Hierrezuelo, constituiu o duo Los Compadres, onde Compay (diminutivo de compadre) tocava o armónico e fazia a segunda voz, daí seu apelido.

Tive o privilégio de conhecer Compay Segundo em março do ano passado, por ocasião do lançamento do cigarro “Romeo y Julieta”, em mega-produção que recriou um ambiente tipicamente cubano, no Copacabana Palace. Da ocasião lembro-me de uma imagem que ficará registrada em minha memória, de Compay Segundo, seu chapéu Panamá e o indefectível puro, que sempre tinha como inseparável companhia. Curiosamente, em nenhuma das vezes que fui a Cuba tive a possibilidade de estar com ele, sempre viajando pelo mundo com o “Buena Vista Social Club”.

Hoje, revendo aquele antológico documentário, lamento que a Revolução Cubana tenha abafado por décadas o poder criativo de verdadeiras usinas sonoras humanas – que, por dedicarem a vida à música, jamais se envolveram em questões políticas –, do quilate de Compay Segundo e Ruben Gonzáles. O resgate trazido em forma de película deu às novas gerações a possibilidade de constatar que a música será, sempre, o grande catalisador das relações humanas, verificação que se faz ao assistir ao show do Carnegie Hall, quando, em seu encerramento, Compay Segundo e Omara Portuondo cantam em duo a arrepiante “Chan Chan”, bandeira cubana desfraldada em pleno palco.

Hoje, triste, homenagearei a memória do Grande Compay bebendo um “ron añejo 15 años” e fumando um Cohiba Lancero, seu puro favorito.

Saravá!