Aqui você vai encontrar as novidades sobre o panorama nacional e internacional do Jazz e da Bossa Nova, além de recomendações e críticas sobre o que anda acontecendo, escritas por um time de aficionados por esses estilos musicais. E você também ouve um notável programa de música de jazz e blues através dos PODCASTS. Apreciando ou discordando, deixem-nos seus comentários. NOSSO PATRONO: DICK FARNEY (Farnésio Dutra da Silva)
Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Mario Vieira (Manim), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).
BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002
Alfredo Guevara
Como havia dito em resenha passada, tive a memorável alegria de, nessa minha última estada em Havana, presenciar, simultaneamente, o Festival de Jazz e o Festival de Cinema Latinoamericano de Havana, este último inaugurado com o lançamento de 2 livros de Guevara, um deles de relevante importância, visto tratar-se da troca de correspondência, entre os anos de 1960 e 1981, havida entre o autor e ninguém menos que o grande Glauber Rocha ("Un Sueño Compartido").
O lançamento se deu no imponente Salão Habanero, no Hotel Nacional de Cuba, onde fomos presenteados com um emocionado discurso do autor enaltecendo, entre outras inúmeras qualidades, a importância transcendental de Glauber para os rumos do cinema latinoamericano.
A impressionante atualidade do livro - esperada, dada a genialidade dos missivistas - que traça um roteiro dos rumos tomados pelo cinema da América Latina, descortinando-lhe seus aspectos político, sociológico e histórico, tem seu ápice, certamente, na carta escrita por Glauber em 11 de março de 1981, tida como verdadeiro testamento (viria a falecer, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto daquele ano).
Ao final, dirigi-me para cumprimentar Guevara e obtive, em meu exemplar, a tocante dedicatória:
"La Habana, 10 de Diciembre de 2002. Para Fraga, con las simpatias imensas que tengo pelo Brasil y que dejó en mí Glauber. Alfredo Guevara".
Feliz Natal a todos.
Natal na voz de Ella
24 dezembro 2002
Marcelink
ALVÍSSARAS PARA PRÓDIGOS
22 dezembro 2002
A todos, portanto, boas aquisições, pois agora é só consultar, comprar e esperar em casa, sem maiores preocupações.
Eric Reed - Happiness : @@@@
21 dezembro 2002
Cheguei a dar-lhe alguma razão, em vista da vastidão de regravações de standards com as roupagens mais distintas (nada contra, bem entendido) em contraponto ao minguado material contemporâneo digno de audições tão prazerosas. Até ser apresentado pelo nosso querido Bené-X, ao pianista Eric Reed e suas composições. Que no disco
Compositor de temas a um tempo intrincados e leves, o excelente pianista Reed -mais um ex-sideman de Wynton Marsalis- pilota um septeto cujo naipe de metais traz um excepcional Wycliffe Gordon ao trombone, Wessell Anderson no sax-alto, Marcus Printup no trompete e na clarineta, Walter Blanding. Afiadaços, e acompanhados de Rodney Green na bateria e Renato Thoms na percussão.
Os arranjos de Reed são mistura interessantíssima do tradicional com o novo, que se soam estridentes numa primeira audição em vista das inesperadas sonoridades concebidas por ele, acomodam-se em nossa mente como idéias vencedoras a partir das seguintes. A sonoridade mais "antiga" proveniente do trombone e da clarineta, em contraponto à "modernidade" imprimida ao sax-alto e ao trompete, interligadas pelo piano muito ágil porém apaziguador de Reed, dá às composições um clima que classificaria como "tradicionalmente moderno", e sob qualquer prisma, instigante. É esse o clima que permeia o disco, cujas músicas são todas de Reed, exceto por sua interessante releitura em duo (com o trombone) da ellingtoniana "Mood Indigo".
A experiência com Happiness é bastante enriquecedora. Além de proporcionar ótimos momentos de jazz, demonstra haver capacidade de geração de temas originais e arranjos criativos por parte das novas gerações. Nota: @@@@
El Laguito
19 dezembro 2002
Pois bem, graças à incrível influência de que desfruta meu querido irmão Fernando Teixeira por aquelas plagas, pude me deliciar, pela terceira vez, na semana passada, da inesquecível experiência que é visitar aquela fábrica.
Desde minha última estada em Havana, em 2000, a fábrica apresenta traços de modernização bastante significativos: dispõe agora de um sistema automatizado para tratamento das folhas de capa - o charuto é formado de 3 partes: tripa, capote e capa, sendo esta a mais importante - em que são controladas a umidade, a temperatura e a fermentação, além de um moderno sistema de controle de perda de pressão, que vem a ser a avaliação de quão "aberto" está o charuto, de forma a não carecer de maior esforço a cada baforada (este controle é feito unidade a unidade, e só El Laguito dispõe desse sistema). Mas, voltemos ao Trinidad.
A marca mais procurada pelos amantes dos puros, e cuja produção se reduz a meras 2.000 caixas anuais, tem como características fundamentais sua elegante capa clara, além de uma queima incomparável - embora não seja minha bitola favorita, visto que sou apaixonado pelos Doble Corona e pelos Pirâmides, não reconheço em nenhum outro charuto a elegância de um Trinidad. Ao final da visita, guiados por nosso infalível Osmar, que substuituirá a inesquecível Emilia Tamayo na direção da fábrica a partir de 2004, fomos surpreendidos com a melhor notícia da viagem - El Laguito está confeccionando, experimentalmente, por um pedido do México, uma partida de 200 caixas, assim como o clássico Trinidad Fundadores, de 24 unidades (ao contrário das 25 habituais), em formato "Doble Robusto" - calibre de Robusto com comprimento de Doble Corona, ou seja, uma passagem para o Éden ...
Informo aos demais tripulantes do CJUB que disponho de 3 unidades, que serão devidamente degustadas, em nosso próximo encontro, ao sabor de Mojitos que prepararei (receita de La Bodeguita del Medio) e infinitos solos de trompete, sax, piano e afins.
Nosso mestre e sua repercussão alhures
Mais uma vez, Ave, José!
E-Mails de J.D. Raffaelli - nº 00004 - Um "Quiz" bastante interessante
"...Para encerrar, um teste de difícil resposta: o que têm em comum as composições “At the Darktown Strutter´s Ball”, “Jersey Bounce”, “Intermission Riff”, “Desafinado”, “Take the A Train”, “Só Danço Samba”, “On the Alamo”, “O Pato”, “Disc Jockey Jump” e “Rhythm Is Our Business” ?"
Agora é com vocês. E não vale pedir cola para o Arlindo Coutinho!
Agora é oficial!
17 dezembro 2002
Só depois que o artista me permitiu usá-las é que me lembrei que já havia "chupado" algumas logo nos promórdios do blog. Mas agora é tudo oficial, "comme il faut". Segue uma muito interessante.
Celebrando o espírito de Natal
Teatro Karl Marx, Ciudad de La Habana
16 dezembro 2002
Há 3 anos, aqui nesta mesma Habana, tive a coincidência - e a frustração - de encontrar Gabo em um renomado paladar, "La Guarida", onde foi filmado o filme "Morango e Chocolate". Frustração porque, ao pedir-lhe um autógrafo em meu cartão de visita, tive o mesmo recusado sob o compreensível argumento de que ele só o faz em livros. Certo de que aquela seria minha última oportunidade de registrar tão significativo encontro, resignei-me e mantive a lembrança daquele momento como definitivo autógrafo em minha memória.
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O Teatro Karl Marx, palco de históricos discursos de Fidel Castro, estava em noite de esplendor na noite de encerramento do XX Festival Internacional Habana Jazz Plaza, ontem. Lá estava a estelar presença de todos os músicos convidados para o Festival, que tocaram diversos e inesquecíveis standards ao longo de toda a primeira parte da noite, entre eles Roy Hargrove, Regina Carter, Kenny Barron, David Murray e Uri Caine. A registrar, uma antológica versão de "Take de A-Train", vocalizada por uma cantora italiana, Roberta Gambarini, de quem procurarei descobrir mais acuradamente o trabalho. Seguida à apresentação vocal, uma formação somente cubana repetiu o mesmo standard, com traços unicamente locais, em que o destaque foi o monumental pianista Emilio Morales.
Encerrado o primeiro set, adentra o palco nosso gênio maior, Egberto Gismonti, elegantemente vestido e privilegiando o rubro em sua touca e lenço, desfiando, inicialmente em versões solo, ora no violão de 12 cordas ora ao piano, algumas de suas melhores peças: "Lôro", "Frevo", "Maracatu"e "Cigana".
Em seguida, e já com a respiração em pandarecos, presenciei, para o resto de minha existência, a maior apresentação a que já assisti de um músico brasileiro em toda a vida - juntou-se a Egberto a Orquestra Sinfónica Nacional, em sua formação completa, sob a regência de Leo Brouwer. Foram tocadas 3 peças, que, utilizando uma expressão cunhada pelo Grande Mestre JDR, ficarão encapsuladas no tempo.
A primeira delas, "7 Anéis", consagrou toda a capacidade criativa de Egberto (que seguia ao piano), com destaque inconteste para as cordas, em releitura de intenso romantismo.
A música seguinte, talvez numa homenagem à distância, pelos 50 anos de meu querido Sazinho, foi "A Fala da Paixão", da qual tenho apenas a mencionar que o embaçamento de meus olhos me impediu de ver, com melhor acuidade, o teclado do grande Maestro.
A derradeira ... bem, voltemos a Gabo.
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A terceira música, "Forró", foi encerrada com um duo, de cello com Egberto no pífaro, que me fez voltar no tempo para a histórica apresentação no Theatro Municipal, em 1985. Acesas as luzes, para minha estupefação, lá estava, quase 3 anos depois, Gabriel García Márquez, de quem, desta feita, obtive o prêmio maior em meu exemplar do "Amor nos Tempos do Cólera"- lá está registrado, doravante, "Para Fraga, del amigo Gabriel - Habana, 2002".
Encerrada a histórica noite, tenho hoje a absoluta certeza de que a espera de toda uma vida para obter tão singelas palavras em meu livro favorito, nada mais era que a única forma possível de estampar "palavras sonoras", de tão querida significação, e que só fariam sentido - como o fazem - por estarem acompanhadas da lembrança de Egberto Gismonti.
Minha vida está mais colorida desde ontem.
Amém.
Ain't the blues close enough to jazz?
15 dezembro 2002
If you are new to Blues music, or like it but never really understood the why/therefore, here are some very fundamental rules.
1. Most Blues begin with: "Woke up this morning..."
2. "I got a good woman" is a bad way to begin the Blues, unless you stick something nasty in the next line like, "I got a good woman, with the meanest face in town."
3. The Blues is simple. After you get the first line right, repeat it. Then find something that rhymes sort of: "Got a good woman with the meanest face in town. Yes, I got a good woman with the meanest face in town. Got teeth like Margaret Thatcher and she weigh 500
pound". Easy.
4. The Blues is not about choice."You stuck in a ditch, you stuck in a ditch...ain't no way out".
5. Blues cars are: Chevys, Fords, Cadillacs and broken-down trucks. Blues don't travel in Volvos, BMWs, or Sport Utility Vehicles. Most Blues transportation is on a Greyhound bus or a southbound train. Jet aircraft and state-sponsored motor pools ain't even in the running. Walkin' plays a major part in the Blues lifestyle. So does fixin' to die.
6. Teenagers can't sing the Blues. They ain't fixin' to die yet. Adults sing the Blues. In Blues, "adulthood" means being old enough to get the electric chair if you shoot a man in Memphis.
7. Blues can take place in New York City but not in Hawaii or anywhere in Canada. Hard times in Minneapolis or Seattle is probably just clinical depression. Chicago, St. Louis and Kansas City are still the best places to have the Blues.You cannot have the Blues in any place that don't get rain.
8. A man with male pattern baldness ain't the Blues. A woman with male pattern baldness is. Breaking your leg 'cause you were skiing is not the Blues. Breaking your leg 'cause a alligator be chomping on it is.
9. You can't have no Blues in an office or a shopping mall. The lighting is wrong. Go outside to the parking lot or sit by the dumpster.
10. Good places for the Blues: a. highway; b. jailhouse; c. empty bed; d. bottom of a whiskey glass.
11. Bad places for the Blues: a. Bloomingdale's; b. gallery openings; c. Ivy League institutions; d. golf courses.
12. No one will believe it's the Blues if you wear a suit, 'less you happen to be an old ethnic person, and you slept in it.
13. Do you have the right to sing the Blues? Yes, if: a. you older than dirt; b. you blind; c. you shot a man in Memphis; d. you can't be satisfied. And No, if: a. you have all your teeth; b. you were once blind but now can see; c. the man in Memphis lived; d. you have a good retirement plan or a trust fund;
14. Blues is not a matter of color. It's a matter of bad luck. Tiger Woods cannot sing the Blues. Sonny Liston could have. Ugly white people also got a leg up on the Blues.
15. If you ask for water and your darlin' give you gasoline, it's the Blues. Other acceptable Blues beverages are: a. cheap wine; b. whiskey or bourbon; c. muddy water; d. black coffee;
The following are NOT Blues beverages: a. Perrier; b. Chardonnay; c. Snapple; d. Slim Fast.
16. If death occurs in a cheap motel or a shotgun shack, it's a Blues death. Stabbed in the back by a jealous lover is another Blues way to die. So are the electric chair, substance abuse and dying lonely on a broken-down cot. You can't have a Blues death if you die during a tennis match or while getting liposuction.
17. Some Blues names for women: a. Sadie; b. Big Mama; c. Bessie; d. Fat River Dumpling;
18. Some Blues names for men: a. Joe; b. Willie; c. Little Willie; d. Big Willie;
19. Persons with names like Michelle, Amber, Jennifer, Debbie, and Heather can't sing the Blues no matter how many men they shoot in Memphis.
20. Make your own Blues name Starter Kit: a. name of physical infirmity (Blind, Cripple, Lame, etc.); b. first name (see above) plus name of fruit (Lemon, Lime, Kiwi, etc.); c. last name of President (Jefferson, Johnson, Fillmore,etc.). For example: Blind Lime Jefferson, Jakeleg Lemon Johnson or Cripple Kiwi Fillmore, etc. (Well, maybe not "Kiwi.").
21. I don't care how tragic is your life: if you own a computer, you cannot sing the blues.
Hope you liked. Love, Conchita.
Charutos cubanos paraguaios
Espero encontrar todos os confrades logo mais no Copa.
Um grande abraço à todos!
Marcelink
Ótima notícia: Boston Blow Up, do Serge Chaloff, pousou no Rio hoje!
11 dezembro 2002
Em breve estarei promovendo uma audição exclusiva, em data e hora a ser divulgada a todos. Aguardem, sintonizados neste canal.
Desde Ciudad de la Habana, Cuba
09 dezembro 2002
A viagem transcorreu sem maiores sobressaltos, apesar de, pela primeira vez, ter feito uma escala na Cidade do Panamá, antes de meu destino final, Ciudad de la Habana, onde conheci inúmeros cineastas e afins, todos vindo para o Festival de Cinema, que se estende até o proximo dia 13.
A recepção, como de hábito, não poderia ser mais auspiciosa, sempre incluindo uma obrigatória andança por meus botequins favoritos, entre eles El Floridita, e, mais agradável, com a surpresa de receber, de bate-pronto, ainda no aeroporto, um autêntico Torpedo Cuaba, fechado nas 2 pontas, que me antecipava a alegria do que estava por vir.
Pois bem, ontem, como evento integrante do Festival, tivemos uma apresentação bastante interessante, no modelo "Fulano convida", encabeçada por um musico cubano de vanguarda, Roberto Carcasses, em que o convidado especial era o nosso querido Lenine. Para minha decepção, o show do Lenine, especificamente, não passou de morno, apesar de a formação lotar o palco do deslumbrante Teatro Nacional de Cuba, com formação completa de metais, cordas e percussão - algo em torno de 30 musicos.
A melhor notícia, entretanto, acaba de chegar a meu conhecimento - vejam vocês que fui brindado com a coincidência de minha estada coincidir rigorosamente com o Festival de Jazz de Havana, para o qual já estou com credencial de palco - virão Kenny Barron, Gonzalo Rubalcalba, Chucho Valdés, e, last but not least, Egberto Gismonti, a quem não assisto no palco, há décadas.
A programação promete ser intensa, e resenharei todos os milímetros que estiverem a meu alcance.
Por ora, me despeço, agradecendo a nosso editor-chefe, Mau Nah, que acentue corretamente o presente texto.
All the Best and Keep Swinging.
Fraga
(done, MN)
