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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

14 fevereiro 2017

Série   “PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
28ª Parte
(28)  RICHARD “MUHAL” ABRAMS         Estilo ? ? ?  Todos       (Resenha curta)      
O pianista e compositor norte-americano Richard Abrams (chegou a tocar também sintetizador, clarinete, oboé, violoncelo e percussão) nasceu em Chicago / Illinois em 19/setembro/1930 e até completar 43 anos (1973) atuou exclusivamente na “wind city”.
Estudou na “DuSable High Scholl”, em 1946 estudou música clássica na “Roosevelt University”, de 1947 até 1951 estudou no “Musical College” e realizou seus primeiros trabalhos em 1950, criando arranjos para o pianista King Fleming.
ABRAMS escutou e estudou as gravações de Art Tatum, de Charlie Parker, de Thelonious Monk e de Bud Powell, concentrando-se muito nas composições e nos arranjos de Duke Ellington e de Fletcher Henderson - uma senhora "escola".
Em 1955 passou a integrar o grupo “Modern Jazz Two + 3”, ao lado de Paul Serano (trumpete), Nick Hill (sax.tenor), Bob Cranshaw (contrabaixo) e Walter Perkins (bateria).
Tornou-se um dos pianistas mais procurados como acompanhante pelos músicos que vinham a Chicago, destacando-se, entre outros, Sonny Rollins, Gene Ammons, Miles Davis, Zoot Sims, Roland Kirk, Dexter Gordon e Johnny “Little Giant” Griffin, o que demonstra a sua já comprovada capacidade e projeção.
Realizou temporada com Eddie Harris e trabalhou experimentalmente com Donald Rafael Garrett.
Com 31 anos e em 1961 montou grande orquestra que denominou “Experimental Band”, o berço da “AACM” (Association For The Advancement Of Creative Music), da qual foi o primeiro líder.
Note-se que até então ABRAMS jamais havia viajado a Europa e, mesmo nos U.S.A., pouco havia se distanciado de seu berço, Chicago. Sómente 04 anos depois que Anthony Braxton e seus acompanhantes do “Art Ensemble Of Chicago” vão ao velho continente é que ABRAMS deixa seu ninho para, a partir de 1977, dividir suas atuações com regularidade entre Chicago, New York e os clubes e festivais de JAZZ europeus.
Gravou seguidamente com o “Art Ensemble Of Chicago” e com Anthony Braxton, Joseph Jarman, Steve McCall, Marion Brown, com a “Creative Construction Company” (então com Leroy Jenkins, Anthony Braxton, Leo Smith, Richard Davis e Steve McCall) e ainda com Chico Freeman, Eddie Harris, Barry Altschul, “Modern Jazz Two + 3”, Robin Kenyatta e George Lewis.
ABRAMS sempre foi um modelo e educador para todos aqueles que integraram ou transitaram pela “AACM” (Association For The Advancement Of Creative Music) e pelos estúdios de gravação e clubes de Chicago, em todos os estilos, porque como ele mesmo afirmava “toco de tudo porque ouço de tudo e porque sou um improvisador”. Lógico que a obra resultante de ABRAMS, o conjunto de sua obra, é um “caleidoscópio”, múltiplo, magnífico nas formas e nas referências que percorrem as “big bands”, o “ragtime” (Scott Joplin), descendente de messiânicos e vienenses, do mais compassado silêncio ao mais extremo e arrebatador paroxismo, das alusões ao “bebop”, a Thelonius “Sphere” Monk e a Bud Powell incluindo, portanto, todo um quadro estilístico.
Como gravações importantes para desfrutar da obra de ABRAMS, indicamos de sua extensa discografia:
- Levels And Degrees Of Light 1967, DELMARK
- Things To Come From Those Now Gone 1975, DELMAR
- Sightsong 1976, Black Saint
- Lifea Blinec 1978, Novus
- Spihumonesty 1979, Black Saint
- Mama And Daddy 1980, Black Saint
- Rejoicing With The Light 1983, Black Saint
- The Hearinga Suite 1989, Black Saint
- Song For All 1997, Black Saint
- The Visibility Of Thought 2001, Chesky
- Streaming With George Lewis 2005, PI
Via “internet” pode ser apreciada a obra de RICHARD “MUHAL” ABRAMS, inclusive em vídeos de suas apresentações. 
A excelente revista italiana de JAZZ, “Musica Jazz” em seu número de dezembro/2000 incluiu encarte com a história do selo “Black Saint” (fundado em Milão no ano de 1975 tendo como “diretor artístico” o jornalista Giacomo Pelliciotti e como primeiro disco no mercado o LP com o título da etiqueta, “Black Saint”). Além do encarte a revista trouxe 01 CD que nos brindou com 10 faixas gravadas pelo selo, uma das quais é o tema “Bermix” de ABRAMS, com arranjo e condução do próprio e gravado em New York a 17/janeiro/1989, com ele à frente de grande orquestra (ele mais 17 músicos). No texto do encarte temos material fotográfico de ABRAMS e seu destaque como “uno del maggiori artisti dela casa

Prosseguiremos  nos  próximos  dias

7 comentários:

MARIO JORGE JACQUES disse...

Acho (não me lembro) nunca ter ouvído este pianista vou me inteirar.

pedrocardoso@grupolet.com disse...

Estimado MÁRIO JORGE:

Natural face à pouca difusão do selo "Black Saint", dedicado em grande parte ao "free".
Todavia trata-se de um mestre (nos dois sentidos, piano e magistério) e vale a pena conhecer alguma coisa dele (vide internet).

PEDRO CARDOSO

pedrocardoso@grupolet.com disse...

Estimado MÁRIO JORGE:

Quando postei a 1ª parte desta série (20/fevereiro/2015) listei a relação dos 286 pianistas ligados ao JAZZ, com a intenção de resenhá-los todos.
Coisa de alguns anos........................
Na relação consta RICHARD "MUHAL" ABRAMS, claro, que ouví há algumas semanas e me levou à postagem acima.
Abraços,

PEDRO CARDOSO

MARIO JORGE JACQUES disse...

Pedro já consegui alguma coisa do Muhal do álbum sightsong e já está no arquivo devo postar, mas talvez em abril, já tenho muitos programas prontos. Mas é uma novidade acredito para muitos. Valeu

Anônimo disse...

Prezados Mestres (todos), não tenho palavras para agradecer a vocês a manutenção, alive and kicking, deste blog.

Fico às vezes envergonhado por não estar postando nada de útil, educativo ou que acrescente algo aos leitores/aficionados, no mesmo nível das postagens de vocês. Aliás não posto nada há tempos e como idealizador, isso muito me incomoda.

Mas ao mesmo tempo fico tranqüilo com a assistência que vcs. dão ao CJUB, pois sei que vão manter o nível elevado e o conteúdo, primoroso como de hábito.

Minhas sinceras excusas ao grupo dos editores que editam, já que ora não o faço.

E um forte abraço a todos vocês que não deixam nosso mural abandonado.

Muito obrigado!

Mau Nah

MARIO JORGE JACQUES disse...

Caro MauNah o jazz reune a todos nós, uns com mais tempo outros com menos. Nada há a se desculpar. Aposentado que sou tenho o maior tempo para o blog. Apenas lastimo que uma série de "ditos" colaboradores ou foram no passado, porém não mais se manifestam mesmo em alguma eventual postagemn ou simples comentário. No mais só podemos e acho que falo também em nome do Pedro, Nelson e Tibau agradecer por ter criado e mantido este blog que pelas estatísticas é bastante seguido.No mais Keeping swing e grande abraço

pedrocardoso@grupolet.com disse...

Prezado MauNah:

Como escreve MAJOR alguns tem mais tempo, outros menos.
Com mais ou menos tempo o CJUB seguirá sempre, já que foi criado por quem ama a ARTE POPULAR MAIOR e a ele foi agregado.
Como dizia nosso querido MESTRE LULA, "o que sabemos, descobrimos e aprendemos de JAZZ é para ser compartilhado, não é propriedade de ninguém, mas patrimônio cultural de todos".
O "podcast" é um exemplo e, como consequência, cresce a cada semana - 349 programas postados já são mais de 450 horas de bom JAZZ ! ! !
E vamos em frente, aguardando suas futuras considerações.

PEDRO CARDOSO