Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

30 março 2016

PEQUENA HISTÓRIA DO “WEST COAST JAZZ” (3a PARTE)



PESQUISA E TEXTO POR NELSON REIS

E – A “CASA DE LUZ” – “THE LIGHTHOUSE”

Assim como a fase “bop” criou verdadeiros celeiros de bons músicos desse estilo em “night clubs”, como “Minton’s”, “Three Duces” e o “Birdland”, muitos deles localizados na famosa Rua 52, em Nova York, o estilo “West Coast” teve também seus vários redutos, na Califórnia. Casas como “Bill Berg’s”, “The Blackhawk”, ”Zardy’s”, “The Haig”, “The Peacock” foram redutos de vivificação do estilo. Todavia, as duas mais notáveis - não obstante o “The Haig”, onde o quarteto sem piano de Mulligan apresentou-se pela primeira vez  -   foram o “Lighthouse” e o “Shelly’s Manne Hole”.


A famosa “Casa de Luz”, mais conhecida como “The Lighthouse”, um velho farol náutico em Hermosa Beach, na Califórnia, ficou como um símbolo físico do jazz californiano, dos anos 50. Sendo criado pelo contrabaixista Howard Rumsey com o apoio de John Levine, o Lighthouse Café, veio a tornar-se cenário de grandes “jam sessions” e o “time da casa”, liderado por Rumsey, ficou sendo conhecido como “The Lighthouse Group” e, mais tarde “The Lighthouse All Stars”.







         





Grandes figuras foram para lá se confraternizar musicalmente, como Miles Davis com Chet Baker (tp), Max Roach com  Shelly Manne (bat) e Cannonball Aderley com Bob Cooper.(sax)

O contrabaixista Howard Rumsey nascido em 1917, estudou piano, depois bateria e, finalmente, contrabaixo com o qual estreou na Orquestra de Stan Kenton em 1941 a quem conhecera no “Mandarin Ballroom” em Redondo Beach em 1938, onde Stan Kenton atuava como pianista da Orquestra de Vido Musso.
A estreia com Stan Kenton, deu-se no “Palladium”, no sábado véspera que antecede o ataque japonês em Pearl Harbour, tendo ido para New York com Kenton para atuar no “Cinderella Ballroom”. Celebrizou-se na sua atuação dessa orquestra através do tema “Concerto for a Doghouse”. Influenciado por Jimmy Blanton em seu instrumento, volta em 1949 para Hermosa Beach, Califórnia, após tournée em Baltimore e depois de ter ido trabalhar com Charlie Barnet e Barney Bigard.  Daí, conhece John Levine e, propõe levantar o bar com “jam sessions” aos domingos à tarde. Foi um árduo convencimento mas o sucesso que adveio dessa união foi grande e confiante a tal ponto que jamais ambos assinaram um contrato.

F – O “SHELLY’S MANNE-HOLE”

Assim como Howard Rumsey conseguiu o apoio de John Levine, Shelly Manne também conseguiu o de Rudy Onderwyser, para constituição de seu “night club”.
A maioria dos clubes como o The Haig, Billy Berg’s, The Peacock e o Zardy’s,  em 1960, já haviam desaparecido. Basicamente, restavam o “Lighthouse”, o “Renaissance” e o “The Summit” e “Shelly Manne & his Men” faziam sucesso havia 5 anos, no topo da lista de popularidade, mas só faltava ao “patrão” uma sede. Marcou um jantar com Rudy e, como resultado, a dupla constituiu o melhor clube de jazz da Costa Oeste, depois do “Lighthouse”.
Ali vão desfilar todos os maiores expoentes do jazz e, inclusive, a estreia em território norte-americano do niteroiense Sergio Mendes. Este celeiro irá abrigar nomes como Stan Getz em 64, Wes Montgomery em 66, Eddie Harris em 68 e Roberta Flack em 1970, para citar apenas alguns.
Todavia, Shelly guardou boas lembranças e também penosas, como foi a morte de seu trompetista Joe Gordon em um incêndio e do tenorista Joe Maini que suicidou fazendo “roleta russa” e Shelly Manne que teve a desagradavel tarefa ao ser chamado para identificar o corpo.
Mas o declínio do clube estava a caminho, porque os estúdios do império do milionário Wally Heider gravavam rockn’roll 24 horas por dia, que ficava ao lado do “Manne’s Hole e, não havia como manter um trio de jazz que só tinha música acústica e estava com dificuldade de ser ouvido, portanto não teve como renovar um contrato numa casa em tais condições.  A maior parte do ano de 1972 foi dedicada à procura de uma nova localização para o “Manne-Hole”, mas o custo dos aluguéis estava proibitivo e até o próprio Lighthouse já convidara Manne e seu grupo para se reinstalarem naquela casa. Mas, Shelly não via mais  condições de retornar a Hermosa Beach e, no outono de 1972, após 12 anos de existência, o Shelly’s Manne Hole fechou as portas. 



(continua na próxima semana)


29 março 2016

NOVO ÁLBUM DO BRAD MEHLDAU TRIO

 Depois de quase 4 anos a Nonesuch Records anunciou que vai lançar um novo álbum do pianista Brad Mehldau em Trio será em 3 de junho, intitulado "Ballads and Blues", com composições de Buddy Johnson, Charlie Parker, Lennon e McCartney, Cole Porter e outros.
Este é o primeiro álbum do trio, desde que lançou " Where Do Yo Start " em 2012.
Compõem o trio, juntamente com Brad Mehldau, Larry Grenadier ao contrabaixo e Jeff Ballard à bateria. Estão com uma movimentada agenda de concertos nos EUA nos próximos meses.
As composições incluídas no álbum são:

Since I Fell For You, (Buddy Johnson)
I Concentrate On You, (Cole Porter)
Little Person, (Jon Brion)
Cheryl, (Charlie Parker)
These Foolish Things, (Jack Strachey)
And I Love Her, (John Lennon & Paul McCartney)
My Valentine, (Paul McCartney)


(adaptado de Noticias de Jazz blog de Pablo Aguirre)

CRÉDITOS DO PODCAST # 302

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS / AUTORES
GRAVAÇÃO  LOCAL / DATA
GUNHILD CARLING 
Gunhild Carling (tp,tb,vcl), Jan Lundgren (pi), Jesper Lundgaard (bx), e Rasmus Kihlberg (bat
I ONLY HAVE EYES FOR YOU
(Al Dubin / Harry Warren) 
Copenhagen, Dinamarca,  abril/maio/ 2003
THROUGH WITH LOVE
(Fud Livingston / Gus Kahn / Matty Malneck)
CHARLIE SHAVERS
Charlie Shavers (tp,arranjo), Ray Bryant (pi), Aaron Bell (bx) e Roy Burns (bat)
A GIRL FOR MY DREAMS
(Sunny Clapp)
New York, 10/outubro/1959
BYE BYE BLACKBIRD
(Mort Dixon / Ray Henderson)
LOUIE BELLSON
Don Menza (st), Larry Novak (pi), John Heard (bx) e Louie Bellson (bat, ldr)
WALKIN' WITH BUDDY
(Louie Bellson / Remo Palmier)
Live "Joe Segal's Jazz Showcase", Chicago, outubro/1987
DUKE’S BLUES (Louie Bellson)
BILL STEWART
Larry Goldings (org), Kevin Hays (pi, el-pi) Bill Stewart (bat)
JUST IN TIME
(Adolph Green / Betty Comden / Jule Styne)
New York, 9/ janeiro/2002
GOOD GOAT (Bill Stewart)
A BLUE HORN JAZZ BAND
Kurt Sagen (gt, bj), Bjørn Frantzen (tb, vcl), Arnfinn Grebstad (cl, sa), Aage Lade (pi), Jan Lade (tp) , Sveinung Utgård (bx) e Stein Lied (bat)
MILENBERG JOY
 (Jelly Roll Morton)
Noruega, 2012
I'M CONFESSIN THAT I LOVE YOU (Al J. Neiburg / Doc Daugherty / Ellis Reynolds)
ROY ELDRIDGE
Roy Eldridge (tp) Oscar Peterson (pi), Herb Ellis (gt), Ray Brown (bx) e Buddy Rich (bat)
SWEETHEARTS ON PARADE (Carmen Lombardo / Charles Newman)
New York, 15/setembro/1954
I ONLY HAVE EYES FOR YOU
(Al Dubin / Harry Warren)
JAZZ AT LINCOLN CENTER BAND
Wynton Marsalis (tp,ldr) Seneca Black, Ryan Kisor, Marcus Printup (tp), Wayne Goodman, Wycliffe Gordon, Ronald Westray (tb), Wessell Anderson, Ted Nash (sa), Walter Blanding (st) Victor Goines (st,cl), Joe Temperley (sbar), Cyrus Chestnut (pi), Rodney Whitaker (bx), Herlin Riley (bat)
HARLEM AIR SHAFT
(Duke Ellington) 
Live at Lincoln Center, New York, 27/agosto/1998
MAIN STEM (Duke Ellington)
LIGHTHOUSE ALL STARS
Conte Candoli (tp), Frank Rosolino (tb), Bob Cooper (st,) Sonny Clark (pi), Howard Rumsey (bx, ldr), e Stan Levey (bat)
LATIN FOR LOVERS (Bill Holman)
Los Angeles, 9/outubro/1956

28 março 2016

FILME SOBRE CHET BAKER













Dia 26, estreou limitadamente o filme canadense sobre o famoso trompetista Chet Baker, intitulado "Born To Be Blue". O filme, dirigido por Robert Budreau, com o ator Ethan Haweke desempenhando o papel de Baker, teve sua pré-estréia no Festival de Cinema de Toronto de 2015, quando recebeu muitos comentários positivos.

O drama documentário centra-se na vida do trompetista nos anos 60, quando Chet Baker passa por um período muito crítico, produto de drogas, em que a possibilidade de nunca trazê-lo novamente à música era quase certa, contudo sua amiga enigmática Jane (interpretado por Carmen Ejogo) surge, e  o leva a tocar novamente.
Antes  houve um projeto fracassado do produtor italiano Dino De Laurentiis de fazer um filme semelhante, o que nunca aconteceu.

Chet Baker foi um dos maiores e mais líricos trompetistas de jazz que, embora tivesse grande reconhecimento em vida, após a sua morte em 1988, se transformou em um músico muito admirado por sua habilidade e engenho criativo para os dias de hoje. Nas últimas duas décadas e meia suas gravações reeditadas têm vendido mais do que quando Baker estava vivo.
Em 1966, Baker perdeu vários dentes depois de apanhar por não pagar as drogas que já havia consumido, fato que o levou a ter que improvisar uma nova embocadura. Há quem diga que isto prejudicou seu desempenho e outros que dizem que, graças a este fato, Chet Baker conseguiu desenvolver sonoridades únicas.
No inicio dos 70, Chet Baker retomou certo controle da sua vida, graças à metadona, usada para controlar seu vício em heroína e, com a ajuda de Dizzie Gillespie, retornou  e apresentou-se em um importante clube de Nova York em 1973, e no Carnegie Hall com Gerry Mulligan em 1974. Nos anos seguintes Baker voltou à Europa, onde se apresentou de forma regular, com eventuais viagens ao Japão e aos Estados unidos. Em 1985, apresentou-se na primeira edição do Free Jazz Festival (realizado simultaneamente em São Paulo e Rio de Janeiro).
Chet Baker morreu em Amsterdã, no dia 13 de maio de 1988, ao cair da janela do hotel em que se hospedava. Sabe-se que havia ingerido heroína e cocaína, mas, se foi acidente ou suicídio, nunca se saberá.

(adaptado de Noticias de Jazz e adendo por M.J.Jacques)

25 março 2016

P O D C A S T # 3 0 2

BILL STEWART 
GUNHILD CARLING

ROY ELDRIDGE 
JAZZ AT LINCOLN CENTER BAND 





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23 março 2016

PEQUENA HISTÓRIA DO “WEST COAST JAZZ” (2a PARTE)


PESQUISA E TEXTO POR NELSON REIS

D – Antologias do estilo em gravações

Como tudo que se faz nessa vida, especialmente na arte musical, por fatores monetários ou, simplesmente, por passar a gostar, surgem inúmeras figuras que irão abraçar essa maneira de tocar jazz.  Até “boppers”, como Howard McGhee, vão gravar com Shelly Manne, um dos fundadores do estilo.

Mas “o idioma” permanece célere nas mãos de gente como Richie Kamuca, os irmãos Condolli, Chet Baker, Russ Freeman, Bud Shank, Bob Cooper e, tantos outros. São quartetos, quintetos (inclusive do próprio Rogers) e, formações sempre pequenas que irão fazer a sustentação de uma fase curta e marcante desse estilo de execução jazzística.

Os selos “Pacific Jazz” (em especial ) e “Contemporary”, usufruiram tudo que puderam das gravações do “West Coast style”, uma época em que “o jazz californiano” ficou em evidência. Todavia, consignado, como já o fora antes o “jazz de Chicago”, como um “jazz de branco” obrigou, de certa forma, o “jazz de preto” se conformar com um melhor conhecimento das partituras musicais, o que não teria acontecido tanto em épocas anteriores de “puro improviso”. Advindo, logo à seguir, a reação com o “hard bop”, tipicamente negroide em seu fraseado e estilo.
As gravações feitas por Clifford Brown com o pessoal da Costa Oeste e, mesmo no quinteto com Max Roach, já vai, sutilmente, dando indicações dessa “passagem” da Califórnia para Nova York novamente, que sempre foi a “Meca do Jazz”.
Esses grupos que se formaram de “westcoasters”, deixa um legado de gravações extenso. Todavia, tudo pode ser – a rigor – simplificado em 5 (cinco) LP’s, conhecidos entre os jazzófilos como – “as Antologias” . Tratadas, individualmente de 1 a 5, conforme abaixo:




                       
VOL. 2
VOL. 1




VOL. 3

VOL. 4
VOL. 5


Surgiriam conflitos de classificação de estilo, muito próximos em época, existentes quase simultâneamente, como o Quinteto de Chico Hamilton (que fora baterista do quarteto original de Mulligan) e o Quarteto de Dave Brubeck, os quais não trazem – a nosso ver – identificação com o estilo considerado como “o puro West Coast”. São apenas derivações do cool jazz, criado por Tristano e seus pupilos ̶ Warne Marsh e Lee Konitz e configurado por Miles Davis - fonte de onde bebeu também o jazz californiano.

(continua na próxima semana)

















22 março 2016

CRÉDITOS DO PODCAST # 301

LIDER
EXECUTANTES
TEMAS e AUTORES
GRAVAÇÕES
LOCAL / DATA
DJANGO REINHARDT
Fats Sadi (vib), Martial Solal (pi), Django Reinhardt (gt, ldr), Pierre Michelot (bx) e Pierre Lemarchand (bat)
I COVER THE WATERFRONT
(Johnny Green / Edward Heyman )
Paris, 8/abril/ 1953
BILLIE HOLIDAY
Buck Clayton (tp), Tony Scott (cl), Al Cohn (st), Carl Drinkard (pi), Kenny Burrell (gt), Carson Smith (bx) e Chico Hamilton (bat)
"Carnegie Hall", New York, 10/novembro/ 1956
JACK TEAGARDEN
Billy Butterfield (tp), Jack Teagarden (tb,vcl), Peanuts Hucko (cl), Bud Freeman (st), Gene Schroeder (pi), Leonard Gaskin (bx) e George Wettling (bat)
New York, 8/julho/ 1957
GIGI GRYCE
Gigi Gryce (fl), Henri Renaud (pi), Jimmy Gourley (gt), Pierre Michelot (bx) e Jean-Louis Viale (bat)
I CAN’T GET STARTED (Vernon Duque )
Paris, 26/setembro/1953
BUDDY RICH
Thad Jones, Joe Newman (tp), Ben Webster, Frank Wess (st), Oscar Peterson (pi), Freddie Green (gt), Ray Brown (bx) e Buddy Rich (bat, ldr)
SUNDAY
(Benny Krueger / Chester Conn / Jule Styne / Ned Mille)
New York, 16/março/ 1955
ART FARMER
New Jazz Stars formam com: Art Farmer (tp), Jimmy Cleveland (tb), Anthony Ortega (sa), Clifford Solomon (st), Henri Renaud (pi), Alf Masselier (bx) e Alan Dawson (bat)
STRIKE UP THE BAND (George Gershwin)
Paris, 28/setembro/1953
VITTOR SANTOS
Vittor Santos (tb, ldr), Phillipe Baden Powell (pi), Fernando Clark (gt), Rodrigo Villa (bx) e Marcio Bahia (bat)
UM TROMBONE NA RUA TERESA
(Ian Guest)
Rio de Janeiro, setembro/2005
LARRY EANET
Ron Hockett (cl), Larry Eanet (pi,arr), Tommy Cecil (bx) e Harold Summey Jr. (bat)
MISS BROWN TO YOU (Leo Robin / Ralph Rainger / Richard A. Whiting) 
Washington, DC, 21/julho/1998
THE SINGERS UNLIMITED
The Singers Unlimited With Rob McConnell And The Boss Brass: Gene Puerling, Don Shelton, Len Dresslar, Bonnie Herman (vcl) acc by Arnie Chycoski, Erich Traugott, Guido Basso, Sam Noto, Bruce Cassidy (tp,flhrn), Brad Warnaar, George Stimpson (fhr), Ian McDougall, Bob Livingston, Dave McMurdo (tb), Rob McConnell (v-tb), Ron Hughes (b-tb), Moe Koffman (sa) Jerry Toth (fl, cl), Eugene Amaro (cl, st), Rick Wilkins (cl,ts), Gary Morgan (sbar), Jimmy Dale (pi), Ed Bickert (gt), Don Thompson (bx), Terry Clarke (bat) e Marty Morell (perc)  - Instrumental arranjado por Rob McConnell e  Vocal por Gene Puerling.
TANGERINE
(Johnny Mercer / Victor Schertzinger) 
A orquestra Toronto, Canada, junho/1978
e vocal em
Villingen, Alemanha, agosto/1978
FRANCY BOLLAND
Benny Bailey, Kenny Wheeler, Duško Gojković, Janot Morales, Milo Pavlovic (tp, flh), Tony Coe (sa), Stan Robinson, Sal Nistico (st, cl), Ronnie Scott (st), Heinz Kretzschmar (cl, fl), Nat Peck, Frank Rosolino (tb), Francy Bolland (pi, arranjo, ldr), Ron Mathewson (bx) e Kenny Clarke (bat)
CROSS FIRE
(Francy Bolland)
New York, 16/janeiro/1976
MARK ELF
Daniel Lencina, Christian Cuturrufo (tp), Timothy Newman (tb), Chris Byars (st), Mark Elf (gt, ldr), Ramon Romero (bx) e Alejandro Espinosa (bat), Chris Byars (arr)
SWEET AND LOVELY
(Gus Arnheim / Harry Tobias / Jules LeMare)-
Santiago, Chile, fevereiro, 1993

18 março 2016

P O D C A S T # 3 0 1

JACK TEAGARDEN
THE SINGERS UNLIMITED 
FRANCY BOLAND
VITTOR SANTOS 






PARA BAIXAR O ÁUDIO CLICAR NO LINK ABAIXO:

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17 março 2016

AINDA HÁ ALGUMA LUZ NO RIO - BRAZIL JAZZ FEST


Tendo recebido historicamente os nomes de Free Jazz Festival, Tim Jazz Festival e mais recentemente de BMW Jazz Festival, vai acontecer mais uma edição, a 31a., do hoje Brazil Jazz Fest no final do mês de março em São Paulo (30 de março, com ingressos já esgotados), prosseguindo no Rio de Janeiro, de 1 a 3 de abril no VIVO Rio.

Como principais atrações, Herbie Hancock e Wayne Shorter, já fartamente conhecidos do público, dispensando maiores informações. Além desses dois o Festival vai contar com o baterista Antonio Sanchez acompanhado por seu quarteto instrumental Migration, enriquecido pela cantora Thana Alexa, o alaudista Anouar Brahem e seu trio acompanhante, o bandolinista Hamilton de Holanda em quinteto.

Além disso vai se apresentar alguma coisa, como um grupo, chamado de Kneebody (joelhada no corpo, o que dependendo de onde for pode causar estragos) mais um "produtor" Daedalus, que a princípio prometem fundir jazz ao pós-bop com hip-hop, música eletrônica e indie rock, seja lá o que isso for. Talvez eu prefira a joelhada sem ter de pagar por isso.

Mais informações no site do Festival.






15 março 2016

PEQUENA HISTÓRIA DO “WEST COAST JAZZ” (1a parte)


PESQUISA E TEXTO POR NELSON REIS

A – O AMBIENTE
O dramático declínio do “swing” dá-se ao final de 1946, início de 1947. Assim, Benny Goodman, Woody Herman, Artie Shaw, Tommy Dorsey, Les Brown, Harry James, Jack Teagarden, Benny Carter, dentre outros, dissolveram suas bandas, ou nunca mais se recuperaram com a mesma grandeza.
Foi um forte colapso que implicou na criação de pequenos grupos, egressos dessas orquestras. Eram músicos notáveis, vindos – especialmente - de Woody Herman, Benny Goodman e Stan Kenton. Este último ainda se aguentou um pouco mais, graças à hipotecação de seus direitos autorais e, uma mudança em seu idioma no “avant garde”, vindo um pouco mais tarde também a se dissolver. Resistiram, heroica e posteriormente, as de Ellington e de Basie  que vieram a se tornar “instituições”, pós-morte de seus líderes, sob conduta de Mercer Ellington e Frank Foster, respectivamente.
O “bebop” ou “bop”, gerado nas sessões “after hours” de um Minton’s Club, com gente do calibre de Thelonious Monk, Bud Powell, Charlie Parker e Dizzy Gillespie, não tinha grande massa de público e, o jazz voltara ao seu nascedouro de caráter intimista, longe dos grandes clubes noturnos e “ballrooms”. A velhice dos anos 30 ficou deprimida com a nova linguagem e, grande parte dos “músicos de swing” foi emigrando para a Europa.
Dá entrada nesse cenário a “escola cool”, trazida pelos apelidados “músicos cerebrais”.
Com isso, o ambiente dos camarins viu mudar “do carteado” para “gente que lia Proust e/ou jogava xadrez”, nos intervalos. Mudara o ambiente musical nos anos 50.
A debandada nas direções “East and West” coasts (Nova York e Califórnia), largara para trás todo “o antigo” de Nova Orleans, Chicago ou Kansas City e, as ideias de Miles Davis e Gerry Mulligan surgidas com “octetos”, “nonetos” e “tentetos” apoiados por trompa e tuba, em ensambles, toma um lugar de destaque. Os pensamentos eruditos de John Lewis, Lennie Tristano e Dave Brubeck, infiltram-se na linguagem jazzística. Mulligan e Davis produziriam com Gil Evans “coisas mais estruturadas” dentro desse novo conceito egresso de  “um idioma bop febril” numa “partitura de escol”
É o “ Cool Jazz “, matriz do “estilo West Coast”
B – O NASCITURO
Em 8 de Abril de 1951, entra num estúdio na Califórnia um grupo de músicos de origem branca, tendo somente o pianista como um afro-descendente. São capitaneados, musicalmente, por um trompetista de baixa estatura física e, que por isso, tem o tratamento carinhoso, entre eles, de “Shorty”.
Milton Michael Rojonski, conhecido no meio musical jazzístico como “Shorty” Rogers, nascido em 14/4/1924, natural de Massachusets, iniciou sua carreira em Nova York, juntamente com um dos que agora se faz acompanhar no estúdio o sax-tenorista Jimmy Giuffre, foram alunos do Dr. Wesley La Violette (1) que funcionou como um guru, para ambos.
Estão com eles, no estúdio, o sax-alto Art Pepper, o trompista John Graas, o tubista Gene Englund e uma seção rítmica com Hampton Hawes ao piano, Don Bagley ao contrabaixo e Shelly Manne à bateria. Nessa ocasião, o grupo é batizado como Shorty Rogers & seus Gigantes (“Shorty Rogers & his Giants”). Era algo semelhante, em sonoridade, ao que fizera Miles Davis e Gerry Mulligan, em 1949, quando da gravação do famoso álbum “The Birth of the Cool”. Ou seja, além dos sopros da estante da frente, havia uma tuba lá atrás que lembra um pouco, fisicamente, aquelas antigas formações de retratos de grupos, dos primórdios do jazz da Lousiana nos “saloons’, antes do advento da praticidade do trombone (tailgate) (2)
C – “MODERN SOUNDS” (“Sons Modernos”, “Sonidos Modernos”, etc..)
Esta sessão de gravação, editada mundo afora posteriormente, inclusive no Brasil, em LP, foi o berço do que veio a se caracterizar como o “estilo West Coast”. É o balizamento da criação do estilo. As criações de Rogers e Giuffre como as peças: POPO, A PROPOS, DIDI, SAM AND THE LADY e FOUR MOTHERS e, a orquestração de OVER THE RAINBOW, vão para o mercado de discos em janeiro de 1952.
Como diria Gene Norman em seu programa radiofônico de jazz:
“Modern Sounds “ se mostra uma força vital na música americana de hoje, apesar de uma torrente de pragas que caem sobre ela. Sob a direção de eleitos que reivindicam e praticam sua arte com uma sincera convicção e com irrefutáveis qualidades musicais, “Modern Sounds “expõe um repertório impressionante, amplamente original e profundamente excitante, principalmente para o ouvido capaz de degustar suas nuances [...]. Acabaram as audições de improvisações onde cada um se contenta em improvisar seu solo. [...] Tudo aqui é cuidadosamente concebido e executado, mesmo se tudo não for realmente escrito”
A integração das partes improvisadas dentro da escrita e a escolha de solistas mostra o que “Modern Sounds“ tem em comum com Miles Davis em “The Birth of the Cool”. O que separa essas obras essenciais na história do jazz, é a personalidade de Shorty. Seu espírito bem humorado é o que dista das sonoridades de Gil Evans. O sax de Art Pepper em OVER THE RAINBOW mostra isso.
As passagens polifônicas de “SAM AND THE LADY” é uma proeza para a época. Do ponto de vista estético, é uma verdadeira virada na carreira de Shorty e, Miles Davis é apenas um catalizador.
Apesar de sua digitação e fraseado de trompete ser uma herança de Roy Eldridge e Bobby Hackett, Shorty nutre admiração por Miles. A sua admiração pela obra de Count Basie e a perfeição atingida com a ajuda junto a seu cunhado, Red Norvo, determinam como uma contribuição às suas inovações de arranjador. Sua experiência adquirida no primeiro rebanho de Woody Herman, onde predominou um “swing” à caminho do “bop”, farão, com a ajuda de Red Norvo o embasamento de sua carreira como arranjador de orquestra.
Gostaríamos de aqui frisar, que as 6 faixas de “Modern Sounds”  são – no disco da Capitol de que temos conhecimento e posse  -  apresentadas no “lado A” do LP, com outras 6 do tenteto de Gerry Mulligan no “lado B”. Mas, ao que se sabe, as faixas de Rogers foram prensadas, originalmente, em um único disco de 10 polegadas, quando de sua inicial divulgação, que nunca tivemos oportunidade de conhecer, no entanto, o disco com os dois é apresentado com o título:
“ Gene Norman presents Gerry Mulligan / Shorty Rogers − MODERN SOUNDS”.
A capa de encarte em 12 polegadas foi a mesma no mundo todo, apresentando Mulligan e Rogers. Em certo casos, no idioma local. Na Argentina, por exemplo, (graças ao nacionalismo de Perón) “Gene Norman presenta Gerry Mulligan / Shorty Rogers  “SONIDOS MODERNOS”.(vide ilustração)
(continua na próxima semana)
                                 

(1)     Wallace Wesley LaViolette (*4 de janeiro de 1894 Saint James, Minnesota;.. 29 de julho de 1978, Escondido, Califórnia) foi um compositor, musicólogo, realizava palestras e também era um poeta. Como educador, orientou Shorty Rogers, Jimmy Giuffre, John Graas, George Perle, Florence Price, Bob Carter, Bob Florence, John Graas, Robert Erickson, dentre outros. Laviolette foi uma figura importante na cena do jazz west coast na década de 1950.

(2)     A palavra teve origem devido à colocação dos trombonistas sempre na parte traseira (tailgate) das band-waggons (carroças) que desfilavam pelas ruas, dado que o esticar da vara incomodaria os outros músicos e o trombonista ficava atrás e virado para fora da carroça. Assim desfilavam com as fanfarras e depois com as bandas de Jazz pelas ruas.