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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

06 março 2015


Série   PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
3ª Parte

(01)     JOE BUSHKIN  -  Swing a Perder de Vista     (Resenha curta)
Joseph Bushkin, pianista, trumpetista, compositor e ocasionalmente cantor nasceu em  New York em 07/novembro/1916 e faleceu aos 87 anos (03/novembro/2004) em Santa Bárbara, estado da Califórnia, 04 dias antes de realizar seu sonho de completar 88 anos, tal como as 88 teclas do piano.
A família veio da Rússia para os U.S.A. em 1909 e instalou-se em New York.
Após 07 anos na “Big Apple” nasceu o pequeno Joseph, Joe, que iniciou-se no piano e no trumpete com professores particulares.   Tocou na orquestra da escola, cujo Diretor foi o irmão de Benny Goodman, Irving Goodman.
Com 16 anos Bushkin entrou no “Roseland Ballroom” e com 19 anos tornou-se o “pianista da casa” do “Famous Door“, simultaneamente com sua integração à banda do grande trumpetista Bunny Berigan.
Em 1936 tocou com Eddie Condon, em 1937 com Joe Marsala, em 1938/1939 retornou para a formação de Bunny Berigan e ainda em 1939 alinhou ao lado de Muggsy Spanier, migrando após e novamente para Joe Marsala e seguidamente para a banda de Tommy Dorsey, ai permanecendo até ser convocado para o serviço militar em 1942.
No Exército e tocando trumpete fez parte da banda militar, assumiu a direção da mesma em  pouco tempo e com ela percorreu toda a costa do Pacífico, até ser desligado das forças armadas em 1946.
Retornou às suas atuações, então com Benny Goodman, em 1947 com Bud Freeman, passando depois a atuar na Broadway (espetáculo “Rat Race” de 1949 a 1950) e formando um quarteto que sob sua direção atuou no “Embers”.
Em 1953 e ocasionalmente atuou no “All Stars” de Louis  Armstrong.
Retornou ao “Embers” em New York  Bushkin liderou novo grupo, depois fez o mesmo em Las Vegas (no “Sands”), em San Francisco, no Hawai e na Califórnia.
Marcou presença no longa metragem musical de 1941 “Las Vegas Night” do  diretor Ralph Murphy, em que foi  o pianista da banda de Tommy Dorsey, sendo que no mesmo ano e também na banda de Tommy Dorsey foi presença na comédia  do  diretor Victor Schertzinger “Road To Zanzibar”, veículo para o trio Bing Crosby, Bob Hope e  Dorothy Lamour.   Atuou em programas de televisão (convidado no “Eddie Condon Floor Show” e presença no drama “Johnny Midnight”).   Atuou em 1960 no longa  metragem do diretor Robert Mulligan “The Rat Race”, em que também figuram Paul Horn e Gerry Mulligan (105 minutos sobre  jovens músicos em New York). 
Em 1977 tornou-se o pianista de Bing Crosby para temporada em Londres.
A partir de então foi reduzindo pouco-a-pouco suas  atividades.  
Como compositor Bushkin não foi tão  prolífico, mas ainda assim legou-nos em 1941 a beleza do tema “Oh, Look At Me Now” (que executou no longa metragem de 1951 do diretor Will Jason “Disc Jockey”, filme com a presença do quinteto de George Shearing, da  orquestra de Tommy Dorsey, de Herb Jeffries, de Vido Musso, da divina Sarah Vaughan, além de Red Nichols, Red Norvo e de Joe Venuti).
Por todo o exposto anteriormente é fácil concluir-se que Bushkin foi músico de longa trajetória “na estrada”, dono de invejável experiência e com domínio em diversas vertentes do JAZZ, ainda que com larga predominância no “swing”.   
Ao trumpete possuia som cálido, improvisações de tessituras delicadas e farta utilização da  surdina (onde habitualmente deliciava seus ouvintes com o clássico “I Can’t Get Started”).  Ao piano, onde encontra sua melhor “praia”, é imediatamente identificável com a linha do grande Teddy Wilson,  algumas passagens que lembram Art Tatum,  clareza em cada nota, beleza, sensibilidade e desenhos de grande inspiração.
Citamos como gravações que levam seu timbre, algumas delas como “sidemen” sob a titularidade de outros, “High Society” (com Bunny Berigan, em 1938), “The Lion And The Lamb” (duo de pianos com Willie “The Lion” Smith, em 1939), “Relaxin’ At The Touro”  (com Muggsy Spanier, também em  1939), “Serenade In Thirds” (1940), “Lady  Be Good” (1944) e “In Concert – Town Hall” (1964).
A nosso juízo seus melhores momentos encontram-se no “CD” de  2001 da Sony (série “Collectables”) que reúne dois álbuns com um total de 16 faixas:  Joe Bushkin – Piano Moods”  +  Joe Bushkin  -  After Hours”.    No “After Hours” Bushkin está acompanhado por Buck Clayton ao trumpete, Eddie Safranski e Sid Weiss no contrabaixo e mestre Jo Jones à bateria.  No "CD" Bushkin nos presenteia com pérolas do nivel de "I've Got A Crush On You", "The Lady Is A Tramp", "Once A While", "At Sundow", "They Say It's Wonderful" e muito mais. 
Ainda que de dificil acesso recomendamos a audição do “CD” dedicado a Bunny Berigan anexado ao número de maio/1998 da revista italiana “Musica Jazz”, com 24 faixas e a presença de Joe Bushkin em 03 delas (“I Can’t Get Started” de 13/04/1936, “I Nearly Let Love Go Slippin’ Through” de 09/07/1936 e “Sunday” de 27/06/1938).
 
(02)     HAMPTON  HAWES  -  Ao Piano,  Charlie Parker   (Resenha longa)
Uma das últimas gravações do pianista Hampton Hawes, o LP “Hampton Hawes At The Piano”, Contemporary Records S7637, 06 faixas, gravado no estúdio da Contemporary Records (Los Angeles, Califórnia) em 14/agosto/1976, na companhia de Ray Brown e Shelly Manne, traz na contra-capa entrevista de Hampton Hawes para o produtor Lester Koenig da Contemporary, em 20/janeiro/1977 (nesse mesmo ano viriam a falecer  seguidamente Hampton Hawes - 22/maio e o produtor Lester Koenig  - 21/novembro).       Lester Koenig perguntou a Hampton se a influência de Charlie Parker em sua música estaria influenciando muitos novos músicos, recebendo como resposta que “sim”. 
Ouvir esse LP é constatar que a obra de Parker foi claramente desenvolvida nas 88 teclas por esse pianista excepcional, referência para uma série de pianistas posteriores, mantendo viva a criação e a mensagem do “Bird”.
Nesse Lp e particularmente no tema “When A Grow Too Old To Dream” (Sigmund Romberg e Oscar Hammerstein II) Hampton Hawes desenvolve um solo à la Parker que soa como homenagem, incorporação e testemunho da linguagem parkeriana, improvisando com antecipação ou atraso em relação  ao tempo, muitas vezes multiplicando-o.
Sem nenhuma dúvida e mesmo com citações que lembram Nat “King” Cole ou Bud Powell (segundo Hampton e enquanto piano seu “sumo sacerdote”) e mesmo com sonoridade  própria, Hampton Hawes é “Charlie Parker ao piano”.   
Hampton Bernett Hawes, Jr., Hampton  Hawes, nasceu em Los Angeles / Califórnia em 13/novembro/1928 e faleceu de derrame em 22/maio/1977 (na mesma data de seu pai) em sua terra natal aos 48 anos.                                                                 
Era o sétimo e mais  novo filho do pastor da “Westminster  Presbyterian Church” (e que  chegou ao “National Presbyterian Senate”), onde sua mãe era pianista e desde muito criança e com certeza a partir dos 02 anos de idade teve como diversão reproduzir no piano as canções e os cantos corais da igreja, orientado por sua irmã com 10 anos mais de idade.    O irmão mais velho destacou-se como pianista clássico.
As primeiras influências pianísticas de Hampton contrariando a vontade de seu pai,  pastor e voltado para o trabalho na Igreja, foram Earl Hines em “St. Louis Blues”, o “boogie-woogie” de  Albert Amons, o “stride” de James P. Johnson, os requintes de Nat “King” Cole e de Teddy Wilson, além do pianismo de  Thomas  “Fats” Waller e de Art Tatum.
Na adolescência formou  grupo com seu amigo de escola Sonny Criss  e tocou com o saxofonista  Jay McNeely.
Essas influências e  o fato de ser um auto-didata permitiram-lhe tocar o “boogie-woogie”, o “blues” e, claro, o “gospel”, sempre  desenvolvendo-se no piano, até dedicar-se ao JAZZ.
Na adolescência formou grupo com seu amigo de escola Sonny Criss e tocou com o saxofonista Jay McNeely.
Essas influências e o fato de ser um auto-didata, permitiram-lhe tocar o “boogie-woogie”, o “blues” e, claro, o “gospel”, sempre desenvolvendo-se no piano, até dedicar-se ao JAZZ;    interessante apontar neste ponto que mesmo conceituado como um “boper” de primeira linha, era um dos pianistas preferidos dos músicos da “West Coast”, onde gravou alguns de seus melhores álbuns.
Foi um jovem pessoalmente atraente, vaidoso e sensível mas grosseiro em certas situações e até violento, mas soube transformar quaisquer características menos positivas em  virtudes, mais uma vez e já então sob o ponto de vista comportamental, de forma auto-didata.
Sua biografia aponta que nasceu com 06 dedos em cada uma das mãos, tendo o dedo extra de cada mão removido aos 03 dias de nascido (! ! ! . . . )
Desenvolveu ao extremo poderosa digitação com a mão direita, o que  lhe permitia criar  sucessivos níveis  de tensão em improvisações a partir da ampliação progressiva das frases musicais.
Participou de uma série de apresentações nos clubes da Avenida Central de Los Angeles onde, aos 19 anos teve oportunidade para seu primeiro grande teste no caminho do “mapa do JAZZ”, participando de quinteto sob  a titularidade de Howard McGhee ao trumpete, Charlie Parker (sax-alto), Addison Farme (contrabaixo) e Roy Porter (bateria):    isso  ocorreu durante temporada  de 08 meses do quinteto “Hi-De-Ho Club” de Los Angeles, temporada que marcou também o início da longa série de  gravações “piratas” de  Dean Benedetti (músico e uma espécie de técnico amador de som), lançadas no mercado em um box (“Mosaic Benedetti”, CD’s 1, 2, 3 e 4).
Ai temos a  participação de Hampton Hawes em um total de 199 (cento e noventa  e nove) “takes” registrados por Dean Benedetti no período de  01 até 13/03/1947, mas escassamente pode-se ouvir algumas notas de Hampton ao piano, já que Dean procurava gravar exclusivamente os solos de Parker e desligava seu gravador nos “ensembles” e solos dos demais músicos.
Mais que possível, provavelmente é desse início bem  jovem ao lado de Parker, já então uma lenda viva nos circuitos jazzísticos, que Hampton teve impressas indelevelmente as características de “Bird”.
Na mesma ocasião é gravada sessão ao vivo no “Hi-De-Ho”, sem Parker e com Sonny Criss e Teddy Edwards nas palhetas;  portanto Howard McGhee em sexteto.
Ainda  em 1947 (dia 06/julho) e no “Elks Auditorium” de LA/Califórnia, sob o título de “The Bopland Boys”, Hampton participou de octeto com Howard McGhee, Trummy Young, Sonny Criss, Dexter Gordon, Barney Kessel, Red Callender e Roy Porter para a gravação  de 05 temas, cada um deles com diversos “takes”:    The Hunt, Disorder At The Border (Bopera), Bopland, Cherokee (Jeronimo) e Bop After Hours:  essas faixas foram regiamente editadas e distribuídas pelos selos Savoy e Bop.
O ano de 1947 para Hampton foi encerrado em 09/dezembro, com a  gravação do quinteto capitaneado pelo trombonista George  “Happy” Johnson e sob o título de “Happy Johnson And His International Jive Five”?   Ray Preasley (sax.tenor), Roger Alderson (baixo)  e Chuck Thompson (bateria).
Em 1948 Hampton grava apenas emu ma oportunidade (outubro, Hollywood) e em 1949 sob o título de “The Kenton All Stars” grava 02 faixas para o selo “Spotlite”, no início de abril em Los Angeles (“Shrine Auditdorium”) e al lado deArt Pepper, Art Farmer, Bob Cooper e Teddy Edwards:   isso significou que com apenas 21 anos Hampton já granjeara alto conceito entre os grandes.
No final de 1949 (setembro) Hampton gravou novamente ao lado de Sonny Criss em Los Angeles, para os selos de Norman Granz (Verve, Norgran, Clef).
No final de 1951 (setembro) Hampton voltou a gravar, desta vez em seu nome e em trio (Harper Cosby e Lawrence Marable), ao vivo e diretamente do “The Haig” em Hollywood pelo selo Xanadu, com clássicos como “What Is The Thing Called Love”, “Another Air Do”, “All The Things You Are” e seguindo os cânones de Parker.  
Ainda em 1951 e no mês seguinte, para o selo Capitol e em Hollywood, a “avant.premiere” das sucessivas gravações com Shorty Rogers, ao lado deste e de Art Pepper, John Graas, Jimmy Giuffre e Shelly Manne, para 06 faixas bem “West Coast” com destaque para “Over The Rainbow”.
1952 é ano de apresentações e gravações ainda e até então sempre na Califórnia:  Los Angeles, Hollywood e pela primeira vez no reduto de Howard Rumsey, o   "Lighthouse Club" em  Hermosa Beach (agosto).   
Art Pepper o requisitou para apresentar-se em quarteto no “Surf Club” de Hollywood, resultando em gravação pela Xanadu.   Essas gravações foram editadas e distribuidas sob diferentes titularidades:   “Wardell Gray Sextet”,  “Preston Love Sextet”,  “Art Pepper Quartet”,  “Harry Babasin Trio”,  “Warne Marsh With Hampton Hawes Trio ”, “Howard Rumsey’s Lighthouse All Stars” e “Hampton Hawes” (trio e quarteto).
No ano seguinte e em janeiro (12 e 15/1953) grava com os “Giants” de Shorty Rogers 08 temas para a RCA (distribuidos no Brasil pela BMG com o selo “econômico” da RCA, “Bluebird”, em album duplo contendo outras formações dos “Giants” sem Hampton Hawes  até 03/março/1954), gravação com arranjos bem “West Coast”.  Hampton sola nas 06 primeiras faixas gravadas, em especial em “Diablo’s Dance”.
Por essa época (1952 – 1954) e até o início de 1955 Hampton fez o serviço militar com períodos no Japão, ainda que conseguindo gravar em intervalos:  em Hermosa Beach em fevereiro e em junho/1953, em LA em maio/1953, no “Mocambo Club” de  Yokohama / Japão e em julho/1954 com músicos locais, em 1955 na Califórnia com quinteto de Lenie Niehaus (leia-se trilhas sonoras para os filmes de Clint Eastwood), com quinteto de Bud Shank / Bill Perkins e em trio com Red Mitchell e Shelly Manne.
O ano de 1955 marca também o contrato de Hampton com o selo  “Contemporary”.   
A partir dai Hampton Hawes forma seu trio mais permanente com Red  Mitchell (baixo) e Chuck Thompson (bateria), que além de clubes, rádios / excursões pelos U.S.A. e outras apresentações, gravou de 28/junho/1955 até 15/maio/1956 albuns da maior importância, entre eles os “Trios” para a “Contemporary”.   Esse trio mostra a perfeita integração entre os músicos, com Red Mitchell e Hampton “dialogando” em explorações de riquezas harmônicas  enquanto Thompson sublinha as execuções.
É importante observar que o trio Hampton Hawes / Red Mitchell / Chuck Thompson possui cronologia  própria:
a.       Chuck Thompson gravou com Hampton pela primeira vez em 09/12    /1947 e  pela última vez em 25/11/1957;
b.      Red Mitchell gravou pela primeira vez com Hampton em 02/5/1955 e pela última vez em 01/05/1966;
c.       juntos, Hampton, Mitchell e Thompson, gravaram pela primeira vez em 28/06/1955 e pela última vez em 15/05/1956. 
Também em 1955 esse trio gravou com Bob Cooper e Barney Kessel, assim como com Conte Candoli e Joe Maini.
Em 1956 contrato com o “Tiffany Club” de Los Angeles, excursão pelo Leste americano (ocasião em que Hampton conheceu Thelonius Monk), a eleição na pesquisa da “Down Beat” como “New Star Of The Year” e pela Metronome como “Arrival Of The Year”. Ainda em 1956 o trio foi ampliado para quarteto com a inclusão da guitarra de Jim Hall e a bateria de Eldridge “Bruz” Freeman substituindo Chuck Thompson, gerando a gravação de 03 albuns nos estudios da Contemporary:   são as “All Night Sessions” em sessão “non.stop” iniciada a noite e indo até a manhã seguinte, gerando 16 temas para os albuns “Hampton Hawes Quartet: All Night Session, Volumes I, II e III”, em que a linguagem parkeriana emerge com autoridade e em toda a sua plenitude.
Anos depois e também para a Contemporary essa experiência foi renovada com outra formação:  Hampton, Red Mitchell, Barney Kessel e Shelly Manne, deixaram registrado o album “Hampton Hawes:  Four”. 
Durante 1957 Hampton seguiu apresentando-se e gravando, sendo que em 09/julho/1957 gravou em New York para a Roulette e com Charles Mingus o album “Charles Mingus - Mingus Three”, os dois com Dannie Richmond à bateria.
Em 1958 tocou e gravou bastante desde janeiro e sempre com expoentes musicais:  Barney Kessel, Harold Land, Scott LaFaro, Teddy Edwards, Jimmy Witherspoon, Victor Feldman, Leroy Vinnegar, Stan Levy, Sonny Rollins e outros.
Logo após completar 30 anos Hampton foi preso por Agentes Federais acusado de consumo de heroina (problema que vinha agravando-se desde o serviço militar), levado a julgamento e condenado a 10 anos de prisão hospitalar.   
Em 24 e 25/novembro/1958 (entre a prisão e enquanto aguardava o julgamento) e em Los Angeles Hampton gravou o album “Hampton Hawes – The Sermon” para a Contemporary, ao lado de Leroy Vinnegar e Stan Levy, gravação que marcou seu afastamento dos estúdios de gravação até fevereiro/1964.
Em 16/agosto/1963 e graças a indulto pelo Presidente Kennedy (42º de um total de 43 indultos concedidos por Kennedy), Hampton Hawes obteve a liberdade.
Sua primeira atividade foi a reaparição musical em show de televisão, participando de concerto de John Hendricks (lembrar de “Lambert, Hendricks & Ross”) “The Evolution Of The Blues”, para logo depois e ainda em 1963 ser contratado para temporada no “Basin Street” de San Francisco. 
Em 17/fevereiro/1964 voltou a gravar em trio (Monk Montgomery / baixo  e  Steve Ellington / bateria) pela Contemporary com sugestivo título para o album:  “Hampton Hawes – The Green Leaves Of Summer”.     Foi o único album desse ano. 
Em 1965 atuou em diversos pequenos grupos, ao lado de Jackie McLean, de Harold Land e voltou a trabalhar com Red Mitchell em trio e durante 01 ano em Los Angeles (temporada no restaurante “Mitchell’s Studio Club”).
Nesse ano Hampton participou de apenas 02 albuns, sendo um para a "Contemporary" e outro para a "Xanadu".
Em 1966 Hampton gravou apenas 01 album, em companhia de Red Mitchell e Donald Bailey no “Mitchell’s Club” de Los Angeles e para a Contemporary.  Logo depois Red Mitchell foi substituído no trio por Jimmy Garrison.
A partir de 1967 Hampton percorreu praticamente o mundo inteiro, “descobrindo-se” como uma lenda viva na Europa e no Japão.     No final desse primeiro ano europeu gravou na Floresta Negra (Villingen / Alemanha) no estúdio particular de Hans Georg Brunner-Schwer (o mesmo empresário que hospedou Oscar Peterson a partir de meados dos anos 60 do século passado para diversas gravações, ai incluidos os seis álbuns da série “Exclusively For My Friends”  =  Action”, “Girl Talk”, “The Way I Really Play”, “My Favorite Instrument”, “Mellow Mood” e “Travelin’On”), em companhia de músicos alemães (Eberhard Weber e Klaus Weiss). Essa gravação foi editada e distribuida pela MPS / BASF (tal como as gravações de  Peterson).
Martial Solal, Daniel Humair, Pierre Michelot, Kenny Clarke, Art Taylor e outros na França, Johnny Griffin e Dexter Gordon na Alemanha, Pedro Iturralde na Espanha, solos e músicos japoneses no Japão, marcaram as gravações de Hampton Hawes nesse êxodo musical até o final de 1968.
Hampton Hawes em trio com  Bob West / baixo e  Larry Bunker / bateria, mais  arranjos e regência de Billy Byers, gravaram em agosto/1969 com cordas, já em Los Angeles e para o selo Fresh Sound o álbum “Hampton Hawes Plays Movie Musicals”
Nesse regresso à terra natal Hampton trabalhou com Leroy Vinnegar, gravou com Sonny Criss, com Harry “Sweets” Edson em sexteto e montou um trio para novas incursões pela Europa em 1971.
As atuações no Cassino de Montreux para o “Montreux Jazz Festival” em junho/1971 e em trio, com Gerry Mulligan em Pescara em julho, com Peter King em Londres em agosto e com Dexter Gordon em Copenhague em setembro, marcaram as gravações de Hampton nesse itinerário europeu.
A partir desse ponto Hampton adentrou o mundo eletrônico, apresentando-se e gravando seguidamente com sintetizador, piano elétrico, órgão e retornando ao acústico em 1973. A exceção foi a gravação em piano acústico com Sonny Stitt em setembro/1972.
Em 1974 localizamos uma única sessão de gravação com Hampton Hawes e para o selo "Prestige" como titular e em noneto do qual participou Jay Migliori (remember “Super Sax”) no sax.alto e dobrando na flauta.
1975 é ano de escassas gravações para Hampton Hawes:  para a Concord Jazz (leia-se Carl Jefferson, Presidente) em duo com o baixista Mario Suraci e tomada desde o “Great American Music Hall” em San Francisco,  para a Contemporary em quarteto (Art Pepper, Charlie Haden, Shelly Manne),  em Los Angeles e em Hollywood para a RCA com a “Blue Mitchell Band” (15 componentes). 
Em 1976 ocorreu o inverso, com inúmeras participações de Hamptom Hawes em gravações e todas ao piano acústico e na Califórnia:
-        em janeiro, Los Angeles, com vocal e titularidade de Joan Baez mais sexteto;
-        também em janeiro, Burbank, em duo com Charlie Haden;
-        em junho na Half Moon Bay, como titular de um quarteto;
-       em julho como integrante do quinteto de Art Farmer, em Los Angeles e para o selo Contemporary;   
-        em agosto e também em Los Angeles para a Contemporary com um trio em estado de graça (Ray Brown e Shelly Manne), citado no início desta resenha;
-        ainda em agosto, mais uma vez em Los Angeles e também para a Contemporary, novamente integrando o quinteto de Art Farmer (Art Farmer, Art Pepper, Hampton Hawes, Ray Brown e Shelly Manne);
-       outra vez em agosto e novamente em duo com Charlie Haden, Los Angeles, para a "Artists House". 
Em seus últimos anos de vida Hampton dedicou boa parte de suas atividades para trabalhos em estúdios de gravação.
Em 23/novembro/1976 Hampton participou em Los Angeles de sua derradeira gravação, em quinteto e sob a titularidade do guitarrista Irving Ashby, para o selo "RCA" (também á guitarra John Collins, John Heard no baixo e Billy Higgins à bateria).
Hampton Hawes faleceu de derrame em 22/maio/1977 (no mesmo dia de seu pai) em sua terra natal aos 48 anos. 
Em 2004 foi aprovada em Los Angeles a declaração do dia 13/novembro como o “Hampton Hawes Day” para o Estado da Califórnia.

Prosseguiremos  nos  próximos  dias

2 comentários:

MARIO JORGE JACQUES disse...

Mestre Apóstolo está incrível, produção em série. Muito bom.
Abç

Tibau disse...

Apostolo
Parabéns pelo post. Estou adorando.
Quero mais.!! Quero mais.!!
Abç