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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

26 março 2015


 Série   PIANISTAS  DE  JAZZ
Algumas Poucas Linhas Sobre o Piano e os Pianistas
7ª Parte

ALGUMAS   NOTAS  MAIS  SOBRE  O  PIANO  (C)
O piano é dos mais recentes instrumentos de teclado, com 88 teclas dispostas horizontalmente que quando percutidas atuam sobre elementos de madeira forrados com feltro, que vão golpear as cordas extendidas sobre um tear, gerando o som.    Esses elementos são providos de “rebote”, de tal sorte que a corda (ou cordas, até 03 por tecla afinadas em uníssono) deixe de vibrar tão logo a tecla deixe de ser pressionada, evitando o abafamento do som (que pode ser mantido pelo executante  mediante acionamento do pedal direito). O “rebote” permite, ainda, a repetição de toques na mesma tecla, imediatamente “disponível” após cada toque.
A diferença essencial entre o piano e seus predecessores (cravo, espineta) é o fato do executante graduar a força, a intensidade de percussão sobre as teclas, desde o “pianíssimo” até o “fortíssimo” (dai a  denominação original de “pianoforte” para o piano).
Como citado anteriormente e após  Bartolomeo Cristofori muitos aperfeiçoamentos foram sendo introduzidos no piano original (o alemão Gottfried Silbermann, o inglês Broadwood, o francês Erard), até chegar-se à conformação atual:  o piano de cauda (“grand piano”) com tear horizontal e 88 teclas  e o piano vertical (“upright piano”) com tear vertical e 85 teclas.
O “grand piano”, piano de cauda, mede de 120 a 290 centímetros sendo utilizado em concertos e estúdios de gravação (no JAZZ e na música clássica) e em apresentações mais especiais, revestidas de aspectos solenes.  As 88 teclas abrangem 07 oitavas e um pouco mais, sendo as teclas diatônicas brancas enquanto que as em sustenido são pretas, num total de 12 notas por oitava (7 x 12  =  84  e mais 04).
Com todas as melhorias que o piano atual incorporou em sua gama de recursos, de matizes e de nuances, também passou a exigir do executante um preparo muito acima de simplesmente “teclar” notas:   o aprendizado cada vez mais sistematizado, seja pelo profissional, seja pelo músico amador, a técnica superiormente dominada paralelamente à expressão tornaram-se inseparáveis.
Os estudos, os métodos, os exercícios e os demais recursos para aprendizado surgiram ao longo de muitas décadas objetivando o domínio do instrumento com a prática quase obsessiva e diária, o fortalecimento das mãos e sua posição correta no teclado com maior ou menor abertura entre os dedos, a independência na articulação destes, a execução simultânea de acordes, a intensidade e o ritmo com uniformidade, enfim, toda uma gama de técnicas voltadas para a excelência do executante com a justa medida de estilo, de estética e de expressão.
 
 
(09)      MONTY  ALEXANDER    -  Da Jamaica, Porque Não ! ! !   (Resenha longa)
O excelente pianista Montgomery Bernard Alexander, artisticamente MONTY ALEXANDER,  nasceu em Kingston, Jamaica, no dia 06 de junho de 1944 e já com a idade de 04 anos “golpeava” calipsos e boogies no piano.
Com 06 anos iniciou os estudos de piano clássico e aos 14 anos ouviu gravações de Louis Armstrong e de Nat “King” Cole, apaixonando-se pelo JAZZ e a ele aderindo.
Com 16 anos formou no colégio sua primeira “orquestra” com o título de “Monty And The Cyclones”, para atuar em bailes;  o grupo, mais adiante, gravou com o título de “The Skatalites”.
Todas as noites freqüentava os clubes onde atuavam músicos de JAZZ e, entre outros e que o influenciaram, destacava-se o guitarrista Ernest Ranglin, com quem anos mais tarde MONTY viria a gravar.
Com 18 anos e em 1961 mudou-se com a família para os U.S.A., mais precisamente para Miami, atuando em clubes noturnos.
“Descobriu” e tornou-se amigo de Wynton Kelly, ouviu sucessivamente a Bill Doggertt, a George Shearing e a Eddie Heywood.
Em 1963 MONTY atuou com a banda de Art Mooney em Las Vegas, onde chamou a atenção de Frank Sinatra, amigo de Jilly Rizzo, proprietário do clube  “Jilly’s” de New York.   Foi o passo imediato para ingressar no “Jilly’s” acompanhando Sinatra e outros músicos.
Alí conheceu os integrantes do “Modern Jazz Quartet”, em particular o vibrafonista Milt Jackson que o apresentou ao baixista Ray Brown;   com esses 02 ícones MONTY viria a atuar e a gravar mais adiante e vezes sem conta.
Em seguida à sua atuação no “Jilly’s” passou a tocar no “Playboy Club” de New York, ao lado de Les Spann, alí permanecendo por 02 anos.
Gravou para a “World Pacific Records” os álbuns “Alexander The Great” e “Spunky”.
Atuou em trio por uma temporada no “Playboy Club” de Los Angeles, ao lado de Victor Gaskin (contrabaixo) e Paul Humphrey (bateria).
Atuou também com Ray Brown e com Milt Jackson, com quem tocou seguidamente e gravou ao vivo no “Shelly’s Manne Hole” (Hollywood, Califórnia) em 01 e 02 de agosto de 1969 para o selo “Impulse”, devidamente escoltados por Teddy Edwards no sax-tenor e Dick Berg à bateria.   Foram gravados 06 temas entre os quais o magnífico “Here’s That Rainy Day” da dupla Johnny Burke e Jimmy Van Heusen, que MONTY / Ray Brown / Milt Jackson voltariam a apresentar e gravar ao vivo no “Jazz In Montreux” de 1977, ao lado dos trumpetistas Dizzy Gillespie (então líder do sexteto) e Jonathan “Jon” Faddis, mais o baterista Jimmy Smith.   Nesse “Montreux” o sexteto apresentou um “medley” com os temas “Once In A While” (solo de Gillespie), “But Beatiful” (maravilhoso, antológico solo de Milt Jackson) e “Here’s That Rainy Day” (solo de Jon Faddis);  felizmente essa espetacular apresentação ficou perpetuada em DVD dentro da série “Norman Granz Jazz In Montreux”. 
Aconselhado pelo grande Oscar Peterson o produtor Don Schlitten do selo “MPS” interessa-se por MONTY e o contrata.  Aqui um parênteses já que vale lembrar que o produtor americano Don Schlitten havia fundado anteriormente em conjunto com Harold Goldberg e Julles Colomby o selo “Signal Records” (gravou Gigi Grice, Duke Jordan e Red Rodney até o final da década de 1950, quando vendeu a marca para a “Savoy Records”), passando Schlitten a trabalhar como “free” para selos como “Prestige Records”;   fundou o selo “Cobblestone Records” com Joe Fields em 1972 (gravou Sonny Stitt e as  apresentações do “Newport Festival” de 1972), depois atuou para as etiquetas “Muse Records” e “Onyx Records” e, ainda, fundou a etiqueta “Xanadu Records” (gravou Barry Harris, Al Cohn, Charles McPherson e muitos mais).
No ano de 1974 MONTY realiza temporadas pelos U.S.A. e em abril de 1975 sua primeira incursão européia, iniciada em Londres nada menos que no “Ronnie Scott’s".
A partir de então o jamaicano instala-se na plataforma onde mais se destaca, seja nas  apresentações em clubes, em concertos e em gravações:  o trio com piano / baixo / bateria ou guitarra.  Herb Ellis e Ray Brown são seus parceiros nessa formação, assim como vez por outra Mads Vinding no baixo e Ed Thigpen à bateria.
MONTY não deixa de atuar em diversos contextos (metais, solo, quarteto, quinteto), ou de contracenar em trio com Reggie Johnson, Robert Thomas Jr. (percussão), Eugene “Gene” Wright, Emily Remler, Paul Werner (baixo), Steve Williams e outros.
A inclinação de MONTY pela fórmula “trio” é marcante, até mesmo por suas claras influências ancoradas em Oscar Peterson (durante muitos anos MONTY foi considerado o “novo Peterson” pelas semelhanças de timbre e fraseado o que, convenhamos, não é pouco, tendo trabalhado com diversos acompanhantes do canadense, como Herb Ellis, Ray Brown e Ed Thigpen, por exemplos) e em Ahmad Jamal;   ainda mais, seu pianismo transita por Art Tatum, Wynton Kelly e Nat “King” Cole.
Gravou e atuou com inúmeros músicos e artistas ligados ao JAZZ, entre outros Frank Sinatra, Ray Brown, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins, Clark Terry, Quincy Jones, Ernest Ranglin, Barbara Hendricks, Sly Dunbar, Robbie Shakespeare e muitos mais, assim como atuou e gravou em inúmeros gêneros, formações e estilos, citando-se como exemplos seu acompanhamento a Natalie Cole no álbum “Unforgetable” (07 Grammy’s) em tributo ao pai Nat “King” Cole, sua atuação em “Rhapsody In Blue” de Gershwin sob a direção de Bobby McFerrin e sua atuação na trilha sonora do clássico longa-metragem “Bird”, sob o comando de Clint Eastwwod.
Em agosto de 2000 MONTY foi agraciado pelo governo jamaicano como “Commander” da “Order Of Distinction” por seus relevantes serviços de embaixador musical por todo o mundo.
MONTY tem mantido rigorosa e intensa programação de apresentações em clubes de JAZZ, em salas de concertos, em gravações (cerca de 06 dúzias de álbuns nos mais diversos e importantes selos) e em participações em festivais de JAZZ (Montreux, África do Sul, Japão, Austrália e outros).
Em 2008 MONTY foi convidado por Wynton Marsalis para a produção e a direção,  dentro do “Jazz At Lincoln Center”, do programa “Lords Of The West Indies” transmitido nacionalmente pela “BETJ”.
Em 2009 e novamente pelo “Jazz At Lincoln Center” um novo programa por MONTY, “Harlem Kingston Express”, mostrando as interações entre o JAZZ clássico com os ritmos jamaicanos.
No ano de 2011 MONTY teve lançadas 02 coletâneas de suas apresentações ao vivo por todo o mundo:  “Uplift” pela “JLP Records” e “Harlem-Kingston Express” pelo selo “Motema Music”.
Com todas as numerosas influências arrebanhadas por MONTY, que soube aproveitar muito bem e amadurecer em estilo próprio, ele sempre nos brinda com uma música de alta qualidade, agradável, plena de “swing”, alguns toques caribenhos, total domínio nos acordes blocados e um “colorido” bem especial.
É longa a discografia de MONTY ALEXANDER, como já citado cerca de 06 dúzias, e alguns dos títulos dessas muitas gravações são:  “Uplift”, “Harlem-Kingston Express Live”, “Monty Alexander”, “Straight Ahead”, “Stir It Up:  Music Of Bob Marley”, “Impressions In Blue”, “Calypso Blues:  Songs Of Nat King Cole”, “Steaming Hot”, “Ray Brown / Monty Alexander / Russell Malone”, “Live At Iridium”, “Goin Yard”, “The Good Life:  Monty Alexander Plays The Songs Of Tony Bennett”, “Rocksteady”, “Alexander The Great !”, “Echoes Of Jilly’s”, “Monty Meets Sly & Robie”, “The Paris Concert”, “Solo”, “Soul Fusion”, “Ballad Essentials”, “Caribbean Circle”, “Monty Alexander’s Ivory & Steel / Island Grooves” e “Yard Movement”.
Dentre esses e tantos outros títulos são destaques:
-        Montreux Alexander Live !”, que nos presenteia MONTY com John Clayton no baixo e Jeff Hamilton na bateria (então futuros acompanhantes da canadense Diana Krall), gravado ao vivo em 10 de junho de 1976 e para o selo “MPS” (no qual ingressou por indicação de Oscar Peterson para o produtor Don Sclitten), em que os temas “Nite Mist Blues” de Ahmad Jamal e o tradicional e de domínio público “Battle Hymn Of The Republic” (uma “pérola” em diversos andamentos) receberam tratamento de verdadeiros estudos de “JAZZ-piano”;
-        Soul Fusion”, gravação pelo selo “Pablo” em 01 e 02 de junho de 1977, atuando MONTY ao lado de Milt Jackson no vibrafone, John Clayton no baixo e Jeff Hamilton à bateria, com destaque para o magnífico tema “Compassion” de Milt Jackson, novamente gravado por MONTY em 30 de novembro de 1985 em Milão, no álbum “Threesome” para o selo “Soul Note”, desta feita comandando trio com Niels-Heening Ørsted Pedersen no baixo e Grady Tate à bateria e vocal;
-        Facets” para o selo “Concord” em 1980, com MONTY ao lado de Ray Brown no baixo e de Jeff Hamilton na  bateria, com destaque para o tema de Louis Lambert “When Johnny Comes Marching Home”, repleto de citações à “Gerra da Secessão” e em diversos andamentos.
-        Overseas Special” gravado ao vivo no “Satin Doll Club” em março de 1982 para o selo “Concord”, com MONTY ao lado de Ray Brown no baixo e de Herb Ellis na guitarra, presenteando-nos com 06 temas em longas execuções e destaque para os clássicos “But Not For Me” de Gershwin e “C.C.Rider” da grande Gertrude “Ma” Raney;
-        Duke Ellington Songbook”, selo “MPS” gravado em 29 de março de 1983, com MONTY ao lado de John Clayton no baixo, com destaque para o clássico “Sophisticated Lady” de Ellington / Irving Mills / M.Parish;
-        The River” gravado em outubro de 1985 em Maryland para o selo “Concord”, ao lado de John Clayton no baixo e de Ed Thigpen na bateria;  nesse álbum MONTY gravou 10 temas que acostumou-se a ouvir e a tocar em sua terra natal, Jamaica, em reuniões familiares e como tradição religiosa, como “Stand Up, Stand Up For Jesus”, “Ave Maria” (a de Franz Schubert), “What A Friend We have In Jesus” e outros, incluindo de sua autoria o tema “The Serpent”;
-        Full Steam Ahead” com 09 temas tomados em 1985 para o selo “Concord”, trazendo-nos MONTY ao lado de Ray Brown no baixo e de Frank Gant na bateria;  foram gravadas verdadeiras jóias de desempenho do trio e desfile de hiper-clássicos, tais como “Freddie Freeloader” (Miles Davis), “Once I Loved” (Tom Jobim), “Ray’s Idea” (Ray Brown), “Happy Talk” (Rodgers & Hammerstein), “Hy-Fly” (um pérola de Randy Weston anteriormente  imortalizada por Dexter Gordon no LP “Gotham City”) e muito mais;
-        Steamin” “ gravado em 14 e 15 de setembro de 1994 para o selo “Concord”, sendo MONTY coadjuvado por Ira Coleman no baixo e Dion Parson na bateria, com 13 temas e destaque para o clássico de Nikolaus Brodsky e Sammy Cahn “I’ll Never Stop Loving You”;
-        Echoes Of Jilly’s” gravado em 20 e 21 de dezembro de 1996 para o selo “Concord”, ao lado de John Patitucci no baixo e de Troy Davis na bateria, com 13 temas em que MONTY recorda seus tempos no “Jilly’s” onde foi “descoberto” por Frank Sinatra, ao qual agradece no texto do encarte, de sua autoria.
MONTY pode ser apreciado em alguns DVD’s, tais como o já citado “Jazz In Montreux” de 1977, tendo MONTY ao lado dos trumpetistas Dizzy Gillespie e Jon Faddis, mais Milt Jackson no vibrafone, Ray Brown no baixo e Jimmy Smith na bateria e, também, no DVD da “EMI” “Barbara Hendricks – A Tribute To Duke Ellington”, comandando trio com Ira Coleman no baixo e Ed Thigpen na bateria, em gravação tomada ao vivo durante o “Montreux Jazz Festival” de 1994 (dias 17 e 18 de agosto);  durante cerca de 01 hora 08 temas do repertório de Ellington são tributados com classe, elegância, bom gosto e muito JAZZ.
Prosseguiremos  nos  próximos  dias

Um comentário:

MARIO JORGE JACQUES disse...

Um dos meus preferidos e aqui toda sua história, muito legal.