Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

17 outubro 2012

FIM DO BLOG PORTUGUÊS JAZZ NO PAÍS DO IMPROVISO

JNPDI: The End.

Chega hoje ao fim o blogue Jazz no País do Improviso.

Quando fundei este espaço, a 11 de Setembro de 2003, Portugal estava já mergulhado numa crise política, económica e, sobretudo, moral. Era o tempo do célebre “discurso da tanga” de Durão Barroso, então primeiro-ministro, que sucedera ao “pântano” de António Guterres.

Foi precisamente por causa deste cenário político que idealizei o título do blogue: num país em que a política é um eterno e mau exercício de improviso, nada melhor do que Jazz no País do Improviso...

Ironicamente, essa foi também a década (2000-2009) do maior boom jazzístico registado até à data entre nós, com a multiplicação de festivais, concertos, escolas, músicos, media, licenciaturas em jazz, etc.

Foi, pois, neste contexto que surgiu JNPDI, o primeiro grande blogue de jazz em Portugal.

Porém, há 9 anos atrás não podia imaginar que este blogue viria a ter a projecção que hoje se lhe reconhece, com cerca de 465 000 visitas acumuladas, e, muito menos, que viesse a consumir-me tantas e tantas horas, contabilizadas em mais de 3100 posts! Para quem gosta de médias, são cerca de 28 posts por mês…

JNPDI foi de facto uma tribuna importante para a divulgação do jazz, objectivo que sempre o norteou, e chegou a todo o mundo, sendo considerado em Espanha como o blogue de jazz de referência também nesse país.

Em jeito de puro serendipitismo, em que julgo saber ler os propósitos, JNPDI extingue-se no momento em que Portugal está de novo confrontado com uma crise, desta feita a maior crise do pós 25 de Abril, um tempo que Medina Carreira classificou recentemente de austeridade máxima e moralidade mínima.

O jazz, esse, está de boa saúde, ainda que pairem no horizonte nuvens carregadas de tensão e ameaças, nomeadamente com a diminuição dos meios de divulgação. De facto, nos últimos anos, desapareceram a única rádio dedicada ao jazz (Europa Lisboa) e a única revista de jazz (Jazz.pt). Também alguns festivais encerraram definitivamente ou emagreceram ao ponto de uma quase total descaracterização. Por outro lado, a porventura excessiva oferta de formação académica vai ter consequências inevitáveis num mercado que está já fragilizado a vários níveis.

Mas sejamos optimistas e acreditemos que é possível manter acesa a chama do jazz porque tal corresponde a perpetuar o importante farol de fraternidade, liberdade e diálogo que este representa desde a sua origem na Luisiana dos séculos XIX e XX.

Para tal é, porém, necessária cada vez mais uma mudança de mentalidades, que é transversal ao país. O futuro, creio-o bem, exige a aposta na união, a valorização do mérito e o foco nos destinatários finais das instituições, programas e projectos, sejam eles alunos ou ouvintes. Exige também visão, uma ideia federadora capaz de mobilizar todos os actores e agentes do mundo do jazz em Portugal. E exige, ainda, uma enorme generosidade por parte de todos os que fazem o jazz acontecer, partilhando com os seus concidadãos os seus conhecimentos, experiências e saberes.

Penso ter contribuído para tal ao longo destes 9 anos de JNPDI, mas também dos 7 livros que publiquei sobre a história do jazz em Portugal, da centena de artigos que desde 1995 venho publicando na imprensa generalista e especializada, do programa radiofónico “O Espírito do Jazz” (Antena2, 2011 – 2012), das exposições e roteiros do jazz, das inúmeras palestras e dos festivais e concertos que tenho organizado e dos dois discos produzidos.

Por diversas razões, pessoais e profissionais – a que não é alheia a forma como o jazz em Portugal se encontra institucionalizado, muito à semelhança de um poder político/partidário cristalizado e tribal – o tempo é agora de mudança de ciclo, com uma maior aposta em projectos profissionais cada vez mais incompatíveis com a manutenção deste fórum num patamar de qualidade aceitável.

Por todos estes motivos, este é o último post que publico em JNPDI. O blogue ficará todavia disponível para que os seus conteúdos possam continuar, como até aqui, a ser consultados em Portugal e no estrangeiro. Continuarei também disponível, tal como até aqui, para esclarecer quaisquer dúvidas e para apoiar trabalhos académicos na área do jazz, o que poderá ser feito através do e-mail joaomoreirasantos@gmail.com

As últimas palavras em Jazz no País do Improviso vão para os muitos que ajudaram a fazer este blogue ao longo dos anos e, sobretudo, para os milhares de leitores em todo o mundo.

A todos, o meu muito obrigado! Foi uma honra poder fazer convosco esta viagem de 9 anos.
João Moreira dos Santos

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns ao nobre "dos Santos" que apostolou pela "Arte Popular Maior" durante praticamente uma década.
O JAZZ é isso = qualidade, arte, improviso com melodia/harmonia/ritmo/sentimento, sacrifício para sua divulgação, cultura e, tal como nos gêneros clássicos, compreensão para o fato universal de que todos os governos, maios, recursos e processos midiáticos estiveram/estão/estarão sempre voltados para o "menos", para o "tam-tam", para a redução musical.
Parabéns e sucesso nos novos empreendimentos.

APÓSTOLO