Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

31 julho 2012

UM ILUSTRE GENIO DESCONHECIDO

Quando eu era garotinho meu pai queria que eu estudasse acordeon. Hoje sinto falta.

30 julho 2012

EM COMPLEMENTO AO POST DO GUZZ SOBRE O FESTIVAL DA SAVASSI



Video feito no IPhone, na mesma noite comentada abaixo com propriedade pelo Guzz, do Kenny Werner Trio, com uma parte da sua belíssima interpretação de In Your Own Sweet Way With a Song in My Heart, quando aproveitou para fazer uma parte do andamento dos improvisos numa levada bossanovística deliciosa  em tudo semelhante à versão gravada em seu disco com esse título.
Mais uma vez, parabéns pelo nosso confrade I-Vans, que não apenas trabalhou como curador do Festival mas dobrou de cicerone dos dois trios pelo Rio de Janeiro.
Aguardamos seu relato aqui sobre os detalhes pitorescos do que não se viu no palco!
À esquerda da cena, na mesa que ficava na direção das costas do Kenny, podemos perceber dois outros confrades, um imóvel e compenetradíssimo BraGil, que não queria perder uma só nota e, mais à frente, balançando-se, nosso Bené-X em estado de extase quase absoluto, "sofrendo" prazerosamente com cada uma delas.
Abraços.

NOVO SUPLEMENTO DA BLUE NOTE


Um novo suplemento acaba de ser lançado pela EMI RECORDS em selo BLUE NOTE.


São álbuns devidamente tratados com a chamada “master quality  audio on HD tracks” trazendo as seguintes preciosidades : “Blue Train” de John Coltrane, “Mayden Voyage” de Herbie Hancock, “Out to Lunch” de Eric Dolphy, “Speaky no Evil” de Wayne Shorter, “Songs for my Father” de Horace Silver e “Unity” de Larry Young.  


Carga pesada.

ELIANE ELIAS & JOE LOVANO


A notícia está no blog “Noticiero de Jazz”. 


O próximo disco da nossa Eliane Elias será em quarteto, completado por Joe Lovano (st), Marc Johnson (b) e Joey Baron(dm). 


Será lançado em setembro pela EMI e terá como título “Swept away”. 


A partir de três de outubro o grupo fará uma longa excursão pelos Estados Unidos  com o objetivo de divulgar o disco. 


Sucesso !

RENÉE ROSNES NO GRUPO DE RON CARTER


Acaba de ser divulgada a formação do quarteto de Ron Carter que se apresentará em oito de agosto no Imperator. 


Ao piano, Renée Rosnes, a esposa do pianista Bill Charlap,  à bateria Payton Crossley e um percussionista de nome Morales-Matos. 


A presença de Renée é garantia de sucesso.

CHARLIE CHRISTIAN É NOME DE RUA


Foi no Texas, na pequena cidade de Bonham que aconteceu justíssima homenagem ao legendário  guitarrista Charlie Christian. 


Deram o seu nome a uma rua que curiosamente termina no cemitério em que o musico foi enterrado há exatamente setenta anos. 


Bela homenagem.

FESTIVAL DE MARCIAC

Teve início em  vinte e sete de julho e irá até quatorze de agosto mais uma edição do Festival de Marciac, trazendo uma extensa programação que inclui naturalmente nomes famosos de várias partes do mundo, inclusive o cubano Buena Vista Social Clube com Omara Portuondo. 


Durante esse período desfilarão pelos palcos da pequena cidade francesa, entre outros, Barcelona Jazz Orquestra, Bobby McFerrin, Esperanza Spalding, Sonny Rollins, a Lincoln Center Jazz Orchestra, Wynton Marsalis, Luis Salinas, Diane Reeves, Orchestre National de Bordeaux/Aquitaine, Daniel Humair, Marcus Miller, Harry Connick Jr., Stacey Kent, Orchestre de Jazz in Marciac, etc. etc. 


Isso é um festival !

MOSAIC LANÇA COLEÇÃO DE COLEMAN HAWKINS


A gravadora Mosaic informa em seu último  boletim sobre o lançamento da “Classic Coleman  Hawkins Sessions”, caixa contendo  8 CDs  do  grande saxofonista, com gravações feitas no período de 1922 a 1947. 


Tal período recolhe performances de “Bean”  tocando na Banda de Fletcher Henderson, com os “Mound City Blue Blowers“, com os “Chocolate Dandies”, com Benny Goodman, Benny Carter, Count Basie e Lionel Hampton. Tem também as famosas e raras gravações  com os “Metronome All-Stars” e “Esquire All-Stars”. 


Mais uma preciosa caixa da Mosaic, com oito CDs e um magnífico portfólio  contendo não só a ficha técnica como também fatos e fotos da carreira do grande músico. 


Imperdível.

ESTRANHA HOMENAGEM


Aconteceu em New Orleans a homenagem póstuma feita pelos familiares do baterista “Uncle” Lionel Batiste, falecido em 19 de julho aos oitenta anos. 


Ao invés de colocar o corpo em um caixão, mandaram embalsamar o mesmo e em um cenário montado, onde havia até uma bateria, deixaram o musico em pé ao lado do instrumento. Segundo Louis Charbonet, encarregado do funeral, nunca havia visto homenagem desse tipo. 


Dias depois, após ampla visitação de colegas músicos, familiares e até curiosos, seu corpo foi colocado em um caixão e enterrado normalmente. 

29 julho 2012

UM POUCO DE MANHATTAN NA NOITE CARIOCA DO SAVASSI FESTIVAL

O local, Miranda, situado na margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, lembra um pouquinho, só um pouquinho, o cenário do Dizzy´s Club em New York, cujo palco, lá, tem como pano de fundo o Central Park; aqui, a nossa Lagoa.
E o palco da casa recebeu na noite carioca da edição do Savassi Festival os pianistas Shai Maestro e Kenny Werner e seus respectivos trios. Realmente uma noite magistral.

O israelense Shai Maestro abriu a noite acompanhado pelo peruano Jorge Roeder no contrabaixo e o também israelense Ziv Ravitz na bateria. Um trio espetacular, entrosadíssimo, formado em 2010 e todos residentes em New York, onde, realmente, tudo acontece. Como o próprio Shai Maestro afirma em seu site, "a conexão entre nós foi tão intensa que naturalmente nos tornamos um grupo, foi muito óbvio".
E foi o que comprovamos. Um início de apresentação com uma atmosfera um tanto erudita, com um tema ainda inédito, com Roeder explorando muito o uso do arco e as teclas de Shai evocando belas melodias. Mas o trio mostrou intensidade ao longo da apresentação e não tem como não destacar o baterista Ziv Ravitz, que foi um show à parte nas conduções mais intensas, e o contrabaixo de Roeder que sobrou nos improvisos, e ainda o lider do grupo que deu o recado com extrema maestria e apresentou dois belíssimos e intensos temas em homenagem aos avós, Brave Ones e The Flying Shepperd, esta que encerrou o show antes do bis e cuja melodia do tema deu um ar de Rick Wakeman no clássico Journey to the Centre of the Earth.
Um trio verdadeiramente contemporâneo, com a cara da cidade onde vivem.



A noite seguiu com o esperado trio de Kenny Werner, acompanhado por Johannes Weidenmueller no contrabaixo e Ari Hoenig na bateria. E foi Jazz para ninguém botar defeito. Um início de show um tanto experimental, mas que tomou uma forma espetacular com um Werner totalmente à vontade e tocando um absurdo. No repertório, além de composições autorais, citou os standards In Your Own Sweet Way (Brubeck), All Blues (Miles) e Poinciana (Simon, Bernier). Impecável também o baterista Ari Hoenig, a quem Werner deu muito espaço e é um músico fantástico e muito atuante na cena jazzística nova iorquina.
No momento mais intimista do show, o pianista afirmou que não podia estar no RJ e não tocar com a cantora Joyce, que estava presente na plateia. A verdade é que Joyce sabe das coisas, cantora extraordinária, e ela subiu ao palco para interpretar em duo com Werner, em total improviso, Essa Mulher (Joyce) e Corcovado (Jobim). O trio voltou ao palco e encerraram a noite com Bill Evans, Nardis.



fotos : PC

25 julho 2012

CRÉDITOS PODCAST 112



EXECUTANTES
TEMAS
DATA
ERIC REED
Eric Reed (pi), Ron Carter (bx), Al Foster (bat)
2 -BLUE SILVER
New York, dez / 2004
BRAZILIAN JAZZ
Moacyr Peixoto (pi), Casé (sa), Rubens Barsotti (bat) e LUIZ CHAVES (bx)
2- MAKIN WOOPEE
1958
RAY CHARLES
Oscar Pettiford (bx) e Joe Harris (bat)
New York, abril de 1956
DOROTHY DONEGAN
(piano)
baixo e bateria desconhecidos
2 -GIVE ME THE SIMPLE LIFE
março de 1992 no Catalina's - Jazz Club em Hollywood
BOOKER PITTMAN
Booker Pittman (sop,sa,vcl), Aurino (sbar), Fats Elpidio (pi), Luiz Marinho (bx) e Milton Banana (bat)
2 NOBODY KNOWS THE TROUBLE I'VE SEEN
Rio de Janeiro, julho de1959
MARTIE
Rogier Theldeman (pi), Daniel de Moraes (violão), Taco Nieuwenhuizen (bx) e Enrique Firpi ( bat e perc).
2- ROSA MORENA
Teatro Felix Meritis  em Amsterdan
2011
BG
Herb Ellis(gt), Ray Brown (bx), Harry "Sweets" Edison (tp), George Duke (pi), Herb Ellis (gt), Ray Brown (bx) e Jake Hanna (bat)
EDISON LIGHTS
San Francisco, 1974

23 julho 2012

GRANDE FESTIVAL DE JAZZ NO AMAZONAS



No período de 24 a 29 de julho, teremos no maior estado brasileiro a sétima edição do Amazonas Jazz Festival com uma programação variada e integrada por ilustres convidados. É a seguinte a programação :



Dia 24 – Gilson Peranzzetta e Mauro Senise com a Amazonas Band
             Zimbo Trio


Dia 25 – Joyce
            David Liebeman e Guinga apresentam Marcelo Coelho


Dia 26 - Amazonas Band com David Liebeman e Marcelo Coelho
            Grupo Pau Brasil

Dia 27 – Teixeira de Manaus
            Roberto Sion e Itamar Colaço e convidado especial Airton Gaúcho

Dia 28 – Karine Aguiar
            Ron Carter Quartet


Dia 29 - Eumir Deodato


No período entre 23 e 30 de julho , dentro de uma programação acadêmica, serão realizadas palestras, workshops e oficinas, à cargo de músicos participantes do evento.


Desejamos sucesso.

22 julho 2012

DOWNBEAT 60TH ANNUAL CRITICS POOL

Aproveitando a deixa do nosso Llulla que foi buscar informações sobre o Vijay Iyer pianista vencedor em 5 categorias esse ano nas indicações da DB, na edição de Julho, transcrevo abaixo as principais escolhas dos críticos a saber:

A) Album do Ano :  1º) Vijay Iyer Trio "Accelerando" (ACT), 2º) Sonny Rollins "Road Shows Vol 2" (Emarcy), 3º) Keith Jarrett "Rio" (ECM) , 4º) Gregory Porter (Motema). 5º) Miguel Zenon "Alma Adentro" (Marsalis), 6º) Brad Mehldau "Live In Marciac" (Nonesuch), 7º) Matt Wilson's Arts & Crafts "An Attitude For Gratitude" (Palmetto), 8º) Corea,Clarke & White "Forever" (Concord), 9º) Terri Lyne Carrington "The Mosaic Project" (Concord) e 10º) Tim Berne "Snakeoil" (ECM)

B) Hall of Fame : Paul Motian (112)
C) Jazz Artist : Vijay Iyer (152)
D) Jazz Group : Vijay Iyer Trio (188)
E) Big Band : Maria Schneider Orchestra (187)
F) Trumpet : Ambrose Akinmusire (215)
G) Trombone : Wycliffe Gordon (181)
H) Soprano Sax : Branford Marsalis (202)
I) Alto Sax : Rudresh Mahanthappa  (181)
J) Baritone Sax : Gary Smulyan (327)
K) Tenor Sax : Sonny Rollins (234)
L) Clarinet : Anat Cohen (375)
M) Flute : Nicole Mitchell (184)
N) Piano : Vijay Iyer (154)
O) Keyboard : Herbie Hancock (153)
P) Organ : Joey DeFrancesco (326)
Q) Guitar : Bill Frisell (259)
R) Bass : Christian McBride (283)
S) Electric Bass : Christian McBride (164)
T) Drums : Jack DeJohnette (213)
U) Vibes : Bobby Hutcherson (307)
V) Percussion : Zakir Hussain (142)
X) Male Vocalist : Kurt Elling (302)
Y) Female Vocalist : Cassandra Wilson (207)
W) Composer & Arranger : Maria Schneider (142 & 134)
Z) Rising Star Artist : Robert Glasper

Se quiserem posso postar os "Rising Star" ( Revelação) por categoria em próxima coluna.
E para terminar gostaria de informar que gravei novo programa  MEC Instrumental (98.9 FM) apresentação de Jota Carlos sobre o Jazz Russo e que irá ao ar no sábado 28/07 as 23:00h.
Aguardo comentários ! ! !




                                                                                                                        







20 julho 2012

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A

GUITARRA E OS GUITARRISTAS  -  22

Albert Edwin Condon, artisticamente “EDDIE” CONDON, guitarrista e banjoista americano, nasceu na cidade de Goodland (estado de Indiana) em 16 de novembro de 1905 (alguns biógrafos indicam 16 de julho), vindo a falecer aos 68 anos no dia 04 de agosto de 1973, em New York.
“EDDIE” garantiu seu lugar na história do JAZZ não apenas como guitarrista, mas também como organizador e líder de grupos, empreendedor, apresentador em concertos, em festivais, participação em programas de rádio e de televisão, além de escritor de 03 livros biográficos, no estilo jornalístico, com destaque para sua obra de 1948, “We Called It Music”.
Seu sucesso e popularidade centrou-o como figura exponencial do “dixieland”, do JAZZ tradicional, com destaque para o nascimento e o desenvolvimento da “escola de Chicago” = significativa parcela das gravações dessa escola foram produzidas tendo-o como líder, ou por sua iniciativa, ou com sua participação como “sideman”.

“EDDIE” iniciou-se no banjo ainda adolescente, estreando profissionalmente com a idade de 15 anos, dentro da formação do saxofonista Hollies Peavey; com este participou de extensa temporada por toda a América do Norte, a bordo de um caminhão adaptado como trailer.
Após essa primeira experiência profissional, “EDDIE” radicou-se em Chicago, onde teve oportunidade de tocar com o genial “Bix” Beiderbecke, mantendo com ele forte amizade.
Seguiu-se em 1924 nova temporada com a turma de Chicago, fruto de um contrato com o cabaret “Cascades”, de duvidosa reputação e situado na zona norte da “windy city”, de propriedade do empresário Husk O’Hare. Ali teve a companhia de Bud Freeman e de Jimmy McPartland, entre outros músicos brancos.
Com a ajuda de Red McKenzie “EDDIE” organizou as legendárias sessões de gravação de dezembro de 1927 (perpetuando os temas China Boy” e “Nobody Sweetheart”), marcando o nascimento da “escola Chicago”.
Após a ida de “EDDIE” para New York no verão de 1928, ele seguiu colaborando com McKenzye, integrando o grupo “Mound City Blue Blowers”. Sobre esse grupo destacamos os seguintes fatos:
(a) contou com arranjos de Glenn Miller;
(b) gravou algumas preciosidades, entre as quais “Oner Hour” e “Lola”;
(c) contou com as participações de Coleman Hawkins e de um dos clarinetistas mais representativos da “escola Chicago”, Pee Wee Russell;
(d) foi um grupo que oscilou entre “altos e baixos”, já que também produziu gravações que não foram bem recebidas por público e crítica.
Em New York “EDDIE” foi capaz de reunir diversos músicos brancos com os quais já havia “terçado armas” em Chicago: Frank Teschemacher, Gene Krupa, Milton “Mezz” Mezzrow, Joe Sullivan e Jimmy McPartland, entre outros. A partir desse reencontro e ainda no verão de 1928 “EDDIE” organizou diversas sessões de gravação, buscando reeditar os sucessos de 1927, sem muito sucesso.
Durante o ano de 1929 “EDDIE” atuou e gravou ao lado de Louis Armstrong e de Thomas “Fats” Waller, o que representou uma feliz junção de músicos negros e brancos, em função da admiração que estes nutriam por aqueles.
Ai notava-se a diferença comportamental entre esses oriundos de Chicago, em relação aos músicos de New York, então francamente racistas: “Red” Nichols, Joe Venutti e Miff Mole, entre outros (ainda que no longa metragem “The Five Pennies”, versão cinematográfica sobre a carreira de Loring “Red” Nichols, em português “A Lágrima Que Faltou”, protagonizada por Danny Kaye, tenhamos cenas de Armstrong com “Red” Nichols”). Ainda sobre “Red” Nichols é certo que ele e “EDDIE” atuaram juntos nesse ano de 1929, encontro de certa forma inevitável já que “Red” havia atuado anteriormente com outros músicos da “escola Chicago”.
Em 1932 “EDDIE” uniu-se ao grupo misto de brancos e negros, o “Rhythmakers”, onde atuou o grande trumpetista de Algiers/Louisiana, Henry “Red” Allen; mesmo com a lógica influência no grupo de “Red” Allen, um tradicionalista com sólida origem musical em New Orleans, a “escola Chicago” imperava na sonoridade do grupo.
Em 1933 “EDDIE” gravou sob seu próprio nome ao lado de Floyd O’Brien, Russell Freeman, Joe Sullivan e Max Kaminsky, com destaque para o tema “The Eel”, veículo para o sucesso popular do grande tenorista Bud Freeman. Essa gravação marca a ampliação de perspectivas para os “tenoristas”, com um claro “grito de independência” da influência de Coleman Hawkins, então dominador na técnica e na sonoridade do sax.tenor.
A partir de então e por um período que vai até 1936, “EDDIE” conviveu com a obscuridade, retornando nesse ano ao lado do clarinetista e saxofonista Joe Marsala, para atuar em inúmeros clubes da “big apple”.
No mês de janeiro de 1938 “EDDIE” formou o grupo “Windy City Seven” = “EDDIE” CONDON, Bobby Hackett, Jack Teagarden, George Brunis, Pee Wee Russell, Bud Freeman e Jess Stacy, entre outras “estrelas”, foram destaques no grupo, protagonista das primeiras e históricas gravações do selo “Commodore” do empresário Milt Gabler. “Commodore” era o nome da loja da “Rua 52”, onde se reuniam os músicos de JAZZ residentes em New York. Essas gravações, excelentes, constituem-se em um claro “divisor de águas” para “EDDIE”, que inicia seu afastamento do “dixieland” clássico em direção à linguagem de solistas de exceção, notadamente Pee Wee Russell. Por essa mesma ocasião esse mesmo grupo, sob o comando de Bud Freeman para o selo “Commodore” e sob o comando de Bobby Hackett para a etiqueta “Vocalion”, retornou aos estúdios de gravação.
Em 1939 “EDDIE” foi incorporado ao grupo “Summa Cum Orchestra”, dirigido por Bud Freeman, que participou de sessão promovida pelo empresário George Avakian, reunindo os melhores músicos de Chicago.
Durante o período da IIª Guerra Mundial “EDDIE” organizou e apresentou dezenas de concertos no “Ritz Theatre” e no “Town Hall” de New York, transmitidos via rádio “em direto” para as Forças Armadas Americanas no “front”. Foram concertos com a participação dos então maiores nomes do JAZZ, apoiados por uma banda em que figuraram os trumpetes de Bobby Hackett, Mugsy Spanier, Max Kaminsky e Billy Butterfield, os trombones de Miff Mole e Lou McGarity, os clarinetes de Edmond Hall, Pee Wee Russell, Joe Dixon e Joe Marsala, o sax.barítono de Ernie Cáceres, o pianismo dos grandes Gene Schroeder, Joe Bushkin e Jess Stacy, o contrabaixo de Jack Lesberg e as baterias de Krupa e George Wettling. Esses históricos concertos em muito projetaram a figura de “EDDIE”, vencedor pela revista “Down Beat” das enquetes de 1942 e de 1943, como melhor guitarrista.
No final de 1945 “EDDIE” instalou seu próprio clube de JAZZ, o “Condon’s Club”, em plena “Greenwich Village” (mais tarde, em 1958, mudou-se para o “East Side”), ponto de encontro dos músicos de New York e reduto dos amantes do JAZZ “tradicional”.
Simultaneamente “EDDIE” CONDON seguiu realizando concertos, muitos dos quais via rádio e em seu próprio programa “Condon Floor Show” de 1949, em que as “estrelas” foram ninguém menos que Louis Armstrong, Sidney Bechet, Billie Holiday, Jack Teagarden e Teddy Wilson, entre outros: uma galáxia ! ! !
“EDDIE” seguiu gravando para as etiquetas Columbia (atual Sony) e Decca, contando com os músicos com os quais atuara no “Town Hall” durante a segunda grande guerra. Entre essas gravações merecem especial destaque as prensadas para a Columbia entre 1953 e 1956 (ao lado de Wild Bill Davison, Cutti Cutshall, Edmond Hall, Gene Schroeder, Walter Page e George Wettling = vide indicação discográfica ao final), onde fica evidente o afastamento da “agressividade” inicial dos “chicagoans”, com todos já agora em clima relaxado, com altas doses de “swing” e lembrando a “máquina de fazer swing” de Count Basie = aqui lembramos a presença do contrabaixo de Walter Page e a influência de Freddie Green em “EDDIE”, vale dizer e em certa medida, a quase presença de 50% da “all american rhythm section” de Basie.
Nos anos de 1954 a 1956 “EDDIE” atuou em formação “all stars” no festival de Newport, seguindo em 1957 para temporada na Inglaterra.
Em 1961 “EDDIE” CONDON foi organizador e apresentador de programa de televisão inteiramente dedicado ao JAZZ de Chicago, trazendo para a tela todos os antigos músicos do estilo, ainda vivos; esse programa foi gravado pela etiqueta VERVE (leia-se Norman Granz), talvez representando o derradeiro e magno exemplo da “escola Chicago”.
O ano de 1964 vai encontrar “EDDIE” em extensa temporada na Austrália e no Japão, comandando formação, com certeza uma das melhores e mais consistentes formada por CONDON, em que alinharam Buck Clayton, Vic Dickenson, Pee Wee Russell, Bud Freeman, Dick Cary, Jack Lesberg, Cliff Leeman e Jimmy Rushing. Esse grupo foi gravado pelo selo “Chiaroscuro”, deixando-nos o testemunho da emancipação do grupo da polifonia tradicional, para a liberdade dos solistas em um contexto “mainstream”.
“EDDIE” pagou caro tributo à sua dependência alcoólica, tendo que realizar seguidas intervenções cirúrgicas (pâncreas, estômago, fígado), mas conseguiu retornar em 1967, escudado pelo sempre fiel Wild Bill Davison.
Em 1970 “EDDIE” atuou em grupo onde brilhavam Roy “Little Jazz” Eldridge e o grande trombonista Kai Winding, para seguir apresentando-se em duo com o também guitarrista Jim Hall (vide “Algumas Linhas Sobre a Guitarra e os Guitarrista nº 09”).
1971 proporcionou a “EDDIE” CONDON uma longa temporada por todos os U.S.A., com o grupo “Stars Of Jazz”, integrado por ele e Wild Bill Davison, Barney Bigard e Art Hodes.
Participou ainda em várias edições do “Festival de Jazz de Manassas” (Virginia).
A extensa discografia de “EDDIE” inclui gravações para as etiquetas “Chiaroscuro”, “Jazzology” e “Fat Cat Jazz”.
O derradeiro concerto de “EDDIE” CONDON foi realizado no “Carnegie Hall”, em 1972. Isso significa que ele trabalhou até praticamente seus derradeiros dias de vida, mas rendeu-se, em agosto de 1973, ante seu declínio físico progressivo. Legou-nos obra discográfica imortal e da mais alta importância.
Muito valorizado pelos músicos, ainda que pouco valorizado pela mídia como figura seminal entre os “chicagoans”, “EDDIE” teve o grande mérito de modernizar gradativamente e com grandes inteligência e perspicácia o que podemos denominar como a transição “dixieland/chicago”, mantendo o espírito e a integridade dos mesmos até e sem dúvida, o limite de unir-los à “mainstream” do JAZZ. Foi uma “barreira” ante o surgimento do “bebop”, garantindo a perpetuação das raízes.
“EDDIE” foi um dos primeiros guitarristas a utilizar a “guitarra-tenor” de 04 cordas, sendo certo que é o mais característico ilustrador das pulsações rítmicas dos “chicagoans”, esquematizando claramente, e mais que o contrabaixo e a bateria, a base rítmica que marca os 04 compassos. Raramente o ouvimos solando, ficando em segundo plano para o ouvinte, mas tornando-o essencial para os músicos que acompanha, que nele se escoram pela sua pulsação metálica e “doce”. O grande trumpetista e cornetista Bobby Hacket definiu como o “melhor guitarrista rítmico do JAZZ”.
Destaques entre as centenas de gravações de “EDDIE” CONDON, além das já citadas no texto anterior:
- 1927 Sugar
- 1928 I’ve Found A New Baby - “Chicago Rhythm Kings
- 1929 I Can’t Give You Anything But Love - “Louis Armstrong”
- 1929 The Minor Drag - “Fats Waller”
- 1936 That Foolish Things - “Bunny Berigan”
- 1954 Jammin” At Condon’s - “Eddie Condon”
- 1957 The Eddie Condon All-Stars - Dixieland Jam - “Eddie Condon”.
Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo.

apostolojazz@uol.com.br

P O D C A S T # 1 1 2








PARA BAIXAR:  http://www.divshare.com/download/18898428-b3e

19 julho 2012

RON CARTER MAIS UMA VEZ NO RIO


Quem informa é o blog Renajazz e nós divulgamos. O contrabaixista Ron Carter irá se apresentar no dia 8 de agosto no Imperator, com o show tendo início às 21 horas. Os preços dos ingressos são Rs $50.00 e Rs$ 25,00 respectivamente. Não foi divulgada a formação do conjunto.Aguardemos.

UM VALIOSO PRESENTE


Mais uma jóia japonesa vem brilhar no mundo do Jazz. Trata-se da pianista e cantora Eriko Ishihara, cujos álbuns entusiasmam qualquer tipo de ouvinte. Para comprovar, procurem escutar os CD’s “Thousand winds”, “Love standards”, “Unforgettable” e “The crazy town”. Um puro regalo.

ROBERTA GAMBARINI EM VALLADOLID


Integrada no elenco do Festival Internacional de Jazz de Valladolid, Espanha, que terminará em 20 de julho,  a cantora Roberta Gambarini , fino presente  que a Itália ofertou ao Jazz, continua desenvolvendo sua carreira , participando de uma série de eventos jazzísticos por toda a Europa. Em Valladolid tem como acompanhantes Justin Robinson ao sax-alto e flauta, Sullivan Fortner ao piano, Ameen Salem ao contrabaixo e Johnathan Blake à bateria.

ED LINCOLN (1932- 2012)


Quem não dançou ao som de Ed Lincoln e seu famoso conjunto de baile ?  Infelizmente foi mais uma voz que se calou. Voz instrumental iniciada no contrabaixo, passando pelo piano e finalmente se fixando no órgão , instrumento que o consagrou. Vi e ouvi Ed Lincoln em 1956 na famosa Jam Session do Clube Central em  Niterói, integrando um trio com Luiz Eça, Paulo Ney e ele ao contrabaixo. Depois, seu nome começou a aparecer como lider de conjunto, tocando para dançar. Sim, já tinha formado o seu grupo que logo o colocou como o “Rei dos Bailes”. Gravou intensamente tanto como solista ou acompanhando cantores  como Silvio Cesar e Orlandivo. Ed Lincoln faleceu em 16 de julho, aos 80 anos,vitimado por insuficiência respiratória. R.I.P.

KAREN OBERLIN HOMENAGEIA FRANK LOESSER


A cantora Karen Oberlin, também conhecida como Karen O, acaba de lançar mais um álbum, no qual dedica à música de Frank Loesser todo o repertório. São quinze faixas gravadas ao vivo, no Algonquin,  em companhia do pianista Jon Webster e do contrabaixista Sean Smith. Nos álbuns anteriores Karen dedicou os repertórios ao populário americano, tanto em “My Standards” como em “A música de Doris Day”,onde presta tributo a simpática atriz e cantora. 

MARCELÓN

Nosso desaparecido - dos posts - confrade completa hoje, segundo nossas anotações, mais um aniversário. Daqui aquele abraço. Saúde e Felicidades, amigo.

MN (do celular)

18 julho 2012

CRÉDITOS PODCAST 111



EXECUTANTES
TEMAS
DATA
NNENNA FREELON
James Sandon (st) / Takana Miyamoto (pi,arr) / Wayne Batchelor (bx) / Woody Williams (bat)  / Beverly Botsford (perc) e Nnenna Freelon (vocal)
BETTER THAN ANYTHING
New York, abril / 2000
CHRISTIAN JACOB
Christian Jacob (pi) / CSteve Swallow (bx) / Adam Nussbaum (bat)
GUESS AGAIN
Santa Barbara, CA, junho / 1998
Tony Uribe gt e vcl  Johnny Guitar Blommer gt – Alex Flores st- Carla Brownlee sbar e st– Glenn Velardi bat e Steve Grams bx
TEXAS
T SHO AIN'T ME 
2001
Henry Lowther, Gerard Presencer (tp,flhrn) Mark Nightingale (tb) Peter King (sa tb), Evan Parker e Julian Arguelles (sax tenor) Anthony Kerr (vib) Brian Lemon (pi) Dave Green (bx) Charlie Watts (bat) Luis Jardim (perc)
BEMSHA SWING
Live "Ronnie Scott's", London, junho 2001
Steve Buckingham / Larry Carlton / Steve Gibson (gt) / Michael Rhodes (bx) / Eddie Bayers (bat) Diane Schuur (piano, vocal) / Kirk Whalum  (sax tenor)
HEALING HANDS OF TIME
21 junho de 2011
Phil Napoleon (tp,ldr) / Tommy Dorsey (tb) Jimmy Dorsey (cl,sa)  / Frank Signorelli (pi) Joe Tarto (bx) e Ted Napoleon (bat)
JAZZ ME BLUES
New York, 24  novembro 1931

NICOLAS FOLMER
Sylvain Beuf , (sa,ss), Frederic Couderc (sbar), Pierre Olivier Govin (sa), Stéphane Guillaume (cl, st), Rémi Sciuto (cl, flauta), Pierre De Bethmann (pi), Nicolas Folmer -Michel Feugere - Fabien Mary e Tony Russo (tp), Phillippe Georges - Denis Leloup - Guy Figlionlos (tb), Didier Havet (tb bx), Christophe Wallemme (bx), Franck Agulhon (bat), Minino Garay (perc), Louis Winsberg (gt)
TONY BLUES
Rochefort, France, 1999
BG
Stan Getz (ts),  Steve Kuhn (pi),  Laurindo Almeida (gt) George Duvivier (bx),  Dave Bailey (bat),  Edison Machado, Jose Soorez, Luis Parga e Jose Paulo (perc)
ONCE AGAIN 
New York, março / 1963

NOTA DE FALECIMENTO

Amigos, por um lapso imperdoável, somente ontem, já na Igreja de S. Paulo Apóstolo para a Missa de 7o. Dia, dei-me conta de que não havia feito aqui um aviso do falecimento da mãe do Manim, querido amigo e confrade cjubiano, a Sra. Jacqueline Campello Klein. Sim, ela era irmã do pianista Jacques Klein, que dispensa comentários.
Ao amigo e aos demais, minhas desculpas.
Abraços.

MN (do celular)

16 julho 2012

CANTOR AL JARREAU RECUPERADO

O blog Renajazz informa sobre a apresentação do cantor Al Jarreau no “EDP Cool Jazz Festival” realizado nos Jardins Marquês de Pombal em Oeiras no último dia 8.. 


Otima noticia tendo em vista que Jarreau, há muito pouco tempo cancelou sua apresentação num festival europeu por motivos de saúde, chegando a ser internado em um hospital. 


Pelo descrito, Jarreau foi um dos sucessos da noite.

RARIDADES NA ALEMANHA


Informa o “Noticiero de Jazz” que o selo  alemão “Jazzhousmusik” iniciou uma série de lançamentos de discos inéditos, gravados durante as apresentações de músicos famosos no país. São gravações feitas “ao vivo”, durante os shows de rádio e TV realizados pelos artistas do Jazz. As gravações irão abranger o período ente 1947 até os anos 90. O primeiro suplemento é integrado pela Orquestra de Benny Goodman com Anita O’Day, (1959); o Quinteto de Cannonball Aderley (1969) e o sexteto de Gerry Mulligan  (1977) em apresentação em Sttutgart. Diz a notícia que existem 3.000 horas de gravação . Realmente um tesouro.

13 julho 2012

P O D C A S T # 1 1 1



                              MAJOR / LLULLA / MAX JOHNSTONE









PARA BAIXAR: http://www.divshare.com/download/18787076-61a

12 julho 2012

SAVASSI FESTIVAL

Entre 18 e 29 deste mês vai rolar em Belo Horizonte a 10a. edição desse festival, com pontas-de-lança estratégicas nos dias 26 em São paulo e no dia 27 aqui no Rio de Janeiro, onde se apresentarão os trios de Kenny Werner e Shai Maestro. Distribuído por incontáveis espaços da capital mineira, que abrigarão inúmeros artistas em seus mais diferentes estágios, dos iniciantes até os mais consagrados, além de outras vertentes relacionadas com a arte jazzística, tais como um concurso de fotografias e outro de DJs (seja o que isso for).

Lembro que dentre os Curadores do Festival figura o nosso querido I-Vans, também conhecido como Ivan Monteiro, ao lado de Bruno Braz Golgher e de Bernardo Gondim.

Para informações adicionais, acessem o site do Festival.


DALÉM MAR - JAZZ EM LUANDA





As Sombras e a Luz | Exposição Fotográfica de Rosa Reis

de 23 de Julho a 10 de Agosto 
  Centro Cultural Português - Luanda

Rosa Reis | Vinte e cinco anos de fotografia documental e autoral em ambientes de trabalho em que o homem, a memória e a luz são fonte de VIDA.
 



11 julho 2012

CRÉDITOS PODCAST 110



EXECUTANTES
TEMAS
DATA
COUNT BASIE
ORCHESTRA
Thad Jones, Fortunatus "Fip" Ricard , Sonny Cohn, Al Aarons e Benny Bailey (tp)
Henry Coker Quentin Jackson, Benny Powell e Ake Persson (tb)
Marshal Royal cl,sa   Frank Wess (sa,st,fl),    Eric Dixon (st,fl) Frank Foster (st), Charlie Fowlkes (sax bar)
Count Basie (pi) , Freddie Green (gt), Ike Isaacs (bx) e Louie Bellson (bat)
(*) vocal de Joe Williams
YOU FOR ME
CHERRY POINT
Grona Lund, Stockholm, Sweden, 10 agosto 1962

EDDIE JONES' BLUES
BLEE BLOP BLUES
TEACH ME TONIGHT (*)
ROLL'EM PETE (*)
FLUTE JUICE
SHINY STOCKINS
EVENTIDE  – MAMBO IN e BACKSTAGE BLUES
YESTERDAYS
SIXTEEN MEN SWINGIN'
ONE O'CLOCK JUMP
JUMPIN AT WOODSIDE