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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

22 fevereiro 2012

MAIS, DA PENA DO GRANDE MESTRE

Sofro, assim como outros integrantes deste mural, há tempos, de uma verdadeira "Sindrome de Abstinência" causada pelo distanciamento voluntário do blog do meu primeiro educador para os assuntos de Jazz (e também para outros predicados de vida, diga-se), Mestre Raf. Historicamente, seus artigos em jornais ou revistas sempre me fizeram dar um tempo na correria diária para dedicar-lhes os necessários minutos de atenção, tanto pelo conteúdo, já que sempre trazia novidades não óbvias, quanto pela forma, seu texto ao mesmo tempo leve, conciso, elegante e esclarecedor na medida exata.
É, portanto, com grande alegria que publico este artigo do Mestre sobre big-bands, onde discorre sobre sua evolução e a recuperação do segmento após o seu auge, pós era do swing. Apreciem, e sem moderação!


- RENASCENÇA DAS BIG BANDS E A EVOLUÇÃO DA ORQUESTRA DE JAZZ -

Com o fim da Era do Swing, as big bands deixaram de ser o centro de atenção da música popular americana, porém continuaram a evoluir através de caminhos mais variados e sofisticados, elevando-as aos patamares do jazz moderno.

Isso deveu-se ao vasto talento de vários compositores-arranjadores e band leaders, que utilizaram instrumentações mais variadas e repertórios de maior e melhor conteúdo melódico-ritmico-harmônico, deixando de ser sua prioridade (ao contrário das orquestras da Era do Swing) tocar música de dança para o grande público.

Para compreender melhor essa evolução torna-se necessário retroceder às origens nos tempos da Primeira Guerra Mundial, quando as formações dos maestros James Reese Europe e Art Hickman abriram os caminhos para seu desenvolvimento nos anos 20, influenciando as orquestras de Paul Whiteman, Fletcher Henderson, Duke Ellington e Jean Goldkette devido às contribuições dos compositores-arranjadores Ferde Grofé, Bill Challis, Don Redman, Fletcher e Horace Henderson, Gene Gifford, John Nesbitt e Benny Carter, entre outros.

Por volta de 1935, o terreno foi preparado para o surgimento da Era do Swing, extra-oficialmente inaugurada em 1936, quando a orquestra de Benny Goodman realizou uma temporada triunfal no Palomar Balroom de Los Angeles.

Extra-oficialmente, o término da Era do Swing foi determinado em 1946, quando foram dissolvidas oito das mais populares orquestras americanas. Esse declínio desenrolou-se por vários anos. As razões dessa eclipse foram muito numerosas e complexas para serem narradas aqui, mas as mudanças do gosto musical do povo americano e as dificuldades das condições econômicas do pós-guerra contribuiram decisivamente para afastar do cenário centenas de bandas que reinaram durante o período 1935-1946.

As poucas orquestras sobreviventes - Duke Ellington, Count Basie, Woody Herman, Stan Kenton, Harry James, Tommy Dorsey, Lionel Hampton e Les Brown - tinham algo muito especial a oferecer musicalmente.

Nesse aspecto, a orquestra de Basie foi um caso particularmente interessante para continuar em ação: a partir dos anos 30, em que suas maiores atrações eram seus solistas, evoluiu gradualmente para tornar-se uma formação que chegou aos anos 50 devido à alta qualidade das composições e dos seus arranjadores. Três deles foram os principais arquitetos dessa evolução: Ernie Wilkins, Frank Foster (saxofonista-tenor) e Neal Hefti.

Três outras orquestras famosas da Era do Swing que sobreviveram desenvolvendo um repertório moderno foram as de Harry James, Woody Herman e Les Brown; note-se que o repertório de James foi influenciado pelo estilo orquestral de Basie.

Woody Herman liderou duas das melhores orquestras dos anos 40 pelas contribuições do seu pianista-compositor-arranjador Ralph Burns. Woody continuou liderando sua orquestra com sucesso até seu falecimento em 1987.

Les Brown manteve viva sua orquestra durante anos devido às suas participações semanais no programa da TV do comediante Bob Hope, de grande audiência.

Uma das mais bem sucedidas orquestras dos anos 50 e 60 foi a do trompetista Maynard Ferguson, um virtuoso do superagudo do seu instrumento.

Devido ao interesse do público pela volta das big bands, inúmeros músicos de jazz encontraram nelas um emprego estável, graças à apresentações ao vivo e discos de sucesso.

Uma das orquestras que atraiu as atenções gerais do público americano e das platéias de vários países, foi a de Dizzy Gillespie (1956/1958), que excursionou ao Oriente Médio e à América Latina sob os auspícios do Departamento de Estado Americano.

Ainda nos anos 50 mencionamos as colaborações de Miles Davis e o compositor-arranjador Gil Evans. Sendo um inovador desde os tempos da orquestra do pianista Claude Tornhill na década de 40, Evans modificou a instrumentação da orquestra de jazz obtendo uma soberba série de coloridos tonais e harmônicos iniciada nas gravações inovadoras com Miles Davis em Birth of the Cool (1948-1950), e prosseguindo com a trilogia "Miles Davis + 19", "Sketches of Spain" e "Porgy and Bess".

Provavelmente a orquestra mais influente de todas surgidas a partir dos anos 60 foi co-liderada pelo trompetista-compositor-arranjador Thad Jones e o baterista Mel Lewis, com uma vitoriosa trajetória por mais de 30 anos no conhecido clube noturno Village Vanguard, em New York, além de inúmeras gravações de elevado teor criativo nos terreno da composição e do arranjo.

Inúmeras e importantes big bands surgiram a partir dos anos 60, entre elas as do baterista Kenny Clarke em parceria com o pianista-compositor-arranjador Francy Boland, do pianista suiço George Gruntz, do saxofonista inglês Johnny Dankworth e do saxofonista-compositor-arranjador Bill Holman.

Embora as grandes orquestras não sejam mais o foco da música popular americana, elas continuam atuantes em concertos, festivais e gravações.

Deve-se acentuar que, a partir dos anos 60, em 8.000 universidades americanas foram criados Departamentos de Jazz sob a direção de renomados músicos de jazz estimulando milhões de jovens a tocarem a extraordinária "música dos músicos".

Por José Domingos Raffaelli


Ótimo, não? Aguardem outros artigos em breve.

2 comentários:

Edison Junior disse...

Grande texto! Abraços!

Beto Kessel disse...

Sempre bom ler textos de Jose Domingos Rafaelli.

Beto