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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

17 janeiro 2012

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 18



WILLIAM (Bill) HENRY BAUER, artisticamente BILLY BAUER, guitarrista norte-americano, nasceu em 14/novembro/1915 no Bronx, New York; com apenas 09 anos de idade, aprendeu a tocar banjo e ukelelê de forma auto-didata.

Com 14 anos começou a tocar nos bares clandestinos de New York, os “speak-easys”, bares ou botecos a maior parte dos quais clandestinos, gerados desde o início do século XX nos U.S.A. e, à época, servindo até a madrugada bebida proibida – mas devidamente “batizada” - em função da “Lei Seca”.
Observamos aqui que a “Lei Seca” nos U.S.A. foi editada em 16 de janeiro de 1919 (ratificada pela 18ª Emenda à Constituição), entrou em vigor 01 ano depois, em 16 de janeiro de 1920 durante o 2º mandato do 28º Presidente americano, Woodrow Wilson, tendo sido abolida em 05 de dezembro de 1933 (21ª Emenda à Constituição), durante o 1º mandato do 32º Presidente, Franklin Delano Roosevelt; vale dizer que a “Lei Seca” permaneceu em vigor por praticamente 14 anos.
BILLY BAUER passou a apresentar-se em rádio do Bronx e adotou a guitarra como seu instrumento, tendo como orientador o guitarrista Allan Reuss. Formou e comandou um quarteto utilizando guitarra com amplificação (estamos no período de 1933 a 1936).
Atuou na banda de Jerry Wald em 1939 (somente a partir de 1941 Wald assumiu certa constância e projeção enquanto “big band”, com arranjos de Ray Conniff e Jerry Gray, chegando a gravar para os selos Decca, Majestic e Columbia), assim como nas formações de Dick Stabile (cujo tema de apresentação era o delicioso “Blue Nocturne”, teve como uma de suas vocalistas Paula Kelly e que anos mais tarde atuou no “The Dean Martin and Jerry Lewis Show”) e de Abe Lyman (que tinha como prefixo e sufixo, respectivamente, “Califórnia, Here I Come” e “Moon River América”, gravou para a Brunswick, para a Decca e para a marca Bluebird, na realidade um selo “econômico” da RCA - ao longo de sua permanência teve, entre outros, músicos do calibre de Carmen Cavallaro, Jake Garcia, Fred Ferguson, Bill Clark e Si Zentner).
Essas experiências iniciais permitiram a BAUER melhorar consideravelmente sua técnica e sua permanência na "estrada".
Em 1941 ingressou na orquestra de Carl Hoff (cuja importância praticamente limita-se ao fato de nela ter atuado BILLY BAUER, onde gravou seu primeiro solo para o selo “Okeh”).
Ao lado do magnífico “Flip” Phillips formou novo conjunto, para incorporar-se seguidamente à banda de Woody Herman de 1942 até 1946 (o “first herd” – o “primeiro rebanho” de Herman). Então já era músico reputado, sendo clara a influência direta de Charles Christian.
Sempre em New York atuou com Benny Goodman, com Jack Teagarden e em pequena formação com Chubby Jackson e Bill Harris.
Uniu-se ao famoso grupo experimental de Lennie Tristano e Lee Konitz, uma das bases mais importantes para a consolidação do “cool jazz”.
Aqui fazemos um parênteses para assinalar que BILLY BAUER gravou em diversas ocasiões com Charlie Parker, as primeiras delas em 13 e 20 de setembro de 1947 no “Estúdio Mutual” de New York e integrando os “All-Star Metronome Jazzmen” de Barry Ulanov, formado na ocasião por Dizzy Gillespie (trumpete), Parker (sax-alto), John LaPorta (clarinete), Lennie Tristano (piano), Ray Brown (baixo), Max Roach (bateria) e, claro, BILLY BAUER à guitarra.
Nesse mesmo ano e no mesmo local (com transmissão radiofônica pela “U.S.Treasury”) o grupo de Barry Ulanov foi ligeiramente modificado, com Fats Navarro substituindo Gillespie, incorporado ao grupo Allen Eager (sax-tenor), além de alterações na “cozinha” = Tommy Potter no baixo e Buddy Rich na bateria. Essa gravação / transmissão possui incalculável valor jazzístico, já que contou, também, com a “divina” Sarah Vaughan em dois dos temas executados.
Em 03 de janeiro de 1949 BILLY BAUER voltou a gravar com Parker, desta feita no “Estúdio da RCA” em New York, integrando os “Metronome All-Stars” (vencedores da enquete de 1948 da revista “Metronome”, sendo certo que BILLY BAUER foi vencedor de diversas outras enquetes posteriores, tanto dessa publicação quanto da concorrente “Down Beat”), com uma formação verdadeiramente “all-stars”: Dizzy Gillespie, Fats Navarro e Miles Davis nos trumpetes, J.J.Johnson e Kai Winding nos trombones, Parker, Buddy DeFranco, Charlie Ventura e Ernie Cáceres às palhetas e uma “cozinha” com BILLY BAUER, Lennie Tristano, Eddie Safranski e Shelly Mane.
Somente anos mais tarde, em 1954 e em uma das últimas gravações de Charlie Parker, BILLY BAUER gravará outra vez ao lado de “Bird”, no “Estúdio Fine Sounds” de New York e para o selo VERVE, do produtor Norman Granz.
Fechado esse parênteses retornamos ao ano de 1950, em que BILLY BAUER ministra aulas no “New York Conservatory Of Modern Music” e a partir de 1953 passa a atuar em diversos programas da rede radiofônica da NBC, assim como em espetáculos da Broadway e para a televisão na banda de Bobby Byrne para o “Steve Allen Show”.
No ano de 1958 junta-se a Benny Goodman, em feliz reencontro para temporada européia na “Exposição de Bruxelas”.
De regresso a New York, em 1959 BAUER faz breve e brilhante temporada ao lado de Lee Konitz no “Half Note”.
De 1961 até 1963 organizou formação própria e apresentou-se em Long Island.
Passou a excursionar com o grupo “Ice Capedes” (espetáculos sobre o gelo) para, em 1970, inaugurar sua própria escola de guitarra em New York, onde organiza o “Guitar Players Club”.
No final de sua carreira BAUER apresentou-se no “JVC de 1997”, em tributo a Barney Kessel e a Tal Farlow, liderando grupo ao lado de Jimmy Raney e do então iniciante Joe Satriani.
Escreveu alguns livros sobre seu instrumento e sua técnica, destacando-se “Basic Guitar Studies” e sua auto-biografia “Sideman”.
Já foi assinalado mas ampliamos o fato de que BILLY BAUER tocou e gravou com muitos músicos “top” do JAZZ, tais como Charlie Parker, Lennie Tristano, Warne Marsh, Lee Konitz, Miles Davis, J.J.Johnson, Flip Phillips, Jack Teagarden, Bobby Hackett, Al Cohn, Woody Herman, Dizzy Gillespie e tantos e tantos outros.
Com sua guitarra foi músico inicialmente filiado ao movimento “bebop”, mais pela presença e lógica influência de outros músicos desse movimento, para identificar-se posterior e claramente ao “cool jazz”, onde fincou âncora como um dos seus mais legítimos representantes.
Possuidor de técnica superior, BILLLY BAUER revela a influência do notável pianista Lennie Tristano, do qual foi um dos mais importantes e brilhantes alunos, desfilando em seus solos longas, sinuosas, complexas e flutuantes linhas melódicas, com acordes dissonantes, uma sonoridade que podemos definir como “etérea” e um fraseado muito refinado.
Como acompanhante é importante ouvi-lo na seção rítmica da banda de Woody Herman, ao lado de Chubby Jackson no baixo e Dave Tough na bateria (mais tarde Don Lamond), onde executa os acordes tal como um pianista ou um naipe de metais.
Algumas das gravações em que podemos ouvir a maestria de BILLY BAUER e apenas como exemplos são:
- Blowin’Up A Storm, com a banda de Woody Herman, de 1946;
- Igor, com a mesma banda e do mesmo ano;
- Subconscious Lee, com Lennie Tristano e Lee Konitz, de 1949
- Rebecca, com Lee Konitz, de 1950;
- Topsy de 1956;
- Blues For Trombones, com J.J.Johnson e Kai Winding, de 1954;
- It’s A Blue World, de 1956.
BILLY BAUER veio a falecer pouco antes de completar 90 anos, no dia 24 de junho de 2005, mesmo mês e ano do falecimento da grande atriz Anne Bancroft (lembra-se aqui o clássico “A Primeira Noite de Um Homem”).


Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
apostolojazz@uol.com.br

4 comentários:

MauNah disse...

Apóstolo, se não fosse por voc~e, nunca teria ouvido falar de Billy Bauer!
Não é à tôa que este é um blog de "educators" do jazz. Grande artigo, já estpo correndo atrás dos trabalhos do B.B.
Abração

MaJor disse...

Ótimo guitarrista, boa lembrança para programá-lo em um PODCAST, valeu Apóstolo.

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo!
Bom encontrar um post seu por aqui.
De logo, peço sua autorização para usá-lo em minhas pesquisas sobre o Bauer, cujo disco Plectrist é um dos meus preferidos!
Um fraterno abraço.

APÓSTOLO disse...

Estdimado ÉRICO CORDEIRO:

Costumo afirmar que qualquer informação sobre JAZZ não pode ser exclusividade de ninguém, menos ainda quando a finalidade é para o próprio JAZZ, em textos como os seus que ilustram, divulgam, melhoram o conhecimento = "confesso que lí".