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06 julho 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 09

James Stanley Hall, JIM HALL, nasceu em Búfalo, Nova York, no dia 04 de dezembro de 1930 e no seio de uma família de músicos: o pai era violinista, a mãe pianista e um dos tios guitarrista.
Esse tio guitarrista foi o primeiro professor de JIM HALL, quando este contava nada mais que 10 anos e já desde o início demonstrando aptidão para o instrumento. Importante assinalar que já nessa tenra idade começou a ouvir as gravações do guitarrista Charles Christian e dos saxofonistas Zoot Sims e Bill Perkins, o que influenciou seu aprendizado.
Também bastante jovem fez suas primeiras incursões profissionais, tocando com orquestras de baile dos 13 aos 15 anos.
Sua família mudou-se para Cleveland em 1946 e JIM HALL ingressou no “Cleveland Institute Of Music”. A esse estudo formal o jovem JIM associou por conta própria permanente e intenso aperfeiçoamento de sua técnica à guitarra. Nessa mesma época tomou conhecimento de Django Reinhardt, interessando-se profundamente pelo “sabor cigano” da música do belga.
No 1º semestre de 1955 e ante as poucas oportunidades profissionais oferecidas em Cleveland, JIM HALL mudou-se para Los Angeles, onde passou a trabalhar, simultaneamente com o prosseguimento de seus estudos musicais, estes com o guitarrista clássico Vincente Gómez.
Integrou o quarteto de Bob Hardway (sax.tenorista que alcançou alguma projeção), a “Big Band” de Ken Hanna (nascido em 08/julho/1921 e que foi arranjador para as bandas de Stan Kenton e de Charlie Barnet) e o octeto de Dave Pell (nascido em 26/fevereiro/1925, sax.tenorista do Brooklyn e que chegou a integrar a banda de Les Brown, onde esteve Doris Day como vocalista). Com a banda de Ken Hanna ocorreu a primeira participação em gravação de JIM HALL.
Por recomendação do compositor e executante de corno francês John Graas (14/outubro/1924 a 13/abril/1992, integrante do movimento de JAZZ da “west coast”) foi contratado pelo baterista e líder Chico Hamilton, no quinteto do qual permaneceu durante quase 02 anos, ganhando prestígio e reconhecimento do público e da crítica.
Retornou aos estudos musicais na “School Of Jazz” de Lenox até 1959, ocasião em que obteve expressivo contrato para ingressar no trio do multi-instrumentista Jimmy Giuffré.
É importante destacar que com esse trio participou do magnífico documentário “Jazz On A Summer Day”, além de popularizar o tema “The Train And The River”. Nesse contexto foram gravados inúmeros álbuns para o selo Atlantic.
Ao lado do pianista John Lewis e por essa época, JIM HALL foi personagem de algumas obras emblemáticas da denominada “Third Stream” (a “Terceira Corrente” do JAZZ).
Por influência de Jimmy Giuffré foi incluído já no verão de 1959 para extensa turnê européia, integrando mais uma das “caravanas” do empresário e produtor Norman Granz (lembrar das atiquetas Clef, Pablo, Verve e Norgran), o “JATP - Jazz At The Philharmonic”.
No período de 1960 a 1961 atuou em duo com o saxofonista Lee Konitz, seguindo-se extensa e intensa colaboração com o também saxofonista Sonny Rollins, com o qual permaneceu até o início de 1962, ocasião em que participou da gravação dos clássicos álbuns de JAZZ “The Bridge” e “What’s New?”.
Gravou pela etiqueta Blue Note, em dueto com o “poeta” do teclado Bill Evans, o magnífico álbum “Undercurrent”.
Seguiram-se apresentações, temporadas e concertos com Zoot Sims, Bill Evans, Paul Desmond e Gerry Mulligan.
A partir desse momento e até 1964 atuou simultaneamente com (A) o quarteto do trumpetista Art Farmer, (B) em trio com Tommy Flanagan (o trio era completado no contrabaixo com Percy Heath ou com Ron Carter) e (C) no trio completado por Red Mitchell e Colin Bailey.
Em função de enfermidade por esgotamento recolheu-se em New York para dedicar-se a trabalhos para a televisão, atuando à guitarra apenas esporadicamente e em duo com os contrabaixistas Jack Six e Ron Carter.
Em 1967 e por ocasião do “Guitar Workshop” no Festival de Berlim, o crítico de JAZZ Joachim Berendt proporcionou a JIM HALL sua segundo gravação como “titular”, o que libertou-o da perda de exposição motivada pelo recolhimento anterior; JIM HALL retornou às gravações, aos concertos, às temporadas em clubes, a apresentar-se em festivais de JAZZ e ao magistério particular.
Foi importante a participação de JIM HALL na temporada pela América do Sul, acompanhando a grande Ella Fitzgerald, ocasião em que esteve no Brasil e apresentou-se no Rio de Janeiro em 02 ocasiões, a primeira na TV TUPI em 28/abril e a segunda no hotel Copacabana Pálace em 01/maio/1960, com a seguinte formação: Ella Fitzgerald (vocal), Roy Eldridge (trumpete), Paul Smith (piano), JIM HALL (guitarra), Wilfred Midlebrooks (baixo) e Gus Jonson (bateria). Essa excursão proporcionou a JIM HALL seu primeiro contato com a Bossa Nova, podendo afirmar-se que ele foi dos primeiros e introduzir o gênero nos U.S.A.
JIM HALL realizou dezenas de temporadas no exterior, em particular na Europa em 1964 com o grupo de Art Farmer, no Japão, nos festivais de JAZZ de Berlim (1969), Concord (1973), Monterrey (1974) e Newport (1968, 1970, 1972, 1973, 1975).
No "Festival de JAZZ" de Úmbria/Itália de 1985 ocorreu uma “Berklee Night”, comemorando o cinqüentenário do “Berklee College Of Music” de Boston e o 10º aniversário das “clínicas” dessa instituição no “Umbria Jazz”. Nessa ocasião JIM HALL foi laureado com a insígnia “Honoris Causa”, ao lado de outros “mestres” do JAZZ: Ray Brown, Gary Burton, Milt Jackson, Johnny Griffin e Joe Zawinul.
JIM HALL, com sua personalidade de exemplar discrição, é um mestre maior das 06 cordas, apurada maestria instrumental que jamais exibe “virtuosismos” técnicos, caracterizando suas execuções por linhas melódicas inspiradas e uma torrente de harmonias sutis, sempre aproximando seu som ao da guitarra acústica. Suas apurada e sensível audição e musicalidade o colocam muito acima e além de tantos outros guitarristas, pela elaboração de frases com um sempre renovado e espontâneo frescor: é um desenhista da beleza !
Como um lembrete resumido das muitas gravações desse guitarrista ímpar, listamos:
· “Spectacular”, 1955, com Chico Hamilton;
· “Crazy She Calls Me”, 1956, com Jimmy Giuffreé;
· “My Funny Valentine”, 1959, com Bill Evans;
· “Time After Time”, 1959, com Paul Desmond;
· “The Bridge”, 1962, com Sonny Rollins;
· “What’s New”, 1962, também com Sonny Rollins;
· “Waltz New”, 1978;
· “Poor Butterfly”, 1986.
Uma boa apreciação da arte musical de JIM HALL pode ser feita no DVD “Sonny Rollins & Jim Hall – The Bridge”, total de 50 minutos a cores pelo selo “Salt Peanuts” (a imagem não é mais que regular, mas o som em mono foi inteiramente bem preservado).
Rollins e JIM HALL ao lado de Bob Cranshaw / baixo e Bem Riley / bateria apresentam-se nos temas “The Bridge”, “God Bless The Child” e “If Ever I Would Leave You”, em San Francisco no dia 23 de março de 1962.
No mesmo DVD temos também JIM HALL ao lado de Art Farmer / trumpete, Steve Swallow / baixo e Walter Perkins / bateria no clássico de Alter e Trent “My Kinda Love”.
Esse DVD traz ainda Sonny Rollins em outra formação em mais 02 temas, sendo o segundo o seu carro-chefe “St. Thomas”.

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo

4 comentários:

Nelson disse...

Mestre "Apóstolo"

Jim Hall gravou em Agôsto de 1955 como o quinteto de Chico Hamilton, um LP para a Pacific Jazz nºPJ 1209, conhecidíssimo e "simplesmente imperdível", juntamente com Buddy Collete aos saxofones (alto e tenor) clarinete e flauta, Carson Smith ao baixo,Fred Katz ao cello. A participação de Hall interando com Fred e Buddy é uma obra ímpar na música de jazz. Alguns - na época - consideravam o disco como "jazz de câmera".
Espetacular resenha, de mais um célebre da guitarra no jazz moderno.
Thank you

"Nels"

Beto Kessel disse...

Num dos testes do programa Arte Final Jazz, da JB AM, ganhei um album da Blue Note, que tinha Jim Hall, Michel Petruciani e Wayne Shorter - POWER OF THREE....

Gosto de ouvir Jim Hall. melodista de primeira.

Beto Kessel

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
Mais um craque enfocado.
Gosto muito do Concierto, possivelmente o disco mais lírico gravado nos anos 70, com as presenças ilumunadas de Chet baker e Paul Desmond e grande elenco.
Abração!

Nelson disse...

Meu prezado "Apóstolo",

Analizando o LP da Pacific que comentei acima, é onde consta a faixa "Spectacular" a qual v. se refere, no corpo de sua postagem, como gravações importantes de Hall.
Abçs.
"Nels"