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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

02 junho 2011

O “Jazz em preto e branco”


Toda arte trás em seu bojo o “espírito popular” que a origina e, nisso, as considerações, de caráter social, religioso e econômico, predominantes nas épocas pelas quais atravessa. Assim sendo, o jazz como sendo a única arte genuinamente popular norte-americana, não poderia fugir a isso, onde a tristeza advinda do “blues”, cantado pelo negro trazido como submisso para uma sociedade mandatária branca, sofreria dos aspectos competitivos dessa influencia política e social dominantes. Tanto socialmente em si, como em seus aspectos de execução, divulgação e, pelas próprias situações econômicas de vida atravessadas pelos Estados Unidos da América do Norte, influenciaram o jazz onde o mesmo se originou como arte.
Da antiga Nova Orleans, através das passagens mais características por Chicago, Cidade do Kansas e, às modernas Nova York e a São Francisco, o jazz sofreu tratamentos de estilos, considerações de elevação social e de natureza dos participantes executantes, em seus primordiais 70 anos de (1900 a 1970), influenciado pelas desigualdades de natureza sócio-econômicas, que vieram a se tornar mais amenas em relação à discriminação do negro e sua elevação no “status” social, ocorrida somente à partir dos anos 70 e 80 do século passado.
Com isso, para todo Louis Armstrong far-se-ia surgir um Bix Beiderbecke ou, mesmo para todo Charlie Parker ir-se-ia incentivar um Art Pepper. Como a originalidade da arte do jazz é negra, a competitividade branca se fazia notar a cada movimento, mesmo quando – marcantemente – Benny Goodman teve a “ousadia” de, nos anos 30, colocar Teddy Wilson a seu lado como pianista, no mesmo palco. As barreiras da exeqüibilidade pública conjunta poderiam estar quebradas, mas o sentimento racista - de ambas as partes – não funcionava, comercialmente, dessa forma. Portanto, numa loja de discos em Chicago que você entrasse, nos anos 60, para comprar um disco da banda de Count Basie era, mais que provável, que lá não encontrasse nada da banda de Woody Herman – e, ao contrário em uma outra loja. Hoje, após mais de meio século decorrido, graças ao progresso humano, as situações arraigadas se modificaram, em benefício da arte e, de todos nós. Abaixo uma cena conhecida, de caráter naturalmente jocoso, entre os dois grandes bateristas, de saudosa memó-ria, Max Roach e Shelly Manne, que “subliminarmente” ilustram as suas proeminências não só instrumentais mas também raciais, em um simulado duelo de esgrima com baquetas, quando em 1953 ambos atuaram no “Lighthouse Cafe” de Hermosa Beach, na Califórnia (USA).

2 comentários:

MaJor disse...

Excelente postagem meu caro, é isso aí. Tenho um vídeo documentário no qual Dave Brubeck relata que um músico negro lutou na 2a. guerra pelos EUA e ao dar baixa e voltar para casa, na sua cidade, não o deixaram entrar em um restaurante. Tinha ido lutar também por aqueles brancos que agora negavam serví-lo, apenas uma comida!!!

APÓSTOLO disse...

Prezado NELSON:

É sempre muito bom mostrar para todos uma história/estória tão plena de nuances, lutas e conquistas.
Dentre as muitas conquistas, a maior de todas foi a da extinção, pelo menos parcial, de alguns preconceitos, tópico em que o JAZZ foi soberano.
Parabéns ! ! !