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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

31 maio 2011

RIO DAS OSTRAS JAZZ E BLUES

Mais uma edição do Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras, a nona edição. E como sempre a edição deste ano nos traz nomes de grande valor do jazz, da música instrumental e do blues. Particularmente, uma das  melhores edições deste festival.
Ainda um privilégio nosso do RJ, desvalorizado pelas políticas culturais que vem se arrastando por alguns anos. Hoje é, indiscutivelmente, o maior festival do país com produção, organização e infra-estrutura impecaveis em um festival completo que tem tudo para agradar os mais variados ouvidos. E esta edição teve destaque nas páginas da revista Downbeat, correndo mundo afora.
Feliz de quem gosta da boa música, colocando os rótulos de lado.

O evento acontecerá entre os dias 22 e 26 de junho, de quarta-feira até domingo, são cinco dias de shows gratuitos e consolida definitivamente o quarto palco do festival, a praça São Pedro, no centro da cidade, onde se apresentarão novos grupos e cujos shows serão sempre às 11 da manhã. É som o dia inteiro em sequência nos palcos da Lagoa de Iriry às 14hs, na praia da Tartaruga às 17hs e a partir das 20hs no palco principal de Costazul estendendo até a madrugada.

Esta edição está bem focada no jazz e no instrumental e passarão pelos palcos Nicholas Payton, Roberto Fonseca, Jose James, Jane Monheit, Yellowjackets, Saskia Laroo, Medeski, Martin & Wood com o saxophone de Bill Evans e a nossa música instrumental representada pelo Azymuth, Léo Gandelman, Ricardo Silveira e Thiago Ferté.
Na frente do blues e rock esta edição também promete com as apresentações da Tommy Castro Band e Bryan Lee e nossos brazucas Igor Prado, Nuno Mindelis, Blues Groovers e o guitarrista Cristiano Crochemore.

E como acontece todos os anos, o festival abre com a Orquestra Kuarup tendo a frente o sax e a flauta de David Ganc que leva ao palco os jovens talentos locais.
E a noite de abertura já promete agitação com a apresentação do guitarrista Igor Prado, reconhecido internacionalmente quando o assunto é Blues. Prova disso é quando estive em abril último no Tampa Bay Blues Festival ao encontrar um dos representantes da revista Blues Revue e sua surpresa ao saber que eu era do Brasil e o primeiro nome referência que ele disse foi o guitarrista Igor Prado. Tem marcante no seu estilo  o que conhecemos como o jump blues, em sinônimo ao swing que predominava na segunda metade dos anos '40, aqui na forma rhythm & blues com maquiagem rock´n´roll vintage e o recheio de muito balanço. É um guitarrista espetacular, não precisa de comentários, além de ser canhoto e como dizem os entendidos - o som da mão esquerda “sempre soa diferente”. É pra incendiar a noite de abertura, um show imperdivel !

O cantor Jose James é uma atração mais que esperada. Cantor com jeitão de rapper mas de uma sonoridade impressionante e que faz você lembrar de Johnny Hartman quando se envolve na atmosfera do jazz. Em seu último trabalho com o pianista Jef Neve, For All You Know (Verve, 2010), faz duo de piano e voz interpretando standards do jazz de forma espetacular; e tem levado adiante seu projeto em quarteto denominado Facing West que celebra a música de John Coltrane. Se destaca no meio de tantos outros cantores de peso em atividade como Kurt Elling e Kevin Mahogany e promete um show espetacular nos palcos da Tartaruga e em Costazul.
O trompetista Nicholas Payton traz a bagagem de seus oito álbuns gravados e um Grammy ('97). É parte da nova geração de trompetistas surgida na era fusion mas que sempre colocou o jazz na linha de frente, não a toa foi integrante do super grupo SF Jazz Collective. Vem com seu grupo denominado Sexxxtet liderado por ele ao trompete e na sua formação base Johnaye Filelle Kendrick voz, Lawrence Elliot Fields piano, o gigante Robert Hurst contrabaixo, Rolando Guerro congas e percussão e Karriem Rigins bateria - provavel formação neste festival. Bem diferente do seu último trabalho lançado intitulado Into the Blue (Nonesuch, 2008) com foco mais intimista. Atualmente está concluindo seu nono álbum chamado Bitches, lançamento pela Concord, em referência ao polêmico mas brilhante Bitches Brew de Miles Davis. Payton afirma que, como o álbum de Miles, quer quebrar rótulos em relação ao que é jazz e dar um novo panorama deste cenário que vemos por aí. É o que deve rolar por aqui. Já gostei!
Outra atração que vai empolgar é o pianista cubano Roberto Fonseca. Latinidade associada ao jazz de forma explosiva colocando a improvisação em primeiro plano e vai estremecer a noite de sexta-feira.
Não se prende a rótulos, como ele mesmo afirma, diz gostar da música negra americana, da música clássica, do pop e do jazz e não se considera um músico exclusivamente jazzista. Mas quem ouviu seu último trabalho em trio ao vivo intitulado Live in Marciac (Enja, 2010) vai rezar para que ele faça o mesmo por aqui. Apresentação imperdível !
A voz açucarada de Jane Monheit é outra atração que vai agradar o público. Espero muito que ela mantenha o foco em uma apresentação mais jazzy e uma opinião em primeira pessoa - que não cante em português! Vai na sequência do cantor Jose James, o que já a impõem uma grande responsabilidade.

Na seara fusion, o organ trio do Medeski, Martin & Wood vai colocar fogo e traz como convidado especial o saxofone de Bill Evans, que cresceu no mundo do jazz-rock e foi doutrinado por Miles Davis em sua fase elétrica e por John McLaughlin na recriação da Mahavishnu  nos anos 80. O trio alavancou um novo público jovem e entusiasmado com a música instrumental, o som dos anos 90, alimentado com o soul-funk e a eletrônica e isso é de grande valor pois amadurece o ouvido da garotada e serve como ponte para a música de qualidade. Essa onda groove chamou a atenção do guitarrista John Scofield com quem gravou A Go Go (Polygram, 1997) e Out Louder (Indirecto, 2006) e ano passado realizou um concerto no Japão que surpreendeu o público com uma formação acústica e um repertório bem mais jazz cujo registro está no disco The Stone Issue Four, Live in Japan. Podemos esperar uma boa surpresa aí !
A novidade é a trompetista alemã Saskia Laroo. Conhecida como "Lady Miles of Europe", seu som navega das águas do jazz, vide seu disco intitulado Jazzkia (Laroo Records, 1999) onde interpreta somente standards, até a onda fusion onde ela mescla elementos do funk e hip-hop. Fica difícil prever que tipo de som será apresentado mas é certeza de que vai agitar o público nos palcos de Costazul e na Lagoa de Iriry.
Yellowjackets já é conhecido do público e vem celebrar os 30 anos do grupo e o repertório do seu último disco intitulado Timeline (Mack Avenue, 2011) que resgatou a participação mais que especial do guitarrista Robben Ford em um tema. Só a presença no palco do sax de Bob Mintzer, baixo elétrico de Jimmy Haslip, os teclados de Russel Ferrante e a bateria de Willian Kennedy já vale o show.

O instrumental brasileiro estará muito bem representado. O guitarrista Ricardo Silveira provavelmente vai reviver os bons momentos da carreira seguindo o lançamento do disco Até Amanhã (Adventure Music, 2010) onde faz uma nova leitura de temas dos seus dez discos gravados. É um guitarrista do nosso primeiro time e espero que venha abraçado com sua hollow body (guitarra semi-acústica das gorduchas) e se apresentará com seu trio habitual formado por Romulo Gomes no contrabaixo e Andre Tandeta na bateria mais o auxilio luxuoso do trompete de Jesse Sadoc e do sax de Marcelo Martins. Vai ser um show e tanto!
O trio Azymuth é um ícone da nossa música instrumental e vem reforçado com o sax de Leo Gandelman; e quando essa turma resolver tocar todo mundo tem que estar presente porque é garantia de música de qualidade. Dos novos talentos, Thiago Ferté representa muito bem a nova geração de saxofonistas e foi a sensação na última edição do Festival de Jazz do Rio em janeiro último promovido pela Sala Baden Powell quando se apresentou  com seu grupo formado por Alex Rocha contrabaixo, Bernardo Bosisio guitarra e Xande Figueiredo bateria, provavel formação deste show.

Na seara blues, Tommy Castro é a aposta de um grande show. Assisti sua apresentação no Tampa Bay Blues Festival este ano e foi um show arrasador, uma banda impecável com a adição de metais que dá uma atmosfera mais soul-funk na apresentação. Guitarrista premiado pelos leitores da revista Blues Wax e pelo  Blues Music Awards, que celebra os nomes do Blues todos os anos em Memphis, onde foi premiado em 2008 com seu álbum Painkiller (Bling Pig, 2008) com o título de Album of the Year e levou quatro premiações em 2010 pelo álbum Hard Believer (Alligator, 2010) - Band of the Year, B.B. King Entertainer of the Year, Contemporary Blues Artist of the Year e Contemporary Blues Album of the Year; além de ser a capa da revista Blues Revue na edição comemorativa de 20 anos em janeiro último. Vai agitar o público na tarde de sexta na Lagoa de Iriry e no fechamento da noite de sábado em Costazul. Se eu fosse voce não perdia esse show por nada!
O guitarrista Bryan Lee é um dos mais reconhecidos nomes do cenário blues de New Orleans. Fã de Muddy Waters e Howlin' Wolf, perdeu a visão aos 8 anos de idade e cresceu ouvindo blues nas rádios, se entregando a guitarra aos 13 anos. Pelo fato de ser branco, teve muita dificuldade de ingressar no mundo blues de Chicago onde muitas vezes recebia como resposta de que “não contratavam músicos de blues brancos para tocar”, apesar de todos o reconhecerem como um bom guitarrista. Deu a volta por cima, mudou-se para New Orleans em '82 e hoje tem o reconhecimento de ninguém menos que Buddy Guy. Em sua discografia, teve seu álbum Katrina is Her Name (Justin Time, 2007) indicado para premiação do Blues Music Awards. Fecha com chave de ouro a noite de quinta-feira no palco de Costazul.
Além de Igor Prado, o Blues nacional marca presença com o guitarrista angolano-brasileiro Nuno Mindelis, que tem estilo muito particular pois não faz uso de palheta. Seu último disco, Free Blues, inseriu a eletrônica em cima dos clássicos do blues como Messin with the Kid, Thrill is Gone e Red House, entre outras. Polêmicas a parte, o resultado deu uma sonoridade bem diferente. Fecha a noite de sexta-feira, só nos resta conferir!
E quem ainda não assistiu ao Blues Groovers nas noites de terças no Lapa Café (RJ) não sabe o que está perdento. O grupo é formado pelo guitarrista Otavio Rocha, o baterista Beto Werther e traz para o  festival o baixo de Ugo Perrota e o guitarrista Cristiano Crochemore. Vão se apresentar na palco dos novos talentos na Praça São Pedro na sexta-feira e é promessa de uma jam de blues da melhor qualidade.

E ainda os novos talentos que se apresentarão no palco da Praça São Pedro - Rodrigo Nézio & Duocondé Blues que apresenta clássicos do blues, o grupo instrumental Maracá e a Orleans Street Band que vai animar as ruas de Rio das Ostras e os intervalos dos shows.

A Programação –

22 de junho, quarta-feira
Palco Costazul, 20h : Orquestra Kuarup, Orleans Street Jazz Band, Igor Prado Blues Band

23 de junho, quinta-feira
Praça São Pedro, 11h30 : Grupo Maracá
Lagoa de Iriry, 14h15 : Nuno Mindelis
Tartaruga, 17h15 : Jose James
Palco Costazul, 20h : Ricardo Silveira, Saskia Laroo Band, Azymuth e Léo Gandelman, Bryan Lee

24 de junho, sexta-feira
Praça São Pedro, 11h30 : Blues Groovers & Cristiano Crochemore
Lagoa de Iriry, 14h15 : Tommy Castro Band
Tartaruga, 17h15 : Nicholas Payton Sexxxtet
Palco Costazul, 20h : Jose James, Jane Monheit, Yellowjackets, Nuno Mindelis

25 de junho, sábado
Praça São Pedro, 11h30 : Rodrigo Nézio & Duocondé Blues
Lagoa de Iriry, 14h15 : Saskia Laroo Band
Tartaruga, 17h15 : Yellowjackets
Palco Costazul, 20h : Roberto Fonseca, Nicholas Payton Sexxxtet, Medeski, Martin & Wood e Bill Evans, Tommy Castro Band

26 de junho, domingo
Praça São Pedro, 11h30 : Thiago Ferté Quarteto
Lagoa de Iriry, 14h15 : Bryan Lee
Tartaruga, 17h15 : Medeski, Martin & Wood e Bill Evans

Mais informações em www.riodasostrasjazzeblues.com




4 comentários:

Beto Kessel disse...

Guzz,

Bela apresentacao do eu vai rolar em Rio das Ostras.

Dsde ja, torco para que alguem poste no youtube o som do quinteto liderado pelo Ricardo Silveira...

A sonoridade promete...

Abracos,

Beto Kessel

John Lester disse...

Vamos?

Grande abraço, JL.

Guzz disse...

estarei lá, prezado John Lester!
apareça!
abs,

figbatera disse...

É, amigo Guzz, a programação promete...
Vamos conferir!