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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

14 maio 2011

ALGUMAS POUCAS LINHAS SOBRE A
GUITARRA E OS GUITARRISTAS - 04

Charles Lee Byrd, CHARLIE BYRD, nasceu em 16 de setembro de 1925 no povoado de Chuckatuck (ao lado da cidade de Suffolck), estado da Virgínia, vindo a falecer em 30 de novembro de 1999, de câncer e em sua casa, em Annapolis, estado de Maryland.


Guitarrista e compositor, notabilizou-se pela aplicação das técnicas da guitarra acústicas no JAZZ, assim como por contribuir para a difusão da “Bossa Nova” no cenário musical americano.


BYRD cresceu e foi educado em sua família, um reduto musical, e seu pai, executante de inúmeros instrumentos de corda, ensinou-lhe a tocar a guitarra a partir dos 10 anos de idade; BYRD dedicou-se com afinco à prática e ao estudo da guitarra, de tal forma que ainda bem jovem já tocava em bailes na sua escola.


Alistou-se e serviu na 2ª Grande Guerra na Infantaria, vivendo boa parte do período da guerra na Europa.


Foi na banda militar que ouviu falar de Django Reinhardt, o grande guitarrista cigano, dono de técnica invejável e peculiar (em conseqüência de incêndio na carroça cigana em que vivia, que lhe deixou cicatrizes nos dedos anular e mínimo da mão esquerda); da informação à emoção, na França BYRD chegou a tocar em uma “Jam” com Django, a partir de então seu ídolo indiscutível.


Retornou aos U.S.A. em 1947, instalando-se em New York e tocando, já então profissionalmente, com o clarinetista Sol Yaged e com o clarinetista, saxofonista e compositor Joe Marsala.


No ano seguinte atuou ao lado da pianista Barbara Carroll e em 1949 com o também pianista Freddie Slack.

Trabalhou seguidamente em New York, até que em 1950 o guitarrista Bill Harris informou-o da presença, próxima a Washington, do grande Sophocles Papas, então ministrando aulas; de imediato BYRD deixa a guitarra elétrica e passa a estudar a guitarra clássica com Papas; simultaneamente estuda harmonias com o musicólogo Thomas Simmons. É um longo período em que praticamente abandona o JAZZ.

1954 é ano marcante para BYRD, que muda de residência para Siena / Itália e passa a estudar com ninguém menos que o célebre Andrés Segovia; torna-se um expoente na guitarra “flamenca”.

Todavia em 1957 retorna á cena do JAZZ, atuando até 1959 no “Showboat Lounge” de Washington, ao lado do baixista Keter Betts e do baterista Barstell Knox. É uma fase em que BYRD desenvolve um JAZZ com texturas de música clássica, o que lhe dá a projeção necessária para compor e interpretar a trilha sonora do drama de Tennessee Williams, “The Purification”.

Nessa época gravou como titular para o selo Savoy.

No primeiro semestre de 1959 incorporou-se à “big band” de Woody Herman, que atuava na ocasião no “Roundtable” de New York. Permaneceu com a banda e participou de gravações, inclusive com uma nova e espetacular versão de “Summer Sequence” (peça de resistência de Ralph Burns).

Excursionou com a banda para temporadas no Reino Unido e no Oriente Médio.

Já desligado da “big band” de Woody Herman, excursionou pela América do Sul sob os auspícios do Departamento de Estado americano em 1961, apresentando-se em trio.

No Brasil tomou conhecimento do nascente movimento da "Bossa Nova" e no retorno aos U.S.A. apresentou diversos temas ao saxofonista Stan Getz; este convenceu Creed Taylor, diretor da gravadora Verve, a gravar um álbum com os temas da "Bossa Nova", o que veio a ocorrer em 13 de fevereiro de 1962 com o título de “Jazz Samba”; o “carro-chefe” desse álbum que teve como titular foi Stan Getz, foi “Desafinado”.

Curiosamente esse álbum foi gravado em uma igreja de Washington.

Ouvir as faixas desse álbum é comprovar, por um lado a belíssima sonoridade de Stan Getz e. por outra parte, a magnífica contribuição harmônica, rítmica e de solista de CHARLIE BYRD.

O saxofonista Bud Shank e o guitarrista brasileiro Laurindo de Almeida já haviam tocado e gravado música brasileira anteriormente, inclusive "Bossa Nova", mas o sucesso do álbum “Jazz Samba” foi marcante para que o império da "Bossa Nova" tomasse conta do cenário musical americano e internacional.

Seguiram-se diversas gravações de BYRD para os selos Riverside e Columbia.

BYRD retornou à Europa com o notável saxofonista Zoot Sims e com Les McCann, onde teve a oportunidade de gravar "Bossa Nova", música clássica e JAZZ.

Apresentou-se na Casa Branca em 1965.

Uniu-se em 1973 aos grandes guitarristas Barney Kessel e Herb Ellis, formando o trio “Great Guitars”, que desenvolvia seu trabalho com JAZZ, "Bossa Nova" e tinturas de clássicos (leia-se o último parágrafo dos números 02 e 03 desta série de “Guitarristas”, publicados anteriormente).

Nesse ano BYRD escreveu e publicou seu “Manual de Instrução” para guitarra e, ainda em 1973, esteve no Brasil, onde realizou 02 apresentações no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro (30/julho e 01/agosto), acompanhado por Joe Byrd / baixo e Michael Stephans / bateria.

Atuou com o vibrafonista Cal Tjader (Callen Radcliffe Jr.) e como guitarrista clássico.

A partir de 1974 em diante, BYRD gravou para o selo Concord Jazz uma grande variedade de álbuns, incluindo as sessões com Laurindo Almeida e Bud Shank.

Voltou a encontrar-se com nosso guitarrista patrício Laurindo de Almeida em 1985, gravando versões de tangos ! ! !

Pela diversidade de correntes e influências em seu “guitarrismo”, é extremamente difícil tentar enquadrar CHARLIE BYRD em qualquer classificação.

De natureza eclética, possuidor de técnica impecável, toque delicado e intimista que em alguns momentos tangenciam o maneirismo, introdutor da técnica de utilização na guitarra de 04 dedos da mão direita, executante de interessantes acordes na guitarra clássica de cordas de nylon, com certeza CHARLIE BYRD não pode ser classificado esencialmente como um “guitarrista de JAZZ” na mais estreita acepção; falta-lhe o toque “negróide’, o “blues” latente.

Não sem alguma razão muitos críticos o apontam como um “entertainment” do mais alto nível e sempre agradável, outros como um herdeiro distante de Ralph Towner (guitarrista, pianista, tecladista, trumpetista e compositor de Washington), mais jovem que BYRD mas onipresente em instrumentos e estilos.

O sucesso de BYRD a partir dos anos sessenta do século passado está claramente ancorado na "Bossa Nova", ainda que não se possa dizer que dela foi um exímio executante, até porque e mesmo com a difusão da "Bossa Nova" nos U.S.A. e no mundo a partir dessa época, somente a partir de duas décadas após é que os músicos de todo o mundo alcançaram um “balanço” de interpretação ao nivel dos músicos brasileiros.

Foi casado 03 vezes: com Virginia Marie Byrd (“Jinny”) que faleceu em 1974, casou-se mais tarde com Maggie Byrd de quem se divorciou e, finalmente e até falecer foi casado com Rebecca Byrd.

Entre algumas das melhores gravações de CHARLIE BYRD podemos indicar, entre outras:
· Blue Sonata - 1961;
· Jazz Samba - 1962;
· Desafinado - 1962;
· You Took Advantage Of Me - 1980.

Retornaremos à guitarra e aos guitarristas em próximo artigo
apóstolojazz@uol.com.br

6 comentários:

renajazz disse...

meu caro pedro cardoso aqui estão alguns disco do chaelie byrd que entrei apos ler o seu brilhante artigo

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CHARLIE BYRD _ BYRD BY THE SEA

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CHARLIE BYRD - BIRD SONG



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CHARLIE BYRD - BIRD BRASS

forte abraço e muito obrigado pelas informações sobre este guitarrista

renajazz disse...

perdoe os erros pois o meu teclado esta horrivel : eu quis dizer encontrei apois seu brilhante artigo

pedrocardoso@grupolet.com disse...

Prezada RENATA:

BYRD é todo um universo de música de qualidade, de fazer o BOM ! ! !
Desfrute.

renajazz disse...

mestre eu sou o RENATO DA AND

pedrocardoso@grupolet.com disse...

Grande RENATO, mui grande RENATO:

Perdões mil pela minha mais santa ignorância e um milhão de abraços por saber que você permanece fiel à ARTE POPULAR MAIOR, como bom "ANDISTA".
Desconhecia seu "nome de guerra" e, a partir de agora, passarei a dedicar-lhe algumas que outras postagens.
Obrigado pelas sugestões de gravações de BYRD e DESFRUTE ! ! !

RENAJAZZ disse...

valeu mestre e meu email é RENAJAZZ@GMAIL.COM