Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

21 março 2011

COLUNA DO LOC

JB, Caderno B, 20 de março
por Luiz Orlando Carneiro

Mais do que terra prometida,os Estados Unidos – Nova York, em particular – tornaram-se terra conquistada por uma brilhante brigada de músicos de jazz nascidos em Israel, a maioria deles com reputação firmada não só nos melhores clubes da Big Apple mas também em festivais internacionais.
É o caso da clarinetista-saxofonista Anat Cohen, estrela de primeira grandeza, de seus irmãos Avishai (trompete) e Yuval (sax soprano), do também saxofonista Eli Degibri, da pianista Anat Fort, dos contrabaixistas Omer Avital e Avishai Cohen (homônimo do trompetista), e do guitarrista Roni Ben-Hur – este um New Yorker de 48 anos, 25 dos quais vividos na capital do jazz.

A “bola da vez” agora parece ser um outro guitarrista, 20 anos mais moço do que Ben-Hur. Seu nome é Yotam Silberstein, ou apenas Yotam, como está na capa do CD Resonance, gravado em dezembro de 2009, e lançado no fim do ano que passou pelo selo JLP (Jazz Legacy Productions).
Yotam não é um estreante, como líder, em matéria de registro fonográfico. A etiqueta Fresh Sound/New Talent acreditou no seu talento quando ele tinha apenas 21 anos, e editou, em 2004, The arrival, um disco em trio com outros músicos israelenses. Em 2009, sua cotação subiu com o sucesso de crítica obtido pelo álbum Next page (Posi-Tone), para o qual convocou Sam Yahel (órgão), Willie Jones III (bateria) e Chris Cheek (sax tenor) – este em cinco das 10 faixas.
Em Resonance, Yotam tem a seu lado os eminentes Christian McBride (baixo), Aaron Goldberg (piano) e Greg Hutchinson (bateria) em todas as 11 faixas, mais o trompetista Roy Hargrove, como convidado, em versões de Daahoud (4m30), de Clifford Brown, e Mamacita (6m50), de Joe Henderson. O guitarrista mostra seus dotes de compositor inspirado e meticuloso em cinco peças: M c D av i d (6m15), de saborosa melodia em balanço sambado; a balada M e rav (5m57); Bye Ya’ll (7m08), com o ostinato do piano e os splashes da bateria sublinhando o fraseado encorpado e intrincado da guitarra; Ble wz (6:53), uma joia em forma de blues; K i n e re t (5:15), uma “cantiga” bem romântica desenvolvida em estreita parceria com o pianista Goldberg, que tem a sua melhor performance como solista no disco.
As demais faixas são Two bass hit (6m28), clássico do bop de John Lewis/Dizzy Gillespie, com swing intenso e solos contagiantes (McBride no arco, à la Paul Chambers); um tratamento bem bluesy de Rene wal (5m28), de Monty Alexander; The most beautiful girl (5m42), de Yoni Rechter; e a comovente Fresh love song (6m20), de Shlomo Gronich, que Yotam interpreta usando também a voz como instrumento. Yotam é um devoto da m a i n s t re a m moderna do jazz e, portanto, descendente estilístico de Barney Kessel, Wes Montgomery, Jim Hall e Pat Martino. Seu fraseado muito bem articulado e elegante é melódico-harmônico, e não sônico-melódico como o da “escola” cujos chefes são Bill Frisell, John Scofield e o agora robótico Pat Metheny.
Ele está no mesmo nível de excelência de guitarristas mais afamados, como os quarentões Russell Malone, Kurt Rosenwinkel, Peter Bernstein ou Ben Monder.

Um comentário:

Beto Kessel disse...

Luiz Orlando,

otica dica...Para mim, que sou fa da guitarra no Jazz, e mais um musico para ficar de olho.

Beto