Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

10 agosto 2010


COMEÇOU BEM O SEGUNDO “I LOVE JAZZ”

Continuando com a meta de focalizar o chamado “jazz autêntico”, que paras alguns é aquele tocado antes dos anos cinqüenta, o “I Love Jazz” desse ano teve um bom início com a apresentação de dois grupos. O primeiro, o “Claude Tissendier Sextet”, grupo francês que prestou homenagem ao esquecido sexteto do contrabaixista John Kirby.
O objetivo do grupo foi plenamente alcançado, pois é integrado por ótimos solistas, relembrando com autenticidade o “modus operandi” dos músicos de Kirby. Repertório integrado pelos velhos sucessos do grupo americano, em sua maioria em arranjos de Charlie Shavers ,como “Beethoven Riffs On”, “Royal Garden Blues”, “Chopin Minute Waltz”,“Humoresque” e “Bounce of the sugar plum fairy”. No final um grande destaque para o baterista, que sozinho no palco demonstrou toda sua técnica, usando mallets, baquetas, escovas e mãos, viajando por tambores e pratos com grande sutileza, fazendo lembrar o show que Jo Jones deu no Municipal em 1960, como integrante do “Américan Jazz Festival”. Infelizmente o programa não discrimina o nome dos solistas o que é uma pena. Conversamos com Tissendier, colhemos seu autógrafo e nos impressionou por sua gentileza e carinho com o público.
O segundo grupo era nosso velho conhecido, o “Leroy Jones Sextet”, representando o jazz de New Orleans, que já se apresentara no “Brasil Jazz Festival, 2008” no Teatro Ginástico. Sua trombonista é a finlandesa Katja Boyvola, que se divide com os solos e os passos de dança que em muito agradaram o público. Jones é um excepcional trumpetista que não se limita ao estilo New Orleans. Em seus solos
alça vôos espetaculares , com fraseados inspirados em Clifford Brown, Lee Morgan e outros boppers. A terceira voz dos sopros é de um poderoso sax-tenor, tocado com muita expressividade e viajando pelas trilhas de Bud Freeman e Hank Mobley. O piano inicia seus solos dentro da tradição e depois os desenvolve de forma moderna, utilizando os acordes preconizados por Red Garland . Baixo e bateria , tocados por músicos veteranos, seguem em linhas gerais o modo tradicional. Jones
mostra sua voz em “What a wonderful world” e ainda nos brinda com o original de Horace Silver, “The preacher”. Tudo muito bom e muito bonito . Conversamos com Leroy Jones e pudemos constatar que também é um gentleman, concordando com aqueles que apontaram suas influências em Clifford Brown e Lee Morgan. Foi uma bela noite.

TERCEIRO DIA COMEÇA BEM E ACABA MAL
Por motivos alheios a minha vontade não pude comparecer ao segundo dia. Ainda assim, por meio de gravação cedida pelo amigo Cezar Vasconcellos, pude ouvir na integra o show da pianista e agora cantora Judy Carmichael. Como diria Nelson Rodrigues, “é uma surpresa que se repete.” Velhos “standards” e originais são interpretados de acordo com os padrões exigidos, e ótimos solistas se sucedem, seguindo o “stride” de Judy.Mais uma vez esteve presente o excelente guitarrista Chris Flory.
O “Pink Turtle”, que se dedica a jazzificar números criados por conjuntos de “rock”, segundo Cezar foi o maior sucesso da noite, a ponto de se esgotar o estoque de seus CD’s, à venda na lojinha do teatro .
Chegamos ao último dia, abrindo com a excelente “Antigua Jazz Band”, orquestra argentina de muitos predicados, que mostra a eficiência dos “hermanos “ com o assunto Jazz. Passearam pela obra de Ellington (Take the “A” train, “The mooche”, etc.) e Jelly Roll Morton (“Hyena stomp”, e “ Tiger Rag”) além de outros “standards” muito bem executados. O lado de humor esteve presente com os músicos se revezando nos solos, em pé, na frente do palco e brincando uns com os outros.
Seguiu-se o trio de Victor Biglioni (Sérgio Barroso e Victor Bertrami).
Infelizmente Bertrami atuou como se estivesse à frente de uma big-band, encobrindo os solos de Biglioni . Isso foi a “overture” para o show de Elza Soares, coisa que nunca deveria ter sido apresentada. Elza, hoje uma figura exótica contou histórias de seu relacionamento com Louis Armstrong e tentou cantar o que acha que é Jazz. Usou sua rouquidão natural para cantar “Cry me a river”, número que nem o rio Amazonas conseguiria resolver. A quantidade de “yeahs” exclamada por Elza foi realmente incontável . Tentou cantar “Retrato em branco e preto” mas, só conseguiu recitar a letra. Desafinou, semitonou e em “Summertime”, gritou mas, o verão não veio. Deu pena .
Os melhores do “I Love Jazz”: Leroy Jones Sextet, Antigua Jazz Band
e Claude Tissendier Sextet.

4 comentários:

APÓSTOLO disse...

Estimado Mestre LULA:

Nada além do esperado, porque já habitual: um pouco de que é bom, enxerto de péssimo.
O dificil de entender é a absoluta falta de critério dos programadores do evento, "encaixando" Elza Soares em algo intitulado "I LOVE JAZZ"; definitivamente não é do que essa senhora entente e faz.
Quem pretende ter um produto permanente tem que, pelo menos, respeitar o produto e a público a que se destina.
Quando, como vemos ocorrer seguidamente, se abre um evento dessa natureza para "todas as correntes", o que se faz é eliminar o interesse do público.
Porque não alterar o título do evento para "I Love Anything", anunciar as "atrações" e acabar com essa mania de "pegar carona" na palavra JAZZ ? ? ?
Mais uma vez e por sua descrição, perde-se a oportunidade de fincar âncoras ao longo do tempo, mantendo a fidelidade do evento ao seu título.
Como já pude constatar profisionalmente ao longo de tantas décadas, monta-se um restaurante de comida francesa, para servir sanduiche de sardinha pescada há um mês = o negócio não tem como dar certo e atribui-se a falência à "falta de sorte" (na realidade falta de consciência profissional, de manutenção do "ponto" até que se torne referência).
Se não é possível realizar um evento devidamente capitalizado ao longo do tempo, mude-se de ramo.

Anônimo disse...

A presença da trêfega Elza Soares no festival é o mesmo crime cometido pelo TIM Festival ao escalar Dona Yvone Lara em meio a duas atrações de jazz verdadeiro, e do TUDO É JAZZ DE Ouro Preto ao incluir Martinália num tributo a Bilie Holiday.

Essa falta de seriedade absoluta nos festivais nacionais confirma que seus responsáveis deixam muito a desejar ao selecionarem certos "artistas" em suas programações.
As palavras do honorável Apóstolo definem apropriadamente esse absurdo e lamentável critério, ou melhor, a total falta de critério. Contra tais fatos, não há argumentos por parte dos organizadores desses eventos.

Anônimo disse...

Mestre Llulla,

Claude Rissendier é um grande músico a nível de americanos. Ele integrou a fantástica big band do pianista Claude Bolling, sendo um dos seus principais solistas, como atestam os discos daquela consagrada orquestra.

Lamento não tê-lo ouvido, pois, por sua resenha, deduzo haver ele confirmado ser um improvisador criativo de prodigiosa imaginação.

LeoPontes disse...

Se me permitirem desejo aludir a esta ótima cr´tica um outro lado da historia de Elsa (não é a leoa, viu?).
Esta grande sambista abriu o mercado para inumeros musicos brasileiros no exterior e que hoje tocam grandes standards de jazz em qualquer outro lugar. Pelo que ela já fez penso que devemos sempre aplaudir. Agora quanto aos administradores destes festivais creio e concordo que estão misturando alhos com bugalhos e talvez induzindo a nossa Elza em erros que ela não precisaria se expor.
Os grupos de Samba-Jazz que fiquem com a palavra.

Grande abraço a todos
Leo Pontes