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08 agosto 2010

COLUNA DO LOC

Caderno B, JB, 8 de agosto
por Luiz Orlando Carneiro

Ases das teclas

LÁ SE VÃO 15 ANOS, Brad Mehldau iniciou a cultuada série de gravações intitulada The art of the trio. Em 1999, antes de completar 30 anos, foi eleito opianista do anopelos leitores da Downbeat, à frente de Kenny Barron e Keith Jarrett. Erudição, técnica e criatividade formidáveis fizeram dele o new kid on the block daquela geração que já produzira ases do teclado do quilate de Gonzalo Rubalcaba, Danilo Perez e Jacky Terrasson, hoje quarentões.

Mas o cultivo da arte do trio jazzístico nestas últimas décadas, num nível de raro requinte, não é privilégio dos virtuoses acima citados, aos quais se poderia acrescentar o nome de Jason Moran que, aos 35 anos, já ultrapassou a categoria de rising star, no comando de seu Bandwagon.

Dois outros pianistas não podem ser esquecidos quando se fala na arte do trio: o francês Jean-Michel Pilc, 49 anos, e o israelense Aaron Goldberg, 36, ambos radicados em Nova York.

Sobretudo no momento em que lançam álbuns definitivos, como intérpretes e compositores.

Em True story (Dreyfus), Pilc apresenta o novo trio com o icônico baterista Billy Hart e o baixista russo Boris Kozlov, âncora da Mingus Big Band. O título do CD é o mesmo de sua parte principal – uma suíte de cinco breves segmentos (entre 2m28 a 3m), numerados como Scenes, que formam um caleidoscópio de moods e colorações melódico-harmônicas tão surpreendentes como as trouvailles de mestre Martial Solal. Das outras 10 faixas do disco, sete são também originais do líder: peças meditativas, de toque romântico ou impressionista (The other night, Mornings with Franz); interpretações interativas e hiperativas de temas instigantes, com destaque para High sky-The elegant universe (8m30) e B.B.B. (9m). Pilc e Kozlov dão tratamento terno a Relic (3m20), de Schubert, e o trio recria de forma brilhante, em ritmo abolerado, My heart belongs to daddy (6m23), de Cole Porter.

Em Home (Sunnyside), seu quarto CD como líder, Aaron Goldberg cerca-se dos fiéis Reuben Rogers (baixo) e Eric Harland (bateria). Das 10 faixas do fascinante álbum, quatro são da pena do pianista: a altamente percussiva Shed (7m); a balada The sound of snow (3m58); The rules (6m15) e Aze’s bluzes (8m) – estas duas com o saxofonista Mark Turner, que atua ainda como convidado especial, em Canción por la unidad latinoamericana (5m57), de Pablo Milanez. Os “momentos supremos” do disco são as multifacetadas reinvenções, pelo trio, de Luiza (7m53), de Tom Jobim, e Isn’t she lovely (5m42), de Stevie Wonder.

4 comentários:

APÓSTOLO disse...

Prezado LOC:

Para resenhar 02, citou 07 pianistas "top", todos já com significativas contribuições para o bom JAZZ.
Uma relação de pianistas da maior categoria.

JoFlavio disse...

Mestre LOC
Apenas ouso incluir mais 3 pianistas da geração Mehldau e que na minha opinião são no mínimo do mesmo nível. A começar pelo italiano Stefano Bollani (38), com mais de 300 apresentações por ano. Considerado um fenômeno. Segundo Chick Corea, um gênio. Também acho. O francês Christian Jacob (52) – foi professor de Helio Alves na Berklee - é dono de um estilo muito próprio e tem vários CDs lançados, além de participar de todos os projetos da ótima cantora Tierney Sutton, com quem é casado. O nosso grande Sazz viu de perto e pode opinar a respeito. E o terceiro é inglês, Jason Rebello (41), que teve a difícil missão de substituir o fantástico Kenny Kirkland na banda de Sting. Ano passado, em trio, gravou um belíssimo CD chamado Jazz Rainbow, uma experiência única em tentar atrair as crianças para o jazz.
Abs.

APÓSTOLO disse...

Prezado JoFlavio:

Oportunas e mais que merecidas citações, mostrando para todos que o JAZZ está mais vivo que nunca.

Salsa disse...

Aaron Goldberg tem mostrado seu talento no tudo é jazz dos últimos anos. Conferirei.