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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

02 janeiro 2010

RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(G) MINI-BIOGRAFIA - 2ª PARTE

Em New York Erroll Garner toca com Oscar Pettiford no “Three Deuces”, assim como integra combo “all-stars” no “Royal Roost”: Red Rodney, Bill Harris, Lucky Thompson e Shelly Manne.

Nessa altura Garner é vencedor do referendo anual da revista “Esquire”, assim como é o primeiro em dois anos seguidos na enquete da “Down Beat”, podendo afirmar-se que havia atingido sua maturidade de expressão técnica. Isso fica bastante evidente na gravação de julho de 1947 (selo “Blue Star”), em piano solo, de seu célebre “Play Piano Play”: defasagem rítmica entre as duas mãos, extraordinária sonoridade “orquestral”, variações harmônicas e timbrísticas, com alta carga de “swing”. Na outra face desse 78 rpm uma longa e exuberante introdução para “Don’t Worry 'Bout Me”, seguida de outra melodia sobre o tema, mas com retorno final ao original.

Em maio de 1948 Erroll Garner é um dos integrantes da “expedição” de músicos americanos, que participam da “Semana de Jazz” em Paris.

No retorno da Europa Garner toca na Califórnia e depois fixa-se em New York: “Three Deuces”, “Basin Street”, “Café Society”, “The Ember” e, principalmente, no “Birdland”, onde se torna o “pianista da casa” por seguidos anos (ainda que contratado vez por outra para atuar em Boston, Filadélfia, Chicago etc).

Em 1949 a composição “Play Piano Play” de Garner é contemplada com o “Grand Prix du Disque” na França.

Em 1952 Garner em conjunto com Art Tatum, Mead Lux Lewis e Pete Johnson, participa de turnê pelo território americano, sob o título de “Piano Parade”.

A partir do ano seguinte o pianista tem sua carreira gerenciada por Martha Glaser, que se revela competente e hábil negociadora, além de extremamente honesta (o que nem sempre é rótulo próprio no mundo dos “managers”).

A 07 de julho de 1954, em Detroit e para a etiqueta "Mercury", Garner registra em apenas 03 horas 32 magníficos solos, absolutamente diferenciados e expressivos. No dia seguinte, 08 de julho, ele acompanha o “cantor”(!!!) Woody Herman na gravação do LP “Music For Tired Lovers” (uma variação bem humorada dos temas gravados por Frank Sinatra, coqueluches da época).

No final de julho de 1954 e ainda para o selo "Mercury", Garner grava em Chicago material suficiente para 02 LP’s, ai incluída a primeira versão de uma balada de sua autoria, que posteriormente recebeu o título de “Misty” = sua composição mais famosa, composta em 1950 durante um vôo entre São Francisco e Denver, também popularizada com a letra de Johnny Burke nas interpretações de Sarah Vaughan e Johnny Mathis. Crepuscular e melancólico, o tema “Misty” revela outra faceta de Erroll Garner, a intimista (tão ignorada pela crítica), assim como leva para segundo plano ofuscados pela beleza de “Misty” outros belos temas de sua autoria, como a seguir:
- 1954 = Mambo Garner, Seven-Eleven Jump;
- 1955 = Afternoon Of An Elf, Mambo Carmel, Solitaire;
- 1956 = Dreamy, Mambo 207, Passing Through, Way Back Blues;
- 1958 = Just Blues, Left Bank Swing, Paris Bounce, When Paris Crie;
- 1960 = Moment’s Delight;
- 1961 = Dreamstreet, El Papa Grande, No More Shadows;
- 1962 = Trio;
- 1964 = Other Voices;
- 1966 = Afinidad, Mambo Erroll, That’s My Kick;
- 1967 = Nervous Waltz, Shake It But Don’t Break;
- 1968 = This Time It’s Real, Up In Erroll’s Room;
- 1970 = Mood Island, Something Happens, You Turn Me Around;
- 1972 = Eldorado, Gemini;
- 1974 = It Gets Better Every Time, Nightwind, One Good Turn;
e mais “Pastel”, “Cloudburst”, “Gaslight” (tema de filme com Ingrid Bergman) e outros.

Em 1955 Garner integra o “Birdland All-Stars”: ele mais Sarah Vaughan, Count Basie, George Shearing, Lester Young, Stan Getz e outros.

No dia 19 de setembro de 1955 Garner realiza memorável apresentação em Carmel, Califórnia, no auditório de uma velha igreja em estilo gótico e com acústica perfeita, para uma platéia composta quase que exclusivamente de fans: felizmente essa apresentação foi imortalizada no LP “Concert By the Sea”, técnica e jazzisticamente superior, com destacado êxito de vendas. Garner em trio (Denzil Best bateria e Eddie Calhoun no baixo) mostra nas faixas “Autumn Leaves”, “I’ll Remember April”, “Red Top”, “Where Or When” e nas demais que integram a gravação, a quintessência de sua arte tão pessoal. As aberturas que criam clima para o público são pérolas de criação.

Em agosto de 1956 a revista “Down Beat” publica entrevista de Errol Garner cencedida a Ralph J. Gleason (republicada no número de novembro de 1995), em que o músico afirma que:
“......não sou Art Tatum, não sou Bud Powell; limito-me a tocar o que agrada aos meus ouvidos, na esperança de que o público fique encantado; tudo aquilo que é feito com ritmo e muito swing, tem que ser maravilhoso.........”

Entre setembro de 1956 e maio de 1957 Garner grava em estúdio com orquestra. A história da verdadeira “engenharia musical” para essa gravação foi descrita na apresentação do LP “Momentos Musicais” (ou “Other Voices”, o outro título do lançamento).

Durante 1957 Garner se exibe em Cleveland e Cincinnati com orquestras sinfônicas, o que já não constituía novidade, uma vez que o pianista nutria profundo interesse pela música clássica, devendo lembrar-se que havia gravado anteriormente (julho de 1949) e para o selo "Atlantic", peças como “Pavanne”(Ravel) e “Reverie”(Debussy).

Em 1962 Garner constituiu a sua gravadora, a “OCTAVE Records”, que a partir daí passou a publicar suas gravações, sempre à base de clássicos do populário americano.

A essa altura e como acontece com artistas na crista do sucesso, Erroll Garner passa a desenvolver intensa e praticamente ininterrupta atividade, com apresentações em concertos, salas de espetáculos e teatros e, em particular, como participante cativo dos festivais de JAZZ (“remember Newport”, como o mais importante em termos de JAZZ).

Segue, após 14 de janeiro de 2010, em
(H) MINI-BIOGRAFIA – 3ª PARTE

5 comentários:

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
Grandes histórias, de um dos maiores dentre os maiores!
E tem uma história deliciosa (você falou dela na primeira parte da biografia) sobre como ele tomou o lugar do Blakey no piano!
Vou contá-la na postagem sobre o baterista que estou escrevendo!
Grande abraço!

PJ disse...

Prezado ÉRICO:
Comentei sobre a "substituição" de Art Blakey por Garner na segunda parte da "Biografia".
Estou lendo seu comentário "fora da base", já que estou visitando 03 de meus netos na "Cidade Maravilhosa", utilizando a ïdentidade de um deles.

PJ disse...

Prezado ÉRICO:

FAvor desprezar o comentário anterior, já que, como você tinha escrito, comentei sobre GARNER substituindo BLAKEY na "primeira" parte da "Biografia" e não na "segunda".
Em agosto/2008 postei "RETRATO" sobre ART BLAKEY, indicando GARNER no grupo de BLAKEY, mas sem maiores detalhes.
Abraços e vamos em frente.

Érico Cordeiro disse...

Mestre,
Estou desconfiado de que esse PJ é uma sigla que significa Pedro Jazz.
Estou errado?
Grande abraço!

PJ disse...

Prezado ÉRICO:

PJ são as iniciais de meu neto do Rio de Janeiro = Pedro José.
Abraços e até já.