Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

29 janeiro 2010

MUSEU DE CERA # 68 - SÉRIE VINIL (6)



Série dedicada a LPs reeditados digitalmente em computador.


ÁLBUM: THE BLUE BECHET – RCA VICTOR – LPV-535 - VINTAGE SERIES – 1966 N.Y. - USA

Ladnier......................Bechet
Em 1932, três anos antes da forma swing surgir como uma nova escola do Jazz, Sidney Bechet e o trompetista Tommy Ladnier organizaram os New Orleans Feetwarmers – NOF grupo de músicos filiados a escola tradicional do Jazz de New Orleans. Seu primeiro compromisso foi no Harlem's Savoy Ballroom em setembro.
Logo em seguida a Victor os contratou para gravações no selo Bluebird um race catalog gerando inicialmente 3 sessões.
I've Found a New Baby canção escrita para a cantora Josephine Baker em Paris e os NOF a executaram soberbamente com solos de Ladnier e do pianista Duncan. Lay Your Racket um original de Bechet e vocalizada por Billy Maxey e finalmente Shag com um solo do trompete assurdinado de Ladnier e um scat vocal pelo baixista Ernest Myers.
Em todas as 3 execuções Bechet está magnífico ao sax soprano a denominada "clarineta de lata" como os músicos da época gozavam Bechet que adotara tal instrumento ainda um tanto desconhecido na América do Norte (pelos músicos sulinos) ao viajar à Europa em 1919 com a Will Marion Cook's Southern Syncopated Orchestra.
O grupo contava ainda com o excelente trompetista Tommy Ladnier (1900-1939) possuidor de extrema potência sonora com bela e pura sonoridade e grande simplicidade na invenção melódica e muito swing, formando com Armstrong e King Oliver os maiores no instrumento. Infelizmente de curta carreira vindo a falecer com apenas 39 anos.
Sidney Bechet (1897-1959) aos 6 anos já dominava o clarinete, nascido e criado em New Orleans incorporou suas raízes musicais no blues tornando-se conhecido como um dos maiores instrumentistas ao interpretá-los de forma dinâmica, porém com muito sentimento. Em sua infância na comunidade em que viveu ouviu muitas worksongs, fields hollers e spirituals e constantemente as brass bands da cidade tendo afirmado que não perdia uma street parade ou um belo funeral.

NEW ORLEANS FEETWARMERSSidney Bechet (sax soprano e lider), Tommy Ladnier (tp), Teddy Nixon (tb), Hank Duncan (pi), Ernest Myers (bx), Morris Morland (bat).

I'VE FOUND A NEW BABY (Spencer Williams - Jack Palmer) – BS-73400-1
LAY YOUR RACKET (Bechet – Billy Maxey) – BS- 73501-1, vocal por Billy Maxey
SHAG (Bechet) – BS 73503-1 – vocal por Ernest Myers.
Todas as gravações de 15/set/1932

No podcast abaixo as 3 gloriosas sessões.



Tempo total: 9:31min

NOTA: O provedor que hospeda nossos podcast – GCast informa que a partir de fevereiro não mais disponibilizará gravações em MP3 e no momento não temos outro provedor disponível. Temo que este seja o último Museu de Cera pelo menos até que possamos postar músicas no blog de alguma outra forma.

25 janeiro 2010

OS 10 MELHORES DA HISTÓRIA

No programa UOL THAT JAZZ (Nº 277), exibido hoje pelo site, Ed Motta apresenta, segundo ele, os 10 melhores discos da história do jazz. Confesso que mesmo com toda a quilometragem que tenho do assunto, não sei se teria coragem de separar com convicção os 10 melhores. Há centenas. Mas o Ed teve. Segue a lista:
...................................................................
John Coltrane – Resolution
Pharaoh Sanders – Astral Traveling
Woody Shaw – Rashaan’s Run
Mary Lou Williams – Dirge Blues
Carmen Lundy – Perfect Stranger
Horace Silver – Safari
Meirelles e Os Copa 5 - Blue Bottles
Max Roach – Garvey’s Ghost
Jorge Lopez Ruiz – Bronca Buenos Aires
Carla Bley – Rawalpindi Blues

PS. Gosto não se discute.
PS II. Fica a dúvida. Se Ed escolheu uma faixa de cada disco que ele considera entre os 10 melhores ou se foram gravações isoladas.

FESTIVAL DE JAZZ DO RIO

SALA BADEN POWELL
Av. Nossa Senhora de Copacabana 360
Programação Janeiro 2010

Atelier de Jazz - dia 28 - quinta

Daniel Garcia - dia 29 - Sexta







Nivaldo Ornelas - dia 30 - Sábado

Grupo Tutti - dia 31 - Domingo

24 janeiro 2010

23.01.2010 - CENTENARIO DE NASCIMENTO DE DJANGO REINHARDT

Neste sabado, 23.01.2010, foi lembrado o centenario de nascimento de Django Reinhardt, guitarrista belga de origem cigana, que junto como lendario e inesquecivel violinista Stephanne Grappelli (ambos ja falecidos), participou com destaque do celebre grupo Quinteto du Hot Club de France.

Para rememorar um pouco da obra de Django, optei por colocar uma interpretacao do brilhante e inesquecivel guitarrista Joe Pass, que tive o prazer de assistir emmeados dos anos 80 no Jazzmania, no mesmo formato (ou seja solo) tal como nesta edicao de Montreux 75



Reparem na genialidade e ao mesmo tempo simplicidade de Joe Pass neste belissimo tema de Django.

Beto Kessel

21 janeiro 2010

RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
(L) SOBRE A APRESENTAÇÃO DE ERROLL GARNER NO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

Artigo sobre Garner no “Jornal do Brasil” antes de sua apresentação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Erroll Garner, o homem para quem foi inventado o piano (“Newsweek”), estará no próximo dia 10, às 21 horas, no Teatro Municipal, para proporcionar ao público do Rio de Janeiro uma experiência singular: é ele o único solista contemporâneo que atua com programa inteiramente improvisado.”
Essa foi a chamada da matéria do “Jornal do Brasil”, ocupando 03 colunas e logo abaixo de foto de Garner (22cm x 14cm), cujos principais trechos são a seguir transcritos.
“Tocando até hoje de ouvido, gravando em fita suas composições (que são transcritas por outros), Erroll Garner possui milhares de admiradores em todo o mundo, desde os jazzófilos até os mais requintados frequentadores de concertos eruditos. Ganhador do “Grande Prêmio do Disco da Academia Francesa de Artes”, é ele o homem, segundo a revista “Newsweek”, para quem foi inventado o piano.
O Homem dos 40 Dedos
.....Finalmente, em março de 1950, faria sua estréia de concerto no “Music Hall de Cleveland”, onde foi entusiasticamente aplaudido. Desde então seus programas, baseados em improvisações, vêm sendo considerados como manifestações ímpares no ambiente internacional de concertos.
Garner, que segundo um jornalista norte-americano, toca como um homeme de 40 dedos, é verdadeiramente um artista original. Sua música é impossível de qualificar. Ainda que alguns pianistas procurem imitar suas características mais marcantes, seu estilo é virtualmente imune a qualquer imitação.
.....Durante os últimos 20 anos seus albuns sempre figuraram entre os maiores sucessos de venda. De seu album “Concert By The Sea”, já se vendeu mais de um milhão de exemplares.
O Compositor Prolífico
Ainda que se considere sua atividade de compositor como um complemento de sua carreira de pianista, Erroll Garner afirma-se cada vez mais como um dos mais inteligentes compositores norte-americanos. Suas obras mais conhecidas são “Misty”, “Dreamy”, “Dreamstreet”, “Solitaire” e “No More Shadows”. A balada “Misty”, aclamada como uma das mais notáveis composições dos últimos tempos, foi originalmente gravada por ele em 1954 e desde então já serviu a mais de 200 artistas em todo o mundo.
.....Outra coisa que faz a felicidade de Garner é o crescente prestígio internacional do JAZZ, para o qual ele muito contribuiu:
- O JAZZ aproxima-se muito rapidamente das salas de concerto e logo ocupará um lugar ao lado dos clássicos. É uma grande satisfação saber que pude dar uma mãozinha nesse sentido.”

Artigo sobre Garner no “Jornal do Brasil”, no dia seguinte ao de sua apresentação no Teatro Municipal.
Erroll Garner afirma que o público americano está voltando ao JAZZ antigo”.
Essa foi a chamada do “Jornal do Brasil” de 11 de julho de 1970 e, logo abaixo da matéria, artigo de Leonardo Lenine, do qual extraimos as partes seguintes.
“O pianista americano Erroll Garner disse ontem que o JAZZ tradicional está voltando a fazer sucesso nos Estados Unidos porque o new JAZZ (de vanguarda) foi tão longe que a maior parte do público não mais o entende (Garner referia-se na ocasião ao denominado free-jazz e demais satélites).
Formado em arquitetura, músico autodidata e considerado um dos maiores pianistas de JAZZ da atualidade, Erroll Garner apresentou-se ontem no “Municipal”, que estava completamente lotado. Hoje ele parte para São Paulo, onde tocará três vezes, sempre acompanhado por Bill English na bateria, Ernst McCarthy no baixo e José Mangual no bongô.
......Chegou ontem mesmo ao Rio....A tarde deu uma entrevista coletiva no Copacabana Palace, que transformou-se numa conversa informal, chei da observações humorísticas:
- Onde eu moro? Moro embaixo do meu chapeu, mas não uso chapeu nunca.
- Nunca sentí necessidade de aprender piano. Meus irmãos e minhas irmãs estudavam, e eu roubava o conhecimento deles.
- Eu sou o único da família que não sabe nada de música. Só queria jogar bola.
- Cantarolo ao piano quando improviso para que as notas saiam bem; mas seu tocasse como canto, ninguém jamais ia querer me escutar.
................................................................................................................................................................................................................................................
Primeira Crítica”, de Leonardo Lenine
.....O long-play da Imagem, entretanto, já na praça, talvez dê uma imagem do que aconteceu no “Municipal”. Olha pessoal, eu escreveria um dia inteiro sobre Erroll Garner....mas como explicar Erroll Garner ?
.....Talvez hoje a platéia tenha aprendido a conhecer Antonio Carlos Jobim graças a Erroll Garner. Muito obrigado Garner”.

Artigo de Luiz Carlos Antunes, após a apresentação de Garner no Teatro Municipal, para o jornal “O Fluminense”.
Erroll Garner é uma fábula”, foi o título do artigo de Luiz Carlos Antunes para o jornal “O Fluminense”, após a apresentação de Garner no “Teatro Municipal” do Rio de Janeiro. Eis a íntegra:
“Sob aplausos os músicos tomam seus instrumentos e aguardam a chegada do líder. Entra no palco um preto, baixo, senta-se sobre o catálogo de telefones de New York colocado em cima da banqueta do piano, e dá início ao mais surpreendente concerto de JAZZ. Sim, porque para Erroll Garner não existe programa pré-estabelecido. Desde os primeiros acordes de “Falling Leaves” à última nota do “blues” com que encerrou a audição, Erroll fazia com seus acompanhantes um verdadeiro jogo da memória, usando para tanto suas surpreendentes introduções.
Improvisando, sempre improvisando, Erroll iniciou sua carreira usando sempre a inventiva, desde as primeiras audições em Pittsburgh, até os concertos como solista no Carnegie Hall, ao lado de personalidades como Arthur Rubinstein, André Segóvia e Marie Anderson. Nunca aprendeu a ler ou escrever música e nunca ensaiou, uma vez siquer em sua vida. Isto entretanto não o prejudica e ao contrário, lhe fornece largos horizontes para criar dentro dos originais, “standards” ou mesmo temas clássicos, inesgotáveis correntes do mais puro JAZZ. Sim, porque em matéria de JAZZ ele sabe tudo. Desde os ritmados “rags” dos renomados “stride piano” como James P. Johnson, Fats Waller e Meade Lux Lewis, à técnica digital de Oscar Peterson, passando pela dissonância de Thelonius Monk e usando por vezes a harmonia livre de um Lennie Tristano, Garner passeia com as mãos, dois moleques travessos, pelo teclado, dele extraindo a mais pura essência do JAZZ.
Parte do seu individualismo reside em sua negativa de limitar-se a um gênero musical. Ele capta idéias de qualquer coisa e adora os efeitos grandiosos de que é capaz no piano. Tem um fantástico sentido de forma, improvisando da mesma maneira com que um compositor planeja sua obra. Seu “sense of humor” é permanente e durante as execuções não para de trautear um só momento, ao mesmo tempo em que tenta driblar seus acompanhantes com desenhos rítmicos que levam sua marca registrada.
Compõe com a mesma facilidade com que executa, quer originais jazzísticos quer baladas sentimentais que o tornaram famoso junto ao grande público, tais como “Solitaire” e “Misty”.
Termina o concerto. Erroll se retira do palco sob enorme ovação e para surpresa dos próprios Bill English/bateria, Ernest McCarthy/baixo e José Mangual/conga, seus acompanhantes, não retorna para a costumeira parte extra, não obstante a insistência do público. Os mais experientes compreendem a negativa, pois foram duas horas de exaustiva atividade física e mental em que o gigante Erroll Garner criou mais um feixe de improvisaçoes, que só os que compareceram ao espetáculo tiveram a ventura de presenciar, as quais não ouviriam em outro recital, pois Erroll Garner nunca se repete.”
Após esse artigo Luiz Carlos Antunes desfila os 12 albuns de Garner até então lançados no Brasil (abrangendo o período de 1944 até 1962).
A apresentação de Garner constou dos seguintes temas, nessa ordem:
Falling Leaves
That’s All
Mambo Garner
Misty
My Funny Valentine
The Nearness Of You
Blues
Time After Time
One Note Samba
Desafinado
Yesterday
I Can’t Get Started
More
Green Dolphin Street
April In Paris
The Shadow Of Your Smile
Strangers In The Night
Satin Doll
“Pout pourris” de clássicos eruditos
Passing Through.
Luiz Carlos Antunes
mantem em seus arquivos:
- cópia do programa de apresentação de Garner no Teatro Municipal;
- foto de Erroll Garner pelo setor de divulgação da Columbia Records / U.S.A., cedida em 1957 por Sylvio Túllio Cardoso, autor da coluna “O Globo Nos Discos Populares”; nessa foto Erroll Garner aparece recebendo de George Avakian o “Disco de Ouro” que lhe foi conferido pelo jornal “O Globo” como “Melhor Solista Internacional” de 1956; Luiz Carlos Antunes colheu o autógrafo de Garner em 1970, quando da apresentação no Teatro Municipal, assim como, no verso da foto, os autógrafos dos músicos que acompanharam o pianista na ocasião.

Observação: conforme já comentado anteriormente, à época da apresentação de Erroll Garner no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, era Admistrador do mesmo o Comendador Pedro Lauria, avô materno de Pedro Cardoso.

Entrevista de Erroll Garner a Flávio Moreira da costa para o jornal “O Globo”
Durante uma entrevista exclusiva concedida ontem a noite no Galeão – ele vinha de São Paulo rumo á Europa, onde cumprirá novos contratos – o pianista Erroll Garner, considerado o maior dos Estados Unidos, falou de sua carreira e dos rumos atuais da música em seu país e no mundo.”
Essa foi a chamada da matéria do “O Globo” de 16 de julho de 1970, cujas partes principais são transcritas a seguir.
“....Durante a entrevista ele falou, também, da música popular brasileira, elogiando o disco de Sinatra e Tom Jobim....
P - Há quanto tempo você vem fooling around with the beat, isto é , tocando com as duas mãos quase que independentemente, o que é parte do seu estilo pessoal ?
EG - Ah, isso é qualquer coisa que venho fazendo há anos, eu acho. Antes eu costumava tocar o que chamam de solo piano em restaurantes, boates e não podia continuar sempre naquele rítmo, pois se não conseguisse um rítmo pessoal, os donos dos clubes não iriam me manter; então me acostumei a fazer meu próprio ritmo, e foi assim que cheguei a tocar dessa maneira.
P - Quais os pianistas que você prefere ?
EG - Isso é difícil de responder, pela simples razão de que gosto demais de pianistas. Eu sinto qualquer pianista, na medida em que ele tenha alguma coisa de seu. Não me importo com cópias, não; é claro que se alguém me copiar, isso é um elogio, significa que eu trabalhei muito mais duro que os outros - mas não me importo se um cara copia outro cara.....De qualquer lado que você olhe, sempre há bons pianistas.
P - O que você acha do “cool Jazz”, do JAZZ moderno ?
EG - Bem, alguma coisa eu entendo e alguma coisa está acima dos meus ouvidos, porque não estudei música. Mas de qualquer forma, não posso negá-lo: tenho que continuar escutando, continuar tentando compreendê-lo......
P - Alguns críticos dizem que você se tornou um pouco comercial; o que você acha disso ?
EG - Se você continuar me provocando, essa entrevista não vai continuar. Alguns críticos dizem que fiquei comercial ? Não sei se alguém me chamou de comercial ou não, pela simples razão que eu sempre toquei o que senti. Eu pessoalmente não acho que seja comercial; não usaria a palavra comercial porque sinto o que toco, e na medida em que estou tocoando o que estou sentindo, se eles me chamarem de comercial, isso é lá com eles, certamente não tenho nada a ver com isso.
P - Você teve oportunidade de ouvir o disco de Sinatra com Tom Jobim ?
EG - Sim, e gosto muito. Aliás, vi os dois na televisão, antes de gravarem, quando Jobim estava lá nos States.
P - Diga alguma coisa sobre a situação atual do JAZZ.
EG - Eu pessoalmente tenho esperanças de que o JAZZ fique onde está e continue voltando cada vez mais. Queria ver as grandes bandas voltarem também, gosto de vê-las, porque acho que elas sempre têm alguma coisa que ver com o JAZZ. Nos States, definitivamente, eu não penso que o JAZZ está morto, pela simples razão que os melhores músicos fazem toda a música de fundo para o cinema, televisão e comerciais.......Portanto, eu não acho que o JAZZ esteja morto, como alguns caras acham - eu realmente penso que ele está vivo e estará sempre vivo.
P - Parece que as grandes bandas estão voltando em certas universidades, não ?
EG - Sim, algumas estão tocando em universidades e em alguns lugares em New York, como o Riverboat, o Down Beat e num lugar chamado Roosevelt Grill - estão trazendo as grandes orquestras e coisas assim de volta - portanto, pode ser que a genste tenha uma chance. Vamos esperar.
P - Quer dizer alguma coisa sobre sua apresentação aqui no Rio ?
EG - Bem, eu gostaria de dizer que foi maravilhoso estar aqui no Rio. Achei a audiência fabulosa, pois, como eu disse, eles me deixaram todo orgulhoso. Portanto, se alguém achou, como você disse há alguns minutos atrás, que os críticos acham que estou sendo comercial, então vou continuar assim o tempo todo. Fico com o público, porque essas audiências me gratificam, é o que ele quer, então eu sou a favor dele..........”

Artigo, por ocasião do falecimento de Erroll Garner, no “Jornal do Brasil”
"Erroll Garner ☼ 1923 † 1977 Pianos Inibidos "
Esse foi o título do “Jornal do Brasil” de 04 de janeiro de 1977, 3ª feira, dois dias após o falecimento de Erroll Garner. Seguem-se trechos desse artigo.
“Na década de 50 Erroll Garner foi tão popular quanto cuba-libre ou hi-fi - duas bebidas, aliás, com as quais seus fãs eram freqüentemente associados. O apogeu de toda festinha era quando a vitrola pé-de-palito começava a tocar Misty, instaurando de repente aquele silêncio cúmplice e cheio de entre-olhares, apenas recortados por um ou dois suspiros. Apesar de todo esse sucesso comercial, tão raro em músicos de JAZZ, revistas exigentes como Downbeat elegeram-nos várias vezes como o melhor pianista do ano - e não só por causa de Misty.
Ele era um dos últimos representantes de uma grande tradição do JAZZ: a dos pianistas desinibidos, de dedilhado ágil e notas limpas e transparentes, como James P. Johnson, Fats Waller e Willie "The Lion" Smith - artistas que nunca deixaram seus raros momentos de introspecção atrapalhar o prazer das platéias.
As notas graves da mão esquerda só serviam para imprimir um ritmo contagiante a todas as liberdades que a mão direita tomava. Assim, ninguém se surpreendeu ou se importou quando seus discos começaram a freqüentar até as paradas de sucesso - um deles, Concert By The Sea, vendeu quase um milhão de cópias.
Esteve no Brasil em 1970, apresentando-se no Municipal. Sua principal composição, Misty, ganhou letra......e até hoje é cantada por Billy Eckstine, Sarah Vaughan ou Johnny Mathis. Em 1970 serviu de leit-motiv para o filme Play Misty For Me, em que Clint Eastwood interpretava um disc jockey perseguido por uma maníaca assassina fascinada pela canção.
Erroll Garner morreu domingo em Los Angeles, vítima de um ataque cardíaco, quadro dias depois de ter saído de um hospital em que se internara para tratamento de enfisema.”

EPÍLOGO
Conforme indicado no início deste “RETRATO”, a idéia original de escrevermos sobre ERROLL GARNER foi do Mestre LULA, que possuía todos os álbuns desse pianista de exceção lançados no Brasil. Dizíamos no início que:
“corria o ano de 1991 e Mestre Luiz Carlos Antunes (Lula) e eu havíamos terminado de redigir o texto do livro CHARLIE PARKER – GLÓRIA MUSICAL, ABISMO PESSOAL, inclusive já calorosamente prefaciado pelo grande Luiz Orlando Carneiro: iniciávamos a, até hoje, penosa busca de editora. Lula teve a idéia de escrevermos outro livro sobre os lançamentos discográficos nacionais das gravações de Erroll Garner, pianista por nós apreciado como um dos grandes, um mágico das 88 teclas”.
Assim e mesmo postado por mim, fique claro que fui um “colaborador” de LULA neste “RETRATO”, que busquei enriquecer com notas que sempre colecionei sobre ERROLL GARNER.

Segue em
14. GERRY MULLIGAN
Uma Interminável Maratona Musical

20 janeiro 2010

STEFANO BOLLANI

O entusiasmo de Bollani pela música brasileira faz com que esse extraordinário pianista possa dar alma jazzistica a temas de Roberto Carlos "Como é Grande Meu Amor por Voce". O improviso é fora de série.
A pouco tempo pude ve-lo no Teatro Ginástico, no Rio e de lá saí um grande fã deste pianista inovador.

19 janeiro 2010

MORREU O BATERISTA ED THIGPEN


Mestre Raffa me avisa e eu divulgo para o CJUB. Ao que parece foi o primeiro óbito do ano. Ed Tighpen, lendário baterista com uma larga folha de serviços prestados ao Jazz, faleceu na Dinamarca em 13 de janeiro, aos 80 anos. Thigpen era filho do também baterista Ben Thigpen que atuou na lendária banda de Andy Kirk. Estudou piano e bateria. Seu debut profissional foi com Cootie Williams (1951-52). Depois do serviço militar, acompanhou Dinah Washington (1954), tocou com Lennie Tristano, Johnny Hodges, Gilk Melle, Bud Powell (1955), Jutta Hipp (1956) e Billy Taylor. Entrou para o legendário trio de Oscar Peterson em 1959, ali permanecendo até 1965. Alguns críticos consideraram o trio de Peterson com Ray Brown e Thigpen um dos mais perfeitos da história do Jazz, tendo inclusive gravado cerca de 50 albuns. Ed Thigpen esteve no Brasil em 1971, integrando o trio de Ella Fitzgerald com Tommy Flanagan e Frank de La Rosa.
RIP

16 janeiro 2010

RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(K) DISCOGRAFIA EM CD’s - RESUMO

A indicação da discografia seguinte de Garner em 20 CD’s, é um roteiro básico para os que se interessem pelo aprofundamento em sua música, com base no que há de disponível no comércio com suporte digital, já que os LP’s tornaram-se “obra de colecionador”.

i. Easy To Love
Polygram, 1990, 11 faixas escolhidas pelo pianista/arranjador Sy Johnson, dentro do material inédito de Garner devidamente preservado. Todas as faixas com Eddie Calhoun ao contrabaixo e Kelly Martin na bateria, gravadas entre os anos 50 e 50 do século passado. O ator / comediante / pianista / escritor Dudley Moore assina as notas do encarte.
ii. Dancing On The Ceiling
Polygram, 1990. 11 faixas com a mesma formação anterior, cobrindo o período de 1961 até 1965.
iii. Too Marvelous For Words
Polygram, 1990, 14 faixas, notas do encarte por Leonard Feather, Errol em trio com Wyatt Ruther / baixo e Eugene Heard / bateria.
iv. The Original Misty
Polygram, 1990, 13 faixas, com destaques para “Misty”, “Seven-Eleven Jump” e o clássico de EllingtonIn A Mellow Tone”.
v. Série Compact Jazz - Erroll Garner
Polygram, 1990, 14 temas com algumas repetições do CD anterior.
vi. Body And Soul
CBS / Sony, série “masterpieces”, 1990, contendo 20 temas.
vii. Concert By The Sea
CBS / Sony, também da série “Columbia Jazz Masterpieces”, 1990, notas do encarte por Stanley Dance e 11 faixas que reprisam o LP original.
viii. Long Ago And Far Way
CBS / Sony, 1990, 16 faixas, inclusive “Penthouse Serenade”, com Errol Garner em trio (John Simmons / baixo e Shadow Wilson / bateria).
ix. Mambo Moves Garner
Polygram, 1991, 11 faixas que incluem “Cherokee” e “Russian Lullaby”.
x. Jazz ‘Round Midnight
Polygram, 1991, contendo 16 faixas, com destaque para “Misty” e “Over The Rainbow
xi. Erroll Garner - Jazz Portraits
Sarabandas, 1993, 18 temas entre os quais os dois gravados com Charlie Parker (“Cool Blues” e “Bird’s Nest”). Esses 18 temas cobrem o período de 1946 (“Frantonality”) até 1956 (“The Man I Love”) e nos traz Garner em diversas formações.
xii. Solitaire
Polygram, 1993, 11 temas que replicam o LP original (gravações de 1955) com a adição de mais 04 faixas, destacando-se entre essas 04 o tema “Salud Segovia”.
xiii. Erroll Garner - Box Set
TELARC, 1999, contendo 06 CD’s, sendo que cada CD contem 02 albuns, todos eles originalmente da gravadora de Garner, “OCTAVE Records”. Sob o comando de Martha Glaser (vide “Mini-biografia”) esses CD’s foram produzidos e distribuídos no mercado, tanto nesse “box set” quanto individualmente.
01. That’s My Kick - Gemini
02. Campus Concert - Feeling In Believing
03. Dreamstreet - One World Concert
04. Magician - Gershwin and Kern
05. Close-Up In Swing - A New kind Of Love
06. Now Playing: A Night At The Movies - Up In Erroll’s Room

Cada um dos 06 CD’s contem em torno de 20 faixas, sempre com Martha Glaser tecendo comentários nos respectivos encartes, em produção bem cuidada.
xiv. The Essence Of Erroll Garner
Sony, 1994, 12 faixas: “Poor Buterfly”, “Lover”, “Laura”, “Avalon” e outras pérolas.
xv. Penthouse Serenade
Savoy Jazz, 1994, com 14 temas muito bem selecionados e ótima qualidade de gravação, considerando a época das gravações originais.
xvi. Serenade To Laura
Savoy Jazz, 1994, 14 temas que incluem “Moonglow”, “Confessin’”, “Stormy Weather”, “The Man I Love” e outros “standards”.
xvii. Yesterdays
Savoy, 1994, mais 13 temas do baú da Savoy, inclusive um “Dark Eyes” como somente Garner poderia produzir.
xviii. VERVE Jazz Masters, Volume 7 - Erroll Garner
Distribuição Polygram, 1994, 15 faixas das quais 07 com Garner em piano.solo e as demais em trio mais a conga de Candido Camero.
xix. Contrasts
VERVE / EmArcy, 1998, 13 faixas, notas do encarte por Mark Gardner com base na colaboração de Martha Glaser, Stephen Rayner e Wyatt “Bull” Ruther. Preciosa reedição, inclusive com o aproveitamento do material fotográfico original.
xx. Quadromania - Erroll Garner - Honeysuckle Rose
Membran, 2005, coleção alemã, contendo 73 faixas (1947 até 1950) em “box” de 04 CD’s. O encarte alinha corretamente todas as formações, que vão de “piano.solo”, passam por “trios” e chegam até 08 faixas em “sexteto”.
Segue em
(L) SOBRE A APRESENTAÇÃO DE ERROLL GARNER
NO TEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO

15 janeiro 2010

RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(I) BIBLIOGRAFIA

As enciclopédias clássicas e os livros sobre JAZZ, em geral e obrigatoriamente citam Erroll Garner mas, em contrapartida, a imensa maioria dessas publicações não lhe reserva espaço à altura de sua música.
Como já comentado em sua “Mini-biografia”, há inclusive parte da crítica e de escritores que não o entende como músico de JAZZ ou que, infelizmente, não lhe concede louvores após seus passos e gravações iniciais em New York (primeiros anos da década de 40 do século passado). Entendemos que os meios de comunicação, em boa parte das ocasiões, pressionam ditos “críticos” em função de data, de horário, de pauta e/ou espaço disponível em suas programações; resulta que esses “críticos” ficam encurralados pela falta de tempo, passando a ouvir pouco e com pouca atenção, sem profundidade, mais ainda quando se trata de material complexo, como o que Garner tocou e deixou registrado. Muito além do pouco ouvir e da falta de formação para entender qualidade, Garner é uma exceção acima dessas pressões e dos “críticos” de oportunidade, infelizmente a maioria.
Ainda assim e por dever de ofício desfilamos a seguir algumas publicações que, mesmo de forma sucinta, poderão servir de referência para o Leitor.

a. The Encyclopedia Of Jazz, Leonard Feather, 1ª edição, 1956 (reimpressão de 1960), U.S.A., página 223. Verbete simplificado mas preciso, redigido no meio da carreira de Garner (com foto na página 279). Feather indica Garner como tocando em “estilo inclassificável e completamente original”, no capítulo relativo à retrospectiva de 60 anos de JAZZ (páginas 21 a 51).
b. Diccionario del Jazz, Philippe Carles / André Clergeat / Jean-Louis Comolli, 1ª edição, 1995, Espanha (tradução de original francês de 1988), páginas 444-445. Um pouco menos avarento no espaço concedido, esboça boa perspectiva da vida e da obra de Garner.
c. Gran Enciclopédia del Jazz, Editora SARPE, 1ª edição, 1980, Espanha, páginas 675-676. Verbete bem conciso sobre Garner, ainda que a certa altura com crítica repetida por outros ("boas obras iniciais e, posteriormente, material de consumo").
d. Os Grandes Criadores do Jazz, Gérald Arnaud / Jacques Chesnel, 1ª edição, 1989, Portugal (tradução de original francês), página 50. Um exemplo de qualidade de crítica em espaço adequado.
e. Os Grandes do Jazz, Ediciones del Prado, 1ª edição, 1996, Brasil (tradução de original espanhol), 4º volume, páginas 97 a 108. Talvez o melhor sobre Garner como biliografia, apesar da péssima tradução.
f. O Piano no Jazz, Roberto Muggiati, encarte para a revista “Som Três”, 1982, Brasil, página 25. Pinta em meia página um perfil exato de Garner.
g. O Ragtime e os Caminhos do Jazz, Caio Vono, 1ª edição, 1989, Brasil, página 141. Foco preciso sobre o "estilo" de Garner.
h. Enciclopédia Ilustrada del Jazz, Brian Case / Stan Brit, 3ª edição, 1982, Espanha (tradução de original inglês), página 75. Verbete muito simplificado, mas correto, sobre Garner.
i. The Ilustrated Story of Jazz, Keith Shadwick, 1ª edição, 1991, Inglaterra, páginas 101-102. Excelente apreciação sobre a técnica de Garner.
j. Jazz – History, Instruments, Musicians, Recordings, John Fordhan, 1993, Inglaterra, páginas 81 e 180. Marca o estilo e o sucesso (“Concert By The Sea”) em poucas palavras.
k. Arte do Piano - Compositores e Intérpretes, Sylvio Lago, 1ª edição, 2007, Brasil, principalmente páginas de 527 até 530. Com certeza um dos melhores verbetes sobre Erroll Garner sobre o ponto de vista musical e de técnica pianística. Além do verbete mais 12 citações sobre Garner, em verbetes sobre diversos outros pianistas de JAZZ, caracterizando influências e descendências desse “mágico das 88 teclas”.

(J) FILMOGRAFIA

O material com Erroll Garner “ao vivo” não é tão vasto quanto sua discografia mas, ainda assim, reserva-nos excelentes momentos de prazer musical. Além do que é adiante citado, com certeza teremos nos próximos anos alguns lançamentos com a participação de Erroll Garner, em função do trabalho de recuperação de arquivos que vimos observando, particularmente na Europa Central.
As indicações a seguir contemplam, também, a participação de Errol Garner em trilhas sonoras, assim como de músicos executando seus temas.

a. A New Kind Of Love
U.S.A., 1963, 109 minutos, direção de Melville Shavelson. Parte da trilha sonora por Erroll Garner.
b. Especial de Erroll Garner
BBC, Inglaterra, 1964, 41 minutos, produção de Terry Hemebery e apresentação de Steve Race para a importante série “JAZZ 625”. Garner em trio (Kelly Martin / baixo e Eddie Calhoun / bateria), em diversos temas e ao vivo.
c. Negresco – Eine Todliche Affaire (My Bed In Not For Sleeping)
Alemanha, 1967, 93 minutos, direção de Klaus Lemke, trazendo Erroll Garner como convidado.
d. Play Misty For Me
U.S.A., 1971, 96 minutos, Erroll na trilha sonora, em longa metragem que marca a estréia de Clint Eastwood na direção.
e. JAZZLAND – Special Erroll Garner
ORTF
, França, coleção J.C.Averty, série Vintage, Estúdio 12, 29 de maio de 1972, 30 minutos. Garner em trio mais Jose Mangual na conga, executando diversos temas, destacando-se um “Misty” inolvidável.
f. Drive-In
U.S.A., 1976, 96 minutos, direção de Rod Amateau, contendo interpretação de Ray Stevens para “Misty”.
g. Poto and Cabeng
Alemanha / U.S.A., 1979, 73 minutos, direção de Jean-Pierre Gorin, com Erroll Garner na trilha sonora trazendo-nos o clássico “I Found A Million Dollar Baby".
h. Erroll Garner In Performance
DVD da “Kultur” (via-de-regra sinônimo de qualidade), que teve como consultora da produção Martha Glaser, com 02 “sets” (total de 18 temas), galeria de fotos e “bonus track” com “Misty”, e nos presenteia Erroll Garner em trio (Eddie Calhoun / baixo e Kelly Martin / bateria). U.S.A., 1995, 72 minutos. Na verdade é o total da apresentação de 1964 para a BBC, indicada no item “b” anterior, podendo apreciar-se muito da técnica e da musicalidade de Garner, além de suas famosas introduções, em que cria “suspense” até a decolagem de cada tema.
i. Erroll Garner 1963-1964
É mais um DVD de alta qualidade da série “JAZZ ICONS”, lançado em 2009. Erroll Garner apresenta-se em trio (Eddie Calhoun / baixo e Kelly Martin / bateria), na Bélgica/1963 e na Suécia/1964. São 60 minutos de interpretações de clássicos do populário americano, tais como “I Get A Kick Out Of You”, “Fly Me To The Moon”, “Thanks For The Memories”, “Where Or When” e outros (alentados 17 temas no total das 02 apresentações). Encarte com 20 páginas, texto bem descritivo sobre as apresentações, por John Murph.
Segue em
(K) DISCOGRAFIA EM CD’s - RESUMO

14 janeiro 2010

GUZZ: MAIS UMA MARCA NA CORONHA

Hoje, nosso editor Guzz - triplê de homem da agenda, cirurgião-chefe das entranhas técnicas do CJUB e guitarrista emérito de rock, além de ponta-de-lança anual do blog lá em "Rivière Des Huîtres"(bem mais charmoso nome do que Rio das Ostras, não?) - e um jazz-freak como todos os demais aqui, faz aniversário de numseiquantos anos.

Ao mesmo tempo em que desejamos ao Gusta tudo de melhor para os próximos ciclos, sempre com excelente saúde, ficamos no aguardo da divulgação de onde e a que horas poderemos ir encontrá-lo hoje, para uma farta degustação de escoceses (ou franceses, se forem do tipo borbulhante) e para audições de temas da mais elevada qualidade, de sua livre escolha. Claro que iniciados pelo não-jazzista Pat Metheny, astro de nossa predileção comum.

De preferencia em ambiente que permita a entrada dos tonitruantes defumadores de bolso, outrora conhecidos pela alcunha de charutos. Que, no Brasil de hoje, acompanham os cigarros no ostracismo, empastelados como "catástrofes da Humanidade" e relegados a descampados e outras áreas "sem teto".

Felicidades Guzz e parabéns para você por mais este "round"! Cheers!


13 janeiro 2010



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RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(H) MINI-BIOGRAFIA - 3ª PARTE

Em 1970 Garner excursiona pela América do Sul: apresenta-se no Rio de Janeiro a 10 de julho, no Teatro Municipal (era então Administrador do teatro o Comendador Pedro Lauria, avô paterno de Pedro Cardoso), seguindo no dia seguinte para São Paulo, onde realizou 03 apresentações de 12 a 15 de julho.
Então ainda se comemorava a conquista da IX Copa do Mundo de Futebol no México, no dia 21 de junho (Brasil 4 x Itália 1).
Em 1972 vai à Austrália e ao Oriente. Sempre platéias lotadas, exigentes e plenas de expectativa, ás quais Garner sempre soube retribuir e encantar com apresentações de gala, permanentemente sentado em grossa lista telefônica (de preferência a de Manhattan) e, como exigência desde 1957, recebendo a luz cor-de-rosa dos projetores, sobre sua figura imaculadamente vestida e seu penteado com brilhantina.
A crítica, sempre a crítica, nessa fase, é que Garner sacrificava parte de sua arte pelo espetáculo, repetindo-se desde meados dos anos 50, buscando acima de tudo agradar ao público(parece que a crítica esquecia o que então eram as apresentações de Louis Armstrong). Mas Erroll Garner não era apenas “espetáculo” (como se isso fosse um mal em si, sabendo-se que seus espetáculos, muito acima e além da crítica, eram exibições de beleza e de técnica, o mais das vezes incompreensíveis para essa crítica, ou seja lá a alcunha que se lhe dê).
Em março de 1968 volta a gravar com sucesso e arte, registrando para a etiqueta MGM o album “Up In Erroll’s Room”, com arranjos de Don Sebesky e, à frente de Pepper Adams, Jimmy Cleveland, Bernie Glow, Don Butterfield e Jerome Richardson, desfila as faixas “I Got Rhythm”(cuja introdução é mais uma pérola de Garner), “Watermelon Man” e outras.
Em 1971 e como indicado na “Filmografia” adiante, Garner é o autor da trilha sonora do primeiro filme dirigido por Clint Eastwood, “Play Misty For Me”.
Em 1972 Erroll Garner é a figura de maior destaque no festival “Pescara Jazz”, na Itália.
Em outubro de 1973 Garner grava pela última vez, em New York, formando quarteto com Bob Cranshaw, Graddy Tate e o percussionista José Mangual.
Em fevereiro de 1975 e no “Kelly’s” de Chicago, Garner faz sua derradeira apresentação em público.
Em 1976 e por ocasião de seu 55º aniversário, Garner é homenageado pela Câmara dos Representantes do Congresso americano. Em tradução livre e na sessão de 15 de junho de 1976, conforme o número 92 do volume 122 do “Congressional Record”, extraímos o seguinte texto, sob o título “Errol Garner, Feliz Aniversário”.

- Locutor da Câmara dos Representantes = Mediante prévia autorização da Câmara, o cavalheiro da Pensilvânia, sr. Moorhead, tem a palavra por 05 minutos”
- Moorhead = Sr. Locutor, hoje, Erroll Garner, natural de Pittsburgh e um dos músicos mais populares em todo o mundo, celebra seu natalício. Aproveito esta oportunidade para saudar esse gigante musical e lembrar para meus colegas da Câmara dos Representantes alguns dos feitos e das contribuições desse pianista e compositor.
Começando muito cedo na Pensilvânica, esse homem ganhou aclamação mundial e brindou alegria e grande compreensão com sua música única e inovadora, para os povos de todas as partes do mundo.
É particularmente oportuno saudar Garner nesse Ano do Bicentenário (Moorhead referia-se ao bicentenário da Declaração da Independência dos U.S.A., que seria comemorado em 04 de julho de 1976), dado que ele é um artista profundamente enraizado no cenário americano. Uma lenda viva desde o início da década de 20, Garner nasceu com um grande e natural dom para a música. Auto-didata, iniciou-se no piano com 03 anos de idade, atuando profissionalmente em Pittsburgh quando tinha 07 anos, na rádio KDKA e em teatros locais. O auto-desenvolvimento de seu talento poude ser apreciado desde os “Riverboats” do Rio Allegheny, até seus desempenhos nas maiores salas de concerto da América e do mundo.
Garner é um artista original, inovador e acatado como uma das mais destacadas vozes musicais do século. Nos 25 anos mais recentes ele vem sendo reconhecido como uma das influências mais importantes do piano contemporâneo.
Em 1950 Garner estreava em concerto de piano-solo; mais tarde, em 1957, ele era solista convidado de orquestras sinfônicas por todos os U.S.A. Foi um pioneiro que abriu portas para outros artistas em salas de concerto, emissoras de televisão, colégios, feiras e congressos, teatros e hotéis. Permanentemente atuou para melhorar seu desempenho e ampliar as condições para suas audiências, resistindo com consistência às ofertas para situações de segregação, em qualquer parte do mundo.
Garner é o único artista com idioma do JAZZ, a excursionar para temporadas sob os auspícios do veterano empresário de música clássica, S. Hurok.
Garner tem sido honrado e aclamado internacionalmente. Ele foi agraciado com as chaves de numerosas cidades americanas, incluindo Pittsburgh, Omaha, Indianápolis, Kansas City e Boston, assim como foi homenageado por Governadores de diversos Estados.
Um dos prêmios internacionais favoritos de Garner é o Grand Prix du Disque da Academia Francesa de Artes. Seu trabalho está devidamente registrado e enterrado no Teatro da Comédia Francesa, em uma “cápsula do tempo”. Os críticos franceses chamam Garner de “Homem com 40 Dedos” e o “Picasso do Piano”. A República de Mali emitiu selo postal homenageando Garner (nota: também o Gabão e os U.S.A. emitiram selos com a efígie de Garner) e ele foi convidado para atuar nos “Command Performances” por toda a Europa.
O trabalho de Garner como compositor é bem significativo. São muitas as composições de sua autoria, incluindo-se aí a mais famosa - Misty - que lhe aumentou o reconhecimento como compositor. “Misty” foi gravada por muitos e muitos artistas e em todos os gêneros - sinfonias, pop, rock, soul e, mais recentemente, no campo da música “country and western”, voltando a ganhar o pódio da ASCAP. Essa canção também foi o tema do filme “Play Misty For Me”, assim como permaneceu por mais de uma década como tema musical do “Today Show” da televisão NBC.
Por uma única gravação Garner tem sido premiado em todo o mundo: seu álbum “Concert By The Sea” é considerado um marco como “bestseller” em disco por muitos anos. No ano passado Garner foi homenageado no “Catálogo do 25º Aniversário da Enciclopédia Musical Schwann” como um dos 03 músicos de JAZZ que tiveram gravações incluídas durante todos os 25 anos da “Schwann”.
O “Clube do Livro do Mês” desse ano editou uma coleção especial com 03 albuns de Garner, sob o título de “O Erroll Garner Essencial”.
A “Rede Nacional de Educação Pública” produziu meia hora de um especial sobre Garner para televisão, frequantemente exibido aqui e no exterior.
Por sua vida de trabalho criativo e inovador, esse homem é bem-vindo como artista e merece as maiores honras e o nosso respeito: soube cunhar seu desempenho no País e internacionalmente, além fronteiras, fazendo crescer amizades e os melhores sentimentos nas mais híbridas audiências, em todas as culturas e idades.
Por tudo isso é um prazer celebrar o aniversário de Erroll Garner, e estou certo que a Câmara dos Representantes lhe deseja muitos anos mais de trabalho pleno e atividade criativa.”

Ainda no final desse ano de 1976 Garner foi internado no “Memorial Hospital” de Chicago com diagnóstico de pneumonia virótica mas, na realidade, foi detectado um câncer pulmonar. Seus últimos meses foram carinhosamente acompanhados por sua última companheira, Rosalyn Noisette (e Garner sempre manteve sua vida particular afastada do público e dos meios de comunicação, sabendo-se somente que gostava de cozinhar, de assistir boxe, de jogar golfe e de seu cão de estimação) e por sua empresária Martha Glaser, que o assistiu em seu momento derradeiro, vítima de ataque cardíaco: 55 anos, dia 02 de janeiro de 1977.
É Martha Glaser que assume o material discográfico de Erroll Garner (parte dele inédito), passando a editá-lo pela etiqueta TELARC (originalmente esse material pertencia ao selo OCTAVE Records, de propriedade de Garner).
O funeral de Erroll Garner foi realizado em sua terra natal, na Catedral de Pittsburgh, em 07 de janeiro, ao qual comparecem centenas de personalidades, entre as quais o Presidente dos U.S.A., Jimmy Carter.
A missa do funeral foi encerrada com a saída do cortejo da Catedral, ao som das notas de “Misty”.
Segue em
(I) BIBLIOGRAFIA e (J) FILMOGRAFIA

12 janeiro 2010

O CEMITÉRIO DO JAZZ É AQUI !


Em março de 2008, o Instituto Brasilis (Tom Brasil, Vivo Rio etc.) venceu a licitação para assumir o prédio do antigo Automóvel Clube. Claro, o povo do Jazz vibrou, pois pela primeira vez o Rio de Janeiro, conforme planejado, teria um verdadeiro Clubes de Jazz, nos moldes dos mais famosos do mundo. Imaginem aproveitar todo aquele espaço com uma cultura musical como o Jazz, coisa até então inédita desde os tempos de Estácio de Sá. Obviamente o outro lado logo se manifestou e o projeto teve que enfrentar uma guerra judicial. Problema resolvido, surge a figura da secretária de cultura, Jandira Feghali, para "negociar" com o grupo vencedor uma mudança no projeto inicial. Isso significa incluir atividades destinadas ao público jovem, o que para nós é simplesmente a inclusão do rock, reggae, hip hop, rap e outros rótulos ligados a sub-música. Podem esquecer o "Clube de Jazz". Segundo a secretária, "o importante é valorizar a história do prédio". Se é assim......

Faleceu Terry Pollard


Mestre Raffa me informou e eu divulgo pelo CJUB. Quem faleceu em 16 de dezembro do ano passado foi a pianista e vibrafonista Terry Pollard. Seus melhores trabalhos foram na gravadora Emarcy, ao lado do também vibrafonista Terry Gibbs.
RIP

10 janeiro 2010

MUSEU DE CERA # 67 - SÉRIE VINIL (5)


Série dedicada a LPs reeditados digitalmente em computador.
ÁLBUM: A CHICAGO SKIFFLE SESSION - RIVERSIDE 10" (RLP 1020 - 1954)
ROY PALMER AND THE STATE STREET RAMBLERS

Roy Palmer, um trombonista que se pode classificar como primitivo, ou seja típico da escola New Orleans. Oriundo dessa cidade, nascido em 1892, iniciou na guitarra depois no trompete e finalmente passou ao trombone. Trabalhou com Richard M. Jones em 1911. Suas atuações se limitavam ao cabarés de Storyville como o Cadillac Club. Em 1917 deixou a cidade natal tal como vários músicos após o fechamento de Storyville e em Chicago continuou atuando em cabarés, teatros vaudeville e na Original New Orleans Creole Jazz Band e fazendo algumas gravações, com Jelly Roll Morton em 1923, com Johnny Dodds em 1927 e com Richard M. Jones em 1929. Acompanhou a cantora Ida Cox em duas sessões em 1929. Gravou muito pouco, ao todo participou de apenas 13 sessões de gravação.
Em 1936 deixou a música abrindo uma lavanderia e suas atuações eram muito esporádicas. Faleceu em 22/dez/1963.
Interessante notar nessas gravações com THE STATE STREET RAMBLERS que o trompete é substituído pelo kazoo, instrumento mais do que primitivo, muito rústico que consiste em um tubo normalmente de bambu ou mesmo em metal com cerca de 12cm com a "boca" recoberta de pele ou borracha. Na verdade é uma extensão amplificada da voz humana rouquenha empregado há centenas de anos na África para imitar vozes de animais para ajudar na caça e em vários tipos de cerimônias.
O estilo da banda é o que se chama de SKIFFLE, designação dada a um revival das bandas primitivas ou jug bands que se utilizavam de instrumentos rudes e caseiros como a tábua de lavar (washboard), o kazoo e o jug.
Palmer atua neste álbum com o grupo formado pelos seguintes componentes: Jimmy Blythe (pi), Albert Bell (kazoo), Darnell Howard (cl e sax alto), Jimmy Bertrand (washboard) e Ed Hudson (banjo) e Roy Palmer (tb e líder).
1. GEORGIA GRIND (Frank Melrose) – Champion 16279 – mx. 17621
2. SOUTH AFRICAN BLUES (Junie c. Cobb) - Champion 16320 – mx. 17620
3. BARREL HOUSE STOMP (Lester Melrose) - Champion 16279 – mx. 17625
Gravações originais Champion da série 40000 - 13/março/1931 – Richmond – Indiana - USA




Tempo total 9:20min

05 janeiro 2010

OS ENCONTROS NO "VELHO ARMAZÉM"

Como de hábito,quando há shows no Velho Armazém estamos presentes, principalmente quando são músicos conhecidos e freqüentadores do programa "O Assunto é Jazz"Aqui estão algumas fotos das apresentações de Pascoal Meirelles e Adriano Giffoni.

02 janeiro 2010

RETRATOS 13 = ERROLL GARNER
Um Panorama de 88 Teclas Mágicas

(G) MINI-BIOGRAFIA - 2ª PARTE

Em New York Erroll Garner toca com Oscar Pettiford no “Three Deuces”, assim como integra combo “all-stars” no “Royal Roost”: Red Rodney, Bill Harris, Lucky Thompson e Shelly Manne.

Nessa altura Garner é vencedor do referendo anual da revista “Esquire”, assim como é o primeiro em dois anos seguidos na enquete da “Down Beat”, podendo afirmar-se que havia atingido sua maturidade de expressão técnica. Isso fica bastante evidente na gravação de julho de 1947 (selo “Blue Star”), em piano solo, de seu célebre “Play Piano Play”: defasagem rítmica entre as duas mãos, extraordinária sonoridade “orquestral”, variações harmônicas e timbrísticas, com alta carga de “swing”. Na outra face desse 78 rpm uma longa e exuberante introdução para “Don’t Worry 'Bout Me”, seguida de outra melodia sobre o tema, mas com retorno final ao original.

Em maio de 1948 Erroll Garner é um dos integrantes da “expedição” de músicos americanos, que participam da “Semana de Jazz” em Paris.

No retorno da Europa Garner toca na Califórnia e depois fixa-se em New York: “Three Deuces”, “Basin Street”, “Café Society”, “The Ember” e, principalmente, no “Birdland”, onde se torna o “pianista da casa” por seguidos anos (ainda que contratado vez por outra para atuar em Boston, Filadélfia, Chicago etc).

Em 1949 a composição “Play Piano Play” de Garner é contemplada com o “Grand Prix du Disque” na França.

Em 1952 Garner em conjunto com Art Tatum, Mead Lux Lewis e Pete Johnson, participa de turnê pelo território americano, sob o título de “Piano Parade”.

A partir do ano seguinte o pianista tem sua carreira gerenciada por Martha Glaser, que se revela competente e hábil negociadora, além de extremamente honesta (o que nem sempre é rótulo próprio no mundo dos “managers”).

A 07 de julho de 1954, em Detroit e para a etiqueta "Mercury", Garner registra em apenas 03 horas 32 magníficos solos, absolutamente diferenciados e expressivos. No dia seguinte, 08 de julho, ele acompanha o “cantor”(!!!) Woody Herman na gravação do LP “Music For Tired Lovers” (uma variação bem humorada dos temas gravados por Frank Sinatra, coqueluches da época).

No final de julho de 1954 e ainda para o selo "Mercury", Garner grava em Chicago material suficiente para 02 LP’s, ai incluída a primeira versão de uma balada de sua autoria, que posteriormente recebeu o título de “Misty” = sua composição mais famosa, composta em 1950 durante um vôo entre São Francisco e Denver, também popularizada com a letra de Johnny Burke nas interpretações de Sarah Vaughan e Johnny Mathis. Crepuscular e melancólico, o tema “Misty” revela outra faceta de Erroll Garner, a intimista (tão ignorada pela crítica), assim como leva para segundo plano ofuscados pela beleza de “Misty” outros belos temas de sua autoria, como a seguir:
- 1954 = Mambo Garner, Seven-Eleven Jump;
- 1955 = Afternoon Of An Elf, Mambo Carmel, Solitaire;
- 1956 = Dreamy, Mambo 207, Passing Through, Way Back Blues;
- 1958 = Just Blues, Left Bank Swing, Paris Bounce, When Paris Crie;
- 1960 = Moment’s Delight;
- 1961 = Dreamstreet, El Papa Grande, No More Shadows;
- 1962 = Trio;
- 1964 = Other Voices;
- 1966 = Afinidad, Mambo Erroll, That’s My Kick;
- 1967 = Nervous Waltz, Shake It But Don’t Break;
- 1968 = This Time It’s Real, Up In Erroll’s Room;
- 1970 = Mood Island, Something Happens, You Turn Me Around;
- 1972 = Eldorado, Gemini;
- 1974 = It Gets Better Every Time, Nightwind, One Good Turn;
e mais “Pastel”, “Cloudburst”, “Gaslight” (tema de filme com Ingrid Bergman) e outros.

Em 1955 Garner integra o “Birdland All-Stars”: ele mais Sarah Vaughan, Count Basie, George Shearing, Lester Young, Stan Getz e outros.

No dia 19 de setembro de 1955 Garner realiza memorável apresentação em Carmel, Califórnia, no auditório de uma velha igreja em estilo gótico e com acústica perfeita, para uma platéia composta quase que exclusivamente de fans: felizmente essa apresentação foi imortalizada no LP “Concert By the Sea”, técnica e jazzisticamente superior, com destacado êxito de vendas. Garner em trio (Denzil Best bateria e Eddie Calhoun no baixo) mostra nas faixas “Autumn Leaves”, “I’ll Remember April”, “Red Top”, “Where Or When” e nas demais que integram a gravação, a quintessência de sua arte tão pessoal. As aberturas que criam clima para o público são pérolas de criação.

Em agosto de 1956 a revista “Down Beat” publica entrevista de Errol Garner cencedida a Ralph J. Gleason (republicada no número de novembro de 1995), em que o músico afirma que:
“......não sou Art Tatum, não sou Bud Powell; limito-me a tocar o que agrada aos meus ouvidos, na esperança de que o público fique encantado; tudo aquilo que é feito com ritmo e muito swing, tem que ser maravilhoso.........”

Entre setembro de 1956 e maio de 1957 Garner grava em estúdio com orquestra. A história da verdadeira “engenharia musical” para essa gravação foi descrita na apresentação do LP “Momentos Musicais” (ou “Other Voices”, o outro título do lançamento).

Durante 1957 Garner se exibe em Cleveland e Cincinnati com orquestras sinfônicas, o que já não constituía novidade, uma vez que o pianista nutria profundo interesse pela música clássica, devendo lembrar-se que havia gravado anteriormente (julho de 1949) e para o selo "Atlantic", peças como “Pavanne”(Ravel) e “Reverie”(Debussy).

Em 1962 Garner constituiu a sua gravadora, a “OCTAVE Records”, que a partir daí passou a publicar suas gravações, sempre à base de clássicos do populário americano.

A essa altura e como acontece com artistas na crista do sucesso, Erroll Garner passa a desenvolver intensa e praticamente ininterrupta atividade, com apresentações em concertos, salas de espetáculos e teatros e, em particular, como participante cativo dos festivais de JAZZ (“remember Newport”, como o mais importante em termos de JAZZ).

Segue, após 14 de janeiro de 2010, em
(H) MINI-BIOGRAFIA – 3ª PARTE

01 janeiro 2010

BOSSA NOVA - AH SE EU PUDESSE COM WANDA SA E MENESCAL

Ainda no intuito de iniciar com esperanca este ano de 2010, nada melhor que num blog de Jazz & Bossa, postar um curto, contudo belissimo tema da Bossa Nova.

Ah se eu pudesse !!!!com a voz e o violao inconfudiveis de Wanda Sa e Roberto Menescal

Que este astral nos acompanhe por este ano

Beto Kessel

2010 - INICIANDO OS TRABALHOS COM BILLY TAYLOR & TOMMY FLANAGAN TOCANDO ORNITHOLOGY DE CHARLIE PARKER

Para iniciar 2010 com um astral positivo (apesar das noticias tristes que vem de lados distantes deste estado) segue um Duo de piano com Billy Taylor e Tommy Flanagan (*) tocando ornithology de Charlie Parker.

(*) esta saindo pela biscoito fino um album com Hank Jones e Tommy Flanagan

Um bom inicio de ano com muito Jazz a todos

Beto Kessel