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BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

13 novembro 2009

RETRATOS
12 = JOHNNY GRIFFIN
“Little Giant” or “Jazz Giant” ? ? ?
INTRODUÇÃO
A maior parte do texto seguinte relativo a JOHNNY GRIFFIN está baseada no roteiro que consta da coluna “CANTINHO DO JAZZ”, que mantive no Caderno de Cultura do jornal “Hoje Em Dia”, Belo Horizonte/MG (edição nº 2.084, 27/abril/1994, página 02). Agora evidentemente foram pesquisadas publicações e gravações pós-1994, assim como mais informações sobre esse músico excepcional que, para tristeza de todos nós, veio a falecer no passado dia 25 de julho de 2008, 6ª feira, em Mauprevior, interior da França; havia realizado apresentação na 2ª feira 21 de julho, em Hyeres, também interior da França.

(A) BIOGRAFIA - 1ª PARTE
Johnny Arnold Griffin III, artisticamente Johnny Griffin, nasceu em Chicago / Illinois, no dia 24 de abril de 1928, vindo a falecer aos 80 anos, vítima de ataque do coração, em Mauprevior / França, em 25 de julho de 2008.
Em função de sua gigantesca estatura como músico de JAZZ e de sua reduzida altura física, tornou-se conhecido como o “Little Giant”.
Sua mãe era pianista e cantora no coral da igreja local e seu pai cornetista; no lar sempre se ouvia e se executava JAZZ, “gospel” e “spiritual”.
Ouvia gravações de “blues” pertencentes a um músico amigo da família, ninguém menos que o grande contrabaixista Milt Hinton, que o levou a ouvir e a executar “blues”, mais ainda se considerarmos o “reforço” da cultura vigente em Chicago desde a década de 20 de século passado, a maior fonte do “blues” clássico.
Nesse ambiente musical Griffin cedo demonstrou aptidões, começando a estudar piano aos 06 anos (instrumento que utilizou até os últimos dias de vida para o estudo de harmonias), depois violão havaiano e guitarra (com a qual acompanhava “gospels” e “spirituals” cantados pela mãe na igreja), para em seguida iniciar-se nas lições de clarinete na DuSable High Schol, com o professor Captain Walter Dyett (considerado por Griffin com um grande disciplinador e que influenciou Nat “King” Cole, Gene Ammons, Clifford Jordan e Bennie Green), o que perdurou até seus 13 anos em 1941. Ai aprendeu todos os tipos de clarinetes, de oboé, de trompa, de corno inglês, de sax.alto e de sax.tenor. Aprofundou-se no exercício e na prática do sax.alto, para depois aperfeiçoar-se no tenor.
Na festa de formatura na escola em 1941 participou a banda de “King” Kolax, onde tocava sax.tenor Gene Ammons: essa exposição ao tenor de Ammons iluminou a mente de Griffin, levando-o a adotar o instrumento como seu preferido.
Inicialmente passou a ouvir Ben Webster, em seguida “estudou” Johnny Hodges, Don Byas, Dexter Gordon, Wardell Gray e Lucky Thompson, sem desprezar outras influências como Charlie Christian e Jimmy Blanton.
Mas foi ouvindo Charlie Parker que Johnny Griffin adotou novo estilo de fraseado e novos enfoques para o material harmônico, até cristalizar-se ao longo do tempo como um dos chefes da escola “hard bop”.
Já então Griffin se distanciava da “escola texana” da Arnett Cobb (fortemente representada por Illinois Jacquet, que inclui inegáveis impressões digitais do “rhythm & blues”) para, mesmo com suas acentuações agudas, criar sintaxe própria.
Já aos 15 anos tocava profissionalmente com T-Bone Walker, nos clubes locais = “DeLisa”, “ElDorado” e outros.
Em 1945 e com a tenra idade de 17 anos Griffin ingressou nas fileiras de Lionel Hampton, que tinha como sax.tenor Jay Peters; como este foi convocado para o serviço militar, Hampton recrutou Griffin, que com ele permaneceu até novembro do ano seguinte. Na banda de Hampton e em função da potente “massa” sonora do grupo, Griffin exercitou e adquiriu sua soberba técnica de respiração e sua extrema velocidade de fraseado, mesmo em alto volume, forma adotada para destacar seu volume do “ensemble”.
No ano seguinte, 1946, e até novembro Griffin participou de diversas gravações com a “big.band” de Lionel Hampton (os integrantes variaram nesse período), todas para os selos “MCA” e “DECCA”, entre as quais uma em New York, 78rpm, com o vocal de Bing Crosby (titular da gravação); o “carro.chefe” era o lado “A” (“Pinetop’s Boogie Woogie”), mas o sucesso veio com o lado “B”, o clássico “On The Sunny Side Of The Street”, até hoje adotado pelos músicos de JAZZ.
A partir daí e até 1949 Griffin atuou e gravou com as bandas de Joe Morris (egresso da banda de Hampton), Tony Mayo (e seus “Boys From New Orleans”), sendo que uma dessas gravações foi titulada pela cantora Wynonie Harris, mas com os mesmos integrantes das outras 02 bandas.
No início dos anos 50 do século passado Griffin foi convocado para ir para a Coréia (“Far East Command”), juntamente com mais 07 jovens negros; em função de um show que seria realizado para os oficiais, Griffin foi incorporado à banda do Exército no Hawaí, sendo dispensado de seguir para o front, o que provavelmente lhe salvou a vida já que os demais jovens convocados morreram na Coréia: o mundo ganhou um músico excepcional ! ! !
Sob o comando do tenorista Arnett Cobb com quem havia atuado na formação de Lionel Hampton, Griffin participou de gravação em 1951.
Sómente em 1956 (17 de abril) é que Johnny Griffin gravou pela primeira vez como titular, em Hackensack/New Jersey, no estúdio sob a batuta de Rudy Van Gelder (excelência ! ! !) e para o selo Blue Note. Foram 09 temas, reeditados vezes sem conta pela Blue Note, mas originalmente no album “Introducing Johnny Griffin” (“Nice And Easy”, “Lover Man”, “Cherokee”, “It’s All Right With Me”, “The Way You Look Tonight” estão entre esse temas).
A partir de 1957 Johnny Griffin passou a integrar o combo de Art Blakey, os “Jazz Messengers” (“ABJM”), com o qual se apresentou e gravou seguidamente, sempre em New York, tendo a oportunidade de atuar ao lado dos trumpetes de Lee Morgan e Bill Hardman, dos trombones de Melba Liston e Buster Cooper, do sax.alto de Jackie McLean e, sob o comando do líder Art Blakey (uma “cozinha” onde atuaram Thelonius Monk, Sam Dockery, Wynton Kelly, Tommy Flanagan e Junior Mance no piano, mais Spanky DeBrest e Paul Chambers no contrabaixo): uma senhora constelação para uma universidade de “hard bop”.
É no seio desse grupo que foi gravado o belo album “Art Blakey - A Night In Tunisia”.
Importante nesse ponto assinalar a influência que Griffin recebeu de Thelonius Monk, com quem manteve amizade cerca de 10 anos. Havia conhecido anteriormente a Bud Powell e a Elmo Hope e, por intermédio deles é que conheceu Monk; Griffin, habitualmente, ia às residências de Bud Powell e de Elmo Hope, onde tocava com Monk; mesmo quando estava no “A.B.J.M.” Griffin saia para tocar com Monk no “Five Spot”.
Griffin tinha Monk em alta conta e o admirava, inclusive por seu refinado senso de humor, declarando em certa ocasião: “......sair com ele era uma garantia, já que seu aspecto físico “assustava” qualquer transeunte mas, por trás desse aspecto era uma pessoa calorosa e bem humorada; em meio a uma discussão Monk podia ficar calado por 01 hora mas, em não mais que 03 ou 04 palavras, proferia sentenças determinativas e sempre com olhos à frente, para a vanguarda musical........
Em certa ocasião Monk demonstrou no piano que podia tocar como Art Tatum, deixando Griffin atordoado com a técnica de Monk, mas este disse-lhe que não precisava de “aeróbica pianística”, já que podia criar com seu estilo aparentemente parcimonioso.
Ainda que atuando no “ABJM”, Griffin gravou nesse ano de 1957 com outros grupos (destaque-se a gravação com o grande Clark Terry, em abril e para o selo Riverside), assim como gravou como titular (“Johnny Griffin Septet”) o antológico album “A Blowing Session”: Lee Morgan (trumpete), Griffin, John Coltrane e Hank Mobley (saxes.tenor), Wynton Kelly (piano), Paul Chambers (baixo) e Art Blakey (bateria), no estúdio de Rudy Van Gelder, legaram-nos pérolas do quilate de “All The Things You Are”, “The Way You Look Tonight” e outras; mellhor impossível ! ! !

Segue em
(A) BIOGRAFIA – 2ª PARTE

3 comentários:

Érico Cordeiro disse...

Mestre Apóstolo,
Mais uma vez, uma Resenha (com R maiúsculo), esquadrinhando a vida e a obra do Little Giant.
Impressionante como Griffin não goza do mesmo prestígio de outros tenoristas, embora seja dos mais competentes e criativos - o que ocorre com ele também acontece com o Sonny Stitt.
A Blowing Session é estupendo. Reza a lenda que Coltrane passava pela rua na hora em que Griffin e os outros iam pegar o carro para o estúdio do Van Gelder e foi convidado para participar da gravação ali na hora, de supetão.
Aliás, porque Coltrane não assinou com a Blue Note? Há uma série de lendas a esse respeito, mas o fato é que ele só gravou o Blue Train (creio que há outros discos de Trane pela Blue Note, como o Coltrane Time, mas são espólios de outras gravadoras).
Abração e parabéns.

John Lester disse...

Uma perda realmente lamentável...

Felizmente tive o privilégio de ouvi-lo no Rio - não sei se no Free, no Tim ou no Chivas - pequenino, com aquele tenor quase do seu tamanho, tirando um som imenso e fazendo um hard bop como poucas vezes assisti ao vivo.

Grande abraço, JL.

Anônimo disse...

Alô Lester,
Acho que vc confundiu Tete Montoliu com Michel Petruciani. Que eu saiba, Tete nunca esteve no Brasil.
abcs.
llulla