Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

20 julho 2009

LANÇAMENTOS DO CJUB



O concorrido lançamento do CD "O Som do Beco das Garrafas" de David Feldman em 20 de julho de 2009, derivado de uma produção do CJUB de 31 de março de 2005, foi um sucesso com o pianista Feldman liderando seu trio com uma categoria impressionante, demonstrando sua personalidade marcante e um ritmo contagiante da bossa jazz.

Assistindo a tudo ao lado de Milton Nascimento, a veterana e magnifica cantora Jane Duboc, já trazia em mãos seu novo CD "Tributo a Ella Fitzgerald", mais uma idealização do CJUB, lançado no concerto de 7 de abril de 2006 no Mistura Fina, com o nome de Dear Ella, com produção de David Benechis.

Jane Duboc canta e Victor Biglione toca sua guitarra junto com uma banda de primeira num passeio pelas famosas canções de Ella Fitzerald como Night and Day, Stormy Weather, Ain't Got Nothing the Blues, Bonita de Jobim, Here is That Rainy Day, Autumn in New York/April in Paris/A Foggy Day, Satin Doll, Come Rain or Come Shine, Angel Eyes, Lush Life, Someone to Watch Over Me e um medley com Embraceable Yo/How Long This Been Going On/Love Is Here To Stay.

Para breve será o lançamento desse CD emocionante, mais um orgulho do CJUB que Jane e Victor se empenharam em gravar, a ser lançado pela Robdigital.














43 comentários:

Bene-X disse...

Pelo alto nível dos concertos, com arranjos brilhantes e o afiadíssimo trio do Victor, mais aquele carisma e voz celestial que só a Jane tem - sem sequer longínquo rival -, logo se vislumbrou verter a idéia para álbum, o que, agora, felizmente se materializou.

A menção ao CJUB era promessa antiga tanto do Victor quanto da Jane. E cumpriram.

Só espero que o pianista de ontem tenha feito a mesma justiça, explicitamente, dando o crédito da ideía. Era o mínimo a fazer com quem - e no caso, mais, nosso Pres. MauNah, obstinadamente - nele, então um soleníssimo desconhecido do público carioca, tanto apostou. Na música, ao menos no primeiro concerto, não decepcionou, muito ao revés. No segundo, a ele "demos", "só", imaginem, Duduka e Nilson ... Vamos ver se aprendeu o significado de algo tão caro quanto o sentimento de gratidão.

Valeu, Mário, pelo furo. Valeu Victinho, valeu Jane.

Abs.,

Beto Kessel disse...

Não pude ir ao lançamento do CD do Trio pilotado pelo David Feldman, mas também fiquei curioso se ele mencionou o concerto do CJUB no Mistura como o embrião deste trabalho.

Beto Kessel

Beto Kessel disse...

Não pude ir ao lançamento do CD do Trio pilotado pelo David Feldman, mas também fiquei curioso se ele mencionou o concerto do CJUB no Mistura como o embrião deste trabalho.

Beto Kessel

Mario disse...

Beto, não houve menção, sequer agradecimentos como a Jane e o Victor fizeram.

Bene-X disse...

Agora você vê, Mário. Como costuma dizer nosso Sazz, com a peculiar contundência: "Mas eu avisei antes !!!", "Eu já tinha dito !!!".

Ah, pianista, quanta diferença !!!

Que seja feliz.

Clodoaldo Reis disse...

Jane Duboc?

Victor Biglione?

Os dois juntos em um tributo a Ella Fitzgerald?

Caramba!

Tô fora! Deus me livre!

Bene-X disse...

Clodoado? Reis?

Os dois juntos em um tributo a asneiras?

Caramba!

Tô fora! Deus me livre!

Clodoaldo Reis disse...

Como o senhor é criativo, Benex.

Fala sério... você entende alguma coisa de jazz, mesmo?

Pelamordedeus.

Bene-X disse...

Nem vou perder meu tempo com um tipo como v. Mas, respondendo sua pergunta, trate de ler, primeiro, lá no topo do blog, quem é o terceiro nome incluído como editor deste blog especializado. Segundo, pergunte a José Domingos Raffaelli, Luiz Orlando Carneiro, Arlindo Coutinho, Luiz Carlos Antunes, Mario Jorge Jaques, Pedro Cardoso, e a quem mais quiser dentre os scholars do jazz brasileiro, se David Benechis entende ou não de Jazz, ok ?

Procura sua turma, cara !

Érico Cordeiro disse...

Caro Bene-X,

Lembrando o grande Mário Quintana:
"Esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão
Eu passarinho".

A Jane, além de ótima cantora, tem nos brindado com grandes discos ultimamente (o com o Arismar é maravilhoso).
Estou ansioso para ouvir essa nova jóia, que deve ser fabulosa, haja vista os músicos envolvidos (em especial o nosso amigo Tandeta) e o excepcional repertório.

Abraços a todos e Sr. Clodoaldo, mais importante do que "entender de jazz" é necessário "amar o jazz". Felizmente para nós, que comungamos do amor por essa música extraordinária, o CJUB é uma casa onde essas duas características(amor e conhecimento) andam de mãos dadas!

Bene-X disse...

Parabéns, Érico. Você demonstrou a sobriedade que é a marca dos amigos e visitantes, educados e respeitosos, que tanto abrilhantam este blog.

Abs.,

Mau Nah disse...

Bene-X,
nosso tempo da audicao eh muito caro, qualquer que seja a acepcao da palavra, para perde-lo com a desimportancia de um comentario como o acima efetuado pelo luminar.
E Erico, obrigado pelo carinhoso suporte, mas gastar um Quintana com isso, eh como bala de prata para um mosquito. Pernilongo.
Grandes abs.

José Domingos Raffaelli disse...

Caríssimo amigo Bene-X,

Há muito tempo ausente deste blog por motivos especialíssimos, deparei-me hoje com o infeliz e lamentável post desse indivíduo, mas que não o atinge, absolutamente.

Quanto a você entender de jazz, nada pode ser contestado e todos conhecem muito bem minha opinião sobre seus conhecimentos, que sempre manifestei a respeito e e aqui faço questão de reiterar: caso todos que gostam de jazz tivessem sua cultura jazzística e seu espírito altamente informativo buscando incessantemente subsídios através de anos de audição constante e dedicada das gravações de jazz, não leríamos sandices como as que lemos naquele ataque gratuito e injustificável à sua pessoa.
Mas, não se preocupe, pois, lamentavelmente, no meio jazzístico carioca há inúmeros invejosos que só preocupam-se em criticar os outros.
Como você sabe, ao longo da minha vida profissional, fui alvo de campanhas difamatórias de invejosos, tanto em jornais como em rádio, que, em sua mediocridade, em vez de fazerem algo positivo em pról do jazz no Brasil, limitam-se a inventar calúnias e mentiras sobre aqueles que, como seu, sempre dedicaram-se a trabalhar criteriosa e honestamente em divulgar e informar o público interessado em jazz.
Para não me estender em demasia, nos anos 70 três desses invejosos fizeram uma forte campanha contra mim através de um jornaleco que um deles editava, e, no auge de sua mediocridade, foram ao Consulado Americano informar-se se eu efetivamente viajara aos Estados Unidos na época em que ouvi Charlie Parker ao vivo. O consulado não deu a informação, mas uma funcionária daquele organismo americano, minha amiga, contou-me o episódio, inclusive dando nomes aos bois.
Conto isto com o intuito de relatar a que ponto alcança a inveja dos mediocres. Poderia contra-lhe outras "façanhas" (inclusive por parte de um conhecido ex-funcionário de uma gravadora), mas fico por aqui para não estender-me além do que já me estendi.
Queiram esses invejosos ou não, sou o único jornalista brasileiro na área do jazz e música instrumental brasileira que trabalhei em jornais, produzi e apresentei programas de rádio em cinco emissoras cariocas e redigi por cinco anos um programa de jazz na TV-Manchete. Além disso, sou o único jornalista não americano que recebeu o troféu da IAJE, em 1999, em cerimônia realizada no Mistura Fina, como "melhor crítico de jazz do mundo não americano". Isto deixou os invejosos muito insatisfeitos e preocupados. Um deles escreveu em seu jornaleco que "inventei a notícia sobre essa cerimônia".
Isso pode dar uma idéia de como esses infelizes invejosos mordem-se os cotovelos ao saberem de uma realização desse porte da qual muito me orgulho e ninguém pode contestar.

Meu caro Bene-X, você está infinitamente acima desse infeliz episódio e sabe que conta com minha total solidariedade, assim como de todos os cejubianos.

Grande abraço e keep swinging,

Raf

Anônimo disse...

Meu caro Bene X,
Isso está parecendo coisa do "Jazz Educator"
que óbviamente não assinaria tal comentário. Possivelmente inventou um nome para dar sua opinião caótica e mal intencionada. Como dizia a antiga marchinha de carnaval : "Yes, nós temos bananas pra dar e vender".
abcs.
llulla

Tenencio disse...

Amigos,
esse comentario la em cima é desagradavel, certamente, mas na minha opinião não deveria abalar voces dessa maneira. Se eu sei alguma coisa eu sei e ponto.Ninguem, muito menos alguem que nem sei quem é vai me tirar do serio duvidando daquilo que eu tenho total convicção de saber. Deixa falar. Parece ser um tipico caso de "muita calça pra pouca perna".
Meu querido Davi,
sugiro usar sua cultura jazzistica e facilidade com a lingua patria para nos brindar com posts sobre jazz onde certamente seu conhecimento da materia aparecera de maneira inteligente e clara. Alem da generosidade de dividir seus conhecimentos com todos nos.
Abraço

Bene-X disse...

Queridos Raffa, Lulla e Tenencio, grato pelas palavras tão gentis. Saudades de estar com v. e falar, claro, daquilo que entendemos mais em 2o. lugar: Jazz. A 1a. coisa, claro, é nossa amizade incondicional, escudo contra incautos e filisteus "educators".

Vamos marcar um almoção do CJUB para logo, proponho para uma das sextas-feiras de agosto, que tal ? Aí a gente põe o jazz, os "causos" que tanto adoro ouvir de vocês, Mestres, e o bom humor de sempre, em dia.

Abs calorosos (sem atestado, Mestre Llula ...),

Érico Cordeiro disse...

NOTA TRISTE:
O band-leader, compositor e arranjador George Russell morreu na segunda-feira, 27 de julho, devido a complicações decorrentes do Mal de Alzheimer. RIP!

Beto Kessel disse...

Acho a sugestao do almoco (14.08 seria uma boa...estarei de ferias e um almoco mais demorado nao seria problema)interessante...

Quanto ao comentario infeliz do SR "Clodoaldo" sobre o interessante Duo, deveremos esquecer..e irrelevante.

Beto

APÓSTOLO disse...

Prezado Bene-X:

Os cães ladram e a caravana passa.
Há momentos em que o ladrar dos cães nos lembra que eles existem...

Mario disse...

Ja tem data marcada o lançamento do disco da Jane e do Victinho. Será no dia 11 de agosto na Modern Sound.
Podem ir reservando suas mesas. Será inequecível.

Bene-X disse...

É isso, Apóstolo, sábias palavras !

Abs.,

Express disse...

Pessoal do CJUB. Eu, na minha, escondidinha, sempre acompanhei os posts e comentários que rolam por aqui. Durante esse tempo consegui quase fotografar as personalidades e conhecimentos jazzísticos dos que mais assiduamente atuam no blog. A maioria, infelizmente, adota uma postura reacionária, como se o jazz fosse passado. Nesse aspecto, o JoFlavio, que andava sumido, parece ser o cara mais antenado, trazendo coisas novas e comentários de quem parece ser musico. Comprei alguns discos por causa dele. O Tenencio também escreve com propriedade. O resto, que me desculpe, deveria se unir e criar um outro blog, tipo Museu do Jazz. Mas nem por isso vou deixar de acompanhar o CJUB. Bem ou mal, “o assunto é jazz”.
Marcia Nunes – Campo Grande-MS

Beto Kessel disse...

Marcia,

Me permito discordar de voce..."First of all", gostar de musica nao me parece reacionário, qualquer que seja a epoca que a mesma tenha sido composta..

Se fossemos transpor seus comentários para a musica chamada erudita, então gostar ou citar Bach, Mozart e outros seria falar em Museu ?

Falar em Parker, Coltrane e tantos outros significa falar em musica universal....

Como terminam aqueles desenhos, That's all folks.

E nunca esquecendo que o Assunto é Jazz, e mais do que nunca musica de qualidade, independente de epoca...

Disto com certeza os CJUBianos não abrem mão, voce pode ter certeza, ainda que a Down beat fale que os leitores escolheram a, b ou c em determinada posição.

Continue nos visitando

Beto

Express disse...

Beto
Acho que nao me interpretou bem. Claro que Parker e Coltrane foram marcantes, fatais. Sou ligada a musica regional da minha região, pantanal, de qualidade, acho. Mas gosto e sempre gostei de jazz, que alias faz parte de minha musica. Falar em monstros sagrados como Parker, Coltrane, Gillespie, de repente passa a ser redundância. Gosto e muito das novas nuances do jazz contemporâneo, que inclusive incorpora ritmos genuinamente brasileiros. E o CJUB, na minha opinião, nesse sentido, é omisso, com raras exceções. Mesmo na musica clássica (e não erudita), procuro os contemporâneos, novas idéias. As informações do passado já as tenho e me acrescentaram muito. Mas obrigada pela atenção. Sempre que possível, estarei visitando o CJUB. Beijos. Marcia Arlety Nunes.

Mario disse...

Marcia, voce pode concordar ou discordar, a tribuna é livre, de preferência que seja sobre jazz e bossa.
Solte os acordes!!!

Clodoaldo Reis disse...

Express, é triste, mas a grande maioria, aqui, é extremamente conservadora e "reacionária" quando o 'assunto é jazz'. Coltrane, Parker e Miles são geniais. The Bad Plus, Adam Rogers ou Chris Potter também são. Infelizmente, mais desconhecidos do que geniais. Pior para eles, express. Muito pior. Isso aqui, com raríssimas exceções, é o Jazz Museum.

APÓSTOLO disse...

Estimados comentaristas:

1. Arte não tem idade.
2. Beleza não tem idade.
3. Museus sempre devem ser visitados: sempre se pode aprender algo de muito bom, que não seja "novidadeiro".
4. Gostaria de ser lembrado por meus filhos, netos e posteriores, pelo que fiz e deixei de bom. Em outras palavras, não gostaria de ser esquecido. Aquele que não respeita o passado, com certeza não deve possuir lá aquelas aspirações presentes ou futuras.
5. Uma das caracteristicas dos povos latinos, e o brasileiro aí não lhes escapa, é o imediatismo, o ser a favor e cultor de novidades, é a total falta de conhecimento, de permanente revisão, recordação, citação, estima pelos que possibilitaram aos de hoje e aos do futuro, criar sobre o que inovaram no passado (e no JAZZ, passado bem recente).
6. Sem ARMSTRONG, ELLINGTON, PARKER, COLTRANE, GETZ, CLIFFORD, SARAH, PETERSON e outros tantos, o que seria dos moços, ah, esses pobres moços.
7. A música de JAZZ tem toda uma sintaxe própria, uma linguagem que lhe é inerente, vitalidade, técnica e construção pessoais; via-de-regra aqueles que ouviram as raízes superficial e açodadamente não conseguem captar a essência. Muitos "caronas" utilizam a expressão JAZZ para cunhar, rotular, o que nada ou quase nada tem a ver com JAZZ. Muitos e muitos dos atuais músicos que se dizem ou são alcunhados como de JAZZ, nada mais são que "caronas". JAZZ não é um rótulo, é a ARTE POPULAR MAIOR do século XX e doadora para os muitos séculos que se seguirão.
8. "Last but not least", ser conservador é uma virtude, já que preserva valores, o mais das vezes desconhecidos ou descartados pelos que vivem o "up-to-date".
Abraços fraternos a todos e criticar é sempre bom: algo aprendemos e, se "O Assunto É Jazz", melhor ainda.

JoFlavio disse...

Marcia.
Primeiramente agradeço pela referência elogiosa à minha atuação aqui no CJUB. Se faz tempo acompanha o blog, deve ter lido algumas discussões sobre essa polêmica de se privilegiar o jazz do “passado”, com poucas informações de novos músicos, grupos, CDs, DVDs. Isso já deu pano prá manga, e muito. O CJUB possui um quadro invejável de “experts” da matéria. E claro cada um tem sua preferência e a tribuna é livre. Faço a minha parte. Um dos primeiros posts que escrevi foi sobre o grupo Steely Dan – entenda-se Donald Fagen. O pau quebrou. Mas o que importa aqui é a variedade de informações, sem que haja qualquer tipo de constrangimento.
Apareça sempre.

Érico Cordeiro disse...

Caros Clodoaldo, Márcia e amigos do CJUB,
Essa discussão entre novo e velho, entre modernidade e tradição, a meu ver não faz muito sentido.
O que existe é a boa música e a música ruim.
Lawrence Welk, por exemplo, fazia música na mesma época em que Parker, Young, Coltrane, Billie, e fazia uma música muito ruim - até standards de Cole Porter e Irving Berlin ficavam pavorosos em seus arranjos pesados, quadradões e sem um pingo de swing.
Aliás, boa parte da produção de Porter, Berlin e Gershwin tem mais de 60 anos e nem por isso essas perdem a qualidade ou o interesse.
Talvez devêssemos aprender mais com os japoneses e seu respeito quase reverencial pelos mais velhos - o novo pelo novo é tão estéril quanto o velho Lawrence Welk se não vier acompanhado da necessária "alma".
Bad Plus, Medeski, Martin e Wood, Madlib, Eric Truffaz e outros que fazem a cena de jazz contemporânea são importantes e estão a explorar novos caminhos e sonoridades para o jazz.
Respeito-os como artistas e respeito o seu trabalho. Mas o que eles tocam não me emociona e essa é a grande questão: a música deve ser capaz de emocionar.
Se um DJ, espremido em um minúsculo porão londrina está fazendo uma música que emocione as pessoas, bravo! Está fazendo ARTE e isso é muito bom, embora, talvez, essa música não combine com o meu gosto pessoal. Se esse mesmo DJ está fazendo malabarismos com os pick ups e pondo todo mundo prá dançar, sem que essas pessoas sejam tocadas ou se sintam emocionadas, o que ele está fazendo não é arte - é entretenimento, algo tão saudável e vital quanto a arte, embora bastante diferente.
No jazz do período "clássico" (o que foi feito entre as décadas de 30 e 60) a arte e o entretenimento, muitas vezes, caminham de mãos dadas.
As orquestras de swing, os bailes de Earl Bostic impregnados de R&B (de lá saiu, ora veja, o grande Coltrane), as jams da Rua 52 são exemplos dessa convivência, proveitosa tanto para quem quer ouvir uma música de qualidade quanto para quem quer apenas se divertir.
Não percebo no jazz contemporâneo essa mesma capacidade de ser, ao mesmo tempo, capaz de emocionar e de celebrar. Sinceramente, prefiro os velhos e bons Gillespie, Parker, Powell, Gordon, Morgan, Peterson, Mingus, Coltrane, Rollins, etc., sendo que alguns desses artistas morreram antes mesmo de eu nascer. Esses músicos se tornaram eternos pela força de sua arte, algo intemporal. Daqui a cem anos, se ainda houver pessoas que gostem de jazz, elas ainda vão ouvir esses gênios, porque essa música não tem prazo de validade, não é efêmera. Da mesma forma, ainda hoje se lê Cervantes, Maupassant, Dostoiévski, Kafka, Huxley, Greene, Hemingway, Balzac - não creio que esses grandes escritores estejam datados - seus escritos continuam a possuir a capacidade de emocionar e entreter.
Os museus são lugares muito bacanas, que merecem ser visitados com freqüência, para que possamos aprender com eles e comprender melhor a realidade que nos cerca.
De preferência, ouvindo música de qualidade - seja jazz ou não, seja música contemporânea ou não.

Paulo Macedo disse...

Essa discussão é interessante...

O jazz, ou melhor, as várias formas de jazz sempre foram contemporâneas em seu tempo. O jazz sempre representou, em cada vertente, a música de seu tempo. A cada década do século passado tivemos mudanças marcantes na forma de expressão musical dentro da esfera jazzística. Swing, Be Bop, Hard Bop, Cool Jazz, West Coast, Free, Fusion, Smooth Jazz, Acid Jazz, Neo Bop, Hip Hop + Jazz, Jam Band e outras variações, umas mais impregnadas do jazz clássico (anos 40-60), outras mais distantes do jazz clássico, compõem o que, hoje, entendemos como jazz. Ao misturar-se com a música que é feita em todo o mundo, o jazz continua nos surpreendendo a cada dia com uma música cheia de vitalidade/renovação. O melhor exemplo dessa vitalidade/renovação é Dave Holland. Holland, de todos os que tocaram com Davis, talvez seja o que melhor compreendeu o seu espírito. Seus quartetos, quintetos, sextetos e big bands têm sido um manancial de músicos talentosos. Esse músicos mantém viva a renovação criativa, tão essencial ao jazz.

É impressionante como temos dificuldades em entender, e aceitar, o 'novo'. Foi assim no tempo do Be Bop ("acabaram com o jazz"). É uma pena que muitos repetem o mesmo erro que a própria história do jazz nos ensina a evitar. O coração deve estar aberto para novas emoções. Isso implica em uma profunda imersão e na elaboração de uma nova forma de entendimento musical, que requer, inicialmente e fundamentalmente, desprendimento. O mesmo desprendimento que Diz e Parker tiveram nos anos 40 e que foi 'amaldiçoado' por Louis Armstrong. A escolha é pessoal. Alguns viverão, eternamente, como Armstrong, outros nasceram para Parker.

Abraços

JoFlavio disse...

Paulo.
Parabéns pelo comentário. Perfeito, com argumentos incontestáveis. Estamos na mesma barca, que, claro, saiu de New Orleans e continua navegando.

Bene-X disse...

Ao contrário do que a maioria pensa, imagino que esta dicussão é absolutamente estéril e, digo mais, incauta, porque parte de comparações esdrúxulas entre música e músicos de tempos, gerações, ambientes, modismos, mercados e momentos históricos interiamente diversos.

Por outro lado, a simplificação que envolve a fragilíssima teoria do "gosto pessoal", a mim também abomina.

Este blog, como nenhum ao menos no Brasil, fala de JAZZ. Sim, senhores e senhoras, de JAZZ. Do verdadeiro JAZZ, do passado, do presente e, quantas vezes, daquele que poderá ser o JAZZ do futuro.

Primeiro, estarreceria qualquer "crítica" ao extraordinário trabalho - ABSOLUTAMENTE INÉDITO NA INTERNET BRASILEIRA, e creio, EM TODO O MUNDO VIRTUAL DE LÍNGUA PORTUGUESA - de precioso resgate das mais importantes figuras que ajudaram a cunhar, desde o berço do jazz, os contornos e a essência do gênero.

Só por isso, o CJUB já seria o mais importante, de longe, site na matéria, repito, em língua portuguesa, pois em nenhum outro lugar na rede, com a dicção de nosso vernáculo, há tão minudente e enciclopédica fonte de informações para os que desejam conhecer o nascimento e desenvolvimento do JAZZ.

Em segundo lugar, o CJUB reúne, à exceção (ainda) de Calado e Mugiatti, que sobre o tema muito produziram - TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS OS MAIORES SCHOLARS DO JAZZ, NO BRASIL. Que outro veículo contou ou conta, a um só tempo, com nomes como Raffaelli, LOC, Lulla, Coutinho, Mario Jorge e Apóstolo - estes hors-con-cours -, sem contar outros editores de hercúleo conhecimento (JoFlávio, Tenêncio, Sazz, I-Vans), e os demais, todos com história de absoluta dedicação ao mais atento estudo e audição de milhares de álbuns de jazz.

Recomendo, portanto, cuidado, muito cuidado, ao se dirigir comentários maniqueístas - e pouco, muito pouco abalizados, desculpem-me - a um fórum como este, muito ao revés do que se disse, dos mais abertos - SENÃO NISTO O MAIS ESPECIALIZADO - à discutir a evolução e tendências que marcaram o estilo.

A maior prova disto é o post fixo, o primeiro que marca a página "o que estamos ouvindo", onde qualquer um pode dizer qual album de jazz, do passado, recente ou remoto, ou lançamento, que lhe tem dito ao coração e porque tal ocorre.

Aqui é lugar para mestres, estudiosos, amantes, diletantes e iniciados e iniciantes do e no jazz. Do e no JAZZ, ok ?

Abs.,

Bene-X disse...

errata: "a (e não "à", com crase) discutir a evolução e tendências que marcaram o estilo".

Abs.,

JoFlavio disse...

Bene-X
Meu caro, não sabia que vc falava aramaico.

Bene-X disse...

E voltando ao tema original do post, embora suspeito para falar, finalmente hoje, juhtamente com o Sazz e o próprio Victor, ouvi o disco dele e da Jane com canções gravadas por Ella, trabalho cuja original idealização, aliás, partiu do CJUB, tanto que este é o primeiro nome a constar dos agradecimentos do encarte.

Bom, suspeito ou não, não resisto: É E S P E T A C U L A R !

Arranjos concisos mas entalhados, compasso a compasso, em madeira de lei, de forma primorosa quando não originalíssima e surpreendente, por um Biglione tão iluminado quanto os baluartes de seu trio, Barrozo e Tandeta.

Jane é um capítulo à parte: Jane, como Ella, não tem só a voz de um anjo. Ela e Ella são autênticos anjo, enviados do Altíssimo para nos ungir.

O álbum, em sua liturgia de pura poética, da primeira à última nota, remodela as fisionomias, esfacela o cético e nos faz revisitar o sorriso único daquelas realizações mais plenas, aquelas que, do nada - de surpresa - fazem águar e entornar, maçãs do rosto abaixo.

Abs.,

Bene-X disse...

errata: "Jane é um capítulo à parte: Jane, como Ella, não tem só a voz de um anjo. Ela e Ella são autênticos anjos (e não anjo, no singular), enviados do Altíssimo para nos ungir.

O álbum, em sua liturgia de pura poética, da primeira à última nota, remodela as fisionomias, esfacela o cético e nos faz revisitar o sorriso único daquelas realizações mais plenas, aquelas que, do nada - de surpresa - fazem aguar (e não "águar", com acento) e entornar, maçãs do rosto abaixo."

Abs.,

Paulo Macedo disse...

Caro JoFlavio,

Foste perfeito:"Estamos na mesma barca, que, claro, saiu de New Orleans e continua navegando."

Esse é o verdadeiro espírito do jazz. Navegar é preciso!

Grande abraço.

Tenencio(Andre Tandeta) disse...

Em primeiro lugar quero corrigir uma omissão,involuntaria é claro. Davi, voce esqueceu de falar do Marco Tommaso ,pianista ,que é participante desse disco do Victor e da Jane. Agradeço pelos elogios e tenho certeza que são extensivos a esse grande musico que é o Marco Tommaso.
Colega JoFlavio,
uma alegria sempre poder ler seus comentarios e posts,escreva mais por favor. Voce é com toda certeza o mais ligado daqui no que se faz no jazz contemporaneo ,nos Estados Unidos,no Brasil,na Europa,enfim em todo o mundo.
Quanto a discussões sobre a importancia do velho sobre o novo ou vice versa ja escrevi um post ano passado com esse titulo"O Velho e o Novo". Seria tedioso resumir o conteudo aqui mas só digo o seguinte: para nos musicos velho e novo são adjetivos que na verdade são irrelevantes.Existe musica boa e musica ruim , continuem prestigiando a boa,por favor.
Marcia do Pantanal,
agradeço a lembrança mas eu sou o mais chato daqui do CJUB e tenho levado essa chatura para incomodar os tambem amigos dos excelentes blogs Jazzseen(John Lester a frente) e Jazz+Bossa + Baratos Outros(Erico Cordeiro no timão).
Continue mandar seus comentarios.
Abraços a todos

Bene-X disse...

errata 2 (apud Tenêncio, com a mais justa e absoluta razão): "Arranjos concisos mas entalhados, compasso a compasso, em madeira de lei, de forma primorosa quando não originalíssima e surpreendente, por um Biglione tão iluminado quanto os baluartes de seu quarteto, Tommaso, Barrozo e Tandeta."

Mario disse...

Andre, estão falando que o lançamento da Robdigital é evento fechado, só vão ter mesas para os simples mortais na área externa, que é muito ruim. Se voce puder intervir e conseguir uma mesa para nós do CJUB será ótimo.

Um abraço,

Mario

edú disse...

Freqüentemente discordo, sem fazer esforço algum,de 99,9% das opiniões,modo e estilo do David.Todavia,não impede q mantenha respeitosa consideração sobre suas idéias e conceitos.No entanto, em determinados casos, é impossível deixar de não discordar 100% de algumas particulares opiniões.Principalmente quando elas flertam, na minha leitura, despropositalmente pela soberba.Lamento, sobretudo, q em virtude de suas atribuições profissionais não disponha de tempo adequado para tomar ciência da presença de outros blogs de jazz fora do âmbito da página Cjub q enobrecem convivência nesse mundo caracterizado como blogsfera.

Tenencio disse...

Mario,
sinto muito mas nada posso fazer nesse sentido. Sou apenas o baterista.
Abraço

JoFlavio disse...

Bene-X

Que tal um "mea culpa"? O Edù tem toda a razão, ou não?