Editores e Colaboradores : Mauro Nahoum (Mau Nah), José Sá Filho (Sazz), Arlindo Coutinho (Goltinho); David Benechis (Bené-X), José Domingos Raffaelli (Mestre Raf) in memoriam, Luciana Pegorer (PegLu), Luiz Carlos Antunes (Llulla) in memoriam, Ivan Monteiro (I-Vans), Mario Jorge Jacques (MaJor), Gustavo Cunha (Guzz), José Flavio Garcia (JoFla), Alberto Kessel (BKessel), , Gilberto Brasil (BraGil), Reinaldo Figueiredo (Raynaldo), Claudia Fialho (LaClaudia), Marcelo Carvalho (Marcelón), Marcelo Siqueira (Marcelink), Pedro Wahmann (PWham), Nelson Reis (Nels), Pedro Cardoso (o Apóstolo) e Carlos Augusto Tibau (Tibau).

BLOG CRIADO em 10 de maio de 2002

15 julho 2009

50 ANOS SEM BILLIE

A carreira de Billie foi marcada por três fases, assim tão distintas, que nos passa a impressão de terem sido três diferentes cantoras. A primeira nos traz a Billie solta, relaxada, balançando ao gravar 120 canções acompanhada dos melhores músicos e solistas do Jazz na década de 30.
Em segundo a Billie depois que gravou Strange Fruit uma canção de protesto ao racismo, uma canção profundamente comprimida de dor apresentando a morte cantada com muito sentimento e emoção. Este evento alterou imediatamente o curso de sua carreira, transformando-a em uma cantora algo dramático criando então, Gloomy Sunday, God Bless The Child, I Cover the Waterfront e foi quando começou a interpretar mais e melhor o Blues.
Finalmente, nos últimos anos de sua vida na década dos anos 1950 à voz de Lady Day faltou o fulgor e a entonação anterior. Cantou em um estilo áspero, até mesmo dirty (sujo), contudo mantendo a magia da emoção.
Billie iniciou suas gravações em 1933 quando o país estava sob os efeitos da Grande Depressão Econômica e as gravações de Jazz foram reduzidas a cerca de 5% do pico de 1927. Os estilos de New Orleans/Chicago já não eram tão considerados pelo público que preferiam as valsas e as doces canções da Broadway. Alguns líderes como Ellington, Henderson, Basie, Lunceford e Goodman lutavam para manter o swing.
De encontro a este clima, o aristocrata John Hammond mantinha uma inesgotável convicção do valor do Jazz, quando descobriu a jovem Billie em um cabaré do Harlem e conseguiu convencer o turrão Benny Goodman a usá-la em sua orquestra. (Desconfia-se que Hammond tenha pago por isso) e em 27 de novembro de 1933, uma bela segunda feira – "fiat lux" - a voz radiosa porém ainda um tanto tímida de Billie foi registrada pela primeira vez em - Your Mother's Son-In-Law (Col 2856-D) com a participação de Benny Goodman, Charlie Teagarden e Shirley Clay (tp), Jack Teagarden (tb), Art Karle (st), Joe Sullivan (pi), Dick McDonough (gt), Artie Bernstein (bx), Gene Krupa (bat) e Arthur Schutt (arranjo).
A 18 de dezembro Billie volta ao estúdio e grava Riffin' The Scotch (Col 2867D).
Hammond continuando em sua inexaurível fé a crer no encantamento de Billie induz Duke Ellington a usá-la para substituir Ivie Anderson no vocal do filme de curta metragem – Symphonie in Black (out/1934) cantando Big City Blues.
Em New York a 2 de julho de 1935 Hammond promove sua primeira “sing-swing” durante a qual Billie canta acompanhada pelo pianista Teddy Wilson incluindo Benny Goodman sob o pseudônimo de John Jackson, e mais Roy Eldridge (tp), Ben Webster (ts), John Trueheart (gt), John Kirby (bx) e Cozy Cole (bat). Aqui realmente surge a glória de Billie ao interpretar com este magnífico acompanhamento jazzístico - I Wished On The Moon, What A Little Moonlight Can Do, Miss Brown To You e Sunbonnet Blue And A Yellow Straw Hat.
Teddy e naturalmente todo o grupo se encantou com Billie e nos anos de 1936 a 38 fizeram 45 registros consolidando sua carreira. Logo depois liderou um grupo e foi crooner de Basie, de resto foi o que sabemos e ouvímos até hoje.
Ressalte-se a empatia entre Billie e o saxofonista Lester Young gravando juntos a partir de dezembro de 1940 em uma jam session na emissora WNEW. Sempre foi dito que Billie usava a voz tal qual um instrumento, e qual seria? um doce e terno saxofone tenor.
O trabalho de Billie é calcado na sensualidade, na expressividade e espontaneidade, capaz de transformar radicalmente uma canção sem nenhum exagero vocal.
Eleonora Holiday faleceu a 17 de julho de 1959 – 50 anos sem Billie - mas deixando um legado marcante na história do Jazz vocal.

7 comentários:

APÓSTOLO disse...

Prezado MÁRIO JORGE:

Bela lembrança, bela resenha, bela homenagem.

Nelson disse...

Mário,

Endosso aqui as palavras do nosso bom amigo e confrade "Apóstolo" Pedro, acima colocadas. Mas, todos que apreciam a música de jazz e ouviram Billie, jamais esquecerão suas interpretações ímpares, tais como as de Strange Fruit, My Man e God Bless the Child.
Assim, Billie tornou-se imortal e irão passar-se outros 50 anos ou mais e, "Lady Day" será sempre ouvida, pelo menos "pr'a quem é do ramo" - como diria o velho Danilo Lemos que por ela tinha verdadeiro fascínio, como também por Bessie Smith.
Parabéns pelo seu trabalho, Mestre.
Um abraço.
Nelson Reis

Érico Cordeiro disse...

Para celebrar a alma dessa artista, o jornalista Roberto Muggiati dará a palestra Lady sings the blues no Espaço Telezoom, numa produção da nossa colega blogueira Valéria Martins.
Quem puder ir, por favor não perca!!!!
Dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h, no Espaço Telezoom – Rua Dias Ferreira, 78/301, Leblon.
Tel.: (21) 3435-1617.
Ingresso: R$ 20,00 (meia entrada para estudantes)
Abraços a todos!!!

Beto Kessel disse...

Quando comecei a me interessar pelo Jazz, do qual alias jamais me afastarei, os primeiros nomes de cantoras que fui descobrindo foram Ella e Sarah. Depois descobri o God bless the child e Billie entrou no seleto grupo.

Grande resenha.

Abracos,

Beto Kessel

Roberto disse...

Prezado Major

Um belo resumo sobre a grande Billie.

Apenas uma ressalva: As primeiras gravacões com Lester Young aconteceram em junho de 1937.

MAJOR disse...

Valeu roberto, falha nossa

Major

MAJOR disse...

Roberto, perdão outra falha mais grave, saiu seu nome com minúscula
Major